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quinta-feira, 25 de julho de 2019

Boris Johnson, um clássico?

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Não sei se alguma vez aconteceu. Mas, hoje, talvez pela primeira vez na História recente, assistimos à nomeação para primeiro-ministro de um indivíduo cuja formação académica é uma licenciatura em Estudos Clássicos: portanto, Grego e Latim.
E não é uma licenciatura conferida por uma universidade qualquer. Boris Johnson é licenciado em Estudos Clássicos pela Universidade de Oxford.
E, dentro da Universidade de Oxford, ele não frequentou um colégio qualquer. É fruto de Balliol College - tradicionalmente o colégio dos inteligentes (tal como Christ Church era tradicionalmente o colégio dos aristocratas ricos). Balliol nunca foi um colégio de burros.
E, por isso, é preciso ter esta noção: por muito que Johnson pareça à opinião pública como uma espécie de palhaço, «he's anything but». Isto é: ele parece-nos um palhaço, porque foi essa a personagem que ele escolheu como via rápida para aquilo que sempre foi a sua ambição. Ser inquilino do n.º 10 de Downing Street. Mas há um calculismo enorme - parece-me a mim - em tudo o que ele faz.
Acaba por fazer algum sentido que o helenista e latinista Johnson seja a partir de hoje um actor de primeira importância no palco internacional: porque os tempos que vivemos já foram antevistos por gregos e romanos. Aquilo que é hoje um político de sucesso é um modelo que Platão já descreveu no seu arrepiante diálogo «Górgias». Trata-se de alguém que é capaz de dizer tudo e o seu contrário. Trata-se de alguém que aposta sempre naquilo que já as Musas tinham dito a Hesíodo: «sabemos dizer muitas mentiras semelhantes a verdades».
Johnson, na sua carreira de político e de jornalista, já disse tudo e o seu contrário. Já foi pro-europeu - e agora é anti-europeu. Já foi anti-gay - e agora é pro-gay. Num famoso debate com Mary Beard, defendeu o ponto de vista de que a literatura grega era muito melhor do que a romana. Beard, bem munida para o debate, leu em voz alta um elogio rasgado da literatura latina onde se afirmava que o melhor livro alguma vez escrito em toda a história da humanidade é a Eneida de Vergílio. Palavras (sublinhou ela) de um texto escrito por... Boris Johnson.
É difícil sentir alguma coisa por Johnson que não seja a maior desconfiança. Mas, ao menos, o dia de hoje deixou uma pequena jóia para ser dita no futuro por defensores dos Estudos Clássicos. À pergunta que estamos sempre a ouvir - «mas isso de uma licenciatura em Grego e Latim serve para quê?» - já podemos dar esta resposta: «serve para ser primeiro-ministro».
A partir de hoje, é uma saída profissional comprovada para licenciados em Estudos Clássicos.
(Texto de Frederico Lourenço, publicado no FB)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os trabalhadores sazonais e a União Europeia

Para os cerca de cem mil trabalhadores sazonais oriundos de países fora da União Europeia (UE), que anualmente vêm trabalhar principalmente na agricultura e no turismo, a UE está a elaborar um cartão único de permanência e de trabalho, dispositivo que tem como finalidade fixar direitos básicos a esses trabalhadores, o acesso à segurança social e aos regimes de reforma, mas também para os impedir de permanecer na Europa e ocuparem postos de trabalho permanentes.
Para obter uma autorização de trabalho sazonal, o requerente deverá apresentar um contrato ou contrato-promessa de trabalho, que terá a duração máxima de seis meses por ano civil, bem como documentos que deverão explicitar as condições de trabalho, o nível de remuneração e a duração da actividade, no respeito pelas leis do país de acolhimento.
A proposta da UE recomenda aos Estados membros a elaboração de autorizações de permanência de três anos com entradas múltiplas (seis meses por cada ano civil), não se tratando, portanto, de conceder o direito de permanência aos trabalhadores sazonais, e cada país fixará o número de sazonais a acolher e os sectores de actividade respectivos.
Alguns países, como a Alemanha, mostram-se reticentes sobre a adopção de uma tal  directiva que, contudo, terá ainda de ser debatida no Parlamento Europeu e no Conselho dos 27 países da União, antes de entrar em vigor.
Será impressão minha, mas a quantidade de burocracia e de fiscalização que estas medidas bem intencionadas requerem, irão tornar esta directiva, se aprovada, inexequível.

Imagem por: Getty Images/ John Slater
Fonte: RFI

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

União Europeia vs Microsoft

Depois de uma década de luta com a Comissão Europeia e muitos milhões pagos em penalizações, os reguladores da União Europeia aceitaram ontem a oferta da Microsoft no sentido de permitir que os utilizadores de Internet, europeus, possam escolher browsers de uma dúzia de empresas rivais da Microsoft, escapando esta, assim, a outras penalizações financeiras.
Essa possibilidade verificar-se-à a partir de Março do próximo ano, tanto para novos utilizadores como para os utilizadores existentes através de actualizações electrónicas.
Havendo um histórico de incumprimentos nesta matéria, tanto por parte da Microsoft como dos EUA, temos que esperar para ver.

Fonte: FT

domingo, 4 de outubro de 2009

"TÁ" Irlanda!

Porque é que a maioria dos irlandeses disse sim ao Tratado de Lisboa, um ano depois de dizer não? Os próprios irlandeses o justificam quando isso lhes foi perguntado.
Resposta de um irlandês: As pessoas que defendem o não, dizem não a tudo sem mostrar ou apontar alternativas. Durante este ano tivemos tempo para nos apercebermos disso e não confundir agora descontentamentos internos com o governo e assuntos da União Europeia.
Resposta de uma irlandesa: Quem vota não, que mensagem dá a outros países que queiram aderir à União Europeia? Que não o podem fazer porque são inferiores a nós, que não somos todos iguais?