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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Gianni Vattimo já reza as Completas

Agora, Gianni Vattimo já reza as Completas. Aqui.


Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,
deixareis ir em paz o vosso servo,
porque meus olhos viram a salvação, 
que oferecestes a todos os povos:
luz para se revelar às nações
e glória de Israel, vosso povo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Noutro mundo



Se o esforço de praticar o bem, de agir segundo a lei moral, tem que ter um sentido, é preciso que se possa esperar racionalmente que o bem (isto é, a união da virtude e da felicidade) se realize noutro mundo, visto que neste, manifestamente, não se dá.


Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", pág. 11.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Deus e os limites humanos

Contra esta ideia de reconhecer Deus apenas onde se encontram limites intransponíveis [questões da biotécnica, manipulação genética, questões ecológicas, violência e novas condições de existência na sociedade massificada], e portanto confrontos, derrotas, negatividade, podem levantar numerosas e válidas objeções, mesmo do ponto de vista dos crentes (estou a pensar na polémica de Dietrich Bonhoeffer contra a ideia de Deus como «tapa-buracos»), mas, sobretudo, do ponto de vista da razão «laica». Deus, se existe, não é certamente o único responsável pelos nossos problemas e nem sequer apenas alguém que se dá a conhecer principalmente nos nossos fracassos. Este modo de fazer a experiência de Deus está todavia profundamente ligado a uma certa conceção de transcendência (...).


Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", pág. 14

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Repropor a fé religiosa



Será possível (...) que a questão da fé não seja qualquer coisa que se proponha de novo? É uma boa pergunta, porque (...) parece-me constitutivo da problemática religiosa justamente o facto de ela ser sempre o retomar de uma experiência de algum modo já feita. Nenhum de nós, na nossa cultura ocidental - e se calhar em qualquer cultura - começa do zero na questão da fé religiosa.


Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", pág. 8

terça-feira, 22 de maio de 2012

Acreditar em acreditar



Este ressurgir da sensibilidade religiosa que «sinto» à minha volta, na sua rigorosa impressão de indefinibilidade, corresponde bem ao «acreditar em acreditar» em torno do qual se moverá o meu discurso.

Gianni Vattimo, “Acreditar em acreditar” (ed. Relógio d’Água), pág. 9.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vattimo: Durante muito tempo levantei-me cedo para ir à missa



Durante muito tempo levantei-me cedo, para ir à missa, antes da escola, do escritório, das aulas na universidade. Assim poderia começar este livro, talvez acrescentando o fácil calembour de que se trata de uma «busca do tempo perdido». Mas poderei autorizar-me não diria já ao calembour mas ao discurso na primeira pessoa? Dou-me conta de que nunca escrevi assim, a não ser quando se tratava de discussões, polémicas, cartas ao diretor. Nunca nos ensaios e nos textos de carácter «profissional», crítico ou filosófico. Aqui a questão coloca-se porque as páginas que se seguem retomam os temas de uma longa entrevista a dois, juntamente com Sergio Quinzio, feita o ano passado para "La Stampa" por Claudio Altarocca, em que se falava na primeira pessoa, e ainda porque o tema da religião e da fé parece requerer uma escrita necessariamente «pessoal» e comprometida; embora ela não seja essencialmente narrativa e talvez não tenha sempre muito claramente como referência um narrante-crente.

Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", ed. Relógio d’Água, 1998 (original de 1995), pág. 7.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Quem escreveu isto? (6)

É "pouco feliz" o título de "infalível", atribuído à Igreja e ao Papa, "porque os homens são sempre falíveis".


a) É obvio, Hans Kung. Só pode.
b) Hans Urs von Balthasar? Só se estivesse a delirar.
c) Gianni Vattimo, esse neovaldense niilista, entre outros títulos pouco católicos.


Resposta: b) Balthasar criticou a infalibilidade numa entrevista ao jornal "Avvenire", no dia 24 de fevereiro de 1980.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Verdade, relativismo e humildade na procura

Quando o discurso de Bento XVI contra o relativismo vai criando seguidores, o que em si será  positivo se na base estiver mais a procura dialógica da verdade do que o mero seguidismo, esquece-se por vezes o que fizeram os que se arvoraram em detentores da verdade, fossem políticos, religiosos, filósofos, cientistas.  Na linha da Gianni Vattimo, não vejo o relativismo como o maior dos males, mas como um contexto em que eu próprio tenho de dar razões das minhas convicções, opções, valores, esperanças.
Lembrei-me disto, porque me parece que também falta uma defesa crítica, eclesial, do relativismo e do pluralismo, ao ler Timothy Radcliffe ("Ser cristão para quê?", pág. 170-171):
As reivindicações de verdade estão associadas a intolerância, arrogância e doutrinação. Mesmo dentro de cada casa uma destas religiões [cristianismo, islamismo, hinduísmo], as interpretações dos textos sagrados são amargamente disputadas. Como cristãos, afirmamos que a Bíblia é verdadeira, mas há uma vasta proliferação de interpretações da Bíblia. Encontrar a mais bizarra tem sido comparado à tentativa de identificar a mais feia das estátuas da Rainha Vitória; uma competição muito renhida.Apesar de tudo, acreditamos que a verdade pode ser procurada pacientemente e com humildade.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Religionline lança inquérito sobre Nova Evangelização

O blogue Religionline (que também conta com o meu modesto contributo) lançou um inquérito a várias personalidades portuguesas, de muitos quadrantes, um inquérito de cinco perguntas motivada não só pelo Sínodo dos Bispos de 2012, que será sobre a Nova Evangelização, e pelo novo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, mas também pelo processo lançado pelos bispos portugueses para “Repensar Juntos a Pastoral de Portugal”. Já foram colocadas online as respostas de dos dos inquiridos.

Excerto das respostas de Guilherme d’Oliveira Martins:
As transformações sociais têm uma influência indiscutível na experiência religiosa. Há pouco tempo, Gianni Vattimo chamava, por exemplo, a nossa atenção para o facto de os desafios europeus perante os quais se encontra a Igreja Católica serem diferentes dos que ocorrem na América do Sul ou em África - apesar das complementaridades. Há virtualidades que devem ser consideradas, como o diálogo, cada vez mais fecundo, entre a religião e a ciência ou entre a fé e a razão, não devendo esquecer-se a comunicação entre as diferentes culturas, num momento em que a cultura da paz exige um esforço acrescido de diálogo entre as religiões.
Excerto das respostas de Ana Vicente:
Não é possível com uma estrutura altamente hierarquizada, exclusivamente masculina e celibatária, ao nível da tomada de decisão, ou seja ao nível do poder real, crer que os povos, crentes nesta ou naquela expressão religiosa ou agnósticos ou ateus, possam dar ouvidos a um discurso advindo de uma instituição que está tão em contradição com a mensagem de Jesus – inclusiva, universal, de amor, de paz, de respeito pela consciência individual, de misericórdia, de compaixão. Estrutura essa que viveu e continua a viver a tragédia da prática do abuso sexual, físico e psíquico, por parte de sacerdotes (e algumas freiras) e que ainda muito pouco fez para que esses abusos nunca mais possam ocorrer. Estrutura essa que continua a perseguir teólogos e teólogas que “eles” consideram perigosos porque procuram caminhos diferentes. Que continua a desejar que as leis penais civis condenem criminalmente as mulheres que fazem um aborto mas pouco parecem agitar-se com o facto de que, em cada seis segundos, morre uma criança, já nascida, de fome.
Perguntas do inquérito aqui.
Respostas de Guilherme d’Oliveira Martins aqui.
Respostas de Ana Vicente aqui.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Derrida, a religião, Roma e a Europa


Gadamer e Derrida
Nos dias 28 de Fevereiro e 1 de Março de 1994, Jacques Derrida, Gianni Vattimo, Eugenio Trías, Alfo Gargani, Vicenzo Vitielo, Maurizio Ferraris e Hans-Georg Gadamer juntaram-se na ilha de Capri para falar de religião. O seminário gerou uma série de ensaios que foi publicada em português pela mão da Relógio D’Água em 1997: “A Religião”. Este excerto de Derrida, no original em itálico, foi retirado da página 13.
“Não estamos longe de Roma, mas já não estamos em Roma. Eis-nos por dois dias literalmente isolados, insularizados nas altura de Capri, na diferença entre o romano e o itálico, que poderia simbolizar tudo o que pode inclinar – ao afastamento, a respeito do romano em geral. Pensar “religião” é pensar “o romano”. O que não será feito nem em Roma nem demasiado longe fora de Roma. Fortuna ou necessidade para lembrar (rappeler) na história qualquer coisa como a “religião”: tudo o que se faz e se diz em seu nome deveria guardar a memória crítica de tal apelação (appellation). Europeia, começou por ser latina. Eis pois um dado cuja figura pelo menos, como o limite, permanece contingente e significante ao mesmo tempo. Exige ser levado em conta, reflectido, tematizado, datado. È difícil dizer “Europa” sem conotar: Atenas-Jerusalém-Roma-Bizâncio, guerras de Religião, guerra aberta a propósito da apropriação de Jesuralém e do monte de Moriah, do “Aqui estou” de Abraão ou Ibraim perante o extremo “sacrifício” exigido, a oferenda absoluta do filho bem-amado, o dar a morte exigido ou a morte dada da descendência única, a repetição suspensa na véspera de toda a Paixão”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...