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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

É novo

Homero é novo, esta manhã, e talvez nada seja tão velho como o jornal de hoje.


Charles Péguy 

domingo, 1 de abril de 2012

Eu não conhecia esta voz eterna

Eu não conhecia esta voz eterna
E calma e larga e plana e branca e deleitável,
Comovente em minh'alma e nela revivente;
Não, eu não conhecia esta voz admirável.


Charles Péguy

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Grande silêncio

Tu recordas-me esse grande silêncio
que o mundo tinha, 
antes que tivesse início o reino do homem.
Tu anuncias-me esse grande silêncio que o mundo terá,
quando terminar o reino do homem.


Charles Péguy citado por José Tolentino Mendonça na pág. 63 de "Pai-Nosso que estais na Terra"

domingo, 27 de novembro de 2011

O que é que Deus nos dirá se chegarmos ao Paraíso sem os outros?

Dizia Charles Péguy, no tempo em que ainda se falava de salvação:


É necessário salvar-se conjuntamente, precisamos de chegar juntos ao Paraíso, precisamos apresentarmo-nos juntos no Paraíso. É necessário doar-se aos outros. O que é que Deus nos dirá se chegarmos ao Paraíso sem os outros?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

“Eu sou menos exigente”, diz Deus - Poema de Péguy

No 138.º aniversário do nascimento de Péguy.

Os fariseus querem que os outros sejam perfeitos,
Exigem-no.
Não sabem falar de outra coisa.

Mas Eu sou menos exigente, diz Deus.
Porque Eu sei bem o que é a perfeição e não a exijo tanto aos homens.
Precisamente porque Eu sou perfeito e não há em Mim mais do que perfeição, não sou tão difícil como os fariseus.
Sou menos exigente. Sou o Santo dos santos e sei o que é ser santo, o que custa, o que vale.
São os fariseus que querem a perfeição.
Para os outros.
Consideram que os outros são sempre indignos, consideram indigno o mundo inteiro.

Mas Eu, diz Deus, Eu sou menos difícil.
E considero que um bom cristão, um bom pecador da comum espécie, é digno de ser meu filho e de reclinar a sua cabeça sobre o meu ombro.

7 de Janeiro de 1873. Nasce Charles Péguy

Charles Pierre Péguy, um radical socialista e anticlerical que depois de aproxima do catolicismo e autor que de vez em quando gosto de citar neste blogue (ver aqui), nasceu no dia 7 de Janeiro de 1873, em Orléans (terra de Joana d'Arc, que admirava), e morreu no dia 5 de Setembro de 1914, durante a Grande Guerra, em Villeroy. O seu nome aparece no memorial acima. É o primeiro do canto superior direito.

Gosto especialmente deste seu poema:

Se precisas de valentes sob o teu estandarte
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio…
aí estão Lourenço, Cecília…

Mas se, por acaso,
alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante,
de um orgulhoso, de um cobarde,
de um ingrato e de um impuro,
de um homem que esteve de coração fechado
e rosto duro…
aqui estou eu.

Quando te faltarem os outros,
a mim sempre me terás.

domingo, 7 de novembro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Embaraçado

O mundo moderno, o espírito moderno, laico, positivista e ateu, os métodos modernos, a ciência moderna, o homem moderno crêem ter-se desembaraçado de Deus; na realidade, para quem vir um pouco além das aparências, para quem quer superar as fórmulas, nunca o homem esteve tão embaraçado com Deus.

Charles Péguy (1873-1914)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Uma Igreja assim, que não pretende ditar leis nem se lamenta dos tempos ruins

Casa onde viveu o Cura d'Ars

“Se o bom Deus tivesse encontrado um sacerdote mais miserável do que eu”, dizia sempre o Cura d’Ars, “seria a ele que teriam acontecido todas estas coisas maravilhosas”. Talvez o mundo, na França e em outros lugares, também tenha saudade de uma Igreja assim. Que não pretende ditar leis; que não se lamenta dos tempos ruins.

Ars não é um lugar para agitações. Poucas casas, mergulhadas num campo tranquilo, as carmelitas, o convento das clarissas, a estrada que faz a curva ao redor da igreja do Cura Jean-Marie Vianney, santo padroeiro dos párocos. Lá dentro, quase sempre há alguém. As pessoas chegam sozinhas, em pequenos grupos, em comitivas. Um fluxo contínuo e discreto. Quase meio milhão de peregrinos por ano, “a cada ano um pouco mais, e, entre eles, mais de oito mil sacerdotes”, acrescenta padre Jean-Philippe Nault, jovem reitor do santuário. Esse aumento tem-se registrado nos últimos tempos, depois que, por décadas, São João Maria Vianney parecia ter caído no esquecimento. Na década de 1980, nasceu a Société Jean-Marie Vianney: padres que não querem ter nenhuma espiritualidade particular, a não ser a que vem da própria ordenação sacerdotal, para a salvação das almas. Este ano, jubileu dos 150 anos da morte do santo, o “programa” é sempre o mesmo. Sem horário, na igreja é sempre possível confessar e celebrar missa, “pousar o peso dos próprios pecados e saborear um gole de misericórdia. A qualquer hora, das seis e meia da manhã até a noite”. Dentro de pouco tempo, abrirão uma capela para a adoração perpétua do Santíssimo Sacramento. Foi o povo da cidadezinha que pediu. Há dez anos – conta padre Nault – nem era possível imaginar uma coisa dessas.

Quando Jean-Marie chegou à cidade, em fevereiro de 1818, a Igreja da França saía das ruínas da Revolução. A paróquia de Ars era como uma terra desolada. “E ele fez apenas o que qualquer padre, normalmente, pode fazer: oração, catequese, confissão, celebração da eucaristia, auxílio aos pequenos e aos pobres”, repete o bispo Bagnard. “No minúsculo buraco em que o recolheram, por ser incapaz”, escreve René Laurentin, “ele atraiu multidões em escala nacional. Sem querer, fundou um centro de peregrinação”. Ainda hoje, não é preciso organizar nada. As pessoas vêm sozinhas. “É um santo pobre”, não pára de dizer o padre Nault, “e encontrar um pobre não dá medo. Como quando encontramos Teresinha. Ou Bernadete. Esses santos nos dizem: se você é pobre, eu sou mais do que você. Somos pobres juntos, diante do Senhor. Você reza por mim, e eu por você”.

“Se o bom Deus tivesse encontrado um sacerdote mais miserável do que eu”, dizia sempre o Cura d’Ars, “seria a ele que teriam acontecido todas estas coisas maravilhosas”. Talvez o mundo, na França e em outros lugares, também tenha saudade de uma Igreja assim. Que não pretende ditar leis; que não se lamenta dos tempos ruins. Que deixa apenas se apresentar no horizonte a espera do milagre. “Já nos disseram tanta coisa, ó Rainha dos Apóstolos. Perdemos o gosto pelos discursos. Não temos mais altares, a não ser os teus. Não sabemos nada, além de uma oração simples” (Charles Péguy).

Este texto foi retirado da revista 30 Giorni, aqui.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Aviso importante


Charles Péguy (1873-1914) falava dos devotos e dizia:
"Porque eles não são do homem, eles crêem que são de Deus. Porque eles não amam ninguém, ele crêem que amam Deus".

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Por Ele marcharam os passos dos legionários

Um extraordinário poema, aqui numa versão incompleta, encontrado no meio de um texto sobre a globalização. Para quem tem uma visão cristã do mundo.

Por Ele marcharam os passos dos legionários,
As velas dos barcos por Ele se tinham estendido
Por ele os grandes barcos de Outono tinham luzido,
Por ele se dobraram as velas nos estuários.
(…)
Os passos de Dário tinham marchado por Ele,
Era por Ele que esperavam no fundo da Pérsia,
Era por Ele que esperavam numa alma dispersa,
Ele é o Senhor de ontem e de hoje.
E os passos de Alexandre por Ele tinham marchado
Do palácio paternal às margens do Eufrates.
E por Ele o último sol tinha luzido
Sobre a morte de Aristóteles e a morte de Sócrates.
(…)
As regras de Aristóteles tinham marchado por Ele
Do cavalo de Alexandre às épocas escolásticas.
E o ascetismo e a regra luziram por Ele
Das regras de Epicuro até às regras monásticas.


Charles Péguy. Excerto de “A Tapeçaria de Eva” (1913)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Senhor de Três Virtudes - quatro versos de Péguy

Eu sou, disse Deus, Senhor de Três Virtudes,
A Fé é uma esposa fiel.
A Caridade é uma mãe ardente.
Mas a Esperança é uma menininha pequena.

Charles Péguy (1873-1914)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Já nos disseram tantas coisas", escreve Péguy

Ao entusiasmo de Anselmo (aqui) é preciso contrapor a sensatez de Péguy:

Já nos disseram tantas coisas, ó Rainha dos Apóstolos
Perdemos o gosto por discursos
Não temos mais altares, a não ser os vossos
Não sabemos mais nada, a não ser uma oração simples.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Para terminar o dia

As três virtudes

Porque as minhas três virtudes, diz Deus,
minhas criaturas, minhas filhas, minhas crianças,
são como as minhas outras criaturas
da raça dos homens:
a Fé é uma esposa fiel,
a Caridade é uma mãe, uma mãe ardente, toda coração
ou quiçá uma irmã mais velha que é como uma mãe.
E a esperança é uma criancita de nada
que veio ao mundo no Natal passado
e que ainda brinca em Janeiro.


Charles Péguy (excerto de “As três virtudes” in “Palabras cristianas”)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Quanto faltarem os outros…

Se precisas de valentes sob o teu estandarte
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio…
aí estão Lourenço, Cecília…

Mas se, por acaso,
alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante,
de um orgulhoso, de um cobarde,
de um ingrato e de um impuro,
de um homem que esteve de coração fechado
e rosto duro…
aqui estou eu.

Quando te faltarem os outros,
a mim sempre me terás.

Charles Péguy (1873-1914)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Para terminar o dia

“Piores do que os maus pensamentos são as ideias feitas. Pior do que uma alma má, e mesmo do que uma alma que quer ser má, é uma alma fabricada. E há pior do que uma alma perversa: a alma habituada”.

Charles Péguy

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...