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26 junho, 2013

Med de Loulé 2013 - Todos os Concertos!

O Raízes e Antenas já tinha divulgado o nome de todos os artistas e bandas que vão passar pelos dois palcos principais (Cerca e Matriz) da edição 2013 do Med de Loulé, que começa já depois de amanhã, sexta-feira, e termina no sábado. Hojé é a vez de se saber também os horários de quem toca nesses e nos outros palcos: «Dia 28: João Pedro Cunha e João Luís Rosa Palco: MED Classic - Igreja Matriz 19:30 Violino Romântico O Violino surgiu na primeira metade do séc. XVI, e ainda que a questão da sua origem seja uma das maiores lacunas na história dos instrumentos musicais, rapidamente adquiriu o estatuto – que ainda hoje mantém – de Rei dos instrumentos. Após o sucesso de 2009 com o duo violiNOacordeão, o violinista João Pedro Cunha regressa ao Festival MED, desta feita com o pianista João Rosa, propondo-se explorar essa reconhecida vertente mais expansiva e calorosa do violino. Mundopardo Palco: Bica 20:30 Mundopardo é um projecto musical, natural de Faro, formado por 4 amigos que decidiram continuar a sua aventura musical dos tempos que passaram juntos na versus tuna – Tuna Académica da Universidade do Algarve. A simplicidade das composições aliada a uma grande riqueza melódica onde sobressai a voz e o jogo de vozes faz dos MundoPardo um projecto que possui já a sua própria identidade e o seu espaço na música portuguesa. The Burnt Old Man (Act 1) Palco: Arco 20:45 The Burnt Old Man, é um projecto que foi evoluindo ao longo de diversos encontros entre Rubén (flauta) e Kevin (guitarra), durante as primeiras "sessões" realizadas na capital Andaluza. O vasto conhecimento musical que estes músicos armazenam, faz com que pretendam evitar o tradicional "set" e "reels", debruçando-se sobre a extensa e rica variedade da cultura musical Atlântica. Assim, começaram um trabalho de recuperação de peças e variações. Samuel Úria Palco: Castelo 21:30 Com uma proveniência marcada pelo punk, pelo rock’n’roll e pela estética low-fi, Samuel Úriatem ganho notoriedade desde 2008, altura em que, entre edições caseiras e concertos em que apenas se acompanhava pela guitarra acústica, se nos deu a conhecer. Singular na língua materna, singular nas melodias e singular na relação com o público, aos poucos se gerou o culto e assomou a expectativa, consagrando Samuel Úria como o mais interessante cantautor do século XXI português. Aline Frazão Palco: Cerca 22:00 Aline Frazão nasceu e cresceu em Luanda, Angola. A jovem cantora e compositora angolana lançou em Dezembro de 2011 o debut “Clave Bantu”, uma edição independente de 11 temas origi-nais, entre eles duas colaborações com os escritores angolanos José Eduardo Agualusa e Ondjaki. “Movimento” é o segundo trabalho discográfico de Aline Frazão, lançado em maio de 2013 (Ponto Zurca/Coast to Coast). Miguel Araújo Palco: Matriz 22:45 Miguel Araújo nasceu nasceu no Porto em 1978. Em Maio de 2012 foi lançado o seu 1º álbum em nome próprio, “Cinco Dias e Meio” (EMI). Depois de vários anos ligado à música como criador, músico e autor dos Azeitonas, um dos mais entusiasmantes fenómenos de culto da actual pop portuguesa (“Anda Comigo ver os Aviões”, “Quem és tu Miúda”, etc.), autor de composições para outros artistas (António Zambujo, Ana Moura). Elisa Rodrigues acompanhada por Júlio Resende Palco: Convento 22:45 O jazz tem uma nova voz. Se é verdade que Elisa Rodrigues tem vindo a deslumbrar em palco há já algum tempo, o lançamento do seu primeiro disco “Heart Mouth Dialogues” é a confirmação disso. Elisa é capaz de tornar grandes clássicos em temas seus e de reinventar músicas com uma versatilidade impressionante. OrBlua Palco: Bica 23:15 OrBlua é um projecto criado em 2011 com músicos provenientes de diferentes universos musicais, para um único propósito - criar uma sonoridade que represente o património nos mais diversos sentidos e orientações. Uma sonoridade que cheira a algarve, a mar, a serra, a mediterrâneo, a europa, a mundo. Uma sonoridade que recolhe cheiros, cores, histórias, memórias, paisagens e sonhos. Dead Combo Palco: Castelo 23:30 Os Dead Combo são Tó Trips e Pedro Gonçalves. Formaram-se em 2003 a convite de Henrique Amaro, da Rádio Antena 3, para a gravação de uma faixa “Paredes Ambience”, incluída no CD de homenagem ao génio da guitarra Portuguesa Carlos Paredes, “Movimentos Perpétuos – Música para Carlos Paredes”. Encarnam duas personagens que poderiam ter saído de uma BD: um gato pingado e um gangster. Tulipa Ruiz Palco: Cerca 00:00 Nascida em Santos, Tulipa cresceu na cidade mineira de São Lourenço. Seu contato com a música começou cedo, influenciada pelo pai, Luiz Chagas, jornalista e guitarrista da histórica banda Isca de Polícia de Itamar Assumpcão. Na adolescência, a cantora teve um programa de rádio, fez coral e estudou por cinco anos canto lírico com a maestrina Edna de Sousa Neves. Mudou-se para São Paulo, onde estudou Multimeios. Apesar de ter integrado bandas durante a faculdade, tratava a música como hobby ... Oumou Sangaré Palco: Matriz 01:15 Oumou Sangaré nasceu em Bamako, no Mali, em 1969. Quando tinha dois anos, o seu pai casou com a segunda mulher e emigrou para a Costa do Marfim, deixando a mãe de Oumou, grávida na altura, e três filhos ainda pequenos. A luta pelo dia-a-dia da família foi uma constante na infância de Oumou. A mãe de Oumou era cantora e a sua principal fonte de rendimentos era o “sumu” (comemorações de casamento e de batizado organizadas pelas mulheres), ou “festas de rua”. Hugo Mendez "Sofrito" Palco: Cerca 02:30 Hugo Mendez é DJ, dono de uma discográfica e pesquisador de música na vanguarda do Movimento Tropicalista na Europa. Dia 29: Orquestra do Algarve - 4 Estações de Vivaldi Palco: MED Classic - Igreja Matriz 19:30 Notas ao programa Embora durante longo tempo tenha sido famoso na Europa enquanto compositor e violinista, perdeu o seu público durante a última década da sua vida. Os últimos dias foram vividos na miséria e, tal como viria a acontecer com Mozart, foi enterrado numa vala comum, e aparentemente as suas partituras condenadas à obscuridade. The Burnt Old Man (Act 2) Palco: Bica 20:30 The Burnt Old Man, é um projecto que foi evoluindo ao longo de diversos encontros entre Rubén (flauta) e Kevin (guitarra), durante as primeiras "sessões" realizadas na capital Andaluza. Bad Luck & Trouble Palco: Arco 20:45 Os Bad Luck & Trouble são um projeto musical de Faro composto por duas guitarras e voz, que procura explorar as sonoridades oriundas dos blues, do swing e também da música mais contemporânea. Criado no início de 2012, este projeto conta já com um currículo de atuações que lhe tem vindo a proporcionar alguma notoriedade na sua cidade natal. Dona Gi Palco: Castelo 21:30 Os Dona Gi são uma banda portuense, fruto de um trabalho de composição de letras e canções originais com fusão de Folk e Fado. Sílvia Pérez Cruz Palco: Cerca 22:00 Sílvia Pérez Cruz tem uma voz luminosa, quente, delicada e lindíssima, que combina a improvisação do jazz, a força e o ritmo do flamenco, os melismas do fado e a proximidade da música de bar. A sua versatilidade, que lhe valeu o prémio Altaveu 2009, está patente na diversidade de projetos de música, teatro e dança que protagonizou. Sofia Vitória & Luís Figueiredo Palco: Convento 22:45 Sofia Vitória nasceu em Setúbal. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, frequentou o Curso de Piano do Conservatório Regional de Setúbal e actualmente frequenta a licenciatura em Jazz na Escola Superior de Música de Lisboa e a disciplina de Dança Contemporânea na Escola Superior de Dança. Hedningarna Palco: Matriz 23:00 Já em 1994, a banda Hedningarna foi votada a "melhor atuação do ano". Atualmente, apesar de todas as alterações a nível dos membros, da falência da empresa discográfica e de projetos paralelos, o poder dos instrumentos e a magia na música permanecem intactos e genuínos como sempre. Os Hedningarna surgem com um novo CD e fazem parte dos cartazes de uma série de concertos e festivais para este verão. Fad'Nu Palco: Bica 23:15 Poesia, alma e garra. O coração que tem voz de mulher. O aço da corda esticada que vibra. Versão intimista e minimal do fado, raízes alicerçadas na tradição mas caminho aberto e livre de dogmas ou fronteiras. Kumpania Algazarra Palco: Castelo 23:30 Esta sonora algazarra vagueia pelas músicas dos cinco continentes, transformando os sons em que toca numa festa ambulante, ao estilo das fanfarras europeias. Saltimbancos, filhos da estrada e do vento, músicos em folia permanente submergidos num cocktail de música animada, as suas combinações de notas musicais formam um rendilhado de culturas, onde estão presentes, de forma conjugada ou separada, os sons balcânicos, árabes, latinos, africanos, o ska, o funk e o hiphop, entre outros. Cuca Roseta Palco: Cerca 00:00 E então, por breves momentos, deixemos entrar a saudável dúvida: o que é que uma fadista, com um primeiro disco celebrado e trabalhado por um produtor planetário – Gustavo Santaollala - , com o peso da verdade que o fado exige e ela entrega : o que fazer para o segundo disco? A lógica comercial aconselharia um registo pouco aventuroso, onde a zona de conforto se manteria e apenas uma ou duas pistas cantadas poderiam dar indícios de uma evolução. Anthony B Palco: Matriz 01:15 Blair cresceu na cidade rural de Clark, na freguesia norte-ocidental de Trelawny, na Jamaica. Na sua juventude, os seus cantores favoritos eram as lendas do reggae Bob Marley e Peter Tosh, músicos que tiveram bastante influência no seu estilo. A influência de Peter Tosh está incontestavelmente presente nas interpretações vocais de Anthony B e na sua atitude revolucionária. Anthony B abraçou as crenças do movimento Rastafari na adolescência, uma decisão que não foi bem acolhida pela sua família. Batida DJ Set Palco: Cerca 02:30 A história de Batida confunde-se com a de Pedro Coquenão. Nasceu no Huambo, cresceu nos subúrbios de Lisboa, de casa em casa, a ouvir histórias de saudade e de um regresso adiado, rodeado de instrumentos na sala e com o rádio no quarto como primeira paixão. Estreou-se aos 18 como locutor na Rádio Marginal, que moldou como estação alternativa, escreveu as primeiras linhas da Oxigénio e, mais tarde, depois de passar pela Voxx e Radar, fundou o colectivo Fazuma. Mais informações: http://www.festivalmed.pt/»

21 maio, 2013

Oumou Sangaré, Hedningarna e Anthony B no Med de Loulé 2013!

Vem aí outro Med! Ainda falta saber quem são os artistas e bandas que sobem aos palcos secundários, mas quem actua nos principais são estes: «FESTIVAL MED DE LOULÉ COMEMORA A SUA 10ª EDIÇÃO A 28 E 29 DE JUNHO COM CARTAZ DE LUXO Dia 28 Dead Combo, Samuel Úria, Oumou Sangaré, Miguel Araújo, Aline Frazão, Tulipa Ruiz, Dj Hugo Mendez "Sofrito" Dia 29 Hedningarna, Anthony B, Silvia Pérez Cruz, Kumpania Algazarra, Cuca Roseta, Dona Gi, Batida Dj set É já nos próximos dias 28 e 29 de Junho que as irresistíveis ruas, vielas e praças do centro histórico de Loulé serão novamente invadidas por milhares de pessoas em busca da melhor música, artesanato e gastronomia vindo um pouco de todo o Mundo. O evento, uma organização da Câmara Municipal de Loulé e que assinala este ano a sua décima edição, promete muitas horas de profunda animação, de experiências inesquecíveis e de muitas descobertas. Na música, o prato forte de todas as edições do certame louletano, estão prometidas emoções fortes com um luxuoso programa de actuações: Desde logo atenções centradas nesse fenómeno de popularidade na cena reggae internacional que é o jamaicano Anthony B, dono de uma legião de fãs no nosso país e que sobe ao palco da Matriz no segunda dia do evento. Outro ponto alto do festival será o regresso a Portugal, após vários anos de ausência, de uma das bandas mais míticas e relevantes dos últimas duas décadas na Europa, os revolucionários, aclamados pela crítica e sempre vanguardistas Hedningarna, da Suécia, bem como a estreia no festival algarvio da grande diva da música africana, e activista cívica pelos direitos das mulheres, a Embaixadora da Boa-Vontade da ONU e vencedora de um Grammy, Oumou Sangaré, do Mali. O programa do MED 2013 faz uma aposta clara numa nova geração de cantautoras no feminino que está a impressionar o mercado internacional da música: a catalã Silvia Perez Cruz é, neste momento, uma das artistas mais acarinhadas pelo público e pela crítica de Espanha. Tudo por causa de "11 de Noviembre", o seu disco de estreia que chegou aos escaparates durante o ano passado. Loulé testemunhará o primeiro concerto completo de Silvia Perez Cruz em território nacional após um ano em que a artista de Barcelona coleccionou prémios e honrarias. Quem também visitará Loulé no final de Junho é a talentosa brasileira Tulipa Ruiz, uma das grandes promessas da sempre dinâmica música brasileira. No primeiro dia do MED, o Palco da Cerca abrirá hostilidades com a sensacional angolana Aline Frazão, que esta semana lançou para o mercado o seu segundo disco, "Movimento", e que em muito pouco tempo já deixou rendida a crítica especializada de toda a Europa. O contingente nacional da edição deste ano do certame de Loulé é também de alto nível e, como é habitual, promove alguns dos mais interessantes projectos recentes da música portuguesa. Dos aclamados e cinematográficos Dead Combo, à excelência da escrita de canções em português por Miguel Araújo e Samuel Úria. Da grande vedeta do fado que já é Cuca Roseta à contagiante e contemporânea celebração popular que representam as actuações dos Kumpania Algazarra ou dos Dona Gi. Quem quiser testemunhar o momento dourado vivido pelo jazz nacional deve acompanhar os concertos de duas das mais vibrantes vozes do panorama nacional em concertos intimistas de voz e piano num novo espaço que o MED estreia este ano: o palco do Convento. Elisa Rodrigues, acompanhada pelo pianista algarvio Júlio Resende, e Sofia Vitória, em projecto de homenagem a Chico Buarque dividido com Luís Figueiredo ao piano. Por fim, para os mais resistentes, as duas noites do MED 2013 terminarão com apelos à dança vindos dos pratos de Hugo Mendez (Sofrito), badalado dj londrino com créditos firmados a fazer abanar ancas com sons afro-latinos, e de BATIDA, que começou por ser o programa semanal de Pedro Coquenão na Antena 3 e RDP África, se transformou no seu disco de estreia, na também inglesa Soundway Records e depois num show, que passou pelos maiores palcos internacionais e nacionais, incluindo uma inesquecível passagem por Loulé há 2 anos, regressa agora sozinho para um Dj Set. Os bilhetes diários para a edição 2013 do Festival Med custam 12 euros e podem ser adquiridos nos dias do evento no próprio local. www.festivalmed.pt»

09 fevereiro, 2012

Hugh Masekela, Béla Fleck e Oumou Sangaré no FMM de Sines 2012


Hurra! Já há três nomes -- e que nomes! -- confirmados para a edição deste ano do FMM, que decorre em dois fins-de-semana consecutivos de Julho: de 19 a 21 e de 26 a 28. O comunicado oficial:


«Uma lenda sul-africana, o músico que deu novos horizontes ao banjo e uma das mais importantes cantautoras de África confirmados na edição de 2012 do maior evento português de “world music”.

O primeiro conjunto de confirmações da 14.ª edição do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é composto por três dos melhores representantes da música mundial com raízes na tradição.

O norte-americano Béla Fleck é considerado o melhor e mais inovador tocador de banjo da atualidade. Nascido em Nova Iorque em 1958, já aventurou o banjo em composições que vão do bluegrass à pop instrumental, ao jazz e à música clássica, com a sua banda The Flecktones ou em colaborações com músicos dos géneros mais variados. Ganhou 14 Grammys e foi nomeado para 30, sendo o artista nomeado para mais categorias diferentes na história deste prémio.

Uma das mais celebradas e internacionais cantoras e compositoras africanas, Oumou Sangaré (na foto, de Ed Alcock) é originária da região do Wassoulou, no sul do Mali. “Mulheres” (“Moussolou”), o título do seu primeiro disco a solo, gravado em 1989, foi um clássico instantâneo da música africana e um corajoso manifesto pelos direitos femininos, fio de continuidade em todo o seu trabalho, que já inclui a gravação de cinco discos a solo, o mais recente dos quais “Seya”, em 2009, nomeado para um Grammy. Vencedora do prémio de música da UNESCO em 2001, esteve presente no FMM Sines 2007, onde deu um dos concertos mais elogiados da 9.ª edição do festival.

Béla Fleck e Oumou Sangaré apresentam-se no palco do FMM Sines num projeto conjunto. A parceria entre os dois músicos teve início em 2005, quando Béla Fleck levou o banjo de volta às suas origens africanas e colaborou com alguns dos melhores músicos do continente. Dessa experiência resultou o documentário multipremiado "Throw Down Your Heart", vários discos e o projeto ao vivo que faz a sua estreia em Portugal no FMM.

Um dos discos resultantes desta colaboração de Béla Fleck com músicos africanos, "Throw Down Your Heart, Africa Sessions Part 2", com a participação de Oumou Sangaré, ganhou o Grammy para melhor álbum contemporâneo de “world music” em 2011.

UM GIGANTE AFRICANO EM SINES

O trompetista, cantor e compositor Hugh Masekela é um dos nomes históricos da música sul-africana, a par de lendas como Miriam Makeba e Ladysmith Black Mambazo.

Na sua música cruzam-se, entre outras, as tradições africanas e afro-americanas, sendo especialmente marcantes no seu som o jazz bebop, o afrobeat e o funk.

Exilado durante anos devido ao apartheid, a sua canção “Bring Him Back Home”, um apelo à libertação de Nelson Mandela, é um dos hinos da África do Sul moderna.

Ganhou dois Grammys, o primeiro pelo single “Grazing in the Grass”, no final dos anos 60, e o segundo, em conjunto com Mboneni Ngema, pelo disco “Sarafina”, em 1987.

Admirado por artistas e milhões de apreciadores de música de todo o mundo, recebeu o prémio Womex 2011, uma homenagem a uma carreira ímpar onde se junta excelência musical, relevo social e impacto político.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição realiza-se nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Mais informações:
www.fmm.com.pt
www.facebook.com/fmmsines»

28 outubro, 2010

O Mali Continua Cheio de Música!


Antes de mais, um pedido de desculpas aos fiéis leitores deste blog e que continuam a encher a "caixa" de seguidores do Raízes e Antenas: o excesso de trabalho das últimas semanas impediu-me, mais uma vez, de ter uma participação regular -- ou mais ou menos irregular que fosse! - neste blog. Para me compensar e, eventualmente, compensar os leitores, aqui ficam algumas críticas a vários discos de artistas malianos (e ainda uma excelente colectânea) editados nos últimos meses e originalmente publicados na "Time Out". E, a somar, ainda o álbum do projecto AfroCubism, isto é, aquilo que teria sido o Buena Vista Social Club se não tivesse sido só feito com cubanos (e norte-americanos)... São vários bombonzinhos de regresso!


Ali Farka Touré & Toumani Diabaté
"Ali & Toumani"
World Circuit/Megamúsica

Quando saiu o belíssimo "In the Heart of The Moon" – o primeiro álbum de duetos entre o guitarrista Ali Farka Touré e o mestre da kora Toumani Diabaté (na foto), dois dos nomes maiores da música do Mali nas últimas décadas -, sabia-se que tinham ficado “na gaveta” mais uns quantos temas gravados, não nas mesmas sessões (as primeiras foram em Bamako; estas em Londres), mas com um formato semelhante. Não se sabia é que os temas seriam assim tão bons! Embora perca para o primeiro em frescura, novidade e até em algum défice instrumental, "Ali & Toumani" é mais um testemunho exemplar da arte e do génio dos dois músicos, aqui acompanhados pelo baixista cubano Orlando “Cachaíto” Lopez (entretanto já falecido, tal como Ali) e Vieux Farka Touré (filho de Ali), entre outros. (****)


Oumou Sangaré
"Seya"
World Circuit/Megamúsica

Ao fim de seis anos sem discos de originais no mercado, a maior diva da música do Mali, Oumou Sangaré, está de volta com um álbum absolutamente extraordinário, "Seya" (que significa "alegria"), onde a sua música atinge um cume de excelência e luminosidade absolutos. E, embora nele participem algumas luminárias da música actual (malianos, nigerianos, norte-americanos) como Djelimady Tounkara, Cheick Tidiane Seck, Bassekou Kouyaté, Pee Wee Ellis ou Tony Allen é a voz e arte de Oumou que aqui falam mais alto. É um álbum socialmente interventivo - os casamentos forçados de adolescentes, por exemplo -, coerentíssimo no seu desenho musical (mesmo quando intervêm alguns dos músicos citados) e quase sempre acústico, com os instrumentos tradicionais a sobreporem-se facilmente aos outros. E a voz, a voz! (*****)



Amadou & Mariam
"Welcome To Mali"
Because/Megamúsica

O trabalho de produção de Manu Chao para o duo maliano Amadou & Mariam (no álbum "Dimanche à Bamako") teve uma coisa boa e uma coisa má (e que são, na prática, a mesma coisa): a coisa boa foi ter aberto o som do duo a outras músicas, mais globais, mais "world"; a coisa má foi a colagem de muitos dos seus temas a uma sonoridade demasiado próxima da de Manu Chao. Anos depois, neste novo "Welcome To Mali", a sombra de Manu Chao ainda anda por cá - e bem! - mas a música de Amadou & Mariam navega igualmente por outras paragens, a começar logo pelo belíssimo tema semi-progressivo semi-psicadélico (a fazer lembrar os Air) que é "Sabali", produzido por Damon Albarn. E o resto do álbum é variadíssimo, passando por canções profundamente "africanas" mas enfeitadas pelo rock, o funk, o disco-sound, o hip-hop (com o somali K'Naan) ou o afro-beat (com Keziah Jones). (****)

Vários
"One Day On Radio Mali"
Syllart/Lusáfrica/Tumbao

Se, desde há muitos anos, a música do Mali é sobejamente conhecida em todo o mundo – via nomes como Oumou Sangaré, Amadou & Mariam, Tinariwen, Salif Keita, Rokia Traoré ou o falecido Ali Farka Touré -, a verdade é que há uma riquíssima “pré-história” da música maliana que antecede o “boom” da world em meados dos anos 80. E esta colectânea – lançada pela importantíssima editora africana Syllart, do produtor Ibrahim Sylla - mostra exactamente a música de grupos seminais do Mali dos anos 60 e 70 como Les Ambassadeurs du Motel (que estabeleceram Mory Kanté e Salif Keita), Rail Band (por onde passaram também Keita, Kanté e Kante Manfila ), Super Djata de Bamako, Orchestre Regional de Mopti, National Badema ou a Orchestre National de Gao (com um tema que fala da guerra colonial na Guiné-Bissau). (*****)

Donso
"Donso"
Comet Records/Massala

A fórmula já não é nova: fundir as músicas tradicionais do Mali com as electricidades e/ou as electrónicas, os rocks e os blues: pense-se em Ali Farka Touré, nos Tinariwen, em Amadou & Mariam, em Issa Bagayogo e em muitos outros... Agora, os Donso fazem uma viagem semelhante partindo do Mali (mas também da música tuaregue e do gnawa marroquino) para chegar ao psicadelismo, ao transe, a territórios próximos do metal, a baladas ”azuladas”... Nos Donso convivem músicos franceses com músicos malianos (incluindo o vocalista Gedeon Papa Diarra), e ainda têm como convidados dois importantes nomes da música maliana: Ballaké Sissoko na kora e Cheick Thidiane Seck nas teclas. Donso significa “caçador” em língua bambara e bem se pode dizer que, com este álbum, têm aqui uma boa quantidade de troféus no cinto. (****)


Ballaké Sissoko/Vincent Segal
"Chamber Music"
No Format/Massala

Nem sempre corre bem a tentativa de encaixar instrumentos tradicionais, nomeadamente africanos, num formato de música erudita e em diálogo com instrumentos preferencialmente usados nesse género. E isso até já aconteceu com o maliano Ballaké Sissoko, quando pôs a sua kora (harpa mandinga) ao serviço do piano do italiano Ludovico Einaudi. Mas, no caso deste álbum apropriadamente chamado "Chamber Music" (música de câmara), é o oposto que se passa: com composições maioritariamente assinadas por Sissoko, a sua kora brilha a grande altura sobre os belíssimos “tapetes” proporcionados pelo violoncelo do francês Vincent Segal (que já colaborou com vários nomes da world music e faz parte dos Bumcello). O álbum é inventivo, variado e sempre... africano. (****)

Idrissa Soumaoro
"Djitoumou"
Syllart/Lusáfrica/Tumbao

Já com mais de 60 anos de idade, o cantor, guitarrista e intérprete de kamele n'goni Idrissa Soumaoro edita agora o seu segundo álbum no circuito internacional – depois de "Kôtè" (2003) – e neste novo disco continua a mostrar, em “peças” distintas do puzzle que é este "Djitoumou", o seu amor pela música tradicional de Wassoulou (a região do Mali de onde é originário), os blues, a rumba congolesa, a música árabe, a country e até o flamenco. Produzido por François Bréant (o mesmo dos Kekele ou Salif Keita), o álbum tem como um dos momentos mais altos e brilhantes o tema “Bérèbérè”, que conta com a participação especial do entretanto falecido Ali Farka Touré. Personagem arredia da ribalta da cena musical, a música rara de Soumaoro é, também por isso, uma autêntica bênção. (****)


Bako Dagnon
"Sidiba"
Syllart/Lusáfrica/Tumbao

Quando a cantora maliana Bako Dagnon foi, finalmente, revelada ao mundo através do álbum "Titati", editado em 2007 e depois de várias cassetes lançadas no seu país ao longo de vários anos, viu-se nela o terceiro lado de um triângulo sagrado de vozes femininas (ao lado de Oumou Sangaré e de Rokia Traoré). Era justo: a assunção de Bako como uma griot no feminino, a sua música muitas vezes em estado puro, bruto, e uma voz original fizeram dela uma das grandes “descobertas” world desse ano. Neste segundo álbum internacional, "Sidiba", Bako confirma isso tudo mas perdeu-se a novidade e alguma da frescura do anterior. Mas não seria nada mau poder vê-la ao vivo um dia destes. (***)


AfroCubism
"AfroCubism"
World Circuit/Megamúsica

Quando, em 1996, Ry Cooder e Nick Gold foram para Cuba gravar o "Buena Vista Social Club", a ideia base do disco era juntar músicos cubanos com músicos do Mali, devido às óbvias pontes musicais entre Havana e o continente africano. Mas, como é sabido, isso não se concretizou por falta de vistos dos africanos. Agora, o projecto inicial foi retomado e Gold (sem Cooder) é o produtor deste "AfroCubism" que reúne Kasse Mady Diabaté, Lasana Diabaté, Toumani Diabaté, Bassekou Kouyate e Djelimady Tounkara com Eliades Ochoa e o Grupo Patria. E, apesar de o resultado nem sempre corresponder às expectativas, há aqui alguns belos nacos de música. Momentos altos: “Djelimady Rumba” e o quase fado/quase morna “Benséma”. (****)

06 julho, 2007

FMM de Sines - Faltam 15 Dias!



Rápido ponto da situação a quinze dias do início do FMM de Sines: para já, para já, os bilhetes já estão à venda (pormenores no blog do festival, aqui) e há algumas alterações ao programa que é importante referir: a soberba cantora maliana Oumou Sangaré (na foto) substitui os anteriormente previstos Kasaï Allstars, dia 25 de Julho, no Castelo. Outra alteração, se bem que não tão radical, é a de quem acompanha o percussionista indiano Trilok Gurtu no seu concerto (no mesmo dia e a abrir a programação do Castelo): em vez do anunciado grupo italiano Arkè String Quartet, Gurtu será acompanhado por uma formação alargada, multinacional, na interpretação de temas dos seus discos mais recentes: «Remembrance» (2002), «Broken Rhythms» (2004), «Farakala» (2006) e «Arkeology» (2006). E um acrescento não previsto inicialmente: pelas ruas de Sines toca, dias 25 e 26, o Hypnotic Brass Ensemble, grupo norte-americano formado por oito músicos, sete dos quais filhos de Kelan Phil Cohran, trompetista da Sun Ra Arkestra; na ementa trazem jazz, funk, soul e hip-hop. Siga a festa!

27 setembro, 2006

World Circuit - Vinte Anos de Encantamento


Há algum tempo, a propósito de «Savane», de Ali Farka Touré, referi que mais dia menos dia iriam aparecer gravações inéditas do génio do Mali... Pois elas aí estão, na colectânea «World Circuit Presents...» - com edição marcada para meados de Outubro -, comemorativa dos 20 anos desta importante editora de world music, que deu a conhecer a muita gente a arte de Ali Farka, dos músicos cubanos recuperados no projecto Buena Vista Social Club (na foto), de Oumou Sangare, Toumani Diabaté, Sierra Maestra e Afel Bocoum, entre muitos outros...


VÁRIOS
«WORLD CIRCUIT PRESENTS...»
World Circuit/Megamúsica

Se não fosse pelo resto - que é muito -, esta colectânea já valeria pelos dois autênticos rebuçados a derreterem-se na boca dos fãs de Ali Farka Touré que são a versão ao vivo de «Amandrai» (oito minutos de encantamento puro; Jimi Hendrix em abençoados drunfos em vez de coca...) e um inédito absoluto, outtake das sessões de gravação de «In The Heart of The Moon» com Toumani Diabaté, o tema «Du Du» (com uma kora fadista de Toumani e uma guitarra de Ali Farka em círculos e pontilhismos minimais...). Mas «World Circuit Presents...», disco-duplo, tem ainda outros inéditos que os coleccionadores agradecem: um avanço do álbum dos quenianos Shirati Jazz que vem aí, um inédito do mestre do gnawa Mustapha Baqbou, outro da cantora mauritana Dimi Mint Abba e uma gravação «no terreno» de Afel Bocoum (com uma guitarra mágica e grilos ao fundo...). E temas emblemáticos - embora não inéditos - de artistas da World Circuit estão também no rol. Temas do colectivo Buena Vista Social Club, Cheick Lô, Radio Tarifa, Afro Cuban All Stars, Abdel Gadir Salim, Oumou Sangare, Toumani Diabaté's Symmetric Orchestra, Ali Farka Touré com Ry Cooder, Orchestra Baobab e Los Zafiros, para além de algumas pérolas do fundo de catálogo da editora: temas do cubano Ñico Saquito, do trompetista argelino Bellemou Messaoud ou do grupo vocal Black Umfolosi, do Zimbabwe.

A World Circuit - liderada por Nick Gold, que tem no fantástico engenheiro-de-som Jerry Boys o seu braço-direito - começou por ser uma pequena agência de concertos. Mas quando cresceu como editora fê-lo de uma forma honesta e límpida, dando sempre aos músicos contratados excelentes condições de gravação, patrocinando parcerias frutuosas com outros produtores e músicos (Ry Cooder, Pee-Wee Ellis, Youssou N'Dour...) e abrindo-lhes, muitas vezes, as portas para digressões de sucesso em todo o mundo. Dar os parabéns à World Circuit é pouco. (8/10)