Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso
(Mário Quintana)



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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Pequeno Diário de Primavera

O Cobertor Vermelho, Biscoitos e Roberto Drummond





Sáo Paulo amanheceu encolhida e abrigada numa espécie de casulo cor de chumbo sob um céu ameaçador e com gritos de um vento que não obedece mais estaçõs  e nem PRIMAVERAS.

Havia silêncios ecoando pela casa, mas eu estava protegida sob meu cobertor vermelho rubi. Permaneci deitada e o relógio acendeu seus números dizendo: "E aí Lu já são 8 horas, vai encarar?"

Dei de ombros e continuei quietinha sob meu  ninho cálido. Olhos bem abertos e desperta agora, fiquei a observar a penumbra pacífica que desenhava sombras recortadas ao redor dos móveis.

Marido e filha já haviam saído para o trampo e eu na preguiça feito gata enrodilhada em novelinhos de lã.... Ai que GOSTOSO!

A persiana conservava seu rosto sonolento, o abajur fazia companhia ali bem do meu lado e na cabeceira do criado-mudo  estava Roberto Drummond que abriu suas páginas na noite anterior para que eu sonhasse com Paris e suas infinitas luzes.

Num repente, levantei-me, corri para meu espelho ali no banheiro e fiquei a olhar traço por traço de uma mulher sonhadora, viajante da própria história e que graças a Deus sobrevivera mais uma noite.

A vida estava à minha espera!

Resolvi que o cobertor vermelho seria minha mesa de café da manhã e fiz um breakfast simples, porém chiquetoso - afinal a gente sempre merece o melhor.

Café na cama com cookies na companhia exata e fina de Roberto Drummond com o calor do rubi na fofura do meu cobertor vermelho!

Ainda ouço prenúncios florais... Eles viajam com o vento e logo logo (espero), os jardins se derramarão sobre a cidade.

setembro/2012
Bom dia pra todos!



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Por trás do Estetoscópio





O dia amanheceu nevoento e a cidade estava amalgamada na intrépida inversão térmica, oprimindo nossos pulmões . Através do vidro protetor de minha varanda vejo a preguiça das pernas que tentam driblar a ventania atônita que a primavera em prenúncios anuncia na boca da poeira amarelada por um sol nublado. Onde está o amarelo ouro do Rei Sol? Certamente roubaram seu cetro ...

A inércia esgueirava-se pelos cantos da casa azucrinando-me!

"Oh, sabes que estou aqui num redemoinho de asfalto num bizarro mundo cinzento fugindo do sibilo cruel do vento(...") de quem seria essa voz, ou pensamento?

Este cenário leva-me a tempos distantes, arrefecendo-me em  nostalgia. Estou rodopiando na confusão ignóbil de um século pos-moderno que enterrou meus mortos e agoa vem descortinar um futuro povoado do cínico sorriso das novidades.

Mesmo que o cinza insista em descolorir o por do sol, eu viverei o bastante no refôlho da página e lá , tu me encontrarás!

*um ruflar de asas que só portadores do amor podem escutar*


domingo, 16 de setembro de 2012

Achei um Presente!

Amigos, revirando meu baú de escritos direcionados à minha pessoa ou seja lá o que for que lembre a mim encontrei bela jóia que posto em blogada pra lá de especial.

O presente veio em caixa de matelassê com laços de fita para uma dama.




E vamos à leitura da apreciação de meus versos sob a ótica minuciosa de nosso amigo RR Barcellos



Obrigada

RR Caríssimo







Poema em Oito Recantos



Recanto I - Pérolas de Maresia
Emoções e sentimentos vividos pela poetisa são aqui retratados como praias e oceanos, caramujos e conchas marinhas.

Meus passos traçam linhas paralelas

Na areia molhada, com os teus;

E lá nossos rastros ficarão pela eternidade

Que existe entre duas marés cheias.



Recanto II - Lágrimas de Prata
Os sentimentos e emoções transcendem agora os limites do oceano e assumem um caráter mais sensual, abarcando o tempo e o espaço, espalhando-se por todo o universo.

Encho a taça do desejo, a transbordar,

Com a espuma dourada da lua crescente. E brindo.

E tu brincas com Órion, cabra-cega e amarelinha...

Brindo à tua beleza. E rezo a Urânia para que atrase

O cometa em que iremos retornar.

E brindo.



Recanto III - Vitrais
É o recanto central da alma da poetisa. Cada poema é um brinquedo, um objeto de decoração, disposto em torno de Cynthia.

Cacos coloridos,

Cristais colados,

Caleidoscópio cintilante,
Cantos cortados,

Coplas quebradas,

Cercam o centro do

Capítulo:

Cynthia.



Recanto IV - Solstício de Verão
Pedaços de sonhos, pontes fugidias entre o real e o imaginário, desejos e esperanças...

Lembranças do que nunca foi.

Saudades do que nunca virá.

Vivências do que nunca é.

Assim és tu.

Fadas e duendes.



Recanto V - Abismos
Encontros e desencontros, encantos e desencantos entre mulher e homem, paixão, ternura, dor...

Do conúbio raro entre o juízo e a loucura,

Do incesto místico entre o sonho e a fantasia,

Da aliança espúria entre o amor e o sexo,

Nasce, nua e crua,

A realidade.



Recanto VI - Alquimias
O pecado da gula é aqui descrito tão realisticamente que este recanto foge ao "modernismo" que tempera toda a obra. Mas afinal, o paladar é um dos cinco sentidos... e pode também desencadear diferentes emoções...

Ela estava em dietas

Ou grávida do poema maior.

Desejos divinos,

Fome fecunda,

Prenhe de versos!



Recanto VII - Menina dos Olhos
Prossegue e cresce a saga do Recanto III, agora com ênfase na transformação dos sonhos em realidades e na cristalização das expectativas.

Suspensa nos sonhos,

Ausente do Espaço,

Perdida no Tempo,

Nasce e reluz

Tua verdadeira Luz.



Recanto VIII - Sinfonias
A poetisa tece aqui uma colcha de retalhos, como um "pot-pourri" de breves trechos das emoções anteriores. Como se as reminiscências dos acontecimentos do dia desfilassem confusamente ante nossa consciência, quando o sono vai chegando.

Repetem-se as tocatas

Em doce diminuendo

Em notas soltas, livres

Gran finale!



Se o leitor amigo tiver a oportunidade de ler o "Re(cantos) de Mim", certamente terá reações emotivas diferentes das minhas. É assim mesmo; mas aposto que serão tão ricas como foram as minhas. Quanto ao valor literário da obra, é assunto para os "istas". Eu sou apenas um poeta. Um poeta menor.

 By RR Barcellos


 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Buquê






As vezes temos que escarafunchar a terra para ver se ainda existe raíz suficiente para brotar...
Brotar o que? Jardins inteiros, ora bolas! Eu quero ver jardins inteiros neste teu olhar, neste teu sorriso, mesmo que seja de tão longe, se ele tiver ainda raiz se fará altaneiro e brilhara feito diamante lapidado.

Ainda ontem sonhei contigo e tu me dizias empilhar poemas na esquina dos méritos necessários e celestes e ambos os méritos confiavam a ti um certo ar   melancólico porém confiante.

Eu disse nas entrelinhas do teu sono que estaria contigo se tu quisesse. Mas eu não ouvia mais teu chamado e acabei ficando sozinha, despetalada no meio do nada. Contudo, algo dentro de mim dizia para tomar atitudes, insistir no abraço leve, no sorriso azulado do anjo e das águas orvalhadas em noites frias que se faziam aquecidas e crepitantes no rubro acalanto do teu braço.

Aqui estou e estarei. Meu coração está limpo e batucando uma valsa para ti, queres ouvir? Aperte o botão do amor que logo irá acender a luz do reencontro.

Te espero. Prepara-te no teu tempo e venha plena e branca, surgindo sol por entre meus campos de margaridas.

São Paulo
setembro de 2012

by Lu C.




sábado, 1 de setembro de 2012

Musas: Mãe e Filha fechando Agosto com Lua Azul



 
Imagem colhida na Folha UOL



Da noite fez-se o clarão

Do céu - parentesco surgiu

Agosto sem querer pariu

Gêmeas filhas

Início e fim -

 

Este singelo poema nasceu do fenômeno raro acontecido ontem dia 31/08 onde tivemos no céu outra lua cheia, sendo que a primeira aconteceu no dia 02 do mesmo mês.

 

 

O fenômeno acontece porque o ciclo da Lua tem 29,5 dias, enquanto os meses têm 30 ou 31 dias (menos fevereiro). Por conta dessa diferença, existe a chance de a Lua completar seu ciclo antes do fim do mês. (informação colhida na Folha UOL)

Maravilhoso espetáculo da natureza e foi gratuito - era só olhar para o céu. Eu olhei, e você?