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segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Uma Geografia Secreta: Análise do Livro “O Movimento Impróprio do Mundo” de Sara F. Costa por Nuno Júdice

Análise do Livro "O movimento impróprio do mundo" por Nuno Júdice

Análise do Livro "O movimento impróprio do mundo" por Nuno Júdice

A partir do título do novo livro de Sara F. Costa, «O movimento impróprio do mundo», entramos num espaço que gira em torno de dois conceitos: movimento associado a deslocação, a viagem, e mundo relativo ao espaço em que esse movimento se dá. No entanto, se por mundo entendermos a Terra, o planeta, o movimento que logo lhe associamos é o de rotação, com a sua dupla regularidade ligada ao dia, que é a rotação do planeta sobre si, e o ano, que é a rotação da Terra à volta do Sol. Estaríamos assim perante um tópico da poesia que fala dessa dualidade nocturna e diurna, e da mudança das estações ao longo do ano. No entanto, o que poderia parecer uma associação simples e confortável para o leitor, que remeteria para o mundo clássico esta poesia, é contraditado, ou melhor, perturbado pelo adjectivo impróprio. Sara F. Costa vai, assim, rejeitar esse espaço da tradição que, pela antítese diurno-nocturno, remete para o Romantismo, e pela sazonalidade que deu origem ao mito do eterno retorno, para o Classicismo, e avança por um outro terreno em que o movimento, ou melhor, a viagem, não coincide com as referências habituais da linguagem poética. Há muitas viagens neste livro. Podíamos falar de viagens como a que se faz ao passar/ esta ponte triste/que vai dar a Setúbal (p. 7), a que leva até às placas que indicam que Figueira da Foz é mais ou menos na/mesma direcção (p. 11), a que segue o desejo taxativo do «Vou-me embora» que começa na Universidade do Minho e termina em Beijing (p. 13), a da «Modern girl» que apesar de nunca ter ido a Nova Iorque se mudou para Coimbra (p. 78), a combinação com o estudante de relações internacionais para 4 um encontro algures entre/o Império Otomano e o Bizantino,/por volta de Agosto (p. 86), ou o poema «Shanghai» (p. 65), entre outras, ou seja, referências que se podem considerar concretas, a que se podem somar outras mais literárias quando, em Peniche, diz que podia estar em Paris (p. 35), qunado pretende levar o Tejo para a China (p. 85), ou ainda quando encontra o Husserl a jantar com o Alphonse de Lamartine (p. 73). Este é o mundo que se encontra no título e que tanto pode fazer parte de uma realidade concreta da globalização contemporânea como, sobretudo, surgir ao longo do livro para apelar a uma pulsão de liberdade que, hoje, perdeu o sentido que teve no tempo dessa rua onde Ramos Rosa adiou o amor, e se tornou um instante de risco em que não se ama a liberdade,/bebe-se liberdade/misturada com espumante e terror («Liberdade», p. 16). É uma liberdade que absorve tanto a novilíngua dos feed, startup, cliffhanger, hardclub, networking, o uso do inglês em títulos ou citações, a presença de nomes que funcionam como fundo entre o cultural e o que poderíamos chamar intertextual, de Herberto Helder a Dante ou Rimbaud, de Nietzsche a Sartre, Kafka ou Patti Smith; e uma errância por lugares que, no entanto, são o lugar único em que a poeta se define como uma casa corpo, não passo de. Também o amor comunga dessa liberdade em forma de errância, como se o corpo fosse apenas um lugar de passagem. É quando diz que à noite, quando o homem, regressa/ não é sói a ele que me dou mas aos quatro ou cinco a quem já/me dei antes/porque no meu útero rebentam todos os mares (p. 28) que a entidade mulher se assume como esse mundo líquido em que o canto das ondas feridas/ atravessa a existência (p. 29) até esse momento do poema «Quando eu fui morrer para o mar» (p. 72) em que a morte, ligada à água bachelardiana, se associa ao renascimento ligado ao útero: ressuscitei na mesma madrugada em que fui morrer para o mar (p. 73). Uma poética iniciática, mas uma iniciação que se verifica no espaço fechado de «O sepulcro-espelho» (p. 47) em que o Eu se contempla num processo que é descrito como o movimento impróprio do mundo, contrário à luz e à expansão, e entregue à harmonia demoníaca do teu desejo no processo de morte ritual em que o olhar narcísico e auto-destrutivo de onde nasce o prazer fundamental para esse renascimento, surgido do oximoro dessa harmonia demoníaca que se conclui no momento em que a entrega nocturna se materializa: deixa que o sepulcro te masturbe. É portanto uma viagem que tem como território esse mundo mas em que não há um objectivo final, ligado a uma instalação definitiva, porque a vida é o nosso destino e aparentemente já chegamos/sem nunca ter partido (p. 9). Se o poema se chama «Na rua em Daugavpils», portanto longe dessa origem portuguesa entre Lisboa e o norte, ao dizer que chegou sem nunca ter partido o que se conclui é que a viagem poética não 5 implica uma mudança de território porque o chão em que assenta, e não se move, será o chão da linguagem, da língua, em que tudo é reconhecível e familiar, mesmo quando fisicamente se está longe. E talvez se possa aqui definir esse «movimento impróprio do mundo» como aquele que tenta afastar a poeta do seu chão, que será essa língua em que escreve, que faz parte de uma «Geografia secreta» em que a poeta usa os verbos que se apaixonam pela noite e os versos são lábios em ruína/parados na geografia secreta da pele. Viagem entre Eros e Tanatos, o livro guia-nos por um mundo de imagens no limite da eclosão surreal, mas ao mesmo tempo nunca perdendo de vista a realidade, numa escrita que vai de encontro à pele críptica do papel, sem nunca deixar que a leitura se perca em labirintos sem sentido nem centro.

Sara F. Costa (1987) é uma escritora, investigadora e professora. A sua formação académica é em Estudos Chineses e passou largas temporadas a viver na China, sobretudo entre Tianjin em Pequim até 2020. A sua obra literária tem sido galardoada em variados certames. O seu livro “A Transfiguração da Fome” obteve o Prémio Literário Internacional Glória de Sant’Anna para melhor obra de poesia publicada em países de língua portuguesa em 2018. Para além da poesia, escreve também ficção e traduz literatura chinesa para português e inglês. Lançou em 2020 uma antologia de poesia contemporânea chinesa por si selecionada e traduzida, “Poética Não Oficial“ (Editora Labirinto, 2020). É membro da direção da APWT (Asian-Pacific Writers and Translators). Obteve em 2021 uma bolsa de criação literária da DGLAB. Dessa bolsa surgiu o livro “Ser-Rio, Deus-Corpo” traduzido também para castelhano e inglês. Em 2024 estreia-se na ficção com “Cidade Cinza” (Labirinto, 2024). Poesia – A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos (Pé de Página editores, 2003);
– Uma Devastação Inteligente (Atelier Editorial, 2008);
– O Sono Extenso (Âncora Editora, 2012);
– O Movimento Impróprio do Mundo (Âncora Editora, 2016)
– A Transfiguração da Fome (Editora Labirinto, 2018) – Ser-Rio, Deus Corpo (Editora Labirinto, 2022) Romance – Cidade Cinza (Editora Labirinto, 2024) Tradução e organização – Poética Não Oficial - Poesia Chinesa Contemporânea, Edição bilingue (Editora Labirinto, 2020) Obras Noutras línguas – River-Being, Bodily-God (Red River, 2022) – Ser-Río, Cuero-Dios (Garvm Ediciones, 2023) NUNO JÚDICE BIO Nuno Manuel Gonçalves Júdice Glória OSE • GOSE (Portimão, Mexilhoeira Grande, 29 de abril de 1949 – Lisboa, 17 de março de 2024) foi um ensaísta, poeta, ficcionista e professor universitário português. Biografia Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e obteve o grau de Doutor pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação sobre Literatura Medieval.[1] Professor do ensino secundário, desde 1992 até 1997, foi professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas,[2] até à sua aposentação, como professor associado, em 2015. Foi diretor da revista literária Tabacaria (1996-2009), editada pela Casa Fernando Pessoa e Comissário para a área da Literatura da representação portuguesa à 49ª Feira do Livro de Frankfurt. Foi também Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal (1997-2004) e diretor do Instituto Camões em Paris[2]. Organizou a Semana Europeia da Poesia, no âmbito da Lisboa '94 - Capital Europeia da Cultura. Foi diretor da Revista Colóquio-Letras da Fundação Calouste Gulbenkian. Poeta e ficcionista, a sua estreia literária deu-se com A Noção de Poema (1972). Em 1985 receberia o Prémio Pen Clube, o Prémio D. Dinis da Casa de Mateus, em 1990. Em 1994 a Associação Portuguesa de Escritores distinguiu-o pela publicação de Meditação sobre Ruínas, finalista do Prémio Europeu de Literatura Aristeion. Assinou ainda obras para teatro e traduziu autores como Corneille e Emily Dickinson. A sua obra inclui antologias, edições de crítica literária, estudos sobre Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa. Mantinha colaboração regular na imprensa. Lançou, em 1993, a antologia sobre literatura portuguesa do século XX, Voyage dans un siècle de Littérature Portugaise. Tem obras traduzidas em Espanha, Itália, Venezuela, Inglaterra, França, México, Irão, China, Albânia, Suécia, Dinamarca, Grécia, Marrocos, Líbano, Colômbia, Canadá e República Checa.[3] Morreu a 17 de março de 2024, no Hospital da Luz, em Lisboa, onde se encontrava internado.[4] Condecorações A 10 de junho de 1992, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e, a 7 de junho de 2013, foi elevado a Grande-Oficial da mesma ordem.[5] Obras publicadas Entre a sua obra encontram-se:[6][7][8] Poesia A Noção de Poema (1972) O Pavão Sonoro (1972) Crítica Doméstica dos Paralelepípedos (1973) As Inumeráveis Águas (1974) O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1975) Nos Braços da Exígua Luz (1976) O Corte na Ênfase (1978) O Voo de Igitur num Copo de Dados (1981) A Partilha Dos Mitos (1982) Lira de Líquen - Prémio de Poesia do Pen Clube (1985) A Condescendência do Ser (1988) Enumeração de Sombras (1988) As Regras da Perspectiva - Prémio D. Dinis (1990) Uma Sequência de Outubro - Comissariado para a Europália (1991) Obra Poética 1972-1985 (1991) Um Canto na Espessura do Tempo (1992) Meditação sobre Ruínas - Prémio da APE (1995) O Movimento do Mundo (1996) Poemas em Voz Alta - com CD de poemas ditos por Natália Luiza (1996) A Fonte da Vida (1997) Raptos (1998) Teoria Geral do Sentimento (1999) Poesia Reunida 1967-2000 (2001) Pedro, lembrando Inês (2002) Cartografia de Emoções (2002) O Estado dos Campos (2003) Geometria variável (2005) As coisas mais simples (2006) A Matéria do Poema (2008) O Breve Sentimento do Eterno (2008) Guia de Conceitos Básicos (2010) Fórmulas de uma luz inexplicável (2012) Navegação de Acaso (2013) O Fruto da Gramática (2014) A Convergência dos Ventos (2015) O Mito de Europa (2017) A Pura Inscrição do Amor (2018) O Coro da Desordem (2019) Regresso a um Cenário Campestre (2020) 50 Anos de Poesia (1972-2022) (2022) Uma Colheita de Silêncios (2023) Ficção Última Palavra: «Sim» (1977) Plâncton (1981) A Manta Religiosa (1982) O Tesouro da Rainha de Sabá - Conto Pós-Moderno (1984) Adágio (1984) A Roseira de Espinho (1994) A Mulher Escarlate, Brevíssima (1997) Vésperas de Sombra (1998) Por Todos os Séculos (1999) A Árvore dos Milagres (2000) A Ideia do Amor e Outros contos (2003) O anjo da tempestade (2004) O Enigma de Salomé (2007) Os Passos da Cruz (2009) Dois Diálogos entre um padre e um moribundo Coimbra, Angelus Novus, (2010). O Complexo de Sagitário, Lisboa, Dom Quixote, (2011). A Implosão (2014) A Conspiração Cellamare, Lisboa, Dom Quixote, (2016) O Café de Lenine (2019) Ensaio A Era de «Orpheu» (1986) O Espaço do Conto no Texto Medieval (1991) O Processo Poético (1992) Portugal, Língua e Cultura - Comissariado para a Exposição de Sevilha (1992) Voyage dans un Siècle de Littérature Portugaise (1993) Viagem por um século de literatura portuguesa (1997) As Máscaras do Poema (1998) B.I. do Capuchinho Vermelho (2003) A viagem das palavras: estudo sobre poesia (2005) A certidão das histórias (2006) O ABC da Crítica (2010) Teatro Antero - Vila do Conde (1979) Flores de Estufa (1993) Teatro, Lisboa Artistas Unidos/Cotovia, (2005) O Peso das Razões, Lisboa, Artistas Unidos/Cotovia (2009) Edições críticas e antologias Novela Despropositada de Frei Simão António de Santa Catarina, o Torto de Belém (1977) 'Poesia de Guerra Junqueiro (1981) Sonetos de Antero de Quental (1992) Poesia Futurista Portuguesa, Faro 1916-1917 (1993) Cancioneiro de D. Dinis (1998) Infortúnios trágicos da Constante Florinda, de Gaspar Pires de Rebelo (2005) A Mais Frágil das Moradas-Poemas à Memória de Eduardo Lourenço (2023)

Referências

  • Costa, S. F. (2016). O movimento impróprio do mundo. Âncora Editora - Descrição: Livro de poesia onde a autora explora temas como movimento, viagem, liberdade e identidade através de uma linguagem poética contemporânea.
  • Júdice, N. (Ano de Publicação). Uma geografia secreta: Análise do livro “O movimento impróprio do mundo” de Sara F. Costa. Nome da Publicação - Descrição: Análise crítica que discute as temáticas e o estilo literário presentes na obra de Sara F. Costa, com ênfase em conceitos como errância, amor, morte e a geografia secreta da linguagem.
  • Bachelard, G. (1958). A água e os sonhos: Ensaio sobre a imaginação da matéria. Martins Fontes - Descrição: Este ensaio filosófico e literário influencia a interpretação da associação entre água e morte, elementos presentes na obra de Sara F. Costa.
  • Ramos Rosa, A. (1974). O grito claro. Edições Afrontamento - Descrição: Referência a um dos poetas mencionados no contexto da busca por liberdade na análise de Júdice.
  • Husserl, E. (1913). Ideias para uma fenomenologia pura e uma filosofia fenomenológica. Martinus Nijhoff - Descrição: Base filosófica para a análise da presença do pensamento fenomenológico na obra de Sara F. Costa.
  • Helder, H. (1997). O corpo o luxo a obra. Assírio & Alvim - Descrição: Livro de Herberto Helder que influencia a intertextualidade presente em "O movimento impróprio do mundo".
  • Dante Alighieri. (1320). A divina comédia - Descrição: Referência clássica utilizada para discutir o conceito de geografia secreta e movimento impróprio no contexto da análise.
  • Smith, P. (2010). Just kids. Bloomsbury - Descrição: Obra de Patti Smith que é referenciada na análise para discutir a modernidade e a liberdade na poesia de Sara F. Costa.
  • Nietzsche, F. (1883). Assim falou Zaratustra. Penguin Classics - Descrição: Filosofia nietzschiana discutida no contexto da errância e da busca por sentido na obra de Sara F. Costa.
  • Kafka, F. (1925). O processo. Vintage - Descrição: Referência literária utilizada na análise para discutir os temas de liberdade e modernidade.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Lançamento na Índia

 Em 2020, um conjunto de poemas meus escritos em Pequim foram selecionados para a publicação “Meridian – Writing Outside the Frame” da Asia Pacific Writers & Translators.

O lançamento da publicação deveria ter acontecido no encontro anual da APWT desse ano que, entretanto, foi adiado dois anos.
Sábado, faço as malas e parto para a Índia. Desta vez, não só para apresentar esta antologia mas também para lançar o meu próprio livro "River-Being, Bodily-God" publicado pela editora independente de poesia de Nova Deli, Red River, a quem fui recomendada pelo meu caríssimo Ashwani Kumar, colega de antologia e poeta que conheci em 2019 em Calcutá no Chair Poetry Evenings.
O Festival que ficou com o nome da antologia " Asia Pacific Writers & Translators - Writing Outside the Frame" decorre de 28 a 30 de novembro e contará com a presença de escritores como Ma Jia, Geetanjali Shree, Victor Mallet, entre outros.
Sobre o livro que dei a ler à minha cara Arundhathi Subramaniam, obtive estas palavras:
"This torrential flood of poems takes us to those places of wondrous catastrophe, where blood meets the stars, muscle meets metaphysics, and ‘the essence of all things’ meets ‘the purest oxytocin.’ Shorn of cliché and fiercely human, these are poems of mercurial vitality and aliveness."
O lançamento do livro está marcado para 28 de Novembro pelas 15h na Bangalore School of Liberal Arts A apresentação está a cargo da fabulosa poeta Vinita Agrawal!
A minha presença no festival vai também passar por outras iniciativas como leituras de poesia e particiapção em painéis.
Bangalore não fica ao virar da esquina, mas ficam os meus amigos igualmente convidados para esta aventura!
Por fim, estou contente com a publicação deste livro auto-traduzido que conta com a ilustração da Constança Araújo Amador, tal como na edição portuguesa da Editora Labirinto e estou, sim, talvez, como sempre, com muita vontade de voar! Até já!


















quarta-feira, 25 de março de 2020

Poética Não Oficial, Poesia Contemporânea Chinesa", Seleção e Tradução de Sara F. Costa

A arte, enquanto alma de um país, tem o potencial de nos fornecer outro entendimento sobre um determinado povo.  
Neste livro, traduzi para português uma amostra de 33 poetas da cena literária “underground” ou “subterrânea”, isto é, não ortodoxa ou institucional (非官方诗坛) que considero de maior relevância para compreender o panorama literário da China pós-Revolução Cultural. 

Foi um longo trabalho de pesquisa e um grande desafio de tradução que me dá muito gosto em partilhar através da chancela da Labirinto. Este foi também um projeto que nasceu de um repto lançado pelo incansável editor João Artur Pinto, um verdadeiro entusiasta da independência editorial. 

Estará brevemente disponível na página da Editora Labirinto como parte integrante da Colecção Contramaré coordenada pelo Victor Oliveira Mateus 

A capa é do Daniel Gonçalves

"非官方诗坛 | Poética Não Oficial,  Poesia Contemporânea Chinesa",  Seleção e Tradução de Sara F. Costa
Fafe, Portugal: Editora Labirinto, 2020.




segunda-feira, 22 de julho de 2019

Apresentação em Braga "A Transfiguração da Fome" de Sara F. Costa


25 de julho
18h30
Livraria Centésima Página

O livro vencedor do Prémio Internacional Glória de Sant'Anna para melhor livro de poesia publicado em países de língua portuguesa em 2018, “A Transfiguração da Fome" publicado pela Editora Labirinto será apresentado pela primeira vez em Braga na Livraria Centésima Página dia 25 de julho pelas 18h30. A apresentação do livro estará a cargo da Prof.ª Dra. Isabel Cristina Mateus.
Leitura de poemas pelo poeta Luís Aguiar.

"A Transfiguração da Fome, de Sara F. Costa, é uma longa narrativa sobre nós: tu, eu e o mundo. Essa história pode ser lida em várias direções, sem necessidade de início ou de fim: há fins antes de certos inícios, há fins depois de outros fins. Em qualquer dos casos, esse será um caminho de referências concretas, papéis no chão levados pelo vento, e metáforas, horizonte. Sara F. Costa prepara-nos uma cartografia exata, não apenas no rigor com que organiza a linguagem, mas também na delicadeza do silêncio: entre palavras, entre versos, entre o título e o início do poema." Jose Luis Peixoto, escritor.

"Eis o maior mérito do livro, o de nos desconcertar, através de imagens impactantes, esteticamente cuidadas (“Porque é que a pele seca dos transeuntes vem esfoliar no meu peito?”, “a harpa do pensamento é uma planta que morreu de overdose de delírio”), ou através de procedimentos gramaticais, como o de contornar voluntariamente a palavra amor (...) A transfiguração da fome é, acho eu, uma homenagem à palavra certa, essa que procuramos apenas para evocar o tu após termos derrubado todos os impérios." Teresa Moure, júri do Prémio Literário Glória de Sant'Anna.

"Não é nada fácil navegar por este turbilhão de teres, seres e sentires que a poeta labora neste extenso poema. Um poema de muitos poemas. Amores e desamores. Uma viagem de muitas viagens vertiginosas que fluem numa crescente desconstrução procurando um equilíbrio que irá desaguar na ruptura." Fernando Sales Lopes, poeta.





Sara F. Costa é licenciada em Estudos Orientais e Mestre em Estudos Interculturais: Português/Chinês pela Universidade do Minho em parceria com a Universidade de Línguas Estrangeiras de Tianjin, China. Tem recebido vários Prémios Literários nacionais na área da poesia. Foi autora convidada do Festival Internacional de Poesia e Literatura de Istambul 2017. Em 2018, fez parte da organização do Festival Literário de Macau e do Festival Internacional de Literatura entre a China e a União Europeia em Shanghai e Suzhou. Tem poemas traduzidos em várias línguas e trabalhos publicados em Revistas Literárias um pouco por todo o mundo, desde o Brasil à China. Atualmente reside em Pequim e é coordenadora da comunidade de escrita criativa de Pequim, Spittoon Arts Collective.









Isabel Cristina Mateus é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Coimbra e Doutorada em Ciências da Literatura, Área de Especialização de Literatura Portuguesa (Moderna e Contemporânea) pela Universidade do Minho. Exerce atualmente as funções de Professora Auxiliar no Instituto de Letras e Ciências Humanas e de investigadora do Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM). A sua área de investigação centra-se na Literatura Portuguesa dos séculos XIX (com especial destaque para Fialho de Almeida e Raul Brandão) e séculos XX a XXI.
É coordenadora da edição da obra completa de Maria Ondina Braga pela INCM (com Cândido Oliveira Martins (UCP), exercendo igualmente funções de dinamizadora do Espaço Maria Ondina Braga/Museu Nogueira da Silva.
É membro da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores.
Tem colaborado em diversas revistas de especialidade nacionais e estrangeiras e é autora de vários estudos sobre autores da literatura portuguesa moderna e contemporânea, com destaque para o ensaio “Kodakização” e Despolarização do Real: Para uma Poética do Grotesco na Obra de Fialho de Almeida, Leya/Caminho 2008.






Luís Aguiar é licenciado em «Técnico Superior de Secretariado - Ramo de Assessoria de Direcção» pela ESTGA-UA e Mestre em «Línguas e Relações Empresariais» pela Universidade de Aveiro. Estudou, também, música clássica no Conservatório de Música Clássica Calouste Gulbenkian de Aveiro e fotografia analógica no Centro de Artes de São João da Madeira.
Foi colaborador assíduo do Diário de Notícias (DN Jovem) entre 2001 e 2007. Tem dezenas de poemas dispersos por jornais, revistas e antologias literárias.
Foi coautor na construção do maior poema contemporâneo, O Fulgor da Língua - O Estado do Mundo, promovido pela capital da cultura - Coimbra (2003).
Foi galardoado em vários prémios literários, alguns dos quais resultaram na publicação da obra. Em Março de 2017 foi distinguido com o Prémio de Poesia Judith Teixeira com a obra literária O muro onde a sombra persiste e em Setembro de 2016 foi premiado no XVIII Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage (2016) com o trabalho poético Quantas madrugadas precisamos para fermentar um pão?.

domingo, 5 de maio de 2019

Entrevista Sara F. Costa em Pequim



Sara F. Costa no evento de Lijia Zhang

Sara F. Costa na Art Battle





- Onde reside e o porquê da mudança de Portugal para a China?
Estou a residir em Pequim há cerca de um ano. O meu marido recebeu uma proposta de trabalho interessante e decidimos mudar. A perspetiva de voltar a viver na China sempre esteve presente desde que estudei cá durante um ano de intercâmbio no meu mestrado na Universidade do Minho. Estudei mandarim e sempre trabalhei com a China a partir de Portugal depois de acabar os estudos. Contudo, esse ano de estudo ocorreu já há dez anos atrás. Ponderei a situação e achei que seria uma oportunidade para atualizar o meu conhecimento sobre a realidade chinesa contemporânea através de uma experiência de trabalho cá.

- A que profissão e/ou actividades se dedica?
Sou coordenadora de eventos de um coletivo artístico chamado Spittoon. Também dou aulas de inglês e português como língua estrangeira e produzo material didático de inglês para crianças. No entanto, quando me perguntam a minha profissão gosto simplesmente de dizer que escrevo poesia (risos).

- Esses trabalhos/projectos estão a desafiá-la de forma diferente relativamente ao que já fez?
Sim, sem dúvida, sobretudo na Spittoon estou a experienciar uma forma de trabalho numa estrutura horizontal e que não tem como objetivo o lucro. É o tipo de trabalho em que me revejo.

- O que é a Spittoon?
A Spittoon é um coletivo composto por artistas e escritores que pretende estruturar, unir e providenciar uma plataforma para a próspera comunidade artística e internacional da cidade. O trabalho desenvolvido pela organização passa por uma publicação online de ficção e poesia em inglês e chinês (www.spittooncollective.com), uma revista literária, eventos de leitura de poesia, leitura de ficção e eventos de Slam Poetry. Recentemente fundei o primeiro Workshop de Poesia da cidade.

- Tem atividades e eventos regulares e tem eventos pontuais?
Sim, temos um clube de leitura que por vezes traz autores convidados para falarem do livro que o clube está a ler. Recentemente fiz parte da organização do modelo internacional da Art Battle, uma competição de pintura organizada pela primeira vez este ano em Pequim. Organizamos ainda pontualmente um evento chamado “Spittunes” muito apreciado pela comunidade porque junta músicos com poetas que elaboram trabalhos originais e depois dão concertos em Pequim e noutros locais da China. Enfim, muita coisa e tudo muito interessante! Há sempre novas ideias que surgem do contacto entre os artistas. A Spittoon foi fundada há quatro anos pelo poeta britânico Matthew Byrne que já tinha experiência na criação de comunidades artísticas em Manchester, onde estudou escrita criativa. O modelo em Pequim está a funcionar particularmente bem porque a cena alternativa artística em Pequim está simplesmente a crescer exponencialmente. 

- Está plenamente integrada? Há diferenças na sociedade chinesa, relativamente ao tempo que estudou no país?
Os primeiros tempos em Pequim foram difíceis porque há muita coisa para assimilar. Tenho a vantagem de falar e ler mandarim, o que facilita imenso, mas mesmo tendo essa capacidade há outras dimensões da vivência numa cidade como Pequim que ultrapassam em muito a mera barreira linguística. A questão tecnológica é fulcral. Não sei se existe outro sítio no mundo tão digitalizado como a China neste momento. Há qualquer coisa de futurista e ligeiramente distópico aqui. As mais banais tarefas do dia-a-dia passam por um smartphone. Só para dar um exemplo, o uso de dinheiro em espécie é uma coisa antiquada. Existem várias carteiras digitais (wallets) que são utilizadas para qualquer transação, seja pagar, receber ou transferir dinheiro entre pessoas. Houve uma orientação central do governo para que todo e qualquer tipo de serviço aceitasse este pagamento e agora já não precisamos de andar com uma carteira, basta levar o telemóvel.


- Que projectos tem para os tempos mais próximos e mesmo para o médio prazo?
Os próximos projetos vão ser a organização de workshops de escrita criativa que encerrará com um retiro de escritores num templo taoista.

- E a sua carreira literária? Está a escrever um novo livro?
Tenho escrito diariamente e tenho-o feito em inglês, o que é novo para mim. Estou a preparar um trabalho de tradução de poesia chinesa contemporânea para português e, eventualmente, uma publicação da minha poesia em inglês.
A minha poesia tem sido traduzida em várias línguas. Por exemplo, tenho vários poemas que já foram traduzidos para espanhol e pulicados tanto em publicações em Espanha como no México. Até já encontrei poemas meus traduzidos em húngaro. Em breve farei parte de uma antologia de poetas portugueses a ser publicada na Roménia e noutra a ser publicada em Macau, ambas organizadas pelo poeta António M R Martins. Também tenho por cá publicado poesia em inglês na revista literária “A Shanghai Poetry Zine”.

- Que balanço faz desse trajecto criativo, que – segundo me parece – já leva mais de uma década? Os melhores momentos, os mais difíceis, o processo criativo e como evoluiu (se é que evolui) …
Eu penso que tem sido um trajeto muito estável e consistente. Não posso deixar de mencionar que quando entrei no mundo do trabalho me deparei com situações difíceis devido à escassez da empregabilidade e à própria experiência de trabalho em si que nem sempre é muito gratificante nas situações sucessivamente precárias em que estive. Orgulho-me de todos os projetos que levei a cabo a nível profissional, mas o percurso nem sempre foi fácil e nesses momentos foi quando a minha produção literária deixou de existir. A partir do momento em que existe conforto e estabilidade no trabalho, torna-se muito mais fácil conseguir dedicar-me ao meu trabalho artístico e neste momento sinto que estou numa altura de grande energia criativa.

- Creio que tem estado ligada a projectos culturais em Macau. A cidade/território é sempre apontada como a grande ponte entre Portugal e China. Como vê esta questão e como caracteriza a cidade, nomeadamente do ponto de vista cultural?
Em 2012 participei numa conferência do Fórum de Macau sobre o ensino de português como língua estrangeira, fiz parte da organização do Festival Literário de Macau de 2018 e fiz algumas apresentações académicas na Universidade de Macau. Acho que Macau e as suas instituições de ensino desempenham um papel muito importante no contacto cultural entre a China e a lusofonia. Macau é, sem dúvida, uma plataforma de contacto entre realidades que acaba por produzir a sua própria realidade: multiétnica, multicultural, multilinguística e com imenso potencial para desenvolver ainda mais plataformas de comunicação entre a lusofonia e a China.

- Como lê o nosso país à distância? Está atenta às questões políticas, sociais, culturais…?
Sim, claro, estou sempre atenta ao que se passa em Portugal, gosto de me submeter constantemente a processos de aculturação, mas, honestamente, tenho muito orgulho no nosso país. Portugal tem uma história democrática relativamente recente por isso é natural que seja um país em constante evolução na consolidação dos seus valores democráticos que passam também pela consolidação do seu estado de direito. Nos últimos tempos, do que me é possível observar, acredito que a sociedade portuguesa está gradualmente mais progressista e se estão a levantar debates de extrema importância – como a integração de minorias étnicas ou as questões de género. Não digo que o estado de coisas me satisfaça ainda mas tenho esperança e acredito que as coisas estão a evoluir. Política e economicamente, estamos há muitos anos condicionados por forças externas e sistemas globais vigentes que afetam Portugal de uma maneira negativa. São os jogos internacionais de poder que infelizmente não permitem o país evoluir para uma situação económica mais estável. A situação económica do país afeta também a cultura mas o que é possível perceber, globalmente, é que Portugal é uma país profícuo na produção cultural e artística, com imensa gente com um talento enorme, por vezes, por descobrir. 


- Como é que o nosso país é visto/percepcionado por aí?
Ronaldo e Figo (risos). Fico surpreendida com o interesse dos chineses por futebol, começa a ser realmente popular. Ao nível da população chinesa em geral, Portugal é percecionado como um país pequeno ao lado de Espanha, normalmente não têm uma ideia muito definida. Do ponto de vista das ações políticas, acredito que Xi Jinping e o PCC sabem muitíssimo sobre Portugal e como estabelecer cooperações diplomáticas e económicas com Portugal. Penso que para o governo chinês, Portugal é percecionado como uma plataforma dual que possibilita uma entrada na Europa enquanto também é útil para o estabelecimento das relações entre a China e outros países de expressão portuguesa.



Sara F. Costa a vender revistas da Spittoon Literary Magazine

Sara F. Costa cria o primeiro Workshop de Poesia de Pequim

Sara F. Costa cria o primeiro Workshop de Poesia de Pequim






segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O Meu retrato por Cláudia R. Sampaio

"Sara F. Costa"
Acrílico, canetas de tinta-da-china e marcadores de água sobre papel 400g, 100cm x 70cm
(excertos de poemas de Sara F. Costa)

Cláudia R. Sampaio, Sara F. Costa

Cláudia R. Sampaio, Sara F. Costa

Lançamento de "A Transfiguração da Fome" de Sara F. Costa Victor Mateus, Sara F. Costa, Fernando Sales Lopes, António Graça Abreu

Sara F. Costa

Victor Mateus, Sara F. Costa, Fernando Sales Lopes, António Graça Abreu

domingo, 26 de agosto de 2018

Momentos Festival Literário de Macau 2018, Kalaf Epalanga, Sara F, Costa, Julián Fuks

Sara F. Costa, Kalaf Epalanga

 Kalaf Epalanga, Sara F, Costa, Julián Fuks


Julián Fuks, Sara F. Costa,  Kalaf Epalanga

Julián Fuks, Sara F. Costa,  Kalaf Epalanga

Sara F. Costa, Kalaf Epalanga

Kalaf Epalanga, Sara F. Costa

sábado, 25 de agosto de 2018

José Luís Peixoto sobre A Transfiguração da Fome

José Luís Peixoto, Sara F. Costa

"Tu e eu não somos apenas nós, somos também duas unidades, eu ocupo um poema, tu ocupas outro. A Transfiguração da Fome, de Sara F. Costa, é uma longa narrativa sobre nós: tu, eu e o mundo. Essa história pode ser lida em várias direções, sem necessidade de início ou de fim: há fins antes de certos inícios, há fins depois de outros fins. Em qualquer dos casos, esse será um caminho de referências concretas, papéis no chão levados pelo vento, e metáforas, horizonte. Sara F. Costa prepara-nos uma cartografia exata, não apenas no rigor com que organiza a linguagem, mas também na delicadeza do silêncio: entre palavras, entre versos, entre o título e o início do poema. "(José Luís Peixoto)


Publicado na Revista Caliban

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

terça-feira, 17 de julho de 2018

Lançamento do livro "A Transfiguração da Fome" de Sara F. Costa


Lançamento do livro "A Transfiguração da Fome" de Sara F. Costa

Editora Labirinto
Data: 28 de julho, 17h
Espaço Menina e Moça Livraria Bar, Lisboa



Lançamento do livro "A Transfiguração da Fome" de Sara F. Costa que mereceu uma Menção Honrosa no Prémio de Poesia Soledade Summavielle (2ª edição) e será editado pela Editora Labirinto.

"A Transfiguração da Fome" insere-se na Coleção "Contramaré" da Editora Labirinto e tem uma nota introdutória de Jose Luis Peixoto.

O evento contará com a presença de Victor Oliveira Mateus, coordenador da coleção, juntamente com Daniel Gonçalves e o editor João Artur Pinto.

A apresentação do livro será levada a cabo por Fernando Sales Lopes e António Graça de Abreu.

Leitura de poesia por Lígia Reyes e Gisela Casimiro.




Sara F. Costa (1987) nasceu em Oliveira de Azeméis. É licenciada em Estudos Orientais e Mestre em Estudos Interculturais: Português/Chinês pela Universidade do Minho em parceria com a Universidade de Línguas Estrangeiras de Tianjin, China. Tem recebido vários Prémios Literários nacionais na área da poesia. Participou no Festival Internacional de Poesia e Literatura de Istambul 2017 e em 2018 fez parte da organização do Festival Literário de Macau e do Festival Internacional de Literatura entre a China e a União Europeia em Shanghai e Suzhou, China.

Tem publicadas as obras poéticas:
– A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos (Pé de Página editores, 2003);
– Uma Devastação Inteligente (Prémio João da Silva Correia, Atelier Editorial, 2008);
– O Sono Extenso (Prémio João da Silva Correia, Âncora Editora, 2012);
– O Movimento Impróprio do Mundo (Prémio João da Silva Correia, Âncora Editora, 2016)
– A Transfiguração da Fome (Editora Labirinto, 2018)



Poema em "A Transfiguração da Fome"

Império ao meio

sento-me no limite desta cidade
a observar os quilómetros percorridos entre existências.
em hora de ponta nenhum coração está vago.
queria traduzir-te o sorriso
e fumar os prédios,
bebe-los com a agonia.
dizem que sem medo há sempre destino
mas eu escrevi-te do fundo do tempo,
já não existias.
este é o império que se partiu ao meio
nas nossas mãos.