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in O político e o cientista, Max Weber
sábado, 31 de janeiro de 2009
A vaidade e o poder
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
E quem perguntará aos futuros ex-prisioneiros de Guantánamo para que país desejam ir?
Luís Amado está muito empenhado em que Portugal seja um dos países a receber ex-prisioneiros de Guantánamo, havendo mais dois ou três países da União Europeia que já se mostraram disponíveis para esse efeito.
Se bem compreendo a situação, os futuros ex-prisioneiros de Guantánamo serão homens em relação aos quais nenhum crime foi provado e, por isso, ficarão completamente livres para decidirem o seu destino. Serão eles que deverão escolher os países para onde desejam ir, ao abrigo das leis de asilo ou de imigração desses mesmos países, e seguindo os trâmites legais respectivos, tudo isto no caso de não ser possível, ou de não quererem, voltar para os seus países de origem.
Mesmo que se tenha de criar um regime especial para o acolhimento e inserção social desses homens, dadas as circunstâncias e o estigma que viveram todos estes anos, deverá ser sempre deles a escolha dos países para onde desejam ir e não ao contrário.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Obama - Religião e Política (excertos de discurso proferido numa igreja)
Agora isto vai ser difícil para alguns que acreditam na infalibilidade da Bíblia, como muitos evangélicos acreditam, mas, numa sociedade pluralista, não temos escolha. A política depende da nossa habilidade de nos persuadirmos mutuamente, de objectivos comuns com base numa realidade comum. Ela envolve negociação, a arte do possível. E, nalgum nível fundamental, a religião não permite negociar; é a arte do impossível. Se Deus falou, então espera-se que os seguidores vivam de acordo com os éditos de Deus, a despeito das consequências. Basear a vida de uma pessoa em compromissos tão inegociáveis pode ser sublime, mas basear as nossas decisões políticas em tais compromissos seria algo perigoso. E se duvidam disso, deixem-me dar um exemplo: todos conhecemos a história de Abraão e Isaac. A Abraão Deus ordenou que sacrificasse o seu único filho. Sem discutir ele leva Isaac até ao topo da montanha e amarra-o a um altar. Levanta a sua faca, prepara-se para agir como Deus ordenara. Agora, sabemos que tudo correu bem! Deus enviou um anjo para interceder mesmo no último minuto. Abraão passou no teste de devoção a Deus. Mas é justo dizer que, se qualquer um de nós, ao sair desta igreja, visse Abraão no telhado de um prédio levantando uma faca, iríamos, no mínimo, chamar a polícia, e esperaríamos que o Departamento de Apoio às Crianças e à Família tirasse a custódia de Isaac a Abraão. Nós faríamos isso porque não ouvimos o que Abraão ouve, nós não vemos o que Abraão vê. Então, o melhor que podemos fazer é agir de acordo com aquelas coisas que todos nós vemos e que todos nós ouvimos. A jurisprudência é bom senso básico. Então temos algum trabalho a fazer aqui, mas tenho esperança de que podemos transpor o hiato que existe e superar os preconceitos que todos nós, em maior ou menor grau, trazemos a este debate. E tenho fé que milhões de americanos crentes querem que isso aconteça. Não importa o quão religiosos eles possam ser ou não ser, as pessoas estão cansadas de ver a fé ser utilizada como arma de arremesso. Elas não querem que a fé seja usada para as apoucar ou para as dividir porque, afinal, não é dessa forma que elas vêem a fé nas suas próprias vidas.
Barack Obama
Para quem prefira ver e ouvir no vídeo:
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Cristovam Buarque sobre a internacionalização da Amazónia
De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que os nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pretencer apenas à França. Cada museu é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar que esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Forum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com a sua beleza específica, a sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos dos brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Conferência Internacional: Media & Desporto
domingo, 11 de janeiro de 2009
Bertolt Brecht - Dificuldade de Governar
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se-ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
É também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
Bertolt Brecht (1898-1956)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Goethe (Judeus, Cristãos, Pagãos...)
«Fora Judeus e Pagãos!» - clama a paciência cristã.
«Maldito o Cristão e o Pagão!» - murmura um barbudo Judeu.
«Os Cristãos ao espeto e os Judeus à fogueira»!
- Canta um Turquinho troçando Cristãos e Judeus.
Qual é o mais esperto? - Decide! Mas se loucos destes
Há no teu palácio, Divindade, eu passo de largo.
J.W.Goethe (1749-1832)
«Maldito o Cristão e o Pagão!» - murmura um barbudo Judeu.
«Os Cristãos ao espeto e os Judeus à fogueira»!
- Canta um Turquinho troçando Cristãos e Judeus.
Qual é o mais esperto? - Decide! Mas se loucos destes
Há no teu palácio, Divindade, eu passo de largo.
J.W.Goethe (1749-1832)
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