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domingo, 15 de novembro de 2009

Egipto,Agosto 2000


Cairo. Grande pirâmide.




Lago da barragem de Assuão.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Evocação algo extemporânea do nosso grande amigo Firmino Aires (Chaves)






Firmino Aires (aqui na Vinha da Soutilha com a Susana) foi um dos (na altura raros) animadores culturais da cidade de Chaves, pelos anos 80 e começos de 90. E foi uma das pessoas que mais entusiasticamente apoiaram a tese de doutoramento que a Susana em parte ali fez, revelando a pré-história daquela região. Foi um dos nossos esteios aqui no Norte. Faleceu há uns anos, e ontem digitalizei esta foto antiga, aproveitando agora para lhe prestar uma (tão simples e sucinta) homenagem, aqui. Nem para colaborar num livro em memória dele, que não sei se se chegou a fazer, ou se está em elaboração, tive tempo... é desumano este modo de vida.
Reformado do exército, consciente das suas limitações de autodidacta, mas dotado da determinação que caracteriza certos militares, chegou a ser vereador da cultura da Câmara de Chaves. Era um idealista bondoso, respeitador, imensamente disponível para ajudar e para promover a sua terra. Símbolo de um Portugal que passou à história, com as suas pequenas "élites" locais (falo em geral, e não em relação à cidade e concelho de Chaves em particular, como é óbvio), cujo imobilismo e "vida de café", que às vezes as caracteriza, ele sempre procurou superar. Fazendo, ajudando a fazer, aprendendo, e não dando sentenças. Um homem excelente.

(Hoje então foi um dia em que pequenas burocracias me envenenaram a vida... e cheguei ao fim dele com a frustração de não ter feito nada de significativo, ou que me desse prazer)


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Memórias de 1993

Falando no 1º Congresso de Arqueologia Peninsular, FLUP.




Oxford.




No casamento da minha irmã Blucas (Isabel), Lisboa.





No escritório do Porto, com o meu segundo Mac. Ao fundo, colado, um poster com uma foto minha de 1971.



No restaurante do Molhe.


Com a Serafina, muito pequenina.












terça-feira, 10 de novembro de 2009

9 de Novembro de 1989

Eu e a Susana estávamos em Paris quando caíu o Muro de Berlim. Para um congresso da Sociedade Pré-histórica Francesa, quando ainda "dávamos para esse peditório"...
Num sítio um pouco invulgar, no Marais, numas instalações que nos tinha cedido à borla o Prof. Kruta (o especialista dos "celtas"), que tínhamos conhecido no Instituto Francês do Porto.
Após deambular pelo pitoresco bairro (único inconveniente: passeios cheios de "crottes de chien" que se tinha de contornar desesperadamente) entrava-se num antro obscuro onde funcionava uma instituição para a promoção da francofonia, ou algo assim. Era à borla, pronto, e no Marais!
O quarto, grande mas um tanto (um tanto é favor) decadente, num edifício que no mínimo era do séc. XVII e estava em obras, e sem casa de banho ou televisão (luxo impensável), não permitia abrir as janelas, devido aos andaimes, onde durante o dia passavam vultos. Ali estávamos desconectados do mundo. Nem víamos ninguém: apenas ouvíamos ruídos de supostos hóspedes deslizando para a casa de banho colectiva... porém de manhã os únicos a duchar-se éramos nós (coisa que não espanta para quem viajou por tais paragens...), de modo que tínhamos a sensação de viver numa casa de fantasmas, não fosse a governanta/recepcionista/porteira (essa instituição francesa) que nos olhava quando entrávamos e saíamos, de dentro do cubículo que lhe permitia visionar o vetusto pátio de entrada.
Valeu-me um velho (na altura recente, e muito querido) aparelho portátil (tipo walkman) para ouvir cassettes e rádio. Adormecia sempre com os auscultadores daquilo nos ouvidos, para esconjurar os fantasmas. E uma noite, precisamente há 20 anos, comecei a perceber que algo de incrível se estava a passar na Alemanha. Era a queda do muro de Berlim!
Acordei a Susana sobressaltado! O muro tinha caído! Ao longe, naquele tugúrio, ecoavam os gritos de alegria da multidão explodindo.
Fantástico. Os fantasmas, por momentos, esconderam-se nos guarda-fatos.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quando eu era muito novo...

em Lisboa, na casa dos meus pais, o meu quarto dava para uma varanda.
Muitas vezes ia para lá ler.
Por cima, a malta era rica. Tinha duas empregadas domésticas, internas, jovens, desejosas de qualquer coisa, deviam ser recentemente chegadinhas à capital de algum ponto do Portugal profundo, como uma outra que a certa altura havia lá em casa, que era uma potra fabulosa.
Eu a querer ler e estudar, estiraçado numa cadeira de repouso, e elas na varanda de cima aos risinhos e aos dichotes.
Acabou-se temporariamente a festa uma vez que uma mulher-a-dias frustrada, que lá teve de ir à varanda pelo quarto ao lado (um dia conto algo sobre esta divisão), as viu naqueles propósitos resolutos.
E vai de gritar, à moda do pobo: "suas malucas, suas vacas tourinas, suas quadrilheiras!! "
Ai que vergonha prà vizinhança. Ai que raiva tudo ser assim...
Mas elas voltaram à carga. Resolutas, incapazes de se conter.


sábado, 17 de janeiro de 2009

os meus primeiros alunos





Angola, Sá da Bandeira (actual Lubango), inícios de Fevereiro de 1973, portanto há cerca de 36 anos. Agradeço a Jorge Sá Pinto (o primeiro do lado direito em baixo) estas imagens (eu e a Susana estamos logo a seguir a ele, para a esquerda), que recordam o momento em que comecei a exercer a profissão que sempre desejei. Não havia ali televisão. Havia um cinema que levava um filme diferente por dia, e de vez em quando valia a pena lá ir, mas raramente... de início não tínhamos sequer uma aparelhagem para ouvir música (primeiro electrodoméstico que comprámos). Estavamos a mil quilómetros de Luanda, entre montanhas altas, num plateau a c. de 1800 metros de altitude. Na cidade preponderavam os brancos.
Enfim, foi estranho. Cheio de sentimentos contraditórios. Numa colónia de um país parado no tempo, anacrónico, uns bons milhares de quilómetros para norte (10.000?). E todavia havia pessoas, e éramos jovens, e não havia telefones (só fixos, e não em casa, e mesmo assim a que se recorria só para emergências), nem computadores. Viam-se outras estrelas no firmamento. Havia dinheiro para trabalhar na Universidade. Encarregaram-me de fazer o museu didáctico dos Cursos de Letras. Todos os dias apareciam coisas, a cidade estava (pelo menos parcialmente) assente em terraços fluviais cheios de "indústrias" paleolíticas.
Era estranho. Era incómodo viver numa colónia africana, em que os africanos estavam em pano de fundo, como se fossem um cenário. Incómodo. Mas havia os jeeps, os meios sempre à nossa disposição para nos deslocarmos com os alunos. E pelo meio a sensação de estar a crescer uma bolha que um dia ia rebentar, mas ninguém queria aparentemente pensar nisso, e de certeza que não se podia pensar nisso. Mesmo quando dava as aulas, media cada palavra que dizia. Havia a PIDE, os seus informadores, e nunca se sabia quem eram: podia ser a pessoa mais simpática mesmo ao lado.
Estranho.
E no entanto, nunca vivi com tanto desafogo, numa casa tão boa, frequentando (para refeições e lazer) um hotel que era um sonho (Grande Hotel da Huíla), comprando para a "Faculdade" os livros que queria, tendo tempo. Nunca mais voltei a ter tempo. E todavia trabalhava constantemente, mas sem a sensação das catadupas de prazos, sem o stress da concorrência, este monstro que nos matou. E conheci pessoas muito boas. Apenas me fazia impressão viver como que dentro de um globo, uma espécie de aquário que um dia ia rebentar.
Também as colónias eram já então uma obscenidade. E a nossa presença ali um anacronismo. Mas um pôr do sol, as flores, a abundância (para nós, brancos) entonteciam. E de qualquer modo eu estava ali não por minha escolha, mas por ordem de quem em mim mandava.
Mais uma vez: estranho.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

No passado dia 2 deste mês






Cumpriram-se 34 anos sobre a minha chegada e a da Susana ao Porto.
Até 2003 (28 anos!) vivemos na rua Aníbal Cunha, num apartamento deste prédio.

Foram várias vidas: Lisboa até ir para Angola, em 1973; Porto desde 1975... mas só na actual residência (outra vida) desde 2003.