O Cobertor Vermelho, Biscoitos e Roberto Drummond
Sáo Paulo amanheceu encolhida e abrigada numa espécie de casulo cor de chumbo sob um céu ameaçador e com gritos de um vento que não obedece mais estaçõs e nem PRIMAVERAS.
Havia silêncios ecoando pela casa, mas eu estava protegida sob meu cobertor vermelho rubi. Permaneci deitada e o relógio acendeu seus números dizendo: "E aí Lu já são 8 horas, vai encarar?"
Dei de ombros e continuei quietinha sob meu ninho cálido. Olhos bem abertos e desperta agora, fiquei a observar a penumbra pacífica que desenhava sombras recortadas ao redor dos móveis.
Marido e filha já haviam saído para o trampo e eu na preguiça feito gata enrodilhada em novelinhos de lã.... Ai que GOSTOSO!
A persiana conservava seu rosto sonolento, o abajur fazia companhia ali bem do meu lado e na cabeceira do criado-mudo estava Roberto Drummond que abriu suas páginas na noite anterior para que eu sonhasse com Paris e suas infinitas luzes.
Num repente, levantei-me, corri para meu espelho ali no banheiro e fiquei a olhar traço por traço de uma mulher sonhadora, viajante da própria história e que graças a Deus sobrevivera mais uma noite.
A vida estava à minha espera!
Resolvi que o cobertor vermelho seria minha mesa de café da manhã e fiz um breakfast simples, porém chiquetoso - afinal a gente sempre merece o melhor.
Café na cama com cookies na companhia exata e fina de Roberto Drummond com o calor do rubi na fofura do meu cobertor vermelho!
Ainda ouço prenúncios florais... Eles viajam com o vento e logo logo (espero), os jardins se derramarão sobre a cidade.
setembro/2012
Bom dia pra todos!
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Por trás do Estetoscópio
O dia amanheceu nevoento e a cidade estava amalgamada na intrépida inversão térmica, oprimindo nossos pulmões . Através do vidro protetor de minha varanda vejo a preguiça das pernas que tentam driblar a ventania atônita que a primavera em prenúncios anuncia na boca da poeira amarelada por um sol nublado. Onde está o amarelo ouro do Rei Sol? Certamente roubaram seu cetro ...
A inércia esgueirava-se pelos cantos da casa azucrinando-me!
"Oh, sabes que estou aqui num redemoinho de asfalto num bizarro mundo cinzento fugindo do sibilo cruel do vento(...") de quem seria essa voz, ou pensamento?
Este cenário leva-me a tempos distantes, arrefecendo-me em nostalgia. Estou rodopiando na confusão ignóbil de um século pos-moderno que enterrou meus mortos e agoa vem descortinar um futuro povoado do cínico sorriso das novidades.
Mesmo que o cinza insista em descolorir o por do sol, eu viverei o bastante no refôlho da página e lá , tu me encontrarás!
*um ruflar de asas que só portadores do amor podem escutar*
domingo, 16 de setembro de 2012
Achei um Presente!
Amigos, revirando meu baú de escritos direcionados à minha pessoa ou seja lá o que for que lembre a mim encontrei bela jóia que posto em blogada pra lá de especial.
O presente veio em caixa de matelassê com laços de fita para uma dama.
E vamos à leitura da apreciação de meus versos sob a ótica minuciosa de nosso amigo RR Barcellos
Obrigada
RR Caríssimo
Recanto I - Pérolas de Maresia
Emoções e sentimentos vividos pela poetisa são aqui retratados como praias e oceanos, caramujos e conchas marinhas.
Recanto II - Lágrimas de Prata
Os sentimentos e emoções transcendem agora os limites do oceano e assumem um caráter mais sensual, abarcando o tempo e o espaço, espalhando-se por todo o universo.
Recanto III - Vitrais
É o recanto central da alma da poetisa. Cada poema é um brinquedo, um objeto de decoração, disposto em torno de Cynthia.
Recanto IV - Solstício de Verão
Pedaços de sonhos, pontes fugidias entre o real e o imaginário, desejos e esperanças...
Recanto V - Abismos
Encontros e desencontros, encantos e desencantos entre mulher e homem, paixão, ternura, dor...
Recanto VI - Alquimias
O pecado da gula é aqui descrito tão realisticamente que este recanto foge ao "modernismo" que tempera toda a obra. Mas afinal, o paladar é um dos cinco sentidos... e pode também desencadear diferentes emoções...
Recanto VII - Menina dos Olhos
Prossegue e cresce a saga do Recanto III, agora com ênfase na transformação dos sonhos em realidades e na cristalização das expectativas.
Recanto VIII - Sinfonias
A poetisa tece aqui uma colcha de retalhos, como um "pot-pourri" de breves trechos das emoções anteriores. Como se as reminiscências dos acontecimentos do dia desfilassem confusamente ante nossa consciência, quando o sono vai chegando.
Se o leitor amigo tiver a oportunidade de ler o "Re(cantos) de Mim", certamente terá reações emotivas diferentes das minhas. É assim mesmo; mas aposto que serão tão ricas como foram as minhas. Quanto ao valor literário da obra, é assunto para os "istas". Eu sou apenas um poeta. Um poeta menor.
By RR Barcellos
O presente veio em caixa de matelassê com laços de fita para uma dama.
E vamos à leitura da apreciação de meus versos sob a ótica minuciosa de nosso amigo RR Barcellos
Obrigada
RR Caríssimo
Poema em Oito Recantos
Recanto I - Pérolas de Maresia
Emoções e sentimentos vividos pela poetisa são aqui retratados como praias e oceanos, caramujos e conchas marinhas.
Meus passos traçam linhas paralelas
Na areia molhada, com os teus;
E lá nossos rastros ficarão pela
eternidade
Que existe entre duas marés cheias.
Recanto II - Lágrimas de Prata
Os sentimentos e emoções transcendem agora os limites do oceano e assumem um caráter mais sensual, abarcando o tempo e o espaço, espalhando-se por todo o universo.
Encho a taça do desejo, a transbordar,
Com a espuma dourada da lua crescente.
E brindo.
E tu brincas com Órion, cabra-cega e
amarelinha...
Brindo à tua beleza. E rezo a Urânia
para que atrase
O cometa em que iremos retornar.
E brindo.
Recanto III - Vitrais
É o recanto central da alma da poetisa. Cada poema é um brinquedo, um objeto de decoração, disposto em torno de Cynthia.
Cacos coloridos,
Cristais colados,
Caleidoscópio cintilante,
Cantos cortados,
Cantos cortados,
Coplas quebradas,
Cercam o centro do
Capítulo:
Cynthia.
Recanto IV - Solstício de Verão
Pedaços de sonhos, pontes fugidias entre o real e o imaginário, desejos e esperanças...
Lembranças do que nunca foi.
Saudades do que nunca virá.
Vivências do que nunca é.
Assim és tu.
Fadas e duendes.
Recanto V - Abismos
Encontros e desencontros, encantos e desencantos entre mulher e homem, paixão, ternura, dor...
Do conúbio raro entre o juízo e a
loucura,
Do incesto místico entre o sonho e a
fantasia,
Da aliança espúria entre o amor e o
sexo,
Nasce, nua e crua,
A realidade.
Recanto VI - Alquimias
O pecado da gula é aqui descrito tão realisticamente que este recanto foge ao "modernismo" que tempera toda a obra. Mas afinal, o paladar é um dos cinco sentidos... e pode também desencadear diferentes emoções...
Ela estava em dietas
Ou grávida do poema maior.
Desejos divinos,
Fome fecunda,
Prenhe de versos!
Recanto VII - Menina dos Olhos
Prossegue e cresce a saga do Recanto III, agora com ênfase na transformação dos sonhos em realidades e na cristalização das expectativas.
Suspensa nos sonhos,
Ausente do Espaço,
Perdida no Tempo,
Nasce e reluz
Tua verdadeira Luz.
Recanto VIII - Sinfonias
A poetisa tece aqui uma colcha de retalhos, como um "pot-pourri" de breves trechos das emoções anteriores. Como se as reminiscências dos acontecimentos do dia desfilassem confusamente ante nossa consciência, quando o sono vai chegando.
Repetem-se as tocatas
Em doce diminuendo
Em notas soltas, livres
Gran finale!
Se o leitor amigo tiver a oportunidade de ler o "Re(cantos) de Mim", certamente terá reações emotivas diferentes das minhas. É assim mesmo; mas aposto que serão tão ricas como foram as minhas. Quanto ao valor literário da obra, é assunto para os "istas". Eu sou apenas um poeta. Um poeta menor.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Buquê
As vezes temos que escarafunchar a terra para ver se ainda existe raíz suficiente para brotar...
Brotar o que? Jardins inteiros, ora bolas! Eu quero ver jardins inteiros neste teu olhar, neste teu sorriso, mesmo que seja de tão longe, se ele tiver ainda raiz se fará altaneiro e brilhara feito diamante lapidado.
Ainda ontem sonhei contigo e tu me dizias empilhar poemas na esquina dos méritos necessários e celestes e ambos os méritos confiavam a ti um certo ar melancólico porém confiante.
Eu disse nas entrelinhas do teu sono que estaria contigo se tu quisesse. Mas eu não ouvia mais teu chamado e acabei ficando sozinha, despetalada no meio do nada. Contudo, algo dentro de mim dizia para tomar atitudes, insistir no abraço leve, no sorriso azulado do anjo e das águas orvalhadas em noites frias que se faziam aquecidas e crepitantes no rubro acalanto do teu braço.
Aqui estou e estarei. Meu coração está limpo e batucando uma valsa para ti, queres ouvir? Aperte o botão do amor que logo irá acender a luz do reencontro.
Te espero. Prepara-te no teu tempo e venha plena e branca, surgindo sol por entre meus campos de margaridas.
São Paulo
setembro de 2012
by Lu C.
sábado, 1 de setembro de 2012
Musas: Mãe e Filha fechando Agosto com Lua Azul
Da
noite fez-se o clarão
Do
céu - parentesco surgiu
Agosto
sem querer pariu
Gêmeas
filhas
Início
e fim -
Este
singelo poema nasceu do fenômeno raro acontecido ontem dia 31/08 onde tivemos no céu
outra lua cheia, sendo que a primeira aconteceu no dia 02 do mesmo mês.
O fenômeno acontece
porque o ciclo da Lua tem 29,5 dias, enquanto os meses têm 30 ou 31 dias (menos
fevereiro). Por conta dessa diferença, existe a chance de a Lua completar seu
ciclo antes do fim do mês. (informação colhida na Folha UOL)
Maravilhoso espetáculo
da natureza e foi gratuito - era só olhar para o céu. Eu olhei, e você?
Assinar:
Comentários (Atom)