Transferência "(...) A PSICANÁLISE INVENTOU DE FACTO UMA NOVA FORMA DE AMOR CHAMADA TRANSFERÊNCIA." JACQUES-ALAIN MILLER (Lacan Dot Com)
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Nótula... já não me lembrava de que tinha escrito este apontamento
domingo, 18 de março de 2012
perda
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
amor
Perdão pelas banalidades que vou escrever. O autêntico amor entre duas pessoas adultas está, para o "amor" correntemente procurado e praticado na nossa sociedade de hoje, como (permita-se-me a vulgaridade) uma verdadeira refeição para o fast food, ou um verdadeiro saber para a informação mercantilizada que para aí circula. Custa. É um processo fabuloso de adaptação, naturalmente desejado, mas um processo extremamente complexo. Só que esse processo de verdade, de carinho, e de "cumplicidade" no melhor sentido, tem de ser construído também com algum sofrimento. Nem uma criança já acredita em amores à primeira vista, duradouros, do tipo "casaram e foram muito felizes". É muito diferente. Um amor feliz é como uma obra de arte: raro, mas tão cheio de momentos extraordinários que só ele de facto justifica viver. Naturalmente que a montante é necessário algum equilíbrio psicológico e maturidade de cada um dos envolvidos. Nem sempre o que parece é; também é preciso intuição, vontade imensa, e sorte (seja o que for que se entenda por isso). Só este amor vale a pena.
domingo, 21 de agosto de 2011
palavras e coisas: sua dialéctica na história da arqueologia
O caminho que a arqueologia tomou foi o de partir de textos (de "coisas com textos"- epígrafes, inscrições, medalhas, moedas) para a objectualidade de coisas cada vez mais "neutras", chegando à totalidade do espaço e confundindo-se assim com as outras ciências que o "monitorizam". Mas mais recentemente (últimas décadas) a arqueologia (a mais inteligente) tendeu a "textualizar" de novo o espaço dessa objectualidade, isto é, a de o ver como um conjunto de citações. Isto é importante.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Happy end
Acabei de chegar da minha última aula da FLUP. Agradeço muito a todos os amigos e colegas que quiseram vir assistir, abraçar-me, rodear-me de atenções, incluindo tirar fotografias comigo, nomeadamente pessoas que viajaram de longe (incluindo Alentejo e Algarve). Bem hajam! Estive ininterruptamente na sala entre as 15,30 e as 20 horas.
sábado, 2 de abril de 2011
estas sombras
estas sombras
sentir o corpo a atravessar o ar
a tarde sem qualquer urgência
nas sombras, nas árvores
esta sensação de caminhar,
de sentir o chão, o seu atrito suave,
sentar-me sobre a pedra
rugosa e ocasional
e olhar as luzes que se acenderam
bem longe
os reflexos que por todo o lado
se acenderam
e me rodeiam
e sentir a consciência escorrer
como um rio silencioso
e tão cheio de pequenos silêncios
e redemoinhos
e esperar por uma mão
tão suave como a pele da pétala
que venha sossegar a minha pele
gretada
cair suavemente sobre ela,
como folha simples
sobre a superfície rugosa
do granito
deitar as sombras
sem qualquer urgência
sobre o meu corpo
deitar as árvores, as flores
sobre o rio escorrendo
fluir sem qualquer ansiedade
ou objectivo, ou intenção
ver a paisagem ao meu lado
atravessar o ar ao meu lado
uma coisa assim tão simples
ocasional
revelação da pessoa
revelação do tempo
estas botas dão-me tão bom andar
há muitos anos que não caminhava
contra o ar, com uma mão na minha mão.
estas sombras tão tranquilas.
voj abril 2011, porto
quinta-feira, 31 de março de 2011
Travessia
Dizia eu a um amigo de infância que se divorciou há pouco de um longo casamento, e por vontade da outra parte: não te deixes levar pela urgente necessidade de companhia; não utilizes as pessoas como pastilha elástica para aventuras passageiras que deixam sempre um sabor amargo; não te deixes seduzir facilmente por ninguém. Reconstrói-te primeiro. Tens de te refazer a partir da base. O teu espaço. O teu equlíbrio. A tua serenidade. ALGUÉM aparecerá um dia. Até lá, atravessa o deserto. Dolorosamente. Ter tomates é conseguir aguentar isso, e não demonstrações ridículas de confirmação de virilidade ou de altivez. Uma experiência dessas é uma experiência de verdade: o refazer de toda uma vida e de toda uma identidade. Não odeies quem te fez isso: é um sentimento que corrói. Mesmo que te sintas injustiçado até à medula, amigo, prossegue o teu caminho de homem bom e justo. E escolhe daqui para a frente apenas pessoas sãs de espírito, que são muito difíceis de encontrar. Mas, olha, mais vale só que mal acompanhado. Ou que viver no equívoco. Amplia os teus amigos; abre-te aos outros. Um dia O Rosto aparecerá. O Rosto belo, iluminado, Puro.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Con(finados)
Se nos confinamos a um campo de saber, podemos ter nele êxito e aplausos dos nossos pares. Mas um dia olhamos à nossa volta e vemos que estamos todos, nós e os nossos pares, metidos numa sala, e que há muito mais mundo lá fora. E olhamos pela primeira vez para aquele espaço como o de uma cela. Não era afinal um saber, era apenas uma questão de segurança. Era a cegueira cega, inocente, de quem se confinou.
domingo, 13 de março de 2011
Dizia-me uma vez um amigo chegado: "é muito difícil, é uma experiência-limite, habitar um apartamento grande povoado de memórias e subitamente esventrado de coisas, de pessoas, de bichos, de móveis. As salas parecem desertos. Cada pequeno som nos põe alerta. E às vezes um tipo muito particular de medo impede-nos o repouso. A Ausência absoluta é uma Presença temível."
segunda-feira, 7 de março de 2011
kairós
Se alguém com quem se partilhou uma vida (ou julgou partilhar... e este aspecto é fundamental) decide mesmo partir, nada há a fazer.
Nunca possuímos nada nem ninguém; nem percebemos o absurdo (o Real) contra o qual de súbito chocamos.
Uma falésia tomba à nossa frente; outra atrás de nós.
E, do pequeno espaço que nos resta, ou podemos ...cair no abismo, ou então levantar voo, com uma juventude e alegria incríveis!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
postura algo messiânica...
Em relação aos que na vida me apunhalaram pelas costas, tentando consciente ou inconscientemente liquidar-me, eu digo:
virarei o brilho das lâminas com que me feristes contra os vossos olhos, e cegar-vos-ei. Assim, eu vos prometo: cegos sereis.
Passarei sobre a vossa campa rasa com as mãos cheias de lâminas brilhantes, espalhando música.... E esta calará até o vosso sussurro ou lembrança.
voj
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Agamben: como podem tantos historiadores e tantos filósofos e todos os outros passar-lhe ao lado?
Agamben: como podem tantos historiadores e tantos filósofos e todos os outros passar-lhe ao lado?... Etc. (breve nótula)
Correlação estrutural entre jogo e rito, entre diacronia e sincronia; nascimento e morte, crianças e larvas, e o problema da história.
Uma reflexão fundamental de Giorgio Agamben a partir de (e em homenagem a) Claude Lévi-Strauss
no:
Capítulo “O país dos brinquedos. Reflexões sobre a história e sobre o jogo”, do livro “Enfance et Histoire. Destruction de l’ Expérience et Origine de l’ Histoire”, Paris, 1989, 2ª ed. Paris, Poche et Rivages, 2002, pp. 121-158 [edição original italiana de 1978].
ESTE TEXTO E TODO ESTE LIVRO SÃO ABSOLUTAMENTE FULCRAIS.
Como pode continuar tanta gente a pensar que para se poder pensar (filosoficamente) é preciso rever a história da filosofia do início para o fim, como normalmente se faz nos cursos de filosofia, isto é, começando nos pré-socráticos e terminando na actualidade?
Como pode não se ter percebido ainda que o presente, os autores actuais, REFAZEM os autores passados, que se pode ir às arrecudas, que por exemplo Agamben é indispensável para se entender (e reformular) Benjamin, que Lacan é indispensável para se perceber retrospectivamente toda a importância de Freud, que sem Miller e Zizek não se entende patavina de Lacan, e por aí adiante? Que o pensamento grego, latino, medieval só têm interesse se vistos à luz do presente, das nossas questões mais comezinhas que infiltram, impregnam, determinam cada uma das nossas opções, usos, hábitos, pensamentos, sentimentos diários, actos irreflectidos, comandados pelo inconsciente?
Todos pensamos. Todos sentimos. Todos agimos de acordo com o que pensamos.
Mas muitos não sabem o que sabem.
E quase todos não sabem como começar a tentar saber o que já sabem.
Sem a consideração do inconsciente, tal como ele continua a ser problematizado, é IMPOSSÍVEL perceber seja o que for.
voj 12.2.2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
estilo
AS COISAS MAIS "VERDADEIRAS" (POSSUIDORAS DE POTÊNCIA) SÃO AS MAIS SINGELAS, AS QUE REFUTAM OS FLOREADOS E AS INTUIÇÕES. PORÉM, ESSA SINGELEZA, ESSA FORÇA, LEVA UMA VIDA A CONSTRUIR.
NÃO É EXPRESSIVA, NADA TEM A VER COM SENTIMENTOS.
ESSA FORÇA É A POTENCIAÇÃO MÁXIMA DE UM ESTILO.
domingo, 9 de janeiro de 2011
ilusão fundamental
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
A gestão mais difícil - o confronto com o Vazio
terça-feira, 16 de novembro de 2010
uma arqueologia da arqueologia: breve nótula
para uma arquelogia da arqueologia: algumas notas sobre uma reviravolta necessária nos pensamentos e nos procedimentos
Quando a arqueologia se constituíu nos finais do século XIX como formação discursiva, como “disciplina” científica, destacando-se da história da arte, por um lado, e da longa tradição de antiquarismo, por outro, isso foi um fenómeno ocidental e muito particularmente ligado ao estado-nação moderno (v. Thomas, Julian, “Archaeology and Modernity”, Londres, Routledge, 2004). Cada país procurou firmar as suas raízes na mais remota antiguidade e seus “testemunhos” mais ou menos míticos, quer greco-latinos, quer nacionais (estes sobretudo naqueles países que tinham ficado fora do âmbito territorial do império romano): mas o “movimento nobilitador e identitário” é o mesmo. Como outra face da moeda, as “ciências naturais” (geologia, biologia), o evolucionismo e a ideia de uma “história natural do homem”, aliadas à etnografia dos “selvagens” (ou “primitivos”, uma invenção ocidental que legitimou todos os colonialismos), impuseram a noção de uma pré-história comum a toda a humanidade. Aí a disputa foi menos pelos pergaminhos nacionais em termos de grandes feitos expressos em monumentos e obras patrimoniais, e mais em torno da “antiguidade” maior ou menor dos indícios do “progresso” (grau de hominização dos indícios fósseis, antiguidade da “arte rupestre”, pioneirismo em torno de “descobertas” técnicas e produtivas, etc., etc).
Neste quadro, bem conhecido, é interessante repensar o conceito de história, e em particular de pré-história, e, como sintoma, o próprio desinteresse que tem havido por parte da União Europeia em, ao contrário do que poderia ser de esperar, fazer da sua “pré-história comum” um elo de ligação entre povos, nações, estados. Porquê, por exemplo, esse estatuto de margem dos “pré-historiadores”, dos arqueólogos das “origens”?
O discurso, ou narrativa, da continuidade, com a teleologia implícita, e a con-fusão, inerente à história, entre antecedentes e causas (descrever é perceber, é explicar mas diferentemente das ciências do cálculo), ligados à procura das “origens”, da archè, em particular na nossa tradição greco-latina e judaico-cristã têm sido discutidos por numerosos autores.
A mim interessa-me tentar prolongar algumas questões suscitadas por Giorgio Agamben no seu texto “Arqueologia filosófica”, inserto no livro (cito a tradução francesa) “Signatura Rerum. Sur la Méthode” (Paris, Lib. Ph. J. Vrin, 2008, pp. 93-128, na linha de Nietzsche, Foucault, e outros, e convocando também o pensamento de Walter Benjamin (noção de “reactivação”) e de Jacques Lacan, e do que na sequência deles se tem pensado sobre a condição do ser humano. Sem esquecer Alain Badiou ou Slavoj Zizek.
A minha convicção é a de que lavramos num mito fundamental, e esse nosso mito ocidental (que, como outros produtos ideológicos, “vendemos” a todo o mundo) é o da história e do tempo “continuista”, cronológico, tal como o temos pensado, tanto do lado dos “reformistas” do estado social (hoje falido), defensores de uma “redenção” por passos, como dos “revolucionários” sonhadores de um “tratamento de choque” igualmente de cariz religioso, escatológico, mesmo que não assuma aspectos fundamentalistas e se procure integrar nos quadros parlamentares do chamado “estado de direito”.
A questão do evento, da sua imprevisibilidade, e das rupturas que se darão certamente numa civilização que parece já viver no apocalipse, no “fim do tempo”, como diz Zizek, eis o que me interessaria debater.
Tendo consciência de que estes considerandos são apenas um resumo de uma reflexão que julgo crucial e que tenho em curso (e que se expressou resumidamente na lição inaugural do ano lectivo que fiz a 13 de Outubro da FLUP intitulada “A Arqueologia e as suas Metáforas”).
Porto, 15 de Novembro de 2010
Vítor Oliveira Jorge
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Missão cumprida
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
António Lobo Antunes
Acaba de dar uma entrevista maravilhosa a Mário Crespo no Jornal da 9 da Sic Notícias.
Às vezes há minutos televisivos que são a redenção de um dia, vulgar como todos os dias.
Fonte da imagem: http://www.dquixote.pt/
sábado, 15 de novembro de 2008
Ontem, na FEAA, o Prof. António Bracinha Vieira indicou este livro...
Chimpanzee Cultures
por Richard W. Wrangham (coordenador)
assim apresentado na Amazon (http://www.amazon.co.uk/gp/product/0674116631/ref=sib_rdr_dp):
Paperback: 448 pages
Publisher: Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts; New edition (27 Nov 1996)
Language English
ISBN-10: 0674116631
ISBN-13: 978-0674116634
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Como se vê, o assunto está mais que estabelecido.
Mas o Prof. Bracinha Vieira, na sua posição filosófica continuista (não há hiato entre a natureza e o homem) disse mesmo que três coisas que tradicionalmente separavam as duas "entidades conceptuais", não separam de facto: nem a palavra, nem o jogo (há numerosos trabalhos sobre o jogo em animais), nem a cultura (no seu sentido mais geral, é claro, incluindo obviamente a tecnologia). E disse ainda: o que pertence só ao homem é o preconceito (a neurose, etc.).
A fronteira entre o homem e o não homem, sabemo-lo bem (vide também trabalhos de D. Lestel, de T. Ingold, etc.) é algo muito difícil de definir!
Mas dá que pensar.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
a propósito de "direitos de autor"
O mundo não pára. A mercantilização geral não é o fim da história. Aliás, não há fim da história, como não há origem. Mas nós vivemos na circunstalialidade do espaço/tempo, encapsulados na temporalidade e contingência, e devemos estar abertos ao futuro, sem que isso queira dizer atropelar o ser humano nos seus direitos: direitos de quem produz e coloca o seu produto no espaço público, sendo útil. Direitos de quem reproduz, e assim modifica, e aumenta a valia do já produzido. Património e criação devem harmonizar-se...pelo menos como constante horizonte de utopia, no sentido mobilizador desta palavra.