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05 maio, 2013

Festival Folk/Celta de Ponte da Barca - A Sexta Edição

Mais um belo festival que se aproxima. O texto de apresentação está no site da Câmara Municipal de Ponte da Barca: «6ª edição do Festival Folk/Celta de Ponte da Barca Pela 6ª vez consecutiva Ponte da Barca vai sentir a influência da música folk, já que no último fim de semana de Julho (26 a 28) regressa o Festival Folk/Celta, cujo cartaz já está fechado. Construído em torno da ideia de interculturalidade, a edição de 2013 traz ao palco barquense músicos Portugueses, Irlandeses e Espanhóis como Cristina Pato, Niamh Ni Charra, Capagrilos, Melech Mechaya, Gaiteiros de Lisboa e Né Ladeiras. A decorrer nas margens do rio Lima em Ponte da Barca, o festival é uma das apostas do atual executivo barquense, justificada pelo Vereador da Cultura, Manuel Joaquim Pereira, pelo “seu enorme potencial e por ser um evento impulsionador na divulgação do património tradicional e cultural do concelho que tem fortes ligações à cultura celta”. O Cartaz Sexta-feira | 26 de Julho - Capagrilos | Niamh Ni Charra | Cristina Pato A abrir o primeiro dia do Festival os Capagrilos, um grupo folqueiro-progressivo do Porto, que alia ao cantar em português uma cornucópia de sonoridades e inspirações de músicas do mundo. A banda começou em Setembro de 2010 e em 2011 gravou um EP de apresentação homónimo. Têm atuado em diversos espaços de renome e venceram o concurso de música tradicional Folk Flaviaefest realizado em Chaves. Recentemente lançaram o seu álbum de estreia São Bassáridas. Um espetáculo dominado por uma variedade de ritmos, climas e paisagens, desde a Amazónia ao Médio-Oriente, a guitarra portuguesa ao jouhikko, passando por mais de 15 instrumentos diferentes. Niamh Ni Charra é a senhora que se segue. Violinista e concertinista Irlandesa, Niamh Ni Charra lançou o seu álbum de estreia "Ón Dá Thaobh / From Both Sides" em 2007. Muito aclamado, foi considerado na lista dos dez melhores álbuns de Folk nesse ano. O segundo álbum "Súgach Sámh / Happy Out", lançado em 2010, veio reforçar o seu enorme talento. Ao longo da sua sólida carreira, Ni Charra tem recebido rasgados elogios pela sua habilidade suprema com o violino e a concertina e pela sua personalidade envolvente e contagiante. O primeiro dia da edição deste ano não podia encerrar melhor, com a gaiteira e pianista galega Cristina Pato (na foto). Com o seu estilo único, cheio de paixão e energia, Cristina Pato tem sido aclamada pelo The New York Times como "uma explosão de energia" ou a BBC como "a diva da gaita de foles galega". Pato funde as influências da música latina, jazz, pop e música contemporânea, e usa sua arte e habilidade virtuosa sem precedentes para trazer a sua visão musical para a vida. Sábado | 27 de Julho - Né Ladeiras | Gaiteiros de Lisboa | Melech Mechaya O segundo dia de festival é inteiramente dedicado à música portuguesa com Né Ladeiras a abrir com uma das mais prestigiadas vozes da Musica Tradicional Portuguesa. Né Ladeiras fundou, juntamente com vários amigos, o projeto Brigada Vitor Jara e tornou-se conhecida como vocalista dos já extintos Trovante e Banda do Casaco. Posteriormente desenvolveu uma carreira a solo, cuja solidez e consistência se deve em grande parte à sua voz unanimemente reconhecida como portadora de uma alma genuinamente portuguesa. De seguida, o palco está reservado para os Gaiteiros de Lisboa. Formado em 1991, o grupo tem feito o seu percurso em torno da música popular/tradicional. A marca distintiva dos Gaiteiros é a constante busca de novas sonoridades, a inovação e a criatividade, aplicadas à construção de instrumentos concebidos pelo próprio Grupo (Tubarões, Tambor de Cordas, Túbaros de Orpheu, Orgaz, Cabeçadecompressorofone, Clarinete acabaçado e Serafina). O som dos Gaiteiros, para além de respeitar a tradição popular, tem uma atitude experimentalista permanente. Os Melech Mechaya encerram o Festival. Formados no final de 2006, são hoje apontados como a primeira e mais proeminente banda de música Klezmer em Portugal. A sonoridade do grupo de Lisboa e Almada inspira-se ainda na músicas portuguesa, balcânica e árabe. Depois de dois discos lançados em 2008 e em 2009 , o EP “Melech Mechaya” e o LP “Budja Ba”, lançaram em Outubro de 2011 o álbum “Aqui Em Baixo Tudo É Simples”. O quinteto atuou já em importantes festivais portugueses e, fora de portas, a crescente carreira internacional dos Melech Mechaya tem conhecido sucessivos desenvolvimentos, com atuações na Croácia, Brasil e Cabo Verde. Até ao dia 28 de Julho | Feira alternativa Paralelamente aos espetáculos musicais e após o sucesso dos anos anteriores decorrerá uma Feira Alternativa, onde o público poderá usufruir de yoga, reiki, massagens terapêuticas, compra de produtos alternativos, danças orientais e danças do mundo, acupuntura entre muitas outras atividades. Recorde-se que este é um festival que anualmente tem trazido ao concelho barquense artistas nacionais e internacionais de elevada qualidade, num cruzamento de sonoridades musicais folk e celtas.

30 abril, 2013

Festival Islâmico de Mértola - Programação 2013

De dois em dois anos é certo e sabido que Mértola é invadida pelo cheiro da menta e do incenso e pelos sons de ouds e darabukas (e de muitos, muitos outros instrumentos que, desta vez e só como exemplo, incluem a guitarra portuguesa, o adufe ou guitarras eléctricas). Este ano, de 16 a 18 de Maio, o Festival Islâmico tem outra vez uma excelente programação. Veja-se: «16 de maio - Quinta-feira 10.00h - Abertura do mercado de rua |souk| Abertura dos Museus e exposições 10.30h/14.30h - (Biblioteca Municipal) Contos do Souk com Nuno Coelho \\ \\ dirigido aos alunos das escolas do concelho 11.00h - (Largo da Misericórdia)Teatro Extremo com a Peça: Salamaleque – uma história das Arábias 15.00h - (Largo da Misericórdia)Teatro Extremo com a Peça: Salamaleque – uma história das Arábias 17.00h - (tenda junto ao Castelo) Inauguração oficial do 7º Festival Islâmico de Mértola 19.30h - Salão Nobre da Câmara M. Mértola) Conferência “Fernando Pessoa e a Civilização arábico-islâmica” por Fabrizio Boscaglia 21.30h - (Centro Histórico) - Imagens na cal > Projeção de imagens 22.30h - (Praça Luís de Camões) Concerto com: > Custódio Castelo > guitarra portuguesa (Portugal ) > Ibn Misjan > Música e Dança Oriental (Síria/Argélia/França - Árabo-Andalusa) 23.00h - Encerramento do mercado de rua 17 de maio - Sexta-feira 10.00h - Abertura do mercado de rua |souk| Abertura dos Museus e exposições 11.00h – (Largo da Misericórdia) Workshop de Adufe por Sebastião Antunes 10.30h/14.00h - (Biblioteca Municipal) Contos do Souk com Nuno Coelho dirigido aos alunos das escolas do concelho 15.00h – (Largo da Misericórdia) - Workshop de Adufe por Sebastião Antunes 17.00h - (Biblioteca Municipal) - Apresentação do livro “Casas do Sul” de Santiago Macias, Manuel Passinhas e Miguel Rego 17.30h – (Salão Nobre) - Conferência ‘Economia como Deuda’ \\ Luqman Nieto - organização da Comunidade Islâmica em Espanha 18.00h – (Biblioteca Municipal) - Conferência aberta “Sistemas de informação e partilha do conhecimento: Mértola no percurso do Acesso Aberto” 18.30 h – (Cine-teatro Marques Duque) - Dança - “não dançarás como antes” - Companhia dansul (Salão dos Bombeiros) Noite de Dycra - organização da Comunidade Islâmica em Espanha 21.30h – (Centro Histórico) - Imagens na cal > Projeção de imagens. 22.00h - (Cais do Guadiana) Concerto Encuentro Multaka – (Marrocos/Espanha – Flamenco Arabo-Andalusí) Dissidenten – (Marrocos/Alemanha – Worldbeat) 23.00h - Encerramento do mercado de rua 01.00h - (Praça Luís de Camões) Concerto - Sebastião Antunes ‘entre a Beira e o Deserto’ (Portugal /Norte de África– Fusão) 18 de maio - Sábado 10.00h - Abertura do mercado de rua |souk| - Abertura dos Museus e exposições 11.30 h – (Largo da Misericórdia) Oficina de Cante Alentejano por Armando Torrão 12.00 h - (Local a definir) – Workshop Dança para crianças pela Companhia dansul 14.30 h - (Local a definir) – Workshop Dança para adultos pela Companhia dansul 15.00 h - (Cine-teatro Marques Duque) – Concerto com o grupo Selam (música de influência Islâmica) 16.00 h – (Biblioteca Municipal) - Apresentação do livro ‘Mértola, cultura e património-Atores, ações e perspetivas para uma estratégia de desenvolvimento local’ de João Serrão 17.00 h – (Largo da Misericórdia) – Oficina de Cante Alentejano por Armando Torrão 17.30 h – (Salão Nobre da Câmara Municipal) - Conferência ‘Agricultura y Capitalismo’ por Abdellah Bignon - organização da Comunidade Islâmica em Espanha 18.30 h – (Cine-teatro Marques Duque) – Concerto com o grupo Selam (música de influência Islâmica) 21.00 h - (Cine-teatro Marques Duque) - Contos do Souk com Jorge Serafim 21.30 h – (Centro Histórico) Imagens na Cal 22.00 h – (Cais do Guadiana) Concertos: Mad Sheer Khan (Argélia - Rock Oriental) Bombino (Niger - Blues/Rock; na foto) 23.00 h - Encerramento do mercado de rua 01.00 h - (Praça Luís de Camões) – Concerto Melech Mechaya (Portugal – Tradicional/ Árabe/Judaica) 19 de maio - Domingo 10.00h - Abertura do mercado de rua |souk| - Abertura dos Museus e exposições 10.30h – (Largo da Misericórdia) -Workshop de Adufe (Baltazar Molina) 11.00h – Assinatura do novo Acordo/Protocolo de Cooperação entre Mértola e Chefchaouen 14.30h – (Cine-teatro Marques Duque) – Concerto com Firdaus Ensemble (Espanha/Marrocos – Andalusi) 16.30h - (Cine-teatro Marques Duque) – Dança “não dançarás como antes” pela Companhia Dansul 18.00h Encerramento do mercado de rua e do 7º Festival Islâmico de Mértola. > Grupo Coral Guadiana de Mértola (Portugal – Cante Alentejano) > Grupo Boukdir – Marrocos (Marrocos – Gnawa) > Grupo Folclórico ‘Chocalheiros’ Vila Verde de Ficalho (Portugal – Tradicional) > Modas e Adufes - Grupo Etnográfico de Proença-a-Velha (Portugal – Tradicional) > Grupo de Chefchaouen (Marrocos – Tradicional) Outras Atividades - Maio 11 Maio > Oficina “O ritual do chá com menta” com Abdallah Kwali |Casa Amarela Além-Rio| 15 Maio > Conferência Internacional - org. Campo Arqueológico de Mértola 09 a 29 Maio > Exposição fotografia de Fernanda Carvalho |Casa das Artes Mário Elias| 03 a 04 Maio > Curso livre de Cerâmica Islâmica do al-ândalus - org. Campo Arqueológico de Mértola 16 a 19 Maio > Instalação no rio Guadiana de Geraldine Zwanikken > Exposição de fotografia “Síria 1” de Santiago Macias - |Largo da Alcachofra| > Exposição de fotografia “Síria 2” de Pedro Barros - |Casa Amarela CAM| > Exposição de fotografia ‘2' de João Serrão e Jorge Branco |Igreja da Misericórdia| > Largos de poesia |Núcleo Histórico| > Demonstração de destilação de plantas aromáticas |mercado de rua| > Animação de rua com o Grupo Boukdir e Grupo de Chefchaouen > Artesanato ao vivo > Meditação // Reiki |Casa cor-de-rosa| > Imagens na parede> Arte pública de Helena Passos // Oficina de Arquitetura |Núcleo Histórico|» Nota: Bombino também actua em Lisboa, dia 19 de Maio, às 19h00, no B.Leza, enquanto os Dissidenten se apresentam no MusicBox, no Cais do Sodré, dia 18, às 23h00.

15 dezembro, 2011

ManiFesta - Para Dar as Boas-Vindas a 2012


Ora, veja-se só que bela festa se aproxima:

"ManiFesta – Não há passagem de ano como esta!

O conceito deste evento é fazer uma passagem de ano diferente de todas as outras na cidade de Lisboa. Urbana, descontraída, baseada na diversidade cultural portuguesa, bem como em algumas características da nossa portugalidade (as minis e os tremoços, para o brinde da meia-noite). O espaço – Fábrica Braço de Prata, presta-se a acolher este conceito, pela variedade de salas que dispõe, permitindo-nos criar ambientes (salas de concertos, espaço de dança, exposições, chill-out, projecções de vídeo), e promovendo ao mesmo tempo a circulação do público, e proporcionando o desfrute de experiências diversas.
O programa musical desta Passagem do Ano vai privilegiar unicamente os artistas portugueses, bem como outras formas de expressão artística, como sejam as artes performativas em geral.

CARTAZ
Filho da Mãe | Lousy Guru (na foto)| Melech Mechaya | Cais Sodré Cabaret ! | Bailarico Sofisticado (colectivo de DJs)

Bilhete: livre trânsito 20€, em pré-venda; 25€, no dia

Extras: A aquisição do livre-trânsito tem de oferta 1 kit: 1 mini e 12 tremoços

Mote: Vem manifestar a tua Alegria!



Filho da Mãe

É uma alcunha que se dá a um sítio antigo em Lisboa onde ainda vive gente. Gatos a fugir primeiro na madeira depois na pedra, o fumo e o cheiro dos cigarros com os copos e as luzes no chão. O barulho das escadas com microfones a ouvir as guitarras lá em cima, onde moram dois velhos que agora são fantasmas e que de vez em quando espreitam pelas frinchas das portadas. O Filho da Mãe a.k.a. Rui Carvalho, é um músico genial e original de um grande poder de abstracção e obsessão de linhas de guitarra em movimento contínuo em contextos e ambientes diferentes, ouve-se a rua, as gentes que passam, ouve-se Lisboa, o mar, o silêncio e todo um imaginário que por vezes nos deixa sem fôlego! Filho da Mãe! Tó Trips

Lousy Guru

Os Lousy Guru são tudo menos meninos de coro, mas o aspecto da sua música que salta mais imediatamente aos ouvidos é a profusão de harmonias vocais que envolve os seis membros da banda. Há um efeito de nostalgia nesses momentos de polifonia despretensiosa, evocativos, entre tantas outras coisas, de uma pop californiana dos anos 60, feita de paz, praia e juventude. Mas os Lousy Guru são muito mais do que um sonho de Verão. Nascidos em Lisboa, em 2008, apresentam um set assente em guitarras (Miguel Décio e André Barata), baixo (André Galvão), bateria (Tiago Albuquerque), acordeão (João Braz), teclas (Marta Carvalho), aos quais se juntam ukuleles, glockenspiel e outros instrumentos. Inicialmente marcados pela folk americana e pelo lo-fi, assumem actualmente um registo pop impossível de destrinçar em subgéneros, tal a variedade de ambientes criados.

Melech Mechaya

Melech Mechaya é uma banda portuguesa de música Klezmer sediada em Lisboa e Almada, e são geralmente considerados como a primeira e mais proeminente banda do género em Portugal. Atingiram alguma notoriedade devido aos seus festivos concertos e contagiante sonoridade Klezmer, inspirada ainda pelas músicas cigana, árabe e balcânica, bem como Fado e Tango. As suas actuações ao vivo são muito interactivas, e Rodrigo Nogueira da revista Time Out referiu-se a eles como "uma banda incrível ao vivo". O grupo formou-se nos finais de 2006 com João Graça no violino, Miguel Veríssimo no clarinete, André Santos na guitarra, João Sovina no contra-baixo e Francisco Caiado na percussão. Em 2008 lançaram o EP "Melech Mechaya" (ed. autor), e em 2009 foi lançado o seu disco de estreia "Budja Ba" (Ovação), com a participação das Tucanas. Eelco Schilder, da revista FolkWorld, considerou-os "cinco músicos notáveis" e a sua abordagem ao Klezmer "muito diferente". Em Outubro de 2011 editaram o longa-duração "Aqui Em Baixo Tudo É Simples" (Pontozurca), que conta com convidados como a fadista Mísia ou o trompetista norte-americano Frank London, dos Klezmatics (vencedores de um Grammy em 2006)


Cais Sodré Cabaret !

CAIS SODRÉ CABARET ! pretende ser uma celebração dos tempos em que os homens usavam chapéu e as senhoras calçavam luvas… ...uma celebração do estilo e glamour de outras épocas. Nos anos 20 e 30 haviam bastantes clubes e cafés que abrigavam as tertúlias de escritores, artistas e intelectuais. Com a chegada da ditadura e a instituição da mentalidade “orgulhosamente sós”, o país hibernou face às novi...dades durante cerca de 40 anos. Os ventos que sopravam lá fora chegavam indirectamente ou de modo ilícito. Galãs e divas de Hollywood ostentavam o seu charme e lançavam modas nas sessões domingueiras dos grandes cinemas lisboetas; estrelas do burlesco enchiam magazines estrangeiras; as coristas actuavam em revistas do Parque Mayer copiando as tendências de vaudeville da Broadway e os clubes e cabarets (como o lendário Maxime) acolhiam aves nocturnas e os espíritos marginais. Pretende-se recriar todo um imaginário retro associado à vida nocturna, à festa e à celebração da boémia e do prazer. Música, dança, fumo e bebida. Mas também o imaginário nocturno e decadente do Cais do Sodré.


Bailarico Sofisticado

Imagine-se que durante umas horas poder-se-iam apagar fronteiras com uma borracha, acender fogos com dois calhaus e ser-se de qualquer tribo, da áfrica à europa de leste, passando por brooklyn e praias tropicais. É que desde 1999 que se pode ser cidadão do mundo com um Bailarico Sofisticado assim - que o digam os milhares de pessoas que com eles fazem nascer o Sol no encerramento do FMM de Sines. Joana Batista"

19 agosto, 2010

Ecos da Terra na Recta Final do Verão


O Ecos da Terra, em Celorico de Basto, começa já hoje. Aqui fica a programação e a notícia, directamente sacadas ao camarada Luís Rei, das Crónicas da Terra.

"Celorico de Basto recebe de 19 a 21 de Agosto mais uma edição do Festival Ecos da Terra com um cartaz de música portuguesa (e não só) variado e consistente.

Além da divulgação musical, o Ecos da Terra, pretende divulgar o que de melhor existe na região de Basto em termos de beleza paisagística, gastronomia, artesanato e, «claro, as maravilhosas gentes» locais.

Programa:

19 de Agosto (Quinta-feira)

Tuttis Catraputtis.

20 de Agosto (Sexta-feira)

Bilan;
Mosca Tosca;
Roncos do Diabo;
Olive Tree Dance.
Workshops/Actividades diurnas:
Aula de Yoga;
Workshop de Danças Tradicionais;
Workshop de Didgeridoo;
Workshop de Percussão;
Workshop de Danças Africanas.

21 de Agosto (Sábado)

Toques do Caramulo;
Uxu Kalhus;
Galandum Galundaina;
Melech Mechaya (na foto).
Workshops/Actividades diurnas
Aula de Yoga;
Workshop de Danças Tradicionais;
Workshop de Danças de Miranda;
Workshop de Fotografia;
MostrArte.

Bilhetes para os concertos
19 de Agosto – Entrada Gratuita;
20 de Agosto – 12 euros;
21 de Agosto – 13 euros;
Passe 3 dias – 20 euros.
Os Workshops e campismo são grátis"

16 dezembro, 2009

Melech Mechaya - Passagem d'Ano no Alquimista


Tenho a certeza que vai ser uma festarola daquelas!

«Reveillon’10 – Santiago Alquimista

Na última noite do ano, pelas 22h, o Santiago Alquimista apruma-se, estende a passadeira vermelha, faz uma vénia, toca as trompetas e sacode as tristezas de 2009 em grande estilo, com convidados dignos de protocolo Real.

Eles são os Melech Mechaya ou traduzindo para a nossa língua: os Reis da Festa e da Alegria. E para que a corte esteja completa, trazem as Femme Fatale que comandarão os pratos e ainda convidados surpresa!

Os Reis vão alucinar os seus queridos súbditos com uma viagem louca e festiva pela música klezmer, com uma sonoridade contagiante que une aromas árabes e ritmos ciganos à tradição judaica. Da Hungria a Israel, dos Balcãs a Nova Iorque, este festão vai ser de público em pé e cadeiras vazias. Entre o riso e a dança, as passas numa mão e o champagne na outra, esta é uma pândega não aconselhada a cardíacos! A Anarquia de mãos dadas com a Monarquia! Esperamos por ti no que vai ser um grande 31 … de Dezembro!

Bilhetes com countdown, passas, champagne, confetis e muita loucura: 25€

À venda nas lojas Fnac, Worten, C. C. Dolce Vita, El Corte Inglês, Lojas Viagens Abreu, Lojas MegaRede e www.ticketline.sapo.pt. RESERVAS: 707 234 234»

Mais informações, aqui.

05 agosto, 2009

Planície Mediterrânica - Das Ilhas Baleares à Croácia


Mais uma vez inserido na programação mais alargada do Festival Sete Sóis Sete Luas, o Planície Mediterrânica 2009 decorre de 11 a 13 de Setembro, em Castro Verde, com espectáculos da Piccola Banda Ikona (Itália), KamaFei(Itália), Laefty Lo (Portugal), 7 Luas Orkestra (Mediterrâneo), Deabru Beltzak (País Basco), Mor Karbasi (Israel), Xeremiers de Son Roca (Ilhas Baleares), DJ Osga (Portugal), Melech Mechaya (Portugal), Gustafi (Croácia), Pantomina (Portugal) e o cruzamento das locais Violas Campaniças com o cante alentejano. Exposições, oficinas de danças tradicionais, oficinas de instrumentos e cante, gastronomia e passeios fazem também parte do cardápio do festival. Mais informação, aqui.

28 julho, 2009

FMM de Sines - Um Momento Que Resume Tudo!


Não tendo visto os concertos do primeiro dia (e perdendo ainda alguns, poucos, dos outros), as minhas melhores memórias recentes - mas já toldadas pela saudade - do último FMM apontam imediatamente para a fabulosa «tanguédia» da Orquestra Típica de Fernandez Fierro, para a genial explosão de muitas músicas de Cyro Baptista, para o rock em distorção feito no Magrebe dos L'Enfance Rouge, para a folia gaiata dos Melech Mechaya, para o milagre que é ver Lee «Scratch» Perry ainda aos comandos do melhor dub que existe, para o quão injusto é a magnífica Uxía - nossa irmã - não vir a Portugal mais vezes, para os blues com sabor a especiarias de Debashish Bhattacharya, para as novas e as velhas canções dos Ukrainians e, acima de todos, para o encanto em estado puro da voz e da simplicidade da música de Mor Karbasi. O momento captado em vídeo que pode ser visto neste post é o resumo perfeito do que é o FMM: quando o mundo todo vem a Sines e Sines faz do mundo um bocadinho mais português. Obrigado, mais uma vez, e sempre!

15 julho, 2009

Andanças - Sob o Signo do Silêncio


Um festival cheio de concertos, bailes, workshops e jam-sessions - entre mil e uma outras coisas - que tem como mote o «silêncio» não é nada habitual. Mas, assim como já nasceram em Portugal dezenas de mini-Andanças, também talvez se torne um hábito, qualquer dia, aprender a ouvir o silêncio que se esconde nas músicas e por entre o ruído. A ideia e o programa do Andanças (embora ainda sujeito a alterações), a seguir:



«BEM-VINDO AO ANDANÇAS 2009! O Andanças é uma rede social in situ: para participar, basta comunicar e deixar-se comunicar. Dedicamos esta edição ao Silêncio esperando que cada um descubra, na Festa, o seu Silêncio e o dos outros.

O TEMA SILÊNCIO
Este ano queremos promover o Silêncio no sentido mais lato possível do termo. Queremos menos poluição sonora, menos poluição visual, menos poluição material, menos resíduos, menos desperdício. Queremos eliminar os ruídos espúrios que nos impedem de ver o essencial da música, do baile, da vida e dos outros. Bem vindos!

COMO SE ORGANIZA A PROGRAMAÇÃO

O Festival Andanças não tem uma maneira de ser vivida, mas imensas. Temos, para isso, 8 espaços de programação, uma diversidade de actividades das 9h às 3h da madrugada, e outras dezenas de actividades como jam sessions, mergulhos nos poços e ribeiras e passeios na serra.

Começa-se o dia com oficinas de aquecimento; de seguida, as tendas acolhem as oficinas de dança até o fim da tarde e acaba-se com massagens. À noite, experimentam-se nos bailes as danças aprendidas ou assiste-se aos concertos.

Outro programa possível durante o dia é a participação em actividades paralelas e para crianças. Propomos uma programação exclusiva ao longo do dia (dança, contos, teatro e outras actividades artísticas).

No Carvalhal tem lugar a programação das Paralelas (oficinas para trabalhar o corpo - circo e expressão dramática - e actividades plásticas, criativas, escritas) e da Fogueira (contos). No Salão assiste-se à programação de filmes, debates, baile e teatro para pais e filhos; na Igreja a conversas sobre o ambiente, salão de música e concertos; no Telheiro a oficinas de instrumentos.

Mais programação: Percursos temáticos nos arredores, animações de rua, desfile de Domingo, e os já famosos Andamentos, Mini Andanças na serra…

MENU: Programação detalhada
BAILES E PALCO ALTO
OFICINAS DE DANÇA
OFICINAS PARALELAS
IGREJA
ESPAÇO CRIANÇA
RANCHOS
ANDAMENTOS
ECO-ANDANÇAS NOVIDADES 2009



BAILES E PALCO ALTO
Para este ano de 2009, haverá um grande número de grupos estreantes no festival quer portugueses, quer estrangeiros. Outros que já não vinham há dois anos regressam ao Andanças.
Estreantes estrangeiros: Zlabya (fr); Les Quintet à Claques (fr); Trio Brisco (it), Hot Griselda (bel); Duo Montanaro/Cavez (fr/bel), Raksedonia (es), Cobblestones (al)
Estreantes portugueses: Magic Folk Pills, Cabaz (na foto), Deu La Deu, Laefty Lo, Ogham, Andarilhos, Uxte.
E os já conhecidos, entre os outros: Naragonia Quartet (bel), Zef (fr), Inquedanzas (gal), Tarentelle Abusive (it), Alafum, Alfa Arroba, Atma, Baileburdia, Mu, Pé Na Terra, Melech Mechaya, Monte Lunai, Olive Tree Dance, King Mokadi, Ventos da Líria, Velha Gaiteira, Mosca Tosca, Fol&ar, Oco, Rabies Nubis, Nação Vira Lata, Roncos do Diabo, Semente, Tanira, Toques de Caramulo, Teresa e Rodrigo Mauricio, João Gentil & Luis Formiga...



OFICINAS DE DANÇA
Eva Azevedo (Escola Sementinha), Paolo Herrera (Andinas), Mariyana Ilieva (Búlgaras), Zé Barbosa (Cabo Verdianas), Umoi Souza (Capoeira), Daniel Peces (Castelhanas), Oscar&Gladys (Chacarera), Carla Gomes (Chamarritas dos Açores), Roger Picken e Sue Wilding (Escocesas), Rita Duarte (Europeias), Erica e Pablo (Forró), Mayuka (Funk), Pétchu (Fusão de Raízes Tradicionais/Kizomba)
Charlotte Bispo (Fusão de danças afro-brasileiras e Oriental), Sofia Franco (Havaianas), XL (Hip-hop), Mirjam Dekker (Holandesas), Ganga Grace (Indianas), Patrícia Vieira (Irlandesas), Monica Sava (Itália do Norte), Abeth Farag (Lindy Hop), Pétchu (Kizomba), Diana Azevedo (Leste), Ana Lage (Minhotas), Elsa Shams (Oriental 1), Crys Aysel (Oriental 2), Ricardo Faria (Salsa para Scottish), Polyanna Jazzmine (Sapateado Americano), Marta Chasqueira (Sevilhanas), Pacas (Street Dance), Oscar&Gladys (Tango Argentino), Juan&Graciana (Tango nuevo), Mirjam Dekker (Turcas & Armenas), Angel Terry (Latinas), Marina Vasquez (Finlandesas).

OFICINAS PARALELAS
A programação de Paralelas no Carvalhal tem a mesma lógica da última edição (2008), existem dois espaços que têm actividades associadas:
- ACTIVIDADES RELACIONADAS COM O MOVIMENTO E ARTES CIRCENSES
Circo em Movimento, Malabarismo e equilibrio, Modelagem de balões, Magia, Lixo com Ritmo, Expressão dramática.
- ACTIVIDADES RELACIONADAS COM AS EXPRESSÕES PLÁSTICAS E CRIATIVAS
Colares em tecido, Cintos com material reutilizado, Escrita Criativa, Construção de didgeridoo, Velas naturais, Artesanato Verde, Reduzir - Reutilizar - Recicl'art.


Nesta edição repensamos as oficinas nos palcos (relaxamento) e tendo em conta o tema "Silêncio" foram criados dois momentos distintos:
MEDITAÇÃO E RELAXAMENTO (Manhã)
Tai Chi Chuan, Dança Circular Sagrada do Coração Único, Dança dos Afectos, Ondas de Respiração, Consciência Corporal e Auto-massagem, Meditação Sufi.
MASSAGEM E RELAXAMENTO (Tarde)
Chi Kung, Massagem Tailandesa Tradicional, Massagem Ayurvédica, Tui Na (Massagem Chinesa), Abraço Terapia, Shiatsu, Segredos do Tantra, O Poder do Erotismo e do Amor, Universo Vibratório.


Fora do Carvalhal, encontra ainda muitas outras actividades:

OFICINAS ECO: Fornos Solares e Cosméticos naturais
FOGUEIRA: Contos com o Marco Luna, Tânia - Camaleão, Barreiro Fernandez, Joana Aguiar, Ana Lage, Encerrado para Obras.
APRESENTAÇÕES E ANIMAÇÃO: Circo em Movimento, Encerrado para Obras, Atropecias, Arte&manhã, Teatrus, Triopuliante.
PASSEIOS E OUTROS: Passeio das Borboletas, Danças Celestes, Visita às Termas, Reencontro da Fraguinha, Santa Cruz da Trapa.
EM DESTAQUE: Acção Sonora "Silêncio! Vamos Escutar Carvalhais": A Binaural propõe uma oficina de paisagens sonoras. Tem o objectivo de preparar uma acção sonora a apresentar ao público do Andanças 09 e consiste no registo de sons da zona de Carvalhais, sua edição, escolha e composição de uma peça sonora de 30 minutos. Será a seguir apresentada no maior número possível de sistemas de som.



IGREJA
Para se refrescar, a Igreja é o ideal! Alem das eco-conversas, logo após o almoço, poderá participar em oficinas de música, apresentações e concertos até as 22 horas.
- Oficina de Adufe, "O que é Harmonia", "Cântigos Sagrados" (Ana Júlia), Tangos, Taças Tibetanas, "Guitarra à Capela" (João Almeida", Pandereitas, Oficina com o Grupo de Trajes e Cantares de S. Cristovão de Lafões.
- Concerto "Dueto de Cordas" (Miguel Guelpi e Maria Corte), Concerto de Taças Tibetanas, Adufeiras de Paúl, InsesunS, Punto sem Nó, Teatro de Bonecos, Peixinho Rosa, Guitarra Portuguesa em Cravo, Winga Kan, Lunduns e Modinhas de Tliquitó, João Gentil, a Presença das Formigas.



ESPAÇO CRIANÇA
O Andanças cuida da curiosidade das crianças com uma programação particular ao longo do dia:

DANÇA: Ana Lage (Dança Minhotas), Grupo da Apelação (Danças Africanas, Samba e Italianas), Rita Bastos (Hip-Hop), Pacas (Street Dance), Rita Rato e Laura Boavida (Um balão também tem sensações), Inês Rego (Dançar com a Natureza e Movimentos do corpo e da alma), Umoi Souza (Capoeira), Mercedes Prieto (Zampadanças), Monica Sava (Danças do mundo).

TEATRO: Agora Teatro (Tamborilando), Triopulante (Sabemos Porque Lemos), Encerrado para obras (Palhaço Troca o Passo), Ana Cris - Raquel Cajão - Nuno Fernandes (Pausas Lendárias da Nossa Terra), O Titeretoscópio - Mini Teatro de Bonecos com Maíra Coelho e Patricia Preiss (O Encantador Encantado / A Equilibrista / Retirantes), Carla Ribeiro - Andreia Ribeiro - Damien Rigal (Teatro Waldorf de bonecos para crianças), Kelly Roberta de Souza Varella (Quixote: as peripécias de um cavaleiro doido), Manu (MANU – Ao Sabor do Vento), Mo de vida - Comercio justo (Teatro de Marioneta).

CONTADORES: Marisa João Tavares da Costa (O Silêncio da Noite), Isabel Silva (Histórias com Marionetas), Ana Manjua (Arte do Conto).

OUTRAS ACTIVIDADES MUSICAIS, PLÁSTICAS E EXPRESSIVAS
Carla Cristina Pita Fernandes (Chiiiuu! - Jogos musicais e sonoros para crianças), Fábio Alexandre Alves fernandes (Sinfonia dos 3 R's - construção de instrumentos musicais),
Sandra Carapau (Oficina de Teatro e Oficina de Construção de Instrumentos), Elsa Sofia Lima Ferreira (Expressão Dramatica), Joana Rita (Pimpidu – Expressão Plástica), Elisa Silveira (Origami, balões, instrumentos), Irene Martins (Macramé e Expressão Plástica), Raquel Oliveira (Música para Bebés), Rute Pinto (Historias para “ver” de olhos fechados: “A Cabra Azul”), Teatrus – Rolando Tavares (Malabarismo), Inês Duarte (Yoga) - e os Bailes para Crianças!



RANCHOS
Sempre presentes, os ranchos participam ao Festival, partilhando o seu conhecimento em Danças Portuguesas. Todos os dias, poderão aprender durante a oficina e bailar à noite.

Grupo de Danças e Cantares da Serra da Gravia (Beira Alta).
Grupo de Danças Raízes Latinas (Rio Gr. do Sul - Brasil).
Grupo Folclórico das Lavradeiras de Meadela (Minho).
Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde - adulto e infantil (Douro Litoral-Sul).
Grupo Folclórico de Portomar - Mira (Beira Litoral).
Rancho Folclórico Os Camponeses de Riachos (Ribatejo).
Rancho da União Cultural e Folclórica da Bobadela (Estremadura).
Grupo Folclórico KUD "IVAN GORAN KOVACIC" (Croácia).
Orquestra Típica e Rancho da S.F.A.A.Coimbra (Beira Litoral).



ANDAMENTOS
Sendo o Festival feito pelos participantes, neste momento o Andanças é o que é devido aos milhares que se reencontram em Carvalhais em cada Agosto. Contudo, estamos cientes de que quando se ganha em variedade e diversidade, algo se perde em proximidade. Os Andamentos vieram em parte repôr essa experiência de contacto mais íntimo com a Natureza e as gentes locais. Dada a experiência positiva das edições passadas, regressam este ano para dar a conhecer três aldeias serranas. Cada Andamento possui um formato semelhante ao Andanças, embora dimensionado à escala e integrando programação local, o que permite participar em diversas actividades e ao mesmo tempo conviver e saborear vivências do Maciço da Gralheira.



ECO-ANDANÇAS NOVIDADES 2009
Quem não sai do Andanças pode usufruir de um momento de mais calma e frescura a seguir ao almoço, debatendo calmamente diferentes perspectivas nas eco-conversas. Este ano, claro, todas dedicadas ao Silêncio: na música ou na poesia, na pessoa ou entre as pessoas. Aguentaremos uma conversa em silêncio? Se não conseguirem, demorem-se antes na relva, convivendo. O importante em todos os casos será viver o momento, é isso estar no Andanças. E não se preocupem se a bateria do telemóvel acabou: peguem numa caneta e escrevam uma carta para casa. Ou enviem um postal para deixar os que lá ficaram invejosos com as paisagens maravilhosas da Região. Este ano será possível comprar selos e enviar cartas dentro da própria aldeia Andanças: parem para escrever o que vos vai na alma!

E se deixarem de encontrar préstimo para o telemóvel, temos um ponto de recolha selectiva para aparelhos eléctricos. Este ponto junta-se a um outro de recolha de rolhas, com o qual o Andanças se soma aos que procuram preservar os montados deste país. Porque o Andanças gosta de promover boas ideias. Como a produção caseira de detergentes amigos do ambiente: continua a ser tão difícil encontrar produtos em que confiemos, que o melhor mesmo é por as mãos à obra. Este ano venha experimentar produzir detergente para a linha de lavagem Andanças! Ou então envolva-se com o tema dos fornos solares e cozinhe o seu próprio almoço com a ajuda do rei-Sol. No Andanças, o tempo dança todo por sua conta».

Mais informações, aqui.

27 maio, 2009

Melech Mechaya - Vem Aí o Álbum de Estreia!


«Budja Ba», o álbum de estreia dos Melech Mechaya está por dias! E, como tive o prazer e a honra de escrever o texto de apresentação do álbum, aqui vai ele, na íntegra:

«Melech Mechaya

1º álbum, «Budja Ba», à venda em Junho. Festa de lançamento no dia 13.

Já ninguém questiona que músicos e cantores portugueses se dediquem ao death-metal, ao drum'n'bass, ao hip-hop, ao jazz ou à música erudita. São géneros conhecidos, alguns mais populares que outros, mas que já não causam surpresa ou estranheza. Mas que raio é que leva cinco rapazes portugueses - e nenhum deles judeu, apesar de Miguel Veríssimo, o clarinetista, achar que teve um tetravô que o era - a escolher o klezmer, um género nascido há centenas de anos nas comunidades judaicas do centro e leste europeu, como a sua música de eleição?

Respostas: primeiro o acaso; e depois uma paixão profunda por esta música antiga e estranha, por eles misturada com outras músicas de que também gostam. O guitarrista André Santos e o violinista João Graça, colegas no Conservatório Nacional, receberam de um professor um livro com temas klezmer, que foram depois incluídos em espectáculos do duo de chorinhos brasileiros que André partilhava com o clarinetista Miguel. E gostaram tanto desses temas - o tradicional «Bulgar de Odessa» ou «Misirlou», tornado mundialmente famoso na versão de Dick Dale - que juntaram mais três amigos para tocar um reportório klezmer completo: João Graça no violino, Francisco Caiado na percussão e João Novais (aka João Sovina) no contrabaixo.

O primeiro ensaio, em Novembro de 2006, correu tão bem que - apesar de cada um deles ter outros projectos musicais e ter uma vida profissional activa (nos MM há um economista, um médico, um arquitecto, um biólogo e um professor de música) - logo se lançaram à aventura dos concertos, uma aventura que já os levou a actuar na Festa do Avante, Festival Etnias (Porto), Festival Andanças, Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), Cabaret Maxime (Lisboa), Allariz e Santiago de Compostela e Festival Músicas do Mundo de Vilagarcía de Arousa (Galiza), Festival Ritmus (Açores), Espaço Celeiros (Évora) ou num concerto em nome próprio no Santiago Alquimista, em Dezembro passado, que esgotou por completo esta sala da Costa do Castelo. Concertos - cerca de 60 em dois anos de existência - que são uma festa pegada, cheios de dança, sorrisos e suor. E, proximamente, os MM actuam no Festival Granitos Folk (Porto, 12 de Junho), no Teatro da Comuna (Lisboa, 13 de Junho, lançamento do disco), no FMM de Sines (25 de Julho) e na Špancirfest (Croácia, 25 de Agosto).

O seu álbum de estreia, «Budja Ba», chega agora, no tempo certo. E nele, os Melech Mechaya - que se dizem tão influenciados pelos seminais Klezmatics como pelos Beatles, o guitarrista Django Reinhardt ou os Masada de John Zorn - partem do klezmer para visitar outras músicas que lhe são próximas: a música dos ciganos dos Balcãs, a música turca e árabe, mas também o jazz manouche, o flamenco, o tango ou o fado. Fado? Ah, pois, afinal sempre há lá uma ligação à música portuguesa, no tema «Fado Tantz». E se calhar ainda há outra, ainda mais subliminar, mais subtil: oiça-se o início de «Dodi Li», um tradicional klezmer, e veja-se como este tema está ligado a «Oi Khodyt Son Kolo Vikon» (uma canção de embalar ucraniana) e este a «Summertime» (de George Gershwin, que ao jazz juntava as suas influências judaicas). O mesmo «Summertime» que foi a inspiração maior de Carlos Paredes para a «Canção Verdes Anos». E há lá coisa mais portuguesa que a «Canção Verdes Anos»?

Entre tradicionais klezmer e originais compostos pelo grupo, «Budja Ba» inclui os temas «Dodi Li», «Fanfarra», «Bulgar de Almada», «Nigun 7», «Dança do Desprazer», «Sweet Father», «(Rad Halaila)», «Budja Ba», «Fado Tantz», «Na Festa do Rabi», «Freylach 6.8», «Hava Nagila», «(Melodia da Rua)», «Cravineiro», «Sabituar» e «Harmónica». Os arranjos e a produção são do próprio grupo, que teve como convidadas em alguns temas as Tucanas (vozes, percussões e acordeão) e as vozes de Noémia Santos, Ana Sousa e Irina Santos. A edição é da Ovação.

As canções de «Budja Ba», uma a uma:

DODI LI
Ouvimos uma versão desta música pelo Freylekh Trio e gostámos muito dela. Fizemos o arranjo, muito simples só com violino e contrabaixo, e passámos a abrir os espectáculos (e agora o disco) com ela.

FANFARRA
A ideia para esta música surgiu durante o concerto da Fanfare Ciocarlia na Festa do Avante em 2007, e foi feita em jeito de homenagem à banda, com ritmo sincopado e melodia ornamentada que costumam caracterizar os Ciocarlia. Funciona quase sempre colada à «Dodi Li» (que lhe serve de introdução).

BULGAR DE ALMADA
Esta música surgiu na altura em que se começou a falar em misturarmos alguns originais com os temas tradicionais que tocamos desde sempre. Os bulgares são danças tradicionais, normalmente com o nome da terra da sua origem. Desta forma, apanhando motivos melódicos comuns em muitos «bulgars» (como o início da melodia) surgiu este tema. Foi composto em Almada, os Melech ensaiam em Almada, então nasceu o Bulgar de Almada. No disco, esta música é como um recreio das percussões, onde graças à interpretação de cinco musas (Tucanas) a música ganha uma nova dimensão.

NIGUN 7
Esta música surgiu inicialmente como uma segunda parte frenética de outra muito calma, chamada «In Law's Dance». No disco usamo-la como «turbilhão», um devaneio curto e rápido que deixa o caos por onde passa e traz vivacidade ao disco.

DANÇA DO DESPRAZER
Um dos momentos mais marcantes dos espectáculos ao vivo, sempre teve um arranjo muito directo e um ritmo muito simples. Sempre nos atraiu a alegria desta música, onde cantamos e gritamos e ao vivo vem sempre gente dançar p'ra cima do palco!

SWEET FATHER
Ao vivo é a música que quebra o gelo, serve para cumprimentar o público e para «apresentar» musicalmente os Melech. É das músicas que mais nos caracteriza, e aparece num sítio do disco em que começam a ser introduzidas mais variações (esta toca no jazz e no reggae) e começa a fechar o ciclo de músicas mais simples e de momentos mais fortes ao vivo.

(RAD HALAILA)
Sempre foi uma canção com uma alegria pateta, que só nos conquistou a todos quando passámos a tocá-la no fim dos concertos em jeito de «é a última, 'bora dançar e ser felizes!». No disco extraímos apenas a melodia e criámos um primeiro ponto de paragem e descanso, um interlúdio com um ritmo ternário bem português e terreno.

BUDJA BA
É uma das originais. O arranjo foi feito no teste de som do concerto em Tomar, enquanto na rua uma cadela girava loucamente com epicentro no pénis de um cão vadio, e logo se tornou o chamamento, o canto de invocação da Budja Ba, a nossa deusa. As vozes femininas surgiram aquando da preparação do concerto do Santiago Alquimista. Gostámos tanto que decidimos pô-las no disco. A música contém então o cântico de evocação da deusa Budja Ba onde se pede ajuda a todos para o levarem mais alto.

FADO TANTZ
A música serve para expressar sentimentos e estados de espirito. Em geral caracterizamo-nos como um grupo alegre e festivo mas no entanto, como tudo na vida, há sempre dias mais sombrios. Foi num desses dias que surgiu esta melodia. Pela sua carga dramática e nostálgica soa a Fado e transporta todo o sentimento associado a este estilo musical. Neste arranjo a melodia assume novas «personagens» como o Tango, Klezmer, quasi «pop» e a festa!

NA FESTA DO RABI
Esta música, mais uma do livro perdido, é das que mais gostamos e das que menos tocamos, o que é curioso. No disco é o tema-charneira que separa as duas partes - a primeira, mais efusiva e simples e directa; a segunda, mais elaborada e referenciada e rica. O ad lib. inicial é quase um portal para um novo momento e o swing no final permite-nos dançar mais um pouco. É das nossas preferidas!

FREYLACH 6.8
Um corte e costura de temas tradicionais, e onde exploramos diferentes camas rítmicas sob a forte melodia que tem. E no final a melodia passa para a guitarra, o que é incomum em nós, e o ambiente passa para a nossa sala de ensaio, os cinco a curtir.

HAVA NAGILA
Dispensa apresentações! No disco fazemos uma pequena desconstrução da música - ainda no ambiente de sala de ensaio - e depois partimos para paródia, tal e qual como o arranjo do espectáculo ao vivo. No fim da música aparece um acelerando forte para rematar a música em apoteose.

(MELODIA DA RUA)
Esta foi o Graça que nos mostrou num ensaio, só ao violino, «Malta, oiçam isto». E gostámos tanto assim, que assim ficou. No disco serve como segundo ponto de paragem/descanso, um novo interlúdio que respira do chinfrim anterior e prepara o último terço do disco.

CRAVINEIRO
Cravineiro é o nome que os contrabandistas portugueses davam aos guardas espanhóis que estavam junto das fronteiras entre Portugal e Espanha. Na altura pareceu bem fazer uma música dedicada a estes senhores. É um dos nossos temas com mais traços do klezmer tradicional. Tinha dois finais e ao vivo tocávamos aquele que o público escolhia. No disco decidimos fazer um final diferente, pronto!

SABITUAR
A melodia principal apareceu ao Miguel num banho, numa altura em que a beatlemania lhe batia particularmente forte, e a entrada da música remete precisamente para o «Helter Skelter»! No refrão exploramos um pouco uma melodia mais virtuosa (que é uma variação da melodia principal), e o fim da música apresenta um estado de espírito novo no disco, mais melancólico e sonhador, a preparar o final do disco.

HARMÓNICA
No disco começa em jeito de música de embalar, voz a cappela, e segue sempre muito delicada até ao fim, sempre dando primazia à melodia, terminando o disco. Depois não resistimos e ainda vamos à paródia outra vez. Esta é mais uma do livro, e ocupa no disco o mesmo lugar que ocupa ao vivo - o fim».


Ouvir o single de avanço, aqui.

22 maio, 2009

Granitos Folk - Com Amsterdam Klezmer Band, Toques do Caramulo, dJAL, Stygiens, Melech Mechaya...


Está aí à vista mais um grande festival: o VI Granitos Folk decorre de 11 a 13 de Junho, mais uma vez a dividir-se pelos jardins do Palácio de Cristal e pelo Contagiarte. Estes dois espaços do Porto recebem os Toques do Caramulo, os holandeses Amsterdam Klezmer Band, os Tinto e Jeropiga e o DJ Hugo Osga no primeiro dia; Bailebúrdia, Melech Mechaya, Tuttis Carraputtis, os franceses dJAL, Mosca Tosca e o DJ António Pires (pois...) no segundo; Mosca Tosca (de novo), Os Divertidos, Tanira e os italianos Stygiens (na foto) na terceira. Vai ser uma festarola pegada, ai vai vai! Mais informações aqui.

21 maio, 2009

FMM de Sines - O Programa Completo!


Sem mais palavras (porque são desnecessárias), aqui vai o comunicado do FMM:

«Sines, capital da “world music” em Portugal, recebe 11.º Festival Músicas do Mundo em Julho

Lee ‘Scratch’ Perry, Chucho Valdés, Debashish Bhattacharya, James Blood Ulmer, Cyro Baptista, Hanggai, Rupa & The April Fishes, The Ukrainians e Speed Caravan são alguns destaques entre os 37 projectos musicais programados.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, uma organização da Câmara Municipal de Sines, sobe aos palcos de Sines e Porto Covo entre 17 e 25 de Julho de 2009 para a maior festa de descoberta de novos artistas e expressões musicais realizada em Portugal.

Na 11.ª edição do evento, a capital nacional da “world music” enche-se para assistir a 37 espectáculos com origem na Europa, África, Médio Oriente, Ásia e Américas, mais de duas dezenas dos quais em estreia absoluta no nosso país.

A primeira parte do festival – 17, 18 e 19 de Julho – tem lugar em Porto Covo, num palco montado junto ao Porto de Pesca. A partir de 20 de Julho, a música transita para os três palcos da cidade de Sines: Centro de Artes de Sines, Praia Vasco da Gama e Castelo medieval, palco histórico do festival e berço de Vasco da Gama.

No alinhamento do programa, destaque para a presença em Sines do jamaicano Lee ‘Scratch’ Perry, uma das figurais seminais do reggae e do dub, incluído na lista de 100 melhores artistas de todos os tempos publicada em 2004 pela revista Rolling Stone. Ficará a seu cargo o encerramento do programa de concertos no palco do Castelo, na noite de 25 de Julho.

Um dos mais conceituados pianistas de jazz do mundo, o cubano Chucho Valdés, vencedor de cinco Grammys, entre 14 nomeações, comanda a armada dos multi-premiados. Nela também se contam o mestre indiano da “slide guitar”, Debashish Bhattasharya, eleito melhor artista da Ásia / Pacífico nos BBC Radio 3 World Music Awards 2007, o grupo de hip hop senegalês Daara J Family, melhor grupo africano da edição de 2004 dos mesmos prémios, e um dos mais interessantes projectos da folk europeia, a banda polaca Warsaw Village Band, revelação com selo BBC em 2003.

Entre os nomes que mais têm estado em foco no circuito das músicas do mundo no último ano e que marcam presença em Sines, menção especial para as cumbias psicadélicas de Chicha Libre e doce música de intervenção de Rupa & The April Fishes, exemplos acabados da melhor criação musical cosmopolita com origem nos EUA.

Fazem ainda parte deste conjunto de revelações da primeira linha os franco-argelinos Speed Caravan (que fecham o festival, junto à Praia Vasco da Gama, na noite de 25 de Julho), o grupo chinês Hanggai, a cantora israelita Mor Karbasi e o quarteto de jazz britânico Portico Quartet, todos eles autores discos de estreia lançados em 2008 com recepção entusiástica tanto pelo público como pelo crítica especializada.

Pelo seu poder musical, mas também visual, constituem promessas de espectáculos de grande impacto os congoleses Kasaï Allstars (com 13 músicos e dançarinos em palco), os shows de percussão do brasileiro Cyro Baptista e do argentino Ramiro Musotto, a orquestra de Afrobeat do nigeriano Dele Sosimi e a Orquesta Típica Fernández Fierro, um dos melhores agrupamentos de tango argentino da actualidade.

Pela energia colocada em palco em todas as actuações, aguarda-se que fusão cigana dos italianos Circo Abusivo, o folk punk dos britânicos The Ukrainians, e a mistura de jazz, heavy metal e “world music” da banda finlandesa Alamaailman Vasarat resultem em mais três concertos explosivos do FMM Sines 2009.

Considerado “um dos melhores grupos europeus” por Thurston Moore (Sonic Youth), a banda franco-italo-tunisina L’Enfance Rouge dará um concerto de rock experimental com base de música tradicional árabe. Noutros dois projectos de fusão em que a componente étnica é marcante, o grupo Njava aposta no cruzamento entre as músicas tradicionais do Madagáscar e a música de dança e o projecto Corneliu Stroe & Aromanian Ethno Band revitaliza o folclore do povo aromeno através do jazz.

Entre os concertos assentes na capacidade expressiva de um único artista destacam-se os oferecidos pelo “bluesman” James Blood Ulmer, uma das figuras de referência da música negra norte-americana, pelo trovador do Burkina Faso, Victor Démé, e por Mamer, um surpreendente jovem cantautor com raízes do interior da China. O cantor Bibi Tanga, natural da Rep. Centro-Africana, terá a seu lado o DJ francês Le Professeur Inlassable, mas estará na sua voz “soul” a chave de outro concerto a não perder.

Portugal e os países de expressão portuguesa estão também fortemente representados no FMM Sines 2009. O’questrada, cujo álbum de estreia não pára de tocar nas rádio nacionais desde que foi lançado em Abril, inaugura o festival no dia 17, em Porto Covo. Dois dias depois, no mesmo palco, Wyza mostra porque é um dos mais interessantes artistas da música angolana contemporânea. No Centro Artes, ouve-se a cantora Carmen Souza, jazz vocal com sabor cabo-verdiano, a música tradicional expandida pela electrónica do duo Assobio, o sitar indiano de Paulo Sousa e o quinteto Melech Mechaya, uma festa portuguesa com sabor klezmer.

A maior noite lusófona da história do festival está, no entanto, reservada para 22 de Julho, no Castelo. Nela vão actuar o jovem quarteto Trilhos, que abre novos horizontes para a guitarra portuguesa, Janita Salomé, com o seu disco “Vinho dos Amantes”, a galega Uxía Senlle, num espectáculo especialmente preparado para o FMM, com vários convidados portugueses e africanos, e Acetre, instituição da folk espanhola, com sede em Olivença, que traz a Sines repertório cantado em castelhano e português. Prolongando este espírito de comunhão, no dia 23, no palco da praia, o galego Narf e o guineense Manecas Costa juntam-se para apresentar o seu projecto conjunto “Alô Irmão!”.

O preço do bilhete para cada noite de música é de 5 euros em Porto Covo e de 10 euros no Castelo. O custo dos espectáculos no Centro de Artes de Sines varia entre os 10 euros (20 e 21 de Julho) e os 5 euros (22, 23, 24 e 25 de Julho). Os sete concertos realizados na Avenida Vasco da Gama, junto à praia do mesmo nome, têm entrada livre.

Seguindo a média de valores registados nos últimos dois anos, espera-se que o FMM Sines 2009 conte com a presença de mais de 80 mil espectadores.

Informações completas em www.fmm.com.pt





ALINHAMENTO COMPLETO DO PROGRAMA

17 de Julho

O'QUESTRADA (Portugal), 21h30

Criador de música misceginada - entre o fado e o funaná, entre a pop e a canção francesa -, o quinteto O’Questrada é um dos grupos mais comunicativos da história da música em Portugal.

RUPA & THE APRIL FISHES (EUA), 23h00

Nascida na Califórnia, filha de pais indianos e com uma adolescência passada em França, a cantautora Rupa Marya é a nova embaixadora da América musical cosmopolita.

CIRCO ABUSIVO (Itália), 00h30

Num universo estético próximo dos Gogol Bordello, com quem tem colaborado, o grupo Circo Abusivo junta a música cigana balcânica a outras músicas num espectáculo explosivo.

Sábado, 18 de Julho

VICTOR DÉMÉ (Burkina Faso), 21h30

Considerado uma das maiores revelações africanas dos últimos anos, o cantor e guitarrista Victor Démé é um verdadeiro trovador folk, cruzando tradição mandinga e influências latinas.

THE UKRAINIANS (Reino Unido), 23h00

Um dos melhores representantes da fusão entre a folk e a música punk com origem no Reino Unido apresenta o seu disco novo, “Diáspora”, dedicado à emigração ucraniana e de Leste.

DELE SOSIMI AFROBEAT ORCHESTRA (Nigéria / Reino Unido), 00h30

Companheiro de Fela e Femi Kuti, o teclista e director musical Dele Sosimi apresenta-se no FMM com a sua Afrobeat Orchestra, máquina de ritmo afro-funk que vai pôr Porto Covo a dançar.

Domingo, 19 de Julho

WYZA (Angola), 21h30

Autor de “Bakongo”, um dos mais surpreendentes trabalhos de um músico da África de língua portuguesa produzidos no novo milénio, Wyza é música angolana como não a ouvimos antes.

ORQUESTA TÍPICA FERNÁNDEZ FIERRO (Argentina), 23h00

Criada em 2001 por um grupo de estudantes de Buenos Aires, a OTFF faz tango com o charme de sempre transformado pela energia e a informalidade de uma nova geração de músicos.

DAARA J FAMILY (Senegal), 00h30

Vencedora dos prémios de “world music” da BBC Radio 3 em 2004, a Daara J Family traz a Porto Covo o melhor hip hop africano, com surpreendentes temperos de Cuba e da Jamaica.

SINES

Segunda, 20 de Julho

MOR KARBASI (Israel / Reino Unido), 22h00, Centro de Artes de Sines

Israel sempre foi rico em vozes femininas e Mor Karbasi, uma jovem cantora interessada no herança judia da Península Ibérica, é mais uma diva a acrescentar a esta galeria dourada.

PORTICO QUARTET (Reino Unido), 23h30, Centro de Artes de Sines

Com o seu álbum de estreia nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor do ano pela revista Time Out, Portico Quartet já não faz jazz, mas “pós-jazz” eivado de espírito “indy”.

Terça, 21 de Julho

CORNELIU STROE & AROMANIAN ETHNO BAND (Roménia), 22h00, Centro de Artes de Sines

O folclore tradicional dos aromenos, um povo latino do Leste Europeu, tem nova dimensão através da criatividade efervescente do percussionista romeno Corneliu Stroe.

CARMEN SOUZA (Portugal / Cabo Verde), 23h30, Centro de Artes de Sines

O jazz vocal ganha expressão cabo-verdiana na voz de Carmen Souza, presente em Sines na companhia do saxofonista Jay Corre, que tocou com Sinatra, entre outros grandes dos EUA.

Quarta, 22 de Julho

MAMER (China), 18h30, Centro de Artes de Sines

Figura do movimento de redescoberta das raízes musicais pela nova geração chinesa, Mamer faz folk alternativa a partir da música tradicional do povo cazaque da região de Xinjiang.

TRILHOS - NOVOS CAMINHOS DA GUITARRA PORTUGUESA (Portugal), 21h00, Castelo

A guitarra portuguesa do músico sineense Rui Vinagre inicia os concertos no Castelo integrada num quarteto que abre novos horizontes para um instrumento extraordinário.

JANITA SALOMÉ (Portugal), 22h15, Castelo

Um dos cantautores com uma carreira mais consistente na música portuguesa, Janita apresenta um espectáculo onde canta o vinho através de textos de grandes poetas mundiais.

UXÍA (Galiza), 23h30, Castelo

Uma das maiores cantoras ibéricas há mais de 20 anos, Uxía promove um encontro emocionante de músicas e músicos da Galiza, de Portugal e de vários países da África de língua portuguesa.

ACETRE (Extremadura), 00h45, Castelo

Instituição da folk peninsular, o grupo Acetre traz de Olivença a Sines um espectáculo fundado na cultura raiana, com repertório cantado em português e castelhano.

L'ENFANCE ROUGE (Tunísia / França / Itália), 02h30, Av. Vasco da Gama

Considerado “um dos melhores grupos europeus” por Thurston Moore (Sonic Youth), L'Enfance Rouge faz rock experimental com bases de música tradicional árabe.

Quinta, 23 de Julho

ASSOBIO (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines

Composto por César Prata e Vanda Rodrigues, o duo Assobio expande material acústico popular através do espectro de novos sons e timbres que só é possível produzir por computador.

NARF & MANECAS COSTA (Galiza / Guiné Bissau), 19h30, Av. Vasco da Gama

O projecto “Alô Irmão!” junta as vozes e as guitarras (acústicas e eléctricas) do músico galego Fran Pérez (Narf) e de Manecas Costa, expoente contemporâneo da música da Guiné Bissau.

HANGGAI feat. MAMER (China), 21h30, Castelo

O património vocal e instrumental das estepes da Mongólia Interior tem brilho redobrado nas mãos de Hanggai, um dos grupos mais originais da nova música chinesa.

CHUCHO VALDÉS BIG BAND (Cuba), 23h00, Castelo

Um dos melhores pianistas do mundo e uma referência do jazz latino, Chucho Valdés chega a Sines com mais de 50 discos gravados e cinco Grammys conquistados, entre 14 nomeações.

KASAÏ ALLSTARS (Rep. Dem. Congo), 00h30, Castelo

Experiências domésticas de amplificação eléctrica de instrumentos tradicionais misturam-se com o espírito do rock e ritmos de transe nativos num espectáculo de grande força musical e visual.

RAMIRO MUSOTTO & ORCHESTRA SUDAKA (Argentina / Brasil), 02h30, Av. Vasco da Gama

Argentino radicado no Brasil, Ramiro Musotto cruza música baiana e música de vários pontos da América Latina num show de percussão a que a electrónica acrescenta cambiantes.

Sexta, 24 de Julho

PAULO SOUSA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines

Ex-guitarrista dos Essa Entente, Paulo Sousa apaixonou-se pela música da Índia e é hoje um exímio intérprete do sitar, que tocará em Sines na companhia das tablas de Francisco Cabral.

NJAVA (Madagáscar), 19h30, Av. Vasco da Gama

Formado por quatro irmãos e um primo a viver em Bruxelas desde os anos 90, Njava reflecte toda a riqueza da música do Madagáscar num espectáculo de dança de fusão “Ethnotic Groove”.

WARSAW VILLAGE BAND (Polónia), 21h30, Castelo

Revelação dos prémios de “world music” da BBC Radio 3 em 2003, a Warsaw Village Band é um dos grupos de culto da folk europeia e traz dois discos novos para mostrar no FMM 2009.

DEBASHISH BHATTACHARYA (Índia), 23h00, Castelo

Melhor artista da Ásia / Pacífico nos prémios da BBC Radio 3 em 2007 e nomeado para um Grammy em 2009, Debashish Bhattacharya é o grande mestre da “slide guitar” indiana.

CYRO BAPTISTA BEAT THE DONKEY (Brasil / EUA), 00h30, Castelo

Considerado um dos melhores percussionistas do mundo, o brasileiro radicado nos EUA Cyro Baptista vem a Sines com Beat the Donkey, um show rítmico e visual a não perder.

CHICHA LIBRE (EUA), 02h30, Av. Vasco da Gama

Chicha Libre reinventa, a partir de N. Iorque, a música incrível dos índios da Amazónia peruana, que nos anos 70 fundiam cumbias colombianas e melodias andinas com sons psicadélicos.

Sábado, 25 de Julho

MELECH MECHAYA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines

O espírito festivo do klezmer, a mais conhecida música secular do povo judaico, chega ao Centro de Artes de Sines através do quinteto português Melech Mechaya.

BIBI TANGA ET LE PROFESSEUR INLASSABLE (RCA / França), 19h30, Av. Vasco da Gama

Nascido na Rep. Centro-Africana e criado em França, o cantor e baixista Bibi Tanga chama o DJ Le Professeur Inlassable para uma actualização pessoal da grande música africana e afro-americana.

JAMES BLOOD ULMER (EUA), 21h30, Castelo

Considerado uma das referências da música negra, o cantor e guitarrista James Blood Ulmer enche o palco do Castelo com os seus blues cultivados pelo jazz, funk e rock psicadélico.

ALAMAAILMAN VASARAT (Finlândia), 23h00, Castelo

Acústico - embora, pela sua energia, não pareça - o quinteto instrumental Alamaailman Vasarat cruza músicas tão diferentes quanto o klezmer, o jazz e o heavy-metal.

LEE 'SCRATCH' PERRY (Jamaica), 00h30, Castelo

O fogo-de-artifício dispara com Lee Perry, um dos maiores visionários da música jamaicana, incluído na lista dos 100 maiores artistas de sempre publicada pela Rolling Stone em 2004.

SPEED CARAVAN (França / Argélia), 02h30, Av. Vasco da Gama

O baile de encerramento do FMM 2009 é comandado por Mehdi Haddab, músico de origem argelina que transformou o alaúde árabe numa máquina electrificada ao serviço do rock».

Na foto: Warsaw Village Band.

28 abril, 2009

DJing em Maio e Junho - Muita World Dançável em Lisboa, Porto e Loulé


E mais seis sessões de DJ minhas confirmadas, desta vez em três locais diferentes de Lisboa e também no Porto e em Querença (Loulé):

- Dia 2 de Maio no Love Supreme (terraço do Ateneu Comercial de Lisboa), em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), depois do concerto dos Latin & Brasil.

- Dia 10 de Maio no Onda Jazz, em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho) e numa parceria inédita com Tam Tam Zaiko (isto é, os dois DJs com percussões ao vivo).

- Dia 16 de Maio no Chapitô, em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), depois do concerto d'Uxu Kalhus.

- Dia 23 de Maio, novamente no Love Supreme (terraço do Ateneu Comercial de Lisboa), depois de banda a anunciar.

- Dia 9 de Junho no Festival de Dança de Querença, Loulé, um novo evento organizado pela imparável Pé de Xumbo.

- Dia 12 de Junho no Festival Granitos Folk, Contagiarte, Porto , na mesma noite em que actuam os Melech Mechaya (reencontro!) e os franceses dJAL na concha acústica do Palácio de Cristal. Nestas duas últimas vão ouvir-se umas poucas mazurkas e valsas, algum neo-swing, jazz manouche, klezmer, balcanadas e o que mais vier à rede...

E, para relembrar: lá mais para a frente haverá sessões de muita música variada na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa (com Toni Polo, se entretanto ele não «fugir» para o Mali), dias 5, 12, 19 e 26 de Setembro e dia 3 de Outubro.

23 dezembro, 2008

Re-Post: Melech Mechaya Encerram Digressão em Lisboa (E Ainda Há Mais Festarola a Seguir)


Só para refrescar a memória: os Melech Mechaya - aquela nobre instituição almadense de klezmer, música balcânica e surf-rock que semeia festas em todos os lugares onde toca - encerram a sua digressão de 2008 com um concerto no Santiago Alquimista, em Lisboa, dia 27 de Dezembro. E não vão estar sozinhos: na primeira parte terão os Atma - projecto de world music entendida de forma global e alargada - e, para «after-party», o DJ António Pires (pois...) promete, desde já, dar continuidade à festa. Os Melech Mechaya são João Graça (violino), Miguel Veríssimo (clarinete), André Santos (guitarra), João Sovina (contrabaixo) e Francisco Caiado (precussões) e, ainda antes do Santiago Alquimista, podem ser vistos dia 26 de Novembro no Teatro Municipal da Guarda.

26 setembro, 2008

Festival do Chícharo com O'QueStrada, Amélia Muge, Roncos do Diabo, Meleche Mechaya...


A comida - e, já agora, a bebida - sempre foi uma boa desculpa para juntar amigos à volta de uma mesa e, para acompanhar, pô-los a ouvir boa música. Transpondo o conceito para um espaço mais alargado, o já tradicional Festival Gastronómico do Chícharo - que decorre em Alvaiázere de 3 a 5 de Outubro - junta aos pratos feitos à base desta leguminosa típica da região uma bela ementa de concertos em que são protagonistas, este ano, Amélia Muge, Roncos do Diabo, O'QueStrada (na foto, de Pedro Figueiredo), Canto da Terra, Melech Mechaya, os Pauliteiros de Miranda, o grupo reggae Jahvai e até uma homengame à cantora de jazz Nina Simone. E com outras actividades no programa - teatro, DJing, jogos tradicionais, arruadas - como se pode ver a seguir, consultando o programa completo:

«VI FESTIVAL GASTRONÓMICO
“ALVAIÁZERE CAPITAL DO CHÍCHARO”

DE 3 A 5 DE OUTUBRO DE 2008

PROGRAMA

Dia 03 de Outubro (sexta-feira)

15h30 – Teatro “VALDEVINOS”
Marionetas/ Fantoches
(Tenda Parque Multiusos)

19h30- “Tributo a Nina Simone” (Rabiscuits em Alvaiázere)
(Paços do Município)

20h30 – Prova de Chícharo
Cantares à Desgarrada e ao Desafio
(Paços do Município)

22h30 - Concertos
.OQUESTRADA
.MELECH MECHAYA
-DJ’s SCILICET
- (Tenda Parque Multiusos)
Animação de Rua: TOMÉ/MISCAROS

Dia 04 de Outubro (sábado)

09h00- Abertura do Mercado de Produtos Regionais
(Mercado Municipal)

10h00 – Teatro “VALDEVINOS”
(Tenda Parque Multiusos)

10h30- Oficina: Colheita, Selecção e Conservação de Sementes (Colher para
Semear)
(Mercado Municipal)

11h00- Inauguração Oficial do Festival
(Casa Municipal da Cultura)

11h30- Visita às Exposições

12h30 – Animação de Rua “Companhia Marimbondo”

14h30 – II “Burripaper” do Chícharo
(Parque Multiusos)

15h45- Recriação de sala de aula do Estado Novo
Jogos Tradicionais
Participação do Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos
(Museu Municipal de Alvaiázere)

16h30 –Lançamento de Livros
▪ Almoster- Monografia 3, de Jacinto M.G. Nunes
▪ Vidas e Ofícios- I Volume, de Carlos Laranjeira Craveiro
(Casa Municipal da Cultura)

17h30 - Colóquio: “Qual agricultura?...Qual Carapuça?... Que Futuro?...”
(Casa Municipal da Cultura)

18h00- Oficina: Fornos Solares (Tamera)
(Parque Multiusos)

18h30- Danças de Salão (demonstração)
(Tenda Parque Multiusos)

20h00- TEATRO EVOÉ
Alunos de Formação de actores e Interpretação do Espaço Evoé
“Na Feira”, encenação de Suzana Cecílio, a partir de um texto de Teresa
Rita Lopes
(Parque Multiusos)

21h30 – Recital: AMÉLIA MUGE
(Casa Municipal da Cultura)

22h00- Cli-xé - “Produto” (Rabiscuits em Alvaiázere)
(Tenda Parque Multiusos)

23h30 – Concertos:
.Roncos do Diabo
.JAVHAI
- DJ’s SCILICET
(Tenda Parque Multiusos)
Animação de Rua: Companhia Marimbondo/ Tomé/ Míscaros

Dia 05 de Outubro (Domingo)

09h00 - III Passeio Turístico de Clássicos “Na Rota do Chícharo”
(Parque Multiusos)

10h00- Abertura do Mercado de Produtos Regionais
(Mercado Municipal)

10h15- Visitas ao Património
. À Procura dos Fornos da Cal
. Serra

10h30- Recepção à Confraria do Queijo Rabaçal
(Salão Nobre Paços do Município)

11h00 – Arruada de Bandas Filarmónicas
- Sociedade Filarmónica Penelense
- Sociedade Filarmónica Paionense
- Sociedade Filarmónica Alvaiazerense de Santa Cecília

15h00 - Encontro e Desfile de Bandas Filarmónicas
(Palco Multiusos)

15h45- Recriação de sala de aula do Estado Novo
Jogos Tradicionais
Participação do Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos
(Museu Municipal de Alvaiázere)

16h30 – Teatro “Chichart”- “O Velho Avarento”
Grupo de Teatro de Pelmá
(Casa Municipal da Cultura)

17h30 – Canto da Terra
.Pauliteiros de Miranda
.Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
(Tenda Parque Multiusos)

11 junho, 2008

Folk e World Feitas em Portugal - Relatório de Existências


Os últimos meses têm sido riquíssimos em edições de música portuguesa que navega pela música tradicional, seja ela portuguesa ou de outras proveniências - e muita dela também pelo rock ou pelo hip-hop ou por onde quer que seja... - mas toda ela feita em Portugal. Hoje, fala-se aqui dos discos, novos, dos Gnomon, Pé na Terra, Fadomorse, Mu, Kumpa'nia Al-gazarra, Tucanas, Mandrágora, Melech Mechaya, Dead Combo, Projecto Fuga (na foto), Joana Pessoa e Navegante. Uma dúzia inteira de discos!!


DEAD COMBO - «LUSITÂNIA PLAYBOYS» (Dead & Company/Universal Music Portugal)


E, ao terceiro álbum, os Dead Combo têm um disco que roça a perfeição. A sua linguagem está completamente estruturada e com um léxico cada vez mais próprio... Continuam por lá, é certo, as referências primordiais a Morricone, a Badalamenti e Ry Cooder, a Carlos Paredes e ao fado de Lisboa, mas avançando cada vez mais para outras paisagens sonoras onde se encontram a música «exotica» (na extraordinária e encantatória versão de «Like a Drug», dos Queens of The Stone Age, com a cantora Ana Lains a brilhar lá em cima), o son cubano transformado em fado e Durutti Column (em «Cuba 1970») ou a recolha de Michel Giacometti do «Canto de Trabalho» dos pescadores de Ovar usada como mote para uns blues ácidos (em «Canção do Trabalho D.C.»). A presença de convidados ilustres como Howe Gelb, Kid Congo Powers, Nuno Rafael, Carlos Bica ou Alexandre Frazão ajudam a dar a este «Lusitânia Playboys» os «efeitos especiais» que um filme destes precisa.


FADOMORSE - «FOLKLORE HARDCORE» (Hepta Trad/Compact Records)


O Hugo Correia é um génio, um louco, um Frank Zappa de alguma forma reencarnado num rapaz transmontano que tanto gosta de músicas tradicionais de várias proveniências como de jazz, de rock, de hip-hop, de música clássica?... Se calhar é isso tudo, mas ainda bem... Hiper-activo, mentor, músico e compositor de não se sabe bem quantos projectos musicais - Só Vicente, Triste Sistre, Upsz Jazz, DeusSémen, Vipassana, entre outros -, Hugo Correia tem nos Fadomorse o seu projecto mais conhecido. Um projecto que, ao fim de vários álbuns, cristaliza em «Folklore Hardcore» o melhor que antes já tinha «ameaçado» fazer. E se nos discos anteriores, o cacharolete interminável de referências musicais dos Fadomorse dava por vezes uma amálgama confusa e atabalhoada, neste novo álbum tudo - e quando se diz tudo é mesmo tudo, de recolhas de temas tradicionais ao hip-hop, de gaitas-de-foles a sitares, de uma voz feminina que parece a Dulce Pontes sem os trejeitos a citações dos Procol Harum ou do «Avé Avé Maria» até ao kuduro arraçado de música transmontana e galega (!!) ou ao drum'n'bass arraçada de ragas indianas e riffs punk hardcore (!!!) - faz sentido e contribui por igual para um álbum fresco, inventivo e surpreendente. E com um sentido de humor, felizmente, incorrigível.

GNOMON - «GNOMON» (Edição de Autor)


É um EP de estreia com apenas três temas (embora o terceiro tenha vários «actos»), mas que deixam água na boca para o que vem aí a seguir. Os Gnomon são um grupo de Joane que vai à música tradicional portuguesa e à folk - e vai lá tanto via nomes portugueses como José Afonso, Trovante, Brigada Victor Jara e Banda do Casaco como via folk britânica da tendência mais psicadélica, jazzy e progressiva - sem medos nem preconceitos. Soam de alguma forma a anos 60 e 70, mas soam muito bem. Neste EP promocional estão os temas «Paz do Gerês», «Uvas do Monte» e os lindíssimos «actos» de «Rosa dos Ventos». Os Gnomon são Tiago Machado (guitarra acústica), Carlos Ribeiro (guitarra eléctrica), Mário Gonçalves (bateria), Carlos Barros (percussão), Rui Ferreira (piano, acordeão e cavaquinho), David Leão (flauta transversal e gaita-de-foles) e João Guimarães (baixo eléctrico) e deles se espera agora um álbum inteiro.


JOANA PESSOA - «FLUIR» (iPlay)


O trabalho de renovação da música portuguesa de raiz tradicional já passou por várias fases - de José Afonso à Banda do Casaco, dos Ocaso Épico aos Madredeus, dos Trovante aos Sitiados, de Né Ladeiras e dos Gaiteiros de Lisboa aos Chuchurumel ou aos Xaile... - e tem agora, em Joana Pessoa, mais uma tentativa de tornar o antigo... novo. Uma tarefa que neste álbum de estreia da cantora, produzido por Rodrigo Serrão, fica pela metade: há nele uma tentativa honesta de revitalização de temas tradicionais já conhecidos noutras vozes («Este Linho É Mourisco», «Altinho» ou o romance «Oh Laurinda, Linda Linda») e de uma versão de José Afonso («Era Um Redondo Vocábulo»), mas às vezes as programações electrónicas, a secção de cordas ou uma guitarra portuguesa deslocada dão ao «todo» um lado artificial que o «todo» não merecia. (texto originalmente publicado na revista «Time Out Lisboa»)


KUMPA'NIA AL-GAZARRA - «KUMPA'NIA AL-GAZARRA» (Edição de Autor)


A vida da Kumpania Algazarra (ou, se não nos perdermos entre apóstrofos e hífens, Kumpa'nia Al-gazarra) tem sido feita nas ruas, em praças, em festivais - um dos primeiros concertos do grupo, no Andanças, foi um marco deste festival - e muita da sua arte perde-se quando transposta para o formato CD. É que se uma fotografia do Homem-Estátua da Rua Augusta não é muito diferente de assistir a uma performance do Homem-Estátua da Rua Augusta, num CD perde-se boa parte daquilo que a Kumpania Algazarra é ao vivo: a espontaneidade, a interacção com as pessoas, a improvisação, a dança compulsiva. Mas, felizmente, o fundamental da arte da Kumpania até está preservado neste álbum de estreia do grupo: a sua alegria a fazer música, o seu domínio de instrumentos - muitos sopros, acordeão, contrabaixo, percussões, voz -, o seu sentido de humor (oiça-se, por exemplo, «Supercali», uma balcanice cantada em português com o «Mary Poppins» como referência), as suas influências vindas de vários pontos do globo, mas perfeitamente digeridas por este bando de portugueses (e alguns estrangeiros): a música cigana dos Balcãs, o son cubano, o afro-beat, o ska, o reggae, o swing, o klezmer, o gnawa, o rock da antiga esfera soviética (da Rússia, da Ucrânia, da ex-Jugoslávia), tudo separado ou tudo junto em alguns «cocktails» de música inesperada e excitante. Um belo exemplo é «Maribor», onde vários géneros convivem facilmente e como se sempre tivessem estado assim unidos. Os Kumpania Algazarra podem facilmente agradar a fãs dos Clash, Madness, Fela Kuti, Klezmatics, Gogol Bordello, Buena Vista Social Club, Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, Fanfare Ciocarlia, Blasted Mechanism, Manu Chao, Bob Marley, Rachid Taha, Nogu Svelo ou Leningrad. Isto é, a tudo quanto é festa pegada. (texto originalmente publicado na revista «Time Out Lisboa»)



MANDRÁGORA - «ESCARPA» (Hepta Trad/Compact Records)



Oiço este segundo álbum dos Mandrágora e não consigo deixar de pensar como seria bom ler um texto do Fernando Magalhães sobre ele. Porque está aqui, neste álbum, tudo o que o Fernando mais gostava: um amor imenso à música tradicional portuguesa mas um amor que não se fecha em si próprio, antes abrindo-se a muitas, tantas, outras músicas: a folk galega, inglesa, irlandesa, escocesa e escandinava, o rock progressivo e psicadélico, as derivações jazz, as doses certas de experimentalismo, aventura e arrojo. «Escarpa», dos Mandrágora, eleva este grupo portuense ao patamar dos grandes grupos folk europeus da actualidade. E é justo que eles lá estejam! Para além de Filipa Santos (flautas, saxofone e gaita-de-foles), Ricardo Lopes (percussões, flautas e throat-singing), Pedro Viana (guitarra clássica), Sérgio Calisto (violoncelo, moraharpa, bouzouki e nyckelharpa) e João Serrador (baixo), em «Escarpa» colaboraram Simone Bottasso (acordeão diatónico), Matteo Dorigo (sanfona), a cantora Helena Madeira, do Projecto Iara, no hipnótico e selvático «Turbilhão», e Francisco Silva (aka Old Jerusalem) a dar a voz e a guitarra à deliciosa canção - canção mesmo! - que é «Abaixo Esta Serra».


MELECH MECHAYA - «MELECH MECHAYA» (Edição de Autor)


Que se saiba nenhum dos almadenses Melech Mechaya é judeu, mas isso também não interessa nada (não é preciso ser jamaicano para fazer reggae ou de Liverpool para se fazer música influenciada pelos Beatles): a verdade é que o grupo toca klezmer e que o toca muitíssimo bem!! Eles ao vivo são uma maravilha e neste EP de estreia, com cinco temas, está apenas uma amostra daquilo que eles são: festivos, inventivos, dançantes, por vezes doidos varridos, a irem à música dos judeus do centro e norte europeu como se esta fosse a coisa mais natural para quem vive na margem sul do Tejo. Em três temas originais do grupo - «Noite Tribal», «Zemerl Biffs» e «Fresta Fresca» - e duas versões - «Bulgar de Odessa» (Ucrânia) e «Miserlou» (o tema grego que Dick Dale popularizou) -, o quinteto passa pelo klezmer e por alusões a outras músicas suas irmãs, da música árabe à música cigana dos Balcãs, com uma facilidade e uma alegria contagiantes. Não é tão bom ouvir o EP quanto é vê-los ao vivo, mas já é uma aproximação.


MU - «CASA NOSTRA» (Edição de Autor)


De onde é que vem esta música que não se sabe bem de onde vem?... Nos Mu - e, recorde-se, Mu era o nome de um mítico continente perdido, terra de atlantes, sereias e outros seres míticos - a música parece vir de todo o lado e de um lado só deles, dali de dentro, das suas almas e dos seus corações. Se calhar, os Mu recriam sem o saber temas tradicionais de Mu, o continente do Oceano Pacífico onde se teriam cruzado povos ainda agora existentes e outros que deixaram de existir, seres verdadeiros e imaginários, se é que a verdade e a imaginação não são uma e a mesma coisa, como o são na música dos Mu. Porque uma música que tem tanto de verdade como de... imaginação. E uma alegria e um brilho imensos, um encanto permanente tanto nos temas originais - mas que reflectem tantas e tantas músicas de tantos e tantos lugares! - como nas versões de tradicionais russos ou húngaros. A música dos portuenses Mu serve para dançar, serve agora ao segundo álbum (este «Casa Nostra» em que tem como colaboradores Helena Madeira, do Projecto Iara, o grupo de percussões Semente e Quico Serrano como produtor) como já servia ao primeiro, mas serve também para ensinar a ouvir - a ouvir a sua música e a de muitos outros. E isso é o que torna os discípulos mestres.


NAVEGANTE - «MEU BEM MEU MAL» (Tradisom/iPlay)


«Meu Bem Meu Mal», o novo álbum dos Navegante - ainda e sempre liderados por José Barros, embora tenha deixado cair o seu nome do nome do grupo -, é sem dúvida o melhor de sempre deste projecto. E o facto de José Barros ter contado com José Manuel David (dos Gaiteiros de Lisboa) como cúmplice principal nos arranjos e na produção deste disco foi um trunfo importante. Assim como o alargadíssimo leque de convidados presentes: de vários dos Gaiteiros de Lisboa, Amélia Muge, Rui Júnior, as txalapartistas bascas Ttukunak, Manuel Rocha, Janita Salomé, João Afonso, Edu Miranda, etc, etc... Mas isso não impede, mais uma vez, uma certa sensação de frustração quando se ouve o álbum de início ao fim e se fica com a sensação de que muitas destas canções - tanto os originais de José Barros quanto os tradicionais adaptados - poderiam, e deveriam, ir muito mais longe em arrojo e aventura. Oiçam-se as excepções, como por exemplo «Sábado d'Aleluia», onde o universo é muito mais Gaiteiros de Lisboa do que Navegante, ou o divertido e fresquinho «Fado do Tu Cá Tu Lá» (um dos dois temas co-compostos por Barros e Amélia Muge), para se perceber o que quero dizer.


PÉ NA TERRA - «PÉ NA TERRA» (Açor)


É tão bonito e fresquinho este álbum de estreia dos Pé na Terra! Um álbum em que se sente um amor enorme pela tradição - quer seja a tradição portuguesa (presente em «Menino Ó» e «Maria Faia») quer por outras tradições de outros lugares (e andam por aqui valsas e chapeloises) quer pela «tradição» que já é a música de José Afonso (a lindíssima e, no final, arrojada versão rock de «Balada do Sino) - e uma vontade de, tomando balanço nessa tradição, avançar para temas originais mas que cheiram a terra, a raízes, a aldeias (aldeias portuguesas, sim, mas também aldeias perdidas no interior da Galiza, de França, das ilhas britânicas...). Depois, Cristina Castro é uma excelente cantora e acordeonista, Ricardo Coelho é um fabuloso gaiteiro e flautista - e neste álbum ele usa gaitas de várias proveniências, low whistle, requinta, gralha, numa panóplia de instrumentos interminável - e o resto da banda - Hélio Ribeiro (guitarras), Adérito Pinto (baixo), Tiago Soares (bateria e percussões variadas) e a convidada permanente Silvana Dias (violoncelo) - dá uma consistência única ao som final do grupo. Abertos, livres de preconceitos e hiper-criativos, os Pé na Terra são já uma das mais importantes bandas folk portuguesas.


PROJECTO FUGA - «01» (Fuga/Compact Records)


E que bela surpresa esta!! «01», o primeiro álbum do Projecto Fuga foi um «work in progress» que juntou um trio «nuclear» - Pedro Pereira (principal compositor e teclados, samples, guitarras...), Maria Pedro (principal letrista) e Milton Batera (bateria) com muitíssimos e diferenciados músicos e cantores convidados: Celina da Piedade (acordeão e voz), JP Simões, o guineense José Galissá (kora e voz), Teresa Gabriel), a brasileira Fernanda Takai (Pato Fu), o cantor nigeriano Enjel Eneh, Ana Deus e Adolfo Luxúria Canibal, entre outros. E em «01» há lugar para tudo o que se possa imaginar: há uma valsinha deliciosa, há alusões à música brasileira e a Fausto (em «De Fugida»), à música árabe, ao jazz, à música africana, ao rock de tendência sixties («Verso Inverso», com a voz de Pedro Bonifrate, dos Supercordas) e de outras tendências, ao fado («Outro Tema»), aos blues («Dakun Baby») e até a algum experimentalismo. «01» não é um álbum homogéneo - e ainda bem! - nem é sempre bom... Mas quando é bom é mesmo muito bom!

TUCANAS - «MARIA CAFÉ» (Spot/Farol)


Muitas delas saídas dos Tocá Rufar, as raparigas das Tucanas sempre foram umas excelentes percussionistas - e sempre tiveram nas percussões a sua base de trabalho primordial (percussões tradicionais ou por elas inventadas, os próprios corpos como instrumento de percussão...) -, mas, a pouco e pouco, também as harmonias vocais foram tomando um papel importantíssimo no seu processo de composição. Finalmente, e para acabar de compor o ramalhete, a adição da acordeonista Marina Henriques deu-lhes a «carpete» melódica e harmónica que muitos dos seus temas precisavam. E este intróito todo é necessário para explicar o grau de excelência, de virtuosismo e de criatividade que «Maria Café», o primeiro álbum das Tucanas, conseguiu atingir. Um grau elevadíssimo, mesmo que não tivesse sido necessário gravar tantos temas para o conseguir. Em «Maria Café», as Tucanas passeiam alegremente pela música africana (anda por lá o batuque cabo-verdiano e muitas outras alusões a África), a música brasileira e latino-americana - mesmo quando a latino-americana se une à... música cigana dos Balcãs (na versão de «Peruano» com a Kumpa'nia Al-gazarra) -, os bailes tradicionais europeus (oiça-se o delicioso final de «Domingão/Niará») e o divertimento puro e simples («Kazoo», com Carmen Miranda incorporada), seguindo os ensinamentos do O Ó Que Som Tem - e está lá Rui Júnior (também seu mestre nos Tocá Rufar) - e das Zap Mama, dos Stomp e de Bobby McFerrin. E seguindo-os muito bem!