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sábado, 21 de novembro de 2009

A primeira foto que me fizeram...

em 10 de Janeiro de 1949 (1 ano de idade)
Tirada na Rua Nova do Almada, Lisboa.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Campo de Ourique, Lisboa, da minha infância (até aos 8 anos)

Dia da minha primeira comunhão (creio que na Igreja do Santo Condestável)

















Algumas imagens da minha infância.


Foi no dia em que fiz (creio) 4 anos.








R. Coelho da Rocha, nº 71. A varanda em cima à direita (4º esq.) foi a do sítio onde vivi. Fazia-me vertigens olhar lá de cima para a rua...


sexta-feira, 8 de maio de 2009

pecados de verão







No verão íamos sempre para a praia de manhã.
E de tarde para o meio do campo.

De facto era tudo um pretexto, o lugar
É sempre um pretexto para se fazer lá qualquer coisa.

Queríamos tirar as roupas; sentir o natural.
Experimentar ter pele, e passá-la nas várias texturas:

A relva, as pedras, o sal da água, a superfície
Do pecado, a passagem das escamas dos peixes.

No verão queríamos pecar, misturar tudo com tudo,
Cansados de um inverno de frascos encarnados à espera.

Fartos de prateleiras, cansados de livros, sonhávamos
Com o que se pode fazer dentro dos ocos das árvores

Enquanto as mães não vêem, a mão por dentro do soutien,
Esses primeiros gestos cheios de febre, pequenas sortidas

Queríamos pecar a todo o custo, como bandos de pombos
Largados das jaulas do resto do ano disciplinar: férias!

E as aves largadas eram as raparigas, era esse o tempo
Dos amores proibidos, do suor nos seios, dos extremeços e suspiros

E tudo isso se estendia como a superfície da relva, e esta
Se prolongava na superfície do mar, o verde e o azul

Cores enormes, horizontais, sobre as quais às vezes vinham cair
As primeiras gotas vermelhas da perda da virgindade. Que bom.


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Fotos: Frank Herholdt (rep. aut.)
Site: http://www.frankherholdt.com/html/personal_detail2.php?id=160&gallery=Personal

texto: voj porto maio 2009

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A variabilidade (relatividade) dos valores...

Quando era estudante universitário em Lisboa, e não tinha espaço para trabalhar em arqueologia, para me isolar e investigar, guardar materiais e livros, fazer reuniões, etc (sempre o mesmo problema!), um amigo meu, Vasco Salgado de Oliveira, de quem nunca mais ouvi falar (olá, Vasco, que é feito de ti ??!!) arranjou uma solução. O pai cedeu-nos a cave de um prédio que possuía, perto da Casa da Moeda. Aí escrevi alguns dos meus primeiros trabalhos.
Era um grupo informal.
Um dia tínhamos marcado uma reunião de trabalho para estudar uma peças arqueológicas com um outro elemento do grupo, que nunca chegou a aparecer. Uns dias mais tarde, na Faculdade, disse-nos: "É pá, desculpem lá, mas tive de ir com a minha mãe às compras à Baixa..." (era o grande centro comercial na altura...). Eu e o Vasco, um tipo inteligentíssimo e culto, que tinha uma biblioteca fabulosa, ficámos a olhar um para o outro, como quem diz. "Este não tem remédio. É outro mundo de valores... então nós temos de fazer e assinar os três um trabalho fundamental para a nossa vida académca, e ele vai às compras com a mãe, sem nos dizer nada?"
Na minha ingenuidade, eu não sabia que viria a encontrar na vida muitas pessoas assim. Aquele que faltou era um tipo óptimo, cheio de qualidades, até artísticas. Mas tinha-se virado definitivamente noutra direcção. Onde andará ele, Vasco, que terá feito? Interpelo eu alguém com quem convivi muito na segunda metade dos anos 60...