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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os mercados zombeteiros - Crónica de José Luís Pio de Abreu


«Parece que os mercados andaram a gozar com o nosso Ministro das Finanças. Ele disse que o limite eram os 7% de juros e logo os mercados esticaram a corda até esse limite. E andou o ministro a cortar salários, a reduzir pensões, a retirar abonos, a limpar subsídios e a aumentar impostos para compadecer os mercados, e os mercados, nada. Puseram-se no gozo.

E veio o nosso Presidente pedir para não afrontar os mercados, e vieram os nossos milhentos “Nóbeis” em economia explicar o comportamento dos mercados, vieram os jornalistas perdoar-lhes as diatribes, vieram os políticos prescrever receitas para os acalmar, até os nossos juízes abriram os olhos para ver os mercados, e nem sequer o Ministério Público os acusou. E os mercados, nada. Gozaram com todos.

A divindade anda desenfreada porque tem amigalhaços poderosos. As bocas da senhora Merkel ajudam imenso e o senhor Sarkozy diz que sim. Ninguém tem culpa dos traumas de infância da senhora Merkel e dos amores do senhor Sarkozy, ambos nas tintas para o poder dos Estados e cada vez mais rendidos à volúpia do Mercado. E o Deus Mercado impera.

O problema é que essa divindade perante a qual ajoelhamos deu agora em gozar connosco. Com isso, desceu do altar e mostrou que é tão humana como a senhora Merkel, o senhor Sarkozy ou o nosso Ministro das Finanças. Mas quando é essa divindade desenfreada, improdutiva e zombeteira que nos governa, é porque algo está podre no Reino da Dinamarca.»

J. L. Pio Abreu

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Juros e juros

O que sentirão as pessoas que não devem um cêntimo a quem quer que seja e que têm as suas poupanças, ao ouvir este matraquear diário àcerca das pessoas endividadas, sobre-endividadas, a quem toda a gente quer ajudar e ensinar a gerir o seu dinheiro, desde a DECO até à Câmara de Lisboa (no caso desta parece anedota), porque a taxa de juro de referência do BCE de vez em quando sobe e as taxas aplicadas pelos Bancos comerciais não param de subir, enfim, a ladainha sempre igual, todos os dias, de há um ano a esta parte? Ora, essas pessoas, as tais que não devem um cêntimo, gostariam de gritar bem alto que acham as taxas de juro muito baixas, que gostariam de ver as suas poupanças remuneradas de outro modo, quem sabe às taxas de 20% e 30% de que tantos ainda se lembram, mas não podem manifestar esse desejo porque os outros, os endividados, que não são mais do que pessoas irresponsáveis e/ou ignorantes, linchá-las-iam, pensando, talvez, tratar-se de seres malignos. Se ser-se honesto, responsável, culto, sensato é visto, actualmente, como uma anomalia, o que é que esperávamos?