Quem por estes dias andar por Londres - até dia 19 de Abril - ou por Hannover - até dia 8 de Março - pode assistir a um dos espectáculos mais elogiados do momento: «Afrika! Afrika!», uma ideia do artista multimédia austríaco André Heller em que participam mais de cem artistas africanos, de dezassete países diferentes, entre artistas de circo, bailarinos, músicos e cantores. Para além de André Heller, dirigem esta super-produção o coreógrafo marfinense Georges Momboye e, na parte musical, o saxofonista e compositor sul-africano William Ramsay, à frente de um grupo que interpreta música de várias origens e que conta com as vozes do cantor Shaluza Max (que trabalhou com Johnny Clegg & Savuka) e da cantora Ntombifuthi Pamella Mhlongo, ambos igualmente sul-africanos. Este ano, «Afrika! Afrika!» ainda pode ser visto igualmente em Liverpool, Birmingham, Dublin, Viena, Salzburgo, Barcelona, Milão e Paris, estando previsto que no próximo ano chegue aos Estados Unidos e à Ásia. Isto não é uma petição, mas não há ninguém que o traga a Portugal um dia destes?... Mais informações, aqui.
31 janeiro, 2008
«Afrika! Afrika!» - Isto Não É Uma Petição, Mas...
Quem por estes dias andar por Londres - até dia 19 de Abril - ou por Hannover - até dia 8 de Março - pode assistir a um dos espectáculos mais elogiados do momento: «Afrika! Afrika!», uma ideia do artista multimédia austríaco André Heller em que participam mais de cem artistas africanos, de dezassete países diferentes, entre artistas de circo, bailarinos, músicos e cantores. Para além de André Heller, dirigem esta super-produção o coreógrafo marfinense Georges Momboye e, na parte musical, o saxofonista e compositor sul-africano William Ramsay, à frente de um grupo que interpreta música de várias origens e que conta com as vozes do cantor Shaluza Max (que trabalhou com Johnny Clegg & Savuka) e da cantora Ntombifuthi Pamella Mhlongo, ambos igualmente sul-africanos. Este ano, «Afrika! Afrika!» ainda pode ser visto igualmente em Liverpool, Birmingham, Dublin, Viena, Salzburgo, Barcelona, Milão e Paris, estando previsto que no próximo ano chegue aos Estados Unidos e à Ásia. Isto não é uma petição, mas não há ninguém que o traga a Portugal um dia destes?... Mais informações, aqui.
30 janeiro, 2008
Coimbra em Blues - De África ao Mississippi, Passando por Portugal
Que as músicas tradicionais estão na base das músicas, digamos, modernas, é um dado adquirido. E o exemplo mais óbvio - já referido por diversas vezes neste blog, não sendo por isso necessário entrar em grandes detalhes sobre o assunto - é o dos blues, música de raiz africana, nos Estados Unidos transformada, a pouco e pouco, num fenómeno global avassalador: o rock e todas as suas outras ramificações, por lá e por todo o mundo à volta. A sexta edição do festival Coimbra em Blues - que decorre mais uma vez no Teatro Gil Vicente, dias 13, 14 e 15 de Março - dá bem conta dessas ligações primevas: o que une a zona mandinga de África ao delta do Mississippi - e de como os blues estão em todo o lado, dos Estados Unidos a Inglaterra e a... Portugal.
Mais uma vez com direcção artística de Paulo Furtado (WrayGunn, The Legendary Tigerman), o Coimbra em Blues começa com concertos, dia 13, do norte-americano Gary Lucas em parceria com os portugueses Dead Combo (na foto), num «duelo» encomendado pelo próprio festival. No dia seguinte, a 14, há lugar para os blues vindos das ilhas britânicas com o duo de Billy Jenkins & Steve Morrison e para o encontro de músicos da África Ocidental e dos Estados Unidos no projecto Afrissippi. Para terminar, dia 15, o festival apresenta os blues e o rock'n'roll da coimbrã mas cidadã do mundo Ruby Ann e a guitarra incendiária de James «Super Chikan» Johnson. Um grande programa para um festival que, segundo o press-release de apresentação, «ensaia uma nova combinação entre a dimensão experimental e a dimensão celebratória, que tem caracterizado a sua forma particular. Trata-se de conhecer o repertório, sim, nas suas reinterpretações, mas também, e talvez sobretudo, de conhecer o legado dessa forma de canção popular no seu potencial de recriação e contaminação inter-genérica e trans-geográfica. A matriz originária continua a ser reconhecível através da presença infecciosa dos blues nos cruzamentos entre géneros musicais, mas é esse cruzamento que lhe garante renovada vitalidade; cruzamentos incentivados pelo próprio festival de Coimbra, como acontece este ano com a colaboração entre Gary Lucas e Dead Combo». A anteceder o festival, dia 12, é apresentado o filme «The Future is Unwritten», de Julien Temple, documentário dedicado a Joe Strummer, dos Clash.
29 janeiro, 2008
DJ Click, [dunkelbunt] e Gaetano Fabri - Quando o Mundo É a Pista de Dança (e Vice-Versa)
No passado fim-de-semana, depois dos concertos de Emir Kusturica, houve sessões after-hours «balcânicas» em Lisboa, no Santiago Alquimista, e no Porto, no Contagiarte, com vários DJs a passar música cigana de Leste. E, um pouco por todo o lado, há cada vez mais gente a fazer remisturas ou a especializar-se como DJs de variadíssimos géneros «locais» e/ou «globais». Podem-se citar alguns nomes, entre uma miríade de outros: Shantel, DJ Dolores, Mercan Dede, o menos conhecido mas excelente Uptown Joji (Daladala Soundz), etc, etc... Desta vez fala-se aqui de três outros DJs há muito rendidos à world music: DJ Click (na foto com a violinista de klezmer Estelle Goldfarb), Gateano Fabri e [dunkelbunt].
DJ CLICK
«FLAVOUR»
No Fridge
[DUNKELBUNT]
«MORGENLANDFAHRT»
Chat Chapeau/Soulseduction
GAETANO FABRI
«NUIT TSIGANE»
Le Divan du Monde/Crammed Discs/Megamúsica
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28 janeiro, 2008
Entrudanças - É Carnaval, Ninguém Dança Mal!
O já incontornável festival Entrudanças - o nome diz tudo! - decorre no fim-de-semana de Carnaval, se se preferir do Entrudo, mais uma vez na aldeia de Entradas, perto de Castro Verde, numa parceria da Pé de Xumbo com a Câmara Municipal de Castro de Verde e a Junta de Freguesia de Entradas. As danças, folguedos, folias, concertos, oficinas de dança, etc, etc, começam dia 2 de Fevereiro e terminam no dia 4. Dia 2, sábado, há uma caminhada/desfile Entrudanças às 14h30, seguida por oficinas de lã, de máscaras e de música instrumental alentejana, de danças europeias, italianas e africanas, documentários, contos tradicionais, coros infantis e cante alentejano, enquanto para a noite fica um projecto de cante com crianças e concertos de violas campaniças e do grupo francês Trio Lam. Dia 3, domingo, a começar logo de manhã, há um passeio de observação da fauna local, oficinas de lã e de máscaras, de danças europeias, italianas e africanas, de valsas e danças do Brasil, documentários, um torneio de malha (o jogo, não aquilo que se pode fazer com... a lã), uma oficina de cante alentejano e outra de flauta de tamborileiro e baile com a Banda Filarmónica da Sociedade 1º de Janeiro; à noite há concertos pelos Tanira (na foto) e pelo Trio Lam. Dia 4, segunda-feira, com o programa a começar também logo de manhã, há uma oficina de gastronomia, de lã e de máscaras, de valsas mandadas, danças africanas, europeias, alentejanas, de Pauliteiros de Miranda, do Brasil e de danças de Carnaval do Mundo, documentários e uma oficina de pequenos instrumentos de percusssão. À noite, o festival termina com a Banda Forrozada e os Galandum Galundaina. Mais informações, aqui.
25 janeiro, 2008
Cromos Raízes e Antenas XXXVII
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo XXXVII.1 - Caetano Veloso
O cantor, músico, letrista e compositor brasileiro Caetano Veloso (na foto, de Thereza Eugenia) é um dos maiores génios da música mundial. De nome completo Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, nascido em Santo Amaro da Purificação, Bahia, a 7 de Agosto de 1942, Caetano é um dos maiores paradigmas de uma música que vai às raízes populares do seu local de origem para a fundir com a música que as «antenas» lhe trazem. Não por acaso, o seu nome confunde-se com o conceito de «tropicalismo» - a corrente musical brasileira de finais dos anos 60 em que as origens africanas, o caldeirão de culturas que era a Bahia e expressões musicais como a pop, o rock ou o jazz se uniam num todo magnífico, original, vivo. Ao longo de quarenta anos de carreira, Caetano Veloso mudou a música brasileira e influenciou de uma maneira ou outra muitos artistas não brasileiros (de David Byrne a Sérgio Godinho, de Devendra Banhart a Lila Downs).
Cromo XXXVII.2 - Ojos de Brujo
Nascidos no borbulhante movimento do «som mestiço» - que tem como papa Manu Chao -, os Ojos de Brujo formaram-se em 1996, em Barcelona, Catalunha, com uma ideia de música bem-definida e incrivelmente consistente desde o início: fundir o flamenco, e mais especificamente um dos seus «palos» (géneros), a rumba catalã, com muitas outras músicas. Uma aposta que, apesar de não ser completamente original, tem nos Ojos de Brujo o seu expoente máximo. Na sua música - espalhada pelos álbuns «Vengue» (1999), «Barí» (2002), «Techarí» (2006) e «Aocaná» (2009) - o flamenco surge transfigurado, renovado, em contacto com o hip-hop, o funk, o reggae, as electrónicas, a música árabe, latino-americana e indiana. O grupo, que tem à frente a maravilhosa cantora Marina «La Canillas», tornou-se, com mérito, um dos mais importantes do circuito da world music.
Cromo XXXVII.3 - Googoosh
Neste momento é difícil acreditar que no Irão tenha havido divas da música pop e estrelas do cinema equiparáveis às suas congéneres de outros países (norte-americanas, europeias, indianas...). Mas a verdade é que as houve. E o maior e melhor exemplo de uma cantora-actriz, a estrela mais brilhante de um firmamento muito próprio - o Irão ocidentalizado do Xá Rheza Pahlevi - é o de Googoosh, nascida com o nome Faegheh Atashin, em 1950, em Teerão. De origem azeri, Googoosh chegou ao estrelato muito jovem, durante os anos 60, protagonizando filmes e discos que a transformaram, já durante a década seguinte, na maior vedeta iraniana. Na sua música houve - e há - elementos de música persa, azeri, rock, blues, jazz, disco-sound! Com a chegada ao poder do Ayatollah Khomeini, em 1979, Googoosh foi presa durante alguns meses e proibida de cantar. Mas permaneceu no Irão e, vinte anos depois, voltou à ribalta internacional.
Cromo XXXVII.4 - SambaSunda
24 janeiro, 2008
André Cabaço - (Nova) Música Moçambicana na ZDB
O cantor, guitarrista e compositor moçambicano André Cabaço vive há cerca de vinte anos em Portugal, costumamos vê-lo a integrar os projectos Sons da Fala e Sons da Lusofonia, a actuar com a Tora Tora Big Band, a aparecer ao lado de artistas como Sérgio Godinho e Vitorino, Guto Pires e Lindú Mona, Carlos Martins ou Janita Salomé. Mas é raro vê-lo num concerto em nome próprio. Uma dessas raras oportunidades surge agora, com a confirmação de um concerto dele na Galeria ZDB, ao Bairro Alto, em Lisboa, dia 9 de Fevereiro. Na sua variada ementa musical entram os seus álbuns «Xipapa-Pala», «Bassopa» e o mais recente «A Punga Ni Nhama» em que, segundo o press-release que acompanha a notícia desse concerto, «os ritmos, a execução de instrumentos musicais tradicionais e a exploração das diferentes tradições étnicas moçambicanas estão intrínsecas ao reportório que apresenta. As suas composições incidem numa fusão da música popular de Moçambique e estilos musicais como o funk, jazz ou house. O seu compromisso pessoal de confrontar e fundir instrumentos, sonoridades e ritmos distintos, torna André Cabaço num dos nomes mais sonantes da música contemporânea de Moçambique». Mais informações aqui.
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23 janeiro, 2008
Auto-Promoção - O Regresso ao Formato Papel
A partir de hoje, quarta-feira, os leitores deste blog também podem ler outros textos meus na revista «Time Out - Lisboa», onde comecei a colaborar numa base regular e semanal, a convite do meu camarada Jorge Manuel Lopes. E, confesso, já tinha saudades de algumas pequenas rotinas a que isto está a obrigar-me (como, por exemplo... cumprir prazos de entrega de textos!). Hoje pode ler-se uma antevisão ao concerto de Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra no Coliseu de Lisboa e uma crítica à caixa de três CDs e um DVD dos Kussondulola, «Mayombe». Para a semana será publicada uma entrevista com Miguel Filipe, mentor dos Novembro, projecto que está agora a editar o seu álbum de estreia, «À Deriva».
21 janeiro, 2008
Adeus Andy Palacio...
Estava a guardar um espaço para ele, proximamente, no Raízes e Antenas... e, assim, de repente, chega-nos a notícia da sua morte: Andy Palacio, que iria estrear-se este Verão em palcos portugueses, personagem em crescimento acelerado - um crescimento mais que justo! - no circuito da world music, morreu há dois dias, assim, de repente, em consequência de um AVC. Tinha apenas 47 anos de idade. O Luís Rei, no Crónicas da Terra, é o autor do obituário que eu tomo a liberdade de transcrever aqui:
«O ano de 2008 começa de forma trágica. Este fim-de-semana, Andy Palacio, figura maior da música do Belize e da cultura Garifuna, faleceu aos 47 anos, vítima de complicações cardíacas e respiratórias provocadas por um AVC. Durante o ano de 2007, Andy Palacio tornou-se numa das principais figuras do circuito de festivais de músicas do mundo. Autor de um dos mais aclamados álbuns do ano passado pela crítica especializada, Palacio que tinha sido recentemente designado pela UNESCO de «artista pela paz» e que recebeu, no passado mês de Outubro, o prémio WOMEX (que a principal feira de músicas do mundo concede ao melhor que este circuito musical tem para oferecer), viu o seu disco "Watina" ocupar por vários meses lugares cimeiros da World Music Charts Europe, ser considerado um dos quatro melhores discos pela revista britânica fROOTS e ser candidato aos prémios de "world music" de 2008 da BBC Radio 3, na categoria de melhor álbum. Carlos Seixas, programador do FMM, que desejava apresentar Andy Palacio e a sua banda Garifuna Collective na décima edição do Festival de Sines, ficou em "estado de choque" quando recebeu a notícia, referindo que a morte de Palacio é uma "grande perda para o Belize e para o mundo da música". Andy Palacio, como verdadeiro herói nacional que é no seu país natal, terá na próxima sexta-feira honras de uma cerimónia fúnebre de estado, estando planeado em sua memória a realização de um grande concerto na cidade do Belize. Recorde-se que, de acordo com palavras dos editores Ivan Duran e Jacob Edgar da "label" norte-americana Cumbancha, referiram ao site World Music Central que, na cultura Garifuna, "a morte de um ente querido é uma oportunidade de celebrar a sua memória e de agradecer a bênção de essa pessoa ter feito parte das suas vidas"».
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18 janeiro, 2008
Cromos Raízes e Antenas XXXVI
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo XXXVI.1 - Inti-Illimani
Nascidos no caldeirão da «nueva canción» chilena, em 1967, ao lado de Victor Jara ou dos Quilapayún, entre outros, os Inti-Illimani cedo se destacaram como uma das vozes mais importantes da esquerda revolucionária do Chile. Com uma música assente na tradição sul-americana mas também com ecos da folk vinda dos Estados Unidos, e com letras de intervenção política e social - bem presentes no seu álbum de estreia, homónimo, em 1968, e em «Canto al Programa», de 1969, que era uma adpatação musical do programa político de Salvador Allende -, os Inti-Illimani começaram a levar as suas canções a muitos países do mundo. E foi exactamente durante uma das suas digressões que aconteceu o golpe de estado de extrema-direita em Santiago do Chile, liderado por Pinochet, em 1973. O grupo estava em Itália, país do qual fizeram a sua base de actuação até 1988, quando regressaram ao país-natal.
Cromo XXXVI.2 - Zulya
Mais um excelente exemplo de como se pode fundir a música tradicional com outras músicas - neste caso, o rock, o jazz, leves pitadas de electrónicas... - é o da espantosa cantora Zulya (aka Zulya Kamalova), de origem tártara e russa mas radicada na Austrália desde 1991. Na sua música - espalhada por álbuns como «Aloukie», «The Waltz of Emptiness (and Other Songs on Russian Themes)» ou «3 Nights» -, boa parte dela constituída por originais seus e dos seus companheiros nos Children of The Underground, há quase sempre ecos de uma música antiga, vinda das estepes, mas também uma modernidade assumida sem medos nem complexos. Ao longo da sua carreira tem colaborado com artistas como Bob Brozman, Nikola Parov, Slava Grigoryan, Sirocco, Llew Kiek e Epizo Bangoura, tendo também encetado parcerias com músicos aborígenes australianos.
Cromo XXXVI.3 - Ba Cissoko
A kora é um dos instrumentos musicais mais emblemáticos da cultura mandinga. Tocada há séculos por milhares de griots da África Ocidental, é um cordofone acústico, mágico, sagrado. Mas há quem se atreva a... electrificá-la e com isso a aproximá-la do rock e dos blues. Quem o faz são os Ba Cissoko, grupo liderado pelo intérprete de kora com o mesmo nome, Ba Cissoko, que canta e toca kora acústica e deixa para o seu primo Sékou Kouyaté a kora eléctrica. Os outros elementos deste grupo da Guiné-Conacri, Kourou Kouyaté (bolon e baixo) e Ibrahim Bah (percussões), contribuem para um som novo, cheio, arrebatador, em que as referências maiores são a música tradicional mandinga e... Jimi Hendrix. Não por acaso, o segundo (e extraordinário) álbum dos Ba Cissoko chama-se «Electric Griot Land» (2006), numa alusão directa a Hendrix. O álbum de estreia, «Sabolan», tinha sido editado em 2004.
Cromo XXXVI.4 - Kimmo Pohjonen
Ele tem um passado feito em grupos punk... e talvez assim se perceba toda a energia, fúria, inventividade, gosto em quebrar barreiras que ele tem. Ele, o acordeonista Kimmo Pohjonen (na foto, de Maxim Gorelik), é finlandês, nasceu a 16 de Agosto de 1964 e é um dos mais inclassificáveis artistas do circuito da chamada world music. E está tão à vontade neste circuito como poderia estar no do rock, do jazz de vanguarda, da música erudita contemporânea, da electrónica experimental. E como está, de facto! Hiper-activo, sempre inconformado e sempre à procura de novos sons, Pohjonen grava e apresenta-se a solo mas também com muitos outros projectos: Kluster (em duo com Samuli Kosminen), Uniko (os Kluster com o Kronos Quartet), KTU (com Pat Mastelotto e Trey Gunn, ambos dos King Crimson), Animator (com a videasta Marita Liulia), entre outros.
17 janeiro, 2008
Carlos do Carmo É Candidato aos Prémios Goya
Desta vez, a notícia é sacada aos Sons Vadios, o excelente e sempre bem informado blog de Sara Vidal (cantora portuguesa que brilha à frente dos galegos Luar na Lubre): «Fado da Saudade», tema interpretado por Carlos do Carmo em «Fados» (na imagem, um fotograma do filme, com Carlos do Carmo, Mariza e, de costas, Camané), de Carlos Saura, nomeado para os Prémios Goya na categoria de «Melhor Canção Original». Os vencedores dos Prémios Goya - os «oscares» da indústria cinematográfica espanhola - serão conhecidos dia 3 de Fevereiro na Gala da sua 22ª edição. «Fado da Saudade», da autoria de Fernando Pinto do Amaral, é interpretado no filme por Carlos do Carmo, acompanhado à guitarra portuguesa por José Manuel Neto, à viola por Carlos Manuel Proença e no baixo por Marino de Freitas. Em «Fados», recorde-se, participaram ainda, para além dos cantores e músicos já citados, Argentina Santos, Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela, Pedro Moutinho, Carminho, Catarina Moura, Kola San Jon, Caetano Veloso, Chico Buarque, Lura, SP&Wilson e Lila Downs, entre outros.
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16 janeiro, 2008
June Tabor, The Imagined Village e Rachel Unthank & The Winterset - Folk Inglesa, Com Certeza!
Por muita música que oiça - de vários géneros e de todo o mundo... ou quase - e por muito prazer que tenha a ouvi-la, e a escrever sobre ela aqui neste blog, há sempre um porto de abrigo que procuro para descansar os ossos destas viagens: a folk britânica. Um porto de abrigo onde se podem encontrar «velhas» conhecidas como June Tabor ou deparar com excelentes surpresas como o segundo álbum de Rachel Unthank & The Winterset (na foto) e o disco de estreia do alargado projecto The Imagined Village.
JUNE TABOR
«APPLES»
Topic Records/Megamúsica
THE IMAGINED VILLAGE
«THE IMAGINED VILLAGE»
Real World/Virgin
RACHEL UNTHANK & THE WINTERSET
«THE BAIRNS»
Rabble Rouser/EMI
15 janeiro, 2008
Tucanas - «Maria Café» Já Está nas Lojas...
O mui aguardado álbum de estreia das Tucanas chegou às lojas ontem, segunda-feira. «Maria Café», assim se chama o disco, apresenta a música das Tucanas - Ana Cláudia Gonçalves (vozes e percussão), Catarina Ribeiro (vozes e percussão), Marina Henriques (vozes e acordeão), Mónica Rocha (vozes e percussão) e Sara Jónatas (vozes e percussão) -, aqui acompanhadas por alguns convidados: o percussionista Rui Júnior (em «Mãos de Calor»), a cantora Amélia Muge (em «Molhar o Pé») e a Kumpa'nia Al-gazarra (em «Peruano», tema que aparece duas vezes, com e sem a participação da charanga sintrense). Os outros temas do álbum são «Tempo Perguntou ao Tempo», «Surdim», «Domingão/Niará», «Tucana», «Amor És», «Áfricca», «Lócus», «Dacanas», «Fusão», «Djidji», «Estruturas Primavera» e «Kazoo». Uma faixa multimédia com uma entrevista ao grupo completa o alinhamento do álbum, que tem edição da Spot e da Farol.
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14 janeiro, 2008
Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra em Dose Dupla
Ainda não se sabe se a super-produção teatral «Time of The Gypsies» - a ópera-rock (ou, se se preferir, «ópera-punk») adaptada do filme com o mesmo nome de Emir Kusturica - alguma vez chegará às salas portuguesas. Mas muitos temas da sua banda-sonora serão interpretados por Kusturica e os seus companheiros da No Smoking Orchestra nos concertos que o grupo tem marcados para 25 de Janeiro no Coliseu do Porto e um dia depois no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Temas como «Efta Purane Ikone», o emblemático «Hederlezi», «Cik Cik Pogodi» ou o popíssimo «Evropa», à mistura com outros temas sacados à tradição balcânica e outros compostos por Kusturica (e/ou pelos seus camaradas dr Nelle Karajlic e Dejan Sparavalo) como «Unza Unza Time» ou «Pitbull Terrier». E se Woody Allen pôde vir tocar clarinete com a sua banda de jazz na passagem-de-ano portuguesa, outro realizador de cinema, Kusturica, bem pode vir tocar guitarra eléctrica com a sua trupe de ciganos-fake armados em rockers e fazer uma festa... maior.
11 janeiro, 2008
Os Ganhões de Castro Verde, Ronda dos Quatro Caminhos e Cramol - A Tradição (E Só Alguns Desvios)
Os leitores habituais deste blog sabem que não sou um fanático da «tradição», pelo contrário: também gosto de desvios, caminhos paralelos, fusões, avanços para o futuro, misturas... Mas é tão bom, tão bom!, mergulhar de vez em quando num caldo de tradição (quase) absoluta. E os álbuns mais recentes dos alentejanos Os Ganhões de Castro Verde (na foto), da Ronda dos Quatro Caminhos e das Cramol levam-nos de volta à tradição, mesmo quando há lugar para alguns «desvios».
OS GANHÕES DE CASTRO VERDE
«TERRA»
(Ed. de Autor/Megamúsica)
RONDA DOS QUATRO CAMINHOS»
«SULITÂNIA»
Ocarina
CRAMOL
«VOZES DE NÓS»
(Ocarina)
10 janeiro, 2008
Cromos Raízes e Antenas XXXV
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo XXXV.1 - Woody Guthrie
O cantor, músico e compositor Woody Guthrie (Woodrow Wilson Guthrie, nascido a 14 de Julho de 1912, no Oklahoma, Estados Unidos, falecido a 3 de Outubro de 1967, em Nova Iorque) foi o principal pioneiro da folk de intervenção norte-americana, tendo influenciado decisivamente cantores como Bob Dylan, Phil Ochs ou Joan Baez. Compositor de centenas de canções (entre as quais a emblemática «This Land Is Your Land»), sempre do lado das ideologias socialistas - não por acaso, a sua guitarra exibia a inscrição «this machine kills fascists» -, Guthrie lançou as sementes da folk com uma música inspirada na country, na música tradicional irlandesa e nos blues. Fez parte dos importantíssimos Almanac Singers - ao lado de Pete Seeger e outros - e deixou um legado ainda hoje glosado por dezenas de artistas (de Ani DiFranco aos Klezmatics, de Bruce Springsteen a Billy Bragg e os Wilco).
Cromo XXXV.2 - Stella Chiweshe
Instrumento transversal a variadíssimos países africanos, a m'bira (aka kalimba ou kissange ou sansa ou likembe, entre outras designações) é um lamelofone que consiste num jogo de lamelas de metal presas a uma caixa de ressonância de madeira. Há milhares de tocadores de m'bira em África, mas a embaixadora principal do instrumento é a cantora e instrumentista Stella Chiweshe (nascida a 8 de Julho de 1946, em Mhondoro, no Zimbabué). Curiosamente, em várias culturas africanas o acesso à m'bira está interdito às mulheres mas ela aprendeu a tocá-la (à m'bira dzavadzimu, típica do povo Shona, a que Stella pertence) no final dos anos 60, quando ainda por cima qualquer aprendizagem cultural estava proibida à população negra da então Rodésia. Stella é cantora, intérprete de m'bira e compositora, dançarina, actriz, activista. Tudo numa só, e grande, mulher.
Cromo XXXV.3 - Tinariwen
Ainda só têm três álbuns no circuito internacional - «The Radio Tisdas Sessions» (2000), «Amassakoul» (2004) e «Aman Iman» (2007) - mas são uma lenda da música africana, com dezenas de cassetes gravadas desde a fundação do grupo, em 1982. Formados por músicos que, no início, faziam parte da guerrilha tuaregue treinada nos campos militares líbios e apadrinhada pelo Coronel Khadafi, os malianos Tinariwen começaram a desenvolver um estilo musical próprio - o «tishoumaren» -, em que estão presentes elementos de músicas tradicionais tuaregues e de outros povos do norte e oeste de África, os blues e o rock. Não é por isso de estranhar que os seus instrumentos de eleição sejam, ao lado do djembé, várias guitarras eléctricas e um baixo eléctrico. Os seus espectáculos, sempre memoráveis, são uma intensa celebração musical e de vida.
Cromo XXXV.4 - Mercan Dede
Na vanguarda da fusão entre músicas tradicionais e as mais modernas tendências da pop e das electrónicas, o músico, compositor, produtor, DJ, misturador e, só por vezes, cantor turco Mercan Dede é um dos mais notáveis exemplos de como se podem misturar músicas ancestrais (como a música sagrada dos sufis) com as novas linguagens sonoras. Mercan Dede (de verdadeiro nome Arkın Ilıcalı e também conhecido como DJ Arkin Allen; nascido em 1966) aprendeu em jovem a tocar ney (uma flauta tradicional), bendir (instrumento de percussão) e oud (o alaúde dos países árabes), mas a sua paixão pela música ocidental levou-o a seguir para cruzamentos inspirados de música tradicional do Médio Oriente com outras músicas (da música indiana e espanhola ao drum'n'bass, ao dub, ao house...). Entre os seus colaboradores contam-se a cantora indiana Susheela Raman, a turca Aynur ou Peter Murphy (dos Bauhaus).
09 janeiro, 2008
Roncos do Diabo - Álbum na Forja (Infernal)
Os Roncos do Diabo (ex-Gaitafolia) preparam-se para gravar o seu álbum de estreia, um disco que não será registado em estúdio mas no seu «habitat» natural - não, não são as profundezas sulfurosas do reino de Hades -, ao vivo, em concerto. As gravações decorrem dia 26 de Janeiro, no espectáculo que o grupo dá no Fórum Romeu Correia/Auditório Fernando Lopes-Graça, em Almada. Praticantes das tradições mais profundas da música portuguesa para gaita-de-foles (principalmente de Trás-os-Montes) mas sem deixar de piscar o olho à Galiza ou até... ao fado, os Roncos do Diabo são quatro gaiteiros (André Ventura, Mário Estanislau, João Ventura e Victor Félix) e um percussionista (Tiago Pereira) que incendeiam, salvo seja, qualquer festa ou festival em que participam. Para conferir no concerto de Almada e também aqui, aqui e aqui.
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08 janeiro, 2008
Mayra Andrade - Em Digressão Por Portugal
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Música Cabo-Verdiana
07 janeiro, 2008
Sérgio Godinho & Os Assessores - O Álbum ao Vivo
Com os arranjos de Nuno Rafael e a banda Os Assessores, a música de Sérgio Godinho rejuvenesceu, ficou ainda mais fresca e actual, ganhou nuances que nunca tinha tido e reforçou outras que tinha desde sempre. E quem viu os espectáculos de Godinho nos últimos anos sabe bem que isto é verdade. Agora, para tirar as dúvidas a quem não (ou)viu e para deleite de quem pode (re)ouvir vem aí o álbum ao vivo «Nove e Meia no Maria Matos», que é editado pela Universal em parceria com a EMI, dia 28 de Janeiro. No álbum, gravado ao vivo no Teatro Maria Matos, em Lisboa, entre os dias 16 e 20 de Maio de 2007, participam, para além de Godinho, Os Assessores: Nuno Rafael (direcção musical, guitarras, programação, máquina de escrever e coros), Miguel Fevereiro (guitarras, percussão e coros), João Cardoso (piano, teclados e coros), Nuno Espírito Santo (baixo e coros), Sérgio Nascimento (bateria, percussão e coros), Sara Côrte-Real (coros, teclados e percussão) e João Cabrita (sopros e coros). E no alinhamento estão presentes temas recentes (como os que Sérgio Godinho gravou com esta mesma banda no álbum «Ligação Directa») mas também muitos dos seus clássicos, incluindo uma surpresa bem-vinda: «É Tão Bom» (o tema principal da banda-sonora da série «Os Amigos de Gaspar»), primeiro single retirado de «Nove e Meia». As outras canções do álbum são «O Primeiro Gomo da Tangerina», «Dias Úteis», «A Deusa do Amor», «Às Vezes o Amor», «Arranja-me Um Emprego», «Marcha Centopeia», «Só Neste País», «O Velho Samurai», «Com um Brilhozinho nos Olhos», «Espectáculo», «O Rei do Zum Zum», «Dancemos no Mundo», «O Homem Fantasma», «A Democracia», «O Primeiro Dia», «Liberdade» e «Quatro Quadras Soltas».
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Sérgio Godinho
04 janeiro, 2008
Auto-Promoção (ou World DJing no Éden Glorioso -Parte 3)
Não, ao contrário do que se pode julgar pela imagem, ainda não é desta que vou pôr música na Quinta da Regaleira. Mas é lá perto, no já incontornável CaféVinil, junto à biblioteca e muito próximo da estação dos comboios de Sintra. Desta vez num registo que vai dar primazia à folk europeia, da Península Ibérica à Rússia, passando pelas ilhas britânicas, França, Alemanha, Itália, Grécia, Balcãs, Escandinávia... A minha sessão de DJ (muito originalmente intitulada... «Raízes e Antenas») decorre no dia 12 de Janeiro, integrada numa programação que inclui ainda sessões de Diogo & Jo@na («Projecto Abébia») no dia 5, Flak (dos Micro Audio Waves, numa sessão de nome... «Micro Audio Waves») no dia 19 e Luís Varatojo (d'A Naifa, com a sessão «Rock Rendez Vous») no dia 26. Também durante este mês de Janeiro, o CaféVinil apresenta a exposição de fotografia «Clandestino», de Alexandre Nobre. Mais informações aqui.
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