Não querendo ir pelo ditado simplista "diz-me com quem andas dir-te-ei quem és", convenhamos que Cavaco Silva é um fraco avaliador do caracter das pessoas, mesmo que com elas conviva dezenas de anos. E é também teimoso nas suas apreciações, prolongando no tempo situações insustentáveis, porque confia na palavra das pessoas que escolheu, mesmo quando a realidade dos factos lhe demonstra o contrário, porque as considera suas amigas e, num mundo ideal, um amigo não mente nem trai.Mas não vivemos num mundo ideal e também não parece sensato confundir a amizade com a capacidade para desempenhar qualquer função. Aos amigos somos capazes de desculpar se nos decepcionam, e só nós somos atingidos. No caso de desempenharmos cargos públicos e políticos, os erros desses amigos que escolhemos não nos atingem apenas a nós mas a um país inteiro, aumentando o grau de desconfiança numa ou em várias classes profissionais.
Senhor Presidente da República estou à espera que diga de sua justiça, quer resigne ou não resigne. Pessoalmente, a primeira hipótese não me incomoda, mesmo com eleições no próximo Domingo, porque a Constituição prevê todas estas situações e "o poder não cairá na rua". Além disso, é ao governo que compete a gestão diária da res publica, não ao Presidente.
(na imagem: Cavaco Silva e Fernando Lima, assessor para a comunicação social demitido ontem)