porque ele tem a sua morte
anunciada,
porque de pentesileia o trespassou
o olhar agonizante e eu o canto
fugaz e reiterado como um brilho no bronze,
porque este é um dos meus versos mais amados
da ilíada quando, no canto sexto, helena
de tróia exclama a lamentar-se "zeus
deu-nos um destino infeliz para que, mais tarde,
os homens nos cantassem", a desoras
não sei se estas certezas nos trarão
como as marés acasos hesitantes,
nocturnos objectos de desejo,
coisas nenhumas e pequenos nadas,
mas sei de captações contraditórias,
harpas de sombras íntimas tocando
o mais verbal da vida, o nervo dela.
é quando se transforma, quente e denso,
o coração num desafio ao mundo
e tudo leva a tudo e transfiguram-se
a memória, as imagens, o real inesperado.
1. Zeus e o destino, in Sombras
com Aquiles e Pentesileia, Quetzal, 1999
Ainda não tinha prestado homenagem, neste espaço, a Kierkegaard que, em conjunto com Schopenhauer e Nietzsche, costumo designar como o meu trio de desassossegadores, porque, com argumentos diferentes, nos deixam sempre sozinhos perante nós mesmos e perante o mundo e a vida, num processo de auto-análise quase ininterrupto, em busca de respostas dentro de nós mesmos, numa observação microscópica e contínua do nosso “eu”, tarefa muito exigente, solitária e desgastante, ou, para utilizar os conceitos de Kierkegaard, de angústia e desespero.
Ao contrário do que fiz com Schopenhauer e Nietzsche, de que já deixei vários excertos de obras e máximas em ambos os blogues, não o faço com Kierkegaard, cujas obras principais, como O Conceito de Angústia, Temor e Tremor, “Either-Or”, etc., necessitam de uma leitura e de uma abordagem muito atenta para a sua total compreensão, e não são propiciadoras a que se recortem parágrafos ou frases sem se correr o risco da descontextualização. Deixo, no entanto, a 2.ª parte de um documentário sobre ele, realizado pela BBC, que intitularam de “Sea of Faith” (com este mesmo título também fizeram 2 sobre Schopenhauer).
Na próxima segunda-feira, 2 de Abril, tem início às 10:30h, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, a leitura integral do livro de António Tabucchi “Requiem: uma alucinação”. Para os menos familiarizados com esta obra, deixo um texto que Carlos Vaz Marques escreveu em 2009 e que dá boas pistas sobre a mesma.
«O REQUIEM QUE RI
[texto para a revista Time Out, em Abril de 2009]
Mesmo os leitores mais distraídos saberão sem dificuldade, logo nas primeiras páginas do “Requiem”, de Antonio Tabucchi, que estão perante uma obra de ficção. O narrador senta-se no jardim de Santos a ler, no jornal A Bola, o relato de uma vitória do Benfica sobre o Real Madrid, na noite anterior. Ainda para mais uma vitória fora. Num romance em que Lisboa é protagonista e em que vivos e mortos, sonho e realidade, fantasmas e gente convivem alegremente (sim, há no “Requiem” grandes momentos de comédia), está dado o tom. O subtítulo do romance é, muito apropriadamente, “uma alucinação”. O estrangeiro, de quem nunca saberemos o nome ao longo do livro, alter-ego evidente do próprio autor, lê A Bola enquanto faz tempo à espera que chegue “o maior poeta do século vinte”. O nome de Fernando Pessoa também nunca será referido. Marcaram encontro às doze no Cais de Alcântara, “mas talvez (ele) quisesse dizer doze da noite, porque os fantasmas aparecem à meia-noite.” “O meu Convidado” há-de aparecer, de facto, doze horas depois, para uma ceia hilariante, com um menu de que constam pratos como “cherne trágico-marítimo, linguado interseccionista, enguias da Gafeira à moda do Delfim e bacalhau escárnio e maldizer.” Entretanto, nas doze horas de espera, percorremos alguns dos locais emblemáticos da cidade. É um domingo de Julho, de um calor sufocante. Encharcado em suor, o narrador precisa de comprar uma camisa. Mete-se num táxi mas terá de ser ele a indicar o caminho, rua por rua, ao “Chauffeur de Táxi”, um imigrante são-tomense que está cá há pouco tempo. Isto é Lisboa. Passamos pelo Chiado, inevitavelmente, e dirigimo-nos ao cemitério dos Prazeres, ponto de paragem obrigatória. Estamos num requiem, é bom não esquecer. Um requiem, explica Tabucchi na nota introdutória, executado “numa gaita de beiços, que se pode levar no bolso, ou num realejo, que se pode levar pelas ruas.” Havemos de passar, sucessivamente, pelo Museu de Arte Antiga, pela Casa do Alentejo, às Portas de Santo Antão, ou pelo Terreiro do Paço, sem tapumes, onde voltamos a ter consciência de que a literatura nos proporciona experiências que – pelo menos por enquanto – nós, os lisboetas de 2009, não podemos obter de outro modo: “o Terreiro do Paço estava solitário, um cacilheiro apitou antes de partir, as únicas luzes que se viam no Tejo eram as suas, tudo estava imóvel como num encantamento.” “Requiem”, de António Tabucchi, é uma das mais belas cartas de amor a Lisboa das últimas décadas. Um romance que o escritor italiano compôs directamente em português. O que também, só por si, é já uma extraordinária declaração de amor.» Carlos Vaz Marques
No dia 30 de Novembro inicia-se às 10:00h a leitura, em voz alta, do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa/ Bernardo Soares, assinalando-se assim o 18.º aniversário da Casa Fernando Pessoa e o 76.º aniversário da morte do Escritor. Apareçam!
Este ano escolhi, para homenagear Agustina Bessa-Luís pelos seus 89 anos de vida, dois excertos de um livro de que não tinha publicado nada nos blogues: Contemplação Carinhosa da Angústia. Um, porque se refere a A Sibila, que foi o meu primeiro contacto com a sua escrita, e que aqui aborda na sua maneira muito particular e desarmante. Outro, e na mesma linha, explica-nos por que é que escreve.
1.º excerto:
«Agora, o que se diz da Sibila surpreende-me bastante. Dividem-na em porções, como os mapas de campanha, e descobrem nela teoremas de Lacan e de Freud. Eu sempre pensei que A Sibila era a minha tia Amélia, vaidosa e com jeito para coisas de tribunais, e que sabia como ninguém estufar um pato com pimenta, num lume de rama de pinheiro. A resina, ao arder, dava ao pato um sabor especial. Entre isso e Lacan não sei que relação haverá.»
2.º excerto:
«Francamente – porque pensam que eu escrevo? Para incomodar o maior número de pessoas com o máximo de inteligência. Por narcisismo, que é um facto civilizador. Para ganhar a vida e figurar no Larousse com o mesmo realismo utópico aplicado a Madame de Pompadour, que, sendo pequenina e abonecada, ali se apresenta como “grande, bien-faite”. A fama de uma pessoa confunde o juízo, como o amor fabuloso e o erotismo pedante. Escrevo para desiludir com mérito, que é a maneira de se fazer lembrar com virtude.»
Agustina Bessa-Luís,Contemplação Carinhosa da Angústia, Guimarães Editores; Lisboa, 2000
De Steve Jobs, como em relação a muitas outras pessoas que deixaram a sua marca impressiva no nosso mundo e nas nossas vidas, interessa-me particularmente a pessoa que foi, o seu exemplo, os obstáculos que encontrou, alguns ainda antes de nascer, e o modo como os enfrentou e ultrapassou, mais do que o legado que nos deixa, fruto da sua inteligência e do seu trabalho, embora esteja ciente de que sem o resultado do seu trabalho ninguém conheceria Steve Jobs, nem a história da sua vida, e muito menos lhe daria importância. E é precisamente porque, muitas vezes, histórias de vida semelhantes às dele, nos mostram pessoas sem presente nem futuro, sem qualquer interesse ou vontade de lutar seja pelo que for, porque completamente esmagadas e traumatizadas pelo seu passado, que a sua história, o seu percurso, podem ser considerados exemplares.
Para quem puder dispor de 14 minutos, deixo um vídeo em que Steve Jobs conta três histórias da sua vida a estudantes da Universidade de Stanford, EUA, em 2005.
No próximo dia 18 de Junho completa-se um ano em que fiquei sem palavras, pela emoção e choque, ao saber da notícia da morte de José Saramago, embora ela fosse esperada, dado o seu estado de saúde.
Agora, com a serenidade que o passar do tempo ajuda a reencontrar, partilho convosco os convites que recebi da Fundação José Saramago, para os eventos que decorrerão nos dias 18 e 19 de Junho (Sábado e Domingo), em Lisboa.
A 18 de Junho, pelas 11:00 horas, no Campo das Cebolas, junto à Casa dos Bicos:
«A 18 de Junho, um ano depois da sua morte, as cinzas de José Saramago serão depositadas diante da Casa dos Bicos, frente ao rio Tejo, em Lisboa. O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Azinhaga e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para um acto que não será de despedida, porque há pessoas a quem não se pode dizer adeus. No acto intervirão o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho, que lerá "Palavras para uma Cidade", de José Saramago, e a escritora Lídia Jorge. Actuará a Orquestra de Percussão Tocá Rufar. O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa António Costa encerrará a cerimónia.»
A 19 de Junho, pelas 18:30 horas, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém:
«A Ministra da Cultura e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para o espectáculo "As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz", com música de Joseph Haydn e textos de José Saramago. Concepção de cena: Teresa Villaverde Interpretação: Orquestra Sinfónica Portuguesa Entrada livre sujeita à lotação da sala. Os bilhetes podem ser levantados nos seguintes locais: - Centro Cultural de Belém, diariamente, das 11 às 20 Horas; - Cinema São Jorge, de Segunda a Sábado, das 13 às 19 Horas, até ao dia 18 de Junho. PARA LEVANTAR BILHETES NÃO É NECESSÁRIO TER CONVITE.»
«Mas não subiu para as estrelas se à terra pertencia.»
José Saramago
1922-2010
«Quem só é homem de bem porque os outros o ficarão a saber e porque o estimarão mais depois de o ficarem a saber, quem só quer agir bem, na condição da sua virtude chegar ao conhecimento dos homens, não é homem de quem possamos obter grandes serviços. [...] Não é para alarde que a nossa alma deve desempenhar o seu papel; é dentro de nós, no íntimo, aonde outros olhos não chegam excepto os nossos: ali ela nos protege do temor da morte, das dores e mesmo da desonra; tranquiliza-nos contra a perda dos nossos filhos, dos nossos amigos e das nossas fortunas, e, quando a ocasião se apresenta, também nos conduz para os acasos da guerra. Não por algum proveito, mas pela honra da própria virtude (Cícero). Esse proveito é muito maior e muito mais digno de ser desejado e esperado do que as honras e a glória, que são apenas um julgamento favorável que fazem de nós.
É preciso seleccionar de uma nação inteira uma dúzia de homens para julgar sobre uma jeira de terra; e entregamos o julgamento das nossas inclinações e das nossas acções – a matéria mais difícil e mais importante que existe – à voz do povo e da turba, mãe da ignorância, da injustiça e da inconstância. Será razoável fazer a vida de um sábio depender do julgamento dos insensatos? O que é mais insensato, quando não te importas com os homens tomados individualmente, do que lhes dares importância quando estão juntos? (Cícero). Quem visa a agradar-lhes nunca o consegue; esse é um alvo que não tem forma nem solidez. Nada mais sem valor que as opiniões da multidão (Tito Lívio). Demétrio dizia zombeteiramente, sobre a voz do povo, que não levava mais em consideração a que lhe saía por cima do que a que lhe saía por baixo. Aquele outro diz ainda mais: Quanto a mim, considero que uma coisa, mesmo quando não é torpe, passa a sê-lo quando é louvada pela multidão. (Cícero).»
Sinto uma emoção muito particular quando posso homenagear alguém que muito admiro, em vida, como é o caso de Nadir Afonso que completa hoje 90 anos de idade.
E porque não vejo qualquer sentido para apresentar biografias nestes espaços, uma vez que estão disponíveis em vários sítios na Internet, incluindo as informações sobre as exposições temporárias e permanentes da sua obra, em curso, remeto os leitores para o seu próprio blogue Espacillimité, onde também se encontram muitos dos seus quadros. Por outro lado, podem ler no DN de hoje um texto de Marina Marques, resultado de uma entrevista a Nadir Afonso, com muito interesse para a Teoria da Arte/ Teoria da Pintura, além de dar conta das homenagens que lhe são feitas neste dia.
E como Nadir Afonso está a recuperar de uma intervenção cirúrgica à coluna, além de um beijinho de parabéns, desejo-lhe uma rápida e boa recuperação.
Com música de George Shearing, um vídeo com alguns quadros de Nadir:
Não encontrei melhor maneira de assinalar o 62.º aniversário de nascimento de Mário Viegas do que através deste vídeo, onde declama poemas de Alberto Caeiro / Fernando Pessoa e do seu "Guardador de Rebanhos". E, como ambos me são tão preciosos, fico a ganhar duplamente nesta homenagem.
A 15 de Outubro, sexta-feira, dia em que Agustina Bessa-Luís completará 88 anos, terá início uma maratona para a leitura integral do livro "Fanny Owen", com início às 11:00 h, na Biblioteca da casa Fernando Pessoa, em Lisboa, aberta a todos os que desejarem participar.
No ano passado, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), proclamou o dia 19 de Agosto como Dia Mundial da Ajuda Humanitária para assinalar o ataque de 19 de Agosto de 2003 contra o Hotel Canal em Bagdade, o qual causou a morte a 22 membros do pessoal das Nações Unidas, incluindo o então chefe da sua missão no Iraque, Sérgio Vieira de Mello, e fez mais de 150 feridos.
Em 2009 foram mortos, sequestrados ou gravemente feridos, em consequência de ataques, 260 trabalhadores humanitários, o número mais elevado de sempre e, quando se fizerem as contas no final deste ano, certamente que o número continuará a ser inaceitável tanto para quem ajuda como para quem é ajudado, já que os ataques, suicidas ou não, continuam a verificar-se quase todos os dias, quer no Iraque, quer no Afeganistão onde ontem, num ataque suicida em Cabul, foram mortos dois funcionários afegãos da ONU juntamente com outras sete pessoas.
Sendo os trabalhadores humanitários também veículos de conhecimento, designadamente sobre os direitos humanos fundamentais, têm vindo a tornar-se, também por isso, em alvos a abater quando tentam ajudar em sociedades em que os cidadãos não têm quaisquer direitos.
Homenageio assim todos os trabalhadores humanitários, os que continuam no terreno e os que deram a vida tentando melhorar a vida dos outros.
Cansada de ouvir frases-feitas, de circunstância, de muitos que, muito possivelmente, não leram um único livro de José Saramago, e de ler um ou outro texto de pseudo-intelectuais que nada acrescentam que, a meu ver, tenha interesse, foi com verdadeiro deleite que li o que escreveram José Luis Rodríguez Zapatero, Primeiro Ministro espanhol, do PSOE (Partido Socialista Obrero Español) e Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP) espanhol, de momento na oposição, textos publicados hoje na secção de Cultura do jornal El País e que se podem ler aqui no original:
JOSÉ LUIS RODRÍGUEZ ZAPATERO
EL PAÍS - Cultura - 19-06-2010
Tu abuelo, nos contaste, intuyendo el final de su existencia en la Tierra, fue diciendo adiós a los amigos, a su familia, a la naturaleza, porque quería estar lúcido y presente cuando la muerte llegara. Por eso, se abrazaba a los árboles que guardaban las páginas escritas de su vida.
Me llega la triste noticia de tu muerte y te evoco, el verano pasado, en la biblioteca de tu casa de Lanzarote. Vuelves a ser el perfecto anfitrión, el hombre cortés, inteligente, generoso, al que le gusta compartir la amistad. Me honra ser tu invitado. Pilar, tu compañera, tu cómplice, parece señalar en silencio a todos y cada uno de tus personajes en ti: al Ricardo Reis que se compadece de la soledad de los poetas y ayuda a no temer la memoria, a los inventores de artefactos angélicos que quieren enseñar a los seres humanos a volar "aunque les cueste la vida", a aquel alfarero que libra a los esclavos de una nueva caverna porque se niega a aceptar ciertas cegueras que imponen desigualdad y dolor.
Tú, que has sido también todos los nombres, no terminas aquí. 2010 es ya, para siempre, el año de la muerte de José Saramago, pero tus libros forman un maravilloso bosque de dignidad. Y yo me abrazo al árbol para mantener tu memoria.
MARIANO RAJOY
EL PAÍS - Cultura - 19-06-2010
Con José Saramago desaparece un novelista enérgico, comprometido con la fuerza de la palabra. Sus libros son testimonio de ello. Intensos, arrebatados, desvelan la precisión visionaria de quien escribía desde dentro, invocando una pasión íntima que surgía de la imaginación, pero que no renunciaba a tener los pies en la tierra, palpando sus contradicciones y sus injusticias. Sé que no compartíamos el mismo horizonte político. Él creía en unos ideales que no son los míos, pero eso no impide que aprecie en su obra la convicción compartida de que la dignidad del hombre, más allá de las diferencias, siempre cuenta. Sus personajes mostraban esta forma de pensar. En ellos latía un aliento pesimista que dejaba abierta una puerta a la esperanza, a la espera de que el lector sacara sus propias conclusiones acerca de su conducta: de lo que hacía con su vida y de cómo lo hacía. El año de la muerte de Ricardo Reis, Memorial del convento o Ensayo sobre la ceguera son ejemplos de este proceder literario. Saramago fue uno de los grandes escritores del siglo XX y un gran amigo de España. El reconocimiento internacional que mereció su obra fue, también, un homenaje esperado al portugués: una lengua portentosa, bella y fértil desde sus orígenes; una lengua próxima, íntima, hermana, como el pueblo que la habla y que siente a través de ella.
A notícia da morte de José Saramago é daquelas que, desde há um ano, quando se agravou o seu estado de saúde, me pareceu não iria apanhar-me desprevenida. Mas não aconteceu assim, e estou desolada e incapaz de explicitar um mínimo de pensamento articulado e coerente. Também não vou escolher qualquer passagem de um dos seus livros para transcrever aqui, vou apenas recolher-me.
À família, amigos e leitores expresso o meu profundo pesar.
Particularmente hoje necessitava de ouvir o Professor Saldanha Sanches e a sua análise sobre o plano de austeridade que José Sócrates apresentou ontem, mas a doença venceu e levou-nos um dos melhores fiscalistas do País aos 66 anos de idade.
Para a família e amigos aqui deixo os meus sentidos pêsames.
Neste dia trágico, não só para o Presidente da Polónia, Lech Kaczynski, e a sua esposa, mas também para vários elementos do Governo e chefes militares, Governo de que o seu irmão gémeo, Jaroslaw Kaczynski, foi Primeiro-Ministro até há algum tempo atrás, estando agora na oposição, bem como para o Governador do Banco Central da Polónia, que pereceram num acidente de aviação já bem perto da localidade russa onde iriam prestar homenagem aos milhares de polacos mortos pelos soviéticos na segunda guerra mundial, o que só agora lhes tinha sido facultado pelo Presidente da Rússia, e a que corresponderia um desanuviar das relações entre os dois países, eu quero prestar-lhe homenagem através de uma situação completamente distinta.
É mais fácil recordarmo-nos das questões caricatas entre os dois irmãos gémeos, Lech e Jaroslaw, principalmente se tinham implicações na política externa, designadamente na União Europeia, e quem não se lembrará do desacordo entre ambos quanto à assinatura do Tratado de Lisboa. De facto, essa atitude de bater o pé, de protelar a assinatura enquanto não fossem esclarecidos alguns pormenores do tratado, por mais enervante que nos tenham parecido na altura, levaram a que, também em Portugal, o debate sobre o conteúdo do Tratado de Lisboa tivesse prosseguido durante mais tempo e com mais detalhe, com benefício para o esclarecimento público. Por isso aqui fica, sem ressentimentos, a minha homenagem, e a demonstração do meu pesar aos familiares, amigos e a todo o povo polaco.