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puxar pela criatividade (com receita!)...

13.3.18

Esta mudança de escolas trouxe-nos um novo desafio: os lanches diários. E se no início era mais ou menos fácil e tínhamos a desculpa da "fase de adaptação" para embalar lanches com quase tudo comprado, isso foi deixando de fazer sentido com o passar do tempo.
Junte-se a isto dois rapazinhos exigentes que todos os dias perguntam o que vai ser o lanche e o resultado é uma necessidade de puxar pela criatividade não apenas para os surpreender como para diversificar os lanches mantendo-os saudáveis.

Tenho feito muitas experiências para fazer coisas diferentes para eles levarem. Costumo partilha-las nas stories do Instagram e recebo sempre muitas mensagens a pedir para partilhar as receitas. Costumo fazer tudo a olho mas desta vez fui tomando notas para poder partilhar a receita! Aqui vai!

Biscoitos de aveia e banana:  
100 g de flocos de aveia
100g  de farinha de espelta
2 bananas maduras
60 g de manteiga
1 colher de cha de canela
1 gema
100g de cacao para derreter

Modo de preparação:
Pré-aquecer o forno a 180º. Ralar os flocos de aveia com as bananas juntar a manteiga natural, a canela e a gema. Juntar no final a farinha de modo a conseguir a consistência pretendida. 
Estender a massa fina e cortar com formas divertidas e levar ao forno cerca de 12-15 minutos (têm que sair um pouco moles ainda. Acabam de endurecer já cá fora.) 
Derreter o cacao e passar um lado (ou todo) pela mistura e depois deixar a secar em temperatura ambiente. 

Espero que gostem da receita! Se quiserem mais ideias, deixo-vos duas das minhas grandes inspirações reais. A Susana e a Paula. Duas mães com as mesmas preocupações e desafios que eu e que conseguem dar asas à criatividade e ao sabor de forma incrível.

O pão, a receita e outras reflexões...

6.3.18

Cresci a gostar de pão. Das minhas memórias mais antigas estão as torradas na frigideira com a minha avó Irlanda, e as corridas à padaria na aldeia com a minha avó Amélia. E uma das coisas que me lembro bem era de como o pão durava fresco durante dias.  Hoje a maioria do pão que se compra está fresco durante umas horas, se tivermos sorte. 
Já andava a fazer experiências com pão e fermentação lenta em casa há algum tempo mas foi só depois do workshop do ano passado com o Diogo da Gleba que consegui finalmente atingir o pão que queria. Do workshop trouxe não apenas o conhecimento mas também um bocadinho de isco (sourdough starter) para chamar de meu. E isto fez toda a diferença.

Desde então tenho experimentado muitas variáveis da receita base e depois de meses a fazer pão de forma periódica posso dizer que cheguei à receita que resulta melhor para nós para o dia a dia. Aqui vai:

+ 500 g de farinha (misturo muitas vezes espelta e trigo; trigo branco e trigo integral e até por vezes com uma pequena percentagem de centeio)
+ 100 g de isco
+ 10g de sal
+300g de água
+50 g de azeite

modo:
amasso a farinha com o sal, o isco e 250g de água. Adiciono depois 50g de água e continuo a amassar e por fim junto o azeite. Na mesma taça deixo-o para uma primeira fermentação de cerca de 4-5h dando-lhe a volta a cada 1h30. Depois, estendo-o formando o pão e coloco-o no cesto que levo ao frigorífico pelo menos 12h (até 24h dependendo da minha disponibilidade). Em ambas as fermentações cubro com película aderente e com um pano à volta.  
Depois de o tirar do frigorífico, ligo o forno a 220º e deixo aquecer bem. Faço a forma final do pão, faço os cortes (para o pão crescer) e coloco a massa na panela de ferro que levo ao forno tapada durante cerce de 30 minutos. Ao fim desse tempo destapo e deixo cozer por mais 20 minutos ou até me parecer que está com a cor desejada (nunca menos dos 20 minutos). 

Fazer pão tem alguns truques muito simples mas difíceis de exemplificar por palavras por isso acho que ver alguns vídeos pode ser esclarecedor. E para quem estiver por Lisboa e tiver curiosidade o Diogo da Gleba tem dados muitos workshops e acho mesmo que são um bom princípio.

Sempre fui atenta a uma alimentação dita saudável (o que não é o mesmo que dizer que a faço sempre) porque tive na minha mãe o maior exemplo disso antes das redes sociais lançarem sucessivas modas. Muitas vezes dou por mim a rir sozinha porque a maioria das coisas que vejo, já vivi em casa. A minha mãe era a pessoa que fazia a vida mais saudável que alguma vez conheci. Para além de não beber nem fumar, não comia fritos, fazia uma alimentação à base de peixe, legumes e grelhados e não apanhava sol em "horas más". Mas não o fazia por moda. Era uma coisa natural nela. E estas são das minhas memórias mais antigas da minha mãe. Sempre foi assim. Ainda assim perdêmo-la para o cancro. Por isso, quando vejo estas tendências "pseudo-saudáveis" com grandes doses de demagogia fico com um pé atrás. Nada é garantia de nada por mais absurdo que isto possa soar. 
Tenho no entanto, com os meus filhos, as mesmas preocupações que a minha mãe teve comigo. Comemos comida de verdade. Quanto menos rótulos melhor. Pratos coloridos. Doseamos os doces mas não somos fundamentalistas. 
E comemos pão de verdade. Acho que estamos no bom caminho quando os nossos filhos nos pedem para fazer pizzas em casa em vez de nos pedirem para irmos à pizzaria.  

Na lancheira dos rapazes...

21.2.18

Um dos desafios semanais por aqui são os lanches dos rapazes para a escola. Preparar diariamente as lancheiras sem cair na tentação de comprar tudo feito e tentando mostrar alguma criatividade para os surpreender, não é tarefa fácil. 
A fruta e o leite simples (por vezes alternando com iogurtes líquidos) são presenças diárias mas para acompanhar nem sempre é simples escolher o cereal. 

Depois de ver estas barras no IG da Paula (um dos mais inspiradores e criativos que sigo) resolvi experimentar a receita que ela me sugeriu da Dona Hay.
Não a fiz logo porque achei que fosse ser complicada e comprei os ingredientes (todos simples) quando me fui lembrando. No fim de semana resolvi deitar mãos à obra e fiquei mesmo supreendida com a facilidade com que se fazem. Só demora um bocadinho mais por causa dos 20 minutos que tem que ir ao forno mas é tudo incrivelmente simples de fazer. 
Pus um bocadinho de raspas de laranja em cima porque chocolate e laranja é só uma das minhas combinações preferidas de sempre e aqui estão elas. Ou estavam, porque são deliciosas e estão literalmente a voar :)
Experimentem, garanto-vos que não se vão arrepender! 

Vamos Tiramisar?

27.11.17

No final de Setembro fui a Roma com duas amigas. Um fim de semana que nos soube a férias grandes como podem imaginar.  Íamos com o nosso roteiro muito bem definido e incluía somente Vaticano e refeições sem pressa. Ainda não consegui fazer um post sobre isso mas acho que em breve o consigo ter aqui. 

Mas, atendendo à ordem de prioridades começo por partilhar convosco a receita do melhor tiramisú que já fiz. Não posso dizer "que já comi" porque nessa viagem experimentei um de pistachio que nunca mais vou esquecer. Mas este não fica atrás e tem feito sucesso cá por casa e para onde o levamos. Como neste dia em que o fotografei em que fiz para um jantar fora de casa e tive que distribui-lo nestes copos enormes o que fez com que parecesse uma gota no meio do copo apesar de ter feito 3 doses. Mas não se prendam com essas minudências :D

Receita para 4 pessoas

Ingredientes:
220g de mascarpone
110 g de crème fraiche
80 g de açúcar (foi o que eu usei apesar da receita original dizer 120g)
1 colher de sopa de água
3 gemas
16 palitos de la reine
4 cafés expresso
100g de cacau cru

Modo de fazer:
1. Fazer os cafés e deixar a arrefecer;
2. Bater o Crème Fraiche na batedeira (ou à mão vigorosamente) e cobrir com pelicula aderente e colocar no frigorífico;
3. Bater as gemas a uma velocidade baixa enquanto com o açúcar e a colher de água se faz o xarope de açúcar;
4. Quando o xarope estiver a 116º (eu fiz a olho, claro) verter cuidadosamente sobre as gemas continuando a mexer até a mistura arrefecer;
5. Juntar depois o mascarpone incorporando e depois o crème fraiche;
6. Molhar os palitos no café com cuidado para não ensoparem demasiado e depois fazer camadas. No final polvilhar com o cacau.



Se gostam de tiramisú não deixem de experimentar este!
Comprei este livro no restaurante onde almoçámos no último dia. Uma reserva que fizemos com 2 semanas de antecedência mas que valeu mesmo mesmo a pena. É um restaurante tradicional com uma mercearia onde hei-de voltar. 

Olh`ó pão fresquinho...

27.8.17


Já vos tinha contado que tinha feito um Workshop de pão com o Diogo da Gleba e foi maravilhoso para mim porque há já muito tempo que andava a tentar aprender a fazer a fermentação natural mas sempre sem os melhores resultados. Porque na verdade não é nada fácil conseguir criar um isco/crescente bem sucedido e poderoso como se pretende.  Claro que nada disto é fácil e o isco é algo que se pretende que viva para sempre connosco. O que isto implica é que temos que o alimentar (isto parece estranho mas descansem que ele só come farinha e água :) ) sempre se queremos que ele continue vigoroso e especialmente quando queremos fazer pão. Ainda assim este processo - de fazer pão - implica sempre um mínimo de 2/3 dias. Mas depois de se entrar no ritmo torna-se bastante mais fácil do que soa com esta minha conversa.  Acreditem em mim. 

Como tenho feito o pão com alguma assiduidade tenho conseguido experimentar várias combinações e aquela de que mais gosto é a que junta a farinha de trigo (40%) com a de espelta (60%). Fica leve e muito saborosa. As integrais ou com centeio ficam sempre um bocadinho mais densas mas também maravilhosas. Depois, claro, há um sem número de adições: sementes, frutos secos. A que mais tenho repetido é a de figos porque é um fruto que adoro por si só. Ponho de molho cerca de 10 minutos e depois de amassar a massa adiciono-os antes de deixar a levedar.

O que vos posso garantir é que comer este pão que não leva nenhum tipo de químicos é muito diferente. O sabor é incrivelmente bom e a digestão não tem comparação possível. 

Pão nosso

19.7.17


Já há algum tempo que faço o nosso pão em casa. A maioria do pão pelo menos. Algumas receitas têm resultado melhor que outras mas a melhor de todas foi a desta ciabatta foi a que resultou melhor acredito que por ter usado, ainda que de forma muito superficial, a fermentação natural. 

Aqui em casa somos ávidos consumidores de pão e em vez de o cortar da alimentação com todas estas novas tendências e dietas que o apontam como mau alimento ou que cortam o gluten da alimentação, em vez disso, dizia eu, resolvi fazer o caminho mais longo e aprender a fazer pão como deve ser. Um pão bom que enriqueça a nossa alimentação e que não nos traga problemas de digestão como a maioria do que compramos hoje que fica duro em poucas horas. 

Por isso quando surgiu a oportunidade de fazer um workshop com o Diogo Amorim da Gleba dei uma espécie de salto de contentamento e fui quase literalmente a correr.



O Workshop já teria valido a pena só pelo isco/crescente de pão que trouxe para habitar no nosso frigorífico espero que por muitos e bons anos. Esta será a base de todo o nosso pão. O isco tem que ser alimentado periodicamente (com farinha e água) para servir depois como base de fermentação para o pão que vamos fazendo. Assim controlamos exactamente o que entra no nosso pão. E se usarmos uma boa farinha não há porquê ter problemas de digestão a não ser, naturalmente, em casos de alergias. 


Aprendi imenso na melhor das companhias o que não quer dizer que o pão me vá sair em casa como aquele  que ali fiz e que foi só o melhor pão que já comi. O melhor.
Depois disso já tentei fazer um em casa que foi diretamente para o lixo depois de levedar. Por vários motivos dos quais destaco as pressas da minha rotina. O tentar despachar entre pedidos constantes dos miúdos. Mas não desisti e comecei de novo e aqui vou eu a meio do processo.

Para quem está em Lisboa tem o caminho mais fácil que é ir comprar o pão à Gleba que usa unicamente grão português que mói na hora antes de fazer a massa. Eu já sei onde é que vou comprar pão quando passar por Lisboa. Mas até lá vou treinar até voltar conseguir fazer um pão como o que fiz no workshop. 

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