À medida que os dias passam, mais e mais nomes vão chegando para encher - e bem! - o cartaz da 10ª edição do FMM de Sines. Desta vez, e via Crónicas da Terra e Juramento Sem Bandeira chegam-nos mais três nomes de peso para o alinhamento final: o maliano Bassekou Kouyate (na foto, de Manfred Schweda), o extraordinário intérprete de n'goni que acompanhou Ali Farka Touré, fez parte da Symmetric Orchestra de Toumani Diabaté e editou o ano passado o álbum, com o seu grupo Ngoni Ba, «Segu Blue» (ver crítica ao disco, no Raízes e Antenas, aqui); o regresso dos KTU, incendiário projecto do acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen acompanhado pela secção rítmica dos King Crimson (o baixista Trey Gunn e o baterista Pat Mastelotto); e a estreia em Portugal do duo de Justin Adams (guitarrista que já colaborou, ou ainda colabora, com Brian Eno, Jah Wobble, Natacha Atlas, Tinariwen, Sinéad O'Connor, Robert Plant...) com Juldeh Camara, um griot da Gâmbia que canta e toca o violino de uma corda só ritti, ambos acompanhados pelo percussionista Salah Dawson Miller, que fez parte dos míticos 3 Mustaphas 3. Datas das actuações: Bassekou Kouyate a 17 de Julho (em Porto Covo); Justin Adams & Juldeh Camara a 23 de Julho; KTU a 25 de Julho.
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04 março, 2008
Bassekou Kouyate, KTU e Justin Adams & Juldeh Camara no FMM de Sines
À medida que os dias passam, mais e mais nomes vão chegando para encher - e bem! - o cartaz da 10ª edição do FMM de Sines. Desta vez, e via Crónicas da Terra e Juramento Sem Bandeira chegam-nos mais três nomes de peso para o alinhamento final: o maliano Bassekou Kouyate (na foto, de Manfred Schweda), o extraordinário intérprete de n'goni que acompanhou Ali Farka Touré, fez parte da Symmetric Orchestra de Toumani Diabaté e editou o ano passado o álbum, com o seu grupo Ngoni Ba, «Segu Blue» (ver crítica ao disco, no Raízes e Antenas, aqui); o regresso dos KTU, incendiário projecto do acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen acompanhado pela secção rítmica dos King Crimson (o baixista Trey Gunn e o baterista Pat Mastelotto); e a estreia em Portugal do duo de Justin Adams (guitarrista que já colaborou, ou ainda colabora, com Brian Eno, Jah Wobble, Natacha Atlas, Tinariwen, Sinéad O'Connor, Robert Plant...) com Juldeh Camara, um griot da Gâmbia que canta e toca o violino de uma corda só ritti, ambos acompanhados pelo percussionista Salah Dawson Miller, que fez parte dos míticos 3 Mustaphas 3. Datas das actuações: Bassekou Kouyate a 17 de Julho (em Porto Covo); Justin Adams & Juldeh Camara a 23 de Julho; KTU a 25 de Julho.
18 janeiro, 2008
Cromos Raízes e Antenas XXXVI
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo XXXVI.1 - Inti-Illimani
Nascidos no caldeirão da «nueva canción» chilena, em 1967, ao lado de Victor Jara ou dos Quilapayún, entre outros, os Inti-Illimani cedo se destacaram como uma das vozes mais importantes da esquerda revolucionária do Chile. Com uma música assente na tradição sul-americana mas também com ecos da folk vinda dos Estados Unidos, e com letras de intervenção política e social - bem presentes no seu álbum de estreia, homónimo, em 1968, e em «Canto al Programa», de 1969, que era uma adpatação musical do programa político de Salvador Allende -, os Inti-Illimani começaram a levar as suas canções a muitos países do mundo. E foi exactamente durante uma das suas digressões que aconteceu o golpe de estado de extrema-direita em Santiago do Chile, liderado por Pinochet, em 1973. O grupo estava em Itália, país do qual fizeram a sua base de actuação até 1988, quando regressaram ao país-natal.
Cromo XXXVI.2 - Zulya
Mais um excelente exemplo de como se pode fundir a música tradicional com outras músicas - neste caso, o rock, o jazz, leves pitadas de electrónicas... - é o da espantosa cantora Zulya (aka Zulya Kamalova), de origem tártara e russa mas radicada na Austrália desde 1991. Na sua música - espalhada por álbuns como «Aloukie», «The Waltz of Emptiness (and Other Songs on Russian Themes)» ou «3 Nights» -, boa parte dela constituída por originais seus e dos seus companheiros nos Children of The Underground, há quase sempre ecos de uma música antiga, vinda das estepes, mas também uma modernidade assumida sem medos nem complexos. Ao longo da sua carreira tem colaborado com artistas como Bob Brozman, Nikola Parov, Slava Grigoryan, Sirocco, Llew Kiek e Epizo Bangoura, tendo também encetado parcerias com músicos aborígenes australianos.
Cromo XXXVI.3 - Ba Cissoko
A kora é um dos instrumentos musicais mais emblemáticos da cultura mandinga. Tocada há séculos por milhares de griots da África Ocidental, é um cordofone acústico, mágico, sagrado. Mas há quem se atreva a... electrificá-la e com isso a aproximá-la do rock e dos blues. Quem o faz são os Ba Cissoko, grupo liderado pelo intérprete de kora com o mesmo nome, Ba Cissoko, que canta e toca kora acústica e deixa para o seu primo Sékou Kouyaté a kora eléctrica. Os outros elementos deste grupo da Guiné-Conacri, Kourou Kouyaté (bolon e baixo) e Ibrahim Bah (percussões), contribuem para um som novo, cheio, arrebatador, em que as referências maiores são a música tradicional mandinga e... Jimi Hendrix. Não por acaso, o segundo (e extraordinário) álbum dos Ba Cissoko chama-se «Electric Griot Land» (2006), numa alusão directa a Hendrix. O álbum de estreia, «Sabolan», tinha sido editado em 2004.
Cromo XXXVI.4 - Kimmo Pohjonen
Ele tem um passado feito em grupos punk... e talvez assim se perceba toda a energia, fúria, inventividade, gosto em quebrar barreiras que ele tem. Ele, o acordeonista Kimmo Pohjonen (na foto, de Maxim Gorelik), é finlandês, nasceu a 16 de Agosto de 1964 e é um dos mais inclassificáveis artistas do circuito da chamada world music. E está tão à vontade neste circuito como poderia estar no do rock, do jazz de vanguarda, da música erudita contemporânea, da electrónica experimental. E como está, de facto! Hiper-activo, sempre inconformado e sempre à procura de novos sons, Pohjonen grava e apresenta-se a solo mas também com muitos outros projectos: Kluster (em duo com Samuli Kosminen), Uniko (os Kluster com o Kronos Quartet), KTU (com Pat Mastelotto e Trey Gunn, ambos dos King Crimson), Animator (com a videasta Marita Liulia), entre outros.
28 dezembro, 2007
Rabih Abou-Khalil, Mari Boine, Balanescu Quartet... - Os Primeiros Concertos de 2008
O ano de 2008 promete muitos e bons concertos, muitos e ainda melhores festivais. O 10º aniversário do FMM de Sines - que decorre de 17 a 26 de Julho e para o qual está já confirmada a presença dos congoleses Kasai Allstars -, o crescimento sustentado de outros festivais como o MED de Loulé ou o Intercéltico de Sendim, só para referir alguns dos mais óbvios, são garantias de doze meses de programação variada e rica de surpresas nestas «áreas» da world music, da folk e das músicas tradicionais. Mas, para já - e fazendo uso de informações já disponibilizadas pelas Crónicas da Terra -, para os primeiros meses do ano novo estão previstos concertos com o mestre do alaúde libanês Rabih Abou-Khalil (na foto), dia 18 de Janeiro no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e um dia depois, na Culturgest, em Lisboa; com a fabulosa cantora norueguesa Mari Boine (ver «Cromo» de há alguns dias neste blog), dia 15 de Fevereiro no Teatro Municipal da Guarda e um dia depois na Culturgest, em Lisboa; com o ecléctico quarteto de cordas Balanescu Quartet, também em Fevereiro, dia 7 no Centro Cultural de Belém, dia 8 no Theatro-Circo de Braga e dia 9 no Cine-Teatro de Alcobaça; e com o multi-instrumentista norueguês Karl Seglem, dia 15 de Maio, na Casa da Música, Porto. Lá mais para a frente, a Casa da Música recebe também a visita de outro colectivo congolês, os Konono Nº1, dia 29 de Junho, durante o Festival Mestiço, colectivo que se apresenta também em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, dia 1 de Agosto.
10 dezembro, 2007
Cromos Raízes e Antenas XXXIII
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo XXXIII.1 - Mari Boine
A extraordinária cantora norueguesa Mari Boine (nascida a 8 de Novembro de 1956, em Finnmark, Noruega) é, ao mesmo tempo que carrega consigo as tradições mais antigas do povo sami (a designação correcta dos lapões), uma criadora aberta a diversas influências - rock, jazz, electrónicas -, que inclui na sua música. Dona de uma voz moldada no estudo e na prática do canto yoik - comum ao povo sami, que se espalha pela Noruega, Finlândia, Suécia e Rússia -, Boine soube sempre fazer a ponte entre músicas diferentes e, sempre também, pôr o todo ao serviço da defesa do seu povo, vítima de abusos por parte das diversas autoridades escandinavas, à semelhança do que se passa com os índios da Amazónia e da América do Norte ou os aborígenes australianos. O seu primeiro álbum internacional, «Gula Gula» (1989), foi editado pela Real World e parte do mundo tomou conhecimento dela, e através dela, da música dos samis.
Cromo XXXIII.2 - Antibalas Afrobeat Orchestra
Grupo nova-iorquino, de Brooklyn, mas com músicos de várias origens, a Antibalas Afrobeat Orchestra (agrupamento também conhecido, simplesmente, como os Antibalas e, mesmo no início, como Conjunto Antibalas) foi formada em 1998 por músicos que tinham tocado na banda Africa 70 (do lendário Fela Kuti) e da Eddie Palmieri's Harlem River Drive Orchestra. E, naturalmente, a base da sua sonoridade é o afro-beat tal como desenhado por Kuti, mas integrando também outras influências (música mandinga, música cubana, funk, jazz, dub, hip-hop...). Incluindo nas letras dos seus originais fortes mensagens políticas - à semelhança do seu «mentor» nigeriano -, os Antibalas editaram o seu primeiro álbum, «Liberation Afrobeat Vol. 1», em 2000, ao qual se seguiram «Talkatif» (2002), «Who is This America?» (2004) e «Security» (2007), este último surpreendentemente produzido John McEntire (dos Tortoise).
Cromo XXXIII.3 - Nitin Sawhney
Nitin Sawhney (nascido em Rochester, Kent, em 1964) é inglês mas de origem indiana e um verdadeiro cidadão do mundo, no sentido em que busca inúmeras sonoridades para as incluir na sua música. Nitin é um mago das electrónicas mas também toca piano, guitarra clássica (chegou a estudar flamenco na sua juventude), sitar e tablas. É produtor, compositor, DJ, arranjador, remisturador... e sempre com um bom-gosto acima de qualquer suspeita. A sua chegada à alta-roda musical deu-se quando começou a fazer parte do grupo de acid-jazz The James Taylor Quartet, do qual saiu para formar a sua própria banda The Jazztones. Outro marco fundamental da sua carreira foi a colaboração com outra luminária, Talvin Singh, no Tihai Trio. Depois, chegou a fazer comédia - com sucesso - na BBC, antes de se ter lançado numa frutuosíssima carreira musical a solo, em 1993, com o álbum «Spirit Dance». Temas de Sting, Natacha Atlas, Nusrat Fateh Ali Khan ou Paul McCartney - que também canta num tema do seu último álbum, «London Undersound» (2008) - já foram remisturados por ele.
Cromo XXXIII.4 - Spaccanapoli
Spaccanapoli é a enorme avenida que separa Nápoles em duas metades. Mas é também o nome de uma banda musical que tem as suas origens longínquas num grupo operário de intervenção criado durante os anos 70, o ‘E Zezi, de Pomigliano D’Arco, onde se reuniam trabalhadores da indústria automóvel para fazer teatro, música, política... E a base teórica da sua música é a pesquisa exaustiva de canções tradicionais napolitanas, de outras regiões italianas e da bacia do Mediterrâneo. Mas dizer isso é dizer muito pouco para se caracterizar a música dos Spaccanapoli: uma música viva, pulsante, actualíssima. Formados por Marcello Colasurdo (voz e tammorra - uma enorme pandeireta), Monica Pinto (voz), Antonio Fraioli (violino e percussão), Oscar Montalbano (baixo e guitarra) e Emilio De Matteo (guitarra), os Spaccanapoli tiveram no seu álbum «Lost Souls - Aneme Perze», publicado pela Real World, um marco da folk europeia.
26 setembro, 2007
Júlio Pereira, Diabo a Sete e Stockholm Lisboa Project - As Viagens da Música Portuguesa
Uma nova fornada de discos portugueses ocupa hoje o - agora recuperado depois de uma intensa época de festivais - espaço de «crítica» discográfica do Raízes e Antenas: o novo álbum de Júlio Pereira e os álbuns de estreia dos Diabo a Sete (na foto; de Santos Simões) e do Stockholm Lisboa Project. Todos a porem a música portuguesa - de raízes variadas - em diálogo com outras músicas.
JÚLIO PEREIRA
«GEOGRAFIAS»
Som Livre/Valentim de Carvalho
DIABO A SETE
«PARAINFERNÁLIA»
Açor/Megamúsica
STOCKHOLM LISBOA PROJECT
«SOL»
Nomis Muzik
28 fevereiro, 2007
Cromos Raízes e Antenas XIII
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo XIII.1 - Salif Keita
O maliano Salif Keita (nascido a 25 de Agosto de 1949, em Djoliba) é na actualidade um dos mais famosos cantores e compositores africanos, com a sua junção única - e por vezes mal-amada - de música mandinga, pop, soul, funk, jazz, etc, etc... Mas a sua origem não fazia adivinhar uma carreira na música: nascido albino - sinal de azar e desgraças iminentes na sua região - e no seio de uma família nobre (Salif descende do fundador do Império Mandinga, Sundiata Keita), as suas ambições musicais foram no início tolhidas pela família, que via a música como uma actividade menor, reservada aos griots. Mas tudo muda quando, em 1967, se instala em Bamako e começa a actuar com grupos como a Rail Band (ao lado de Kante Manfila) e, na continuação, Les Ambassadeurs. Em 1984 muda-se para Paris e a sua carreira internacional cresce, fulgurante. Audições aconselhadas: «Soro», «Destiny of a Noble Outcast» e «M'Bemba».
Cromo XIII.2 - Värttinä
Grupo fundamental da folk escandinava, as finlandesas Värttinä iniciaram a sua carreira em 1983, em Raakkyla, na região da Karelia. Fundado pelas irmãs Sari e Mari Kaasinen (que continua a liderar o grupo), as Värttinä tiveram variadíssimas formações ao longo dos anos (chegaram a incluir um coro de 21 crianças), cantoras entraram e saíram, as portas abriram-se aos homens (actualmente, as Värttinä incluem seis músicos homens na sua formação), mas nunca perderam o contacto com a música tradicional da sua Karelia-natal, apesar de nos últimos anos a sua música se ter aproximado perigosamente da pop, principalmente quando o grupo trocou os temas tradicionais pelas suas próprias canções. Mais recentemente, trabalharam com o famoso compositor indiano A.R. Rahman (o mesmo da banda-sonora de «Quem Quer ser Bilionário») no musical «O Senhor dos Anéis». Audições aconselhadas: os álbuns «Värttinä» e «Oi Dai».
Cromo XIII.3 - Michel Giacometti
Às vezes, há estrangeiros que são mais portugueses do que muitos portugueses. E Michel Giacometti (na foto, durante as gravações com um gaiteiro) é disso um dos maiores e melhores exemplos. O etnomusicólogo corso (nascido em 1929, falecido em 1990) foi o responsável pela recolha de centenas de obras musicais portuguesas achadas nas aldeias de norte a sul do país, pela gravação de cantos, aboios, música de instrumentos em vias de desaparecimento, pela captação escrita e fotográfica de uma realidade e diversidade portuguesa riquíssima. Andarilho do mundo (Córsega, África, Suécia, Paris...), Giacometti fixou-se em Portugal em finais dos anos 50. Material de audição aconselhado: a caixa de CDs «Antologia da Música Regional Portuguesa» (em conjunto com Fernando Lopes-Graça), também conhecida originalmente, aquando da sua edição em vinil, como os «Discos da Serapilheira», e a histórica série televisiva «Povo Que Canta».
Cromo XIII.4 - Culcha Candela
Os Culcha Candela são um grupo multi-racial berlinense que se tem destacado com uma poderosa e irresistível mistura de hip-hop, reggae, música latina e dancehall. Cantando em três línguas - espanhol, alemão e inglês - os Culcha Candela formaram-se em 2002, tendo na sua formação os cantores e MCs Jonny Strange (Uganda), Mr.Reedoo (Alemanha), Larsito (Colômbia), Don Cali (Colômbia), Lafrotino (Colômbia) e Itchyban (Polónia) e o DJ Chino con Estilo (Coreia). Com uma fortíssima componente de intervenção política (vd. o seu DVD «Kein Bock auf Nazis», em que confrontam directamente os movimentos nacionalistas e neo-nazis alemães), os Culcha Candela são senhores de um culto cada vez mais alargado na Alemanha e noutros países europeus. Audições aconselhadas: os álbuns «Union Verdadera» e «Next Generation».
14 novembro, 2006
Mari Boine, Frigg, Suden Aika e Gjallarhorn - Auroras Boreais
A música folk escandinava assiste, desde há muitos anos, a uma constante renovação e reinvenção, sempre feita a partir das raízes mais profundas das suas músicas tradicionais mas sempre, também, com os olhos postos no futuro. Hedningarna, Garmarna, Vasen, Varttina e Kimmo Pohjonen são apenas alguns exemplos dessa revolução. Outros quatro nomes fundamentais - a veterana Mari Boine, os Gjallarhorn (na foto), as Suden Aika e os mais novinhos Frigg, todos com álbuns recentes - contribuem bastante para esta belíssima e eterna aurora boreal.
MARI BOINE
«IDJAGIEDAS»
Lean/Universal Music Norway
FRIGG
«KEIDAS»
North Side Records
GJALLARHORN
«RIMFAXE»
Vindauga Music/Westpark Music
SUDEN AIKA
«UNTA»
Zen Master/Rockadillo Records
Etiquetas:
Discos,
Frigg,
Gjallarhorn,
Mari Boine,
Música Escandinava,
Suden Aika
29 outubro, 2006
Cromos Raízes e Antenas II
Na ressaca da WOMEX, em Sevilha (notas soltas sobre os concertos do festival ficam prometidas para os próximos dias), este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo II.1 - Master Musicians of Jajouka
Circular, hipnótica, antiga, a música dos Master Musicians of Jajouka, das montanhas do norte de Marrocos, foi tema de análise por parte de escritores - Paul Bowles, Brion Gysin e William S. Burroughs (que deles disse serem uma «banda de rock'n'roll com quatro mil anos de existência») - antes de serem «mostrados» ao ocidente através de Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones, que editou o álbum «Brian Jones Presents The Pipes Of Pan At Jajouka» (1971). A partir daí têm editado regularmente até agora, inclusive um disco - «Master Musicians of Jajouka Featuring Bachir Attar» (2000) - em que experimentam cruzamentos da sua música com as electrónicas de Talvin Singh. Misto de música berbere e música árabe, os Masters Musicians of Jajouka usam como instrumentos primordiais a voz, percussões, flautas, a rhaita (gaita) e o guimbri (baixo acústico rectangular).
Cromo II.2 - Alan Lomax
O musicólogo e etnólogo norte-americano Alan Lomax (nascido a 31 de Janeiro de 1915; falecido a 19 de Julho de 2002) foi um dos mais importantes recolectores de música tradicional do século XX, tendo feito trabalho no terreno principalmente nos Estados Unidos, Ilhas Britânicas, Itália, Espanha e Caraíbas. Filho de John Lomax - que foi um dos pioneiros na recolha de canções tradicionais norte-americanas -, Alan seguiu os passos do pai e gravou milhares de temas musicais e entrevistas com músicos (Jelly Roll Morton, Leadbelly, Woody Guthrie...), tendo começado essa actividade com o registo de cantos de trabalhadores negros dos campos de algodão e de prisioneiros no Texas, Louisiana e Mississippi. Alan é também o autor de uma teoria de análise musical aplicada à música tradicional, «cantometrics», que ele desenvolveu a partir de 1959 em conjunto com o departamento de Antropologia da Universidade de Columbia.
Cromo II.3 - Hedningarna
Precursores de muitos dos projectos que cruzam a música tradicional com linguagens musicais mais recentes, o grupo sueco Hedningarna lançou em 1987 um explosivo cocktail que, ao longo dos anos, tem incluído música tradicional de várias regiões da Escandinávia (o grupo chegou a viver muito da criatividade de duas cantoras finlandesas e um cantor de yoik), rock e electrónicas. Construindo alguns dos seus instrumentos - réplicas de instrumentos antigos como a sanfona, moraharpa, nickelharpa ou gaitas-de-foles - e muitas vezes electrificando-os, os Hedningarna lançaram o seu primeiro álbum, homónimo, dois anos depois, e são considerados, mais que justamente!, o mais importante grupo folk da Escandinávia das últimas duas décadas. Outros álbuns aconselhados: «Kaksi!», «Trä» e «Karelia Visa».
Cromo II.4 - Didgeridoo
Inventado pelos aborígenes australianos, que o usam como instrumento de eleição para fins recreativos mas essencialmente em rituais religiosos, e agora adoptado por milhares de músicos em todo em mundo (nomedamente em inúmeras bandas rock e folk), o didgeridoo é um aerofone feito de madeira (maioritariamente de eucalipto), um tubo oco e comprido (entre um a dois metros de comprimento) que pode amplificar naturalmente a voz, que a transforma e que serve muitas vezes para criar drones (bordões) intermináveis. Há quem diga que é o instrumento de sopro mais antigo que se conhece, mas não há provas da veracidade desta afirmação embora estudos arqueológicos refiram a existência de didgeridoos desde há, pelo menos, mil e quinhentos anos.
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