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06 abril, 2007

Cromos Raízes e Antenas XVI


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XVI.1 - João Gilberto



Há uma lenda que conta que o gato de João Gilberto (na foto, com Astrud Gilberto) se suicidou, atirando-se de uma janela, por já não poder ouvir o seu dono ensaiar mais vezes, e de forma obsessiva, a canção «O Pato» (uma outra versão diz que o gato apenas fugiu de casa). Mas, como todas as lendas, esta serve pelo menos para mostrar como o brasileiro João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (nascido a 10 de Junho de 1931, perto da Bahia) é um maníaco da perfeição. Inventor da bossa-nova (ao lado de Tom Jobim e de Vinicius de Moraes), cantor e guitarrista, João Gilberto notabilizou-se essencialmente pela sua interpretação pessoalíssima de muitas das canções compostas por Jobim e Vinicius. Ponto muito alto da sua carreira foi o maravilhoso álbum «Getz/Gilberto» (1964), com o saxofonista de jazz norte-americano Stan Getz, Jobim e a sua mulher Astrud Gilberto.


Cromo XVI.2 - Sainkho Namtchilak



A fabulosa cantora Sainkho Namtchylak é uma das principais embaixadoras da música de Tuva (juntamente com os Yat-Kha, os Huun-Huur-Tu e os Chirgilchin), embora muitas vezes seja acusada de se estar a afastar gradualmente das suas raízes - o que, de certo modo, é verdade, não tanto pela inclusão de electrónicas na sua música mas mais pela sua crescente tendência em abandonar o «throat-singing» da sua região natal em favor de uma voz mais «normal». Mas isso não impede que Sainkho (nascida em 1957 numa aldeia do Sul da Mongólia) tenha uma carreira em que soube levar - às cavalitas numa voz que abrange sete oitavas - a música de Tuva aos quatro cantos do mundo, mesmo que misturada com electrónicas, jazz de vanguarda ou música experimental. Álbuns aconselhados: «Tunguska-guska», «Lost Rivers», «Out of Tuva» e «Who Stole The Sky».


Cromo XVI.3 - Juju Music



A «juju music» é a forma musical mais conhecida da Nigéria, descendendo directamente dos ritmos tradicionais da etnia Yoruba e fixando-se nos anos 20 do século passado como uma forma autónoma da «palm-wine music» (popular em países como a Serra Leoa ou Libéria), tendo artistas como Tunde King e Ojoge Daniel gravado discos de juju nessa década. Com o advento dos instrumentos eléctricos, a «juju music» avança numa nova direcção, mais ocidentalizada mas sem por isso perder as suas principais características rítmicas originais, sendo dada a conhecer no exterior por artistas como o importantíssimo King Sunny Adé (na foto), I.K. Dairo, Ebenezer Obey ou J.O. Araba. Mas outros nomes da juju são também de realçar como Admiral Dele Abiodun, Comfort Omoge, Shina Peters, Wale Thompson (que funde juju com hip-hop), Emperor Wale Olateju, Chief Zebulon Omoranmowo ou Lady Balogun.


Cromo XVI.4 - Dead Can Dance



O duo Dead Can Dance é, provavelmente, um dos grupos rock que mais gente levou (juntamente com os Pogues) a interessar-se por outros géneros musicais, nomeadamente a chamada «world music». Formado por Lisa Gerrard e Brendan Perry, o duo iniciou a sua carreira em Melbourne, na Austrália, em 1981, mas pouco tempo depois fixou-se em Londres engrossando os quadros da histórica 4AD. Fundindo, ao longo dos tempos, géneros musicais tão diferentes quanto a pop, a folk, música medieval e renascentista e inspirações vindas um pouco de todo o mundo, os Dead Can Dance foram por vezes erradamente enfiados nas correntes gótica e dark-wave devido à beleza intemporal, fluida, etérea de muitos dos seus temas, muitos deles coroados pela voz mágica de Lisa Gerrard. O fim chegou, oficialmente, em 1999 (o último álbum, «Spiritchaser», é de 1996), mas em 2005 os dois ainda fizeram uma digressão conjunta.

09 setembro, 2006

Atlantic Waves - Montra Portuguesa em Londres


O extraordinário Festival Atlantic Waves - a maior mostra de música portuguesa (muitas vezes em excitantes cruzamentos com músicas, e músicos, de outras partes do mundo) - ocupa vários palcos londrinos na sua edição deste ano, comemorativa do 50º Aniversário da presença da Fundação Calouste Gulbenkian na Grã-Bretanha. O festival decorre durante todo o mês de Novembro, em várias salas da capital inglesa - Royal Albert Hall, South Bank Centre, Barbican, Union Chapel, The Spitz e St. Giles Cripplegate - e apresenta música feita por artistas do nosso país e do Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Canadá, Estados Unidos, Brasil, Cabo Verde, Angola, Madagáscar, Tuva, Coreia do Sul, Japão e Austrália, em muitos casos em duetos e colaborações inesperadas.

Entre o elenco do festival contam-se concertos de Mariza (na foto) - com Carlos do Carmo, o maestro e violoncelista brasileiro Jaques Morelenbaum e o cabo-verdiano Tito Paris como convidados especiais -, Madredeus, Arditti Quartet (com o percussionista Pedro Carneiro), Carlos Bica (com Kang Tae Hwan, Miyeon e Park Je Chun), Maria João e Mário Laginha, Carlos Zíngaro e Carlos Santos (com Ned Rothenberg e Kang Tae Hwan); concertos de música africana com Sara Tavares, Tcheka e Modeste; música improvisada por David Maranha e Margarida Garcia (os dois com convidados, em vários concertos e formatos, como Arnold Dreyblatt, Mark Sanders, Hannah Marshall, Jacob Kirkegaard, Philip Jeck, Z’EV, Robert Rutman e Oren Ambarchi), Victor Gama (em duas propostas, com Thomas Köner, Asmus Tietchens e Max Eastley como convidados), Paulo Raposo (com Akira Rabelais), Alfredo Costa Monteiro (com John Duncan); e, a finalizar o festival, dois agrupamentos livres e inusitados na exploração da voz: Janita Salomé com a diva do canto politónico de Tuva Sainkho Namtchylak e a não menos extraordinária cantora Tanya Tagaq (cantos inuit do Canadá), e Maria João e Américo Rodrigues com Dokaka (Japão) e Shlomo (Reino Unido), dois respeitados nomes do beat-box vocal. Site oficial do festival: www.atlanticwaves.org.uk/