Mostrar mensagens com a etiqueta jornalismo de ódio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jornalismo de ódio. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de junho de 2014

Possidónio Cachapa (citação)



«Todos os jornais falam da política como falam da bola: por bitaites, quem joga, quem fica no banco, quem vai rematar os penaltis... Ninguém pensa para lá disso, globalmente, acima das tricas, acima do recreio em que os meninos trocam cromos. Os jornais não são a escola, de facto. E muitos dos que os fazem passaram por ela escorregando pelas paredes, ou pior, escutando apenas as vozes desesperadas de quem já só pede que fiquem sossegados.
Flash News: é possível pensar as sociedades para lá dos nomes que se esborracham contra as objectivas. Saber e dizer que estas baratas tontas que correm histericamente pelos corredores das sedes partidárias, das assembleias, de São Bento, são como Jesus, mas no mau sentido: caminham sobre a babugem das ondas achando que nadam as profundezas do Estado. Por uma vez, gostaria de ver escrito coisas que não fossem sobre as cuecas dos ronaldos de pacotilha que elegemos, vamos eleger, ou odiamos porque têm um cabelinho à mete-nojo ou o olhar teimoso de um metalúrgico que não acredita na bondade dos outros.
Por uma vez, ficaria contente, de ver o país que se expressa a fazê-lo levemente acima do esforço de postar um gatinho a tocar piano.
Por uma vez, gostaria de sentir que pertenço a um país que pensa de vez em quando...»

Possidónio Cachapa (texto publicado hoje no Facebook)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Perguntar não ofende

Se, ou quando, José Penedos e Armando Vara, forem considerados inocentes no âmbito do processo "Face Oculta", deverão pedir indemnizações a quem?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Senhor Presidente, continuo à espera de ouvir o que tem para dizer

Não querendo ir pelo ditado simplista "diz-me com quem andas dir-te-ei quem és", convenhamos que Cavaco Silva é um fraco avaliador do caracter das pessoas, mesmo que com elas conviva dezenas de anos. E é também teimoso nas suas apreciações, prolongando no tempo situações insustentáveis, porque confia na palavra das pessoas que escolheu, mesmo quando a realidade dos factos lhe demonstra o contrário, porque as considera suas amigas e, num mundo ideal, um amigo não mente nem trai.
Mas não vivemos num mundo ideal e também não parece sensato confundir a amizade com a capacidade para desempenhar qualquer função. Aos amigos somos capazes de desculpar se nos decepcionam, e só nós somos atingidos. No caso de desempenharmos cargos públicos e políticos, os erros desses amigos que escolhemos não nos atingem apenas a nós mas a um país inteiro, aumentando o grau de desconfiança numa ou em várias classes profissionais.
Senhor Presidente da República estou à espera que diga de sua justiça, quer resigne ou não resigne. Pessoalmente, a primeira hipótese não me incomoda, mesmo com eleições no próximo Domingo, porque a Constituição prevê todas estas situações e "o poder não cairá na rua". Além disso, é ao governo que compete a gestão diária da res publica, não ao Presidente.
(na imagem: Cavaco Silva e Fernando Lima, assessor para a comunicação social demitido ontem)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Aqui d'El-Rei, a censura outra vez!


Li com estupefacção alguns blogues com textos indignadíssimos por o Jornal Nacional das sextas-feiras na TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes, ter acabado por decisão da PRISA, uma empresa privada. Os mesmos blogues que tinham feito de Manuela Moura Guedes o alvo de todas as críticas, algumas muito pessoais e de gosto duvidoso, durante meses, e os textos estão aí para o comprovar. Se estão apenas preocupados com o emprego dela, brevemente aparecerá noutro órgão de comunicação social, é só esperar mais um pouco.
Esta capacidade de argumentação para defender algo e o seu contrário existe desde que o ser humano existe, e há mais de cento e setenta anos que Arthur Schopenhauer, no livro Dialéctica Erística, da Editora Campo das Letras, desmontou esses estratagemas. E porque neste período pré-eleitoral normalmente agrava-se essa tendência, achei particularmente interessante o texto que está na capa do livro, que transcrevo: «Debates televisivos, talk shows de diversa índole, polémica política, oratória e retórica jurídicas, negociações económicas e laborais e até conversas entre amigos ou mesmo familiares são exemplos frequentes da manipulação argumentativa utilizada por um ou, por vezes, por todos os falantes. O tratado de Schopenhauer, escrito há mais de 170 anos, é, hoje em dia, particularmente actual, já que constitui um breve compêndio para desmascarar os "truques" ilícitos utilizados para provar qualquer tese.»
Quanto ao conteúdo do livro, não resisto a transcrever algumas observações de Schopenhauer ao estratagema 30:
«"Dizemos que é correcto o que parece ser para a maioria" (Aristóteles, Ética a Nicómaco, X, 2, 117 2b 36). Efectivamente não existe nenhuma opinião, por absurda que seja, de que os homens não aceitem como própria se, na hora de os convencer, se argumentar que ela é universalmente aceite. O exemplo é de igual modo eficaz nos seus pensamentos e nos seus actos. São como ovelhas que seguem o carneiro aonde quer que ele vá: é-lhes mais fácil morrer do que pensar.» (p. 75)
«Resumindo: muito poucos são capazes de pensar; no entanto, todos querem ter opiniões; e, assim sendo, não será mais fácil ficar com as dos outros do que criá-las eles próprios? Perante estes factos, que valor poderá ter agora a verdade de cem milhões de pessoas?» (p.76)
«Intellectus luminis sicci non est recipit infusionem a voluntate et affectibus (o intelecto não é uma luz que arda sem azeite, precisa de ser alimentado pela vontade e pelas paixões - Bacon, Novum Organon I, 49).» (p.82)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Detector de ódio" e "Odiómetro" - precisam-se

Se os investigadores da polícia devem seguir o rasto do dinheiro para chegarem a eventuais responsáveis por crimes que envolvam dinheiro, o que será necessário fazer para detectar o que despoletou o ódio ao Primeiro-Ministro de Portugal, derramado diariamente por alguns órgãos de comunicação social?
Sabemos que o ódio não é algo de tangível como o dinheiro, mas sente-se, tem intensidade, esmaga, corrói, provoca náusea, e quase se pode ver a sua cor, talvez parecida à da bílis; e tem um início, talvez uma palavra, uma atitude.
Sem "detectores de ódio" nem "odiómetros" qual a pista que devemos seguir para chegarmos a esse ponto x que originou este ódio? Ou será apenas irresponsabilidade e mau gosto?
Em Portugal, o conceito de "accountability" não se aplica aos jornalistas, porquê?
(Declaração de interesses: nunca votei nos partidos de poder porque me interessa mais votar no pluralismo de ideias, quer sejam de direita ou de esquerda, nunca me filiei em qualquer partido do mesmo modo que nunca me associei a um clube desportivo, para preservar tanto quanto possível a imparcialidade nos juízos que faço e cultivar o "não-ódio"; nunca faltei a um acto eleitoral ou referendário.)