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domingo, 19 de fevereiro de 2012

19 de fevereiro de 1473. Nasce Copérnico


Astrónomo e matemático, padre da Igreja Católica, cónego, Nicolau Copérnico nasceu no dia 19 de fevereiro  de 1473 e morreu no dia 24 de maio de 1543, na Polónia.

Deixou escrita a obra “De revolutionibus orbium coelestium”, “Acerca das revoluções das esferas celestes”, que revolucionou de facto a astronomia. A obra foi publicada logo após a sua morte, embora tivesse sido escrita décadas antes. Estava dedicada ao Papa Júlio III.

No início, o heliocentrismo não causou qualquer problema entre os católicos, mas mereceu a reprovação da parte de Lutero (1483-1546), que conhecia as teses do livro mesmo antes de ser publicado. Com o caso Galileu, umas décadas mais tarde, o heliocentrismo, em confronto com a Bíblia, tornar-se-ia um problema para a intelectualidade católica, apegada à interpretação literal do livro de Josué.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

29 de Julho de 1644. Morre o Papa Urbano VIII


O Papa Urbano VIII, nascido em 1568 e eleito em 1623, morreu no dia 29 de Julho de 1644. Para além de patrono das artes e reformador das missões, foi amigo de Galileu, pelo menos durante certo tempo, até a sua pessoa ser ridicularizada numa personagem de um livro de Galileu. No seu tempo a Inquisição acaba por proibir Galileu de divulgar o heliocentrismo.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"Guardem o besteirol para outros cristãos e poupem o pobre ateu"

Miguel Nicolelis (São Paulo, 1961), neurocientista de renome (capa da “Science” e considerado pela “Scientific American”, no início do século, um dos maiores cientistas a nível mundial), com investigações de relevo sobre a integração cérebo-máquina, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, a mais antiga do mundo, criada em 1603 (aqui). A nomeação provocou comentários “absurdos” pelo menos no popular blogue de Luís Nassif (aqui).

O cientista resolveu responder e escreveu o seguinte, com humor e uma informação que eu desconhecia, que a Academia não é confessional, o que está correcto, porque a ciência positiva não implica actos de fé (quanto aos Gaviões da Fiel, pelo que percebi, são os adeptos do Corinthians):

Sou leitor assíduo desse blog, então não tinha como me conter e resolvi responder aos absurdos postados nesse tópico que diz respeito a mim.

Primeiro, sou um cientista brasileiro, ateu, pró-legalização do aborto, pró união civil dos homossexuais e pró Dilma. Fui convidado a me tornar membro da mais antiga academia de ciências do mundo, a mesma a que Galileu Galilei foi membro. Aceitei o convite, pois esse foi feito com a garantia que a academia se interessa pela minha ciência e não pela minha opção (ou falta de opção) religiosa.

Espanta-me verificar que mesmo num site progressista ocorra o grau de patrulha ideológica (ou religiosa) que encontrei nos comentários acima.

Meu outro colega de Academia é o físico Stephen Hawking, que professa as mesmas opiniões que eu. Agora eu me pergunto, a troco de que eu iria recusar a oportunidade de bater bons papos com um dos maiores físicos da história?

A Academia de Ciências deixa claro nos seus estatutos que nenhum dos seus membros precisa acreditar em Deus ou ser membro da religião católica.

Então, a título de esclarecimento, gostaria de deixar registrado que toda vez que eu for convidado a participar do mesmo clube frequentado por gente como Galileu e Stephen Hawking, vocês podem estar certos que eu vou aceitar. Mesmo que fosse a Academia de Ciências da Gaviões da Fiel! E para um palmeirense dizer isso não é fácil, não. Portanto, menos meus amigos, menos. Guardem o besteirol para outros cristãos e poupem o pobre ateu aqui de ler tanto absurdo.

E, apesar de tudo, move-se

Em meados da década de 1990, João Paulo II começou a ter cada vez mais dificuldades em andar. Percorrer uma pequena distância exigia-lhe cada vez mais tempo. Em 1994, durante os trabalhos do Sínodo dos Bispos, o Papa chegou com dificuldade à mesa presidencial e murmurou:

- Eppur si muove*

* “E, apesar de tudo, move-se” – expressão atribuída a Galileu, que, no entanto, nunca a pronunciou. Aparece somente em Londres, em 1761, nos escritos de um italiano, mais de 100 anos depois da morte de Galileu.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Galileu disse: "Eppure, si muove?"


No “Público” de hoje António Pinheiro Torres escreve (a propósito das presidenciais e de uma candidatura, inexistente, do centro-direita, mas isso não interessa aqui): “(…) Eppure, si muove (no entanto, move-se), como terá dito Galileu, depois de levado a retractar-se em 1633 da sua posição de que a terra se movia em torno do sol…”

Na realidade, não está provado que Galileu tenha dito tal frase (naturalmente, não se pode provar que a não tenha dito). Os documentos da altura sobre o processo, abundantes, não a referem. A frase surgiu pela primeira vez na “Italian Livrary”, publicada em Londres em 1757, volvidos mais de cem anos sobre a condenação da Inquisição.

sábado, 9 de outubro de 2010

Os astrólogos do Papa Paulo III

"O Papa Paulo III (1534-1549) não convocava nunca um Consistório sem que os seus astrólogos lhe predissessem uma conjugação favorável dos astros. E se isto fazia dele um papa culto e renovador, pode-se calcular como viveriam sobressaltados os demais cidadãos com as predições dos horóscopos, pelas suspeitas de forças misteriosas e incontroláveis. Compreende-se também que olhassem o céu silencioso com sagrado terror" (Carlos Valverde in Genesis, estrutura y crisis de la Modernidad).

Foi este ambiente que Galileu veio perturbar com as suas observações astronómicas. A incorruptibilidade dos céus, segundo a mundividência aristotélica, ficou desfeita com a observação da supernova precisamente neste dia (9 de Outubro) de 1604. Kepler observá-la-ia no dia 17 seguinte e diria que se tratava de uma "estrela nova".

sexta-feira, 19 de março de 2010

D. Carlos Azevedo: "Pensamento de Galileu"

Galileu considerou a descoberta de planetas menores, os satélites de Júpiter, uma graça especial de Deus.

Foi lançada, no passado dia 17, na Gulbenkian, a primeira tradução portuguesa do livro de Galileu Galilei (1564--1642) publicado há quatrocentos anos em Veneza, ‘Sidereus Nuncius’ (‘O Mensageiro das Estrelas’). A importância deste texto breve para a história do pensamento científico mereceu o enquadramento, no fechar do Ano Internacional de Astronomia. Espanta o tom simples, próprio de gazeta, da descrição maravilhosa do que Galileu acabava de observar, graças ao novo instrumento, o telescópio, criado pelos holandeses e aperfeiçoado pelo cientista.

As novidades que Galileu relata eram sensacionais e revolucionárias e catapultaram o professor universitário de Pádua, perito em mecânica, para pioneiro da astronomia moderna e permitiram-lhe conquistar o lugar de filósofo natural e matemático de corte, junto dos Medici, em Florença. Ainda hoje ficamos admirados com as gravuras e os esquemas, os power-point da altura, aos quais Galileu recorre na edição de 1610. O estudo da superfície da Lua demonstra o génio observador e a sua capacidade de transmissão literária e visual.

Absoluta novidade astronómica era a existência de planetas menores, os satélites de Júpiter. Galileu considerou essa descoberta uma graça especial de Deus.

Em excelente tradução muito anotada e informadíssimo texto introdutório, Henrique Leitão revela o seu domínio da história da ciência e oferece aos leitores uma perspectiva simultaneamente acessível e rigorosa do enquadramento desta obra fantástica, autêntico relatório científico, escrita nos últimos 15 dias de Janeiro de 1610. Sujeita a sucessivas correcções, seria publicada a 13 de Março e com 550 exemplares esgotados em poucos dias. Até teve uma edição pirata em Frankfurt logo em 1610, tal era a procura!

Depressa os jesuítas romanos confirmaram estas notícias sensacionais e Galileu realizava uma viagem entusiasta à Accademia dei Lincei, em plena Roma. Foi através dos jesuítas que Galileu chegou a Portugal, à Índia e à China. Logo em 1615, o ‘anúncio sideral’ era objecto do curso de Giovanni Paolo Lembo, no Colégio de Santo Antão, em Lisboa. Os problemas cosmológicos que as novidades galileanas lançavam eram aí discutidos.

A edição da Fundação Gulbenkian esclarece cabalmente o lugar ímpar que certos escritos assumem na história. No meio de uma semana pesada de inquietações, será estimulante reconhecer, nos degraus do avanço científico, os rasgos de inovação provenientes de observadores corajosos, como Galileu.

D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa

Fonte: Correio da Manhã

quarta-feira, 17 de março de 2010

Livro de Galileu apresentado hoje em Lisboa

O primeiro livro escrito por Galileu, "Sidereus Nuncius", publicado originalmente no dia 4 de Março de 1610, em Veneza (aqui), é hoje apresentado em português, na Fundação Gulkenkian, em Lisboa, pelas 18 horas. A edição original tinha 60 páginas. A portuguesa, "O Mensageiro das Estrelas", tem 286. O "P2" de hoje dedica-lhe duas páginas, aqui.

quinta-feira, 4 de março de 2010

4 de Março de 1610. Galileu publica “Sidereus Nuncius”

Como resultado das suas observações astronómicas, já feitas com o auxílio do telescópio, a chamada luneta, Galileu publica em Veneza, no dia 4 de Março de 1610, o livro “Sidereus Nuncius” (“O mensageiro das estrelas” ou, como outras traduções preferem, “O mensageiro sideral”). Neste livro, Galileu fala da Lua, de Júpiter e dos seus satélites (descobriu quatro – Europa, Ganímedes, Io e Calisto – dos sessenta que o planeta gigante tem).

Obra fundamental da História da Ciência, nunca foi traduzida em português de Portugal. Mas agora está agendado o seu lançamento para o dia 17 de Março, às 18h, na Fundação Gulbenkian. Encerra-se deste modo, em Portugal, o Ano Internacional da Astronomia. Henrique Leitão, tradutor e anotador, diz que «nunca na história da ciência uma obra provocou tanta comoção e deu origem a debates tão acesos como esta».

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Foi há 400 anos que Galileu viu as luas de Júpiter


Há precisamente 400 anos, Galileu observou as quatro maiores luas de Júpiter, que por isso mesmo ficaram conhecidas por luas galileanas.

Copiei o cartoon do Rerum Natura. Mas considero-o injusto. A Igreja foi quem mais se interessou pela divulgação do telescópio. Passados poucos anos, já os jesuítas o tinham levado para a China (e trazido para Portugal). Mas o preconceito está de tal maneira enraizado, que pouco haverá a fazer. Aliás, a única coisa a fazer é afirmar que a Igreja aceita o que a ciência descobre (reconhecendo embora a provisoriedade das teorias científicas) e distingue teologia de ciência positiva, o que lhe permite, por exemplo, afirmar uma teologia de criação (Deus soberano do universo) e aceitar o evolucionismo. Neste aspecto, como em muitos outros, a Igreja Católica, como a Anglicana e a Luterana, por exemplo, distinguem-se dos Baptistas e de muitos outros evangélicos que defendem o criacionismo (sem distinguir doutrina teológica de teoria científica) e, tinha de ser, uma interpretação literalista de quase toda a Bíblia. Criação. Babel. Noé. Jonas. Job. E etc. até ao Apocalipse.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Galileu e Saramago", por Carlos Fiolhais

Carlos Fiolhais faz hoje no Público uma comparação curiosa, por oposição, entre Saramago e Galileu. Em algumas passagens toca em assuntos permanentes deste blogue.

Galileu, diz, "profundamente crente" e "bem relacionado com a hierarquia da Igreja", soube resolver a divergência entre Bíblia e Ciência. Já o escritor "falou sobre a Bíblia de uma maneira que, seja-se ou não crente, não é intelectualmente séria".

"Francamente, não consigo distinguir entre a teologia básica dos que condenaram Galileu e este antiteologia igualmente primitiva de um escritor contemporâneo", conclui Fiolhais.

O texto pode ser lido na imagem (basta clicar) ou no Rerum Natura.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Não lhes chegava a Lua, foram para a Amazónia


A propósito dos jesuítas, que dão nome a 35 crateras lunares, Fernando Correia de Oliveira (Estação Cronográfica) dá-me a conhecer o livro “Astronomia na Amazônia no século XVIII (Tratado de Madri). Os astrônomos Szentmártonyi e Brunelli – Instrumentos astronômicos e livros científicos" (Real Gabinete Português de Leitura, 2008), da autoria do historiador Carlos Francisco Moura.
Carlos Francisco Moura é arquitecto e membro da Academia Portuguesa de História, da Academia de Marinha de Lisboa e sócio dos Institutos Histórico Geográfico do Mato Grosso e de Minas Gerais. Tem outro livro sobre a arquitectura portuguesa em Nagasaki, onde estiveram os… jesuítas.
O historiador dá destaque ao trabalho de dois padres: Ignác Szentmártonyi, jesuíta croata, e Giovanni Angelo Brunelli, padre de Bolonha.
Os padres matemáticos, como eram chamados, foram encarregados de fazer as demarcações na Amazónia. Ao que tudo indica, D. João V dava preferência a matemáticos e astrónomos jesuítas, diz o autor da recensão. Mas Brunelli terá sido contratado porque outros padres jesuítas não quiseram aventurar-se na Amazónia.
A preferência do monarca português explica-se, creio eu, pelo avanço tecnológico dos jesuítas no que diz respeito a observações astronómicas, indispensáveis para as demarcações. No Colégio Romano (em Roma), os jesuítas tinham desenvolvido o telescópio de Galileu e esquadrinharam o céu de uma ponta à outra.
[Nos debates do séc. XVII sobre o heliocentrismo, “a intuição da verdade estava do lado de Galileu, mas o rigor estava mais próximo dos jesuítas”, diz Claude Allègre, na pág. 37 do livro “Deus face à Ciência”, na Gradiva/Universidade de Aveiro. Na realidade, Galileu tinha vários amigos jesuítas e só não terá sido mais apoiado por estes, inclusive por Urbano VIII, por causa do carácter arrogante do próprio Galileu.]
Diz a recensão assinada por Paulo Cunha que “Szentmártonyi teve grande importância nos levantamentos feitos na Amazônia e foi designado para a demarcação do trecho de maior responsabilidade, ao longo dos rios Guaporé e Madeira. É dele o estabelecimento da longitude de Belém e a diferença de longitude entre Belém, Macapá e Mariuá, tendo como base a observação de eclipse lunar e a observação de satélites de Júpiter. Há três documentos de época reproduzidos no livro que evidenciam o trabalho desse croata. Eles compõem trechos de uma correspondência do próprio Szentmártonyi dirigida a Carvalho e Melo (que ficou conhecido, posteriormente, como Marquez de Pombal), que consta de três páginas que incluem: a) observações das latitudes; b) longitudes astronomicamente determinadas; c) variações da agulha; e d) termômetros e barómetro”.
Mais tarde, Szentmártonyi seria encarcerado juntamente com outros jesuítas como parte da campanha de Marquês de Pombal contra a Companhia de Jesus. Detido no Pará e enviado para as prisões portuguesas, esteve preso durante 17 anos, até ser libertado depois da morte do Rei D. José e da queda de Pombal. Não se sabe ao certo do ano da sua morte. Apontam-se datas tão díspares como 1793 ou 1806.
Sobre Brunelli, o apontamento sobre o livro refere que nasceu na Itália, provavelmente em Bolonha. Teve melhor sorte. “Na época de sua contratação pela Coroa Portuguesa era considerado um astrónomo emergente e respeitado. No Brasil, fez diversas medições importantes para a cartografia e observou e descreveu vários eclipses. Quando voltou para Portugal foi contratado como professor de matemática do Real Colégio de Nobres de Lisboa, e traduziu, para português, a obra «Elementos», do grego Euclides (por volta de 300 a.C). Após seu falecimento, a sua biblioteca de mais de 3 500 volumes com inúmeros manuscritos foi adquirida pela Real Biblioteca do Rio de Janeiro (actual Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro), em 1818”.
Recensão de “Astronomia na Amazônia”, aqui.
E uma sugestão interessante sobre Galileu e os telescópios – observações astronómicas – para quem estiver em Lisboa nas noites de 23 e 24 de Outubro, aqui.

sábado, 17 de outubro de 2009

17 de Outubro de 1604. Johannes Kepler observa uma supernova.

No dia 17 de Outubro de 1604, Johannes Kepler observa uma supernova, ficou conhecida por SN 1604. A mesma havia sido vista uns dias antes por Galileu. Sobre o avistamento o matemático, astrólogo e astrónomo alemão publicou o livro “De stella nova in pede Serpentarii” (Acerca da nova estrela nos pés de Serpentário).

Esta foi a última supernova observada com um grande grau de certeza na Via Láctea. Teve um grande impacto na história, porque, em Pádua, foi observada por Galileu (ainda sem telescópio), não no dia 10 de Outubro, quando começou a ser possível avistá-la, porque nesse dia o céu estava nublado, mas nos dias seguintes. Galileu, que era professor na Universidade de Pádua (“os anos mais felizes da minha vida”), deu a seguir três aulas abertas em que explicou duas coisas de grande impacto: que o fenómeno estava para lá da Lua (e não na suposta esfera em que se pensava que estavam a Lua, os planetas e as estrelas); e que tal demonstrava que havia coisas novas a acontecer no céu, contra a ideia aristotélica da incorruptibilidade do céu.

Imagem: Desenho original de Kepler. A supernova aparece assinalada com um N.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Jesuítas na Lua

Há 35 crateras na Lua com nomes de cientistas e matemáticos jesuítas.

E o Vaticano inaugura amanhã a exposição “Astrum 2009: Astronomia e Instrumentos. O património histórico italiano quatrocentos anos depois de Galileu” (aqui).

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Galileu a olhar para o céu

Há 400 anos, Galileu observava a Lua, os satélites de Júpiter (as luas galileanas) e as fases de Vénus através da luneta. Corria do ano de 1609. Mais tarde, em 1616, começa a ter problemas com o Santo Ofício por causa do heliocentrismo. O processo só termina em 1633. Pelo meio, Galileu faz epistemologia teológica:

“Segue-se necessariamente que não tendo querido o Espírito Santo ensinar-nos se o céu se move ou está imóvel, nem se a sua figura tem forma de esfera ou de disco ou se estende como um plano, nem se a Terra está situada no centro do mesmo ou ao lado, muito menos terá tido intenção de (…) decidir sobre o movimento ou imobilidade da Terra e do Sol. (…) Eu aqui direi aquilo que ouço a um eclesiástico de posição muito elevada, isto é, que a intenção do Espírito Santo era ensinar-nos como se vai para o céu, e não o referente ao céu”.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Para ler tudo, tudo, tudo. Em breve


No “Público” de hoje (edição em papel), três assuntos que o Tribo de Jacob segue com interesse (e aos quais, provavelmente, ainda voltará):

* Foi o jesuíta Manuel Dias que ensinou aos chineses quem era Galileu (P2, páginas 4 e 5). Texto de Ana Machado (o único que encontrei on-line, aqui);

* “Etty, Rilke e Eckhart. Viagens pela mão dos místicos”. Textos de António Marujo e Tolentino Mendonça. Sobre as recentes edições das obras: “Cartas” (1841-43), de Etty Hillesum (Assírio & Alvim); “Livro das Horas”, de Rainer Maria Rilke (Assírio & Alvim); e “Tratados e sermões”, de Mestre Eckhart (Paulinas). O texto principal começa assim: “Há uma mulher num campo de concentração que lê o místico medieval Mestre Eckhart e faz récitas de Rilke – pelo meio tem que limpar retretes. Há um poeta que vagabundeia pela Europa e escreve em castelos como se fossem conventos. Há um frade dominicano que faz sermões sobre o desapego e é perseguido pela Inquisição” (“Ípsilon”, páginas 22-25). Imagem deste post: Etty Hillesum;

* “Portugal teria podido proteger muitos dos judeus de origem portuguesa, mas não o fez”, diz uma entrevista de José Manuel Fernandes ao académico alemão Carsten L. Wilke (“Ípsilon”, páginas 26-28).

terça-feira, 16 de junho de 2009

Cientistas na revolução

Galileu foi condenado, mas o Papa nunca assinou o papel. E era preciso assinar. Já Lavoisier (1743-1794) foi guilhotinado com o argumento de que a revolução não precisava de cientistas.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...