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terça-feira, 5 de maio de 2009

Derrida sobre Lacan

O livro "Résistances de la Psychanalyse" de Jacques Derrida (Paris, Galilée, 1996) contém três textos muito importantes, sobre Freud, Lacan e Foucault.
O texto sobre Lacan (pp. 55-88, intitulado "Pour L'Amour de Lacan") é muito interessante (como já é de esperar deste autor, prolixo e barroco na sua escrita, e por isso por vezes difícil).
Depois de referir que "O refinamento e a competência, a originalidade filosófica de Lacan não têm precedente na tradição da psicanálise" (p. 65), esboça uma série de críticas muito importantes à sua obra (referindo-se em especial, mas não só, ao seminário sobre "La Lettre Volée", a partir da pág. 72), que é imprescindível ler se se quiser perceber o que distingue os dois autores.
Dia a dia, à medida que contacto com Derrida, fico abismado com a grandiosidade do seu raciocínio.

É incrível !

_____________

O meu amigo GV deu-me este link do livro em causa:
http://www.scribd.com/doc/6386474/Resistances-de-la-psychanalyse-Jacques-Derrida


Isto não é um blogue, é um serviço cultural público!


domingo, 1 de fevereiro de 2009

Jean-Luc Nancy: O "Há" da Relação Sexual


Livrinho precioso!
A propósito da célebre frase de Lacan, "Não há relação sexual".
Tradução de Pedro Eiras (que reconhece com justeza ser Jean-Luc Nancy propriamente intraduzível).
Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão, 2008
ISBN: 978-989-552-315-3
Transcrevo:
"(…) O que é preciso dizer, portanto, é que não há a diferença dos sexos, mas que há, primeiro, e sempre, o sexo diferenciando‐se/diferindo‐se. E o sexo diferenciando‐se/diferindo‐se deve ser pensado no sentido em que ele não é nada senão relação, ou seja, não no sentido em que estaria numa relação com isto ou aquilo (por exemplo, com outro sexo), mas no sentido em que ele mesmo é a relação, o mesmo é dizer, o «relacionar‐se», o mesmo é dizer também, o entr’abrir do próprio entre, do «entre‐nós», ou da intimidade: o sexo diferenciando-se/diferindo‐se é o espaçamento da intimidade." Pag.36


Fonte da imagem e texto: http://www.quasi.com.pt/product_info.php?cPath=550&products_id=51353&osCsid=8eddcee80ab0bffa68bee2c541287fa1


Não resisto a mais uma citação:
"(...) curtir [baiser] não tem lugar como tal, mas sempre de outro modo (o seu pretenso "como tal " é a pornografia: essa é a figura - a única - do impossível enquanto impasse)."
(........) "O gozo [jouissance] não é nada que se possa atingir: é o que se atinge e se consome ao atingir-se, queimando o seu próprio sentido, quer dizer, iluminando-o ao calciná-lo." (pág. 58)
No meu modesto entender, há toda uma reflexão a fazer sobre a questão da pornografia, e, de uma maneira geral, creio que sobre o problema da relação e do gozo se pode pensar coisas muito interessantes na linha de Lacan, de Nancy, e de outros... o próprio Nancy tem, com Lacoue-Labarthe, uma obra que nunca li, referida neste livro (ver abaixo), e que é uma reflexão sobre a psicanálise lacaniana, "Le Titre de la Lettre" (1972), que agora vou ter de ler mal possa.


O LIVRO ACIMA REFERIDO, TÃO FINO QUE PASSA DESPERCEBIDO NAS ESTANTES, É A LER, DE IMEDIATO !!!!!!!!! Tem só 60 páginas, mas exige concentração...como é evidente.
O que é importante, aqui, é que Lacan, numa simples frase, convoca, não diria todos, mas quase todos os grandes temas filosóficos, como Jean-Luc Nancy explana... ou seja, ao contrário de muitos "infelizes" (desculpem a agressividade, mas é intencional) que ainda não perceberam, sem a psicanálise, entre muitas outras coisas, não se está no nosso tempo, está-se alhures!

Quanto ao outro, que entretanto já mandei vir, aqui vão os dados (este blogue é um autêntico serviço público, deus meu):



Le Titre de la Lettre
de Philippe Lacoue-Labarthe et Jean-Luc Nancy
Paris, Galilée, 1975

"Mieux que quiconque sans doute, Lacan a su que le psychanalyste, en "ne s'autorisant que de lui-même", risquait de mimer la certitude de la subjectivité philosophique, et d'y enclore, sinon d'y forclore, avec la philosophie, la psychanalyse elle-même. Et plus que tous, pourtant, il aura su ou il aura voulu s'autoriser lui-même à parler depuis le point où ça ne parle pas.
"

Fonte destes dados:
http://www.amazon.fr/titre-lettre-Philippe-Lacoue-Labarthe/dp/2718600020/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1233507688&sr=1-1