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23 abril, 2011

Flamenco, Rumba Catalã, Folk e... Fado Vindos de Espanha


Hoje recupero aqui quatro textos publicados originalmente na Time Out Lisboa, todos a propósito de artistas de vários territórios espanhóis e de diversas áreas musicais: críticas a álbuns da maravilhosa cantora de flamenco Concha Buika, da herdeira do espítito dos L'Ham de Foc, Mara Aranda, e dos rumberos catalães Sabor de Gràcia, para além de uma entrevista com a fadista basca María Berasarte (na foto), que depois da edição deste álbum "Todas Las Horas Son Viejas" passou a integrar o projecto Aduf, de José Salgueiro.

Buika
"El Último Trago"
Casa Limon

Abençoada hispanidade que permite a junção de personagens musicais como estas e deste calibre para a realização de um álbum genial: o produtor espanhol Javier Limón (o mesmo que trabalhou no último álbum de Mariza), a extraordinária cantora de flamenco e não só Concha Buika e o fabuloso pianista cubano Chucho Valdés, mais a sua banda, juntaram-se para um disco de homenagem às canções de Chavela Vargas (a lendária cantora nascida na Costa Rica mas mexicana de alma). E o resultado é absolutamente sublime! Ouve-se este disco e, nele, as canções interpretadas por Chavela – e nem por isso as mais óbvias, faltando aqui “La Llorona”, por exemplo – ganham outras cores e sabores com as rancheras e outros ritmos do México a encontrar o flamenco, a rumba, o tango, o jazz. (*****)


Sabor de Gràcia
"Sabor Pa'Rato"
World Village/Harmonia Mundi

A rumba catalã – que está bem presente na música dos Ojos de Brujo mas também aparece como referência recorrente na música de Manu Chao, Amparanoia ou Macaco – tem nos Sabor de Gràcia uns mais que dignos representantes. Ciganos que homenageiam no seu nome o bairro de Barcelona onde os gitanos mesclaram vários palos do flamenco com a salsa e outros ritmos latino-americanos, os Sabor de Gracìa têm neste seu quarto álbum, "Sabor Pa'Rato", uma abordagem à “tradição” (mesmo que nascida nos anos 50 do Séc. XX) semelhante à que os Oquestrada fazem do fado e das marchas: estão lá o rock, o funk e outras músicas mas também o respeito por ícones como Peret e Gato Pérez e, como convidados, Marina Cañailla (Ojos de Brujo), o brasileiro Wagner Pá ou Los Manolos. (***)


Mara Aranda & Solatge
"Dèria"
Galileo

Durante muitos anos foi uma das metades dos L'Ham de Foc, ao lado de Éfren López, com quem viajou pelas músicas da sua cidade (Valência) mas também de outras sonoridades ibéricas, gregas ou árabes, sempre com a memória da música medieval por trás e os ensinamentos dos Hedningarna e dos Dead Can Dance pela frente. E, com ou sem López, entrou noutras aventuras como os Aman Aman (música espanhola, grega e do resto da baía do Mediterrâneo) ou o Al Andaluz Project (música da Andaluzia da Idade Média, num convívio de géneros cristãos, muçulmanos e judeus). Agora, no álbum de estreia do primeiro projecto de Mara em nome próprio (com os Solatge) tudo isto lá continua, vivo e sempre selvaticamente acústico. É um álbum sisudo mas também há lugar para o divertimento gaiato de um fandango. (****)



María Berasarte
O fado que vem do País Basco


Há alguns, mas não muitos, os álbuns de fado gravados por artistas estrangeiros. Mas raros serão os que têm a qualidade, a ousadia e, ao mesmo tempo, um amor tão grande por este género português quanto "Todas Las Horas Son Viejas", disco de estreia da cantora basca María Berasarte, com produção de José Peixoto e letras originais, em castelhano, de Tiago Torres da Silva. Nele, não há guitarra portuguesa, mas há fados tradicionais de Lisboa em novas roupagens e uma belíssima voz a coroar isto tudo. Carlos do Carmo chama-lhe fadista.

O que é que leva uma rapariga basca a interessar-se por um género como o fado?

A minha mãe é galega e tive sempre uma relação muito estreita com Portugal. E desde há muito que comecei a ouvir fado e a apaixonar-me por esta linguagem, que é belíssima. Também gosto de flamenco, mas este é mais duro; gosto mais das melodias do fado. E, quando comecei a falar sobre o que seria o meu primeiro disco, a minha mãe disse-me “Maria, tens que gravar um disco de fados”. Primeiro, não liguei muito mas... isto ficou a maturar na minha cabeça.

Lembra-se de qual foi o primeiro fado que ouviu ou qual a primeira ou primeiro fadista que ouviu?

Foi a Amália Rodrigues. E coincidiu mais ou menos com uma altura em que a Dulce Pontes estava a ter muito sucesso em Espanha com a “Canção do Mar”. Estamos a falar de há treze anos e, nessa altura, não havia muitos discos de fado em Espanha. Mas eu comecei a comprar todos os que encontrava. E aprendi a cantá-los!

Antes da entrevista começar, disse que não quis fazer um disco de fado tradicional porque já há muitos e muito bem feitos. Este álbum, apesar de ter o fado como base navega também por outras músicas como o tango, o flamenco, a música árabe... Acha que há ligações entre todos estes géneros?

Sim. Principalmente, entre as músicas que nascem em cidades portuárias. Sevilha, onde nasceu o flamenco, foi um porto importantíssimo. Lisboa também; Buenos Aires também... as viagens que as músicas
fazem enriquecem-nas. Mas não houve nenhuma intenção inicial de irmos a essas ou outras músicas. A ideia era: vamos tocar, vamos sentir e aí vamos ver o que acontece... Poderíamos ter ido por um lado como por outros. Mas, sendo espanhola e não sendo fadista, tenho mais liberdade para percorrer esses caminhos...

“Fadista” é um carimbo muito forte...

Sim, eu prefiro dizer que sou cantora; também pela liberdade que me dá. Mas quando o Carlos do Carmo me apresentou (NR: no espectáculo comemorativo dos seus 45 anos de carreira) como uma “fadista espanhola” senti um grande orgulho! E participar nessa festa foi é importantíssimo para mim.

O José Peixoto esteve sempre nas margens do fado – lá perto mas sem lá estar. Com os seus projectos a solo, com os Madredeus, o Sal... Ele era o parceiro perfeito para esta aventura, não era?

Sim, claro. Ele foi importantíssimo em tudo isto. Costumo dizer que foi o pai do disco. Os arranjos, a produção, a sonoridade, o sentimento... E acho que para ele também foi importante, porque acho que foi a primeira vez que trabalhou sobre composições feitas há já muito tempo (NR: todas as músicas do disco são fados tradicionais de Lisboa).

Continuando na “família” que fez este disco, se a mãe é a María, se o pai é o José Peixoto, também há um tio...

Que é o Tiago Torres da Silva. Ele deu-nos muita força para fazermos o disco e arriscou ainda mais do que nós, ao fazer letras originais para aqueles fados, directamente em castelhano. E, ainda mais, a fazer letras pensando em mim. Eu gosto de cantar coisas com que me identifico e ele conseguiu conhecer-me.

O disco está a ser agora editado em Portugal e já foi editado em Espanha. Acha que Espanha já está suficientemente familiarizada com o fado para aceitar um álbum como este e... cantado em espanhol?

Em Espanha há muita gente que conhece e gosta de fado. Mas há muita gente que não percebe as palavras do que se canta. Gosto desta ideia de poder explicar, e em castelhano, do que é que o fado fala.

26 março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLIX


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLIX.1 - Serge Gainsbourg


Polémico, provocador, alcoólico, pianista, pederasta, poeta genial, namorado de algumas das mulheres mais bonitas do mundo, realizador de cinema, fumador compulsivo, pintor, actor, compositor de muitas e desvairadas músicas (e com flirts... musicais variadíssimos, da chanson ao rock, ao reggae e ao jazz), Serge Gainsbourg (de verdadeiro nome Lucien Ginsburg, nascido a 2 de Abril de 1928; falecido a 2 de Março de 1991) foi uma das personagens mais importantes da música francesa do Séc.XX. Nascido numa família de judeus russos exilados em França, Gainsbourg iniciou a sua carreira como pianista em bares mas, durante os anos 60 e 70, firmou o seu nome como um dos cantores e, principalmente, compositores mais criativos da sua geração. Compôs - e com elas por vezes fez duetos e com elas, muitas vezes, se envolveu sentimentalmente - para cantoras e actrizes como Brigitte Bardot, Jane Birkin, Juliette Gréco, Françoise Hardy, Catherine Deneuve, Vanessa Paradis e, para disfarçar, para alguns homens como Alain Bashung ou Jacques Dutronc. Canções inesquecíveis: a sexualmente explícita «Je T'Aime... Moi Non Plus», «Bonnie and Clyde», «La Javanaise» ou a sua versão reggae, «Aux Armes et cetera», do hino francês.


Cromo XLIX.2 - «Il Canto di Malavita»


Envolta em controvérsia quando foi editada em Itália (e também, junto da comunidade italo-americana, nos Estados Unidos) por alegadamente fazer a apologia da Máfia, a colectânea «Il Canto de Malavita - La Musica Della Mafia» não deixa, por isso, de ser um extraordinário mostruário de uma música antiga, secreta, também ela cheia de códigos internos - à semelhança da organização que canta - e, sempre, de uma grande beleza. Feitas de raiva e tristeza, vingança e amor, sangue e honra, interpretadas muitas vezes num calão próprio, as canções de «Il Canto di Malavita» (editada em 2000 pela PIAS) foram resgatadas às ruas, casas e caves da Calábria pelos produtores Francesco Sbano, Maximillian Dax e Peter Cadera. Em «Il Canto di Malavita» ouvem-se ecos de tarantelas e canções napolitanas, rembetika e fado, amplificados pela voz de alguns intérpretes extraordinários como El Domingo, F. Cimbalo, Franco Caruso ou Salvatore Macheda. Uma segunda colectânea com a mesma temática, «Omertà, Onuri e Sangu — La Musica della Mafia Vol.2», foi editada dois anos depois.


Cromo XLIX.3 - DJ Dolores


Na música do brasileiro DJ Dolores, os géneros musicais do seu país, tradicionais ou não - frevo, baião, forró, maracatú, emboladas, música brega, ciranda, tropicalismo, samba, bossa-nova e muito mais... - cruzam-se com géneros exteriores - reggae, funk, rock, hip-hop, dancehall, surf music, klezmer, dub, house... - como se tivessem surgido, desde sempre!, para se cruzarem assim. DJ Dolores (de seu verdadeiro nome Helder Aragão) é DJ, produtor, compositor, chefe de «orquestra» - são inesquecíveis as suas actuações com a Orquestra Santa Massa - e faz isso tudo por igual e muitíssimo bem. Começando a sua carreira, no Recife, como designer gráfico, produtor de cinema e autor de bandas-sonoras, foi como DJ que o seu nome se tornou mundialmente conhecido, tendo - para além da sua obra em nome próprio - feito remisturas para nomes como os Taraf de Haidouks, Gilberto Gil, Fernanda Porto ou Tribalistas. Audição aconselhada: os álbuns «Contraditório» (2002), «Aparelhagem» (2005) e «1 Real» (2008).


Cromo XLIX.4 - L'Ham de Foc



Objecto raro e originalíssimo no meio da folk feita em Espanha, o duo valenciano L'Ham de Foc atirou-se com saber e mestria - e sempre ao longo dos seus vinte anos de existência - a uma música que vai beber a sua inspiração à música medieval, árabe, grega e sefardita transportando-as para a modernidade, podendo ser encontrados vários pontos de contacto entre o grupo e os Dead Can Dance, os Hedningarna ou até os Corvus Corax. Criados em 1998, em Valência, pela cantora e multi-instrumentista Mara Aranda e o multi-instrumentista Efrén López, os L'Ham de Foc fizeram um percurso sempre ascendente nos meandros da folk europeia, mercê da sua coerência na utilização apenas de instrumentos acústicos - sanfonas, alaúdes, sitar, harpa, vários saltérios e gaitas-de-foles a inúmeras percussões, europeias, asiáticas ou norte-africanas (num total de mais de trinta instrumentos). Em 1999 editaram o álbum de estreia, «U», seguido por «Cançó de Dona i Home» (2002) e «Cor de Porc» (2005). Desfeita a dupla, os seus membros encontram-se agora ligados a grupos como os Aman Aman, Sabir, Saba, Capella de Ministrers, Mara Aranda & Solatge ou Al Andaluz Project. (1)

(1) - Texto adaptado de um outro escrito por mim para o Festival MED de 2007.

08 agosto, 2008

Eco Fest - O Programa Completo!


É já no próximo fim-de-semana (dias 15, 16 e 17 de Agosto) que decorre o primeiro Eco Fest, em Odeceixe, do qual o Raízes e Antenas tinha dado conta. Aqui segue agora o programa completo do festival:

Dia 15

Pelivento (14h00 e 19h00), Largo da Vila
Som Com Tom (21h00),Espaço EcoFest
Dazkarieh (na foto, de Jola Dziubinska; 22h30), Espaço EcoFest
DJ António Pires (Raízes e Antenas, 00h00), Espaço EcoFest

Dia 16

Mussel Banda de Gaitas (14h00 e às 19h00), Largo da Vila
Violas Campaniças de São Martinho das Amoreiras (21h00), Espaço EcoFest
Rare Folk (22h30), Espaço EcoFest
DJ Norton (Sopa da Pedra, 00h00), Espaço EcoFest

Dia 17
Compassos do Tempo (14h00 e 19h00), Largo da Vila
Workshop de Danças Tradicionais com Matias (21h00), Espaço EcoFest
tAnirA (22h30), Espaço EcoFest
DJ Osga (Noites Folk, 00h00), Espaço EcoFest

O festival (com entrada livre) inclui ainda:

Descoberta da Natureza
Passeios pedestres e de bicicleta
Burricadas (passeios de burro)

Mais informações, aqui.

06 agosto, 2008

Celtirock - Encontros Ibéricos em Vilar de Perdizes


A quinta edição do festival Celtirock decorre nos dias 16 e 17 de Agosto em Vilar de Perdizes (Montalegre, Trás-os-Montes) com concertos no primeiro dia e outras actividades no segundo. Dia 16, há espectáculos com os Gaiteiros de Pitões (Portugal), AnxoBlas (Galiza), Zamburiel (Espanha) e Hyubris (Portugal; na foto), para além do esconjuro da queimada (a bebida sagrada da Galiza). Já no segundo dia, não há concertos mas há projecções de um documentário («L'Horlage du Village») e de imagens da edição anterior do Celtirock, animações de rua, barraquinhas, jogos populares e visitas guiadas ao património local. Durante os dois dias há também venda de artesanato e workshops. Mais informações, aqui.

01 agosto, 2008

L Burro i l Gueiteiro - Por Esses Montes Fora...


Por montes e vales das Terras de Miranda, decorre de 3 a 6 de Agosto a sexta edição do L Burro i l Gueiteiro, que vai incluir concertos dos Galandum Galundaina, Roncos do Diabo (na foto), Trasga, Tuttis Catraputtis e dos espanhóis Rare Folk, entre outros, e ainda sessões de DJing, passeios de burro, mostras de filmes, workshops e muita folia e convívio. A seguir vai o programa completo... e em mirandês, que é para se começar a praticar a «lhéngua»:

«Deimingo, 03 de Agosto
Casa de la Música, Miranda de l Douro
21h30:
Ancontro i cumbíbio de ls participantes
Presentaçon de l programa
Mostra de un filme sobre la raça asinina de Miranda
Arraial Tradicional


Segunda, 04 de Agosto
Costantin
Manhana:
Oufecinas de:
— Maneio de burros
— Baile tradicional mirandés
— La dança (pauliteiros)
— Strumentos Tradicionales Mirandeses (percussones, gaita, fraita)
— Lhéngua Mirandesa
— Bailes galhegos cun David Salvado (percussionista de Xosé Manuel Budiño)


Tarde:
Ronda de ls Mandiletes
Jogos Tradicionales

Nuite:
Trasga
Sonidos de Trasgo


Terça, 05 de Agosto
Costantin – Pruoba - Malhadas
Manhana:
Passeio de burro zde Costantin a Malhadas

Tarde:
Oufecinas de jogos e bailes por Luís Fernandes (Tuttis Catraputtis)
Apresentaçon de las associaçones AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino) i Galandum Galundaina - Associação Cultural

Nuite:
Cumbíbio cun la populaçon de la aldé de Malhadas
Gueiteiricos de la Region
Dançadores de Malhadas
Roncos do Diabo
Tuttis Catraputtis


Quarta, 6 de Agosto
Malhadas – Peinha Branca - Miranda de l Douro
Manhana:
Passeio de burro antre la aldé de Malhadas i Peinha Branca

Tarde:
Passeio de burro antre la aldé de Peinha Branca i Miranda de l Douro

Nuite:
Eizebiçon de l filme "L Burro I L Gueiteiro"
Galandum Galundaina
Rarefolk
"La Charanga de Zeek i Trasgo" (DJ set)».

Mais informações, aqui.

24 junho, 2008

Eco Fest - Música e Ecologia em Odeceixe


Há um novo festival a nascer no Algarve: o Festival Eco Fest, que decorre nos dias 15, 16 e 17 de Agosto, em Odeceixe. Nesta primeira edição, o festival - que tem como principais vertentes a música e a ecologia - apresenta concertos dos grupos portugueses Dazkarieh (dia 15) e Tanira (dia 17; na foto) e, no meio, dos espanhóis Rarefolk (dia 16); sessões de DJing folk e world music de, hermmmmmmm, António Pires (dia 15), Carlos B. Norton (dia 16) e Osga (dia 17); e ainda haverá lugar para a poesia, danças tradicionais, animação de rua, workshops, desporto na natureza e muitas outras actividades. Promete!

23 maio, 2008

Évora Folk Fest Com Solas, La Musgaña, Tito Paris, Vocal Sampling e Flook


E há mais um festival no horizonte: o novíssimo Évora Folk Fest - organizado pela Câmara Municipal de Évora e programado por Mário Correia (Sons da Terra; Intercéltico de Sendim) -, que decorre nesta cidade alentejana de 20 a 27 de Junho com artistas portugueses, espanhóis, irlandeses e norte-americanos. O programa inclui concertos de Fernando Tordo & Stardust Orchestra (Portugal), no dia 20; dos Aulaga Folk (Extremadura) e dos Solas (Estados Unidos/Irlanda), no dia 21; Monte Lunai (Portugal) e La Musgaña (Castela e Leão), no dia 22; dos Vocal Sampling (Cuba), no dia 24; um grupo alentejano ainda por confirmar (os Alma Lusa ou o Grupo de Cantares de Almocreves) e Mafalda Veiga (Portugal), no dia 25; La Bandina'l Tombo (Astúrias) e Flook (Irlanda), estes na foto (de Nick David) que encima este post, no dia 26; e Tito Paris (Cabo Verde), no dia 27. Um bom cartaz de arranque, sim senhor!

03 abril, 2008

Névoa, Marful e Acetre - Bons Ventos e Bons Casamentos


Há um velho ditado popular português - conhecido de toda a gente - que diz «De Espanha nem bom vento nem bom casamento». Mas no caso destes três discos hoje falados no Raízes e Antenas, esse ditado terá que ser completamente virado ao contrário: tanto nos galegos Marful como nos Acetre, de Olivença (pois, Olivença!) e na catalã Névoa (na foto; de Noemí Elías) há, para além de muito boa música, íntimos pontos de contacto com Portugal - respectivamente, na língua galega, na música que fazem e no fado... cantado em catalão. Isto é, ventos que se cruzam de cá para lá; casamentos felizes e com mútuo consentimento.


MARFUL
«MARFUL»
Galileo/Megamúsica

A língua galega nasce da mesma raiz que a língua portuguesa. É uma língua irmã, atrever-me-ia a dizer uma língua-gémea; viva, bela e pulsante de poesia e nuances linguísticas deliciosas. E é tão bonito ouvi-la quando ela, para além de muito bem cantada, está tão próxima do português que, muitas vezes, é português mesmo. E é isso que acontece quando se ouve cantar Ugia Pedreira - ela que canta tão bem! - a fazer voar as palavras sobre a música ao mesmo tempo antiga e tão nova que os seus companheiros - Pedro Pascual (acordeão), Pablo Pascual (clarinete-baixo) e Marcos Teira (guitarra), mais os convidados Luis Alberto Rodriguez (bateria) e Xacobe Martinez (contrabaixo) - vão tecendo por baixo da sua voz. Uma música que recria - com originalidade, elegância e paixão - a música de baile que se ouvia e dançava na Galiza nos anos 30 e 40, tanto a tradicional galega (oiça-se a belíssima «Jota Gagarim») mas também a música que muitos emigrantes galegos traziam para a sua terra: twist, habaneras, tangos, paso-dobles e até uns laivos de fado (cf. em «Tris-Tras»). Com alguns originais à mistura com adaptações de tradicionais ou canções de outros autores «de época» e cantado todo ele em galego (à excepção de «Je Suis Comme Je Suis», com música de Ugia sobre um poema de Jacques Prévert), este álbum de estreia dos Marful - eles que vão estar na próxima edição do FMM de Sines - é uma declaração de amor desta cantora e destes músicos à sua terra, à sua história, às suas memórias... Lindíssimo! (9/10)


ACETRE
«DEHESARIO»
Nufolk/Galileo/Megamúsica

Apesar de terem mais de vinte anos de carreira, os Acetre são infelizmente quase desconhecidos em Portugal - que me lembre, passaram por cá há alguns anos num festival Sete Sóis Sete Luas e não sei se passaram mais alguma vez. E é pena por várias razões: a sua música é, independentemente das suas ligações à música portuguesa, muitíssimo boa. E é, por essas ligações, um curiosíssimo exemplo de hibridismo «raiano» que - tirando a anteriormente referida Galiza - é muito raro e bem-vindo. Um hibridismo que é quase natural atendendo ao local de onde é originário o grupo, Olivença - e não, ao contrário do que dizem os nacional-saudosistas, «Olivença não é nossa!» -, ali paredes-meias com o Alentejo, e à curiosidade própria destes cinco músicos e quatro cantoras/intrumentistas que se aventuram em viagens musicais que passam pela Extremadura espanhola, pelo Alentejo, pela Galiza e pelo norte de África (cf. em «Al-Zerandeo», que faz a ponte entre Marrocos e as «pandeireteiras» galegas), fazendo uso de um folk-rock ora mais «musculado» ora mais ambiental ora mais progressivo, mas sempre de um bom-gosto enorme e uma inventividade constante. Mas o mais curioso deste «Dehesario», o sétimo álbum dos Acetre, é mesmo a quantidade de temas cantados em português e/ou com referências a Portugal e à música portuguesa: o tradicional «Mãe Bruxa» («À entrada de Elvas/Achei uma agulha...»); a guitarra portuguesa em «Amores Corridiños» (um tema «afadistado», original de José-Tomás Sousa, guitarrista do grupo); «A Rola» (tradicional alentejano que aqui surge numa versão para vozes femininas e uma «cama» instrumental muito bonita!); ou no vira que fecha o disco e que tanto pode ser galego como minhoto. É necessário conhecê-los. (8/10)


NÉVOA
«ENTRE LES PEDRES E ELS PEIXOS»
Temps Record/Harmonia Mundi

Há alguns meses, fiz neste blog o levantamento de fadistas estrangeiros ou instrumentistas de guitarra portuguesa e espantei-me (e sei que houve mais quem se tenha espantado) com a quantidade de gente, não portuguesa, que lá fora mantém uma relação íntima com o fado. Nesse texto referi a ideia, comum a muita gente, de que «o fado só pode ser cantado por portugueses... A alma, a saudade, a emoção, etc...». Uma ideia completamente errada como se pode comprovar ouvindo muitos dos nomes referidos, nomeadamente esta fadista de corpo e voz e alma inteiros de que se fala aqui hoje: Névoa (aka Núria Piferrer). Porque, se se perguntar «É fado?», a resposta só pode ser: «É, e muito bom!». Quase todo ele cantado em catalão - com excepção de dois temas em espanhol, um deles o arrepiante «No Te Quiero», sobre poema de Pablo Neruda - e, pergunto eu, não será este um espantoso texto de fado? -, o disco tem como base variadíssimos fados tradicionais (Fado menor do Porto, Fado Pintadinho, Fado Amora, Fado Triplicado, etc, etc...) e conta com a participação de vários músicos portugueses: Manuel Mendes (guitarra portuguesa), José «Carvalhinho» (viola e direcção musical), Jorge Carreira (viola-baixo) e o cantor Gonçalo Salgueiro (produção). E basta ouvir como Névoa - ela que já contava com três álbuns dedicados ao fado anteriores a este «Entre les Pedres i els Peixos» - lança a sua voz na interpretação destes poemas para se perceber, imediatamente, que temos aqui uma excelentíssima cantora e, mais do que isso, uma fadista imensa e de alma enorme. E, embora seguindo uma via muito respeitosa do fado tradicional de Lisboa, ela acaba por inovar - com coragem - ao injectar outras línguas no nosso (e de quem o quiser fazer seu) fado. (8/10)

28 março, 2008

Festival Sons e Ruralidades... E o «Folk-Lore» de Tiago Pereira


Ainda não há muitos pormenores sobre a edição deste ano do festival, mas o programa musical já é conhecido: de 1 a 4 de Maio, em Vimioso, Trás-os-Montes, decorre o 3º Sons e Ruralidades, que incluirá concertos dos Mosca Tosca e dos Trasgo (dia 2), dos Pé na Terra e dos espanhóis Mayalde (dia 3), incluindo ainda o festival uma feira de burros, oficinas, palestras e a estreia do novo projecto do realizador Tiago Pereira (na foto), o vídeo-magazine «Folk-Lore». Deste novo projecto, o melhor mesmo é dar a palavra a Tiago Pereira (o mesmo dos filmes «Arritmia» e «11 Burros Caem no Estômago Vazio», entre outros): «Um realizador de vídeo guarda imagens; elas são o seu material de trabalho. Depois entretém-se com elas: corta, cola, mistura, faz andar p’rá frente, p’ra trás… A ideia é contar histórias, as dos outros e a sua. Tiago Pereira, realizador de vídeo com mais de cem horas de recolhas vídeo gravadas, decidiu dar-lhes uso, usando-as de forma livre e criativa. Se as recolhas ficarem na fita ou no computador (hoje as gavetas já pouco guardam) seremos uns monstros que comem tradições mas não as digerem, não as transformam. É urgente usar as tradições e transformá-las para que não fiquem nas barrigas dos monstros. O resultado de tudo isto chama-se Folk-Lore Vídeo Magazine, um vídeomagazine trimestral sobre cultura popular. O primeiro sairá a 2 de Abril e o tema central serão as relações da dança com a Igreja. Estão convocados Benjamim Pereira, Padre Fontes, Tiago Pereira, Tia Toneca, D. Maria, Pedro Mestre e população da aldeia de Sete (em Castro Verde), senhoras de Vilar de Perdizes e Saca Sons (grupo de mulheres da Zebreira, Idanha-a-Nova). Folk-Lore Vídeo Magazine contará ainda com animações de Manuela Gandra e Inês Ramos». Mais informações sobre o Sons e Ruralidades aqui e aqui. As imagens do «Folk-Lore» estarão disponíveis aqui e aqui.

18 fevereiro, 2008

Pepe Habichuela, Miguel Poveda e Fuensanta «La Moneta» - Quando o Flamenco Vem a Lisboa


O flamenco - género maior da música espanhola de raiz - vai ter uma bela mostra em Lisboa, talvez a maior e mais abrangente que alguma vez teve em território português. Com organização da Alto & Bom Som Produções, o Festival de Flamenco inclui três espectáculos musicais - dedicados à guitarra, ao canto e à dança flamenca - e ainda exposições, filmes, palestras e workshops. Os espectáculos, todos marcados para a Aula Magna, são protagonizados pelo guitarrista Pepe Habichuela (dia 29 de Março), pelo cantor Miguel Poveda (dia 19 de Abril) e pela bailarina Fuensanta «La Moneta» (na foto; dia 17 de Maio). O programa fica completo com os filmes «Herencia Flamenca», dedicado aos Ketama, «Flamenco», de Carlos Saura, e «Tributo a Carmen Amaya», a exposição «Arte Flamenco», do fotógrafo Mario Pacheco, palestras sobre «Os Novos Flamencos», «Guitarra Flamenca», «Compreender o Flamenco» e «Fronteiras do Flamenco» e workshops de guitarra, canto e dança. Mais informações aqui e aqui.

25 janeiro, 2008

Cromos Raízes e Antenas XXXVII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXVII.1 - Caetano Veloso


O cantor, músico, letrista e compositor brasileiro Caetano Veloso (na foto, de Thereza Eugenia) é um dos maiores génios da música mundial. De nome completo Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, nascido em Santo Amaro da Purificação, Bahia, a 7 de Agosto de 1942, Caetano é um dos maiores paradigmas de uma música que vai às raízes populares do seu local de origem para a fundir com a música que as «antenas» lhe trazem. Não por acaso, o seu nome confunde-se com o conceito de «tropicalismo» - a corrente musical brasileira de finais dos anos 60 em que as origens africanas, o caldeirão de culturas que era a Bahia e expressões musicais como a pop, o rock ou o jazz se uniam num todo magnífico, original, vivo. Ao longo de quarenta anos de carreira, Caetano Veloso mudou a música brasileira e influenciou de uma maneira ou outra muitos artistas não brasileiros (de David Byrne a Sérgio Godinho, de Devendra Banhart a Lila Downs).


Cromo XXXVII.2 - Ojos de Brujo


Nascidos no borbulhante movimento do «som mestiço» - que tem como papa Manu Chao -, os Ojos de Brujo formaram-se em 1996, em Barcelona, Catalunha, com uma ideia de música bem-definida e incrivelmente consistente desde o início: fundir o flamenco, e mais especificamente um dos seus «palos» (géneros), a rumba catalã, com muitas outras músicas. Uma aposta que, apesar de não ser completamente original, tem nos Ojos de Brujo o seu expoente máximo. Na sua música - espalhada pelos álbuns «Vengue» (1999), «Barí» (2002), «Techarí» (2006) e «Aocaná» (2009) - o flamenco surge transfigurado, renovado, em contacto com o hip-hop, o funk, o reggae, as electrónicas, a música árabe, latino-americana e indiana. O grupo, que tem à frente a maravilhosa cantora Marina «La Canillas», tornou-se, com mérito, um dos mais importantes do circuito da world music.


Cromo XXXVII.3 - Googoosh


Neste momento é difícil acreditar que no Irão tenha havido divas da música pop e estrelas do cinema equiparáveis às suas congéneres de outros países (norte-americanas, europeias, indianas...). Mas a verdade é que as houve. E o maior e melhor exemplo de uma cantora-actriz, a estrela mais brilhante de um firmamento muito próprio - o Irão ocidentalizado do Xá Rheza Pahlevi - é o de Googoosh, nascida com o nome Faegheh Atashin, em 1950, em Teerão. De origem azeri, Googoosh chegou ao estrelato muito jovem, durante os anos 60, protagonizando filmes e discos que a transformaram, já durante a década seguinte, na maior vedeta iraniana. Na sua música houve - e há - elementos de música persa, azeri, rock, blues, jazz, disco-sound! Com a chegada ao poder do Ayatollah Khomeini, em 1979, Googoosh foi presa durante alguns meses e proibida de cantar. Mas permaneceu no Irão e, vinte anos depois, voltou à ribalta internacional.


Cromo XXXVII.4 - SambaSunda

A expressão máxima, mais genuína e verdadeira, da música indonésia é o gamelão: orquestras de percussões em que campânulas metálicas (ou, por vezes, de bambu) são percutidas de uma forma repetitiva, hipnótica, intrincada. E esta é uma música mágica, ancestral, em que é raro haver desvios. Mas que os há, há: os SambaSunda são um extenso grupo de músicos (geralmente catorze) de Bandung, na ilha de Java, liderados pelo multi-instrumentista e compositor Ismet Ruchimat e com uma cantora, Rita Tila, a traçar surpreendentes melodias sobre uma música feita de tradição - os ensinamentos dos gamelões e o canto tradicional kecak - misturada com reggae, música brasileira (a palavra «samba» em SambaSunda não está lá por acaso), jazz e a energia do rock. «Rawhana's Cry», álbum editado em 2006, lançou-os ao Mundo... E o Mundo agradece.

22 novembro, 2007

Cadencia, Tomás San Miguel e Sweet Vandals - Música Espanhola no Cais do Sodré


E mais uma notícia «sacada» às Crónicas da Terra: o MusicBox, ao Cais do Sodré, recebe hoje, amanhã e depois três concertos com projectos musicais oriundos da vizinha Espanha, integrados na iniciativa «Espanha in MusicBox Lisboa», organizada pelo Instituto Cervantes e pelo próprio MusicBox. Os concertos arrancam esta noite com a banda de soul/funk Sweet Vandals, continuam amanhã, sexta-feira, com os sevilhanos que fundem elegantemente o flamenco com outras músicas Cadencia (na foto) e terminam no sábado com a presença do acordeonista basco Tomás San Miguel, acompanhado pelas Ttukunak, as conhecidas gémeas tocadoras de txalaparta, e pelo alemão Marlon Klein (dos Dissidenten). Paralelamente à música, nesta mostra de arte espanhola há lugar também para a exibição de curtas-metragens e a actuação de alguns DJs. Mais informações aqui.

16 novembro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXXI


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXI.1 - The Pogues


The Pogues! Diz-se o nome e ouve-se logo a música: aquela música que tanto deve à folk de inspiração «celta» quanto ao punk, com uma energia imensa e uma beleza irrepetível... The Pogues! Diz-se o nome e ouvimos logo a voz de Shane MacGowan e o acordeão, o violino, o bandolim, a tin whistle a meterem-se pela chinfrineira rock adentro... The Pogues! Banda (bando!) de londrinos, muitos deles com raízes irlandesas, que começa em 1982 o seu trajecto sob a designação Pogue Mahone (que significa, em gaélico, «beija o meu cu»), os Pogues sempre se preocuparam em dar importância igual às suas canções de intervenção política, a baladas recuperadas à tradição e a fazer uma música única, pessoal, enorme!, em que o «celtismo» e o rock se cruzavam, de outras vezes, com a country, o cajun ou a música latino-americana. Separaram-se em 1996 (nessa altura já sem Shane) e reagruparam-se, para concertos dispersos, em 2001 (felizmente, com Shane).


Cromo XXXI.2 - Putumayo


Muitas vezes criticada por ser uma editora light que faz compilações «fáceis» e nem sempre exemplares de world music, a nova-iorquina Putumayo é, mesmo assim, uma das melhores portas de entrada de milhões e milhões de pessoas em todo o mundo para... as músicas do mundo. Fundada por Dan Storper em 1975 como uma empresa de roupa, a Putumayo transforma-se em 1993, via Michael Kraus, numa editora de sucesso. Colectâneas temáticas e conceptuais de muitas e variadas músicas - e um design gráfico coerente, comum a todos os discos, de Nicola Heindl - tornaram a Putumayo uma editora famosa não só em lojas de discos mas também em lojas de roupas, livros e até cafés um pouco por todo o mundo. Desde há alguns anos tem dois selos associados: a Putumayo Kids (colecções globais de música para crianças) e a Cumbancha (a editora dos Ska Cubano, The Idan Raichel Project e Andy Palacio).


Cromo XXXI.3 - Ofra Haza


Diva global improvável - e improvável porque vinda de um lugar, digamos, exótico e de uma arte que unia dois mundos desavindos -, a cantora israelita Ofra Haza tornou-se, mercê da sua apresentação num Festival Eurovisão da Canção (em 1983), numa mulher conhecida em todo o mundo. Ofra Haza (de nome completo Bat Sheva' Ofra Haza Bat Shoshana, nascida a 19 de Novembro de 1957 em Tel Aviv, Israel; falecida a 23 de Fevereiro de 2000, em Ramat Gan, Israel) era de origem iemenita, mais precisamente, de judeus radicados no estado árabe do Iémen. E a sua música reflectiu sempre essa dualidade: com um pé em Israel e outro nos países muçulmanos «inimigos»; e com um pé na tradição e outro na modernidade e numa música feita com recurso às electrónicas e a sonoridades ocidentais. A sua imparável e riquíssima carreira como cantora começou em 1980 e terminou vinte anos depois, numa trágica morte provocada pela SIDA.


Cromo XXXI.4 - Radio Tarifa


Às vezes há músicas tão próximas que não damos conta delas, por serem demasiado próximas e por serem tão óbvias as suas ligações. Mas os espanhóis, de Madrid, Radio Tarifa tiveram a inteligência e a arte suficientes para descobrir os elos escondidos entre a música espanhola (nomeadamente o flamenco) e a música do norte de África. Logo no seu primeiro álbum, «Rumba Argelina», de 1993, estabeleceram uma ponte que veio para ficar (de Espanha para o Magrebe e vice-versa) e que, de tão óbvia que é, estranho é ninguém a ter feito antes. Fundados no final dos anos 80 pelo vocalista e letrista Benjamín Escoriza, o guitarrista, percussionista e arranjador Faín S. Dueñas e o saxofonista Vincent Molino, os Radio Tarifa deixaram, em quatro álbuns de originais, uma música nova, excitante e valiosa que parece ter tido um fim: Escoriza lançou em 2006 o seu primeiro álbum a solo, «Alevanta!», e os Radio Tarifa entraram em «hibernação».

04 outubro, 2007

Festival Acordeões do Mundo - Correntes de Ar em Torres Vedras


De 28 de Outubro a 11 de Novembro decorre no Teatro-Cine de Torres Vedras, o IV Festival Acordeões do Mundo, com mais um excelente programa em que o acordeão é rei e senhor. Dia 28 de Outubro, o festival começa com o acordeonista francês Jean-Louis Matinier, seguindo-se, dia 31, o também francês, mas de origem portuguesa, René Sopa; ambos praticantes de um jazz colorido com muitas outras músicas. Dia 3 de Novembro, actua o celebradíssimo acordeonista italiano Riccardo Tesi acompanhado pela sua Banditaliana. Dia 6, é a vez do pianista e acordeonista Tomás San Miguel & Txalaparta (Espanha/País Basco), para mostrar que a arte do acordeão no país vizinho não começa nem acaba na trikitixa de Kepa Junkera. E dia 9, o festival encerra - mas apenas no «palco principal» - com o excelente tango aberto (jazz, rock, música erudita...) e de contornos electrónicos dos Tango Crash (na foto), colectivo que reúne músicos da Argentina, Alemanha e Suiça. Paralelamente, decorrem os «bailes do acordeão», com dois grupos portugueses: os Alfa Arroba (dia 1 de Novembro, à tarde, na Adega do Maxial) e os Fol&Ar (um dia depois, também à tarde, no Clube Artístico e Comercial), oficinas musicais (nos fins-de-semana de 3 e 4 e 10 e 11 de Novembro) e um concurso de tocadores de acordeão. Mais informações aqui.

15 agosto, 2007

Sons do Atlântico - A Rainha, os Plebeus e os Infantes



O Sons do Atlântico, no lindíssimo promontório de N.Sra. da Rocha, em Lagoa, é ainda um festival pequeno - em número de assistentes - mas já bastante consistente em termos artísticos e com argumentos suficientes para se impor como mais uma etapa incontornável no roteiro de festivais de Verão da chamada world music. E se, o ano passado, o alinhamento do festival foi mais arriscado e aventuroso - apostando em nomes como Mercan Dede e Mercedes Péon, ambos a assinar concertos de nível altíssimo -, o elenco deste ano, embora alinhando nomes mais consensuais, foi também de altíssima qualidade. A começar logo no primeiro dia, com uma Lura deslumbrante, «animal de palco», a arrancar coros e aplausos de uma plateia cheia, cativando muitos cabo-verdianos e toda a gente das outras nacionalidades. Uma Lura segura, dona de uma voz maravilhosa, boa dançarina, a distribuir bem pelo espectáculo coladeiras, mornas, batuques e funanás, apelando a canções do novo álbum (como o tema-título «M'Bem Di Fora», «Ponciana» ou o lindíssimo «Bida Mariadu») mas também a sucessos mais antigos, como a inevitável «canção de embalar» «Na Ri Na» ou «Vazulina». Foi Lura, sem dúvida, a rainha absoluta do festival. Na noite seguinte, os Macaco, plebeus da Catalunha e de outros lugares, deram outro concerto fabuloso, conquistando toda a gente com a sua garra, alegria, inventividade - uma inventividade imensa que lhes permite misturar como ninguém inúmeros géneros musicais, e de uma maneira que soa sempre consistente, madura, original... Pontos altos do concerto - no meio de muitos mais, entre os quais os coros e coreografias que arrancaram do público em muitos momentos do espectáculo - foram os diálogos do guitarrista, nessa altura no oud árabe, consigo próprio em ecrã, do percussionista, bis (consigo próprio em ecrã), e a banda toda unida numa batucada quando alguém desligou o gerador a meio de uma canção e deixou de haver electricidade no recinto. Outros plebeus em alta, estes irlandeses, os Kíla encerraram o festival com mais uma demonstração de profissionalismo enorme e assinando momentos de altíssima música, quando o bodhran dialogava em alta velocidade com o violino ou as uilleann pipes num molho de folk progressiva - e aqui, a palavra «progressiva» é mais que um elogio! - ou quando aos jigs e reels se juntavam, aqui e ali, alusões à música árabe, à música latino-americana ou quando, como no final, protagonizam uma espantosa aproximação aos espirituais zulus da África do Sul. E, se os concertos dos três cabeças-de-cartaz foram muito, muito bons, os músicos e cantores das «primeiras partes» cumpriram bem o papel de infantes, mais do que de pagens ou acólitos: a cantora guineense Eneida Marta (com um super-grupo pan-africano onde pontifica Ibrahima Galissá na kora) e os seus n'gumbés e tinas; o jovem grupo andaluz Cadencia - ao qual se augura um futuro brilhante! - e o seu flamenco enfeitado de muitas músicas; e os cada vez mais consistentes algarvios Marenostrum, ali reforçados por um quarteto de saxofones que levou a música do grupo para caminhos originais e inesperados. Haja festival!

08 agosto, 2007

Festival Sons do Atlântico - É Já Este Fim-de-Semana!



A edição deste ano do Festival Sons do Atlântico, que decorre em Porches, Lagoa, começa já na sexta-feira. E, para refrescar a memória, aqui fica novamente o programa do festival: dia 10 de Agosto há concertos da luso-cabo-verdiana Lura e da guineense Eneida Marta, dia 11 podemos assistir ao flamenco (e muito mais à volta) dos andaluzes Cadencia e ao concerto do grupo catalão, padrinho da designação deste blog, Macaco, e dia 12 aos espectáculos dos algarvios Marenostrum e dos irlandeses de música «celta» nada ortodoxa Kíla (na foto). O Raízes e Antenas vai lá estar e fica desde já prometida a respectiva reportagem para o início da próxima semana.

25 junho, 2007

Estrella Morente - Nova Diva do Flamenco em Portugal



A espanhola Estrella Morente - astro maior do novo firmamento de cantoras de flamenco - vem dar dois concertos em Portugal, dia 29 de Junho no Porto (Casa da Música) e no dia seguinte em Lisboa (Centro Cultural de Belém). Estrella - que tem como heroínas, quase naturalmente, La Niña de los Peines, Carmen Linares e Rocío Jurado, mas também Nina Simone, Chavela Vargas e... Amália Rodrigues - nasceu em Granada, rodeada de flamenco por todos os lados. Filha do cantor Enrique Morente e da bailarina Aurora Carbonell, sobrinha do guitarrista José Carbonell (Montoyita) e do cantor Antonio Carbonell, desde a infância que Estrella demonstrou o seu à-vontade nas artes do flamenco (e dos muitos sub-géneros que o flamenco comporta). Mas isso nunca a impediu de visitar também outros universos musicais, interpretando temas como «Ne Me Quitte Pas», de Jacques Brel, «La Noche de Mi Amor» (versão em espanhol, popularizada por Chavela Vargas, de «A Noite do Meu Bem», de Dolores Durán, ou «Vuelvo al Sur», de Ástor Piazzolla, o que também não será de admirar se pensarmos que o seu pai teve colaborações com Leonard Cohen, Pat Metheny e... os Sonic Youth. O «duende» de Estrella libertou-se há dez anos, tinha ela 17 anitos, num concerto em Madrid. Mas foi em Sevilha que ouviu o maior elogio da sua vida, quando a enormíssima Carmen Linares dela disse: «Esta miúda vai obrigar-nos a uma reforma antecipada». E há poucos anos a sua voz correu mundo através da banda-sonora do filme «Volver», de Pedro Almodóvar. Agora, nestes concertos em Portugal, Estrella Morente vem apresentar o seu terceiro álbum, «Mujeres», acompanhada por muitos músicos do seu clã familiar.

16 junho, 2007

Festival Sons do Atlântico - Com Lura, Macaco e Kíla



O Crónicas da Terra, do camarada Luís Rei, está cheio de novidades (passem por lá!). Uma das mais sumarentas é a que se relaciona com a edição deste ano do Festival Sons do Atlântico, em Porches, Lagoa, de 10 a 12 de Agosto. Segundo avança o CdT, a edição deste ano do festival conta com concertos da luso-cabo-verdiana Lura e da guineense Eneida Marta na primeira noite, o flamenco (e muito mais à volta) dos andaluzes Cadencia e do grupo catalão, padrinho da designação deste blog, Macaco (na foto; liderado pelo cantor homónimo) na segunda, e dos algarvios Marenostrum e dos irlandeses de música «celta» nada ortodoxa Kíla, na última noite. A exemplo do ano passado, deve poder contar-se com outros concertos, durante o dia, no recinto do festival - o promontório da capela de Nossa Senhora da Rocha - com bandas portuguesas, exposições, artesanato e muito boa gastronomia.

30 março, 2007

Cromos Raízes e Antenas XV


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XV.1 - Yma Sumac



Muitos anos antes da designação «world music» existir, uma forma musical que ia a várias músicas étnicas buscar a sua inspiração (mesmo que adulterando-as e, muitas vezes, caricaturando-as) era conhecida como «exotica». Desse género, corrente nos anos 50 e 60 do séc. XX, destacaram-se os nomes de Martin Denny, Les Baxter, Esquivel e a extraordinária cantora Yma Sumac. Nascida a 10 de Setembro de 1922, em Ichocán, no Peru (se bem que nem a data nem o local de nascimento estejam confirmados) e falecida a 1 de Novembro de 2008, Yma Sumac (Zoila Augusta Emperatríz Chavarri del Castillo de verdadeiro nome, alegadamente uma princesa inca descendente de Atahualpa) foi uma vedeta internacional da música «exotica» nos anos 50, muito à custa da sua estranha, vibrante e hiper-maleável voz (que podia abranger cinco oitavas!), dando a conhecer ao mundo muita música sul-americana.


Cromo XV.2 - Paco de Lucia



Filho de uma portuguesa (Lúcia - e daí o nome artístico Paco... de Lucia), o genial guitarrista Paco de Lucia nasceu em Algeciras, Espanha, a 21 de Dezembro de 1947. Músico, compositor, maestro, arranjador, Paco de Lucia é um dos nomes maiores do flamenco mas nunca se fechando neste género, antes abrindo as portas a colaborações com músicos de jazz (como nos concertos e discos com John McLaughlin e Al DiMeola) ou em incursões pela música erudita como na sua maravilhosa interpretação do «Concierto de Aranjuez», de Joaquín Rodrigo, com uma orquestra clássica. Francisco Sánchez Gómez, de seu verdadeiro nome, nasceu numa família dedicada à música (o pai, Antonio Sánchez, era guitarrista e dois dos seus irmãos enveredaram também pela carreira musical) e, juntamente com o cantor Camarón de la Isla (com quem gravou dez álbuns), contribuiu decisivamente para a renovação do flamenco.


Cromo XV.3 - Gamelão



O gamelão é uma orquestra essencialmente composta por instrumentos de percussão que tem a sua origem nas ilhas da Indonésia (principalmente Java, Bali, Madura e Lombok). É composta por metalofones, xilofones, tambores e gongos, embora também possa incluir flautas de bambu, instrumentos de cordas e vozes. Semelhantes a orquestras (e aqui refira-se que «gamelão» é o nome do conjunto de instrumentos e não o dos seus tocadores ou de qualquer instrumento) existentes noutros países como as Filipinas ou Malásia, os gamelões indonésios destacam-se pela sua variedade - cada orquestra tem uma formação própria e cada uma esforça-se por ser diferente das outras - sendo interessante notar que algumas das orquestras contêm essencialmente percussões feitas em metal e outras percussões feitas em bambu. A sua influência na música ocidental estende-se desde Claude Débussy (que teve contacto com o gamelão na Expo de Paris, em 1900) a compositores actuais de música minimal-repetitiva.


Cromo XV.4 - DobaCaracol



Um dos projectos mais interessantes, divertidos e criativos a emergir do milagroso cadinho musical que é a região (nação?) canadiana do Quebeque, as DobaCaracol são um grupo formado em 1998, em Montreal, por Doriane Fabreg (Doba) e Carole Facal (Caracol) depois de uma «rave party» selvagem. Cantoras e percussionistas, Doriane e Carole actuaram durante cinco anos como um duo antes de juntar um grupo de quatro músicos - Maxime Lepage, Mohammed Coulibaly, Martin Lizotte e Maxime Audet-Halde - que com elas desenvolveu um estilo que mete na mistura funk, soul, rock, reggae, música africana, brasileira e latino-americana. Tendo actuado em variadíssimos pontos do globo, as DobaCaracol editaram até agora os álbuns «Le Calme Son» (2001) e o excelente «Soley» (2004), este último produzido por François Lalonde (Lhasa, Jean Leloup).

17 março, 2007

Rare Folk, Cadencia e Nordestin@s - Os Bons Ventos de Espanha



Três grupos de várias regiões de Espanha e de estilos muito diferentes mostram a vitalidade e a variedade da música de raiz tradicional - e não só das raízes mais «óbvias», como se verá - feita no país vizinho. São três álbuns recentes dos «celtas» Rare Folk, dos flamenquistas Cadencia (na foto) e do trio galego Nordestin@s.


RARE FOLK
«NATURAL FRACTALS»
Ed. de Autor/Galileo

Sexteto de Sevilha já com quinze anos de existência, os Rare Folk mostram em «Natural Fractals» uma música que passa quase sempre pelos ambientes ditos «celtas» - andam jigs e reels sempre a pular por ali - mas também por outros espaços em que a electrónica, o jazz-rock de fusão, a música africana, o flamenco, o rock sinfónico e progressivo, a música árabe e turca se misturam naquilo a que o grupo chama «freestyle folk». Inteiramente instrumental - pelo menos neste álbum -, o grupo é constituído por Rubén Diaz de La Cortina (flauta, tin whistle, «Mangu» Díaz (bandolim, bouzouki, glissentar e programações), Marcos Munné (guitarras), Pedro Silva (teclas), Oscar Valero «Mufas» (baixo eléctrico) e Fernando Reina (bateria), tendo neste álbum a colaboração de Elo Sánchez (violino) e Nacho Gil (saxofone soprano e clarinete turco). E, por muito longe que esteja de um qualquer purismo ou tradicionalismo qualquer (excepto na faixa escondida que encerra o álbum, um solo de flauta que parece saído de um pub irlandês), nota-se sempre na sua música um amor tremendo pelas raízes da música «celta», uma escolha curiosa e bem-vinda de um grupo oriundo da Andaluzia. (6/10)


CADENCIA
«SIN TI»
Fonoruz

Também de Sevilha, e neste caso fazendo «justiça» às suas origens, os Cadencia são um excelente grupo que parte do flamenco - que está sempre muito presente nas suas canções - para visitar também outros géneros musicais como o jazz, a bossa-nova, a música medieval e a música «celta», tudo espalhado por originais de membros do grupo que são de um bom-gosto a toda a prova. Tendo como ponta-de-lança a voz verdadeira, quente, sanguínea, lindíssima, de Dolores Berg, do grupo fazem também parte J.A. Mazo «Gori» (guitarrista e compositor da maioria das canções), Enrique Mengual (baixo), Sofia Bermudez (percussões) e Pepo Herrera (flautas), usando exclusivamente instrumentos acústicos. Longe do radicalismo, da loucura e do experimentalismo de uns Ojos de Brujo, por exemplo, os Cadencia estão muito mais perto da essência do flamenco (e dos vários sub-géneros que o flamenco inclui), mas estão também sempre prontos a na sua música incluir um ou mais elementos desviantes e surpreendentes. «Sin Ti» é o álbum de estreia do quinteto mas é já uma obra madura, cheia de certezas e prova maior de que há um novíssimo e bastante excitante flamenco a nascer na Andaluzia. (8/10)


NORDESTIN@S
«NORDESTIN@S»
Falcatruada

Ainda mais surpreendente do que os dois álbuns anteriores é o álbum homónimo dos galegos Nordestin@s, projecto que reúne duas cantoras maravilhosas - Guadi Galego (dos Berrogüetto) e Ugia Pedreira (dos Marful) - e o extraordinário pianista de jazz Abe Rábade. Neste grupo, os três atiram-se com bom-gosto, elegância e originalidade à interpretação de muitos tradicionais galegos e alguns originais deles e de alguns outros. O álbum está cheio de belíssimas harmonias vocais entre as duas cantoras (embora por vezes também cantem a solo), sublinhadas pelo voo pelas teclas do piano de um Rábade swingante, inventivo, livre. E o resultado é sempre uma maravilha completa, não se sabendo nunca o que é que tem mais peso aqui, se o jazz se a inspiração tradicional - e ainda bem que não se sabe! O álbum, que foi gravado ao vivo (mas sem audiência) no Teatro Principal de Santiago de Compostela, em 2006, inclui canções «populares do norte de Galicia, composicións que ulen a mar e a taberna, que falan de lendas de mulleres e sereas e que foron trasmitidas por varias xeracións». Só mais uma coisa: raramente como neste álbum a língua galega - nossa língua irmã - soa tão doce e subtil. (9/10)