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10 junho, 2012
Cesária Évora - A Homenagem no Coliseu dos Recreios
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06 agosto, 2009
Sons do Atlântico com Deolinda, Sara Tavares e Caravan Palace
O Sons do Atlântico - que tem como cenário o promontório da Sra. da Rocha, em Lagoa, Algarve - arranca hoje, dia 6, com concertos de Danae (Portugal/Cabo Verde) e Deolinda (Portugal). Nos dois dias seguintes do festival sobem ao palco, dia 7, os Kilema (Madagáscar) e Sara Tavares (Portugal/Cabo Verde) e, no dia 8, Dites 34 (França), Caravan Palace (França; na foto, de Sebastien Bartoli), havendo ainda uma sessão de DJ por Raquel Bulha, com José Carlos Fernandes a acompanhar com desenhos e pinturas em tempo real.
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04 agosto, 2009
Lura, Mayra Andrade e Sara Tavares - Cabo Verde É Mais Feminino!
Há alguns meses, na «Time Out Lisboa», publiquei as minhas impressões sobre os novos álbuns de três cantoras da nova geração cabo-verdiana: Lura (na foto, de Ernest Collins), Mayra Andrade - sobre a qual faço aqui um pastiche de dois textos sobre o disco - e Sara Tavares. Uma geração d'ouro!
Quando a Morabeza Rima Mais Com Beleza
De uma vez só, são editados quase ao mesmo tempo os novos álbuns das três mais importantes novas cantoras cabo-verdianas: Lura, Sara Tavares e Mayra Andrade. António Pires ouviu-os.
Durante muitos anos - a bem dizer, cerca de três décadas (as de 70, 80 e 90 do Séc. XX) - as maiores embaixadoras da música cabo-verdiana foram Cesária Évora, Titina, Celina Pereira, Ana Firmino, Herminia e Teté Alhinho (nos Simentera ou a solo), sem desprimor para as que não cito aqui. Todas elas com uma obra discográfica extraordinária, principalmente se pensarmos que todas elas são de um país pobre, africano, periférico e insular. E se pensarmos, igualmente, que o fenómeno e o alargamento do circuito da chamada world music só aconteceu dez ou vinte anos depois de terem começado a sua carreira. Talvez por isso, só Cesária Évora apanhou esse apetecido comboio da world music e tornou-se, por direito e talento próprios, uma das grandes divas desse circuito, alargando o caminho para quem veio a seguir.
Agora, abertas que estão desde há muito as portas do mundo à música cabo-verdiana, três novas cantoras têm emergido - e também com inteira justiça - nesse mundo imenso das "músicas do mundo": Lura, Sara Tavares e Mayra Andrade, que têm em comum com as da geração anterior o mesmo amor pela música de raiz cabo-verdiana mas, em todas elas, outros amores com vista para outras músicas.
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30 junho, 2009
O Amor É Fogo... (ou o Picante da Língua Portuguesa em Festival)
Imagine-se só, alguns dos melhores da lusofonia inteira, num único festival: O'QueStrada, João Gil com Shout, Chico César, Ana Moura, Sara Tavares, Da Weasel, Buraka Som Sistema (na foto), Tito Paris, Ghorwane, Tucanas... E imagine-se que tudo isto acontecia num mais que improvável festival dedicado a Camões. Mas é que acontece mesmo, e com estes nomes todos, vesgos ficamos nós... O programa, na íntegra:
«FESTIVAL "O Amor é Fogo"
Dias 17,18 e 19 de Julho | 21h30
ESTÁDIO MUNICIPAL DE OEIRAS
Integrado nas comemorações dos 250 anos do Concelho de Oeiras vai
realizar-se o Festival "O Amor é Fogo" nos dias 17, 18 e 19 de Julho, no
Estádio Municipal de Oeiras.
João Gil + Shout, Chico César, Ana Moura, Sara Tavares, Da Weasel e Buraka
Som Sistema são alguns dos artistas que constituem o cartaz deste Festival,
com um programa abrangente que pretende privilegiar a Língua Portuguesa nas
suas mais variadas expressões, assim como homenagear o maior de todos os
poetas portugueses Luís Vaz de Camões. Por esta razão todos os
intervenientes encerram a sua participação musicando o poema "Amor é Fogo".
Preço dos Bilhetes: 1 dia 10 € | Passe para os 3 dias 20 €
Locais de Venda: Ticketline (
Lojas Fnac, Lojas Worten, Lojas Bliss, Livraria Bulhosa, Agências Abreu,
Megarede, ABEP, Agência Alvalade, C.C. Dolce Vita (Coimbra, Ovar, Vila Real
e Porto), El Corte Inglés, Postos de Turismo de Oeiras.
CARTAZ
Dia 18 de Julho
TITO PARIS
Grande como compositor, guitarrista e cantor, a sua discografia encontra-se
à venda em Nova Iorque, em Paris, por esse mundo fora.
Tito foi um dos artistas responsáveis por colocar no mapa Cabo Verde, um
arquipélago batido pelos ventos a 500 km ao largo de Dakar, que escondia um
tesouro, uma música envolvente de uma excepcional originalidade.
Com a sua voz doce e um swing quente, acompanhado em palco por 6 elementos
Tito Paris vai percorrer toda a sua carreira, oferecendo a todos os
presentes um espectáculo contagiante de energia, onde os ritmos quentes de
Cabo Verde apelam de imediato à dança.
JOÃO GIL e SHOUT
João Gil é sem dúvida um dos maiores compositores do nosso tempo.
Ao longo da sua vasta carreira já integrou muitos e importantes grupos,
como: Trovante, Cabeças No Ar, Rio Grande, Ala dos Namorados, Filarmónica
Gil entre outros. Compôs para muitos artistas e a música é a sua verdadeira
paixão.
Os Shout um grupo de 13 elementos são uma referência do gospel em Portugal.
Juntos em palco vão percorrer a carreira de João Gil lembrando temas como:
"Perdidamente", "125 Azul", "Loucos de Lisboa", "Saudade" e "Fim do Mundo"
só para citar alguns.
GHORWANE
Os Ghorwane são uma banda natural de Moçambique que foi buscar o seu nome ao
pequeno lago Gorhwane situado na escaldante e poeirenta província de Gaza em
Moçambique que mesmo no tempo mais quente nunca seca.
Formados em 1983 a sua música que mistura fusão e afro -pop com os ritmos
tradicionais moçambicanos, e as letras de intervenção politica e social
torna-os um dos mais respeitados grupos moçambicanos.
No ano de 1990 Peter Gabriel convida-os para actuarem no WOMAD Festival e a
partir daí são presença assídua em muitos outros.
Actuando um pouco por todo o mundo os Gorhwane vêm agora ao "Festival Amor é
Fogo" onde não vão passar despercebidos.
CHICO CÉSAR
Este é um concerto obrigatório, e uma oportunidade de ver e ouvir um artista
que quando entra em palco a sua presença é hipnotizante, a voz um
instrumento que manuseia na perfeição, e que usa para conseguir uma perfeita
comunhão com o público.
O seu humor e energia, a par da sua voz mágica e o respeito pelas suas
raízes são coisas raras de se encontrar em espectáculos ao vivo.
Dia 18 de Julho
TUCANAS
As Tucanas são um quinteto feminino formado em 2001.
O seu principal objectivo é o uso de instrumentos percussivos:
De Bidões de plástico a Djambés, ao próprio corpo.
As suas harmonias vocais dão uma garra feminina muito curiosa.
Desde cedo começaram a chamar a atenção dos média e do público devido às
suas actuações, mas o primeiro disco (por opção própria) apenas foi editado
em 2007 com o título "Maria Café".
Os espectáculos das Tucanas assentam numa forte componente cénica "brincam e
jogam com o ritmo e a harmonia" dentro de um visual muito próprio que se
situa entre a sensibilidade feminina e a força rude de tocar percussão.
ANA MOURA
Filha de Santarém, localidade que a viu nascer, Ana Moura é uma fadista
reconhecida internacionalmente.
No ano de 2007 foi convidada a participar no concerto que os Rolling Stones
deram no Estádio de Alvalade para cantar em dueto com Mick Jagger o tema "No
Expection". Nesse mesmo ano recebeu o prémio Amália para melhor intérprete.
Em 2008 é nomeada para os Globos de Ouro na categoria de melhor intérprete
individual, que acabou de perder para Jorge Palma.
Neste espectáculo Ana Moura vai apresentar o seu último trabalho "Para Além
da Saudade" de onde se destaca o belíssimo tema "Búzios".
SARA TAVARES
Com quatro álbuns na bagagem e muitas actuações por esse mundo fora, a
música de Sara Tavares tornou-se uma música do mundo, alimentada pelos
encontros e viagens que ela fez ao longo dos anos.
À medida que Sara Tavares viajava e que as suas experiências enriqueciam a
sua música, ela descobria também uma nova simplicidade, uma confiança cada
vez maior na sua voz.
Mas todas as viagens implicam um regresso a casa para descansar, recuperar
energias e decidir o próximo destino. E é exactamente neste regresso a casa
que Sara nos vai apresentar ao vivo o seu novíssimo trabalho Xinti (Sente).
E é isso que vamos fazer. Sentir a emoção e bom feeling que sempre sentimos
quando vemos e ouvimos Sara Tavares.
Dia 19 de Julho
OQUESTRADA
A banda revelação do momento vai apresentar o seu álbum de estreia "Tasca
Beat".
Os Oquestrada actuam juntos há sete anos e atrevemo-nos a chamar-lhes uma
banda de "Fado dos Subúrbios".
No entanto, para entender a força e o carisma deste grupo que tem actuado um
pouco por Portugal inteiro, é necessário assistir a um concerto, só assim se
pode perceber toda a energia da banda que em palco se tornam completamente
hipnóticos e electrizantes ao juntarem Voz, música e encenação.
DA WEASEL
São sem qualquer dúvida a maior banda portuguesa na área do Hip Hop e não
precisam de apresentações.
Multiplatinados, galardoados com a Medalha de Ouro - Mérito Cultural da
Cidade de Almada, vencedores de três globos de ouro nas categorias de
"Canção do Ano" (2005) e "Melhor Grupo do Ano" (2005 e 2008), são ainda
vencedores do MTV Music Award no ano de 2007.
Com centenas de concertos dados, encheram o pavilhão Atlântico num concerto
inesquecível de luz, côr e energia em Novembro de 2007.
Os Da Weasel são a garantia de um grande espectáculo, onde quase todas as
suas músicas são hinos. Senão vejamos: "Toda a Gente", "Duia", "Outro
Nível", "Tas Na Boa", "Casa (Vou Fazer de Conta)", "Dialectos de ternura" ou
ainda o incontornável "Re-Tratamento", vulgarmente conhecido por "Nina".
BURAKA SOM SISTEMA
Os Buraka Som Sistema são a banda com mais foco do momento.
Acabados de chegar de uma digressão nos Estados Unidos, e vencedores de um
Globo de Ouro na categoria de Melhor Grupo, os Buraka tem uma sonoridade que
se integra no género musical Kuduro. São frequentemente apelidados como os
fundadores do novo som electrónico Kuduro Progressivo.
Preparem-se para um concerto enérgico, electrizante e muito dançável onde o
álbum de estreia "Black Diamond" vai ser a estrela principal».
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10 junho, 2009
Passatempo Tocar de Ouvido - Há Dois Bilhetes à Borla!
O Raízes e Antenas tem dois bilhetes (individuais) do festival Tocar de Ouvido para oferecer aos seus leitores. Os bilhetes são válidos para os três dias e destinam-se aos dois leitores que manifestarem a intenção de ir ao festival na caixa de comentários deste post. O Tocar de Ouvido, recorde-se, decorre na Arena de Évora, de 18 a 20 de Junho, com a presença das Leilía (na foto), Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro, Kepa Junkera, Dazkarieh, Sara Tavares e A Barca, para além das já tradicionais oficinas de instrumentos (e outras actividades) que o festival costuma apresentar.
Todas as informações, aqui.
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02 junho, 2009
Tocar de Ouvido - Com Kepa Junkera, Dazkarieh, Leilía, A Barca, Rabih Abou-Khalil...
A edição mais ambiciosa de sempre - e ainda bem! - do festival Tocar de Ouvido, organizado pela Pé de Xumbo, decorre na Arena de Évora, de 18 a 20 de Junho, com a presença das Leilía, Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro, Kepa Junkera, Dazkarieh, Sara Tavares e A Barca (na foto), para além das já tradicionais oficinas de instrumentos (e outras actividades) que o festival costuma apresentar. O comunicado oficial:
«Tocar de Ouvido
Festival Internacional de Música de Évora
18 a 20 de Junho
A grande reunião dos Tocadores e dos Instrumentos
Aprender concertina com Kepa Junkera e Artur Fernandes? Tocar Gaita-de-foles com Joaquim Roque? Cantar e tocar com as Leilia? E que tal aprender Rabeca, Pandeiro, Percussão Corporal ou Violão com alguns dos melhores músicos do Brasil?
De 18 a 20 de Junho, integrado na Feira de São João, o Tocar de Ouvido - Festival Internacional de Música de Évora, recebe grandes nomes das Músicas do Mundo, com os concertos na Arena d'Évora e oficinas, colóquios, exposições e documentários em vários pontos da cidade.
No dia 18, Dazkarieh e Sara Tavares inauguram o cartaz; no dia 19, é a vez de A Barca (Brasil) seguida de Rabih Abou Khalil e Ricardo Ribeiro (Líbano / Portugal). O dia 20 termina em grande festa com as Leilia (Galiza) e Kepa Junkera (País Basco). E para além dos concertos, ainda haverá oficinas com estes músicos!...
Formadores das Oficinas
Concertina/Trikitixa Artur Fernandes e Kepa Junkera
Gaita-de-fole Joaquim Roque e Francisco Pimenta
Pandeireta e Canto galego Felisa Segade (Leilía)
Voz Juçara Marçal e Sandra Ximenez (A Barca)
Violão brasileiro e composição Chico Saraiva (A Barca)
Rabeca Thomas Rohrer (A Barca)
Pandeiro e Ritmos brasileiros Ari Colares (A Barca)
Percussão Corporal Marcelo Pretto (A Barca)
Miixer Bitocas
Colóquios, Documentários e Exposições
E porque o saber não ocupa lugar, os dias serão também pontuados com conversas informais, colóquios e projecção de documentários sobre as músicas de raiz: no dia 18, "Joaquim Roque - a Vida de um Gaiteiro"; no dia 19, "Tradições do Futuro", com Victor Fernandes e O Mistério das Vozes Vulgares e no dia 20, "A Barca: reachamento do Brasil". Durante todo o festival estará patente na Biblioteca Pública de Évora a exposição "Homem, Terra, Música e Cordas", de Lia Marchi e Zig Coch, sobre a música tradicional do Brasil e que inclui a projecção dos últimos documentários desta autora, nos dias 19 e 20.
O Tocar de Ouvido é organizado pela Associação Pédexumbo em parceria com a Associação Gaita-de-foles, d'Orfeu Associação Cultural e tem o apoio da Câmara Municipal de Évora».
Mais informações, aqui.
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10 dezembro, 2008
Cantos na Maré - A edição 2008 Começa Hoje
Com direcção artística da cantora Uxía e direcção musical de Paulo Borges, a edição deste ano do Cantos na Maré - Festival Internacional da Lusofonía, inicia-se hoje, dia 10, em Pontevedra, Galiza, com uma mostra de cinema e continua nos próximos dias com um grande concerto que vai reunir Paulinho Moska (Brasil), Sara Tavares (Cabo Verde), Waldemar Bastos (Angola), Sérgio Godinho (Portugal) e Xabier Díaz (Galiza) - no dia 13 -, encontros com artistas lusófonos e a constituição de uma rede de agentes e produtores ligados à música do espaço lusófono.
Para quem não sabe, o Cantos na Maré - Festival Internacional da Lusofonía «é un proxecto cultural pioneiro e exclusivo no estado español, creado en Galiza cunha singular aposta cultural: trazar a través da lingua, da música, dos ritmos e dos sons un mapa común entre os territorios da lusofonía que comparten raíces.
CNM é unha iniciativa de aproximación de culturas e do fomento da diversidade, da interacción e da apertura de oportunidades á creación artística e ao intercambio.
O espectáculo musical, baseado na investigación e no enriquecemento, representa un dos eixes básicos da estrutura do proxecto. Este intercambio cultural activo é a base da filosofía, resultando un produto musical exclusivo de altísima calidade artística e humana».
Toda a informação, aqui.
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02 julho, 2007
Festival MED - O Tapete Voador, a Cadela Light Designer e a Maior Banda Rock do Mundo
Foi preciso ir ao último MED de Loulé para ver um verdadeiro tapete voador, cruzar-me todos os dias com quatro ovelhas num campo de papel de parede, conhecer uma cadela que é light designer, gostar de iogurte pela primeira vez na minha vida e ver a maior banda rock do mundo.
Para além da música, que é o prato principal, o Festival MED tem sempre mil outras coisas a acontecer. Pelo recinto passeiam figuras fascinantes: uma «andaluza» que conta a lenda das amendoeiras em flor com um dedal-princesa-nórdica e um dedal-príncipe-mouro perante um grupo de crianças fascinadas, uma «rainha egípcia» (Nefertiti?) em busca de par para o seu gato ou um «turco» que possui tapetes coçados, mas valiosíssimos, porque voam mesmo! Ou uma cadela loira, lindíssima e devotíssima ao seu dono (o técnico italiano responsável pela iluminação dos vários palcos do festival), que o segue por todo o lado, que entra em stress quando ele sobe à teia dos palcos e que transporta ao pescoço uma acreditação oficial que diz «Staff - Alandra, Light Designer». E há outras figuras que não se mexem mas encantam na mesma: dois dançarinos apanhados a meio de um complicado passo de corridinho algarvio, duas crianças e o seu cão a brincar numa praia do Mediterrâneo ou quatro ovelhas que nos sorriem sobre um padrão de papel de parede. E figuras híbridas, que se encontram algures entre a realidade, a arte e a ficção, como as marionetas que fazem de uma corda de roupa o seu mercado de trocas e vendas, as pulgas invisíveis que saltam de uma caixa de fósforos fosforescente ou o improvável casal burocrata de gravata/flor verde e amarela. E, por falar em flor, atrevi-me pela primeira vez na minha vida a juntar iogurte - matéria láctea que nunca entra na minha dieta - ao kebab, num dos muitos e excelentes restaurantes do recinto. Tinha muito picante por cima e aquilo até resultou bem. Até agora, tudo o que aqui foi escrito é a mais pura das verdades; mesmo que não pareça. E isso é importante dizer, para se perceber que também é verdade o que se vai escrever a seguir: no MED de Loulé tocou a maior banda de rock do mundo. Adeus Rolling Stones. Adeus U2. Adeus Metallica. Adeus aos outros todos em que se esteja a pensar. Olá Tinariwen!
Os Tinariwen (na foto; de Mário Pires, da Retorta) deram o melhor concerto do MED deste ano. E chamar-lhes «a maior banda rock do mundo» - mais ainda do que chamar-lhes «a melhor banda rock do mundo» - não é nenhum exagero. Basta assistir a um concerto desta nova fase da banda do Mali, a fase pós-«Aman Iman» - e o concerto em Loulé foi disso exemplar - para se perceber o elevadíssimo grau de verdade que a sua música atingiu. Uma verdade feita de muitas verdades, é certo, porque nela convivem muitas guitarras eléctricas e as sombras de Robert Johnson, de Jimi Hendrix ou dos Jefferson Airplane com a(s) música(s) que os tuaregues atravessam nas suas viagens - a música árabe, a música gnawa, a música mandinga, a sua própria música... -, mas ainda mais verdadeira por isso: a música de um povo que viaja por vários territórios geográficos mas também pelos territórios que as rádios e as televisões lhes dão a conhecer. E se umas e outras músicas estão ligadas por laços fortíssimos, históricos, como os blues e o rock o estão à zona de que são originários os Tinariwen, essa verdade, então, deixa de ser apenas verdade para passar a ser A Verdade. Uma Verdade maior da maior banda rock da actualidade (e quem não acredita ainda pode tirar as teimas, dia 5, quando os Tinariwen actuarem no S.Jorge, em Lisboa, ou dia 6, no Festival Évora Clássica).
O concerto dos Tinariwen foi o melhor de todo o MED. Mas houve outros que estiveram lá quase. O do italiano Vinicio Capossela, com a sua «orquestra» de cordofones (um «bandolinzinho», bouzouki, guitarra eléctrica, banjo, ele próprio na guitarra «dobro» quando não estava ao piano ou a assumir personagens míticas com a ajuda de máscaras...), a voar com o seu vozeirão de barítono entre o romantismo mais desesperado, a fúria incontida ou o humor sardónico, tudo servido sobre bases inesperadas que foram do alt.country dos Calexico ao caos sónico dos Sonic Youth, passando pela música do «Quo Vadis» ou do «Ben-Hur». O dos Bajofondo Tango Club, que encerraram o festival com o seu tango modernizado, orgânico, vivo, inventivo, pulsante, imaginário e que instalaram a festa entre o público (parte do qual foi convidado pela banda a subir ao palco para dançar); Gustavo Santaolalla tem neste projecto pessoal (onde canta e toca guitarra eléctrica) um laboratório de experiências que deixou de ser ciência para passar a ser arte (no que é coadjuvado belissimamente por músicos de primeira água - o violinista, o bandoneonista, o contrabaixista, o pianista e DJ... - e uma VJ extremanente original. O do Sergent Garcia, com a sua máquina de dança e intervenção política («Free your mind and your ass will follow», dizia George Clinton), onde nunca se percebe onde começa uma e acaba a outra, sendo por isso possível dançar uma cumbia enquanto se apoia os zapatistas mexicanos ou entrar num ragga estonteante enquanto se critica o Bush. E o de Aynur, onde a cantora curda da Turquia (ou turca só porque não a deixam ser curda de nacionalidade) arrebatou toda a gente, logo a abrir o festival, com a sua voz belíssima, canções tradicionais e um grupo de músicos soberbos em que sobressaíam o saz (que ela própria também tocou num momento a solo), o nay, o violino e as percussões árabes; e com uma enormíssima vantagem em relação ao concerto que dela vi na WOMEX de Sevilha: em Loulé não tinha sintetizadores a atrapalhar-lhe o brilho intenso da voz.
Bons concertos - mas sem atingirem o brilho dos já referidos - foram os de Natacha Atlas, ainda dona de uma voz belíssima e apresentando um reportório - grandemente baseado no último álbum, «Mish Maoul» - de um assinalável bom-gosto (desde antigos temas românticos egípcios ou libaneses até bossa-nova, uma canção folk inglesa e uma homenagem a... Nina Simone); de Sara Tavares, que cada vez mais faz mais e melhor a ponte entre várias músicas tradicionais e da contemporaneidade, para além de se sentir cada vez mais à-vontade em cima do palco (e o uso frequente da palavra «mais» aqui foi apenas uma coincidência); e dos Yerba Buena, profissionalíssimos na sua função de fazer chegar ao público uma música - feita de ritmos latino-americanos, hip-hop, funk, soul... - que lhe é atirada directamente aos pés e ao rabo, obrigando-o a dançar do princípio ao fim (e isto é um elogio). A meio caminho entre o bom e o mau concerto ficaram Akli D. - que deu um espectáculo muito pior do que na WOMEX de Sevilha, talvez porque vários problemas familiares assolaram um dos músicos da banda, um estado de espírito que também assombrou o resto dos seus amigos -; os L'Ham de Foc, fabulosos quando estavam a interpretar os seus temas de geografias e épocas distantes entre si mas que cortaram o ritmo ao concerto para afinar os instrumentos durante penosos minutos; e os Chambao, que têm em Mari uma cantora de elevadíssimos recursos que merecia uma banda melhor e mais empenhada do que aquela que a acompanha (e bastou assistir ao magnífico e contrastante encore para se perceber como o concerto poderia ter sido muito melhor). E pelo mau ficaram-se, surpreendentemente, os Taraf de Haidouks que, apesar de terem apresentado vários temas do seu novíssimo álbum «Maskarada» (em que pontificam peças clássicas de compositores como Bartók, Ketèlbey, Albéniz ou Manuel de Falla, todos inspirados na música cigana e, através dos Taraf, de volta a «casa»), se mostraram desconcentrados, desmotivados e alterados.
O texto já vai longo, mas - sem esquecer a referência a coisas óbvias como o aumento do recinto (que chega agora à igreja matriz de Loulé, ao lado da qual está um dos palcos principais), ao facto de por lá terem passado nestes dias muitos milhares de pessoas, com enchentes em pelo menos três dos dias) e à má notícia que foi o cancelamento da actuação de DJ Shantel - ainda há espaço para mais algumas notas finais: as belas surpresas que foram o trance orgânico, acústico e selvagem dos OliveTree; a consistência dos Rosa Negra com o seu fado sofisticado e que viaja pelo Mediterrâneo fora; a excelência dos espanhóis Estambul, fusão conseguidíssima de jazz com música árabe, turca e balcânica; e o como resultou belíssimo o cruzamento da música bem escolhida por Raquel Bulha com os desenhos feitos e projectados em tempo real pelo autor de BD José Carlos Fernandes - que, do vazio de um papel branco, fez nascer émulos de Nusrat Fateh Ali Khan, Lila Downs, Tinariwen, odaliscas e opulentas mulheres africanas. São outras figuras, umas vivas, outras mortas, umas reais, outras imaginárias - ou a meio caminho -, umas cinéticas, outras plasmadas... Mas todas Verdadeiras.
26 junho, 2007
Festival MED de Loulé Começa Já Amanhã!
A edição deste ano do Festival MED de Loulé começa já amanhã, dia 27, e continua até dia 1 de Julho, na zona do antigo Castelo de Loulé, com inúmeros concertos de artistas e grupos de várias zonas do Globo e de diversos géneros musicais. Dos artistas cabeças-de-cartaz do festival já antes o Raízes e Antenas tinha dado conta, mas desta vez fica-se aqui a saber todos os nomes do Med, separados por dias e palcos de actuação. Palco da Cerca: Aynur (Turquia) dia 27; Natacha Atlas (Egipto/Bélgica) dia 28; Akli D (Argélia) e Taraf de Haidouks (Roménia) dia 29), L'Ham de Foc (Espanha) e Yerba Buena (Estados Unidos; na foto) dia 30; Bajofondo Tango Club (Argentina/Uruguai) dia 1. Palco da Matriz: Quarteto de Cordas Intermezzo (Portugal) e Sara Tavares (Portugal/Cabo Verde) dia 27; Trio de Metais do Alentejo (Portugal) e Sergent Garcia (França) dia 28; Trio Lusitano (Portugal) e Tinariwen (Mali) dia 29; Eudoro Grade (Portugal) e Vinicio Capossela (Itália) dia 30; Duo Flacord (Portugal) e Chambao (Espanha) dia 1. Palco do Castelo: In-Canto (Portugal) dia 27; Estambul (Espanha) e DJ Shantel (Alemanha/Balcãs) dia 28; Toques do Caramulo (Portugal), Uxu Kalhus (Portugal) e DJ Single Again (Portugal) dia 29; Rosa Negra (Portugal), OliveTree (Portugal) e DJ Raquel Bulha (Portugal) dia 30; Amálgama - Tablao do Fado (Portugal) dia 1. Palco da Bica: Jazz Ta Parta (Portugal) e Al-Driça (Portugal) dia 27; Nanook (Portugal) dia 28; Quarteto Alma Lusa (Portugal) dia 29; Fadobrado (Portugal) dia 30; Cherno More Quartet (Bulgária/Síria/Sudão) e Duo Angola Brasil (Portugal) dia 1. Palco Classic (na Igreja Matriz): com alguns dos nomes já referidos em dose «reforçada». Exposições de artes plásticas relacionadas com a temática do festival, artesanato, gastronomia do Mediterrâneo, workshops, teatro, animação de rua, marionetas, performances e uma zona chill-out integram também o programa do festival. E há reportagem prometida neste blog lá mais para segunda-feira (ou terça, se o cansaço apertar).
19 maio, 2007
Festival MED - Tantos Mares em Loulé!
A 4ª edição do Festival MED de Loulé apresenta o melhor cartaz de todas as que até agora se realizaram, com concertos de importantes grupos e artistas vindos de variadíssimas zonas do globo e não só da baía do Mediterrâneo, mote primeiro do festival. E ainda bem! De 27 de Junho a 1 de Julho, a zona do antigo castelo de Loulé acolhe concertos, no primeiro dia, da cada vez mais madura e coerente Sara Tavares (Portugal/Cabo Verde) e da interventiva cantora curda Aynur (Turquia; na foto); no segundo, da ex-vocalista dos Transglobal Underground e diva da música de fusão Natacha Atlas (Bélgica/Egipto), do fusionista de punk, reggae e música latino-americana Sergent Garcia (França) e do principal misturador da música das fanfarras balcânicas com a electrónica, DJ Shantel (Alemanha); no terceiro há lugar para a música tuaregue infectada pelos blues e o rock dos Tinariwen (Mali), o misto único de melancolia e festa dos Taraf de Haidouks (Roménia) e a música da Kabilia revista à luz de vários géneros ocidentais do cantor Akli D. (Argélia); no quarto é a vez do genial e incatalogável cantor e compositor Vinicio Capossela (Itália), da mescla de muitas músicas modernas com a música latino-americana dos Yerba Buena (Estados Unidos) e do duo valenciano de folk, música medieval, música grega e tudo à volta L´Ham de Foc (Espanha); e, para fim de festival, dois projectos que juntam músicas tradicionais do seu país com a electrónica - o tango trazido para a contemporaneidade pelos Bajofondo Tango Club, de Gustavo Santaolalla (Argentina) e o flamenco-chill dos Chambao (Espanha). E, claro, nas ruas circundantes e nos outros palcos ainda há lugar para muitos outros concertos (principalmente de novos grupos de música tradicional, folk e de fusão portugueses), sessões de DJ a puxar a dança, inúmeras bancas de artesanato, restaurantes de variados sabores mediterrânicos, workshops e animação de rua. Mais informações aqui.
06 março, 2007
Sara Tavares - Bons Feelings de Norte a Sul
A cantora Sara Tavares efectua durante este mês de Março a sua primeira digressão nacional de apresentação do excelente álbum «Balancê», com concertos dia 9 no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, dia 10 no Centro Artes de Portalegre, dia 17 no Cine Teatro de S. João, do Entroncamento, dia 24 no Cine Teatro de Estarreja, e dia 27 no Cinema S. Jorge, em Lisboa. Depois, durante a Primavera e Verão, Sara Tavares actuará em concertos e festivais em Itália, Suécia, Noruega, Holanda, Alemanha, Polónia e Itália. Há alguns meses, no Festival Sons em Trânsito de Aveiro, a cantora mostrou já este espectáculo, do qual ficou aqui escrito neste blog: «Sara Tavares mostrou ao vivo aquilo que já tinha mostrado em disco: que já está muito, muito, longe dos concursos televisivos e de um início de carreira oscilante entre géneros mais mainstream e algumas paixões pessoais, como o gospel. Agora, Sara está o que sempre foi e que pareceu estar esquecido durante alguns anos: que é uma cantora luso-cabo-verdiana, ainda por cima uma belíssima cantora (e, acrescente-se, compositora). Nela ainda habitam ecos de soul, funk, pop, r'n'b, reggae, mas isso é bom, muito bom, quando assim integrado em música que vai a Cabo Verde (e a outros lugares de África) buscar a sua inspiração. Mais a mais, quando Sara Tavares é acompanhada por uma banda que inclui o guitarrista e cantor com frutuosa carreira em nome próprio Boy Gê Mendes (e que com ela fez um dueto durante o concerto) e para o discreto mas seguríssimo baterista N'dú».
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03 dezembro, 2006
Sons em Trânsito - O Futuro É o Novo Passado
A quinta edição do Festival Sons em Trânsito, em Aveiro, terminou esta madrugada a sua viagem de união de muitos lugares distantes, sim, mas também de músicas que vão muito longe, no tempo, buscar a sua forma ou inspiração. Unindo, num continuum temporal - que pode durar centenas de anos ou apenas alguns minutos -, antiquíssimas ragas indianas com Jimi Hendrix, a memória de Carlos Gardel e velhos violinos do tempo dos gramofones, ecos de Nino Rota e de Hermínia Silva, tudo incarnando em cantores e músicos lançados para um futuro utópico em que o passado e o futuro, ou o aqui e o muito longe, deixam de ter importância alguma.
Sempre com casa cheia - só no sábado a lotação não esteve esgotada -, o SET abriu na quarta-feira com um furacão chamado Cristóbal Repetto (na foto), argentino de 24 aninhos que transporta na voz o grão fantasmático de Carlos Gardel. São tangos e milongas, músicas campesinas e os sons das pampas numa canção de Atahualpa Yupanqui, cantados por Repetto numa voz quente, vibrante, emocional. A acompanhá-lo estiveram três guitarristas competentes e um músico extraordinário: Javier Casalla num arrepiante violinofone (ou violino-corneta ou violino Stroh, assim chamado em honra do seu inventor, Johannes Stroh, instrumento que esteve em voga no início do século XX e em que no violino um sistema de amplificação substituía a caixa de ressonância).
Depois, a entrada do maliano Ballaké Sissoko para um belíssimo solo de kora fez crescer água na boca para um concerto que não correspondeu às expectativas geradas por esse momento inicial: o italiano Ludovico Einaudi, durante o resto do espectáculo, afogou a kora de Sissoko com o seu piano, não deixando espaço para o diálogo entre os dois instrumentos. Foi um concerto bonito, sim - a música de Einaudi navega águas próximas das de Philip Glass, Michael Nyman ou Wim Mertens, indo aqui e ali ao jazz e aos blues - mas em que a kora apenas serviu de apontamento exótico.
Na segunda noite, a melhor do festival, o indiano Debashish Bhattacharya usou duas guitarras-slide semelhantes às ocidentais mas com um timbre muito próximo do das sitars para, partindo de uma longa e hipnótica raga tradicional, avançar depois em direcção aos blues do Mississippi, ao rock - houve momentos que lembraram Jimi Hendrix, outros Led Zepellin - à música havaiana, mexicana e andina, numa viagem fabulosa. A acompanhá-lo esteve outro músico fantástico, Subhasis Bhattacharjee - cujas tablas, em que por vezes se adivinhavam drum'n'bass e música africana, forneceram crescendos de intensidade e velocidade quase assustadores (é um elogio), e Christian Ledoux numa tambura discreta.
Depois... Kepa Junkera! E é sempre um prazer enorme ver o mestre da trikitixa (acordeão diatónico). Os anos passam, os discos sucedem-se, os espectáculos também, mas há sempre uma emoção especial quando se vê e ouve este extraordinário músico basco em palco. E essa magia voltou a acontecer no Teatro Aveirense, com Kepa a viajar pelas danças tradicionais do seu país - se não ainda real, pelo menos sonhado - mas também por inúmeros outros lugares, da Argentina ao norte de África. A txalaparta - tocada por dois percussionistas inventivos e competentíssimos - e a alboka (a gaita-sem-foles, piada!, basca) reforçavam a ligação às raízes. Mas, durante o concerto de Kepa, as antenas estiveram também sempre no ar.
Na terceira noite, Sara Tavares mostrou ao vivo aquilo que já tinha mostrado em disco: que já está muito, muito, longe dos concursos televisivos e de um início de carreira oscilante entre géneros mais mainstream e algumas paixões pessoais, como o gospel. Agora, Sara está o que sempre foi e que pareceu estar esquecido durante alguns anos: que é uma cantora luso-cabo-verdiana, ainda por cima uma belíssima cantora (e, acrescente-se, compositora). Nela ainda habitam ecos de soul, funk, pop, r'n'b, reggae, mas isso é bom, muito bom, quando assim integrado em música que vai a Cabo Verde (e a outros lugares de África) buscar a sua inspiração. Mais a mais, quando Sara Tavares é acompanhada por uma banda que inclui o guitarrista e cantor com frutuosa carreira em nome próprio Boy Gê Mendes (e que com ela fez um dueto durante o concerto) e para o discreto mas seguríssimo baterista N'dú.
E, a seguir, a festa que se esperava com os franceses Lo'Jo não chegou a acontecer. O concerto foi bom mas esteve longe de ser a folia pegada que foi da última vez que os vi, no MED de Loulé. Mesmo assim - e no meio de alguns temas menos conseguidos -, Denis Péan e a sua trupe mirabolante (que inclui duas cantoras multi-instrumentistas) serviram-nos um sempre interessante cocktail de rock progressivo, jazz de fusão, chanson (Brel, Brassens e Ferré erguem-se na sombra de Péan), música gnawa, mandinga, árabe, brasileira... Uma música em que melódicas convivem com koras, um harmonium indiano com baixo eléctrico, njarkas com piano, qraqabas com talking drum, saxofone com programações electrónicas. Com papéis mas... sem fronteiras.
A última noite começou com a fadista Aldina Duarte e com o seu fado cru, descarnado, sentido, longe, tão longe (uuups!) dos trinadinhos, dos floreados e dos agudíssimos de outras cantoras. E, apesar de em Aveiro ter demorado algum tempo até encontrar o rumo da voz, quando engatou fê-lo com uma alma e um espírito e um coração enormes. E com uma característica que a diferencia de muitas outras cantoras contemporâneas: em Aldina não está... Amália Rodrigues. Antes estão lá Hermínia Silva, Beatriz da Conceição, Lucília do Carmo, Argentina Santos. Amália, nunca. E com outra, esta felizmente comum a muitas outras cantoras: as letras (dela ou de João Monge) são sempre muito boas. E só assim, com letras tão boas, se pode imaginar que se pode pegar nas pontas do arco-íris e fazer dele um cachecol...
Para fechar a programação da sala principal do Teatro Aveirense estava reservada uma excelentíssima surpresa: o compositor e multi-instrumentista (bandolim, banjo, guitarra... e voz num tema do concerto) francês René Aubry deu outro fabuloso concerto. Na sua música - muita dela feita para filmes e bailados, nomeadamente de Pina Bausch - coabitam Nino Rota e Pascal Comelade, Michael Nyman e rembetika grega, a Penguin Cafe Orchestra e fado, música napolitana e um catálogo completo mas não ortodoxo de compositores clássicos. Toda ela sempre apresentada com uma originalidade e um brilho extraordinários e bem servida por uma «orquestra» maravilhosa.
O fim do festival foi protagonizado pelos Dazkarieh, que actuaram no Salão Nobre perante uma plateia completamente rendida à sua folk eléctrica e electrizante. Pena foi o péssimo som durante grande parte do concerto. Como pena foi que as sessões de contos não tenham decorrido à tarde ou, em alternativa, num espaço diferente do do bar do Teatro, com o burburinho natural circundante. Mas isto são apenas pormenores menores de mais um SET inesquecível.
02 novembro, 2006
Sons em Trânsito - Romaria a Aveiro
Aproxima-se uma nova e previsivelmente excelente (pelos nomes seleccionados) edição do Festival Sons em Trânsito - SET - em Aveiro. Quatro dias - 29 e 30 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro - com muita da melhor música que se faz por esse mundo fora, de Portugal à Índia, do País Basco à Argentina, de França a Itália e ao Mali. Sempre no Teatro Aveirense.
Dia 29, o festival abre com concertos do argentino Cristóbal Repetto, jovem cantor de tango, e com a fusão de piano e da kora mandinga protagonizada pelo italiano Ludovico Einaudi e pelo jali maliano Ballaké Sissoko. Dia 30 é a vez de outros dois mestres nos seus instrumentos: o indiano Debashish Bhattacharya (em guitarras-slide inspiradas em instrumentos tradicionais como a sitar ou a veena) e o regresso do basco Kepa Junkera (na foto), com a sua trikitixa (acordeão diatónico) mágica. Dia 1, a luso-cabo-verdiana Sara Tavares apresenta o seu novo e belíssimo álbum «Balancê» enquanto os franceses atravessados pelo espírito do norte de África Lo'Jo ficam a prometer festa parecida à que assinaram, o ano passado, em Loulé. Para terminar, dose tripla com o fado em carne-viva de Aldina Duarte, as bandas-sonoras de René Aubry e a folk electrizante dos Dazkarieh. Para além dos concertos, a quinta edição do Sons em Trânsito inclui também as já habituais sessões de contos e uma feira do disco. Mais informações aqui.
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