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10 junho, 2008

Med de Loulé - Mais Música e Programação Paralela


Para além da programação dos palcos principais - já divulgada pelo Raízes e Antenas há algumas semanas - o Festival Med de Loulé conta com muitos outros atractivos, quer nos palcos secundários quer nos outros espaços e ruas do festival.

Parafraseando o comunicado oficial: «Mais de duas dezenas de bandas vão apresentar-se nos palcos secundários nesta quinta edição do evento que decorre de 25 e 29 de Junho, na Zona Histórica de Loulé. Os palcos do Castelo, da Bica e do Arco completam um cartaz de luxo. Aqui, são os portugueses que dominam mas a Espanha e Madagáscar também vão ter os seus representantes. Do fado à música tradicional portuguesa, dos DJ residentes à dança do ventre, passando pelo reggae ou pelos blues, a animação do MED também vai ser feita destes nomes menos conhecidos.

No arranque do Festival, a 25 de Junho, destacam-se os concertos da fadista Susana Travassos, na Bica, dos INP.A.C.TO, o projecto louletano de músicas do mundo, que vai estar no Palco do Arco, os Al-Driça que regressam ao MED para trazer as sonoridades do Mediterrâneo e a dança do ventre ao Castelo, e a banda oriunda de Madagáscar, os Kilema (na foto), que também sobem ao palco do Castelo.

Para o segundo dia de MED, o projecto Fad’Nu traz uma nova abordagem do fado ao palco da Bica. As outras propostas da noite são o grupo de percussão Batukalgarve, que vai estar no Arco, e a Velha Gaiteira, que leva ao Castelo um espectáculo com as tradicionais gaitas de foles.

O jazz de fusão dos Jazz Ta Parta (Arco), o reggae de Freddy Locks (Castelo) e os Al-Bravia (Bica) são as propostas para a noite de 27 de Junho.

No sábado, dia 28, espera-se uma das noites mais concorridas do MED e, de certo, que o cartaz dos palcos secundários vai contribuir para essa adesão do público. O colectivo espanhol de guitarras Biel Ballester Trio actua na Bica, enquanto que o já reincidente Nanook apresenta-se a solo no palco do Arco. The Most Wanted vão fazer a festa no Castelo, com 12 elementos em palco que trazem toda a alegria do reggae.

No encerramento da quinta edição do MED, as propostas são bem portuguesas: Fadobrado (Bica), Amar Guitarra (Arco) e Moçoilas (Castelo). No cair do pano do Festival, o grupo Semente irá de certo proporcionar um concerto inesquecível, numa conjugação original entre a música de dança e as sonoridades da “World Music”».

Mas ainda há DJs: «Outra das componentes do cartaz do MED é a performance de DJ que vão animar o público pela noite dentro. Este ano, o DJ Joe Latino vai estar durante os cinco dias de Festival a passar música de vários pontos do mundo, em ritmo de dance music.

Na noite de dia 26, o DJ Single Again, nome pelo qual é conhecido João Patrício, que já passou por rádios como a Rádio F ou a TSF e que actualmente colabora com a Antena 2, vai mostrar ao público as suas experiências adquiridas em várias geografias e diversos festivais de teatro em que participou, apresentado sons onde convivem os antigos blues portugueses com o ska, a dance-hall, pogo, música étnica, etc.. O DJ pretende proporcionar ao público uma viagem à volta das músicas do mundo, fazendo-se acompanhar pelas imagens de Paulo Matosinhos (VJ LisbonSpektrumKorp).

A apresentadora da Antena 3, Raquel Bulha, uma amante confessa da World Music e presença assídua nos últimos anos do Festival MED, vai trazer ao espaço da alcaidaria do Castelo, no dia 27 de Junho, um espectáculo à sua medida: cheio de profissionalismo e boa disposição.

Finalmente, a dupla espanhola DJ Los Rumbers vai passar uma música de fusão, na noite de sábado, 28 de Junho, também no espaço do Castelo».

E muitas outras actividades: «Na Tenda Marroquina, os visitantes vão poder provar chás marroquinos, assistir a espectáculos de dança do ventre, desfrutar de uma massagem mediterrânica ou simplesmente conviver, num espaço decorado com os cheiros e os tecidos de outras paragens.

Os mais pequenos vão ter uma área só para eles. O Med Kids é o local onde as crianças dos 6 aos 12 anos se podem divertir e experimentar diversas actividades, sempre acompanhadas por uma equipa de monitores qualificados. Este espaço vai estar activo durante os cinco dias do Festival, para que as crianças se possam divertir com Lendas de Mouras Encantadas, oficinas de barro ou aprendam a escrever em árabe, enquanto os pais vivem outras experiências no recinto. Todas as noites, às 22h30, os mais jovens vão poder conhecer Tamani, um jovem Tambor que ainda não aprendeu a tocar.

Diariamente, por todo o recinto do Festival Med, os visitantes vão ser inesperadamente prendados com pequenas actuações e improvisos da Vicenteatro, uma companhia itinerante de teatro, cujo repertório é totalmente em português, e que oferece espectáculos para todas as idades, com o objectivo de estimular o gosto, o conhecimento e hábitos de teatro, visando a criação de novas e alargadas “correntes” de público.

Às 23h30, de 25 a 29 de Junho, nos Claustros do Convento vai ser possível assistir ao Ventus, um espectáculo multidisciplinar com sombras chinesas, teatro de imagem e dança, com duração aproximada de 30 minutos.

“Eu Estive no MED” é o nome do ateliê que a organização criou para os visitantes deixarem a sua marca e eternizarem a sua passagem pelo festival. Diariamente, das 21h às 23h, os participantes são convidados a dirigir-se à sala polivalente da alcaidaria do castelo para fazer sacos e blocos personalizados para levar do Med uma recordação especial.

E para quem quiser encarnar verdadeiramente o espírito Med, a organização volta a apostar num espaço de cabeleireiro onde é possível fazer gratuitamente penteados originais, inspirados na diversidade cultural que marca o Med.

Cerca de 30 restaurantes, localizados dentro e fora do recinto do festival, aderem ao Med com ementas exclusivas para os dias do evento, em que constam pratos típicos dos vários países da bacia do mediterrâneo. O reputado cozinheiro Chakall vai estar presente durante todo o evento, com o restaurante Al-Chakall, que convida os visitantes a experimentar algumas criações gastronómicas libanesas dedicadas ao Med.

Difundir a cultura e promover os talentos locais são dois dos objectivos máximos da organização do evento, que abrange, por isso, as mais diversas manifestações culturais. As artes plásticas também estão amplamente contempladas. Pelo segundo ano consecutivo, a organização desafiou 20 artistas a pintarem uma tela dedicada ao Med. Este ano, o tema da exposição é “Interligando Culturas” e os trabalhos vão estar expostos nas ruas históricas da cidade, juntamente com as peças de autoria de crianças das escolas do concelho, que têm igualmente como inspiração a temática mediterrânica. Segundo Vicente de Brito, um dos artistas convidados, “O papel do artista no mundo é criar beleza, mas se ela contribuir socialmente para um mundo melhor construindo uma maior aproximação entre os povos e culturas, então a arte ai está a atingir a sua plenitude.”

Ainda no campo das artes plásticas, o Med integra o projecto Finisterra, com início em Junho e que estará patente até Agosto de 2008 em Loulé, Almancil e Vale do Lobo. Trata-se de três exposições simultâneas que se enquadram num único projecto de grande envergadura, que vão trazer ao Algarve sete jovens prometedores artistas do panorama artístico contemporâneo português: André Banha, Gonçalo Sena, Hugo Canoilas, Lúcia Prancha, Luís Nobre, Pedro Gomes e Renata Sancho.

Os apreciadores de artesanato internacional terão muito por onde escolher na edição deste ano do Med. Mais de 100 bancas vão estar espalhadas por todo o recinto do festival, entre becos e ruelas da zona história da cidade de Loulé. Este ano, a oferta será sobretudo de origens marroquina, tunisina e egípcia, e os visitantes vão poder escolher entre bijutaria, têxteis, vestuário, instrumentos musicais característicos, como djambés ou tambores, cachimbos de água, serviços de chá dos países do Magreb, entre muitos outros».

Mais informações aqui e aqui.

16 agosto, 2006

Sons do Atlântico - CeltiMouros Aos Pulos na Lagoa


O festival Sons do Atlântico, que decorreu em Lagoa, no passado fim-de-semana, merecia - pela qualidade dos concertos apresentados e pela envolvência do local - muito mais público do que aquele que teve. O local é lindíssimo (na ermida de N.Sra. da Rocha, a cerca de 30 metros do Oceano Atlântico... e a 30 metros na horizontal - é só um «pulinho» e vamos ao banho) e o festival teve dignas actividades paralelas a juntar aos concertos: teatro de rua, uma interessante exposição de gaitas-de-foles, comidas e bebidas variadas, artesanato, cordofones populares portugueses, concertos mais pequenos no palco secundário... O problema é que o promontório da Sra. da Rocha é um istmozinho rodeado por hectares e hectares de hotéis e urbanizações de luxo que dão como resultado um público de festival maioritariamente formado por algumas centenas de turistas bifes de meia-idade que não estão para se levantar das cadeiras e dançar as violentas muiñeiras de Mercedes Peón (na foto), o elegante sufi-house de Mercan Dede ou o zydeco rude de Lisa Haley. Mas que ele e elas mereciam que isso tivesse acontecido, lá isso mereciam...

Na primeira noite, a mais radical renovadora da música galega, Mercedes Peón, deu um excelente concerto em que à música de raiz (galega mas também com mergulhos na música medieval, no flamenco e na música árabe) juntou, quase sempre, uma boa dose de rock, de funk, por vezes de metal. E isto percebe-se bem: o vozeirão de Mercedes, a sua gaita com pedaleira de efeitos vários, a sua técnica de percussão bruta das pandeiretas ou de um estranho instrumento terrivelmente eficaz em termos rítmicos (uma chapa de metal percutida por uma pedra) não se compadeceriam, jamais, com um envolvimento acústico e domesticado. O concerto - maioritariamente dedicado ao seu novo álbum (com destaque para temas como o notável «Neniñué», o delicadíssimo, quase canção de embalar, «Ese Es Ti», e o violentíssimo «Ajrú») - terminou, em encore, com uma versão selvagem do mais antigo «Isué», e com, por fim, algumas dezenas de pessoas a dançar.

Na segunda noite, o turco Mercan Dede (ele que trata das electrónicas, samples, flauta, percussões) deu um espectáculo fantástico onde a sua música - sempre com uma raiz turca, sufi, árabe e, a espaços, indiana e andaluza (uma trompete puxou um dos temas claramente para o flamenco) - namora abertamente com a house, o ambient, o drum'n'bass ou o tecno. E aquilo resulta quase sempre magnificamente bem, embora de vez em quando se sinta alguma facilidade nos arranjos (eu e o Luís, do Crónicas da Terra murmurámos por vezes a palavra «azeite» seguida da frase «...mas este é do bom»). Destaques, ao longo do concerto, para alguns solos cristalinos de quanun (uma espécie de saltério), para um percussionista que faz maravilhas com a darabuka e, obviamente, para uma extraordinária bailarina que, por duas vezes, hipnotizou o público com as danças circulares dos dervixes (a dança sagrada dos sufis, reservada aos homens), em transe absoluto.

Na última noite, a norte-americana Lisa Haley foi ao fundo dos pântanos povoados de crocodilos e cobras d'água da Louisiana para trazer consigo o húmus do zydeco e do cajun: parte rock'n'roll, parte blues, parte jazz, parte música francesa (principalmente no acordeão-gingão), parte folk irlandesa. E tudo lá em cima, com uma energia e uma alegria inacreditáveis. Lisa é um mulherão de voz rouca, bagaceira, e violino (mais, muito mais rabeca) roufenho e incendiário, acompanhada por uns compinchas armados de guitarras Gibson e baixos Fender e também com ar de bons-viventes. Zydeco e cajun a rodos, mais dança do que nas outras noites, apelos à paz no mundo e pelas vítimas do Katrina, algumas piadas de teor alcoólico e uma versão divertidíssima de «When The Saints Go Marchin'In» encerraram, bem, esta edição do Sons do Atlântico.

No palco principal do festival também actuaram, todas as noites, grupos portugueses: os Mu com as suas danças tradicionais europeias, alguns temas novos que não estão no álbum «Mundanças» e muita alegria; a Orquestrinha do Terror com o seu interessante jazz, por vezes etno-jazz, por vezes mais free-jazz, por vezes num interessante exercício de jazz aplicado a imagens em movimento (foram três as curtas-metragens que acompanharam neste concerto); e as Moçoilas, grupo algarvio à capella que teve um concerto em crescendo na última noite, com temas do reportório tradicional algarvio e alentejano mas também de outros lugares, de José Afonso, do GAC, das próprias Moçoilas e de Amélia Muge (um delicioso rap)... e com muitos apartes divertidos nos entretantos.

14 julho, 2006

Sons do Atlântico e L Burro i l Gueiteiro (ou Do Algarve a Trás-os-Montes)


A edição deste ano do Festival Sons do Atlântico, em Lagoa, decorre nos dias 11, 12 e 13 de Agosto e tem uma ementa variada e interessantíssima que inclui actuações dos Mu (Portugal) e Mercedes Peón (a grande renovadora da folk da Galiza), no primeiro dia, Orquestrinha do Terror (Portugal) e Mercan Dede (electrónica em diálogo com a música da Turquia - na foto), no segundo, e, para fechar, as algarvias Moçoilas e grande senhora do zydeco Lisa Haley (Estados Unidos). Bancas de artesanato de vários países e restaurantes internacionais encontram-se também no recinto do festival. Ver o site www.algarpalcos.com

No outro extremo do país, a valorosa iniciativa L Burro i l Gueiteiro (de mirandês para português, se tal for preciso: O Burro e O Gaiteiro) decorre este ano de 31 de Julho a 4 de Agosto, partindo de Vimioso, na aldeia de Caçarelhos, e passando por várias aldeias até chegar a Sendim. Os passeios, de burro e a pé, serão animados com música dos Galandum Galundaina (co-promotores da iniciativa e agora a comemorarem dez anos de actividade musical - parabéns!), Toques do Caramulo, Ginga, Pé na Terra, Tear de Llerena e Sebastião Antunes Trio. Segundo a organização, os objectivos desta iniciativa mantêm-se inalteráveis: «defender o património cultural tradicional (das Terras de Miranda), tendo por símbolos o Gaiteiro e o Burro Mirandês». Ver os sites www.aepga.pt e www.galandum.co.pt