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07 fevereiro, 2011

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXII


Promessas, apostas e certezas de 2010
Publicado em 07 de Janeiro de 2010

Os críticos e jornalistas de música deveriam ter desistido de fazer apostas para o que de importante virá a seguir ("the next big thing", em inglês) desde que Jon Landau - célebre jornalista norte-americano - viu "o futuro do rock'n'roll e o futuro chama-se... Bruce Springsteen". Não que Landau estivesse errado, longe disso!, mas porque foi o único que acertou (totalista entre milhões de apostadores) numa infindável roda da sorte que só raras vezes, demasiado raras, acerta na mosca. Mesmo assim, arriscamos: o futuro próximo, imediato, urgente, da música portuguesa passa pelos blues renovados dos Nobody's Bizness (primeiro álbum de estúdio quase a sair); pela música tradicional portuguesa moída nos crivos das electrónicas dos Charanga; pela pop inteligente e livre dos peixe:avião; por um novo grupo de Castelo Branco, Ninho, que secretamente reinventa a tradição; pelos açorianos Bandarra (na foto), que, assombrados por alguns cantores de Abril, ainda acreditam numa música de intervenção (nas palavras e na própria música em si); pelos Anaquim, de Coimbra, que fazem a ponte, de modo particularmente inteligente, entre Sérgio Godinho, os Virgem Suta e um eventual e utópico indie rock islando-canadiano; e pelos Orelha Negra, veteranos da cena fusionista lisboeta (Cool Hipnoise e suas margens), com canções que são clássicos instantâneos da soul, do funk e do disco. Certezas absolutas: os novos álbuns do fadista Ricardo Ribeiro e dos revolucionários - cada uns à sua maneira - Deolinda e Gaiteiros de Lisboa (*).




3 pistas... mas muitos caminhos
Publicado em 14 de Janeiro de 2010

Henrique Amaro, há muitos anos o maior divulgador radiofónico de música portuguesa - e também responsável por várias colectâneas de música nacional (e brasileira), pelos "unpluggeds" da Antena 3, por álbuns de homenagem (nomeadamente, a Adriano Correia de Oliveira) e pela direcção artística da editora Optimus Discos - reincidiu agora numa outra excelente ideia: o segundo volume do "3 Pistas". É simples: cada banda ou artista dispõe apenas de três canais de gravação (podem usar três microfones ou um microfone e duas vias para instrumentos, por exemplo), e cada um deles interpreta um tema seu e uma versão. E o resultado deste segundo volume, tal como do primeiro, é um desfilar infindável de boas surpresas: do consagrado Sérgio Godinho a interpretar "Heat de Verão" (com letra dele, mas oferecida originalmente ao Gomo) aos d3ö a desconstruírem "Rehab", de Amy Winehouse, ou aos Noiserv a fazerem uma excelente versão de "Where Is My Mind", dos Pixies. Mas o mais curioso deste segundo "3 Pistas" é que a maior parte das versões são de temas de artistas e bandas portuguesas: os Linda Martini (na foto, de Paulo Leal) reinterpretam Fernando Tordo, Paulo Praça homenageia os GNR, Tiago Guillul e Margarida Pinto os Heróis do Mar, os Cindy Kat vão aos Sétima Legião e Os Pontos Negros atiram-se a... Armando Gama. A música portuguesa está a virar-se para o seu interior, redescobrindo-o e reinventando-o. E isso é um bom sinal.




A música portuguesa será exportável?
Publicado em 21 de Janeiro de 2010

O último número da revista "Ticketline" incluía uma reportagem com os Moonspell em digressão pelo Leste da Europa. E dava conta de como esta banda de metal portuguesa é acarinhada e respeitada por lá. Como em muitos outros países. Mas é um caso raro de exportação de sucesso de música portuguesa (ou, se se preferir, de música feita por portugueses). No passado, são poucos os exemplos de nomes portugueses que conseguiram saltar as fronteiras do rectângulo: Amália (claro!), mas também Luís Piçarra - que actuou em todo o mundo e vendeu muitos milhares de discos no estrangeiro (diz-se que um milhão de exemplares, só da sua versão de "Coimbra" em francês, "Avril au Portugal") -, o Duo Ouro Negro e os Madredeus. Mais recentemente, Dulce Pontes, Mísia e Mariza (e outros fadistas, incluindo desvios como os Deolinda) levaram o fado a todo o lado. No estrangeiro, aliás, o fado ainda é sinónimo de toda a música tradicional portuguesa, não havendo casos de sucesso (à excepção dos Dazkarieh, que juntam à tradição uma boa dose de distorção rock) de artistas ou grupos de música tradicional de inspiração rural. Noutros pequenos nichos de mercado - Fonzie, Rafael Toral, Les Baton Rouge, Blasted Mechanism, Parkinsons, Wray Gunn (na foto) e poucos mais -, os portugueses são igualmente bem aceites. Mas a pop/rock mainstream nunca o conseguiu. Segunda pergunta (subsidiária da do título): para quando a criação de uma estrutura oficial de apoio à promoção, divulgação e exportação da nossa música?

(*) - Infelizmente, mais de um ano depois da publicação deste texto, o álbum dos Gaiteiros de Lisboa continua sem ser editado. Quando o será?

14 novembro, 2010

Nobody's Bizness... ou, agora, Um Assunto de Todos Nós (a começar por mim)


Está quase: no dia 18 de Novembro, quinta-feira próxima, os Nobody's Bizness (aqui representados numa foto-montagem do camarada Mário Pires) mostram ao vivo no Maxime, em Lisboa, o seu segundo álbum, "It's Everybody's Bizness Now". Já a seguir segue o texto de apresentação do álbum, assinado por, hummmm... António Pires, fã confesso e incondicional da banda!

Nobody's Bizness
It's Everybody's Bizness Now

A História dos blues está feita de encruzilhadas. A lendária encruzilhada na quinta Dockery onde Robert Johnson terá vendido a alma ao diabo em troca de se tornar o melhor guitarrista de sempre. A escolha que foi apresentada pelo destino a T-Bone Walker, John Lee Hooker, B.B. King ou Muddy Waters: continuo a tocar guitarra acústica ou passo para a eléctrica e a minha música chega assim a mais pessoas (e, quem sabe, até mudo o futuro de toda a música popular)? A decisão de vida que Ali Farka Touré teve que tomar: serei para sempre taxista ou mecânico de automóveis ou tenho como missão vir a ser músico profissional e lançar as pontes definitivas entre os blues e a música da África Ocidental? Ou a encruzilhada que Eric Clapton encontrou quando percebeu que a sua vida não podia continuar dependente do álcool e das drogas duras: deixo esta merda ou serei para sempre conhecido como “o drogado que deixou o filho cair da janela e morrer”?

Ao fim de alguns anos a cantar e a tocar as canções dos bluesmen que mais amam e admiram, as questões que os Nobody's Bizness encontraram na sua encruzilhada pessoal não foram tão dramáticas nem tão românticas ou bizarras quanto estas, mas foram, mesmo assim, difíceis de resolver: continuaremos para sempre a fazer versões ou vamos em frente, pomos a cabeça no cepo e mostramos o que valemos também enquanto autores? E foi isso mesmo que fizeram. Ou, pelo menos, a cinquenta por cento. Depois de, em 2005, terem editado um álbum ao vivo gravado na Capela da Misericórdia, em Sines, onde interpretavam temas de Robert Johnson, Willie Dixon ou Lonnie Chatmon, os Nobody's Bizness têm agora um álbum em que seis das doze canções têm assinatura do grupo (com a preciosa ajuda de João MacDonald nas letras de uma delas). E saíram-se brilhantemente da tarefa! Nos seus originais estão toda a paixão e ensinamentos que sempre retiraram dos blues, mas também o amor que têm pela country, pelo bluegrass, pela folk norte-americana (ou por um eventual eixo canadiano que une Leonard Cohen, Neil Young e Joni Mitchell), pelo jazz e por uma visão aberta das músicas do mundo. E, ao lado de várias versões de Willie Dixon (ainda e sempre) ou William Broonzy, aqui estão meia dúzia de originais que põem desde já os Nobody's Bizness num elevadíssimo patamar criativo.

Uma outra encruzilhada, digamos paralela (se é que se pode falar de paralelas quando também se fala de encruzilhadas – mas essa é uma boa questão para os geómetros resolverem), que os Nobody's Bizness encontraram foi a opção de gravar, ou não, em estúdio. Tendo o palco como território natural para a sua música, como é que o brilho da voz de Petra, a magia da harmónica e a profundidade de voz de Catman, as finíssimas filigranas das guitarras e banjos dos irmãos Ferreira e os tapetes voadores de Luís Oliveira e Isaac Achega poderiam ser recriados – porque é de recriar que aqui se trata – em estúdio? A questão era complicada mas resolveu-se de forma fácil: tendo como aliado Paulo Miranda, que com os Nobody's Bizness co-produziu o disco no seu AMP Studio, em Viana do Castelo, o grupo lisboeta rapidamente descobriu no estúdio minhoto uma extensão da sua sala de ensaios onde todos se sentiram confortáveis e a sua música pôde fluir livremente. E, se o primeiro álbum circulou por um grupo restrito de fãs fiéis e habituais, os Nobody's Bizness são agora everybody's bizness, para ouvir de ouvidos limpos e alma aberta.

António Pires
Outubro de 2010


A banda:

Petra Pais – voz
Catman – voz, harmónica e teclas
Luís Ferreira – guitarras, dobro e banjo
Pedro Ferreira – guitarras, banjo e coros
Luís Oliveira – baixo e coros
Isaac Achega – bateria e percussões

Produção:

Nobody's Bizness e Paulo Miranda

Convidados:

Francisco Silva (Old Jerusalem) e Ana Figueiras (Unplayable Sofa Guitar) nos coros
de “”When monday comes”

Alinhamento:

1 – I want a little boy (Murray Mercher/Billy Moll)
2 – Don't go no further (Willie Dixon)
3 – Time waster (Nobody's Bizness)
4 – When monday comes (Nobody's Bizness)
5 – Nobody (no guidance song) (Nobody's Bizness)
6 – This pain in my heart (Willie Dixon)
7 – When the lights go out (Willie Dixon)
8 – Roll mamma (Nobody's Bizness)
9 – Blues for the month of june (João MacDonald/Nobody's Bizness)
10 – The blues don't care (Gwill Owen/Charles Olney)
11 – Black, brown & white (William Broonzy)
12 – Show's up! (Nobody's Bizness)

27 julho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (VII)


O futuro do fado no masculino
por António Pires, Publicado em 17 de Setembro de 2009


Quando se fala de fado - e, principalmente, de novo fado ou de novos fadistas - pensa-se geralmente na geração de novas cantoras, muitas delas excelentíssimas, que o fado de Lisboa gerou nos últimos quinze ou vinte anos: Mísia, Mariza, Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira, Ana Sofia Varela, Kátia Guerreiro, Cristina Branco, Carminho... A lista é quase infindável. Fala-se menos dos homens, alguns deles com uma qualidade idêntica à de algumas das mulheres referidas, ou por vezes maior. Quando se fala dos homens, vêm sempre à baila - e com justiça, aliás - os irmãos Moutinho: Camané, Hélder e Pedro. Mas não é deles que se fala aqui hoje. É de dois fadistas menos conhecidos mas que merecem ser seguidos com a máxima atenção nos próximos anos: Ricardo Ribeiro e António Zambujo (na foto). Com apenas um álbum, homónimo, em nome próprio - mas com uma parceria fundamental no surpreendente e histórico álbum "Em Português", do mestre do oud libanês Rabih Abou-Khalil, em que o fado se cruza com a música árabe e faz também algumas tangentes ao flamenco -, Ricardo Ribeiro é dono de uma voz (ia escrever "vozeirão") única e completamente arrepiante. Já António Zambujo é o homem que tem na sua voz não apenas as vozes do fado mas também outras vozes (Cateano Veloso, Brel, Antony Hagerty...), e isso faz do seu fado um outro fado, fresco e originalíssimo. É necessário descobri-los e ouvi-los.





Estamos todos com os azuis
por António Pires, Publicado em 24 de Setembro de 2009

Um dos maiores segredos da música feita em Portugal é um grupo que se prepara agora para editar o seu primeiro álbum de estúdio, depois de um outro gravado ao vivo na Capela da Misericórdia de Sines. Chama-se Nobody's Bizness e faz dos melhores blues que se podem ouvir em qualquer parte do mundo. Quem já teve o privilégio de os ver nas suas (agora raras) residências mensais no Catacumbas, Bairro Alto, ou em mais alguns sítios, sabe com o que vai contar. Ou talvez não, porque os Nobody's Bizness também apresentam no disco temas originais, e excelentes!, em que os blues se cruzam com a folk norte-americana, o jazz ou a música country de uma forma original, emotiva e, de certa forma, portuguesa: os blues não estão distantes, na essência e talvez na sua origem ancestral, do fado (como também não o estarão da morna, da milonga ou do chorinho). E os Nobody's Bizness não estão sós nesta releitura à portuguesa dos blues, da country, da folk e de outras formas musicais cristalizadas nos Estados Unidos no século XIX ou inícios do século XX: The Soaked Lamb é outro grupo que parte da nascente dos blues e depois os leva para o céu; Old Jerusalem é um cantautor de enorme talento que vai à folk ianque para a personalizar e transformar; os Unplayable Sofa Guitar pegam na country e fazem dela gato-sapato, electrificando-a e distorcendo-a em rock; e os A Jigsaw (na foto) fazem canções maravilhosas a partir das mesmas bases musicais. Estamos muito bem servidos.




Amália Hoje, Rão Kyao Amanhã?
por António Pires, Publicado em 01 de Outubro de 2009

O incrível sucesso do projecto Hoje - embora muito mais relevante do ponto de vista comercial que artístico, tal como aponta uma das melhores "críticas de música" jamais feitas em Portugal, num sketch d'Os Contemporâneos - é, pelo menos, revelador de que o fado, quando mudado com profissionalismo, tem tantas potencialidades de renovação como o tango (via Gotan Project), o jazz manouche (via Caravan Palace), o flamenco (via Ojos de Brujo) ou a música balcânica (via Shantel), etc. No entanto, o colectivo que já vendeu mais de 40 mil exemplares do seu disco "Amália Hoje" - e que inicia hoje, dia 1, uma mini-digressão de apresentação do disco que o leva à Figueira da Foz, aos Coliseus de Lisboa e Porto e a Vila do Conde - não descobriu a pólvora. No já longínquo ano de 1983, Rão Kyao (na foto), directamente saído do circuito do jazz, teve igualmente um enorme sucesso com o álbum "Fado Bailado", em que o saxofone substituía a voz na interpretação de muitos fados e, muitos deles, bem conhecidos na voz de... Amália Rodrigues. O mesmo Rão Kyao que depois gravaria álbuns próximos do fado como "Viva o Fado", "Fado Virado a Nascente" ou o novíssimo "Em'Cantado", editado esta semana, em que o músico conta com as vozes de fadistas como Camané, Carminho, Ricardo Ribeiro ou Ana Sofia Varela. Vai ser curioso observar como "Em'Cantado" poderá ou não sofrer - para o bem e para o mal - os efeitos do furacão Hoje.

14 agosto, 2008

Festival Músicas do Mar - Agora, Os Detalhes...


Da programação completa do Festival Músicas do Mar, que decorre na Póvoa de Varzim de 28 a 30 de Agosto, já o Raízes e Antenas tinha dado notícia. Aqui em baixo segue agora tudo o que precisa de saber sobre os artistas presentes no Músicas do Mar, através dos textos oficiais de apresentação do festival (escritos, com muita honra, pelo locatário deste blog):

FESTIVAL MÚSICAS DO MAR
28, 29 e 30 de AGOSTO 2008



Serra-lhe Aí!!! & Ivan Costa (Rias Baixas) - Galiza

28 de Agosto | 18h00 | Ruas da Cidade
29 de Agosto | 18h00 | Ruas da Cidade

São galegos e festivos, gostam de copos e principalmente de acordeões, mas também de gaitas-de-foles, de cantares tradicionais, de sanfonas e de pandeiretas. Tocam em salões, teatros, tabernas ou ao ar livre com a mesma alegria e o mesmo empenho, e, com o seu Komando Katania, juntam-se a dezenas de amigos para jams inacreditáveis e bailes eternos. Os Serra-lhe Aí!!! são Lola de Ribeira (percussões e voz), Pablo Ces (bombo, charrasco e voz), Manolo Maseda (acordeão e voz), Roberto Grandal (acordeão e programações) e Pablo López (flauta). O seu recente álbum «Ar de Foles» foi gravado ao vivo em finais de 2007. Ivan Costa é um dos gaiteiros mais importantes da Galiza. A gaita não foi sempre, como é hoje, reconhecida como o instrumento representativo da Galiza.

http://www.ghastaspista.com/avrego.php
http://www.serralheai.com/


Nobody's Bizness (Lisboa) - Portugal

28 de Agosto | 21h00 | Diana Bar

Os blues foram gerados nas margens do Niger e nasceram no delta do Mississippi, mas vá-se lá saber que marés os trouxeram, também crescem naturalmente ao lado do Tejo, com um grupo de portugueses a cantá-los e a tocá-los com alma, com verdade, com um arrepio nas vozes, nas cordas, nas peles... Os Nobody's Bizness cantam e tocam blues antigos, da linhagem de Robert Johnson, Bessie Smith, Skip James, Big Bill Broonzy ou Sonny Boy Williamson e é preciso vê-los ao vivo para se perceber o sentimento com que o cantam e com que o tocam. Petra (voz), Luís Ferreira (guitarra), Catman (voz, harmónica e piano), Pedro Ferreira (guitarra e coros), Luís Oliveira (baixo e coros) e Isaac Achega (bateria e percussões) têm até agora um único álbum, naturalmente gravado ao vivo, «Nobody's Bizness Ao Vivo Na Capela da Misericórdia - Sines 2005», editado em 2006 pela You Are Not Stealing Records.

http://www.myspace.com/nobodysbiznessband

Dele Sosimi Afrobeat Orchestra (Lagos) – Nigéria/Reino Unido

28 de Agosto | 22h00 | Passeio Alegre

Antigo companheiro do inventor do afro-beat Fela Kuti, o teclista e cantor nigeriano Dele Sosimi é um dos mais respeitados transportadores do seu legado. Na Dele Sosimi Afrobeat Orchestra, os ensinamentos do mestre Kuti estão sempre presentes, nesta música riquíssima de referências feita de high-life nigeriano, linhas de baixo funk, teclados soul, secções de metais jazz, influências latino-americanas e poderosas percussões africanas. Dele Sosimi entrou para os Egypt 80, banda acompanhante de Fela Kuti, em 1979, com quem gravou e tocou ao vivo durante alguns anos. Em 1986, Dele torna-se o director musical da banda de Femi Kuti (filho de Fela), a Positive Force, ao mesmo tempo que trabalha com um grupo de afro-jazz. Grava, entretanto, o álbum «Made In Nigeria», em duo com o fagotista francês Alex Ouzounoff. Em 1995, Dele Sosimi abandona a Positive Force e instala-se em Londres, onde começa a desenvolver a música do seu projecto pessoal Dele Sosimi Afrobeat Orchestra, com o qual editou até agora os álbuns «Turbulent Times» (2002) e «Identity» (2007). E, nos últimos anos, colaborou ou esteve envolvido com outros artistas e grupos como o poeta Ikwnga, o Wahala Project, a Antibalas Afrobeat Orchestra, The African Jazz Explosion All Stars ou Lucky Ranku & The African All Stars. Na sua Afrobeat Orchestra, Dele Sosimi é acompanhado por Kunle Olofinjana (bateria), Angela Alhucema (percussão), Phil Dawson (guitarra), Kunle Olasoju (guitarra), Femi Elias (baixo), Thomas Allan (trompete), Eric Rohner (saxofone), Justin Thurgur (trombone), Maro Doucoure (coros), Eki Gbinigie (coros), Patrick Zambonin (baixo), Maurizio Ravalico (percussão) e Emmanuel Gyebi (baixo).

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=52858369


Deolinda (Lisboa) - Portugal

29 de Agosto | 21h00 | Diana Bar

Diz-se «os» Deolinda ou «a» Deolinda?... Diz-se os Deolinda porque é o nome da banda, claro, mas também a Deolinda porque - como noutros casos em que o o grupo se confunde com quem está ali à frente ou o cantor com a personagem que encarna (Debbie Harry era a Blondie nos Blondie; David Bowie foi Ziggy Stardust em certa altura da sua carreira...) - a cantora Ana Bacalhau é, nos Deolinda, tão Deolinda que na Deolinda se transforma. Confuso?... Não é, basta ver um espectáculo do grupo para se perceber como o universo Deolinda acaba por fazer sentido. Um universo em que fados e marchas de Lisboa, alusões a Madredeus ou a José Afonso, rancheras mexicanas, sambas brasileiros e rembetikas gregas, laivos de Pascal Comelade e Penguin Cafe Orchestra, muitas vezes com muito disto tudo tudo junto, se transforma num espectáculo alegre, divertido, irónico, enternecedor. Os Deolinda são Ana Bacalhau (voz), Pedro da Silva Martins (composição, textos, guitarra clássica e voz), Zé Pedro Leitão (contrabaixo e voz) e Luís José Martins (guitarra clássica e voz). O seu álbum de estreia, «Canção ao Lado», foi editado em Abril de 2008.

http://www.myspace.com/deolindalisboa


Dengue Fever (Los Angeles) – EUA/Camboja

29 de Agosto | 22h00 | Passeio Alegre

Imagine-se que, um dia qualquer, seria possível ouvir as músicas cantadas em khmer (língua oficial do Camboja) e os rocks passados pela personagem interpretada por Robin Williams no «Bom-Dia Vietname», num mundo em paz e em que as duas partes anteriormente em conflito fariam música em conjunto. Mas o mais estranho disto é que esse dia já chegou: os Dengue Fever (na foto) são uma banda de Los Angeles que reúne músicos norte-americanos e cambojanos e a música que fazem – cantada em khmer e em inglês – tanto passa por versões de temas cambojanos dos anos 60 como, quando compõem originais, pelos musicais de Bollywood e por revisitações e reinvenções de rocks de outros tempos: o surf, o garage, o psicadelismo, o funk original... numa mistura que, em concerto, extravasa em muito a curiosidade exótica e se transforma numa animadíssima festa. Formados pela cantora cambojana Chhom Nimol e por Zac Holtzman (guitarra e voz), Ethan Holtzman (órgão Farfisa), Senon Williams (baixo), Paul Smith (bateria) e David Ralicke (saxofone), os Dengue Fever editaram até agora os álbuns «Dengue Fever» (2003), «Escape From Dragon House» (2005) e «Venus On Earth» (2008) e participaram nas bandas-sonoras de filmes e séries de televisão como «City of Ghosts», «Must Love Dogs», «Broken Flowers» e «Weeds».

http://www.myspace.com/denguefevermusic


Alamaailman Vasarat (Helsínquia) - Finlândia

29 de Agosto | 23h15 | Passeio Alegre

Delirantes, doidos varridos, iconoclastas, geniozinhos incompreendidos, absolutamente irracionais, punks furiosos... Já houve tantas tentativas de categorização da música dos finlandeses Alamaailman Vasarat que o melhor mesmo é vê-los ao vivo e tentar descortinar, enfim!, que música é esta que inclui free-jazz, klezmer, ska, speed-metal, música cigana dos Balcãs, rock progressivo, experimentalismo de vanguarda e ainda valsas e polkas improváveis, como se num momento qualquer do tempo e do espaço pudesse haver uma jam mítica entre os Naked City, a Fanfare Ciocarlia, os Metallica e o John Cage. Os Alamaailman Vasarat (cujo nome pode ser traduzido como Os Martelos do Submundo) nasceram em 1997, em Helsínquia, e desde então tocaram em todo o mundo (se bem que nunca no seu... interior) e editaram os álbuns «Vasaraasia» (2000), «Käärmelautakunta» (2003), «Kinaporin Kalifaatti» (em parceria com o cantor Tuomari Nurmio; 2005) e «Maahan» (2007), tendo também feito música para filmes (como «Elukka», de Tatu Pohjavirta) e peças de teatro. Os Alamaailman Vasarat são Jarno Sarkula (saxofones, clarinetes e flautas), Erno Haukkala (trombones e tuba), Miikka Huttunen (órgão, piano e melódica), Tuukka Helminen (violoncelo), Marko Manninen (violoncelo) e Teemu Hänninen (bateria e percussões).

http://www.myspace.com/alamaailmanvasaratofficial


Bailarico Sofisticado (Lisboa) - Portugal

29 de Agosto | 00h30 | Auditório ao Ar Livre do Passeio Alegre
30 de Agosto | 00h30 | Auditório ao Ar Livre do Passeio Alegre

São três rapazes de Lisboa – Bruno Barros, Pedro Marques e Vítor Junqueira – com um bom gosto musical apuradíssimo e coleccionadores compulsivos de muitas e desvairadas músicas. Nos seus arrasadores e inesquecíveis sets de DJ – seja em grandes espaços abertos como os encerramentos do FMM de Sines ou o Músicas do Mar seja em espaços mais reduzidos como o Left, o Lounge ou o Europa, em Lisboa, e em muitos outros locais por onde a sua arte já passou -, o trio costuma cruzar, e sempre com imenso saber, rock'n'roll, surf music, funk, punk, reggae, ska, afro-beat, baile funk, música balcânica e tudo o mais que acabe por fazer sentido. Uma festa interminável.

http://www.myspace.com/bailaricosofisticado


Farra Fanfarra (Lisboa) – Portugal/Itália/França

30 de Agosto | 18h00 | Ruas da cidade

São de Lisboa, mas os seus músicos vêm de vários lugares do mundo e a música que fazem também. Os Farra Fanfarra servem-nos um cocktail absolutamente dançante de ska, música balcânica, swing, música revolucionária italiana, com circo e muita folia à mistura. Os Farra Fanfarra são: Stefano (mestre de cerimónias), Tânia Lopes (percussão), Hélder Silva (percussão), Joana Soares (percussão), Pedro Santos
(percussão), Sérgio «The Spasher» (percussão), Rodrigo Fernandes (tuba), Pedro Pereira (sousafone), Vinicius «Slide Man» (trombone), Francisco Amorim (trombone), Luís Barrocas (saxofone), André Marques (saxofone), Jörg Demel (saxofone), José Lencastre (saxofone), Pedro Heitor (saxofone), Matthieu Ehrlacher (saxofone), Carlo Coppadoro (trompete), Luís Vicente (trompete), Sandro Félix (trompete), Gonçalo (trompete), Luís (trompete), Nuno Reis (trompete), Biris (acordeão) e Helen (acordeão).

http://www.myspace.com/farrafanfarra


Aron Ottignon (Wellington) – Nova Zelândia

30 de Agosto | 21h00 | Diana Bar

Depois de um concerto inesquecível no FMM de Sines com o seu grupo Aronas, o pianista neo-zelandês Aron (de nome completo, e sonante, Aron Cabernet Ottignon) regressa a Portugal para um concerto em solo absoluto. Um concerto em que se pode esperar, saída dos dedos geniais de Aron, uma música em que ecos de Bach, Rachmaninov e Chopin convivem alegremente com memórias de Thelonious Monk, Bill Evans e Duke Ellington e estas com influências mais bizarras num pianista de formação clássica e uma paixão absoluta pelo jazz como Jimi Hendrix, o punk ou a música maori do seu país de origem. Com apenas onze anos, Aron ganhou o prémio de «Melhor Pianista de Jazz Neo-Zelandês Sub-25» e, em 2003, quando vivia em Sydney, na Austrália, venceu o prémio «Jovem Músico de Jazz do Ano». O seu álbum «Culture Tunnels» foi nomeado na categoria de «melhor álbum de jazz» dos prémios ARIA e a revista «Observer Music Monthly» nomeou-o, juntamente com cinco outros músicos, como «o futuro do jazz». Devido a um cada vez mais preenchido calendário de concertos na Europa e Estados Unidos, Aron vive actualmente em Londres, onde continua a trabalhar a solo, com a sua banda ou com a sua irmã, a cantora Holly O (Holly Ottignon).

http://www.myspace.com/thescorpiondog


Rosapaeda (Bari) - Itália

30 de Agosto | 22h00 | Passeio Alegre

Na linha da frente da renovação da música tradicional italiana - e cruzando formas musicais internas como a tarantela, a pizzica ou velhas canções napolitanas com muitas outras músicas exteriores, do flamenco e da música árabe à música latino-americana, ao rock, ao reggae e ao jazz -, a extraordinária cantora Rosapaeda tem feito um percurso pessoalíssimo na procura de uma música que é ao mesmo profundamente italiana e universal. Durante os anos 80, Rosapaeda fez parte da primeira banda reggae italiana, Different Stylee, mas a partir de 1993 lança-se a solo com um reportório que inclui temas tradicionais e canções originais compostas pelo seu companheiro Eddi Romano. Em 1999 é editado o seu primeiro álbum, «Facce», enquanto o segundo «In Forma di Rosa» (2001) lhe valeu um single de sucesso mundial, «Ta Travudia», que remisturado por Rootsman fez parte de inúmeras compilações (nomeadamente «Bucovina 1», de DJ Shantel). O seu álbum mais recente, «Mater Heart Folk», foi editado em 2007 e é um belíssimo espelho da música aberta a muitas influências de Rosapaeda. Ao vivo, Rosapaeda é acompanhada por Eddi Romano (piano e acordeão), Cesare Dell'Anna (trompete), Domenico Lopez (guitarra clássica), Lorenzo Spina (percussões), Stefano Valenzano (baixo) e Renato Cafagna (bateria).

http://www.rosapaeda.it/


Hoba Hoba Spirit (Casablanca) - Marrocos

30 de Agosto | 23h15 | Passeio Alegre

Com dez anos de existência, os marroquinos Hoba Hoba Spirit são os naturais prolongadores de grupos como os Aisha Kandisha's Jarring Effects, os Gnawa Diffusion e outros pioneiros da fusão de música gnawa com rock, reggae e outras formas musicais exteriores ao Norte de África. Fazendo uma mistura consistente de gnawa, rai e châabi com punk, funk, reggae e baladas rock – um estilo muito próprio a que eles chamam música «hayha» -, os Hoba Hoba Spirit nasceram em Casablanca, em 1998, pela mão de Reda Allali (voz e guitarra) e Aboubkar Zehouani (percussões e voz), aos quais se juntaria o irmão deste, Anouar (guitarras). Actualmente formados por Reda, Anouar e ainda Adil Hanine (bateria), Saâd Bouidi (baixo) e Othmane Hmimer (percussões), os Hoba Hoba Spirit são agora um fenómeno em rápido crescimento de popularidade em vários países magrebinos e europeus, tendo editado até agora os álbuns «Hoba Hoba Spirit» (2003), «Blad Schizophrene» (2005), «Trabando» (2007) e o recente «El Gouddam» (2008). Em 2007, os Hoba Hoba Spirit deram 60 concertos em sete países diferentes. E, em 2008, estreiam-se em Portugal no Músicas do Mar.

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=64205227

31 julho, 2008

Músicas do Mar - Com Dele Sosimi, Dengue Fever, Alamaailman Vasarat e Hoba Hoba Spirit


A segunda edição do Festival Músicas do Mar vai decorrer na Póvoa de Varzim nos dias 28, 29 e 30 de Agosto e apresenta um cartaz rico e variadíssimo. Presentes na festa estão os galegos Serra-lhe Aí!!! & Ivan Costa (dias 28 e 29), os blues maravilhosos dos lisboetas Nobody's Bizness (dia 28), o antigo companheiro de Fela Kuti nos Egypt 80 Dele Sosimi com a sua Afrobeat Orchestra (Nigéria/Reino Unido; dia 28), o fado renovado e divertidíssimo dos lisboetas Deolinda (dia 29), a pop sixties e exótica dos Dengue Fever (Estados Unidos/Camboja; dia 29), a loucura multi (ou anti?) géneros dos finlandeses Alamaailman Vasarat (na foto; dia 29), a festa interminável do grande Bailarico Sofisticado (dias 29 e 30), o cocktail dançante dos também lisboetas Farra Fanfarra (dia 30), o jazz inteligente e elegante do neo-zelandês Aron Ottignon (aka Aronas, dia 30), a folk aberta a muitas outras músicas da italiana Rosapaeda (dia 30) e o shaabi e o gnawa misturados com o rock, o reggae e o funk dos marroquinos Hoba Hoba Spirit. Um belíssimo programa!

14 junho, 2007

Viseu a 15 do 6 - É Para a Maratona!



Infelizmente, e ao contrário do que tinha prometido a alguns amigos, não vou poder ir a Viseu nos próximos dias. Um compromisso inadiável - e que pode vir a dar um blog, se não irmão pelo menos primo do Raízes e Antenas, para além de vir a ter um formato, digamos, mais clássico - obriga-me a ficar por casa, em regime de clausura e de escravatura intensa se bem que voluntária, até à próxima semana. Para me auto-flagelar e ficar a roer-me todo por dentro, aqui fica novamente parte do post que publiquei a 10 de Maio, a propósito do festival Viseu a 15 do 6 (que raiva!): nos dias 15 e 16 de Junho o Teatro Viriato, em Viseu, apresenta uma maratona de música (36 horas de programação!) que inclui concertos do fabuloso grupo brasileiro Cordel do Fogo Encantado, do interessantíssimo projecto Mountain Tale (que reúne o coro feminino búlgaro - na foto - Angelite, o grupo de Tuva Huun-Huur-Tu e o o grupo russo Moscow Art Trio), da divertidíssima trupe de música italiana retro Anonima Nuvolari e os blues sentidos e antigos dos Nobody's Bizness; uma homenagem ao músico viseense José Valor (Centro de Pesquisas Ruído Branco/Lucretia Divina/Major Alvega), falecido em 2004; uma sessão de DJ dos Dezperados (acompanhada por projecções vídeo dos Daltonic Brothers) e, a encerrar, outra sessão de DJ - esta previsivelmente avassaladora, como todas as que eles assinam - do colectivo Bailarico Sofisticado. Os palcos do festival repartem-se pelo Teatro Viriato, o Adro da Sé, o Largo Mouzinho de Albuquerque, o Parque Aquilino Ribeiro e as ruas da cidade.

E, agora, com um acrescento de actualidade: o festival tem um blog «privado», que pode ser consultado aqui. À Petra (e Luís e Catman); ao Vítor, Pedro e Bruno; ao Francesco e aos outros «bella ciao»; e, claro, ao Carlos S.: arrasem com isso, toquem, cantem, bebam, divirtam-se, pintem a manta!!

10 maio, 2007

Viseu a 15 do 6 - Maratona de Música no Viriato (e Redondezas)



O Crónicas da Terra deu as primeiras informações. E agora foi o Juramento Sem Bandeira que as completou: nos dias 15 e 16 de Junho o Teatro Viriato, em Viseu, apresenta uma maratona de música (36 horas de programação!) que inclui concertos do fabuloso grupo brasileiro Cordel do Fogo Encantado, do interessantíssimo projecto Mountain Tale (que reúne o coro feminino búlgaro Angelite, o grupo de Tuva Huun-Huur-Tu e o o grupo russo Moscow Art Trio), da divertidíssima trupe de música italiana retro Anonima Nuvolari (na foto, de Rui Palha) e os blues sentidos e antigos dos Nobody's Bizness; uma homenagem ao músico viseense José Valor (Centro de Pesquisas Ruído Branco/Lucretia Divina/Major Alvega), falecido em 2004; uma sessão de DJ dos Dezperados (acompanhada por projecções vídeo dos Daltonic Brothers) e, a encerrar, outra sessão de DJ - esta previsivelmente avassaladora, como todas as que eles assinam - do colectivo Bailarico Sofisticado. Os palcos do festival repartem-se pelo Teatro Viriato, o Adro da Sé, o Largo Mouzinho de Albuquerque, o Parque Aquilino Ribeiro e as ruas da cidade. Mais informações aqui.

10 junho, 2006

Nobody's Bizness - É Só Um Aviso...


A voz de Petra é maravilhosa nos blues e jazzes que canta; as guitarras - principalmente a slide-guitar - parecem mesmo nascidas nas margens do Mississippi; a voz e a harmónica de CatMan dão o lado mais sério, grave e rezingão; e também há um baixo e, agora, uma bateria e por vezes um piano (nas mãos mágicas de CatMan). E tudo isto é blues - puros, verdadeiros, cheios de alma e vísceras e coração - feito por portugueses e agora disponível em CD («Ao Vivo na Capela da Misericórdia - Sines 2005», ed. You Are Not Stealing Records), e adivinha-se outro para breve; no MySpace (http://www.myspace.com/nobodysbiznessband); e ao vivo em variadíssimos locais, principalmente no Catacumbas, Bairro Alto (onde vão voltar na quarta-feira, depois de nesta semana terem lá dado um concerto inesquecível). É só um aviso (ou vários)...