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14 maio, 2009

Uma Homenagem à Mais Importante Canção de Sempre do Festival da Eurovisão


Pode-se ampliar esta imagem em cima e, lendo-a, não são precisas mais palavras do que estas que elas cantam para se perceber o título deste post. Mas também vale a pena ouvir a música (apesar de a música não ser tão boa quanto a mensagem que ela transmite). E vê-las, às duas, na final (ou, se se quiser, neste vídeo aqui um pouco mais abaixo da sua participação na semi-final). Se houver um pingo de justiça, Noa e Mira Awad - a estrela israelita, judia, a cantar em hebraico; e a cantora e actriz palestiniana, cristã, a cantar em árabe - hão-de ganhar o concurso. Um concurso geralmente idiota que, assim, por um toque mágico do destino, poderá voltar a ter um pouco de importância neste mundo das músicas e nestas músicas do mundo.


29 abril, 2009

Mor Karbasi, Portico Quartet, Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat no FMM de Sines


Mais quatro nomes confirmados para o FMM de Sines: Mor Karbasi (na foto) e Portico Quartet confirmados pela organização do festival e Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat (estes num regresso que se saúda ao FMM!)avançados pelas imparáveis Crónicas da Terra. O comunicado oficial do FMM acerca dos primeiros dois nomes (e as datas dosoutros dois a seguir):

«Mor Karbasi, cantora israelita radicada no Reino Unido, e Portico Quartet, a revelação do jazz britânico em 2008, são as duas novas confirmações do Festival Músicas do Mundo de Sines 2009. Actuam ambos, no Centro de Artes de Sines, na noite de 20 de Julho.

Mor Karbasi

Na linha de Ofra Haza e Yasmin Levy, Mor Karbasi é o novo milagre da galeria dourada das vozes femininas do mundo judaico.
Com pouco mais de 20 anos, esta cantora israelita radicada no Reino Unido seduz o espectador com o poder delicado do seu desempenho vocal e com a riqueza das suas canções em hebraico, castelhano e Ladino, a língua extinta dos judeus da Península Ibérica.
A fonte de inspiração é a música dos judeus sefarditas, cabendo no seu repertório temas tradicionais do séc. XV e novas canções baseadas no Ladino compostas por si.
O flamenco é também referência, presente nos melismas da sua voz e na filigrana da guitarra de Joe Taylor.
Instrumentista e director musical, este artista britânico foi decisivo para a consistência que Mor Karbasi revela no seu álbum de estreia - “The Beauty and the Sea” (2008) - e mostra nos seus espectáculos ao vivo, ao mesmo tempo intimistas e electrizantes.
Quando já trabalha no segundo disco, Mor Karbasi chega ao FMM Sines com o estatuto firmado de “uma das grandes jovens divas da cena musical global” (The Guardian).



Portico Quartet

Nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor álbum de jazz, “world music” e folk pela revista Time Out, o disco “Knee-Deep In The North Sea” foi um dos fenómenos da música britânica em 2008.
O seu “som original” (The Times) é a criação inimitável do Portico Quartet, um quarteto de músicos na casa dos 20 anos com aspecto de banda “indie” que toca uma música que busca elementos sobretudo no jazz, mas também no rock, no minimalismo e em várias matrizes tradicionais do mundo.
Formado em 2005, o grupo foi descoberto a tocar na rua frente ao National Theatre de Londres pelo clube The Vortex, que criou uma etiqueta discográfica só para lançar a sua música.
O alinhamento é composto por Jack Wyllie, nos saxofones e na electrónica, Duncan Bellamy, na bateria e no “glockenspiel”, Milo Fitzpatrick, no contrabaixo, e Nick Mulvey, no “hang”, um instrumento de percussão criado em 2000 na Suíça que domina o som do grupo com a sua sonoridade exótica, entre os “steel drums” das Caraíbas e os gamelões indonésios.
Depois de Lee “Scratch” Perry (Jamaica), Chucho Valdés Big Band (Cuba), Debashish Bhattacharya (Índia) e James Blood Ulmer (EUA), Mor Karbasi (Israel / Reino Unido) e Portico Quartet (Reino Unido) são os quinto e sexto nomes oficialmente confirmados da programação do Festival Músicas do Mundo 2009, onde está prevista a realização de 36 espectáculos e iniciativas paralelas.
Realizado todos os meses de Julho, em vários espaços da cidade e do concelho de Sines, o FMM é o maior evento nacional no seu género, tendo já acolhido um total de 164 projectos musicais, vistos por mais de 325 mil espectadores, ao longo de dez anos.
A edição 2009 realiza-se entre 17 e 25 de Julho».

Por sua vez, os norte-americanos Rupa and The April Fishes (ver «Cromo Raízes e Antenas» referente a este projecto um pouco mais abaixo neste blog) actuam a 17 de Julho, no dia inaugural do festival, enquanto os absolutamente delirantes finlandeses Alamaailman Vasarat tocam no último dia, a 25 de Julho.

01 junho, 2007

Boom Pam, The Idan Raichel Project e Elisete - De Israel Para o Mundo



Israel é um cadinho único de muitas músicas e de muitos sons, mercê da quantidade de gente que procurou e ainda procura este país em busca das suas raízes judaicas - gente de todo o mundo, de todas as ideologias, de todas as cores... - e de uma vida nova num país relativamente novo, mesmo que imerso em contradições e em guerras intermináveis com os seus vizinhos-irmãos, palestinianos ou outros. E, se se for a ver bem, há muito mais músicos em Israel a querer a paz e a concórdia - da diva Chava Alberstein aos Bustan Abraham, Olive Leaves, Sheva ou Hadag Nahash - do que a manutenção de um clima de guerra e de hostilidade. Exemplo dessa riqueza, diversidade e abertura são também os Boom Pam (na foto), The Idan Raichel Project e a cantora brasileira, radicada em Israel, Elisete.


BOOM PAM
«BOOM PAM»
Essay Recordings

Para se falar dos Boom Pam é preciso fazer um «rewind» até uma figura incontornável dos primórdios do surf-rock, Dick Dale, o autor de «Misirlou» (pois, aquele tema que assombra o «Pulp Fiction») e referir que Dale era filho de pai libanês e sobrinho de um músico de «oud» (o alaúde árabe) que acompanhava bailarinas da dança-do-ventre. E isto para dizer que o surf-rock - em que se inscreveram grupos como os seminais Beach Boys - era, disfarçada, uma forma de música do Médio Oriente, com ramificações pela Turquia, Líbano, Palestina e países do leste europeu de influência judaica e muçulmana. Oiça-se «Misirlou» e perceber-se-á isto tudo claramente. E oiça-se o álbum de estreia dos Boom Pam, homónimo, e perceber-se-á isto ainda muito melhor. Os Boom Pam são um grupo israelita que nasceu em 2003, que começou por ter um culto tremendo no seu país graças a uma versão do tema grego «Boom Pam» acompanhando o rocker Berry Sakharof, e que se lançou depois no circuito da world-music com uma fórmula arrasadora e irresistível: duas guitarras eléctricas picadinhas, uma tuba a dar um musculado baixo e percussões em voo livre sobre o surf-rock, o klezmer, a música árabe (assumida vividamente como música-irmã), a música cigana balcânica, o ska ou a rembetika grega - e só muito de vez em quando com temas vocalizados -, numa junção única e excitantíssima de músicas diferentes mas demasiado próximas para não serem todas familiares umas das outras. (9/10)


THE IDAN RAICHEL PROJECT
«THE IDAN RAICHEL PROJECT»
Helicon/Cumbancha

Se os Boom Pam têm como referência principal o surf-rock, o lindíssimo projecto de Idan Raichel mergulha na electrónica à Deep Forest (mas em muito melhor!!, porque pulsante, viva e honesta) e 1 Giant Leap, metendo ao barulho muitas músicas israelitas e suas vizinhas e juntando no mesmo cadinho sons - e músicos - vindos de Israel, da Palestina, da Etiópia, de países balcânicos, da Jamaica, do mundo inteiro... Projecto original de um homem só, Idan Raichel (teclista, programador, produtor e compositor), criado em 2002, a ideia foi crescendo e alargando-se até um formato de orquestra global, aberta, tolerante, riquíssima em nuances e tonalidades (num total de 70 cantores e músicos a passar pelo estúdio de Idan). A presença da música africana no álbum não é uma curiosidade: Idan foi professor de adolescentes etíopes que tinham emigrado para Israel devido às suas raízes judaicas e, com eles, tomou contacto com a música etíope, nomeadamente de Mahmoud Ahmed e Gigi «Shibabaw». Daí até um maior conhecimento da música centro-africana e dos seus vizinhos do norte de África e da península arábica - muçulmanos... e judeus sefarditas ou iemenitas - foi um passo (cf. em «Hinach Yafah») e o conceito, global/pacifista/equalitário, estava feito. Um conceito que, vertido em música, é muito mais rico e cromático do que quaisquer palavras podem explicar. (8/10)


ELISETE
«GAAGUA»
Ed. de Autor


A palavra hebraica «Gaagua» pode significar «longing» (em inglês) e, com um bocadinho de imaginação, «saudade» (em português). O que faz todo o sentido se se pensar que Elisete (Elisete Retter) é uma cantora brasileira que vive em Israel desde 1991, por alturas da primeira guerra do Golfo. E «Gaagua» - segundo álbum da cantora, depois de «Luar e Café», e anterior ao álbum de remisturas «Remix», que também é vivamente aconselhável - e, cantando preferencialmente em hebraico e só por vezes em português, mistura na sua música reggae e ragga, sambinhas (cf. em «O Sonho», «Love» e «Às Vezes»), bossa-nova (cf. em «Samba and Love»), rock, baladas lindíssimas (cf. no tema-título «Gaagua», um loungezinho delicioso), funk tropical, drum'n'bass elegante («A Reason To Celebrate»), a música do nordeste brasileiro («The Sun Will Always Shine») ou um disco-sound suficientemente kitsch para ser irresistível («Mashica»). Também colaboradora de Idan Raichel no Idan Raichel Project, e de outros nomes da música israelita como Alon Ochana, Ron Davni, Si Haiman ou Bezalel Aloni, a cantora Elisete tem uma voz própria na música de Israel... e do mundo. Provando que a música não tem fronteiras e que a vida - e a música! - é aquela que nós escolhemos para viver. (6/10)

11 julho, 2006

Híbridos (Recuperados a 2004)


Recuperação de mais um texto publicado na secção World Extra do BLITZ, este de Julho de 2004...

WORLD EXTRA

A história é conhecida: David Byrne defende que a «world music» não existe, sendo apenas uma prateleira nas discotecas ou uma secção nos jornais, existindo, isso sim, milhares de géneros musicais locais ou regionais. Byrne tem razão e, mais, com um bocadinho de esforço, na mal-chamada world music podem também entrar híbridos absolutos como esta selecção que aqui segue...

Híbrido 1: os londrinos Oi Va Voi editaram há alguns meses o seu álbum de estreia, «Laughter Through Tears» (Outcaste), um exemplo quase perfeito de cruzamento da tradição - klezmer, neste caso - com outras sonoridades como o trip-hop, a pop, o drum'n'bass, a música árabe, o flamenco e o reggae mesclado com música cigana dos Balcãs (numa colaboração com Earl Zinger, aka Rob Gallagher, dos Galliano). Mas sempre com os dois pés bem assentes na tradição mesmo que o corpo voe, depois, noutras direcções. E com a colaboração preciosa da cantora escocesa KT Tunstall e de Sevara Nazarkhan, do Usbequistão. (8/10)

Híbrido 2: Já com alguns anos de existência, os latinos baseados em Los Angeles, Estados Unidos, Ozomatli (na foto) editam agora o seu terceiro álbum, «Street Signs» (Real World, EMI), uma fusão quase sempre bem conseguida de funk, hip-hop, música gnawa marroquina, rai argelino, ragas indianas, reggae, heavy-metal, salsa, mariachi, samba-scratch e tudo o mais que eles queiram atirar para o caldeirão. Cantado em espanhol e inglês, este álbum é uma boa surpresa world - ?? - deste ano. (7/10)

Híbrido 3: E que tal um grupo pop turco - e que, à pop, juntava de facto a música turca e a música árabe e o rai, pelo menos no álbum «UC Oyundan Onyedi Muzik» - e que, na sua mais recente aventura, «Psychebelly Dance Music» (Doublemoon) decide acrescentar ao cocktail ainda mais um ingrediente, o produtor Mad Professor (colaborador dos Massive Attack, Lee Scratch Perry e Sly Dunbar & Robbie Shakespeare, entre muitos outros)? Foi isso o que fizeram os Baba Zula e o resultado é delicioso (embora por vezes um pouco repetitivo): música e vozes turcas afogadas numa sopa dub, reggae, drum'n'bass, até surf-music (!), o que for preciso, mas sempre hipnótica e dançante. Dança do ventre psicadélica?... Sim. (7/10)

Híbrido 4: E falando em psicadelismo... Depois de «The Radio Tisdas Sessions» (de 2001), os tuaregues do Mali - com passagem pelos campos de refugiados líbios - Tinariwen estão de volta com um novo e excelente álbum, «Amassakoul» (Emma Productions/Triban Union/Megamúsica). Aqui, os «tuaregues em guitarras eléctricas» liderados por Ibrahim Ag Alhabib - que fundou o grupo em 1979 - misturam com sabedoria as sonoridades tradicionais tuaregues, mandingas, gnawas e árabes com os ensinamentos de gente como Muddy Waters, Jimi Hendrix, Jefferson Airplane e Grateful Dead. É música africana das «margens» do deserto do Sahara, sim, mas infectada com blues, psicadelismo e acid-rock em doses suficientes para que estas guitarras - e estas fabulosas vozes masculinas e femininas que cantam manifestos políticos - pareçam saídas não de África nem dos Estados Unidos (pelons sons paralelos) mas de um outro planeta qualquer. (9/10)

Híbrido 5: E, agora, que tal tentar juntar num mesmo projecto duas das correntes musicais mais dançáveis do mundo? Não, não estou a falar de tecno nem de trance... Estou a falar da música de dança cubana (e de outros locais das Caraíbas) e de música de dança das nações «celtas»: Irlanda, Escócia, Gales... Quer dizer, dos escoceses Salsa Celtica, que no seu segundo álbum, «El Agua de La Vida» (Greentrax) - o primeiro tinha sido «Demonios, Angels and Lovers» - misturam com arte e alegria as cumbias, salsas e merengues caribenhos com jigs e reels, tudo embrulhado em arranjos luxuosos que poderiam ter saído da era de ouro do swing norte-americano. E quando uma gaita-de-foles paira sobre percussões afro-cubanas e se funde, depois, com uma secção de metais quente e tropicalíssima, o pé só pode fugir mesmo para uma pista de dança ideal e imaginária - aquela em que todos os sons do planeta teriam lugar. (8/10)

Híbrido 6: Depois de dois concertos fabulosos em Portugal - na Tenda Raízes do Rock In Rio-Lisboa e em Aveiro -, os espanhóis Amparanoia, liderados pela vocalista e compositora Amparo Sanchez, tem agora o «best of» «Rebeldia Con Alegria» (EMI) disponível em Portugal. E é um disco muito, mas muito bom, apesar de não tanto quanto os espectáculos. Apesar de não serem de Barcelona, os Amparanoia inscrevem-se na escola de Manu Chao, Ojos de Brujo, Macaco, etc, incorporando elementos ocidentais (funk, hip-hop, jazz...), de muitos outros lugares (Caraíbas, Balcãs, Marrocos, Brasil, México, etc, etc.) e letras - em várias línguas - feministas e politicamente activas. Um momento brilhante, entre outros: «Don't Leave Me Now», com os Calexico. (8/10)