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12.7.05

GNR

Valsa dos Detectives

Tem medo do escuro tal criança sem futuro
è falso velhaco cobarde armado em duro

Vai pelo mundo guiado pela mão
Até depois de morto dá uma volta no caixão

Treme e vacila nem na cama está seguro
Teme que alguém o chame geme sofre de medo puro

Evita o olhar dos mortais que o rodeiam
Esconde-se em mentiras que mesquinhas serpenteiam

É só paranóia mania da perseguição
Desconfiar de todos resulta da sua traição

Letra: Rui Reininho
Música: Toli César Machado


(do álbum Valsa dos Detectives, 1989)

31.1.05

[eu, cá p'ra mim, isto de os partidos andarem a anunciar choques, é uma homenagem ao Rui Reininho, que vai festejar as bodas de ouro uma semana depois das eleições]

CHOQUE FRONTAL

50,
60,
70,
80,
90 à hora,
90 à década, vamos embora, vamos embora!

São as distrações que levam ao choque frontal
as insinceridades levam ao choque frontal
as pequenas crueldades incitam ao nosso choque frontal
o tráfego nas cidades leva ao choque frontal

a tua presença OH Mana! Reflecte-se no satélite inchado
nos sulcos do viaduto. Nessas unhas de verniz negro
brilhando nos lábios cereja cristalizada

as dissimulações implicam o choque frontal
as nossas prestações conduzem ao choque frontal

orgulhosa cabeça apostada para trás em fulvos cabelos por certo artificiais

fui cuspido trucidado incenerado amalgamado
entre garras de metal
como novo rodado amortecido travado mal conduzido vistoriado

até ao choque frontal

(do álbum dos GNR Psicopátria, 1988)

7.3.04

[as Torneiras recanalizaram-se para o local de origem. Convocam-se os GNR, para marcar o evento (ainda que com atraso...)]

FREUD & ANA

Mão morta/Mãe morta
Vai bater àquela porta
"Que se lixe quem não dança"
(disse Carl Jung)
É o século XX/
É o sexo vintage
A nossa doença, a nossa militância
É há cá quem sofra de complexos
E quem se queixe de SIDA
Mesmo de novas misturas
Em casais de pombos
E há cada vez mais novos combos
E até electro-choques
Insulina a rodos e outros mentais retoques

Querida,
Apareces-me em sonhos
Com penas de gato e muita comida
Que não te falte nada
Mesmo assim vestida
A tua líbido é mistura
De desejo e bebida

Como a cabeça do bispo
Tu comes a cabeça da dama
Vendo-te o "cavalo"
Empresto-te a torre
Mas quero saber que me ataca
Atropelo um peão
Juro que ele não morre
Baby eu sei que não sente
Liebschen ele nem trabalha
Não come não sente
Já não se lembra quem é...

E o luar é tão cândido
E eu e tu Ana tudo é pureza e limpeza
E era tudo tão claro
E agora é tudo tão vago
Tudo gente tão podre
E há uma assimetria
Com um toque de lobotomia

Ó miss Psicanálise - Que perfeita que és
E tão pequenina
Com umbigo e tudo - E até unhas nos pés
Que saúde que tens!
(Como eu a invejo)...
Que perfeita que és da cabeça aos pés!

(do álbum Os Homens não se Querem Bonitos, de 1985 - Letra e Música: Rui Reininho, Alexandre Soares, Jorge Romão e Toli)

14.11.03

[GNR partiram ontem para o Iraque]


MORTE AO SOL

Felizmente que a noite cai
Ainda bem que à névoa por aí
Estou contente se a luz se esvai
E uma sombra invade este lugar

Se um amanhã perdido for
metamorfose de horror

As trevas não vão demorar
estou contente se a luz se esvai
Se o céu se fecha sobre nós
desprende-se uma rouca voz

Se o amanhã perdido for
overdose de pavor

Directa sim eu declaro morte ao sol
Directa não e a quem o apoiar

(aí vem a luz!)

Se o céu não fecha já sobre nós
Revela-se esta imagem atroz

(Rui Reininho / Toli - do álbum Valsa dos Detectives, 1989)


TOXICIDADE

... e chega a polícia bacteriológica
Com um toque de classe impõe a sua lógica
E parte-se ao meio a cidade
Metade será caos a outra eternidade

Tem-se a vertigem a cor do vácuo
Comunicar sem som sentir ruído branco
Esquecida que foi a origem
A arder num fogo fátuo à venda em Porto Franco

Toxicidade ar do deserto
Asfixia devagar

Toxicidade num céu incerto
Chuva acre sem molhar
Vento morto a enterrar

(Rui Reininho / ZéZé Garcia - do álbum Rock in Rio Douro, 1992)

29.9.03

[convocam-se os GNR para o obituário do dia]

Se o pescado morre ao lado
Se ainda se ama o mar salgado
Então é ver no cinema se ainda há
Lodo no cais

(do álbum Mosquito, 1998)

30.6.03

continuo a ouvir atentamente os GNR: "estou-me borrifando p'ra opiniões sempre banais de quem aprendeu tudo e só pelos jornais..."