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01 abril, 2013

World Music - Calendário de Concertos

Através deste blog já têm sido anunciadas algumas novidades do FMM de Sines e do Festim. Mas há ainda mais alguns nomes da world music (e áreas aparentadas, com passagens e contaminações da world via reggae, rock, jazz e folk malandra) a vir aí... A nossa selecção: Abril Dia 5, Astrakan Project, Centro de Artes, Sines Dia 10, Marcelo Camelo, Teatro Tivoli, Lisboa Dia 14, Márcio Faraco, LX Factory, Lisboa Dia 18, Dave Holland & Pepe Habichuella Flamenco Quintet, Casa da Música, Porto Dia 20, BossaCucaNova, LX Factory, Lisboa Dia 21, Ensemble Al-Kindî, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa Dia 25, Amadou & Mariam (na foto, de Marie Dagnaux), Coliseu dos Recreios, Lisboa Dia 27, Edgard Scandurra, LX Factory, Lisboa Maio Dia 3, Rhythm Yatra, Museu do Oreinte, Lisboa Dia 5, Os Violoncelinhos & Nancy Vieira, Centro Cultural de Belém, Lisboa Dia 10, Motion Trio, Centro Cultural de Belém, Lisboa Dia 10, Gogol Bordello, Queima das Fitas, Coimbra Dia 11, Gogol Bordello, Queima das Fitas, Porto Dia 18, Grand Union Orchestra/Troca de Raízes, Museu do Oriente, Lisboa Dia 23, Groundation, Coliseu dos Recreios, Lisboa Dia 25, Vicente Amigo, Coliseu, Porto Dia 26, Vicente Amigo, Coliseu dos Recreios, Lisboa Dia 26, Amjad Ali Khan Trio, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa Dia 28, Dead Can Dance, Coliseu dos Recreios, Lisboa Dia 30, Dead Can Dance, Optimus Primavera Sound, Porto Junho Dia 5, Carmen Linares, Centro Cultural de Belém, Lisboa Dia 22, Che Sudaka, Cerrada do Bailão, Angra do Heroísmo Dia 28, Maria Rita, Pavilhão Rosa Mota, Porto Dia 26, UB40, Campo Pequeno, Lisboa Dia 29,Alborosie, G. Love, Orlando Santos, Rebelution e Dub Inc, Summer Fest, Ericeira Dia 29, UB40, Praia do Areinho, Vila Nova de Gaia Julho Dia 12, Vampire Weekend, Dead Combo e Edward Sharpe & The Magnetic Zeros (oh pá, deixem-me lá ser ecléctico e gostar destas coisas!) Optimus Alive, Oeiras Dia 14, Of Monsters and Men e Band of Horses (bis, bis, bis!), Optimus Alive, Oeiras Dia 26, Capagrilos, Niamh Ni Charra e Cristina Pato, Festival Folk/Celta de Ponte da Barca Dia 27, Né Ladeiras, Gaiteiros de Lisboa e Melech Mechaya, Festival Folk/Celta de Ponte da Barca Agosto Dia 14, Bombino e Alabama Shakes, Festival de Paredes de Coura Dia 16, Calexico, Festival de Paredes de Coura Setembro Dia 3, David Byrne & St. Vincent, Coliseu dos Recreios, Lisboa Dia 4, David Byrne & St. Vincent, Coliseu, Porto

17 julho, 2006

Acordeões - Entre a Argentina e a Polónia


Recuperação - mais uma - de um texto publicado no BLITZ há alguns meses (Janeiro deste ano). Fala de acordeões, de tango, do passado e do futuro... A propósito de três álbuns (dos Tango Crash, dos Motion Trio - na foto - e uma colectânea de antigo tango... polaco).

TANGO CRASH
«OTRA SANATA»

Galileo/Megamúsica

VÁRIOS
«POLSKIE TANGO»

Oriente Musik/Megamúsica

MOTION TRIO
«PLAY-STATION»

Asphalt Tango/Megamúsica


Argentina-Polónia. Tangos do passado e do futuro. Acordeões a unir tudo.

Já nem há discussão: o acordeão (e as suas variantes, como as concertinas ou o bandoneon) é, na actualidade, um dos instrumentos mais excitantes ao serviço de novas músicas «locais» ou «universais». E, se calhar, já nem é preciso voltar a falar de gente como os Danças Ocultas, Gabriel Gomes, Kepa Junkera, Kimmo Pohjonen ou Chango Spasiuk para se perceber que esta é uma discussão encerrada. E isto para dizer que, nos três discos em análise neste texto, o acordeão é rei e senhor. Mas há outros motivos para ligar três álbuns aparentemente tão diferentes entre si: os argentinos Tango Crash pegam no tango e levam-no para o futuro (numa nave espacial muito mais bem decorada e com uma força locomotora muito mais interessante do que a do Gotan Project), a colectânea «Polskie Tango» mostra tangos do passado, gravados na longínqua... Polónia nos anos 30 (e, acrescenta-se aqui, não há género musical que mais tenha feito pela dignificação do acordeão do que o tango, vd. bandoneon de Astor Piazzolla), e os polacos Motion-Trio pegam nos acordeões e fazem uma viagem paralela à dos Tango Crash, lançando os instrumentos para uma realidade paralela-alternativa-sideral qualquer.

O segundo álbum dos argentinos Tango Crash, «Otra Sanata», mostra o grupo a seguir as pisadas do primeiro, homónimo, mas com desvios valiosos devido à incorporação de novos elementos fixos no grupo. A Daniel Almada (piano) e Martin Iannaccone (violoncelo e voz) – os principais compositores – juntam-se agora um notável bandoneonista, Marcelo Nisimann, um baterista com escola feita no drum’n’bass (o que se nota aqui e ali nos temas deste álbum) e um percussionista. O todo tem agora uma sonoridade naturalmente mais orgânica, mas os tangos e milongas continuam, por vezes, a ser cobertos por um interessante chantilly electrónico (q.b. para dar patine de modernidade sem estragar o sabor original do conjunto). Pitadas de jazz, rock, experimentalismo e música erudita contemporânea fazem o resto. (7/10)

Rewind: uma das milhentas provas de que a música é uma linguagem universal é a colectânea «Polskie Tango», que agrupa tangos e milongas escritos e interpretados por compositores e músicos/cantores polacos no final dos anos 20 e durante a década de 30. Sabe-se lá por que razão, o tango (música nascida na Argentina) tinha uma adesão imensa na distante Polónia dessa altura. E o que começou por ser uma importação e adaptação locais transformou-se numa linguagem própria (com os temas a serem cantados em polaco), com um estilo de tango mais lento, mais triste, mais melancólico, mais «europeu». E é um documento lindíssimo. (7/10)

FFW: 70 anos depois, três polacos tocam acordeão como se este instrumento acústico fosse uma barreira de sintetizadores, comandos de discos voadores ou instrumentos ao serviço de bandas-sonoras de jogos de computador. O seu terceiro álbum, «Play-Station», é de 2001 mas só agora chega ao mercado português. E é uma maravilha de invenção e ritmo e sedução. Aqui há rock, jazz, música minimal-repetitiva, trance, tecno e delírios vários (um dos temas imita o voo de uma mosca; outro mima um jogo de naves espaciais em computador...). Arrasador. (9/10)