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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Giorgio Agamben estudado no Porto


Cartaz da Joana Alves Ferreira.
Programa a ser divulgado em breve.

sábado, 26 de dezembro de 2009

as duas obras de deus e dos homens, seg. Giorgio Agamben



O magnífico livro (como qualquer um dele, é impressionante) de Giorgio Agamben "Nudità" (2009, Nottetempo), que estou a ler em francês ("Nudités", Paris, Éd. Payot et Rivages, 2009) começa com um capítulo absolutamente vital que se intitula "Criação e Salvação". Vou aqui encadear livremente algumas ideias dele, traduzidas (não são minhas, mas adopto-as com grande emoção; itálicos de minha responsabilidade).

Trata-se de uma dicotomia fundamental que consiste no facto da profecia, ou do profetismo, ter dado lugar (tanto no cristianismo como no judaísmo) à hermenêutica, quer dizer, à interpretação.
Até na tradição islâmica esta dicotomia (esta bipolaridade das duas obras de Deus, criador e salvador) está bem explícita, subjacentemente. Há aí de facto também dois tipos de obras, ou de práticas, a da criação e a da salvação. A primeira relaciona-se com os anjos, que são os mediadores da obra da criação. A segunda, com os profetas, que são os mediadores no sentido da salvação escatológica. Ora a salvação é mais "nobre" do que a criação, e por isso o profeta "está acima" dos anjos.
Na teologia cristã, Deus representa a criação e o Filho a redenção. Mas já no islamismo a redenção não é um elemento secundário, mas sim superior, e anterior àquela, contrariamente ao que seria de esperar. De facto, a redenção não é um remédio, mas o que torna compreensível a criação e lhe dá um significado. Há neste ponto afinidades entre as três grandes religiões: importância primordial da salvação sobre a criação, a qual implicou o aparecimento do erro, do que precisa de ser corrigido, redimido.
Produzir e agir, por um lado, e redimir o que se se fez, por outro, são aspectos indissociáveis, indivisíveis. Não basta fazer, é preciso salvar o que se fez; mas na verdade este segundo aspecto precede o primeiro, uma vez que para se fazer é preciso a capacidade de redimir (corrigir) o produzido.
A palavra profética e a palavra criadora dialogam constantemente. Como o anjo, produzimos e olhamos em frente; como o profeta, sem cessar pomos em causa o já criado, o já existente, e assim asseguramos a sua redenção, a sua própria possibilidade. A redenção precede portanto a criação.
O mundo não será pois salvo pelo poder angélico, com o qual os homens produzem, mas pelo seu poder de criaturas. A obra do profeta, o seu poder, está também já inscrito na criação.

Qual a importância básica disto para a nossa vida de hoje?
A filosofia e a crítica, na sequência da exegese, herdaram a obra profética da salvação; a poesia, a técnica, a arte, a obra da criação. Com a laicização, a relação íntima entre os dois aspectos perdeu-se, desembocando numa espécie de esquizofrenia. Dantes, o poeta sabia "avaliar" o seu poema, e o crítico era, também a seu modo, poeta. E escreve Agamben, cujo texto tenho estado a seguir pari passu: " (...) de então em diante o crítico, que perdeu a obra da criação, vinga-se disso nela, pretendendo julgá-la, e o poeta, que já não sabe salvar a sua obra, paga essa incapacidade fiando-se cegamente na frivolidade do anjo." (p. 16)
Na verdade as duas obras são facetas de um mesmo poder divino, e coincidem na figura do profeta. A obra de criação é uma "faísca" saída da obra profética da salvação, e a obra da salvação é um fragmento da criação angélica tornado consciente de si mesmo. "O profeta é um anjo que, no próprio élan que o leva à acção, sente no cerne da sua carne o espinho de uma exigência diversa." (id, ib, p. 16).

Génio e talento, distintos/opostos na sua origem, unem-se na obra do poeta. Também as duas obras ou poderes de Deus são intrinsecamente uma unidade. Mas uma vez mais encontramos aqui uma dissociação: a importância da obra depende da assinatura, do estilo - que o génio e a salvação lhe conferem - e não da criação e do talento.
O estilo é a força que resiste à criação, à inspiração do anjo. E também, por seu turno, na obra do profeta, o estilo é "a assinatura que a criação, no decurso do acto que a salva, deixa na salvação, a opacidade e quase a insolência com que resiste à redenção, e quer permanecer sempre simultaneamente noite e criatura, dar ao pensamento aquilo que o aguenta." (p.17)

Uma obra crítica ou filosófica tem de se manter em relação com a criação, senão cai no vazio. Tal como uma obra de arte ou de poesia que não inclua uma exigência crítica. Mas, acentua o autor, os dois campos procuram a unidade perdida. E cita Holderlin, que considerava a filosofia como o hospital em que a poesia vinha curar as suas feridas. Essa consciência no entanto tende a esbater-se num mundo em que criação e crítica já se não defrontam, mas se separaram.

Por que se dividem em duas as obras divinas e humanas, por que se presenta a praxis cindida? Para reencontrar a unidade, propõe o autor, é preciso pensar a parte do poder de criar que não foi exercida pelo anjo, e que portanto se pode direccionar para si mesma. Se a potência [puissance, um dos temas caros ao autor] precede o acto e o excede, se a obra de redenção precede a criação, a redenção é uma potência de criar deixada en suspenso, que se dirige a ela própria, e assim se "salva".

Que significa isso, porém, se tudo está destinado a perder-se? O que se perde pertence a Deus, e quando tudo se perder "a obra de salvação ficará sozinha, inapagável." (p. 19)
Uma potência "salva", isto é, um poder fazer (ou não) que não passa ao acto, conserva-se e permanece como tal na obra.
Aqui a obra de salvação e de criação coincidem, uma faz, outra desfaz, incessantemente. "Aquilo que o anjo forma, produz e acaricia, é reconduzido pelo profeta ao informe, para o contemplar." (p.20)
A obra da criação acaba por ficar emoldurada em não-ser. O que se salva? A criatura e a potência passam um limiar em que se tornam indistintas. "Isso significa que a última figura da acção humana é esse ponto em que criação e salvação coincidem naquilo que não pode ser salvo." (p. 20)

O anjo que chora torna-se profeta. A queixa do poeta torna-se profecia crítica, isto é, filosofia.
Ao contrário da criação, a obra de redenção é eterna; ela sobreviveu à criação, e por isso permanece, mas no insalvável.

G. A. (adaptado e resumido por mim)
Os textos de G. Agamben são de uma economia absoluta. Não existe uma palavra a mais. A condensação é imensa, o rigor total, e eminentemente poético. Por isso é tão difícil e fascinante lê-lo.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Seminário sobre Deleuze

O Research Group «Estética, Política e Artes» do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto (GFMC) tem o prazer de convidar V. Exa. para o Seminário

LINHAS DE COMPOSIÇÃO. GILLES DELEUZE, IMAGENS

a realizar por António Carlos Amorim (Universidade Estadual de Campinas UNICAMP. Brasil)

O Seminário, integrado no Ciclo de Seminários Abertos de Estética, terá lugar nos dias 28 de Setembro, às 13h30 (Sala 210) e 29 de Setembro, às 15h30 (Sala 208) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.


[Entrada livre]


Com os melhores cumprimentos,

Eugénia Vilela
Instituto de Filosofia | Research Group «Estética, Política e Artes» (GFMC)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um pensador crucial: Bernard Stiegler

"Não há "cultura" nem "espírito" senão a partir do facto da técnica. Adoptar este ponto de vista tem consequências importantes no que respeita à crítica que se pode tentar fazer do conceito de indústria cultural elaborado por Horkheimer e Adorno."


in
"La Technique et le Temps. 3. Le Temps du Cinéma et la question du mal-être", Paris, Galilée, 2001, p. 67 (trad. minha)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Giorgio Agamben - esquema (transcrição livre) da palestra postada neste blogue (mensagens anteriores) sobre "O Poder e a Glória"

Como é que o poder tomou nas sociedades ocidentais o modo de uma oikonomia, de uma economia: o governo dos homens e das coisas? Trata-se de uma peculiar, moderna, forma de poder, ou seja, o governo.
Foucault, nos meados dos anos 70 do séc. passado, começou a trabalhar na questão do "governo dos homens". As investigações históricas de Foucault eram só a sombra do seu questionamento teórico do presente; o mesmo acontece com G. Agamben, que vai aos começos da teologia cristã.
Da teologia cristã derivam dois paradigmas: a teologia política, que se baseia num deus, na transcendência do poder soberano, e uma (nova) teologia económica se que baseia na noção de oikonomia, economia, concebida como ordem imanente (doméstica e não propriamente política) da vida humana e da vida divina ao mesmo tempo.
O primeiro paradigma é jurídico-político e dará origem à teoria moderna da soberania. O segundo é gestionário e levará à biopolítica moderna, ao presente domínio da economia e da gestão sobre todos os aspectos da vida social.
O termo grego oikonomia (economia) teve um papel essencial na estratégia dos teólogos que no séc. II da nossa era elaboraram a doutrina da Trindade.
Como se sabe oikonomia deriva de oikos, é a administração da casa. A política é a administração da polis, da cidade. Na tradição aristotélica há uma profunda oposição entre a economia e a política; do ponto de vista grego a política não pode ser reduzida à economia. Para Aristóteles, a economia é um paradigma não epistémico, algo que não é uma ciência, uma episteme, mas uma prática, que implica decisões e medidas que só se podem perceber em relação com uma dada situação ou problema. Traduzi-lo-íamos hoje por gestão (management).
Por que é que os teólogos cristãos precisavam desse termo, economia? Muito simples. Quando a doutrina trinitária começou a ser desenvolvida, os teólogos tiveram que fazer face à forte resistência dentro da Igreja de um número razoável de pessoas (os "monárquicos"), partidários do Um, do Uno, que pensavam (e talvez tivessem razão...) que a introdução em Deus de três "pessoas" era um regresso ao politeísmo.
A economia - oikonomia - foi o conceito por meio do qual os teólogos tentaram reconciliar em Deus a Unidade com a Trindade. O argumento deles era simples: Deus, como substância ou ser, é absolutamente Um; mas no que toca à sua economia (o modo como ele gere a Casa Divina e a Vida), ele é três. Tal como o senhor, o chefe da casa pode partilhar a administração da mesma com um filho ou outras pessoas, sem perder a unidade do seu poder, do mesmo modo Deus pode confiar a gestão do mundo e a salvação dos homens ao seu filho, Cristo.
S. Paulo, nas suas cartas, refere-se à redenção, ou a uma economia do mistério da salvação. Alguns teólogos (Hipólito, Tertuliano, etc) inverteram esta expressão - trata-se de uma muito importante inversão estratégica - e falaram, referindo-se à Trindade, de um mistério da economia. Portanto,não é o ser de Deus que e misterioso, mas a economia, a acção, a sua actividade é que é misteriosa. E eles distinguem dois sentidos de discurso, dois logoi, o discurso teológico ou ontológico que se refere ao falar de Deus, e o discurso económico, que se refere à acção de Deus, ao modo como ele faz o governo, a gestão do mundo e da salvação. A Trindade não foi pois introduzida no princípio, como uma doutrina metafísica, mas depois dos primeiros grandes concílios da Igreja, como uma economia, como um instrumento de gestão.
A hipótese que estou [G. A.] a tentar sugerir é que este mistério da economia funcionou como o paradigma epistemológico subjacente (escondido) da governância moderna.
Portanto, usamos [G. A.] a teologia para melhor compreender o governo; não é um voltar à teologia, mas usar a teologia para melhor perceber a governância. Esta doutrina ocupou os padres da igreja durante séculos.
Os pontos principais da minha investigação, são:
- que tipo de actividade, que tipo de praxis é a economia, a oikonomia? Qual a estrutura subjacente a um acto de governância, a uma acto da divina gestão?
- por que é um tal governo do homem possível?
O primeiro ponto de cinco que irei tratar é o paradoxo da divina anarquia. Como vimos, a doutrina da divina economia foi elaborada para salvar o monoteísmo, mas acabou por introduzir uma cisão (split) em Deus: uma divisão entre ser e acção, ontologia e economia. A economia de Deus, a acção de Deus, de acordo com os Pais da Igreja, é um mistério anárquico.

[estes tópicos reportam-se à primeira de seis partes de um video postado neste blog]


quinta-feira, 30 de abril de 2009

POLITIQUE, VIE, SOCIÉTÉ. LA QUESTION DES NORMES

Seminário Aberto "Filosofia, Biopolítica e Contemporaneidade"



POLITIQUE, VIE, SOCIÉTÉ. LA QUESTION DES NORMES.


7 de Maio, Sala do Departamento de Filosofia, 17h30

O Grupo de Investigação Aesthetics, Politics and Arts do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto (GFMC) tem o prazer de convidar V. Exa. para o Seminário

POLITIQUE, VIE, SOCIÉTÉ.
LA QUESTION DES NORMES.




realizado por ALAIN BROSSAT (UNIVERSITÉ DE PARIS 8 - VINCENNES)

O Seminário terá lugar no dia 07 de Maio, na Sala do Departamento de Filosofia (Torre B), às 17h30m.

[Entrada livre]


Informações
Instituto de Filosofia
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Via Panorâmica s/n
4150-564 Porto
Telef. 226077100 - ext.3103
ifilosofia@letras.up.pt

Fonte: http://sigarra.up.pt/flup/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=2597

terça-feira, 31 de março de 2009

Curso Pensamento Crítico Contemporâneo FLUP - Giorgio Agamben - alguns livros

(Baseio-me nos livros que tenho - este autor é um dos meus preferidos! Deve muito a Foucault, mas também a A. Arendt e a Carl Schmitt, Heidegger, etc A sua escrita é de uma beleza, de uma inteligência e de uma clareza absolutamente trespassantes! É sublime!)

- El Hombre Sin Contenido, Barcelona, Ediciones Áltera, 2005 (original italiano de 1970).
- Language and Death. The Place of Negativity, Minneapolis, University of Minnesota Press, 1991 (original italiano Turim, Einaudi, 1982). Tenho também a edição espanhola, da Pre-Textos, Valencia, 2002.
- Means Without End. Notes on Politics, Minneapolis, University of Minnesota Press, 2000 (edição italiana de Bollati Boringhieri editore, 1996)
- Ideia da Prosa, Lisboa, Cotovia, 1999 (original italiano 1985)
- A Comunidade que Vem, Lisboa, Ed. Presença, 1993 (ed. itaiana Turim, Einaudi, 1990).
- Bartleby Escrita da Potência, Lisboa, Assírio & Alvim, 2007 (original italiano Bartleby o della Contingenza, 1993)
- O Poder Soberano e a Vida Nua. Homo Sacer, Lisboa, Editorial Presença, 1998 (original italiano de Turim, Einaudi, 1995)
- Ce qui Reste d' Auschwitz. L' Archive et le Témoin. Homo Sacer III, Paris, Payot et Rivages, 1999 (tenho também a edição italiana de Bollati Boringhieri, de 1998.
- The Time That Remains. A Commentary on the Letter to the Romans, Stanford University Press, 2005 (edição italiana Turim, Bollati Boringhieri, 2000). Tenho também a edição francesa, Le Temps qui Reste, Paris, Payot et Rivages, 2004.
- Infanzia e Storia. Distruzione dell'Esperienza e Origine della Storia, Torino, Einaudi (2ª ed), 2001.
- The Open. Man and Animal, Stanford University Press, 2004 (original italiano publicado por Bollati Boringhieri, 2002)
- State of Exception, The University of Chicago Press, 2005 (original italiano Turim, Bollati Boringhieri ed. 2003)
- La Puissance de la Pensée. Essais et Conférences, Paris, Éd. Payot et Rivages, 2006 (ed. original italiana de Neri Pozza Editore, Vicenza, 2005)
- Profanações, Lisboa, Ed. Cotovia, 2006 (original italiano de 2005)
- Qu'est-ce qu'un Dispositif ?, Paris, Payot et Rivages, 2007 (original italiano Nottetempo 2006)
- Stanze. La Parola e Il Fantasma nella Cultura Occidentale, Torino, Einaudi, 2006 (1ª ed. de 1977).
- Il Regno e la Gloria. Per Una Genealogia Teologica dell'Economia e del Governo, Homo Sacer II, 2, Vicenza, Neri Pozza Editore, 2007. OBRA ABSOLUTAMENTE REVOLUCIONÁRIA E SUBLIME, de que felizmente também já saíu a versão francesa (leio italiano com bastante esforço. Quem escreva ou fale de política sem ler esta obra, faz mal): Le Règne et la Gloire, Paris, Seuil, 2008.
- Signatura Rerum. Sur la Méthode, Paris, Librairie Philosophique J. Vrin, 2008.
- Qu' est-ce que le Contemporain? , Paris, Éd. Payot et Rivages, 2008.

Sobre o autor:
The Philosophy of Agamben, por Catherine Mills, Stocksfield, 2008
e um outro, bastante importante:
Giorgio Agamben. Sovereignity & Life, ed. by Matthew Calarco and Steven DeCaroli, Stanford University Press, 2007.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Giorgio Agamben



Arrisco: entre a dúzia de pessoas mais notáveis (vivas) do mundo, no meu entender, encontra-se este filósofo italiano. Comprei vários livros dele que ainda não tinha na (extraordinária !!!!!!) livraria da Universidade de Toronto e entre eles um sobre poética que é absolutamente fundamental: "The End of the Poem. Studies in Poetics", Stanford University Press, 1999 publicado em Itália sob o título "Categorie Italiane: Studi di Poetica", 1996).

É um "must" como qualquer outra obra deste autor. Pão para a boca. Primeira necessidade.
Génio. Não há palavras!
Li o primeiro capítulo sobre o Atlântico... esta noite.


Imagem e mais dados sobre o livro:
http://www.amazon.co.uk/End-Poem-Meridian-Crossing-Aesthetics/dp/0804730229/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1238371055&sr=1-1


terça-feira, 10 de março de 2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Uma entrevista crucial com Jacques Derrida




"Hospitality, justice and responsability. A dialogue with Jacques Derrida", in Questioning Ethics, Richard Kearny & Mark Dooley (eds), London, Routledge, 1999, p. 65-83.



Quando um dia muitos descobrirem a fecundidade do pensamento de pessoas como Derrida, e mesmo quando os arqueólogos perceberem que é neste tipo de autores que podemos ir beber muita coisa essencial ao nosso trabalho específico, terá sido dado um passo gigantesco na verdadeira interdisciplinaridade.

Veja-se só como termina a entrevista:
"Q - Do you have an absolute definition of "human being"?
JD - There can be no acontextual definition of a human being."
(p. 82)





sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Mots de Passe: Notável DVD dedicado a Jean Baudrillard...





... onde este define de forma clara e sucinta uma série de palavras-chave do seu pensamento, dos mais fecundos do mundo francês contemporâneo. Um DVD que profundamente recomendo. São 90 minutos que me compensaram da frustração de hoje à tarde.
O autor aborda a sua concepção de temas do seu universo conceptual, como: Objecto; Sedução; Valor; Troca Impossível; Obsceno; Virtual; Troca Simbólica; Transparência do Mal; Fim; Crime Perfeito; Destino; Dualidade; Pensamento.

Ver:
http://www.amazon.fr/Mots-passe-Jean-Baudrillard/dp/B001ERJUVI/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=dvd&qid=1230860322&sr=1-1

domingo, 7 de dezembro de 2008

curto-circuito ?

Salvador Dali, Crucificación.



"No seu "Pai, porque me abandonaste?, o próprio Cristo comete o que é o pecado supremo aos olhos de um cristão: vacila na sua Fé. Embora, em todas as outras religiões, haja pessoas que não acreditam em Deus, é só no Cristianismo que Deus não acredita em si mesmo."

(S. Zizek, "A Monstruosidade de Cristo", Lisboa, Relógio d' Água Editores, 2008, p. 40)


"(...) não será o "Pai, porque me abandonaste?" de Cristo, a versão cristã do "Pai, não vês que estou a arder?" de Freud [ver "A Interpretação dos Sonhos"]. E não se dirigirá esta interpelação precisamente ao Pai-Deus que manobra os cordelinhos por detrás do palco e justifica teologicamente (garante o sentido) de todas as nossas vicissitudes terrenas? Assumindo por sua conta (não os pecados, mas) o sofrimento da humanidade, confronta o Pai com a falta de sentido de tudo."

(Idem, ibidem, p.51).




sábado, 22 de novembro de 2008

The Philosophy of Derrida: um excelente livro de síntese e introdução a um autor muito difícil


por Mark Dooley e Liam Kavanagh
Stocksfield (UK), Acumen Publishing Limited
2007
col. "Continental European Philosophy"
______________
Costuma-se dizer que há horas felizes. Ontem encontrei 3 livros desta colecção e comprei. Pelo que li do que é consagrado a Giorgio Agamben (é de outra autora, claro), achei fraco, mas este é muito, muito interessante - excelente introdução, toda ancorada na ideia (necessariamente redutora, é claro) de que a filosofia de Derrida, na sua profusão (basta lembrar que estão previstos 43 volumes com os seus cursos, dos quais só saíu ainda agora um) se estriba em duas preocupações matriciais: memória e identidade.
Um livro que vai ser básico para o curso de formação contínua que espero dar de Abril a Junho de 2009 na FLUP (a propósito, inscrevam-se, se não não funciona - são precisas 12 pessoas...)
http://sigarra.up.pt/flup/cursos_geral.FormView?P_CUR_SIGLA=FCPCC


Sobre um terceiro que é consagrado a Michel Foucault (por Todd May) ainda não tenho uma opinião.

Ver sobre esta colecção e editora:
www.acumenpublishing.co.uk

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aula (aberta) hoje à tarde na FLUP


... do Prof. Paulo Tunhas, na cadeira de "Arqueologia dos Espaços Sagrados" (regente: Profa. Susana Oliveira Jorge). Aquele filósofo versou o seguinte tema, com a elegância e competência habituais: Sujeito e conhecimento. Abordou autores tão diversos como Descartes, Popper, Platão, Leibniz, Kant, David Hume, Hegel, etc.
A assistir uma sala cheia, incluindo alunos de mestrado, e de doutoramento, a Profa Maria de Jesus Sanches e eu próprio, que mais uma vez muito aprendi.
Se puder (o tempo escasseia) resumirei brevemente aqui a excelente lição que nos foi dada. Assim sim, é isto a universidade!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Judith Butler amanhã em Serralves





Judith Butler ao jantar hoje, em Serralves (16/10/08). A conferência foi muito boa, bem como o debate a seguir. Serralves à cunha !!!!!!!!!!


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Libro - uno más de la prestigiada editora GG

La cabaña de Heidegger.
Un espacio para pensar
Adam Sharr



Desde verano de 1922, el filósofo Martin Heidegger (1889-1976) comenzó a habitar una pequeña cabaña en las montañas de la Selva Negra, al sur de Alemania. A lo largo de los años, Heidegger trabajó desde esa cabaña en muchos de sus más famosos escritos, desde sus primeras conferencias hasta sus últimos y enigmáticos textos.
Por medio de una secuencia narrativa, este libro realiza un recorrido alrededor de la cabaña, su entorno natural y su habitante. Un análisis que se adentra en las circunstancias de su construcción, la propia configuración de la cabaña, el uso que el filósofo hacía de aquel espacio, para, desde ahí, apuntar unas posibles claves que permitan establecer la relación entre el modo de habitar esta cabaña y el pensamiento de Heidegger.

128 pp
24.5 x 17.5 cm
Cartoné
español
ISBN: 978-84-252-2204-7

Con fotografías de Digne Meller-Marcovicz


Adam Sharr es arquitecto y profesor titular en la Welsh School of Architecture de la Universidad de Cardiff.

Fuente: http://www.ggili.com/ficha_amp.cfm?IDPUBLICACION=1336&ididioma=ES&iev=3715