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domingo, 7 de dezembro de 2014

O espírito do amor ...



Como pode desmaiar, terminar um amor de todo o sempre? depois de cada ruga que lhes nasceu enquanto dormiam lado a lado, enquanto passavam juntos mais uma noite, um dia, um ano... como esquecer a dor do prazer de cada filho que trouxeram ao mundo? Como relevar o cheiro, a maciez da pele que permaneceram intactos nos dois, incrivelmente inalterados, porque o tempo não muda tudo. e os risos cúmplices quando parecia não haver mais palavras?
Perdeu-se-lhe o rasto, o rumo, mas esse amor não acabou, vagueia por aí algures, sobrevoando noites de desespero...

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Loneliness II



A vida mudou e de repente acordei sem música, com um silêncio ensurdecedor. tentei gritar e não ouvi nada.tentei ver e o olhar estava turvo e indicava-me um caminho escuro. Corri para a rua e na minha cegueira abordei as pessoas e pedi abraços, eu só queria abraços, para sentir que ainda havia gente e calor, vida... mas não havia abraços, havia medo da loucura, medo que alguém visse. disseram-me que entrasse no carro, mas eu só queria abraços. disseram-me:" já não há borlas, nem abraços nem mariquices dessas". Escorreguei lentamente até ficar sentada no chão e, com cada uma das minhas mão, abracei cada um dos meus ombros e deixei que a chuva caísse  em mim e me protegesse noite adentro...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



Era uma vez uma  História do Amor que faz doer

Foi  de mansinho que um dia ela chegou, se sentou ao meu lado e me falou sobre ele como quem fala da lua!
Fiquei a ouvir quase sem respirar, com medo que um simples sinal da minha existência pudesse desviá-la do seu intuito de me falar daquele sentimento imenso ao qual chamava mar.
Olhava em frente, com a cega expressão de quem nada vê e falou, não para mim mas para a imensidão do céu, como se de facto se dirigisse à Lua.
Era o espanto da ausência que trazia na voz, na ingénua crença de que sem lua e sem o mar o mundo não pudesse continuar.

"- Olha e toca nos meus cabelos! Vê como secaram e perderam a textura e o brilho que só ele lhes encontrava! A minha pele endureceu numa aspereza de arranhar o coração até aos limites da dor, o meu odor a morangos frescos evaporou-se como um perfume qualquer, na imensidão deste céu invernoso, em tons de cinzento decadente e moribundo,tal como eu!"

No final das suas palavras quase murmuradas, respirei por fim mais fundo e mergulhada na partilha do enorme mistério da dor imensa do amor que se vai, apenas lhe acariciei os cabelos claros que eram muitos belos e lhe disse que nem um um só fio havia secado ou perdido o brilho da vida.
Também lhe apontei o céu sem luar e disse-lhe que a lua haveria de voltar numa noite inesperada e a um só tempo, iluminaria céu e mar!