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27 julho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (VII)


O futuro do fado no masculino
por António Pires, Publicado em 17 de Setembro de 2009


Quando se fala de fado - e, principalmente, de novo fado ou de novos fadistas - pensa-se geralmente na geração de novas cantoras, muitas delas excelentíssimas, que o fado de Lisboa gerou nos últimos quinze ou vinte anos: Mísia, Mariza, Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira, Ana Sofia Varela, Kátia Guerreiro, Cristina Branco, Carminho... A lista é quase infindável. Fala-se menos dos homens, alguns deles com uma qualidade idêntica à de algumas das mulheres referidas, ou por vezes maior. Quando se fala dos homens, vêm sempre à baila - e com justiça, aliás - os irmãos Moutinho: Camané, Hélder e Pedro. Mas não é deles que se fala aqui hoje. É de dois fadistas menos conhecidos mas que merecem ser seguidos com a máxima atenção nos próximos anos: Ricardo Ribeiro e António Zambujo (na foto). Com apenas um álbum, homónimo, em nome próprio - mas com uma parceria fundamental no surpreendente e histórico álbum "Em Português", do mestre do oud libanês Rabih Abou-Khalil, em que o fado se cruza com a música árabe e faz também algumas tangentes ao flamenco -, Ricardo Ribeiro é dono de uma voz (ia escrever "vozeirão") única e completamente arrepiante. Já António Zambujo é o homem que tem na sua voz não apenas as vozes do fado mas também outras vozes (Cateano Veloso, Brel, Antony Hagerty...), e isso faz do seu fado um outro fado, fresco e originalíssimo. É necessário descobri-los e ouvi-los.





Estamos todos com os azuis
por António Pires, Publicado em 24 de Setembro de 2009

Um dos maiores segredos da música feita em Portugal é um grupo que se prepara agora para editar o seu primeiro álbum de estúdio, depois de um outro gravado ao vivo na Capela da Misericórdia de Sines. Chama-se Nobody's Bizness e faz dos melhores blues que se podem ouvir em qualquer parte do mundo. Quem já teve o privilégio de os ver nas suas (agora raras) residências mensais no Catacumbas, Bairro Alto, ou em mais alguns sítios, sabe com o que vai contar. Ou talvez não, porque os Nobody's Bizness também apresentam no disco temas originais, e excelentes!, em que os blues se cruzam com a folk norte-americana, o jazz ou a música country de uma forma original, emotiva e, de certa forma, portuguesa: os blues não estão distantes, na essência e talvez na sua origem ancestral, do fado (como também não o estarão da morna, da milonga ou do chorinho). E os Nobody's Bizness não estão sós nesta releitura à portuguesa dos blues, da country, da folk e de outras formas musicais cristalizadas nos Estados Unidos no século XIX ou inícios do século XX: The Soaked Lamb é outro grupo que parte da nascente dos blues e depois os leva para o céu; Old Jerusalem é um cantautor de enorme talento que vai à folk ianque para a personalizar e transformar; os Unplayable Sofa Guitar pegam na country e fazem dela gato-sapato, electrificando-a e distorcendo-a em rock; e os A Jigsaw (na foto) fazem canções maravilhosas a partir das mesmas bases musicais. Estamos muito bem servidos.




Amália Hoje, Rão Kyao Amanhã?
por António Pires, Publicado em 01 de Outubro de 2009

O incrível sucesso do projecto Hoje - embora muito mais relevante do ponto de vista comercial que artístico, tal como aponta uma das melhores "críticas de música" jamais feitas em Portugal, num sketch d'Os Contemporâneos - é, pelo menos, revelador de que o fado, quando mudado com profissionalismo, tem tantas potencialidades de renovação como o tango (via Gotan Project), o jazz manouche (via Caravan Palace), o flamenco (via Ojos de Brujo) ou a música balcânica (via Shantel), etc. No entanto, o colectivo que já vendeu mais de 40 mil exemplares do seu disco "Amália Hoje" - e que inicia hoje, dia 1, uma mini-digressão de apresentação do disco que o leva à Figueira da Foz, aos Coliseus de Lisboa e Porto e a Vila do Conde - não descobriu a pólvora. No já longínquo ano de 1983, Rão Kyao (na foto), directamente saído do circuito do jazz, teve igualmente um enorme sucesso com o álbum "Fado Bailado", em que o saxofone substituía a voz na interpretação de muitos fados e, muitos deles, bem conhecidos na voz de... Amália Rodrigues. O mesmo Rão Kyao que depois gravaria álbuns próximos do fado como "Viva o Fado", "Fado Virado a Nascente" ou o novíssimo "Em'Cantado", editado esta semana, em que o músico conta com as vozes de fadistas como Camané, Carminho, Ricardo Ribeiro ou Ana Sofia Varela. Vai ser curioso observar como "Em'Cantado" poderá ou não sofrer - para o bem e para o mal - os efeitos do furacão Hoje.

28 novembro, 2006

«Acorda!» - 60 Bandas Portuguesas em MP3


Quase a caminho de Aveiro para o Sons em Trânsito (ver programação mais em baixo, neste blog, sff) aqui deixo o alerta para aquele que deve ser o disco português mais barato de sempre. Por uns míseros sete ou oito euros estão na colectânea «Acorda!» sessenta - sessenta! - grupos e artistas portugueses, cada um representado por duas canções. De todos os géneros, latitudes musicais e feitios. A selecção dos grupos esteve a cargo de Henrique Amaro (da Antena 3), o melhor divulgador de música portuguesa desde há muitos anos. E o resultado da venda reverte para a Pediatria do Instituto Português de Oncologia em Lisboa.

VÁRIOS
«ACORDA!»
Cobra Discos/Antena 3

Espelho panorâmico, alargado, riquíssimo, de muita da nova música que se faz em Portugal, a colectânea «Acorda!» integra projectos que vão da folk ao noise, do experimental ao punk, da pop ao reggae, do afro-beat ao jazz, do pós-rock ao hip-hop, do electro ao metal... Um apanhado sem fronteiras nem preconceitos, em MP3, de modo a caber muita informação, e tão boa que ela é... A pop infectada por Sérgio Godinho dos maravilhosos Ovo, o kuduro estilizado e novíssimo dos Buraka Som Sistema, a folk descarnada e bela de Old Jerusalem, o afro-funk-reggae-rap dos Nigga Poison e ecos de música agolana na modernidade excitante de Coca o F.S.M., o afro-beat dos Cacique'97, a explosão klezmer-Balcãs-Ena Pá 2000 da Kumpa'nia Al-gazarra (na foto), o reggae dos Sativa, One Sun Tribe e de Freddy Locks, o rock-globe-trotter dos Houdini Blues, a charanga de coreto/surf em ácidos dos Fat Freddy, o jazz infectado por muitas outras músicas da Tora Tora Big Band, a alt-country/free-folk indíssima dos Partisan Seed, a memória de muita MPB e MPP n'O Projecto É Grave, o inesperado (e tão bom!) electro-rocksteady-hip-hop dos Cartell 70, os ecos de fado, Durutti Column e António Variações nos surpreendentes Novembro, os blues de mais uma boa surpresa, The Soaked Lamb, o divertimento e a liberdade nos instrumentos de brincar dos Munchen, o rock livre (com Herbie Hancock, John Zorn e... klezmer lá dentro) dos Gnu... E ainda: 2008, 1 Uik Project, Alex Fx, At Freddy's House, Camarão & Dk, Electric Willow, Erro!, Frequency, GaiaBeat, Genius Loki, Green Machine, Hiena, Intermission, L-Hyo, Linda Martini, Mazgani, Micro Audio Waves, Monstro Mau, Nicorette, Nuno Prata, Oddawn, Orangotang, Rock Group Tiger, Rocky Marsiano, Sagas, SAMP, Sir Scratch, Sizo, Soma, SP&Wilson, Spartak!, StereoBoy, Tatsumaki, The Boy With the Broken Leg, The Ultimate Architects, The Weatherman, Veados com Fome, Vicious 5 e Woman in Panic - e espero não ter saltado nenhum... (9/10)

(o álbum pode ser pedido à cobrança na Cobra Discos, aqui)