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16 novembro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXXI


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXI.1 - The Pogues


The Pogues! Diz-se o nome e ouve-se logo a música: aquela música que tanto deve à folk de inspiração «celta» quanto ao punk, com uma energia imensa e uma beleza irrepetível... The Pogues! Diz-se o nome e ouvimos logo a voz de Shane MacGowan e o acordeão, o violino, o bandolim, a tin whistle a meterem-se pela chinfrineira rock adentro... The Pogues! Banda (bando!) de londrinos, muitos deles com raízes irlandesas, que começa em 1982 o seu trajecto sob a designação Pogue Mahone (que significa, em gaélico, «beija o meu cu»), os Pogues sempre se preocuparam em dar importância igual às suas canções de intervenção política, a baladas recuperadas à tradição e a fazer uma música única, pessoal, enorme!, em que o «celtismo» e o rock se cruzavam, de outras vezes, com a country, o cajun ou a música latino-americana. Separaram-se em 1996 (nessa altura já sem Shane) e reagruparam-se, para concertos dispersos, em 2001 (felizmente, com Shane).


Cromo XXXI.2 - Putumayo


Muitas vezes criticada por ser uma editora light que faz compilações «fáceis» e nem sempre exemplares de world music, a nova-iorquina Putumayo é, mesmo assim, uma das melhores portas de entrada de milhões e milhões de pessoas em todo o mundo para... as músicas do mundo. Fundada por Dan Storper em 1975 como uma empresa de roupa, a Putumayo transforma-se em 1993, via Michael Kraus, numa editora de sucesso. Colectâneas temáticas e conceptuais de muitas e variadas músicas - e um design gráfico coerente, comum a todos os discos, de Nicola Heindl - tornaram a Putumayo uma editora famosa não só em lojas de discos mas também em lojas de roupas, livros e até cafés um pouco por todo o mundo. Desde há alguns anos tem dois selos associados: a Putumayo Kids (colecções globais de música para crianças) e a Cumbancha (a editora dos Ska Cubano, The Idan Raichel Project e Andy Palacio).


Cromo XXXI.3 - Ofra Haza


Diva global improvável - e improvável porque vinda de um lugar, digamos, exótico e de uma arte que unia dois mundos desavindos -, a cantora israelita Ofra Haza tornou-se, mercê da sua apresentação num Festival Eurovisão da Canção (em 1983), numa mulher conhecida em todo o mundo. Ofra Haza (de nome completo Bat Sheva' Ofra Haza Bat Shoshana, nascida a 19 de Novembro de 1957 em Tel Aviv, Israel; falecida a 23 de Fevereiro de 2000, em Ramat Gan, Israel) era de origem iemenita, mais precisamente, de judeus radicados no estado árabe do Iémen. E a sua música reflectiu sempre essa dualidade: com um pé em Israel e outro nos países muçulmanos «inimigos»; e com um pé na tradição e outro na modernidade e numa música feita com recurso às electrónicas e a sonoridades ocidentais. A sua imparável e riquíssima carreira como cantora começou em 1980 e terminou vinte anos depois, numa trágica morte provocada pela SIDA.


Cromo XXXI.4 - Radio Tarifa


Às vezes há músicas tão próximas que não damos conta delas, por serem demasiado próximas e por serem tão óbvias as suas ligações. Mas os espanhóis, de Madrid, Radio Tarifa tiveram a inteligência e a arte suficientes para descobrir os elos escondidos entre a música espanhola (nomeadamente o flamenco) e a música do norte de África. Logo no seu primeiro álbum, «Rumba Argelina», de 1993, estabeleceram uma ponte que veio para ficar (de Espanha para o Magrebe e vice-versa) e que, de tão óbvia que é, estranho é ninguém a ter feito antes. Fundados no final dos anos 80 pelo vocalista e letrista Benjamín Escoriza, o guitarrista, percussionista e arranjador Faín S. Dueñas e o saxofonista Vincent Molino, os Radio Tarifa deixaram, em quatro álbuns de originais, uma música nova, excitante e valiosa que parece ter tido um fim: Escoriza lançou em 2006 o seu primeiro álbum a solo, «Alevanta!», e os Radio Tarifa entraram em «hibernação».

27 setembro, 2006

World Circuit - Vinte Anos de Encantamento


Há algum tempo, a propósito de «Savane», de Ali Farka Touré, referi que mais dia menos dia iriam aparecer gravações inéditas do génio do Mali... Pois elas aí estão, na colectânea «World Circuit Presents...» - com edição marcada para meados de Outubro -, comemorativa dos 20 anos desta importante editora de world music, que deu a conhecer a muita gente a arte de Ali Farka, dos músicos cubanos recuperados no projecto Buena Vista Social Club (na foto), de Oumou Sangare, Toumani Diabaté, Sierra Maestra e Afel Bocoum, entre muitos outros...


VÁRIOS
«WORLD CIRCUIT PRESENTS...»
World Circuit/Megamúsica

Se não fosse pelo resto - que é muito -, esta colectânea já valeria pelos dois autênticos rebuçados a derreterem-se na boca dos fãs de Ali Farka Touré que são a versão ao vivo de «Amandrai» (oito minutos de encantamento puro; Jimi Hendrix em abençoados drunfos em vez de coca...) e um inédito absoluto, outtake das sessões de gravação de «In The Heart of The Moon» com Toumani Diabaté, o tema «Du Du» (com uma kora fadista de Toumani e uma guitarra de Ali Farka em círculos e pontilhismos minimais...). Mas «World Circuit Presents...», disco-duplo, tem ainda outros inéditos que os coleccionadores agradecem: um avanço do álbum dos quenianos Shirati Jazz que vem aí, um inédito do mestre do gnawa Mustapha Baqbou, outro da cantora mauritana Dimi Mint Abba e uma gravação «no terreno» de Afel Bocoum (com uma guitarra mágica e grilos ao fundo...). E temas emblemáticos - embora não inéditos - de artistas da World Circuit estão também no rol. Temas do colectivo Buena Vista Social Club, Cheick Lô, Radio Tarifa, Afro Cuban All Stars, Abdel Gadir Salim, Oumou Sangare, Toumani Diabaté's Symmetric Orchestra, Ali Farka Touré com Ry Cooder, Orchestra Baobab e Los Zafiros, para além de algumas pérolas do fundo de catálogo da editora: temas do cubano Ñico Saquito, do trompetista argelino Bellemou Messaoud ou do grupo vocal Black Umfolosi, do Zimbabwe.

A World Circuit - liderada por Nick Gold, que tem no fantástico engenheiro-de-som Jerry Boys o seu braço-direito - começou por ser uma pequena agência de concertos. Mas quando cresceu como editora fê-lo de uma forma honesta e límpida, dando sempre aos músicos contratados excelentes condições de gravação, patrocinando parcerias frutuosas com outros produtores e músicos (Ry Cooder, Pee-Wee Ellis, Youssou N'Dour...) e abrindo-lhes, muitas vezes, as portas para digressões de sucesso em todo o mundo. Dar os parabéns à World Circuit é pouco. (8/10)