terça-feira, 20 de novembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
7 de setembro de 1867. Nasce Camilo Pessanha
terça-feira, 8 de março de 2011
Cem motivos para rir e muitos para pensar - com José Luis Cortés
sábado, 19 de fevereiro de 2011
À procura de um rosto áspero e judeu
Cristo não está no meio. É o terceiro.
A negra barba pende sobre o peito.
O rosto não é o rosto das imagens.
É áspero e judeu. Não o vejo
e continuarei a procurá-lo até ao dia
último dos meus passos sobre a terra.
Jorge Luís Borges
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Vozes caóticas
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Progresso
quarta-feira, 19 de maio de 2010
19 de Maio de 1890. Nasce Mário de Sá-Carneiro
Mário de Sá-Carneiro nasceu no dia 19 de Maio de 1890, em Lisboa. E morreu em Paris. Suicidou-se no Hotel Nice, no dia 26 de Abril de 1916.
Quási
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...
Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ansias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sôbre os precipícios...
Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .
Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá-Carneiro, in "Dispersão"
domingo, 8 de novembro de 2009
Não sei se é fé
domingo, 25 de outubro de 2009
A quem segredaria eu a minha inquietação?
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Caminho por inaugurar
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Padres do deserto do séc. XXI
Ainda há padres do deserto. Mas o texto de Alexandra Lucas Coelho, no Público (aqui), realça mais as dificuldades de viver na aridez (Caracolnet em vez de Internet, racionamento da água, o verão infernal e o inverno duro…) do que a descoberta espiritual, que também está presente. E não há “ditos dos padres do deserto”.
…
Jean, 47 anos, “há 16 anos era carteiro em Zurique. Tinha inquietações espirituais. Passou pela new age, pelo aikido e pela Várzea de Sintra. Depois Escócia, Grécia, Chipre, Líbano, Jordânia. Uma longa história que não cabe aqui. Até que veio visitar o mosteiro. Voltou para ficar. Na noite de Páscoa de 1996 Paolo baptizou-o”.
…
Paolo “percebeu que este era o lugar para os três votos: vida espiritual, trabalho manual e hospitalidade.
- A hospitalidade é realmente o nosso programa político. Só através dela pode ser conseguido um humanismo desenvolvido. Sem hospitalidade, a tentação do suicídio torna-se muito forte para mim, a vida torna-se insuportável. Porque estamos aqui? Pela hospitalidade. A prática do diálogo começa na curiosidade. Acreditar que o outro tem algo para oferecer.
E antes do almoço vai juntar lençóis usados, daqueles que vieram dormir por uma noite”.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Como etiquetar
Para o Pedro, que chegou ao Brasil no dia 11 de Setembro de 2001. De avião.
1. Metablogue
- Abusas das etiquetas. Menos em número e mais generalistas chega.
- Mas eu gosto de etiquetas, tal como de índices onomásticos [e aqui falo-lhe de um amigo que no Brasil lê este blogue e que quando analisa um livro escrutina bem os índices onomásticos; e se não tem, elabora-os ao longo da leitura].
- No meu, não sou tão pretensiosa. Cada entrada recebe só uma etiqueta. Quando muito, duas.
- Há os criadores e os coleccionadores, os autores e os explicadores, os agricultores e os colectores, os simplificadores e os complicadores. Eu devo pertencer ao segundo grupo [e aqui, ora por analogia, ora por oposição, lembro-me do diálogo entre Oscar Schell, que percorre Nova Iorque à procura de sinais do seu pai, que morreu nos atentados do 11 de Setembro, e o sr. A. R. Black].
2. O diálogo
O diálogo vem nas páginas 204-208 de “Extremamente alto e incrivelmente perto”, de Jonathan Safran Foer (Quetzal). É Oscar Schell, um miúdo de nove anos, que narra, mas quem começa a falar é o sr. A. R. Black.
- Este é o meu índice biográfico! – explicou ele.
- O seu quê?
- Iniciei-o quando estava a começar a escrever! Tencionada criar um cartão para toda a gente que pensava poder vir a ter de referir um dia! Há um cartão para todas as pessoas acerca das quais escrevi! Cartões para as pessoas com quem falei enquanto escrevia os meus artigos! Cartões para as pessoas sobre as quais lia os livros! E para as pessoas referidas nas notas de rodapé desses livros! De manhã, quando lia os jornais, fazia cartões para todos os que me pareciam ter importância do ponto de vista biográfico! Ainda faço isso!
- Porque não usa a Internet?
- Não tenho computador!
Comecei a sentir-me estonteado por causa disso.
- Quantos cartões tem?
- Nunca os contei! Nesta altura deve haver dezenas de milhares! Ou talvez centenas de milhares!
- O que escreve neles?
- Escrevo o nome da pessoa e a biografia dela numa palavra!
- Só numa palavra?
- Toda a gente pode ser resumida numa só palavra!
- E isso é-lhe útil?
- É imensamente útil! Esta manhã li um artigo sobre as moedas da América Latina! Referia o trabalho de alguém que se chama Manuel Escobar! Por isso vim aqui procurar Escobar! Claro que ele estava cá! Manuel Escobar: unionista!
- Mas, provavelmente, ele também é marido, pai, fã dos Beatles, praticante de jogging, sabe-se lá que mais.
- Claro! Era possível escrever um livro sobre o Manuel Escobar! E mesmo isso iria deixar coisas de fora! Era possível escrever dez livros! Ou mesmo nunca parar de escrever!
Fez deslizar gavetas do armário e puxou cartões das gavetas, um após outro.
«Henrry Kissinger: guerra!
«Ornett Coleman: música!
«Che Guevara: guerra!
«Jeff Bezos: Dinheiro!
«Philipe Guston: arte!
«Mahatma Ghandi: guerra!
- Mas ele era pacifista.
- Exacto! Guerra!
«Arthur Ashe: ténis!
«Tom Cruise: dinheiro!
«Elie Wiesel: guerra!
«Arnold Schwarzenegger: guerra!
«Martha Stewart: dinheiro!
«Rem Koolhaas: arquitectura!
«Ariel Sharon: guerra!
«Mick Jagger: dinheiro!
«Yasser Arafat: guerra!
«Susan Sontag: pensamento!
«Wolfgang Puck: dinheiro!
«Papa João Paulo II: guerra!
- Tem uma ficha para o Stephen Hawking?
- Claro que sim!
Abriu uma gaveta e tirou uma ficha.
STEPHEN HAWKING: ASTROFÍSICA
- Tem uma ficha para si próprio?
Abriu outra gaveta.
A. R. BLACK: GUERRA
MARIDO
- E tem uma ficha para o meu pai?
- Thomas Schell, não é?
- Exacto.
Foi à gaveta do S e abriu-a até ao meio. Percorreu as fichas com os dedos como se estes pertencessem a alguém com muito menos do que cento e três anos.
- Lamento mas não tenho nada.
- Importa-se de tornar a verificar?
Os dedos dele tornaram a percorrer as fichas. Abanou a cabeça:
- Lamento!
- E se uma ficha estivesse arquivada no sítio errado?
- Nesse caso, estávamos perante um problema!
- Isso é possível?
- Acontece uma vez por outra! A Marilyn Monroe esteve perdida no arquivo durante mais de uma década! Eu procurava em Norma Jean Baker, convencido de que era muito esperto, mas esquecendo por completo que quando era nasceu se chamava Norma Jean Mortenson!
- Norma Jean Mortenson?
- É a Marilyn Monroe!
- Quem é a Marilyn Monroe?
- É sexo!
- Tem uma ficha para o Mohammed Atta?
- Atta! Esse nome diz-me qualquer coisa! Deixa ver!
Abriu a gaveta do A.
- Mohammed é o nome mais vulgar do mundo – disse-lhe eu.
Tirou uma ficha e exclamou:
- Bingo!
MOHAMMED ATTA: GUERRA
Sentei-me no chão. Ele perguntou-se o que se passava.
- Só gostava de saber porque tem uma ficha para ele e não tem uma para o meu pai.
- Que queres dizer?!
- Não é justo!
- O que é que não é justo?
- O meu pai era bom. O Mohammed Atta era mau.
- E então?
- Então o meu pai merecia estar aí.
- Que te leva a pensar que é bom estar aqui?
- Porque isso significa que uma pessoa é biograficamente importante.
- E porque é isso bom?
- Eu quero ser importante.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...