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domingo, 20 de setembro de 2009

Pegadas na Areia

Uma noite tive um sonho.
Estava a passear na praia com o senhor.
Pelo céu escuro passavam cenas da minha vida.
Por cada cena, percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia,
um que me pertencia
e outro ao meu senhor.

Quando a última cena da minha vida passou perante mim
olhei para trás para as pegadas na areia.
Havia apenas um par de pegadas.
Apercebi-me de que eram os momentos mais difíceis
e tristes da minha vida.
Isso sempre me incomodou
e interroguei o Senhor
sobre o meu dilema.

"Senhor, quando decidi seguir-te, disseste-me
que caminharias ao meu lado
e falarias comigo durante todo o caminho.
Mas apercebo-me de que,
durante os momnetos mais atormentados da minha vida,
há apenas um par de pegadas.
Não percebo por que razão, quando mais precisei de Ti,
Tu me deixas-te"

Ele segredou:"Meu precioso filho,
Eu amo-te e nunca te deixarei,
nas horas de provação e de sofrimento.Nunca.
Quando viste na areia apenas um par de pegadas
foi porque Eu te carreguei ao colo"

Margaret Fishback Powers

sábado, 8 de agosto de 2009

Coração Estraçalhado

O poema que tinha no meu peito..
era para ti;
Como era também o meu coração..
apaixonado;
Tudo o que tinha dentro de mim..
eu perdi;
E após empenhadas buscas..
nada foi encontrado.
Nem sequer restos de palavras amorosas
ou as raízes dos meus beijos em botão;
Tudo me foi despojado pelas mãos criminosas
de um facínora que não deve ter perdão.
Apenas me deixou a mente..
..o pensamento;
E assim poderei relembrar a tua face;
Fiquei deveras mutilado e deprimente;
Que tormento!!
Pois nem com braços fiquei,com que te abraçe.
Mas mesmo com o coração estraçalhado
há-de nascer em mim
o amor..
Esse amor cego e irremovível
que alguém terá pensado
que um dia teria fim;
Mas não..
Mesmo na maior dor
ele acabará por germinar irressistível
bem fundo e dentro de mim.

António Bastos (meu sogro)
Parabéns..

Voz Calada

É neste silêncio desta voz calada
Onde tudo pára e tudo me corre
Aqui é que penso e não digo nada
A viver num tempo onde tudo morre...
É neste silêncio de VOZ abafada
Que imagino tudo e nada acontece
É a Voz ausente de muito cansada
Que vem até mim
E logo adormece!..

Foi neste silêncio de palavra muda
Que não cala tudo aquilo que existe
Nada mais me chega para que me iluda
Por isso me deixo ficar assim triste..
Fosse eu o silêncio e o silêncio da Voz
Daquilo que penso e me desencanto
Eu ficava à escuta e cantava a sós
Com esta mudez que vive em meu canto!!!



Antes de ir verdadeiramente de férias, decidi homenagear os Poetas da família.Foi difícil a escolha, mas depois de tanto ler escolhi este, espero que gostem...Com este poema o meu tio ganhou os jogos florais de cá da terra.
Parabéns tio Silvestre