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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Brunch de bebê


Faltando agora poucas semanas para o nascimento do bebê, convidei alguns amigos para comemorar com um brunch cujo cardápio foi todo planejado em torno das comidas que mais comi e/ou desejei durante a gravidez. Adoraria dizer que a ideia foi minha, mas na verdade li em algum lugar na internet que já não me recordo mais (eu pensava que essa história de grávidas que ficavam esquecidas e atrapalhadas era lenda, mas é a mais pura verdade).

Que sorte dos meus amigos que eu não desejei comer picles com sorvete, hein! Na verdade, eu mudei muito pouco do meu cardápio cotidiano, assim como mudei pouco dos meus hábitos de comprar e cozinhar. Não tive nenhuma ojeriza inexplicável a nenhum alimento que me impedisse de fazer o que sempre fiz, felizmente. Tive, sim, muita vontade de comer frutas, tomates e coisas geladas, especialmente sorvete. Juntei o tema da festa à ideia do cardápio e servi os seguintes pratos:


Palitinhos de frutas - uvas, mangas, morangos e melões cortados em pedacinhos e empilhados num palitinho de bambu. Comi muitas destas frutas nos últimos meses, especialmente os morangos que estavam na época e bem suculentos e saborosos. A concepção dos palitinhos foi do meu marido, que ajudou também na montagem. Meu sobrinho de doze anos resumiu bem: "é como uma salada de frutas numa mordida!". Era exatamente essa a ideia.


Salada cobb - incidentalmente, terminei comendo muitos abacates recentemente. Minha irmã me trouxe alguns da Chapada Diamantina que estavam ótimos, assim como os que comprei na barraca de orgânicos da Ceasa. Preparei esta salada cobb com vinagrete de bacon exatamente como na receita publicada no post anterior.


Mini quiches de aspargos com brie - Sim, eu sei que os aspargos não são produzidos localmente, não estão na época e são caríssimos, mas quem vai contrariar os desejos de uma grávida? Lembro-me de ter acordado no meio da noite pensando em comer aspargos, tamanha foi a vontade. Então chutei o balde e comprei aspargos peruanos, fora de época e caríssimos e, para falar a verdade, deliciosos. Receita da minha massa de quiche aqui.


Bruschettas de tomate - outro desejo muito forte foi o de comer tomates, de qualquer jeito, a qualquer hora, em molho para macarrão, em salada, no sanduíche. Mantive as coisas simples com esta bruschetta: apenas tomates cortados em cubinhos e temperados com bastante sal, pimenta do reino, manjericão, azeite de oliva honesto e umas gotas de vinagre de vinho tinto. O segredo está em deixar os tomates pegarem o gosto por algumas horas antes de colocar sobre o pão tostado e servir.

Além disso, fiz alguns pratos coringas que já apareceram por aqui antes: torta de palmito e biscottis de parmesão e pimenta. Além, é claro, de algumas coisas compradas prontas, porque ninguém é de ferro: pães, frios e geleias. De sobremesa, também fui tradicional: fiz um cheesecake com calda de morango e um pudim de café, apenas trocando o café comum pelo descafeinado. Uma das poucas coisas de que abri mão totalmente durante a gravidez, além das bebidas alcoólicas, é claro, foi a cafeina. Ainda bem que os cafés descafeinados estão cada vez melhores e sem processos ou aditivos químicos.


Para as lembrancinhas, fiz uma pequena brincadeira em homenagem àquele que inspirou o nome do meu filho: madeleines de [Marcel] Proust. A receita também já passou por aqui.

domingo, 11 de abril de 2010

Ovos benedict, ou o brunch da resistência


Uma das coisas do Canadá das quais mais sinto falta é o brunch. Durante nossos quatro anos lá, eu e Luiz estabelecemos um ritual dominical sagrado que consistia em levantar bem tarde e revezar entre nossos restaurantes de brunch preferidos. Não há nada como começar um domingo preguiçoso com um xícara infinita de café com leite, lendo o jornal ou jogando conversa fora e comendo alguma variação das seguintes comidas: frutas, ovos, pão, geléia, queijo, bacon ou presunto, às vezes batatas, panquecas com maple syrup, rabanada etc.

Na minha opinião o prato que guarda a essência do brunch são ovos benedict: pão torrado (a tradição pede um english muffin, mas pode ser pão de forma, brioche ou croissant) com presunto ou lombo canadense (por lá conhecido como "bacon canadense"), um ovo poché por cima coberto com molho hollandaise. Não é obrigatório, mas para dar mais substância (estamos falando de uma refeição que vale pelo café e pelo almoço, afinal) pode ser acompanhado por batatas assadas no forno até ficarem bem crocantes.

Não sei porque (mas desconfio que seja pela tradição muito forte do almoço em família), o conceito de brunch dominical não existe aqui em Salvador. Os poucos restaurantes que servem comidas de café da manhã o fazem muito cedo, o que arruina todo o conceito do brunch - às 11 da manhã, quando deveríamos estar ainda acordando num domingo preguiçoso, o café da manhã já acabou na maioria dos lugares. Além disso, as comidas são bem mais regionais do que internacionais, naturalmente. Não tenho nada contra as frutas e bolos tropicais, muito pelo contrário, mas não há argumentos racionais quando o assunto é desejo.

Já percebi então que se eu quizesse comer meu brunch, teria que fazê-lo eu mesma. E foi o que fiz no último domingo, um pequeno brunch da resistência. Minha primeira versão caseira dos ovos benedict deu incrivelmente certo: os ovos ficaram tão bonitos quanto os do restaurante, e o hollandaise mostrou-se mais fácil do que eu pensava. Aliás, quando você está munida das instruções certas, até os processos mais intimidantes se revelam incrivelmente simples.


Primeiro passo: fazer os ovos poché. Muita gente tem dificuldade para fazer ovos poché, inclusive eu. Já cheguei até a comprar uma buginganga para me dar mais segurança, mas depois percebi que nada melhor do que a prática para acabar com esses medos irracionais.

Percebi também que algumas coisas são importantes para garantir que tudo vai dar certo. Primeiro, não encha demais a panela com água (não é como fazer macarrão), mas apenas o suficiente para submergir o ovo com controle. Quando a água estiver começando a ferver, soltanto as primeiras bolhas, baixe o fogo para médio e coloque uma colher de vinagre branco e uma pitada de sal na água. Não sei porque, mas o vinagre realmente ajuda a clara a se condensar ao redor do ovo, então não deixe de usar.

Depois disso, dê uma mexida na água com uma colher para criar um redemoinho, isso também ajuda a manter a clara e a gema juntas. Outra coisa que ajuda é quebrar o ovo num recipiente antes de levá-lo à água. Assim você consegue aproximar o recipiente o máximo possível da água com controle, sem quebrá-lo diretamente na água. Depois de colocar o ovo na água, deixe por alguns minutos (dois a três minutos para uma gema perfeitamente mole e uma clara durinha) e retire com uma colher.

Você pode fazer os ovos poché com antecedência (até na noite anterior) e armazená-los na geladeira com água fria para interromper o cozimento. Na hora de servir, é só colocá-los de volta na água quente para esquentar. Se as dúvidas persistirem, vale a pena ver o tutorial da Ana Elisa e este vídeo bastante didático.

Segundo passo: fazer o molho hollandaise. O hollandaise é como uma maionese feita com manteiga ao invés de óleo. Segui uma receita da Julia Child para fazer no liquidificador e o resultado, além de rápido e prático, ficou muito gostoso.

No liquidificador, coloque três gemas, uma pitada de sal, pimenta do reino e suco de meio limão. Derreta cerca de 120g de manteiga no fogão ou no microondas e vá alimentando a manteiga derretida aos poucos pelo buraco do liquidificador enquanto bate, como se estivesse fazendo uma maionese mesmo. Pronto! Depois que toda a manteiga tiver sido incorporada, o molho deverá estar cremoso e homogêneo.

Terceiro passo: montar o prato. Faça torradas com o pão de forma, coloque fatias de presunto, bacon cozido ou lombo canadense, o ovo poché por cima e cubra com um pouco do hollandaise. Desta vez não fiz as batatas para acompanhar, mas da próxima farei. Aliás, pretendo fazer várias versões do brunch da resistência de agora em diante.