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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"La verité est toujours en exil"


A verdade anda quase sempre exilada e eu vivo, muito provavelmente, num mundo paralelo, naquele em que se procura sem cessar a verdade, onde, custe o que custar, a mesma é resgatada desse exílio e onde, por mais dura que seja, tem de fazer parte de todos os aspectos do quotidiano.

Desde Maio do corrente ano que, finalmente, tenho vindo a ser esclarecida sobre a verdadeira situação do país no que diz respeito à dívida pública e à dívida dos privados, bem como sobre as medidas para a reforma do Estado, não só pelo memorando de entendimento inicial, como pelas duas revisões que, entretanto já tiveram lugar, devido a estudos mais aprofundados que continuam a ser feitos para que nada fique por analisar, e para que não sejamos confrontados com outras surpresas. E, o que consta desses documentos, pode deixar-me perplexa, mas não irritada, porque, se é a verdade que procuro, só posso manifestar agrado se ela me é proporcionada.

Como constato diariamente que, muitos dos meus concidadãos, vociferam contra a “troika”, contra o governo, contra Angela Merkel, Sarkozy, o BCE, a Comissão Europeia, a União Europeia, a zona euro, e, alguns mais dados a essas coisas, vêem teorias da conspiração a cada esquina, sou levada a concluir que temos sido um povo exemplar no que respeita a bom senso nos gastos e que tudo o que estamos a passar é por culpa de toda a gente, menos nossa. Para onde foi a capacidade de análise e de auto-crítica? Também andará exilada, como a verdade? Ou será que há quem não consiga lidar com a verdade e, a esta, prefira a demagogia, a ilusão e a mentira? Até arrisco mais: imagino um governo de qualquer outro partido, neste momento e nestas circunstâncias, no nosso país, e se o seu interesse fosse recuperá-lo, não faria muita diferença do actual perante os diagnósticos efectuados e as medidas propostas para a sua correcção.

Critica-se, também, que nada é feito com vista ao crescimento económico do país. Mas quando é que, nos últimos quinze anos, o nosso país teve crescimento que se visse? Se não estou em erro, nunca foi além dos 0,5% a 1% ao ano, que é quase nada se pensarmos que precisaríamos de um crescimento de, pelo menos, 4% a 5%, então e agora, para termos alguma possibilidade de sairmos do buraco em que nos metemos. Ah, e as exportações, que foram elevadas quase ao estatuto de tábua de salvação! Procuraram-se, e muito bem, outros mercados noutros continentes, uma vez que os nossos principais clientes, a Alemanha, Espanha e França, estão em barcos um pouco mais confortáveis do que o nosso, embora naveguem nas mesmas águas, e, assim sendo, vão reduzir as importações dos nossos produtos. Mas, para exportarmos para mercados com outra escala, precisaríamos de produzir muito mais, e de acordo com um relatório da OCDE, a produtividade até diminuiu no nosso país nestes últimos meses, indicador que pode mostrar, ou que ainda não entendemos a real situação do país, ou que, conhecendo-a, não queremos saber, mantendo a tal tendência suicidária de que Unamuno falava, ou que, entre direitos e deveres, só queremos saber dos primeiros.
«Toda verdade passa inexoravelmente por três momentos: primeiro, ela é violentamente antagonizada, depois ela é criticada, finalmente, ela é vista como auto-evidente.» (A. Schopenhauer)

Nota: a frase «La verité est toujours en exil», que serviu de mote a esta conversa comigo mesma, é de Baal Shem Tov, que viveu no século XVIII.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Europa, Europas


Poderia dizer que, praticamente, foi publicado “ontem” o livro A ideia de Europa, de George Steiner, mas, ao ler a frase: «Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da “ideia de Europa”», fico com a sensação de que foi publicado há décadas, pois esses “marcadores” já não têm qualquer importância na Europa dos nossos dias. As ideias, a filosofia, a literatura, a poesia, a ciência, praticamente deixaram de ser tema de tertúlias de café, e, as que há, mais parecem desfiles de vaidades de egos enormes e surdos, e, por isso, de onde não resultará qualquer pensamento novo e útil para a transformação da sociedade.

Noutras frases, leio: «A Europa esquece-se de si própria quando se esquece de que nasceu da ideia da razão e do espírito da filosofia. O perigo, conclui Husserl, é “um grande cansaço”. Esta última frase é objecto de uma nota que diz: «É preciso recordar que há muito a recordar. Heródoto colocou a seguinte questão: «Todos os anos, enviamos a África os nossos navios, com risco de vidas e grandes gastos, para perguntar: “Quem são vocês? Quais são as vossas leis? Qual é a vossa língua?” Eles nunca enviaram qualquer navio a interrogar-nos”. Não há correcção política de liberalismo na moda que consiga destruir esta pergunta.» Creio que esta pergunta já foi destruída, pois a nossa Europa deixou de se interessar pelas culturas, línguas e leis de cada um, para querer saber apenas do valor dos défices e das dívidas externas, ou então!... Não sei se o perigo estará no “grande cansaço” a que Husserl alude, ou no grande cansaço que Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos nos descreveu, mas, falando apenas por mim, ele já circula até pelos capilares do meu corpo.

Também pode acontecer, como diz Steiner: «O pouco que posso propor é a noção de que podemos ter estado a fazer as perguntas erradas. Que, aparentemente, os factores dominantes a que aludi não são, na análise final, completa, ou mesmo principalmente determinantes. Pode ser que o futuro da “ideia de Europa”, a haver algum, dependa menos de um banco central e dos subsídios à agricultura, do investimento em tecnologia ou de taxas alfandegárias comuns, do que nos querem fazer crer. Pode ser que a OCDE ou a OTAN, a maior extensão do euro ou das burocracias parlamentares segundo o modelo do Luxemburgo, não constituam a dinâmica primordial da visão europeia. Ou se, efectivamente, o forem, essa visão dificilmente seja capaz de empolgar a alma humana.» Como sabemos, tudo isso, e muito mais, aconteceu, entretanto, na nossa Europa, e que sentimos nas nossas vidas, e também é um facto que essa dinâmica não tem sido capaz “de empolgar a alma humana”. E quer as perguntas que façamos sejam certas ou erradas, as respostas têm sido, no mínimo, erráticas. O mapa dos cafés da Europa, como “marcadores essenciais” da “ideia de Europa”, já foi substituído pelo mapa de instituições de outro cariz.

Bibliografia: George Steiner, A ideia de Europa, Gradiva, 2.ª edição, 2005

sábado, 20 de agosto de 2011

Reforma da Política Comum das Pescas


Está a ser revista a Política Comum das Pescas da União Europeia, que entrará em vigor em 2013, e cujo grupo de trabalho é chefiado pela Comissária dos Assuntos Marítimos e Pescas, Maria Damanaki. Como a política que está em vigor para este sector é baseada em quotas, que, como muitos sabemos, e para serem cumpridas com rigor, levam ao desperdício de toneladas de peixes de qualidade que são “devolvidos” ao mar, já mortos, pelo que, só aproveitam às espécies necrófagas que se encontram no fundo mar, e, isto, num tempo em que muitos cidadãos continuam privados dos alimentos básicos, ainda se torna mais escandaloso.

Para quem desejar ter uma palavra na alteração desta política, assine a carta do Hugh (na imagem) em http://fishfight.net/, que, a última vez que vi, tinha quase 800.000 assinaturas de cidadãos de toda a Europa, incluindo a de alguns membros que fazem parte do referido grupo de trabalho, tendo o Hugh colocado um painel gigante em frente ao edifício onde a matéria está a ser discutida e que vai passando os nomes e países dos que a vão assinando, além de um curto vídeo que mostra essas “devoluções”/desperdício de peixe para o mar.

O teor da carta, que traduzi, é o seguinte:

«Para a Comissária Damanaki, Membros do Parlamento Europeu e todos os governos dos estados membros,

Tenho visto imagens de peixes mortos ou a morrer a serem descarregados em águas Europeias.

Sei que a actual Política Comum de Pescas (PCP) leva a esses descarregamentos/”devoluções” em larga escala; por exemplo, metade de todo o peixe apanhado no Mar do Norte está a ser descarregado/”devolvido” por causa do actual sistema de quotas imposto pela PCP.

Quero que este desperdício sem sentido, de alimento, acabe. Quero que usem a vossa influência para acabar com esta prática inaceitável e vergonhosa.

Estou a apoiar a campanha Fish Fight para ajudar a esta mudança vital nos nossos mares.» (O original desta carta está em http://fishfight.net/letter/)

O vídeo que referi atrás:


quinta-feira, 29 de julho de 2010

As contradições da UE sobre OGM - Não se cultivam, importam-se!

Numa reunião, no final do mês de Junho, os Ministros da Agricultura dos 27 Estados membros da União Europeia (UE) não conseguiram uma maioria de votos nem a favor nem contra a importação de seis espécies de milho geneticamente modificado (OGM) para alimentação humana e animal, o que, segundo os regulamentos da UE, impõe que seja a Comissão Europeia a decidir. E esta decidiu pela importação desses produtos, depois de ouvir a Agência Europeia de Segurança Alimentar (AESA ou EFSA) que avaliou positivamente os seis tipos de milho OGM.
Depois de anos de estudos e de lutas e em que se acordou, recentemente, que apenas poderiam ser cultivados na Europa a batata Amflora e o milho MON810, ambos OGM, a Comissão Europeia sai-se com esta autorização de importação de seis espécies de milho OGM e, ainda por cima, a autorização é válida por um período de dez anos!
Esta decisão foi já criticada pela França e pela Alemanha, que se opõem aos OGM, e por entenderem que este passo pode levar, no futuro, à cultura destes produtos na Europa. Tudo o que a Comissão propôs, foi a modificação destes regulamentos, para não ficar com toda a responsabilidade neste tipo de resoluções.
E pergunto eu: do mesmo modo que a Comissão decidiu pelo "sim" à importação destes produtos, não podia ter decidido pelo "não"? Se não havia uma posição maioritária dos Ministros da Agricultura nem para um lado nem para o outro!

Fonte: RFI

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Acordo sobre a ajuda à Grécia está iminente

Um acordo sobre a ajuda internacional à Grécia, e na sequência de reuniões entre o Governo grego, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia, está iminente, e deverá estar concluído no próximo Domingo, dia 2 de Maio, aquando da reunião dos Ministros das Finanças da zona euro.
Entretanto, chegou-se a um acordo prévio entre o Governo grego, o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) sobre mais medidas de austeridade exigidas por estas três instituições, de modo a poder ser desbloqueado o mecanismo de ajuda financeira, num total de cerca de 145 mil milhões de euros para quatro anos.
Os sinais de abrandamento da pressão sobre Portugal e Espanha já começaram a fazer-se sentir hoje.

(Na imagem, da esquerda para a direita: Ministros das Finanças da Grécia, França e Bélgica.)
Foto por Reuters/ François Lenoir
Fonte: RFI

quinta-feira, 25 de março de 2010

Hoje, será um dia como os outros ?

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Creio que todos saberão que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) não carece de aprovação do Parlamento português, tem sim que ser aceite pela Comissão Europeia, e o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, já elogiou o documento.
Por outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também considerou o PEC, se aplicado com rigor, suficiente para atingir o objectivo de redução do défice.

Então por quê todo este alarido sobre se o PSD vota contra ou se se abstém? É que o Governo apresenta também um Projecto de Resolução de apoio ao PEC com o objectivo de obter dos partidos da oposição um apoio alargado para a execução das medidas enunciadas no PEC, até 2013, ou seja, uma espécie de compromisso para que a concretização dessas medidas não encontrem entraves pontuais quando, essas sim, necessitarem de apoio parlamentar.

Assim, se a oposição votar hoje contra este documento, nada acontece de imediato em termos governativos, mas terá sim implicações nos mercados internacionais e nos critérios de avaliação das Agências de Rating. E do mesmo modo que ontem a Fitch diminui a classificação da República Portuguesa, o que resultou num aumento nas taxas de juro que o Estado tem de pagar, poderá esta mesma agência, ou outras, alterarem as suas avaliações nos próximos dias ao verem que esse compromisso com os outros Partidos não foi possível de alcançar e interpretarem a situação como um sinal de instabilidade política.

De uma coisa não nos podemos esquecer, é que de modo algum a nossa economia crescerá por si mesma (importamos quase 80% do que consumimos), e assim sendo, a nossa atenção tem que se orientar para a Alemanha, a França e a Espanha, porque dependemos, isso sim, do sucesso que essas economias conseguirem alcançar, pois são estes os países para onde habitualmente mais exportamos e, por isso, o sucesso deles será em parte a nossa tábua de salvação. Mas, como também sabemos, isso não é algo de garantido, pelo que já seria tempo de começarmos a produzir mais, não só do que necessitamos para consumo interno para não continuarmos tão dependentes do exterior, diminuindo assim a factura das importações, como no crescimento e na diversificação da nossa indústria e comércio, porque a prestação de serviços não é solução e é ainda mais facilmente deslocalizável.

Não creio que este PEC seja o que o país necessita. Preferia que contivesse cortes sérios nas despesas de funcionamento do Estado, entre outras, e que não se incomodassem os contribuintes com salários ou reformas inferiores a mil euros. Mas também sei que o país só tem a perder com uma crise política, e é o país que me interessa, por isso é este PEC que temos, será este que temos que cumprir até 2013, a não ser que a Comissão Europeia faça connosco o que fez com a Grécia que teve que elaborar três documentos até ser aceite.

Assim, hoje será um dia como os outros, a não ser que o Primeiro-Ministro, na eventual falta de apoio de outros Partidos, apresente a sua demissão e o Presidente da República a aceite.