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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fornece-se uma parafernália de refugo paranormal a cada passo...

Fornece-se uma parafernália de refugo paranormal a cada passo, cartomantes adivinham o passado e o futuro dos pacóvios com fórmulas vazias que querem dizer tudo e nada, os horóscopos são consultados como laboratório e milagres repetidos como os televisivos; o ocultismo faz-se acompanhar de profecias sempre desmentidas e sempre readaptadas como pastilha elástica. Poucos acreditam em Cristo mas muitos nas nossas senhoras de gesso que choram e nas nuvens que assume o perfil do Padre Pio; quase todos têm vergonha de rezar, mas não de perguntar ao primeiro que aparecer de que signo astrológico é. Patetices como o satanismo e missas negras recebem uma atenção que conviria dedicar à leitura de Kant ou dos Evangelhos, ou mesmo de agradáveis romances policiais.


Claudio Magris na página 139 de “A história não acabou” (ed. Quetzal)

sábado, 12 de abril de 2014

Acumulação burguesa de Cristos?


Boaventura Sousa Santos fala na sua segunda casa, em São Pedro de Alva, perto de Coimbra, no "Fugas" de hoje:

"Abandonei a religião aos 22 anos. A religião católica era extremamente conservadora.”

E a reportagem acrescenta: "Criado na religião católica, com comunhão diária até aos 16 anos, deixou de acreditar. É agora um não-crente que tem uma coleção de Cristos como objetos de arte-sacra".

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Teologia elementar

Se Cristo não é Deus, a sua ação redentora não é divina e não nos salva; e se não é humano, a sua ação não é humana e não nos assume.

Carlos González Vallés (também o autor do título deste "post")

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Doença cristológica

A ciência cristológica sofre de uma doença até hoje incurável: a conjetura psicológica.

William Wrede (1859-1906, alemão, teólogo luterano) citado por Vittorio Messori nas "Hipóteses sobre Jesus"

terça-feira, 19 de abril de 2011

domingo, 13 de março de 2011

É o que quer dizer «Ámen»



Certa vez, fiquei surpreendido, quando oferecia a hóstia a um velho confrade dominicano: «O Corpo de Cristo», e ele respondeu: “Eu sei”. O nosso «Ámen» é um «Sim» incondicional e retumbante. É a nossa participação naquele que «é sempre “Sim”».

Timothy Radcliffe na pág. 266 de “Ir à Igreja porquê?”

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A idade de Cristo

A túnica do Papa tem 33 botões. Na imagem de Bento XVI mais abaixo parece faltar um. Noutras fotografias é mais claro. Mas não haja dúvidas. São 33.

Arte aborígene e a Paixão de Cristo

"Aquando de uma viagem à Austrália, fiquei particularmente sensibilizado com a experiência de vida dos aborígenes, não aqueles, hoje praticamente dizimados pelo álcool e pela civilização, mas os que viveram nessas terras antes dos ocidentais aí desembarcarem. Ora, o que faziam eles? No imenso deserto australiano, nómadas como eram, prosseguiam a sua exploração avançando sempre em círculos. Ao cair da noite, capturavam um lagarto, uma serpente, de que faziam a sua refeição e de manhã voltavam a partir. Se, em lugar de avançar em círculo, tivessem prosseguido em linha recta, teriam chegado ao mar onde os aguardava um festim. Em todos os casos, hoje como ontem, a sua arte é feita de círculos que nos evocam uma espécie de pintura abstracta, aliás bastante bela. Um dia, durante essa viagem, chegámos a uma reserva onde havia uma igreja cristã como o seu sacerdote. Este mostra-nos um grande mosaico ao fundo do edifício, onde naturalmente apenas se vêem círculos. O sacerdote diz-nos que esses círculos, segundo os aborígenes, representam a Paixão de Cristo, embora não saiba explicar porquê. O meu filho, então adolescente e sem grande educação religiosa, apercebe-se de que os círculos são em número da catorze. Trata-se, evidentemente, das catorze estações da Via Crucis.

Para eles, o caminho da cruz era representado como um tipo de movimento perpétuo e circular, pontuado por catorze estações. Assim, não podiam desligar-se dos seus próprios motivos, do seu imaginário".

Umberto Eco, pág. 101 de “A Obsessão do Fogo", de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière (Difel).

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A idade de Cristo

A notícia vem na última página do “Jornal de Notícias” de hoje. Jasper Joffe, um artista plástico norte-americano radicado em Londres, vai leiloar tudo o que tem excepto a roupa que trouxer vestida durante o leilão. Quer recomeçar a viver do zero porque a namorada deixou-o no Natal passado. Tem 33 anos, “a idade em que Cristo morreu para voltar a viver”, segundo as suas palavras. O leilão começa hoje na Generation Gallery, no Leste de Londres.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

E um debate entre Onfray e Zizek?

Imaginemos agora um debate entre Onfray e Zizek (ler entrada anterior). Um dizendo que o Deus cristão é um entrave à liberdade. O Outro rebatendo que Cristo é o verdadeiro potenciador da liberdade. Um afirmando a necessidade de supressão da religião, o outro realçando as possibilidades da fé.

Clássicos 9: "Jesus Cristo Libertador", de Leonardo Boff


(Primeiro parágrafo:) «Quem dizem os homens que eu sou?» Essa pergunta de Jesus a seus discípulos ressoa através dos séculos até hoje e possui a mesma actualidade como quando foi colocada pela primeira vez em Cesaréia de Filipe (Mc 8,29). Todo homem que alguma vez se interessou por Cristo não pode se esquivar a semelhante questionamento. A cada geração cabe responde dentro do contexto de sua compreensão do mundo, do homem e de Deus».

Jesus Cristo Libertador | Leonardo Boff | Vozes, 1972, 286 páginas


Começar um livro (ou um artigo) sobre Jesus com a pergunta “Quem dizem os homens que eu sou” é um lugar lugar comum. E pode ser não eclesialmente correcto (!) considerar um clássico a obra de um teólogo que abandonou o sacerdócio. Mas este livro apresenta um Jesus Cristo comprometido no seu tempo, um Jesus que morre como consequência de uma vida que não podia deixar de ser um escândalo. Mas morre para a libertação da humanidade. E isso é da teologia mais ortodoxa que há. Leonardo Boff (Concórdia, Brasil, 1938) foi frade franciscano de 1959 a 1992. Diz que nunca abandonou a Igreja. Tem mais de 60 livros publicados e continua a dar conferências, principalmente no Brasil, onde vive com a educadora popular Márcia Miranda.

sábado, 20 de junho de 2009

Clássicos 6: "História de Cristo", de Giovanni Papini


(Primeiro parágrafo) "Há quinhentos anos para cá, os que se intitulam «espíritos livres» por terem desertado da Milícia pelos Ergástulos anseiam por assassinar Jesus pela segunda vez – por matá-lo no coração dos homens."
História de Cristo | Título original Storia di Cristo | Giovanni Papini | Livros do Brasil, 2006, 422 páginas

Giovanni Papini (1881-1956) nasceu em Florença. Começou por ser céptico e ateu e acabou católico, refugiado num convento de Viena, após o fim de Mussolini, de que fora apoiante e que lhe valera o lugar de professor universitário em Bolonha. Fundou a revista “Leonardo” e “L’Anima” e escreveu para “Il Regno” e para o “Corriere della Sera”. Principais obras: “História de Cristo”, de 1935, “Il crepuscolo dei filosofi”, "Gog", “O Diabo”, “Cartas aos Homens do Papa Celestino VI” e “Relatório sobre os homens”. Devido ao seu fascismo e anti-semitismo, Papini está “injustamente esquecido”, na expressão de Jorge Luís Borges. Ainda não é politicamente correcto citá-lo, mas a “História de Cristo” é, apesar de tudo, um clássico do pensamento católico do século XX.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Clássicos 3 - "Imitação de Cristo", de Tomás de Kempis


“Quem Me segue não anda em trevas” (Jo 8,12). São palavras com que Jesus Cristo nos exorta à imitação da sua vida e dos seus costumes se quisemos ser verdadeiramente esclarecidos e livres de toda a cegueira espiritual. O nosso empenho deve, portanto, consistir em meditar profundamente a vida de Cristo.

Imitação de Cristo | Tomás de Kempis | Paulus, 2003, 254 páginas

Tomás nasceu em Kempen (Kempis), na Renânia (Alemanha), em 1379 ou 1380, e morreu a 25 de Julho de 1471, no mosteiro de Saint Agnetenberg, perto de Utreque (Holanda). São-lhe atribuídas cerca de 40 obras. A “Imitação de Cristo” é a mais conhecida e mais influente.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cristo e os cristãos

No "Público" de hoje:

Eu gosto de Cristo. Eu não gosto de vocês, cristãos. Vocês, cristãos, são tão diferentes de Cristo.

Mahatma Gandhi (1869-1948).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Inspirações - 2

Sobre a “cavalgada fiscal” que de repente surgiu na campanha para o Parlamento Europeu, Helena Matos escreveu no Público de 28 de Maio: “Nós ainda não sabemos o que nos vai acontecer, mas tal como Cristo e Marx também não devemos ficar lá muito bem”.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Verdade, costume e tradição

Tertuliano disse: "Cristo afirmou que era a verdade, não o costume". "Consuetudo" traduz-se por  "costume". Hoje, poderia ser "moda" (sugestão de Bento XVI, numa audiência geral de Quarta-feira) ou "o que está in". Mas não quereria dizer também "tradição"? Tertuliano disse: "Cristo afirmou que era a verdade, não a tradição".

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...