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Transferência "(...) A PSICANÁLISE INVENTOU DE FACTO UMA NOVA FORMA DE AMOR CHAMADA TRANSFERÊNCIA." JACQUES-ALAIN MILLER (Lacan Dot Com)
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Fantasia e sintoma em Lacan: algumas notas
A sua dificuldade não é um tique ou questão superficial (vontade de ser hermético por motivo fútil), mas antes pretende-se com um estilo, bem entendido, de tipo "barroco", mas também e sobretudo com a consciência muito sentida de que, ao usarmos a linguagem, e portanto ao estarmos embutidos num sistema simbólico, num mundo de espelhos que reflectem outros espelhos, estamos já sempre "ditos" por um Sentido, por um Grande Outro, ou Outro com O grande, que nos precede.
FANTASIA - cenário imaginário que, devido à sua presença fascinante, esconde a falta do Outro, da ordem simbólica, da sua consistência, ou seja, liga-se a uma certa impossibilidade fundamental implicada no próprio acto de simbolização, incluindo a "impossibilidade da relação sexual".
Para Lacan, que lhe dedicou todo o Seminário de 1966/67, a fantasia tem um efeito protector, defensivo da castração, ou seja, da falta do Outro: é, como diz Evans, uma "qualidade fixa e imóvel." (p. 60).
Por exemplo, a fantasia neurótica refere-se ao desejo do sujeito de corresponder ao desejo para ele enigmático do Outro, segundo a típica pergunta: "Que (me) quer?"... Lacan, que apreciava muito a lógica formal, expressou isso por um matema conhecido. Claro que cada "paciente" possui um cenário fantasmático próprio, a que compete ao analista estar atento. Essa singularidade exprime o modo de "jouissance" de cada indivíduo, modo distorcido próprio da fantasia como "formação de compromisso". A fantasia, escreve Evans citando também Lacan (p. 60) " (...) é assim quer o que permite ao sujeito manter o seu desejo, quer aquilo através do qual o sujeito se mantém a si próprio ao nível do seu desejo volátil, evanescente."
Há no (em cada) sujeito uma fantasia inconsciente fundamental, esperando-se do processo de transferência, na análise e depois dela, que o sujeito "atravesse a sua fantasia fundamental", que nele ocorra um modo novo de "jouissance".
Contra M. Klein, Lacan sustenta que "qualquer tentativa de reduzir a fantasia à imaginação é um erro arreigado." (Evans, p. 61)
Este conceito de "fantasia", como toda a gente sabe, era já central em Freud, que percebeu bem que realidade e fantasia se não podem opor facilmente, como se faz no senso comum, pois que a própria realidade é já discursivamente construída. Fantasia para Freud é uma cena consciente ou inconsciente, criada pela imaginação, e na qual se patenteia um desejo inconsciente.
SINTOMA (symptôme) - mensagem codificada na qual o sujeito recebe do Outro a sua própria mensagem (dele, sujeito) sob forma invertida.
O sintoma é distinto da estrutura, mas, ao contrário da medicina (Evans, p. 203), não há entre eles uma relação de superfície/profundidade (=o sintoma aparece como sinal de algo escondido que o médico tem de inferir e procurar curar).
Em Lacan, quando se fala de sintomas, são normalmente os sintomas neuróticos que estão em causa, e não outros (psicose, perversão, etc). "O objectivo da psicanálise lacaniana - escreve Evans, p. 203 - não é a remoção dos sintomas neuróticos, dado que quando um sintoma neurótico desaparece, ele é simplesmente substituído por outro. É isto que distingue a psicanálise de qualquer outra forma de terapia."
Nos anos 50 ("primeiro Lacan") o sintoma neurótico não tem um significado universal: é único, próprio da história de cada sujeito. Nem há uma relação bi-unívoca entre sintomas e uma estrutura subjacente. Quando muito, o analista procura perceber qual será a "questão fundamental que activa o discurso" do neurótico (Evans, p. 204)...e, num certo sentido, todos o somos...
A partir de 1962, a concepção linguística do sintoma tende a ser abandonada a favor de uma ideia do sintoma como pura "jouissance" (gozo) que não pode ser interpretada, o que leva à introdução por Lacan em 1975 do novo vocábulo "sintome" (Evans, p. 204), em relação com um grande interesse pela "topologia" de cada sujeito. Há no autor, ao longo da sua vida, uma passagem do ênfase na linguística (sintoma como significante, inconsciente estruturado como uma linguagem, etc) para o ênfase na topologia (in Evans, p. 189) (ver abaixo).
SINTOMA (sinthome - neologismo em francês) - dimensão do Um, ponto último da consistência do sujeito; marca aquilo que no sujeito é mais que ele mesmo e que ele ama mais do que a si próprio. Esse Um é o Um da jouis-sense (outro termo próprio a Lacan), do significante ainda solto, flutuante, permeado pela satisfação. Esta é o elemento que faz com que ele não esteja (ainda) articulado numa cadeia de significantes. Trata-se de uma temática que o autor começou a desenvolver a partir do Seminário XX (1975/76). O sintoma é o que permite ao sujeito viver, na sua singular organização do gozo (jouissance) (in Evans, p. 189). Assim, a tarefa da análise consiste em identificar-se com o sintoma (neste sentido de "sinthome").
O sintoma não é pois analisável. Lacan acaba por juntar ao laço borromeano (tríade do real, do simbólico e do imaginário) um quarto anel, o do sintoma, que dá "coerência" ao sujeito. A "função do sintoma - enlaçando o real, o simbólico e o imaginário - situa-se inevitavelmente para além do sentido" (in Evans, p. 189), sentido esse que se encontra na intersecção do simbólico e do imaginário. O papel da obra de Joyce neste "último Lacan" é fulcral: toda a obra deste autor é vista como um sintoma ("sinthome"), donde a criação de mais uma expressão própria a Lacan (são muitas centenas os neologismos que propôs). Citando um autor que colabora em Evans, p. 190: " Joyce torna-se um saint homme [repare-se que, dito em francês, soa como sinthome] que, recusando qualquer solução imaginária [para os seus problemas] foi capaz de inventar uma nova maneira de usar a linguagem para organizar o gozo [enjoyment]."
Esta nota, simples e rudimentar apontamento, é baseada de muito perto (por vezes é apenas uma tradução) em:
Slavoj Zizek, "Looking Awry", London, the MIT Press, 1992 (pb), p. 132
e ainda em
Dylan Evans, "An Introductory Dictionary of Lacanian Psychoanalysis", London, Routledge, 1996, pp. 59-61 e 188-190.
Útil por exemplo, em português, o "Dicionário de Psicanálise", de Elisabeth Roudinesco e Michel Plon, Mem Martins, Ed. Inquérito, 2000, para quem não tenha outro recurso; mas não há nada que substitua a leitura de Lacan e, escusado é dizer, de Freud, a quem Lacan se propôs retornar (no sentido da releitura atenta dos seus textos), em articulação com todo um vasto conhecimento científico e filosófico próprio dos meados do séc. XX. Por isso Lacan e Freud vão juntos e ajudam-se (ajudam-nos) mutuamente na compreensão da revolução psicanalítica, que não é nenhum dogma nem a única matéria indispensável, mas é algo sem o qual dificilmente se entende outras coisas. É como se nunca tivéssemos lido Marx ou Weber e quiséssemos pensar o social e o político, e por aí adiante. É claro que um arqueólogo não foge à regra.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Que raiva não viver em Paris: este tema interessava-me mesmo!
Présentation et représentation
Responsables : Thierry Jean, Esther Tellermann
Samedi 17 octobre 2009, 14 h 00 à 16 h 00
ALI, 25 rue de Lille, 75007
Ce n'est rien d'autre que la dominance du signifiant qui est la dominance du principe de plaisir tel que Freud l'envisage, cette limite au-delà de laquelle la chose - das ding - est interdite. L'entreprise de l'Art se situe sur cette limite où elle n'est pourtant pas insensée de faire surgir l'irreprésentable. Nous interrogerons les réflexions de Lacan sur la création en tant qu'elle s'articule à la clinique. L'artiste en effet explorerait dans son oeuvre ce que la clinique démontre : l'Autre chose dans sa face mortelle. C'est dans la prise en compte de cette Autre chose que réside la spécificité du discours analytique, faute de quoi prévaut la marchandisation de l'obscène.
Contacto ALI: ali-info@freud-lacan.com
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Começou hoje (8 de Outubro) na FLUP um seminário aberto de psicanálise....
A sessão de abertura foi sobre a primeira tópica de Freud.
Gostei!
Está a cargo do Doutor Luís Augusto, que tem esta página web onde inclui o programa e outras matérias:
http://luisaugustophil.50webs.com/
terça-feira, 9 de junho de 2009
Obra muito interessante, hoje "descoberta" pelo Gonçalo Velho...
O CONCEITO DO OBJETO NA PSICANÁLISE.
DO FENÓMENO À ESCRITA
por
Daniela Scheinkman Chatelard
Brasília, Editora Universidade de Brasília, 2005
ISBN 85-230-0820-9
SINOPSE
"O artigo em homenagem a Merleau-Ponty nos Outros escritos pode ser considerado o primeiro de uma série de textos lacanianos que gravitam em torno de um objeto pulsional privilegiado que é o olhar. Entre eles, o texto em homenagem a Marguerite Duras pelo seu romance O arrebatamento de Lol V. Stein, que permite a Lacan isolar o lugar determinante do olhar não como atividade do sujeito, do sujeito que vê, mas como objeto, como o que olha sem se ver, o que o fascina. A divisão estrutural do sujeito revelando-se no nível da pulsão escópia a determinar que ele não pode ver o lugar em que está enquanto olha, Lacan o ilustrou no quadro de Velásquez intitulado As meninas, no qual o pintor, deslocado da cena principal, se representa no momento privilegiado de seu ato criador. Essas apreciações marcam de alguma forma a passagem para o outro Lacan, outro daquele que se apresentava sob o signo inicial da palavra e da linguagem, o Lacan que se revela no fim de seus Escritos sob o nome de objeto a.
Nessa orientação da melhor tradição lacaniana, a autora percorre com precisão a trajetória do conceito de objeto no campo da filosofia, da fenomenologia e da lógica de Frege até sua perspectiva psicanalítica, a introduzida por Freud e repensada por Lacan. Valendo-se de exemplos inspirados na literatura e na pintura, a obra analisa a evolução do conceito de objeto do fenômeno à escrita, conduzindo-nos para esta fundamental questão teórica da psicanálise a incidir em toda a extensão da experiência clínica: a da incidência do objeto na ética da psicanálise, a ética do desejo e do que há de mais singular em cada sujeito. "
Fonte da imagem e texto:
http://www.travessa.com.br/O_CONCEITO_DO_OBJETO_NA_PSICANALISE_DO_FENOMENO_A_ESCRITA/artigo/0ad9891f-a9f3-40cc-bdd6-046979c7530e
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Le corps et ses objets
Het lichaam en zijn objecten
in de psychoanalytische kliniek
Le corps et ses objets
dans la clinique psychanalytique
The Body and its Objects
in the Psychoanalytic Clinic
15 & 16 mars — March — maart 2008
Gand, Belgique — Ghent, Belgium — Gent, Belgie
Muziekconservatorium, Hoogpoort 64, 9000 Gent
VIe Congrès—VIth Congress—VIde CongresNLS
Nouvelle Ecole Lacanienne de Psychanalyse
New Lacanian School of Psychoanalysis
Nieuwe Lacaniaanse School voor Psychoanalyse
Traduction simultanée—simultaneous translation—simultaanvertaling
Renseignements et inscription en ligne—Information and registration online—Inlichtingen en inschrijving online
www.amp-nls.org
Source: http://www.londonsociety-nls.org.uk/pdfs/Affiche-Gandpdf.pdf
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Transferência
Este conceito, um dos mais básicos da psicanálise, deu o mote a este blogue (começado há quase um ano!), pelo menos ao seu título, exprimindo, não tanto um conhecimento, mas mais um desejo de conhecimento. Atrai-nos aquilo que não sabemos, em que suspeitamos poder estar o “segredo” que eventualmente dará sentido a uma série de coisas. Pelo menos temos de tentar, levados por um desejo que nos magnetiza.
Só que neste contexto, mesmo quem teve formação específica, tem dificuldades. A psicanálise é uma nebulosa complexa, em cada autor todos os conceitos estão conectados entre si, sofrem variações ao longo do tempo de investigação e de experiência desse autor, como é de esperar. Portanto, nada é fácil, e muito menos explicar em poucas linhas o conceito de transferência em Lacan, porque ele arrasta toda a sua obra, obra que eu estou longe de compreender.
Tentarei orientar-me nesta nótula pela obra de Darian Leader e Judy Groves mencionada noutra postagem, procurando obviamente, e a todo o custo, quer evitar o plágio (apesar de algumas coisas que vou dizer estarem muito “coladas” ao livro, sendo praticamente, nalguns casos, a tradução de algumas das suas frases, a partir da sua pág. 136 em diante) quer o escrever disparates. Vejamos. Peço desde já aos mais conhecedores que eu que me corrijam. Um blogue é um bloco-notas que, ao ser público, se oferece à critica e à correcção; e só nesse sentido é útil.
Cada um de nós sabe que “transporta” um conhecimento (e um sofrimento, no sentido de toda uma experiência traumática sem a qual não existiria) cujos contornos não domina; um conhecimento e uma experiência que estão apartados de si; quer dizer, o sujeito procura conhecer-se com a ajuda de outro, porque o sujeito sabe ser, para si próprio, uma espécie de “caixa negra”, uma multiplicidade de “eus” à procura não tanto de uma mítica unidade efectiva, uma verdade última de si próprio, mas de uma certa estabilidade emocional, quer dizer, de uma ficção que lhe permita algum equilíbrio. Por outras palavras, que lhe diminua o sofrimento, o mal-estar inerente à existência (podendo ser agravado em certas circunstâncias psíquicas), mas acima de tudo o sujeito deseja estar em diálogo, ter um interlocutor atento.
Ao submeter-se à análise, à experiência da transferência (que envolve basicamente a palavra, a associação livre, e sempre o perigo de uma deriva em que o analisando se pode começar a sentir a perder-se...) o dito analisando investe o analista em “sujeito que é suposto saber”. Não um saber de tipo esotérico, ou desvendador de segredos ou descodificador de sintomas: um saber que em princípio se dá apenas dessa forma simbólica, como pessoa/entidade que se dispõe a escutar, como pólo para quem é possível (é suposto) começar a falar, seguro de que esse analista está atento.
Algo porém na transferência, “o objecto a”, está no pólo oposto do saber. É que, quando começa a falar, o analisando pode sentir-se vitima de um logro, porque o que ele quer é fixar-se em algo de sólido, que escape à deriva do discurso, ao derrame das palavras, que se aproxime de um “inconsciente”. Mas aquilo que diz pode precisamente ter o efeito oposto, e servir, na sua proliferação, de elemento de obstrução desse almejado “desbloqueio”. A linguagem aliena o sujeito de si próprio, insere-o, desde que aprendeu a falar, na ordem simbólica. Por isso a transferência é ambígua. De forma que falar, em vez de representar um “avanço” do “saber”, pode eventualmente redundar em alienação e em separação, entendendo-se por tal uma separação em relação à cadeia de significação, uma aproximação do “objecto a”, uma procura de refúgio na relação fantasiada com esse objecto.
Qual o interesse de tudo isto? Enorme, porque nos mostra a complexidade, a opacidade, a especularidade de tudo, de toda a experiência do vivente. Não há um sentido último em que o sujeito se apoie, como o não há no analista. Há o estabelecimento voluntário e contratualizado de uma situação fora do quotidiano (da enxurrada de palavras que nos faz viver da e na ilusão) para tentar criar uma situação em que o sujeito aprenda a lidar com a sua fantasia, com o abismo que ele próprio é, e com a pergunta que faz a esse abismo, sabendo que tanto a pergunta como o abismo não tem eco nem fundo. Apenas uma pessoa que escuta, e um falante que se escuta.
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Foto: Sophie Pawlak
Fonte: http://www.ma-nouvelle-vie.net/index.php
NECESSIDADE BÁSICA
Pertence aliás a uma colecção que toda ela é fundamental - e eu ainda não tinha percebido isso antes de me debruçar esta tarde sobre o assunto (o livro foi comprado e foi-me emprestado pelo meu amigo Gonçalo Velho recentemente!) - e que explica os autores e os conceitos por desenhos e texto.
Mas, atenção, estamos perante um livro de primeiríssima qualidade, escrito por um especialista de Lacan. Isto não é para crianças... nem adolescentes! É mesmo muito rigoroso !!!
Há que aliás consultar toda a colecção em www.iconbooks.co.uk
e
http://www.iconbooks.co.uk/
introducingbooks/home.htm
Você não percebe grande coisa de psicanálise? Também eu não.
Você não topa o Lacan? Pois eu lá vou topando pouco a pouco, que o homem não é fácil.
Você quer um primeiro livro para se meter no assunto? Por favor compre este. Entre bem no novo ano.
E veja só a lista de temas da colecção:
Anthropology
Buddha
Chaos
Chomsky
Consciousness
Critical Theory
Cultural Studies
Derrida
Einstein
Empiricism
Ethics
Evolution
Evolutionary Psychology
Foucault
Freud
Genetics
Hinduism
Islam
Jung
Kant
Lacan
Linguistics
Logic
Marxism
Mathematics
Mind and Brain
Modernism
Nietzsche
Philosophy
Plato
Postmodernism
Psychology
Quantum Theory
Romanticism
Sartre
Semiotics
Sociology
Stephen Hawking
Time
Wittgenstein