Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso
(Mário Quintana)



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domingo, 29 de janeiro de 2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

Para Marilene

Querida Marilene, foi um prazer interpretar teu poema
carinhosamente

Lu Cavichioli


                     




                     
PARÊNTESES

Fale baixo e saia logo
Não desperte os sonhos meus,

Já foram acomodados
E esquecidos
Já foram abandonados
E adormecem,
Deixe-os assim, na preguiça,
Sem toques que os façam sentir
Sua presença


Já não quero me abaixar
Pra pegar a esperança
Escondida nos tapetes
Da lembrança,
Foi pintada de mil cores
Faz parte da decoração
E unida aos ornamentos
Nem sequer chama a atenção,
Camuflei-a, na despedida,
Pra afastá-la do coração


Suas palavras são parênteses
Que logo, logo, irei fechar

Imprevistos acontecem
Por isso o deixei chegar,
Mas fale baixo e saia logo
Pois aqui não existe abrigo
Pra águas frias , tormentos,
Eis que diverso é o hoje
E o desejo que alimento
Um amor em branco e preto
Sem labareda e calor

Não vou receber de volta
Pois dei a volta na dor

by Marilene

http://umcanto-recantodaalma.blogspot.com


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Lua de Lobos

Desde que me ausentei dos desajustes humanos, habito a caverna dos sussurros. Entre o cheiro de urina que demarca a entrada deste beco até o fim da linha, sinto-me especialmente abrigada entre amigos. Aqui me escondo da solidão sarcástica da humanidade em declínio, já que abdiquei de tudo, até das jóias que tanto amava. Mas para quê uma loba necessita de jóias se possui topázio no olhar. No fundo azul da caverna, encolhida eu gargalhava entre os uivos de tesão das lobas enlouquecidas num cio de rubi, entre pêlos suados de machos ensandecidos numa entrega total e subjugada. Às vezes eu tinha alucinações nas sombras e numa noite , vi entrar na caverna um vulto prateado que acariciava os lobos. No entanto, não se aproximava de minha figura patética, estampada na moldura adotiva da alcatéia. Talvez porque sentisse o cheiro acre de poros humanos. Poros que matam, esfacelam, retalhando vidas. Por certo descera da lua em carruagem selenita, buscando o prazer da visão noturna em pêlos, macio de instintos, cordeiros imantados de bocas e línguas ferozes, num adocicado tremor animal. Minha pele adquirira o tom avermelhado de terra batida. Minha postura definia a loba inconseqüente que morava no ego estúpido, outrora humano, desapegado da natureza. Unhas em garras cresciam nas patas em dedos femininos. No breu da solidão eu emergia branca, fêmea de pelagem macia. Submersa em desejos no recôndito de minhas entranhas. Em certa madrugada insone, ouvi tiros. Rifles desgovernados em mãos assassinas... Escória! Sem pestanejar, com mãos multiplicadas em patas, corri. Nos olhos da loba mulher, a lua em holofotes iluminava a trilha... De repente o disparo, atingindo meu coração . Caí sem vida... Uivos prateados caíam em gotas preenchendo crateras na alcatéia em pânico que rodeava meu corpo. Os olhos de topázio, certamente enfeitariam um pescoço em algum salão taxidermista onde a cobiça ignore a natureza! by Lu Cavichioli *direitos autorais reservados*

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Luau Secreto



Viver - doce mistério
Um livro aberto
Revelado pouco a pouco
Onde as páginas
São paisagens - Caminhos, estradas
Somos apenas um punhado
De terra
Artesanato divino
Que ao quebrar
Novamente terra se faz

By Lu Cavichioli

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bailarinas


De toque invisível - e rosto amorfo
Ele viaja.
Sabe ser doce colorindo solstícios
Seu brado é formador de nuvens
E criador de tempestades

Desde Atenas atravessa
Torres e mausoléus
Traz na voz o poder que derruba
Marinheiros e suas naus
E no toque invisível da mansidão
Afaga peles que acedem fogo-fátuo

Dança por sobre lampejos
Entre bailarinas e serpentinas
Suaves, românticas
Apetitosas meninas
E no tropeço das mentiras
Arremata e rodopia
Calando terra e céu:
Seu nome?

VENTO!


Que esse vento venha em forma de perfumada brisa.


Em verões/corações - aquecendo nostalgias,


regando amores perfeitos ao suave som róseo


envolto em tules e sapatilhas acetinadas.


Reestruturando a bailarina que borbulha e faz circular


 o líquido da vida.





Enche a casa de flor aí que eu to voltando! J


Feliz 2012


(by Lu Cavichioli)