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19 dezembro, 2006

Prendas no Sapatinho 1 - Richard Thompson


O Natal é sempre uma boa desculpa para investir, por via directa ou indirecta, em objectos (livros, CDs, DVDs...) mais caros do que o habitual, seja através da magnífica invenção que é a auto-prenda («Quer que embrulhe?», «Não, não é preciso, é p'ra mim») quer através da pedinchice descarada aproveitando o flanco aberto do inimigo («Então netinho, o que é que queres que eu te dê este Natal? Meias?», «Não, não, deixe estar, pode ser só a caixa de cinco CDs do Sufjan Stevens»). A caixa de cinco CDs do Sufjan Stevens também entra nesta minha lista, mas para já, aqui fica o Sr. Richard Thompson...


RICHARD THOMPSON
«1000 Years of Popular Music»
Cooking Vinyl

O mote para esta aventura extraordinária de Richard Thompson foi, diz ele, um convite que a «Playboy» lhe lançou e a mais alguns artistas: «Escolha as dez melhores canções dos últimos mil anos». E, diz Thompson, pensou: «Hipócritas, eles querem é uma lista das melhores canções dos últimos vinte anos...». E vai daí, pimba!, pôs-se a pesquisar canções com centenas de anos, juntou-lhe algumas mais recentes e a lista da «Playboy» transformou-se num espectáculo e um destes espectáculos (em São Francisco, Estados Unidos) neste magnífico DVD, com dois CDs audio com o mesmo alinhamento acoplados. Aqui, Richard Thompson (se for necessário referi-lo: o cérebro por trás dos primeiros anos dos Fairport Convention e um dos maiores senhores da folk britânica dos últimos, oops!, mil anos), ocupa-se da guitarra acústica e da voz, acompanhado por Judith Owen (teclas e voz, e que voz!!!, em alguns dos temas que ela canta a solo) e Debra Dobkin (percussões e coros), e revisita canções sagradas e profanas medievais e renascentistas, madrigais e canções vitorianas, cantos de marinheiros e o music-hall britânico do início do séc. XX, passando por Inglaterra, Itália e Escócia. Depois atira-se à música para filmes de Hollywood, a Cole Porter e a Nat King Cole, ao rock'n'roll via Jerry Lee Lewis e à country via Buck Owens. E à pop - estão aqui os Kinks, os Squeeze, os australianos Easybeats e... Britney Spears, com uma divertidíssima versão de «Oops!... I Did It Again» (com uma parte - risos - que parece saída do bolso de um trovador medieval!). No encore há mais três docinhos: o standard «Cry Me a River», um tema de uns tais Bowling For Soup e uma delirante canção de piratas. O todo é uma maravilha completa que, para além do prazer que nos proporciona como excelentíssimo objecto de escuta que é, põe uma questão só relativamente palerma: quantas mais canções dos últimos mil anos será preciso redescobrir? (10/10)

24 outubro, 2006

«Rogue's Gallery» - 43 Canções no Baú do Morto e Uma Garrafa de Rum


Um dos melhores álbuns deste ano chega-nos através de uma ideia de Gore Verbinsky e Johnny Depp (pois, o realizador e a estrela d'«Os Piratas das Caraíbas»), com produção artística e musical do enorme Hal Willner (ele que é sempre o homem certo para os projectos arrojados e as grandes homenagens, sejam a Edgar Allan Poe, Nino Rota, Thelonious Monk ou Kurt Weill). O álbum chama-se «Rogue's Gallery», tem como sub-título «Pirate Ballads, Sea Songs & Chanteys» e inclui interpretações de muita da melhor gente que a folk e o rock têm para oferecer.

VÁRIOS
«ROGUE'S GALLERY»
Anti- Records

Se se quiser, «Rogue's Gallery» não é bem um disco. É mais um filme em que as cenas se sucedem sem cessar (parece um trava-línguas e é), com personagens míticas que incluem piratas da perna de pau e corsários enlouquecidos pelo brilho do ouro, marinheiros mirrados pelo escorbuto e as suas noivas deixadas num porto qualquer, capitães bêbados de rum e de sal, um Neptuno que faz soprar tempestades sobre os galeões e as sereias que seduzem os marujos prestes a naufragar, rapazes aventureiros em busca de fortuna e de amor. E um mapa do tesouro com um X brilhante lá no meio. Os actores?... Baby Gramps, Nick Cave, Bryan Ferry (a solo e num fabuloso dueto com Antony), Loudon Wainright III, Gavin Friday, Martin Carthy, Mary Margaret O'Hara, Jack Shit e Lou Reed (também com Antony a espreitar por trás) estão todos soberbos na interpretação destas canções trazidas pelo mar. E, lá pelo meio, ainda há muitas outras boas interpretações - embora não ao nível das referidas -, por Bono, Van Dyke Parks, Joseph Arthur, David Thomas, Teddy Thompson, Eliza Carthy, Lucinda Williams, Ed Harcourt e Stan Ridgway, entre outros. O álbum, repete-se, é fabuloso, não só na escolha destas canções antigas como na selecção do elenco (eu também meteria Tom Waits, Shane MacGowan e PJ Harvey ao barulho, que não estão neste álbum mas poderiam muito bem estar...) e nos ambientes e arranjos musicais que os rodeiam. Aqui, só Richard Thompson (surpreendentemente!), Akron/Family, Andrea Corr e Sting falham o X deste magnífico mapa. (8/10)