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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Respiremos neste Natal

O melhor livro de Advento-Natal. Já tem uns aninhos. Original litaliano de 1995, edição portuguesa de 1996. Bem antes de Bento XVI, César das Neves e outros, afirmou o lugar do burro e o boi no presépio.

"O burro e o boi já fazem parte integrante do quadro em que Deus opera a nossa salvação. São o sinal de que o dia-a-dia em todas as suas versões não é um segmento de vida pobre ou sem sentido, mas o caminho pouco vistoso, por vezes até um pouco aborrecido, ao longo do qual Deus nos conduz gradualmente até ao cume da montanha. É fundamental que saibamos acolher o burro e o boi na nossa vida. Porque, apesar de nalguns dias não conseguirmos cantar nem falar, será importante que, pelo menos, possamos respirar" (pág. 98).

Bom Natal. A todos.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Salvador


O período litúrgico do Advento e do Natal fala ao desejo de quem espera, e oferece um salvador a quem se sente perdido. O medo de perder coisas e pessoas e de perder-se com elas é uma das nossas preocupações mais profundas. O mistério da maldade que há em nós acrescenta mais alguma coisa do desejo e ao medo, criando mal-estar e desconfiança. Pode-se fingir que se ignora tudo isto, mas é como entrar num beco sem saída.

Domenico Pezzini, "O Tesouro e o Barro", pág. 7

domingo, 15 de dezembro de 2013

Bento Domingues: "O advento da terceira Igreja"


Do "Público" de 15 de dezembro de 2013. "Temos a alegria de que a Igreja, na qual o Papa Francisco está a trabalhar, tem futuro, se não o deixarmos sozinho".

domingo, 1 de dezembro de 2013

Bento Domingues: "O advento inesperado"

Bento Domingues no "Público" de hoje (aqui).

1. Hoje, é o primeiro Domingo do Advento, um tempo dedicado a preparar a celebração do nascimento de Jesus. A selecção de leituras bíblicas está feita, os cânticos escolhidos. É previsível o que será dito nas homilias. Se alguma surpresa surgir só poderá vir do Papa Francisco.

Tinha acabado de escrever este parágrafo, quando me telefonaram do Diário de Notícias a pedir um primeiro comentário à Exortação papal Evangelii Gaudium. Acabava de chegar de Ponta Delgada, onde tinha ido participar na XIX Semana Bíblica Diocesana. Cheguei sem saber absolutamente nada acerca dos últimos atrevimentos do Bispo de Roma que, como li depois, se confessa aberto a novas sugestões, pois não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo (16). 

A crónica que tinha preparado era provocada pelo crescimento dos nossos multimilionários e pelos da ilha Hainan (China), nas suas faustosas e ridículas exibições. Um deles, Xing Libin, gastou no casamento da filha, 8.455 milhões de euros, e além desta miséria só lhe ofereceu seis Ferraris. Esta humilhação, esta ofensa directa ao mundo da pobreza e da miséria enojou-me. A indignação do Papa brota da mesma fonte donde vem a sua alegria: a intimação do Evangelho a mudar as comunidades católicas e o mundo.

Esta tentativa de mobilização de toda a Igreja para uma evangelização nova é também o enterro do estilo rançoso que, vindo de muito antes, lançou e acompanhou, durante anos, a chamada “nova evangelização”.

Não resisto a transcrever algumas passagens deste longo documento - nunca enfadonho - sobre o tema que eu tinha destinado para esta crónica. Tentarei, em breve, partilhar outra leitura deste conjunto de notas franciscanas unidas pela alma que em todas palpita e dá ritmo ao conjunto.

A necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza não pode esperar (202).

2. Assim como o mandamento "não matar" põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer "não a uma economia da exclusão e da desigualdade social". Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. (…) Os excluídos não são "explorados", mas resíduos, “sobras” (53).

Neste contexto, alguns defendem ainda as teorias da "recaída favorável" que pressupõem que todo o crescimento económico, favorecido pelo livre mercado, consegue, por si mesmo, produzir maior equidade e inclusão social, no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos factos, exprime uma confiança vaga e ingénua na bondade daqueles que detêm o poder económico e nos mecanismos sacralizados do sistema económico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar. Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos darmos conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe. A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espectáculo que não nos incomoda nada (54).

3. As mulheres não vão gostar de ler, neste belo documento, que o sacerdócio está reservado aos homens e que esta é uma questão que não se põe em discussão. Quem a retirou da discussão foi João Paulo II, em 1994, mas continua a ser cada vez mais discutida. O Papa Francisco considera, por outro lado, que aí está um grande desafio para os Pastores e para os teólogos, que poderiam ajudar a reconhecer melhor o que isto implica, no que se refere ao possível lugar das mulheres onde se tomam decisões importantes, nos diferentes âmbitos da Igreja (104).

As mulheres não se vão esquecer de lhe lembrar que já existem muitas teólogas e que a Comissão Pontifícia Bíblica, em 1993, reconheceu a abordagem feminista da Bíblia. Em Portugal, existe a Associação de Teologias Feministas. Esta, como outras organizações, não deixarão de apresentar sugestões ao Papa Francisco para novos documentos, como aliás, ele não cessa de lembrar (16).


Sem a participação activa das mulheres não há Igreja de Jesus Cristo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Reis Magos da China

Cromos de Advento, do Hermano Cortés, bem a condizer com a situação portuguesa, agora que vêem aí os chineses comprar as empresas portuguesas.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Somos a autobiografia de Deus, Um poema de Natal de Tolentino Mendonça


Quando despontarem as primeiras luzes do Seu cortejo
ainda nos faltará tudo:
o azeite na almotolia,
um alfabeto que descreva com outra firmeza o azul,
formas indivisíveis para este amor,
que só em fragmentos
e numa gramática imprecisa
conseguimos viver.

Quando despontarem as primeiras luzes
estaremos talvez longe:
à altura dos olhos continuaremos a trazer a mesma indisfarçável solidão
as mesmas mediações ilegíveis  através do tempo
as mesmas demoras tatuadas.

O Seu advento encontra-nos sempre impreparados
e, contudo, este é o momento em que
por puro dom se nasce.

A Sua vinda testemunha o que não sabíamos ainda:
a nossa frágil humanidade é narração
da autobiografia de Deus.

José Tolentino Mendonça
(Lido aqui)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Luís Miguel Cintra profere sermão de Montesinos em favor dos índios


Estátua de Montesinos em Santo Domingo

Faz amanhã, 21 de Dezembro, 500 anos que António de Montesinos, em nome da comunidade dos frades dominicanos de La Hispaniola, pronunciou um sermão em defesa dos índios explorados pelos colonizadores da ilha que hoje é República Dominicana e Haiti.


Amanhã, às 21h30, no Convento de S. Domingos (Rua João de Freitas Branco, 12), em Lisboa, o actor Luís Miguel Cintra vai ler o sermão de há meio século. O sermão será complementado com peças gregorianas de Advento.
Todos vós estais em pecado mortal. Nele viveis e nele morrereis, devido à crueldade e tiranias que usais com estas gentes inocentes. Dizei-me, com que direito e baseados em que justiça, mantendes em tão cruel e horrível servidão os índios? Com que autoridade fizestes estas detestáveis guerras a estes povos que estavam em suas terras mansas e pacíficas e tão numerosas e os consumistes com mortes e destruições inauditas? Como os tendes tão oprimidos e fatigados, sem dar-lhes de comer e cura-los em suas enfermidades? Os excessivos trabalhos que lhes impondes, os faz morrer, ou melhor dizendo, vós os matais para poder arrancar e adquirir ouro cada dia... Não são eles acaso homens? Não tem almas racionais? Vós não sois obrigados a amá-los como a vós mesmos? Será que não entendeis isso? Não o podeis sentir?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cromos do Advento, por José Luis Cortés

O Hermano Cortés dedicou uma série de cromos, "Quem é quem", ao Advento. Sorri mais com estes três. Ver mais aqui (etiqueta Advento). 

 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Advento: Paralelismos entre João e Elias


João Baptista no deserto, por Hieronymus Bosch

Tal como Elias permanecera na solidão,
o Espírito de Deus enviou João para o deserto, para as montanhas e as grutas.

Um corvo havia voado em auxílio de Elias para o alimentar;
João comia gafanhotos.

Elias usava um cinto de pele;
João vestia uma faixa de pele em torno dos rins.

Elias foi perseguido por Jezabel;
Herodíades perseguiu João.

Elias repreendera Acab;
João censurou Herodes.

Elias dividira as águas do Jordão;
João inaugurou o baptismo.

O duplo do espírito de Elias pousou sobre Eliseu;
João impôs as mãos ao nosso Salvador, que recebeu o espírito sem medida (Jo 3,34).

Elias abriu o céu e subiu,
João viu os céus abrirem-se e o Espírito de Deus descer a pousar sobre o nosso Salvador.

Afraates, anacoreta persa do séc. IV (li aqui).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mãe

Desenho de Cortés, retirado do seu magnífico blogue (aqui). José Luís Cortés tem em português o livro de banda desenhada "Um Deus chamado Abbá", nas edições Estrela Polar.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Texto de Tolentino Mendonça: "O presépio somos nós"

Montagem do mosaico na Capela da Sacred Heart University, New England (EUA),
da autoria de Marko Rupnik, s.j. (o mesmo do mosaico
da Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima)


O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
a esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno


José Tolentino Mendonça

Fonte: Agência Ecclesia

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"Devia ser como no cinema, a língua inglesa fica sempre bem"

What did Adam say on the day before Christmas?
It's Christmas, Eve!


What does Father Christmas suffer from if he gets stuck in a chimney?
Santa Claustrophobia!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O espanto do anjo

O editor de Cultura do semanário católico “America Magazine” (aqui), James Martin, s.j., reflecte sobre o Natal a partir de duas imagens do escultor Marco Romano (séc. XIV), que estão na Basílica de São Marcos, em Veneza. Estão lá as duas esculturas, na Capela do Tesouro, mas uma longe da outra. Já lá entrei e não me lembro de as ver, sequer. Na imagem acima podemos vê-las juntas, o que torna a mensagem mais explícita.

Nunca tinha pensado no espanto do anjo. Maria perguntou: “Como será isso?” O anjo, sem baixar as asas e sem saber bem o que dizer, recorre ao último argumento, que na minha Bíblia até vem em itálico: “Nada é impossível a Deus”.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Marketing paroquial

Para promover a participação no actos religiosos por estes dias, agora que se aproxima o Advento, uma paróquia colocou um grande cartaz na porta da Igreja que diz isto:

- Por favor, abra antes do Natal.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Bento Domingues: O Presépio, ao contrário do Pai Natal, é simples mas não é simplório

Bento Domingues, no "Público" de hoje, escreve sobre a "vitória publicitária do Pai Natal sobre o Presépio". Refere uma revista de filosofia dedicada a "A Bíblia dos Filósofos", em que os filósofos vivos e mortos se pronunciam sobre Jesus, os Evangelhos, as Cartas, etc. (já aqui apontada). E lê a mensagem do presépio: "Ali, nascia um menino judeu que não cabia no judaísmo nacionalista. O seu reino era o advento do humano universal. (...) A simplicidade do Presépio não é simplória como a do Pai Natal".

domingo, 13 de dezembro de 2009

Bento Domingues: A retórica da alegria

“Acabemos de vez com essas caras de sexta-feira pouco santa para poder ressuscitar o quotidiano. Hoje, a tristeza já não vem, sobretudo, do púlpito e do confessionário. A religião laica obriga-nos a consumir, a semana inteira, imagens e noticiários sempre mais deprimentes”, escreve Bento Domingues, no “Público” de hoje, porque hoje, terceiro Domingo do Advento, é o Domingo da Alegria. Clicar para ler.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...