É isso pessoal, fevereiro se foi com seu rosto um tanto esquisito, escondendo o sol de seus olhos e jorrando lágrimas de tempestades por todos os lados desse Brasil. Eu sinceramente não consegui entender esse fevereiro de 2013 - fazer o quê, coisas da natureza que está aos poucos, dando o revés aos pobres humanóides que a tem judiado ano após ano.
Nasceu março, completando hoje 6 anos e amadurecendo a cada dia até se tornar um adulto posto com 31 anos. Ele veio vestido de sol, seria um presente de fim do verão, ou será que seus vestidos dourados irão perdurar pelo outono - que (desconfio)- será abafado? Sabe-se lá, não dá pra afirmar nada nestes tempos.
Eu espero ansiosa pelo outono porque é minha estação preferida. Simplesmente pela aquarela que ela nos presenteia, seja no céu, no solo com seu tapete ferrugem misturado às nuances veladas da clorofila que vai desbotando.
Gosto das tardes de outono, onde o vento chega de mansinho, arrastando feixes florais e agrupamentos de folhagens, outrora sempre-vivas em nossas janelas.
A tarde vai caindo meio morna e um tanto de preguiçosa leva casais de maritacas que ainda sobrevoam a paisagem num céu com sabor alaranjado.
Na mesa o aroma do chá fluindo pela casa e um bom de livro por companhia fará das tardes de outono uma pintura no mais íntimo de meu ser.
Talvez haja águas de março lavando os terraços e as vidraças. Embriagando os bueiros da cidade do concreto.
Talvez haja granizo castigando solos e guarda-chuvas aloprados que saltam na faixa de pedestres.
Talvez haja soleiras e beirais das calçadas num valsar com relâmpagos e estrondos desde os céus.
O ar cinzento que faz do nublado um panorama sem luz, terá (ainda) algum brilho rosê refletido nas esquinas, nos quintais e pedregais. Na grama rala dos parques e na super imaginação das inteligências artificiais que só sabem apertar botões e que nem percebem que há movimentos ao redor. Mas haverá a compensação do olhar que vem do pretérito, onde as cadeiras se postavam nas calçadas, as crianças e seus pés nus sentindo a terra molhada depois da chuva. As conversas de jardins e varandas, os tricôs e o bolo das vovós...
Enquanto isso o universo dá voltas e brinca de roda com elipses, neo-planetas e esfinges coloridas de gás num turbilhão de galáxias nos etecéteras do infinito.
Boa tarde!
by Lu C.