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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dimítris Dimitriádis "Vivemos à luz de uma estrela morta"


Para “iluminar” o meu texto de ontem sobre a Grécia, não podia ter encontrado melhor do que esta entrevista feita a Dimítris Dimitriádis e que podem encontrar também aqui.

«A crise multifacetada que atinge os gregos é o resultado de séculos de decadência, marcados pela falência do Estado e perda do sentido moral, diz o dramaturgo Dimítris Dimitriádis. Para ele, o seu país está morto e deve aceitar-se isso para se poder dar o salto. Excertos.

Fabienne Darge: Em 1978, escreveu o texto "Morro como país". Fala-se nele no desaparecimento de uma nação que acaba sem nome nem história. O que sente que está a acontecer na Grécia?

Dimítris Dimitriádis: É obviamente uma sensação muito estranha. Escrevi o “Morro...” há trinta e cinco anos: o país acabava de sair da ditadura dos coronéis, era um período cheio de esperança, de promessas e de prosperidade. Foi uma situação pessoal de absoluta solidão que me levou a escrever esse texto, que assumiu a forma de uma parábola: falo de um país que morre porque não aceita o seu próprio fim, nem consegue aceitar o outro. Um país que se sente sitiado durante 1000 anos, que não aceita aquilo a que chama o inimigo, que não vê que o "inimigo" é a sua perspectiva de futuro. O que caracteriza a Grécia é uma espécie de estagnação, de imobilismo mental: fica-se agarrado aos hábitos, tanto psicológicos como sociais; vive-se com base numa tradição morta, que ninguém sonha em renovar.
É um problema gravíssimo: este país que é a Grécia, histórico por excelência, está preso no mecanismo da história. E assim chegámos a um beco sem saída: tudo de que se fala, essa grande herança grega de que nos valemos, petrificou-se sob a forma de ideias feitas, estereótipos. Isto não é novo: há muito tempo que, na Grécia, vivemos à luz de uma estrela morta. O que senti há 35 anos tornou-se hoje mais agudo: a "crise" não será resolvida sem uma verdadeira tomada de consciência histórica, que passa pelo reconhecimento de que algo morreu, para que possa ter lugar um novo nascimento. Como no verso de T. S. Eliot: "No meu fim está o meu começo." Falta-nos ainda aceitar o fim.

A crise é, então, principalmente histórica, não política nem económica?

Sim, embora eu não negue as dimensões económica e política. Deve ser repetido incessantemente que o sistema político em que vivemos, na Grécia, que data da ocupação otomana (e tem, portanto, vários séculos), é totalmente clientelista. Os grandes terratenentes do passado foram substituídos por partidos políticos, mas têm a mesma relação com as pessoas. O Estado pertence ao partido, que o utiliza e explora os recursos públicos para manter o seu sistema de clientela.

domingo, 17 de junho de 2012

"Desgrécia"


Só quem não conhece a actual sociedade grega não sorrirá ao ouvir alguns opinadores defenderem que, o melhor para a Grécia, depois das eleições parlamentares em curso, seria a constituição de um governo de coligação, de preferência de vários partidos políticos. Ora, sendo a sociedade grega assente, predominantemente, nas ligações familiares, ligações essas alargadas aos que estão mais próximos, como vizinhos, compadres, etc., privilegiando o compadrio, o favor, a cunha dentro destes seus pequenos círculos, e por uma desconfiança por tudo o que tenha a ver com o Estado, daí a fuga massiva ao pagamento de impostos, por um lado, e, por outro, o tentar extorquir do mesmo Estado todas as benesses a que se julgam ter direito mesmo que não tenham contribuído para tal (em abono da verdade, neste último aspecto nem são muito diferentes dos portugueses). Daqui só pode resultar que encaram o Estado como qualquer coisa que lhes é estranha, quase como um abcesso, e não como uma estrutura da qual todos fazem parte e em que cada um tem o seu papel a desempenhar, quer no campo político e social, quer no político-partidário. E é por essa maneira de ser, dessa desconfiança permanente que grassa também dentro e entre os partidos políticos, já que são formados por pessoas educadas da mesma maneira que os demais cidadãos, ou seja, dentro dos tais círculos restritos familiares e afins, que não há possibilidade de um compromisso sério e duradouro para uma governação em que se coloquem os interesses do país acima de todos os outros.

Poderia pensar-se que a entrada da Grécia para a União Europeia (UE) contribuísse para uma alteração desses hábitos ao verem, na prática, como muitos países governados por coligações são democracias estáveis e prósperas. Mas não. Entraram, até, com o pé esquerdo, ao forjarem os orçamentos e os défices. E é nesse pé que continuam e que continuarão. E se é certo que, numa fase inicial, a CEE, agora UE, teve um papel importantíssimo ao permitir a entrada a Estados mais débeis economicamente para que as suas democracias recentes se pudessem aprofundar, também é certo que a UE passaria muito bem sem estes casos patológicos que, neste momento difícil, só atrapalham o próprio aprofundamento da União, uma vez que não será feito em virtude de um pensamento devidamente estruturado, mas à medida que vão aparecendo “focos de incêndio”, quais bombeiros desprevenidos.

Aos que dizem que nem lhes passa pela cabeça a existência de uma UE sem a Grécia, o berço da democracia, da Filosofia, de parte da nossa preciosa cultura greco-latina, poderei contrapor que, a Grécia moderna, pelo que afirmei acima, nada tem a ver com esse período, nem ao nível de pensamento nem da prática. Do tempo dos Sábios e dos Filósofos, temos o mais importante, que são os livros que estão aí para todos, em muitas línguas. Só para citar um, leia-se a “Ética a Nicómaco”, a “Ética a Eudemo” ou “A Grande Moral”, de Aristóteles, e depois poderão tirar as vossas próprias conclusões sobre o que Aristóteles pensaria do comportamento dos gregos de hoje.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Grécia falou

Só a hipótese de um referendo na Grécia, para saber se os gregos concordam com um segundo pacote de resgate financeiro e as novas medidas de austeridade que o mesmo implica, para nos trazer hoje alguma emoção à política europeia. E já que os países mal comportados, leia-se, sobreendividados da União Europeia, mais concretamente os da zona euro, são, por vezes, criticados por não se unirem e baterem o pé ao directório franco-alemão, poderemos ver nesta hipótese grega, pois que ainda não está decidido se avançam com o referendo e, muito antes disso, o governo grego está a pensar em apresentar uma moção de confiança no parlamento, o que quer dizer que, entretanto, ainda pode cair e irem para eleições antecipadas, dizia eu que, poderemos ver aqui uma modalidade do tal bater de pé, mas a solo.

Assim, ou encaramos isto como "bluff" para ver se  se concretizam com rapidez as decisões que foram tomadas nas últimas cimeiras da União Europeia (23 e 26 de Outubro), ou o governo grego está a falar a sério e quer dizer-nos que vão suicidar-se e que falta apenas escolher o modo: se por afogamento (nas dívidas), se por asfixia, o que vai dar ao mesmo. Ah, e que iremos todos por arrastamento, os bem e os mal comportados. É quase sempre assim a vingança dos pequeninos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A Grécia seduz investidores chineses

Apesar da crise que atravessa, a Grécia continua a ser um país atractivo para a China, que acaba de assinar treze contratos com empresas gregas, principalmente no sector marítimo.
O Vice-Primeiro Ministro chinês Zhang Dejiang chegou a Atenas a 15 de Junho para uma visita oficial de dois dias, acompanhado por uma delegação de empresários, no decorrer da qual foram assinados treze contratos no valor de várias centenas de milhões de euros, nos sectores aeroportuários, da construção naval e da logística.
Os dois países são complementares no sector marítimo. Enquanto a Grécia possui cerca de 3.000 navios mercantes, a China tem uma grande necessidade de fazer transportar os seus produtos para os países ocidentais. E dos treze contratos assinados, sete respeitam ao sector marítimo. A empresa Cosco, o gigante chinês especialista em transporte marítimo e na construção de barcos, aprovou os acordos com o armadores gregos para o comando de vários barcos de mercadorias, o fretamento de barcos e a criação de uma empresa comum.
O porto do Pireu, perto de Atenas, interessa muito aos chineses e o grupo de construção BCEGI vai construir nas imediações desse porto um centro hoteleiro em associação com a sociedade grega Helios Plaza.
O interesse dos chineses pelo porto do Pireu, um dos portos mais importantes do Mediterrâneo, já data de 2008, quando o grupo chinês de transportes Cosco desembolsou 3,4 mil milhões de dólares para obter uma concessão para a gestão dos contentores no porto, e com o objectivo de aumentar e de modernizar o Pireu. A capacidade de acolhimento actual, que se situa nos 1,6 milhões, deverá duplicar com as alterações previstas.
Por outro lado, a empresa chinesa Huawei Technologies assinou um acordo de cooperação com o grupo de Telecom grego OTE. Estes acordos poderão trazer um balão de oxigénio a um país em grave crise financeira e, embora constrangido a aplicar um plano drástico de austeridade, Atenas decidiu relançar a sua economia.
Aliás, outros países estão interessados em investir na Grécia. O Qatar já investiu numa fábrica de gás natural na zona oeste do país, e anunciou a intenção de prosseguir com os seus investimentos. E a Turquia, o inimigo jurado, pode vir a ser também um parceiro económico da Grécia, tendo o Primeiro Ministro turco assinado já uma vintena de acordos nos sectores do turismo, da energia e do ambiente.
Tudo isto fez-me lembrar o texto que publiquei há dias sobre a apreensão dos EUA com a desvalorização da moeda chinesa e do euro e que agora, com todos estes investimentos que os chineses estão a fazer na Grécia, imagino que estejam já a roer as unhas. E para nós, europeus, a China acaba por ser incontornável.
O que tudo isto também me mostra é que não há quem queira investir em Portugal, com a consequente criação de postos de trabalho, e embora a agência Moody tenha baixado ontem ainda mais a notação da Grécia e nos tenha deixado em paz.

Fonte: RFI 
Foto de George Papandreou e Zhang Dejiang por Reuters.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Acordo sobre a ajuda à Grécia está iminente

Um acordo sobre a ajuda internacional à Grécia, e na sequência de reuniões entre o Governo grego, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia, está iminente, e deverá estar concluído no próximo Domingo, dia 2 de Maio, aquando da reunião dos Ministros das Finanças da zona euro.
Entretanto, chegou-se a um acordo prévio entre o Governo grego, o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) sobre mais medidas de austeridade exigidas por estas três instituições, de modo a poder ser desbloqueado o mecanismo de ajuda financeira, num total de cerca de 145 mil milhões de euros para quatro anos.
Os sinais de abrandamento da pressão sobre Portugal e Espanha já começaram a fazer-se sentir hoje.

(Na imagem, da esquerda para a direita: Ministros das Finanças da Grécia, França e Bélgica.)
Foto por Reuters/ François Lenoir
Fonte: RFI

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Reunião dos Ministros das Finanças da U.E. sobre situação da Grécia

Os Ministros das Finanças da União Europeia reúnem-se hoje e amanhã em Bruxelas para avaliarem a situação da Grécia, cujo défice começa já a pesar no valor do euro.
Segundo uma sondagem recente, mais de 50% dos gregos estão conscientes da necessidade de uma cura de austeridade e de que os seus governos demoraram muito tempo a tomar as medidas necessárias. Dizem que estão prontos para os sacrifícios que lhes forem pedidos, excepto num ponto: opõem-se a que a idade da reforma passe dos 61 para os 63 anos (em muitos países da União a idade da reforma é aos 65 anos e há quem esteja a ponderar fixá-la nos 67, não só para controlo das despesas mas, também, devido ao aumento médio da esperança de vida).
Assim sendo, não me parece que os gregos estejam, de facto, conscientes, como diz a sondagem, da necessidade de austeridade, ou então disseram o oposto do que na realidade pensam.
Pela primeira vez, a União Europeia vai fazer um controlo apertado, de dois em dois ou de três em três meses, à aplicação do plano grego de redução do défice e das despesas.
De momento não vão ser anunciadas medidas de apoio directo à Grécia, por duas razões: para não levar os especuladores a aproveitá-las em benefício próprio e para que o governo grego não creia que pode abrandar os seus esforços no controlo das despesas do Estado face às manifestações de descontentamento que quase todos os dias saem à rua, bem como às greves gerais ou parciais que também já se verificaram e que, tudo leva a crer, não irão parar.

(Na foto: Georges Papaconstantinou, Ministro grego das Finanças)

Fonte: RFI

domingo, 13 de dezembro de 2009

A Grécia e a crise

O Primeiro-Ministro da Grécia, Papandreou, numa conferência de imprensa em Bruxelas no passado dia 11, excluiu a hipótese de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para resolver o gravíssimo problema financeiro do seu país.
O défice da Grécia para 2009 foi avaliado nos 12,7% do PIB e, segundo Papandreou, irá descer nos próximos anos para os 9,1%. Tendo rejeitado que a Grécia esteja em falência iminente, disse, no entanto, que o maior problema do seu país é a corrupção sistémica no sector público.
Como não existe um mecanismo que permita à União Europeia ajudar um país da zona euro em dificuldade financeira, pois tal só é permitido Estado a Estado, ou seja, ajudas bilaterais, e como a maior parte dos países da União Europeia está concentrada na resolução nos seus próprios problemas financeiros, o Sr. Papandreou, que desempenha funções há apenas dois meses, parece-me demasiado optimista na resolução da crise grega.

Fontes: RFI e FT

Foto: Papandreou por AFP/John Thys