No utilíssimo "Religião para ateus", Alain de Botton propõe uma reorganização dos museus - uma reinvenção - para que passem a ser lugares que "usam objetos belos para tornar-nos bons e sábios". "Só então - escreve - os museus poderão afirmar que cumpriram devidamente a nobre mas ainda elusiva ambição de se tornarem as novas igrejas".
Se o filósofo imagina que numa espiritualidade ateia os museus podem ser os lugares que "usam objetos belos para tornar-nos bons e sábios", quer dizer no contexto cristão as igrejas têm tal função. E de facto, toda a tradição, principalmente católica, foi construída neste pressuposto da ligação entre o visível e o invisível. Analogia do ser - diria a tradição tomista. Uma questão, porém, impõe-se: Quantas igrejas hoje cumprem tal função? E outra: Quais os cristãos que sabem ler o espaço da igreja, as suas imagens, a sua história? E outra, ainda: Quais os pastores que ajudam nesta leitura, quer por saberem ler as imagens, quer pelas celebrações (e homilias), participando no movimento geral de "pela beleza até Deus"?
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sexta-feira, 28 de março de 2014
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Será verdade?
Porque é que os ateus não conseguem inspirar-se na cultura com as mesma espontaneidade e rigor que os religiosos aplicam aos seus textos sagrados?
Alain de Botton, pág. 109 de "Religião para Ateus"
Alain de Botton, pág. 109 de "Religião para Ateus"
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Bónus de pinças e chapa elétrica
A verdade é que somos frágeis a manter os nossos compromissos e sofremos de uma fraqueza de vontade em relação aos contos da sereira da publicidade, sejamos a criança irascível de três anos encantada com a visão de uma quinta de brincar com um canil insuflável, sejamos um adulto de 42 anos cativado pelas possibilidades de um grelhador com um bónus de pinças e chapa elétrica.
Alain de Botton, pág. 89 de "Religião para Ateus"
Alain de Botton, pág. 89 de "Religião para Ateus"
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Galeria da Compaixão
Os museus têm de ser mais do que espaços para expor objetos belos. Devem ser lugares que usam objetos belos para tentar tornar-nos bons e sábios. Só então os museus poderão afirmar que cumpriram devidamente a nobre mas ainda elusiva ambição de se tornarem as novas igrejas.
Alain de Botton, página 238, "Religião para ateus". No capítulo VII, "Arte", o filósofo defende que os museus, na sua pretensão moderna de substituir os templos religiosos, deveriam ter as obras de arte dispostas por temas (tipo "Galeria da Compaixão", "Galeria do Autoconhecimento", "Galeria do Amor") e não por escolas (tipo "Escola de Veneza", "O século XIX").
Alain de Botton, página 238, "Religião para ateus". No capítulo VII, "Arte", o filósofo defende que os museus, na sua pretensão moderna de substituir os templos religiosos, deveriam ter as obras de arte dispostas por temas (tipo "Galeria da Compaixão", "Galeria do Autoconhecimento", "Galeria do Amor") e não por escolas (tipo "Escola de Veneza", "O século XIX").
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Chão com cheiro a limão versus fortaleza
Se tendemos a pensar tantas vezes em cera para o chão com cheiro a limão ou em aperitivos estaladiços de pimenta preta, mas relativamente pouco acerca da persistência ou da justiça, a culpa não é apenas nossa. O problema é que estas duas virtudes cardeais não estão geralmente em posição de se tornarem clientes da Young & Rubicam.
Alain de Botton, pág. 91 de "Religião para ateus"
Nota: As virtudes cardeais ou cardinais são a justiça, a fortaleza, a prudência e a temperança. Com "persistência" suponho que se pretende dizer fortaleza.
Alain de Botton, pág. 91 de "Religião para ateus"
Nota: As virtudes cardeais ou cardinais são a justiça, a fortaleza, a prudência e a temperança. Com "persistência" suponho que se pretende dizer fortaleza.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Da importância da ciência
A ciência devia ser importante para nós não apenas porque nos ajuda a controlar partes do mundo,mas também porque nos mostra coisas que nunca dominaremos.
Alain de Botton, pág. 197 de "Religião para ateus"
Alain de Botton, pág. 197 de "Religião para ateus"
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
O que nos resta?
Se removermos Deus desta equação, que é que nos resta? Humanos aos berros a apelar em vão a um céu vazio.
Alain de Botton na pág. 187 de "Religião para ateus"
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Estava a falar das universidades
Nós construímos um mundo intelectual cujas instituições mais famosas raramente permitem fazer as perguntas mais sérias da alma, e muito menos responder-lhes.
Alain de Botton, pág. 121 de "Religião para ateus"
Alain de Botton, pág. 121 de "Religião para ateus"
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Etsi Eden daretur
Devíamos tentar adotar a perspetiva perspicaz daqueles que acreditam no paraíso, mesmo que vivamos as nossas vidas segundo o preceito ateu fundamental de que este é o único mundo que jamais conheceremos.
Alain de Botton, pág. 183 de "Religião para ateus"
Alain de Botton, pág. 183 de "Religião para ateus"
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Defesa improvável do pecado original por Alain de Botton
A religião tem mantido utilmente uma visão sóbria, algo que o mundo secular tem sido demasiado sentimental e cobarde para aceitar, sobre as nossas possibilidade de superarmos os factos brutais das nossas naturezas corrompidas.
Alain de Botton, pág. 181 de "Religião para Ateus"
Alain de Botton, pág. 181 de "Religião para Ateus"
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Jornada de um homem desde a manjedoura
Ao contar a jornada de um homem desde a manjedoura, o cristianismo conta uma história quase universal acerca do destino da inocência e da docilidade num mundo turbulento. A maior parte das pessoas são cordeiros que necessitam de bons pastores e de um rebanho misericordioso.
Alain de Botton na pág. 223 do seu "Religião para ateus"
Alain de Botton na pág. 223 do seu "Religião para ateus"
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Liberdade sem sensatez
A nossa ruína reside na incapacidade de aproveitarmos ao máximo a liberdade que os nossos antepassados conquistaram para nós com tanta dificuldade ao longo de três séculos. Fartámo-nos de podermos fazer o que queremos sem sensatez suficiente para tirar partido da liberdade que usufruímos.
Alain de Botton na página 77 de "Religião para ateus"
Alain de Botton na página 77 de "Religião para ateus"
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Aprender com os ateus: Jornada desde a manjedoura
Ao contar a jornada de um homem desde a manjedoura, o cristianismo conta uma história quase universal acerca do destino da inocência e da docilidade num mundo turbulento. A maior parte das pessoas são cordeiros que necessitam de bons pastores e de um rebanho misericordioso.
Alain de Botton, em "Religião para ateus", pág. 223.
Alain de Botton, em "Religião para ateus", pág. 223.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Muros das Lamentações eletrónicos
Entre os anúncios de calças de ganga e de computadores colocados bem alto nas rus das nossas cidades, deveríamos colocar versões eletrónicas de Muros das Lamentações que transmitiriam anonimamente as nossas angústias interiores e nos dariam desse modo uma noção mais clara do que é estar vivo.
Alain de Botton, pág. 189 de "Religião para ateus"
Alain de Botton, pág. 189 de "Religião para ateus"
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Vêm aí o dia mundial do livro - 1
Sentimo-nos culpados por tudo o que ainda não lemos, mas esquecemos que já lemos mais do que Agostinho ou Dante, ignorando assim que o nosso problema reside, definitivamente, no modo de absorção e não na dimensão do nosso consumo.
Alain de Botton, "Religião para ateus", 138
Alain de Botton, "Religião para ateus", 138
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Horas canónicas seculares
Altar das notícias. Inclui auréola
Hegel disse um dia que a leitura do jornal é uma espécie de oração da manhã (aqui). De Botton, no dia para dia mais proveitoso “Religião para ateus”, diz que, na esfera secular, esta entidade [ou seja, as “notícias”] ocupa a mesma posição de autoridade que o calendário litúrgico na esfera religiosa, com os seus principais avisos a assinalar as horas canónicas com uma precisão inquietante: as matinas foram aqui transubstanciadas no boletim informativo do pequeno-almoço e as vésperas no noticiário da noite”.
De certa forma, De Botton é menos secular do Hegel.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
António, um rapaz de Lisboa, Sr. De Botton
Maxilar inferior de Santo António, em Pádua
No cada vez mais útil “Religião para ateus”, leio pelas
páginas 125 e seguintes uma espécie de elogio às pregações cristãs. Aos sermões.
Se só tivesse lido estas páginas, seria tentado a descobrir uma fina ironia nas
palavras de de Botton. Mas não creio que seja o caso, ainda que ele esteja
errado se presumir que os católicos, mesmos os convictos, por exemplo, rezem sete
vezes por dia e às 10 da noite entoem o “Nunc dimittis”.
Mas está errado, na realidade, quanto a um facto da vida de
António de Lisboa. Diz o filósofo que raramente acontece aos professores
universitários o que aconteceu a Santo António (na aulas universitárias,
adormece-se): ser “amarrado a uma mesa depois de falecer para lhe ser cortada a
garganta e removidos o maxilar inferior, a laringe, a língua, subsequentemente
montados numa caixa de ouro com pedras preciosas incrustadas a expor no centro
de um santuário dedicado à memória dos seus dons oratórios”. Até aqui, tudo
bem, ainda que entre o falecimento e o corte tenha passado mais de 30 anos. Mas depois escreve: “Foi precisamente este o destino de Santo António de
Pádua, o frade franciscano do séc. XIII que acedeu à santidade devido ao seu
talento e energia excecionais para falar em público, e cujo aparelho vocal, em
exposição da basílica da sua cidade natal, ainda atrai peregrinos admiradores
de todos os cantos do mundo cristão”.
Refere-se, claro, à Basílica de Santo António de Pádua. Mas
a cidade natal de António é Lisboa.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Palestras versus sermões
Como conseguimos viver juntos? Como toleramos as falhas dos outros? Como podemos aceitar as nossas limitações e mitigar a nossa ira? (...) A diferença entre a educação cristã e a educação secular revela-se com especial clareza nos seus respetivos modos característicos de instrução: a educação secular faz palestras, o cristianismo sermões.
Alain de Botton, "Religião para ateus" (D. Quixote), pág. 115
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Pecado original segundo Alain de Botton
Não é difícil acreditar no pecado original. Para quem é crente, o pecado está demasiado patente para não nos marcar até para lá da medula. O difícil é acreditar na roupagem do pecado original, incluindo as frases do catecismo. E o nome, que remete para a origem.
Lembrei-me disto ao ler uma passagem de "Religião para ateus", de Alain de Botton, livro muito aconselhável, a bispos, padres, seminaristas e gente empenhada na Igreja de uma forma geral. Diz ele a certo ponto (pág. 112) sem falar de "pecado original":
"(...) O cristianismo (...) tem um conceito inteiramente diferente da natureza humana. (...)Acredita que, no fundo, somos criaturas desesperadas, frágeis, vulneráveis e pecadoras, muito menos sábias do que bem informadas, sempre à beira da ansiedade, torturadas pelas nossas relações, com pavor da morte - e, acima de tudo, com necessidade de Deus".
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Ah, seu interesseiro...
Quando deixamos de sentir que temos de aderir acriticamente às religiões ou de as denegrir, estamos livres para as descobrir como repositórios de uma miríade de conceitos engenhosos com os quais podemos tentar mitigar alguns dos males mais persistentes e negligenciados da vida secular.
Alain de Botton, "Religião para ateus", pág. 15
Alain de Botton, "Religião para ateus", pág. 15
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