Transferência "(...) A PSICANÁLISE INVENTOU DE FACTO UMA NOVA FORMA DE AMOR CHAMADA TRANSFERÊNCIA." JACQUES-ALAIN MILLER (Lacan Dot Com)
quarta-feira, 3 de março de 2010
MAIS DE 200.000 VISITAS...
CONTRIBUA COM SUGESTÕES, COMENTÁRIOS, TEXTOS QUE GOSTASSE DE VER DIVULGADOS/PUBLICADOS.
O MUITO TRABALHO ACADÉMICO DOS AUTORES E (PELO MENOS NUM DELES) O INVESTIMENTO RECENTE EM SÍTIOS QUE TÊM MAIS IMPACTE DIRECTO (FACEBOOK E OLHARES.COM) TEM FEITO COM QUE, NOS ÚLTIMOS MESES, AQUI SE POSTE COM MENOS ASSIDUIDADE.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Este blogue contém...
... mais de 200 poemas.
Peço a quem se interesse que faça aqui uma busca por essa palavra... e também, se desejar, que ouça no facebook c. de uma centena de poemas que eu gravei lá em video...
Obrigado!
Ultimamente ando também muito virado para a fotografia:
olhares.com - posto lá por dia 3 fotos na minha (modesta) galeria...passei a andar com uma câmara no bolso para todo o lado, estilo pistola. Mas não mato ninguém.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Certa ausência daqui...
sábado, 26 de dezembro de 2009
a desorientação
sábado, 12 de dezembro de 2009
banalidades correntes
Palavra de ordem da modernidade:
Foto ( de Lady Gaga?) publicada na revista PARQ, p. 51
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Visão de futuro - precisa-se!
domingo, 6 de dezembro de 2009
o resto
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Hoje...
... foi um dia consagrado aos meus computadores.
Não pude praticamente consultar os mails, sempre às dezenas por dia, e tenho amanhã uma sexta-feira cheia...
Daqui em diante, em Dezembro, a situação de ocupação só tende a piorar... por mim peço benevolência aos nossos leitores!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
pornografia, obsceno, agonia, erótico, eros, etc.
Source: http://skullcull.wordpress.com/2008/03/19/take-art-damien-hirst/
© November 2001 Douglas Harper
http://www.etymonline.com/:
pornography
"1857, "description of prostitutes," from Fr. pornographie, from Gk. pornographos "(one) writing of prostitutes," from porne "prostitute," originally "bought, purchased" (with an original notion, probably of "female slave sold for prostitution;" related to pernanai "to sell," from PIE root per- "to traffic in, to sell," cf. L. pretium "price") + graphein "to write." Originally used of classical art and writing; application to modern examples began 1880s. Main modern meaning "salacious writing or pictures" represents a slight shift from the etymology, though classical depictions of prostitution usually had this quality.
"I shall not today attempt further to define the kinds of material I understand to be embraced within that shorthand description [hard-core pornography]; and perhaps I could never succeed in intelligibly doing so. But I know it when I see it, and the motion picture involved in this case is not that." [U.S. Supreme Court Justice Potter Stewart, concurring opinion, "Jacobellis v. Ohio," 1964]
Pornographer is earliest form of the word, attested from 1850. Pornocracy (1860) is "the dominating influence of harlots," used specifically of the government of Rome during the first half of the 10th century by Theodora and her daughters."
Source:
http://www.etymonline.com/index.php?term=pornography
______________
obscene
"1593, "offensive to the senses, or to taste and refinement," from M.Fr. obscène, from L. obscenus "offensive," especially to modesty, originally "boding ill, inauspicious," perhaps from ob "onto" + cænum "filth." Meaning "offensive to modesty or decency" is attested from 1598. Legally, in U.S., it hinged on "whether to the average person, applying contemporary community standards, the dominant theme of the material taken as a whole appeals to a prurient interest." [Justice William Brennan, "Roth v. United States," June 24, 1957]; refined in 1973 by "Miller v. California":
The basic guidelines for the trier of fact must be: (a) whether 'the average person, applying contemporary community standards' would find that the work, taken as a whole, appeals to the prurient interest, (b) whether the work depicts or describes, in a patently offensive way, sexual conduct specifically defined by the applicable state law; and (c) whether the work, taken as a whole, lacks serious literary, artistic, political, or scientific value. "
Source: http://www.etymonline.com/index.php?search=obscene&searchmode=none
___________________
agony
"late 14c., "mental suffering" (esp. that of Christ in the Garden of Gethsemane), from L.L. agonia, from Gk. agonia "a (mental) struggle for victory," originally "a struggle for victory in the games," from agon "assembly for a contest," from agein "to lead" (see act). Sense of "extreme bodily suffering" first recorded c.1600.
agonist
1914, in writings on Gk. drama, from Gk. agonistes, lit. "combatant in the games" (see agony)."
Fonte: http://www.etymonline.com/index.php?search=agony&searchmode=nl
________________
erotic
"1621 (implied in erotical), from Fr. érotique, from Gk. erotikos, from eros (gen. erotos) "sexual love" (see Eros). Eroticize is from 1914. Erotomaniac "one driven mad by passionate love" (sometimes also used in the sense of "nymphomaniac") is from 1858. Erotica (1854) is from Gk. neut. pl. of erotikos "amatory," from eros; originally a booksellers' catalogue heading. "
Fonte: http://www.etymonline.com/index.php?search=erotic&searchmode=nl
eros
"god of love, late 14c., from Gk., lit. "love," related to eran "to love," erasthai "to love, desire," of unknown origin. Freudian sense of "urge to self-preservation and sexual pleasure" is from 1922. Ancient Gk. distinguished four different kinds of love: eros "sexual love;" phileo "have affection for;" agapao "have regard for, be contented with;" and stergo, used especially of the love of parents and children or a ruler and his subjects. "
A partir destas citações, que se conclui? Muita coisa, mas agora só breve nota.
Que a pornografia, a que damos uma conotação normalmernte negativa, por oposição a erotismo, pode ser tomada em muitos sentidos. Originariamente estava ligada à descrição (grafia, por oposição a logia, que é ciência, razão, diferenciando-se de simples descrição, tal como dizemos etnografia e etnologia) de mulheres que eram uma mercadoria, objecto de comércio, escravas, prostitutas. Só modernamente o sentido reaparece, como invenção dos últimos séculos, articulado a algo de moralmente reprovável (“salacious”).
Com o desenvolvimento da imagem (fotografia, cinema, televisão, e o que tudo isso anuncia de um mundo indistinto entre o chamado real e o chamado virtual) e com a sofisticação moderna dos jogos de sedução pela imagem, já se vê que juízos morais do passado, mais que hipócritas (a sociedade que condena a “pornografia” é a que a inventa e avidamente a consome) deveriam ser revistos. Hoje parte da arte contemporânea liga-se à pornografia e essa parte a que me refiro e não posso aqui desenvolver por falta de tempo é muito interessante. Trata-se de abater dicotomias moralistas, atitudes pudicas da maior hipocrisia, numa sociedade dominada pelo crime maior, que é o da exploração e o do lucro a curto prazo, pelas máfias, pelas economias paralelas, pela destruição do ambiente, por toda a casta de “poucas vergonhas”...
E nada disto tem a ver com uma atitude de contemporização relativamente a uma exploração industrial do ser humano (homem ou mulher) em termos “sexuais”, e muito menos com a pedofilia, um crime. É um assunto que me interessa pensar e a que hei-de voltar. Por outro lado, "obsceno" não significa propriamente apenas "fora de cena", que se não pode ou deve ver, mas está conotado com toda uma teia de juízos morais e de gosto que se geram na modernidade. E agonia, que ligamos à ideia de morte, está evidentemente articulada com o limiar transcendente do pathos orgásmico, altamente erótico (ou pornográfico), simbolizado pela figura desnuda de Cristo na cruz (de que a subversão feminista é apenas uma variante), sublime e sublimando o seu desígnio mais que heróico, o seu desígnio de completar a obra de Deus. É toda a união da dor máxima com o prazer máximo, o limite, que aí emerge. Enfim, isto é pano para muita manga... mas tem de se voltar a Foucault (etc) e pensar muito nisto tudo.
domingo, 29 de novembro de 2009
agonia
A relação da arte com a religião (no sentido mais amplo, ou seja, de uma relação com o distante) tem sido, em todos os tempos, estreita.
Por que será que os maiores autores, por muito "ateus" que fossem ou sejam, se cruzam sempre com esse limite de horizonte?
Essas obras deixam-nos sempre exaustos de tanta beleza, de sublime. É por demais, é um sofrimento, como um orgasmo arrastado e exaustivo.
Modestamente (é bom dizer assim) é o que procuro na minha pobre poesia. Esse êxtase, tão pouco à moda, onde se cruzem as mais directas e brutalmente expostas formas de transcendência: a agonia do amor e da morte.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
última chance
agitação tardia da pátria
encontro
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Amanhã
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
a revolução diária de tentar pensar
sábado, 7 de novembro de 2009
a vida como obra d' arte... mesmo que seja de "arte povera"...
uma vez uma amiga minha perguntou-me como é que eu conseguia fazer tanta coisa...
bem, ao referir isto não estou a presumir nada, porque quantidade, a existir, não significa qualidade...
mas eu disse-lhe que todos os dias procurava dar o meu melhor (o meu máximo) tal como quando se está a fazer uma tese de doutoramento e se tem de esgalhar...
senão... ou não se faz tese ou se faz uma coisa que não é digna desse nome. e o primeiro a ficar desesperado é o próprio autor, ainda antes do juízo dos outros, se tiver alguma noção do que anda a fazer!
é preciso viver a vida com a delizadeza e a atenção do poeta, e ao mesmo tempo com a tesão (no sentido espanhol de tesón, empenho, força - não seja eu mal entendido...) de quem vai morrer a qualquer instante.
É preciso ser um brutamontes na intransigência da beleza: é preciso o sublime.
É preciso, como eu dizia há dias a propósito de alguma da minha poesia, uma mística porno-gráfica, ou uma porno-grafia mística, como se quiser.
Um grande impulso para a frente e para cima.
É preciso a aparição.
Tudo o resto é trash.
fotos voj porto (aqui na minha rua, ao estacionar, vi esta aparição diante de mim... aproximei-me com a máquina para fazer o shot antes que os cogumelos miraculosos desaparecessem da visão) nov. 09
sábado, 31 de outubro de 2009
já
Onde a noite.
Onde a jovem.
Com o sexo rodeado de pétalas vermelhas.
Com as virilhas cheias de lantejoulas.
A jovem,
já.
Todo o corpo do carro o exige,
Todo o tempo se projecta em frente,
E os tubos, e os orgãos, e as rodas, e a música,
Já.
A mais absoluta desvergonha.
O mais total carinho, não de palavras:
Mas o acto simples, simples, desdobrado
No silêncio eterno e impiedoso.
Despido de lirismo, nu de literatura.
São as batidas do coração
Nas baterias da noite:
já!
A jovem do sexo completamente forrado
De veludo, exalando um odor a incenso,
De rosto completamente coberto por camélias,
De sexo exposto e belo.
De boca debruçada amorosamente
Sobre este sexo seguro no ar, todo um calor envolvendo
A púrpura inchada, a única força que resiste
No meio da noite, entre os lampiões.
A última beleza que resta.
A única noite que há.
A única jovem, a jovem única, a jovem
Já,
Dando totalmente sua ternura,
Não de bejinhos e carinhos e outros inhos
que poluem a cidade,
Mas do acto carnal, maravilhosamente
Desbragado e saboroso.
O sexo rodeado de corações de veludo,
E o coração rodeado de sexos de pétalas,
E esta urgência
Por ruas íngremes
A agonia, a ternura da agonia
Para morrer já
Com a boca da jovem abraçando a púrpura
Da cabeça do sexo altivo, feliz, em júbilo,
Essa cumplicidade jovem e simples.
No meio da noite,
Já.
Já.
Esperma, esperma jovem e grosso e feliz
A descer para as águas negras e
Já grossas e velhas do Douro,
Aqui. Agora, Já.
texto e foto voj out. 2009 porto
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
de través
Enquanto caminho, desejoso de chegar
Ao meu objectivo, vencendo, com a força das pernas,
De todo o corpo, este atrito da atmosfera que
Atravesso –
Ouvindo o som que os meus pés calçados
Em botas grossas fazem nos grãos da areia
Das áleas, o som interior do corpo trabalhando
Como o da casa de máquinas de um navio –
Enquanto atravesso assim a noite entre o esperançado
E o indeciso, nesta permanente fluidez de sensações
Que me percorre, e vejo as árvores penderem
Numa certa direcção, como se quisessem
Também caminhar –
Avanço, parece-me que se aproxima o meu objectivo,
E que aquilo que foi o mundo em meu redor
Vai escapando para trás
E arredondando-se, e abrindo-se, à minha frente –
Sinto-me imerso na noite como se esta fosse uma tinta,
Uma onda de tinta enorme que tivesse descido
E me envolvesse, dificultando o que mais gosto,
Ver os contornos nítidos, recortados até fenderem a vista,
Dos objectos –
Enquanto caminho assim triturando os grãos de areia
Por fora, e triturando, dentro, os meus órgãos que nunca vejo -
Nesta pressa de chegar, nesta antecipação de tanta coisa,
Que nunca chega a aparecer como esperada –
Enquanto caminho do nada para o nada,
Ou do tudo para o tudo, neste sem-sentido
Pleno de razões, que para mim próprio repito -
E fotografo, com detalhe e precisão, as cores, os ramos, os troncos,
Coisas a que ninguém liga agora neste jardim anoitecido
Onde só os lampiões acesos parecem marcar, aqui,
E mais além, a vibração eléctrica de um peito humano -
Atravesso a própria devastação, como se atravessasse
Um filme que já vi, e sem qualquer esperança de encontrar
Quem quer que seja, como se habitasse um jardim de bancos e
Janelas iluminadas ao longe, triturando pouco a pouco,
No início da noite, mais uma vez e naturalmente, a minha morte -
Com um passo apressado, como se fosse ao encontro
Do amor, eu, o desencantado eternamente encantado,
Por esse próprio movimento vou, esses sons, pelos jardins abandonados,
Em direcção a destinos inventados, onde já chegou toda a gente -
Antes de mim, e a multidão vestida, arranjada, se acumula
Como se estivesse tudo reunido em torno de algo crucial,
Como se, tal como as árvores inclinadas -
Tudo se voltasse ansiosamente para o acontecimento,
Numa espécie de excitação que lá fora a noite não deixava adivinhar.
Piso o espanto, desço as escadas do espanto, entro nos átrios
Iluminados pelo espanto, as caras lívidas dos que vieram aqui
Passam para trás de mim, para o meu passado, enquanto o mundo
Se arredonda à minha volta, como se eu estivesse a filmar
O meu próprio movimento -
Nesta cinematografia atravessada de azul escuro e
Reflexos de través.
texto e foto voj porto out. 2009