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03 maio, 2012

Festim 2012 -- O Programa Completo!

E que programa! Os meus queridos amigos da d'Orfeu esmeraram-se mais uma vez e, mais uma vez, conseguem oferecer-nos concertos que prometem ser inesquecíveis! Ah, novidade: os Gaiteiros de Lisboa estreiam aqui o seu há muito aguardado novo álbum, «Avis Rara» (e sim, é um nome tão bom quanto «Voos Domésticos» ;). O programa: «4º Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo 1 Junho a 26 de Julho Águeda - Albergaria-a-Velha - Estarreja - Ovar - Sever do Vouga RICCARDO TESI & BANDITALIANA O Festim abre com um apertado abraço à concertina de Riccardo Tesi, referência internacional no instrumento. Acompanhado pela Banditaliana, Tesi guia-nos numa viagem global que parte da Toscânia, no centro de Itália, com composições originais, virtuosismo e refinados arranjos na bagagem. Um folk jazzístico com herança mediterrânica. O charme de uma música que serve a românticos, dançarinos ou melómanos, a não perder no Festim! Riccardo Tesi – organetto (concertina) Maurizio Geri – voz e guitarra Claudio Carboni – saxofones Gigi Biolcati – percussão 01 Junho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga 02 Junho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba GAITEIROS DE LISBOA Novos fôlegos dos Gaiteiros de Lisboa anunciam, à 4ª edição, o primeiro nome nacional no Festim! Grupo emblemático e um dos mais originais projectos de reinvenção da música portuguesa, apresentam no Festim o seu disco "Avis Rara”, cujas novas ousadias são verdadeiras asas para a imaginação. A criatividade dos Gaiteiros de Lisboa é única: reinventam melodias, poemas, polifonias e até instrumentos. Venham vê-los voar no Festim! Carlos Guerreiro - voz, percussões, sanfona, clarinetes José Manuel David - voz, sanfonocello, mbira, trompa, fagote, gaitas de fole, flautas, percussões Paulo Marinho - gaitas de fole, fagote, flautas, percussões, voz Rui Vaz - voz, gaita de foles, percussões Pedro Casaes - voz, tambor de cordas, percussões Pedro Calado - percussões, voz, tubarões 08 Junho | Estarreja | Cine-Teatro 22 Junho | Ovar | Centro de Arte de Ovar 23 Junho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga 24 Junho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba 26 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio HUUN HUUR TU Uma das mais extraordinárias propostas do Festim: as vozes guturais dos Huun Huur Tu (na foto; de Abbey Chamberlain) trazem o misticismo de Tuva. Para além de ancestrais instrumentos, destacam-se por uma das expressões musicais mais antigas do mundo: o canto gutural, em que cada cantor consegue emitir vários sons em simultâneo, mistério que a anatomia explica mas que só a vivência de uma tradição milenar permite. Uma viagem sonora e imaginária do início ao fim. Kaigal-ool Khovalyg - voz, igil, doshpuluur (cordofones tradicionais) Sayan Bapa - voz, doshpuluur, marinhuur (cordofones tradicionais) Radik Tyulyush - voz, byzaanchi, khomuz (cordofones tradicionais) Alexei Saryglar - voz, percussão 15 Junho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba 16 Junho | Estarreja | Cine-Teatro KIMMO POHJONEN O super-acordeonista finlandês é uma figura maior neste Festim 2012. Kimmo Pohjonen, reconhecido por um exuberante virtuosismo, eleva o acordeão a níveis de interpretação nunca antes atingidos. Com recurso a samplers electrónicos da sua própria voz, ao som surround e aos impactantes efeitos visuais, a fusão da incrível performance musical de Kimmo com a envolvente técnica resulta num solo fascinante. No Festim, para ouvir, ver e sentir! Kimmo Pohjonen – acordeão e voz Heikki Iso-Ahola - técnico de som Antti Kuivalainen – técnico de iluminação/vídeo 29 Junho | Estarreja | Cine-Teatro 30 Junho | Ovar | Centro de Arte de Ovar BLOWZABELLA É um Festim o som dos Blowzabella, grupo veterano da música folk inglesa e referência incontornável dos actuais movimentos de danças tradicionais europeias. Tradicionais ou originais, as músicas dos Blowzabella têm uma sonoridade arrojada e contemporânea, cruzando os timbres da sanfona e da concertina com a pujança do saxofone e das gaitas de foles. Uma sonoridade densa e uma pulsação irresistível. O convite está feito. O Festim dança? Andy Cutting - acordeão diatónico (concertina) Jo Freya – clarinete, sax Paul James – sax, gaita de foles Jon Swayne - sax, gaita de foles Gregory Jolivet - sanfona Dave Shepherd - violino Barn Stradling - baixo 06 Julho | Estarreja | Cine-Teatro 07 Julho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga 08 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio ELISEO PARRA Eliseo Parra é um imenso artista. O Festim recebe uma das mais privilegiadas vozes da Península Ibérica. Uma celebração da música, da cultura tradicional com maiúsculas, na alegria de sabermos que a nossa música, a de todos, nas mãos de mestres como Eliseo, estará sempre viva. Mestre do cante acompanhado à percussão, o espanhol é senhor de uma performance vital, fresca e contagiosa, com tudo para surpreender o público do Festim. Eliseo Parra - voz, percussão Xavi Lozano - sax, voz Guillem Aguilar - baixo, voz Eduardo Laguillo - teclados, percussão, guitarra, voz Aleix Tobías – voz, percussão 12 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio 13 Julho | Ovar | Centro de Arte de Ovar 14 Julho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba TARAF DE HAÏDOUKS Dos Balcãs, a força bombástica dos Taraf de Haïdouks. Mais uma referência mundial a pisar os palcos do Festim. Este colectivo de doze músicos, com três gerações familiares em palco, é o exemplo maior do virtuosismo dos instrumentos de corda na música cigana, com a velocidade dos violinos ou do címbalo em contraponto às formações de sopros, mas não menos vertiginosos! Por vezes, mais leves e diabólicos ainda. Garantia de Festim! Gheorghe ‘Caliu’ Anghel - violino Gheorghe Fălcaru - flautas Ionică Tănase - címbalo Paul Guiclea - voz, violino Marin Manole - acordeão Constantin ‘Costică’ Lăutaru - violino Robert Gheorghe - violino Viorel Vlad - contrabaixo Costel Vlad - acordeão Marin Manole P - acordeão, voz Filip Simeonov Ankov - clarinete 19 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio 20 Julho | Ovar | Centro de Arte de Ovar 21 Julho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga concertos em sala: 6€ (ou 4€, consoante descontos de cada sala) concertos ar livre: gratuito PACOTE FESTIM Na compra de todos os (3 ou 4) concertos do mesmo Município, oferta do valor de 1 bilhete. DESCONTOS ELEGÍVEIS Centro das Artes e do Espectáculo de Sever do Vouga Estudantes | Cartão Jovem | maiores de 65 anos | grupos de 20 ou mais espectadores | desconto família Cine-Teatro de Estarreja Cartão de Estudante | Cartão Jovem | Cartão Amigo CTE | menores de 12 anos | beneficiários de outros protocolos em vigor Centro de Arte de Ovar menores de 12 anos | Cartão Jovem/Estudante | Cartão Municipal do Idoso Cineteatro Alba Cartão de Estudante | Cartão Jovem | Cartão Sénior Municipal | Desconto Família (casal com 1 ou mais filhos) e ainda, em qualquer das salas: - Cartões Municipais das autarquias parceiras - Cartão d’Orfeu - Sócios Fundação INATEL - Cartão Cultura Sábado (ver condições específicas) ** Descontos não acumuláveis **»

22 março, 2012

Kimmo Pohjonen, Blowzabella e Riccardo Tesi no Festim 2012


Anuncia-se mais um belo Festim para os próximos tempos e com mais um elenco de luxo: o acordeonista-maravilha Kimmo Pohjonen (na foto), os históricos Blowzabella e um habitué das organizações d'Orfeu (e padrinho putativo do cão-mascote desta associação cultural) Riccardo Tesi. O comunicado:

«Festim anuncia datas e os primeiros nomes da 4ª edição!

http://www.festim.pt/



1 de Junho a 26 de Julho: eis as datas da 4ª edição do “Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo”, rede partilhada entre os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Ovar e Sever do Vouga, numa iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural. Estão já confirmados concertos de Riccardo Tesi & Banditaliana (Itália), Kimmo Pohjonen (Finlândia) e Blowzabella (Inglaterra) na programação do Festim 2012, num total de sete grandes nomes e vinte concertos.

O Festim tem vindo a consolidar-se como uma referência na programação cultural em Portugal, tendo já passado pelos seus palcos, desde 2009, nomes como Hermeto Pascoal, Kepa Junkera e Carlos Núñez, entre muitos outros, dos cinco continentes. Um evento que se destaca pelo seu singular modelo de programação em rede, unindo sinergias intermunicipais para uma festiva viagem à diversidade.

A par do crescente reconhecimento no país, o Festim é o mais recente membro do “European Forum of Worldwide Music Festivals”, tornando-se o único festival português a figurar neste organismo à escala europeia, com as respectivas oportunidades de programação a reflectirem-se já na edição de 2012.

Toda a programação do Festim 2012 estará brevemente disponível em http://www.festim.pt, sítio oficial do festival. O melhor das músicas do mundo vai celebrar-se de 1 de Junho a 26 de Julho, em Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Ovar e Sever do Vouga. Vem aí um mais grande festim!

http://www.dorfeu.pt/
http://dorfeu.blogspot.com/
http://www.facebook.com/dOrfeuAC»

04 outubro, 2007

Festival Acordeões do Mundo - Correntes de Ar em Torres Vedras


De 28 de Outubro a 11 de Novembro decorre no Teatro-Cine de Torres Vedras, o IV Festival Acordeões do Mundo, com mais um excelente programa em que o acordeão é rei e senhor. Dia 28 de Outubro, o festival começa com o acordeonista francês Jean-Louis Matinier, seguindo-se, dia 31, o também francês, mas de origem portuguesa, René Sopa; ambos praticantes de um jazz colorido com muitas outras músicas. Dia 3 de Novembro, actua o celebradíssimo acordeonista italiano Riccardo Tesi acompanhado pela sua Banditaliana. Dia 6, é a vez do pianista e acordeonista Tomás San Miguel & Txalaparta (Espanha/País Basco), para mostrar que a arte do acordeão no país vizinho não começa nem acaba na trikitixa de Kepa Junkera. E dia 9, o festival encerra - mas apenas no «palco principal» - com o excelente tango aberto (jazz, rock, música erudita...) e de contornos electrónicos dos Tango Crash (na foto), colectivo que reúne músicos da Argentina, Alemanha e Suiça. Paralelamente, decorrem os «bailes do acordeão», com dois grupos portugueses: os Alfa Arroba (dia 1 de Novembro, à tarde, na Adega do Maxial) e os Fol&Ar (um dia depois, também à tarde, no Clube Artístico e Comercial), oficinas musicais (nos fins-de-semana de 3 e 4 e 10 e 11 de Novembro) e um concurso de tocadores de acordeão. Mais informações aqui.

11 setembro, 2006

Cacharolete de Discos (Parte 523)


E mais uma selecção de críticas de discos originalmente publicadas no BLITZ há alguns meses. Uma boa colectânea de entrada na música folk escocesa (e nas suas margens...), o novo álbum de Susana Baca (ver entrevista mais abaixo, neste blog), o italiano Riccardo Tesi e, não tão estranhamente quanto isso - e basta ler o texto para se perceber porquê -, o último álbum de Robert Plant (na foto)...


VÁRIOS
«BEGGINER'S GUIDE TO SCOTLAND»
Nascente/Megamúsica

Música escocesa entre a tradição «celta» e o futuro.

Geralmente, quando se fala de música folk «celta», fala-se de música irlandesa e esquece-se, muitas vezes, a riquíssima tradição musical da vizinha Escócia. É injusto, mais a mais quando muitas das formas musicais geralmente associadas com a música «celta» (sempre com aspas) são comuns a Irlanda e Escócia e também País de Gales (jigs, reels, airs...). Este triplo-álbum é uma excelente maneira de desfazer esse equívoco e uma boa porta de entrada na folk escocesa, quer através de um primeiro ábum, «Classic Roots», mais dedicado à música tradicional mais «pura» (com bandas incontornáveis como os Capercaillie ou Battlefield Band, a espantosa cantora Catherine-Ann MacPhee ou um lindíssimo dueto voz/gaita-de-foles de Margaret Stewart e Allan MacDonalds). O segundo, «New Awakenings», mostra alguns intérpretes mais recentes que estão a levar a tradição para o futuro como as Dóchas, os Deaf Shepherd, o grupo de violinistas Blazin Fiddles, os maravilhosos Cliar, The Poozies ou até nomes que estão fora das margens da folk como Jackie Leven. O terceiro, «No Boundaries», mostra alguns híbridos curiosos como os Cappercaillie aqui com patine electrónica, os Shooglenifty a misturar a folk escocesa com rumba, as gaitas-de-foles com electrónica e rock dos Peatbog Faeries, o experimentalismo iconoclasta e excitante de Martyn Bennett (que mete a mãe a cantar um tradicional à mistura com guitarras eléctricas, dub e cantos índios) ou a festa cubano-escocesa dos Salsa Celtica. (7/10)


SUSANA BACA
«TRAVESÍAS»
Luaka Bop/Edel

Diva peruana reforça laços afro-latino-americanos e atira-se a outras línguas que não só o espanhol.

Já não há muitas dúvidas de que os blues nasceram em África antes de viajarem nos navios negreiros para os Estados Unidos. E de que o samba brasileiro poderá ter tido origem no semba angolano. E de que, muito provavelmente, o fado vem do lundum (cuja origem também está em África)... O percurso artístico, pessoal e até académico da cantora Susana Baca tem sido feito, desde há muitos anos, no sentido da (re)descoberta dos laços perdidos entre África e a música (e cultura) do Peru. No seu novo álbum, «Travesías», Susana Baca continua a dar vários exemplos – quase que se diria «práticos» ou «explicativos» - dessa ligação, tão óbvia depois de a ouvirmos cantar (principalmente nos temas tradicionais). Mas o álbum vai mais longe e mostra a cantora a interpretar brilhantemente temas de Gilberto Gil, Maxime Le Forestier ou Damien Rice. (7/10)


RICCARDO TESI
«ACQUA FOCO E VENTO»
Felmay/Megamúsica

A concertina de Riccardo Tesi vai à música da Toscânia.

Respeito, amor, pesquisa e alguma ousadia nas orquestrações percorrem este novo álbum do italiano Riccardo Tesi (concertina), aqui acompanhado por Maurizio Geri (guitarra e voz) e um grupo de outros músicos, todos em viagem à música tradicional da Toscânia – principalmente das montanhas de Pistoia –, e ainda com um saltinho à Córsega. São canções de protesto e de jogos infantis, cantos de trabalho, baladas, uma banda filarmónica lá pelo meio... Destaques para o espantoso tema «Cos’e’ Uno» (uma lenga-lenga interpretada a capella), a «mini-sinfonia» em quatro andamentos «Pastorale», baseada em canções dos pastores das montanhas de Pistoia, e a alegríssima e divertidíssima «La Cena della Sposa», uma canção picante interpretada em casamentos. (7/10)


ROBERT PLANT
«MIGHTY REARRANGER»
Sanctuary/Som Livre

Embora se possam encontrar pontos de contacto entre «Mighty Rearranger» e o álbum de originais anterior de Robert Plant (a voz mítica dos Led Zeppelin, agora ainda dona de todas as suas capacidades e com um grão adicional que a idade apurou), «Dreamland», a grande diferença - e para melhor - neste novo álbum é que este já é o disco de uma banda e não só de um cantor acompanhado por músicos convidados. O peso de Plant está lá, sim, mas também o peso cada vez maior de Justin Adams - o fabuloso guitarrista que foi dos Invaders of the Heart (de Jah Wobble), e flirtou várias vezes com a música do norte de África, nomeadamente no seu projecto Wayward Sheikhs.

E, embora a paixão de Plant pela música árabe e indiana já venha dos tempos dos Led Zeppelin (relembre-se «Kashmir») e tenha sido desenvolvida depois, a solo, ou em alguns projectos com Jimmy Page, é cada vez mais evidente o gosto do cantor por atmosferas longe do rock e da pop. Neste álbum há uma forte presença de blues - os do delta do Mississippi ou os «pioneiros» mandinga e gnawa (verificar em «The Enchanter», «Takamba» - este um tema fabuloso que parece a resposta «branca» aos Tinariwen e a Ali Farka Touré -, «Somebody Knocking» ou «Mighty Rearranger») -, há bendires a rodos, há uma voz que parece saída directamente dos Zeppelin mesmo quando a música deles se afasta objectivamente, há folk de inspiração vagamente «céltica».

Quer dizer, estão cá as grandes paixões de quase sempre de Robert Plant. E, embora não seja um álbum absolutamente brilhante, é um disco honesto. E luminoso muitas vezes. Mesmo a faixa escondida - uma remistura drum'n'bass-gnawa-espacial de «Shine It All Around» - não destoa. (7/10)