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28 setembro, 2009

Há Saldos na VGM!


A VGM, na Rua Viriato (Picoas), em Lisboa, continua a ser a melhor loja de world music, música clássica, antiga e algum jazz e muito reggae de Lisboa. E, em início de Outono, volta a ter saldos bastante apetecíveis... Aqui fica a notícia do meu compincha das Crónicas da Terra:

«Discos Soul Jazz a preço de saldo na VGM (em Lisboa), até dia 10 de Outubro

A loja de discos VGM, que possui dos mais interessantes fundos de catálogo ao nível de música étnica, clássica, antiga e jazz, situada na Rua Viriato 12, em Lisboa (mesmo em frente ao edifício do Jornal Público), propõe a todos os seus clientes melómanos reduções entre 25% e os 52% em todos os títulos (editados até ao final de 2008) dos seguintes catálogos: Soul Jazz, World Circuit, Crammed Discs, World Music Network, Demon Music group, Sterns, Asphalt Tango, Dreyfuss Music, Network Medien, Roir, Ponderosa, Park,Topic, Alia Vox, Essay Recordings, Chesky, Arion, Knitting Factory, Nocturne, Sundance, Mr.Bongo, Materiali Sonori, Music and Words, Felmay, Picwick, Oriente, BMC, Cypres, Effendi, Magda, Voices Me, Sterns, Weatherbox e muitos outros, num total de mais de 150 etiquetas.

Jordi Savall, Peter Hammill, Hector Zazou, Bassekou Kouyaté, Buena Vista Social Club, Orchestra Baobab, Fanfare Ciocarlia, Etran Finatawa, Kroke, Cibelle, DJ Dolores, Shantel, Boom Pam, Bembeya Jazz, Waterson Carthy, Maddy Prior, Steelye Span, são alguns dos artistas cujas obras discográficas poder ser adquiridas a preços simpáticos, até ao próximo dia 10 de Outubro».

06 março, 2009

VGM - Muita World Music em Saldos!


A melhor loja de world music (e também de jazz e música erudita) de Lisboa, a VGM - que fica na Rua Viriato, nº 12, em Picoas - tem agora, e até dia 28 deste mês, mais de 150 títulos em saldos. Discos lançados até 31 de Outubro de 2008 por editoras como a World Circuit, Crammed Discs, World MusicNetwork, Demon Music Group, Sterns, Asphalt Tango, Dreyfuss Music, Network Medien, ROIR, Ponderosa, Park, Topic, Alia Vox, Essay Recordings, Chesky, Arion, Knitting Factory, Nocturne, Sundance, Mr.Bongo, Materiali Sonori, MusicandWords, Felmay, Picwick, Oriente, BMC, Cypres, Effendi, Magda, Voices Me e Weatherbox, entre outras, têm descontos entre os 25 e os 60 por cento. É de aproveitar, portanto!

25 fevereiro, 2008

Meredith Monk em Lisboa, Torres Vedras e Portalegre


A espantosa cantora Meredith Monk - uma das maiores aventureiras no desbravar dos limites da voz humana - vai regressar a Portugal para, pelo menos, três concertos: dia 26 de Abril no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, dia 30 de Abril no Teatro-Cine de Torres Vedras (onde também orientará um workshop, no dia anterior) e dia 1 de Maio no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Nestes concertos, Monk será acompanhada pelo Vocal Ensemble, agrupamento que reúne cantores de várias origens (Ásia, África, Europa e América Latina) e que domina várias técnicas vocais (do bel-canto ocidental à ópera chinesa e aos musicais da Broadway). O reportório dos concertos incluirá temas dos álbuns «Book of Days», «The Games», «Atlas», «Mercy» e do novo «Impermanence». Também para o CAE de Portalegre estão confirmados epectáculos de Señor Coconut and His Orchestra com Argenis Brito (dia 7 de Junho) e do enormíssimo John Cale (dia 17 de Maio), entre outros concertos bastante apetecíveis. Mais informações aqui, aqui e aqui.

15 fevereiro, 2008

Pelo Ensino da Música Com Qualidade - Duas Petições


Os factos são agora conhecidos de todos, mas se não for esse o caso, aqui ficam dois links que vos poderão elucidar: o blog Ideias Soltas e o site Meloteca. Ou então, basta ler o texto das duas petições que se seguem para se ficar a perceber o que se passa. Façam o favor de assinar.

PETIÇÃO 1


To: Presidência da República Portuguesa e Primeiro-Ministro de Portugal
Ex.º Senhor
Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Ex.º Senhor
Primeiro-Ministro de Portugal
Engenheiro José Sócrates


Nós, abaixo assinados, vimos, por este meio, sensibilizar Vs. Exs., enquanto representantes máximos de Portugal, para travarem, dentro do estrito respeito pela Vossas superiores competências, a pretensão do Ministério da Educação de alterar o Sistema Educativo Português, no que à Educação Artística diz respeito, nomeadamente ao Ensino Artístico Especializado, pelo facto de se basearem no relatório final de Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, que carece, por falta de rigor metodológico, de validada científica, seja por não englobar, na equipa que o elaborou nenhum artista ou professor de qualquer arte, nem ter realizado o trabalho de campo que se exigia como fundamento junto das cerca de 100 Escolas de Ensino Especializado de música, dança e teatro, públicas e privadas, reconhecidas e financiadas pelo próprio Ministério da Educação.

Considerando que entre as recomendações dos participantes da Conferência Mundial de Educação Artística promovida pela UNESCO, ocorrida em Lisboa de 6 a 9 de Março de 2006, podemos ler:

- Reconhecer o valor das práticas e projectos de sucesso na área da Educação Artística, desenvolvidos a nível local e culturalmente pertinentes. Reconhecer que os projectos futuros devem reproduzir as práticas de sucesso até agora aplicadas;

- Dar prioridade à necessidade de uma melhor compreensão e de um reconhecimento mais profundo por parte do público das contribuições essenciais dadas pela Educação Artística aos indivíduos e à sociedade;

- Traduzir a crescente compreensão da importância da Educação Artística na alocação de recursos suficientes de modo a traduzir os princípios em acção, criar um reconhecimento acrescido dos benefícios das artes e da criatividade para todos e apoiar a concretização de uma nova visão das artes e da aprendizagem;

- Estimular o desenvolvimento de estratégias de aplicação e de controlo com vista a garantir a qualidade da Educação Artística;

- Dar à Educação Artística um lugar central e permanente no currículo educativo, financiando-a adequadamente e dotando-a de professores competentes e de qualidade;

- Conceber políticas de investigação nacional e regional no domínio da Educação Artística, tendo em conta as especificidades das culturas ancestrais e dos grupos de populações vulneráveis;

- Garantir uma continuidade que vá mais longe do que os programas governamentais nas políticas públicas dos Estados sobre Educação Artística;

- Integrar as artes no currículo escolar e na educação informal;

- Tornar a Educação Artística disponível dentro e fora das escolas a todos os indivíduos, independentemente das suas aptidões, necessidades e condição social, física, mental ou situação geográfica.

Parece-nos que:

1 – Sem prejuízo da validade de outras formas de educação artística, as Escolas de Ensino Especializado representam, no seu todo, o projecto de sucesso mais bem conseguido em Portugal na área da Educação Artística, seja qualitativa seja quantitativamente;

2 – A retirada do financiamento prevista pelo Ministério da Educação ao ensino especializado no 1º ciclo às Escolas de Ensino Especializado é uma inadmissível medida socialmente discriminatória, que contribui para a não inclusão social, e que reduzirá drasticamente a qualidade da Educação Artística;

3 – a extinção prevista do regime supletivo pelo Ministério da Educação e a adopção do regime integrado não promove, de imediato, a almejada interacção de saberes e conhecimento pelo facto de, nem Pais, nem docentes de outras áreas de saber, nem alunos estarem preparados para valorizar a Educação Artística como tão fundamental para a formação de identidades nem para o desenvolvimento da Pessoa, exigindo-se por isso a manutenção do regime supletivo e uma aposta no regime articulado como preparação para um futuro regime integrado pleno de convicção e adesão social.

Nesta conformidade, vimos solicitar a V. Exs. para travarem qualquer alteração ao Ensino Artístico Especializado sem um prévio, mas cientificamente válido e profundo, estudo da Educação Artística em Portugal, elaborado por uma equipa com relevante experiência na área específica, que corresponda e dê resposta aos quesitos acima mencionados transcritos e internacionalmente aceites.

Assinar aqui.


PETIÇÃO 2

To: Ministério da Educação
Porque Não Podemos Concordar Com a Ministra da Educação
Por Uma Escola Pública de Qualidade

-Extinção do ensino musical especializado no 1º ciclo

Por decisão ministerial as escolas públicas de música (vulgo Conservatórios) vão ser impedidas de dar aulas ao 1º ciclo (chamados cursos de iniciação). Assim, os actuais e futuros alunos (dos 6 aos 9 anos de idade), se quiserem continuar a estudar música, terão de frequentar aquilo que o estado passa a oferecer gratuitamente, as actividades de enriquecimento curricular (AEC), o que representa passar de um currículo de 6 horas semanais com estudo individual de instrumento, orquestra, formação musical, coro e expressão dramática, para uma actividade de currículo ainda desconhecido, provavelmente com a duração de apenas duas horas semanais.

Se por acaso o aluno quiser continuar com a mesma formação que as actuais iniciações oferecem, terá de se inscrever numa escola particular, deixando de pagar a propina anual da escola pública (em Lisboa é de 45€) para passar a desembolsar grandes quantias em dinheiro.

Ao tomar esta atitude de alargamento da oferta de ensino musical através das AECs, e de inviabilizar o ensino do 1º ciclo (iniciações) nos Conservatórios, o Ministério impede o ensino especializado de oferecer um ensino de qualidade que visa o desenvolvimento da criança na idade ideal para o início da formação como instrumentista. (Suzuki, Gordon, Manturzewska, Lhemann, Schuter-Dyson, Sosniak, Bloom).

A razão pela qual se extingue o 1º ciclo das escolas públicas de ensino especializado de música não tem como finalidade uma verdadeira democratização do ensino musical, assumindo declaradamente uma componente apenas de formação genérica, visando competências diferentes das que actualmente os Conservatórios oferecem para estas cargas etárias. A verdadeira razão encontra-se sim na necessidade de libertar os docentes que actualmente leccionam as iniciações, procedendo ao seu despedimento e posterior reconversão para leccionarem as AECs, pelas quais serão remunerados abaixo do seu actual estatuto, pois o Ministério sabe que nem a médio prazo terá docentes em número suficiente para a tal generalização do ensino da música ao 1º ciclo.

Trata-se pois apenas de uma operação de engenharia financeira sem ter em conta a degradação de qualidade que este novo sistema irá introduzir no ensino da música. Este novo sistema irá produzir indubitavelmente efeitos perversos e anti-democráticos pois terão naturalmente preferência na admissão às escolas públicas (a partir do 2º ciclo) aqueles candidatos que demonstrem maiores competências, competências essas que passarão a ser exclusivo do ensino particular a preços elevados. Haverá um favorecimento daqueles que têm maior capacidade económica para proporcionarem essa formação aos seus filhos em detrimento da criança de meios sócio - económicos mais desfavorecidos.
Não se deve, com o pretexto da criação de um ensino generalizado da música, extinguir o ensino vocacional (especializado).

-Regime de Frequência Supletivo
Sua Extinção

Com a intenção de reduzir a frequência destas escolas apenas ao regime integrado, será negada a existência tanto do regime supletivo como do articulado.
O regime articulado permite às famílias organizar a formação dos seus educandos através de uma articulação de tempos lectivos e de escolas, nomeadamente permitindo a escolha da escola básica e a gestão do seu currículo.
Simultaneamente, o regime supletivo permite às famílias escolherem as escolas e sobretudo ao aluno não ter que ficar agarrado apenas à opção música, realizando dois percursos paralelos até que a sua decisão de formação esteja definida.

Com especial furor ataca o Ministério da Educação o regime de frequência supletivo. Este regime de frequência caracteriza-se por permitir ao aluno frequentar as disciplinas musicais no Conservatório e as do ensino geral na escola de sua escolha. Afirma o Ministério que este regime de frequência se caracteriza por ser um ensino avulso no qual o estudante poderá ele próprio compor o seu currículo, sem obrigação de nenhum tipo de regras de precedências, podendo eternizar a sua presença na escola. Mais afirma o Ministério que o regime supletivo não permite uma certificação no final do ensino secundário visto o aluno poder optar por um diploma de ensino secundário de outra vertente, naquela em que frequenta as disciplinas não musicais. Não havendo certificação, não há sucesso escolar, conclui sem mais nem menos o Ministério. Para a 5 de Outubro os Conservatórios não formam alunos.

Vejamos o que realmente caracteriza este regime de frequência, aquele que é escolhido pela grande maioria dos alunos e encarregados de educação:

1º - Os alunos do regime supletivo são obrigados até ao final do 3º ciclo a frequentarem exactamente o mesmo nº de disciplinas que os alunos dos outros regimes, a saber: integrado e articulado. Obedecem às mesmas regras de precedência e de estudos.

2º - Durante o ensino secundário nesta escola, são obrigados a frequentar anualmente pelo menos três disciplinas, a saber, instrumento, formação musical e classe de conjunto. Também aqui o aluno não pode frequentar apenas uma só disciplina.

3º - O aluno do regime supletivo raramente obtém um diploma secundário de música pois já o obteve ou vai obter na via e curso que frequentou na outra escola secundária onde realizou a formação não musical.

4º - Não. O facto de se emitirem poucos diplomas secundários de ensino da música não é sinónimo de insucesso escolar, pois não exigindo o ensino superior da especialidade nenhuma classificação específica do ensino secundário de música, o aluno prefere fazer uma preparação paralela num curso científico-humanístico e logo que se sente preparado concorre para o ensino superior de música ou sai para a vida profissional. Será necessário deixar aqui claro que para se exercer uma profissão no campo da música, os diplomas não são necessários pois as pessoas têm que passar uma audição pratica para obterem o lugar. A única ocasião de que precisam de um diploma é para seguirem a carreira de ensino e para esta necessitam sim do diploma mais qualificado que é o do ensino superior e não o secundário.

5º - Provando que a não obtenção de diploma secundário de música não é sinónimo de insucesso escolar poderemos verificar que só na Escola de Música do Conservatório Nacional nos últimos seis anos 125 alunos seguiram os seus estudos superiores e cerca de 183 alunos foram para a vida profissional, ou seja a Escola foi o veículo escolhido pelos alunos para lhes dar a formação necessária para seguirem carreira. O Ministério deveria encontrar uma solução para este problema da certificação e não limitar-se pura e simplesmente a acabar com o regime de frequência supletivo.


6º - A verdadeira razão porque se acaba com o ensino supletivo e se recomenda que nas escolas públicas apenas se pratique o regime integrado está agora à vista, quando sabemos que o interesse fulcral da Ministra da Educação é a extensão das AECs vertente música, a todas as escolas do 1º ciclo. Para isso necessita de docentes. A Srª Ministra sabe que só assim obterá escolas muito mais pequenas implicando o despedimento de professores a nível dos 2º , 3º ciclos e secundário. Estes docentes servirão naturalmente para ministrarem as AECs.

7º - É fundamental que os Pais e Encarregados de educação percebam que a coberto de uma pseudo “democratização” do ensino da música se vai na realidade reduzir a prática musical apenas às AECs, e sobrecarregar as finanças familiares se se optar por prosseguir com uma formação específica agora apenas numa escola privada. De notar igualmente que com a extinção do regime supletivo se está a obrigar muito mais cedo o encarregado de educação a tomar a opção de uma carreira para o seu filho, visto só ser possível o ensino integrado nas escolas públicas, o que é obviamente difícil e claramente indesejável.

8º - É ainda preciso considerar o curso de canto, frequentado totalmente em ensino supletivo por alunos maiores de 17 anos, de acordo com as regras até hoje em vigor e definidas em Regulamento Interno, cuja viabilidade continua por discutir.

Pelo que foi dito nos números anteriores, poderemos afirmar que o regime de frequência supletivo é credível e formador de músicos em igualdade de circunstâncias com qualquer outro regime de frequência, e que a sua diabolização pelo Ministério obedece apenas a interesses de ordem financeira e não pedagógica.
Estamos ainda a cercear o direito de escolha dos encarregados de educação.

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20 dezembro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXXIV


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXIV.1 - Mikis Theodorakis


O fascínio que a música tradicional dos seus locais de origem provoca em compositores eruditos é, se não banal e habitual, pelo menos comum a muitos deles e das mais variadas origens. Pense-se em George Gershwin, em Béla Bartók, em Manuel de Falla ou em Fernando Lopes-Graça... E pense-se, aqui, em Mikis Theodorakis, o compositor grego que tem na música do seu país - e de países à volta, como a Turquia e as regiões dos Balcãs - o mote principal para muitas das suas obras. Nascido a 29 de Julho de 1925 na ilha de Chios, Grécia, desde muito cedo o jovem Mikis se deixou conquistar pela música popular e pelos cantos polifónicos da igreja ortodoxa. Exilado em Paris devido ao seu activismo político, começou a desenvolver um riquíssimo reportório que, ao longo da sua vida, se revelou em sinfonias, óperas, cantatas, concertos para piano, partituras para bailado e filmes (a música para «Zorba, O Grego» e «Serpico» ficarão como marcas indeléveis do seu génio).


Cromo XXXIV.2 - Zap Mama


O excelentíssimo grupo afro-belga Zap Mama, liderado por Marie Daulne (na foto), é um dos melhores exemplos de como - a partir da voz, e de muitas vozes femininas em polifonias e harmonias africanas - se pode fazer a ponte entre músicas tradicionais e músicas apanhadas nas ondas do éter: o rock, o reggae, o hip-hop... Marie Daulne, nascida no Congo, criada na Bélgica, formada musicalmente no cadinho efervescente de Londres e ideologicamente quando fez uma longa viagem ao Congo e a outros países de África, e as suas companheiras (e os seus companheiros) de jornada, deram e dão ao mundo uma música viva, actual, fundada em raízes antigas mas com as antenas apontadas ao presente e ao futuro das músicas. No início (o álbum de estreia, «Adventures in Afropea» é de 1993) as Zap Mama eram um grupo a capella, mas há muito tempo que são outra coisa: muitas vozes e muitos instrumentos directamente ligados ao Céu.


Cromo XXXIV.3 - Gotan Project


Tendo como inspiração para o seu nome o calão da bandidagem de Buenos Aires, os Gotan Project («gotan» são as sílabas de «tango» ao contrário, tal como no referido calão, o vesre - ou «revés» ao contrário! - «madre» é «drema» e «carne» é «necar»), têm base em Paris mas como inspiração maior o tango e as milongas. E é um dos mais importantes - e o primeiro a ser massivamente conhecido na Europa e Estados Unidos - projectos a fundir a música urbana argentina com sonoridades contemporâneas, nomeadamente com uma fortíssima componente electrónica. Nascidos em Paris, em 1999, os Gotan Project são formados pelo francês Philippe Cohen Solal, pelo argentino Eduardo Makaroff e pelo suiço Christoph H. Müller, que editaram um ano depois o álbum «Vuelvo Al Sur/El Capitalismo Foraneo». Mas foi com «La Revancha del Tango» (2001) que se tornaram internacionalmente conhecidos.


Cromo XXXIV.4 - Stomp


Break-dance, tambores vagamente taiko/vagamente japoneses, danças e percussões africanas e brasileiras, os ritmos industriais dos Test Dept e dos Einsturzende Neubauten do início, vassouras, esfregonas e baldes de lixo usados como instrumentos musicais, o «Singin' In The Rain» tal como se tivesse sido coreografado por replicants do «Blade Runner», o corpo humano como uma imensa caixa-de-ritmos... Tudo isto - e mais, muito mais! - são os Stomp. Grupo alargado - neste momento são, aliás, vários grupos com o mesmo nome - de dançarinos, percussionistas, actores e acrobatas, todos irmanados numa missão comum, os Stomp são uma fabulosa ideia de espectáculo nascida em Brighton, Inglaterra, que já originou filmes, discos, anúncios de televisão... Mas é ao vivo que a arte total - só lá faltam as palavras, que, vendo bem, não fazem falta nenhuma - deste colectivo pode ser mais bem apreciada.

18 outubro, 2007

Tinariwen e Vieux Farka Touré - O Deserto Aqui Tão Perto


E mesmo que não se possa ir ao deserto, o deserto pode vir até nós: é já amanhã, dia 19, que a fabulosa banda de músicos tuaregues Tinariwen (na foto) regressa a Lisboa para um concerto integrado na extensão que passa pela Europa e pelos Estados Unidos do Festival au Désert. Mas, como é sabido, não vêm sozinhos: na primeira parte terão o músico e cantor maliano Vieux Farka Touré, filho de Ali Farka Touré mas já senhor de uma voz própria e que o destaca da sombra tutelar do seu pai. Prevê-se mais uma noite inesquecível de música africana, desta vez no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, num fim-de-semana a que o CCB chama 3=6 (3 Dias, 6 Concertos, Muitas Músicas) e que inclui ainda espectáculos do flautista português Rão Kyao acompanhado pelo intérprete chinês de peipá Yanan (amanhã, no Pequeno Auditório), da pianista clássica Anne Kaasa (sábado, no Pequeno Auditório), do pianista de jazz Chick Corea (sábado, no Grande Auditório), do fadista Pedro Moutinho (domingo, no Pequeno Auditório) e da pop inteligente e encantatória do antigo vocalista dos Japan, David Sylvian (domingo, no Grande Auditório). Ainda antes do concerto em Lisboa, os Tinariwen e Vieux Farka Touré apresentam-se hoje, dia 18, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

04 junho, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXI


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXI.1 - Orchestra Baobab



O mbalax pode ser o género musical mais conhecido do Senegal (via artistas como Youssou N'Dour), mas antes do mbalax emergir como forma dominante neste país africano, outras músicas e outros músicos protagonizaram a cena musical senegalese. E à cabeça de todos eles estavam os fabulosos músicos da Orchestra Baobab, fundada em Dakar nos idos de 1970 por músicos de várias origens étnicas e nacionais, que deram uma enorme riqueza e variedade estilística ao som do grupo: das harmonias e ritmos de Casamance à música mandinga e à música cubana, tudo movido a percussões, metais e guitarra eléctrica. Com uma vasta discografia em LP gravada nos anos 70 e inícios dos anos 80 - cerca de vinte álbuns -, o grupo desmembra-se em 1985 para reemergir no início do novo milénio, já depois da reedição de sucesso do álbum «Pirate's Choice», e ainda a tempo de editar um fabuloso novo álbum: «Specialist In All Styles».


Cromo XXI.2 - Totó La Momposina



A cantora Totó La Momposina (de seu verdadeiro nome Sonia Bazanta Vides) nasceu na Colômbia, na ilha de Mompóx, distrito de Bolivar, no seio de uma família dedicada à música havia várias gerações. Quando? Não se sabe e não interessa. O que interessa mesmo é que esta senhora madura tem uma voz sublime, potentíssima, de uma riqueza tímbrica inesquecível. E que é ela a responsável máxima pela recuperação da tradição da música de raiz africana - geralmente movida a inúmeros tambores - na Colômbia, associando-a a ritmos indígenas e à música popular latino-americana em geral. O seu percurso internacional tem várias etapas, todas elas memoráveis - como a actuação na gala dos Prémios Nobel, em 1982, quando Gabriel Garcia Marquez recebe o Nobel da Literatura, ou quando edita o álbum «La Candela Viva», em 1992, através da Real World, o mesmo ano em que participa na Expo de Sevilha.


Cromo XXI.3 - Kronos Quartet



Prova insofismável de que a música não tem fronteiras nem deve ter, nunca!, passaportes ou vistos de permanência, o quarteto de cordas norte-americano Kronos Quartet, fundado em 1973 pelo violinista David Harrington, tem passado a sua carreira a interpretar peças de compositores de música erudita, de jazz, de rock e de inúmeros nomes da chamada world music. E também a tocar com muitos deles, em estúdio ou ao vivo. Nas pautas e nas colaborações do Kronos podem conviver, lado a lado, Philip Glass e Ástor Piazzolla, Arvo Pärt e Jimi Hendrix, Steve Reich e Carlos Paredes, Björk e os Taraf de Haidouks, Television e Thelonious Monk, Tom Waits e Asha Bhosle, Modern Jazz Quartet e Rokia Traoré, Amon Tobin e John Zorn... Neste momento, o Kronos é composto pelos violinistas David Harrington e John Sherba, o violetista Hank Dutt e o violoncelista Jeffrey Zeigler.


Cromo XXI.4 - Greentrax Recordings



A Greentrax Recordings é a maior editora de música folk escocesa - desde a mais tradicional a experiências de fusão com outras músicas - e um belíssimo exemplo de como a vontade de uma só pessoa pode mover montanhas (e não, não é piada às Highlands) e fazer a música de um país avançar para o futuro. A Greentrax foi fundada em 1986, em Edimburgo, por Ian Green - daí Green...trax -, um antigo jardineiro e polícia (durante trinta anos). E foi com a reforma que recebeu do seu trabalho na polícia que Green investiu na editora, com os resultados que se conhecem: mais de 200 álbuns, ao longo de vinte anos, de artistas escoceses - compositores, bandas de gaitas-de-foles, jovens grupos que fundem música «celta» com outros géneros (os Salsa Celtica e os MacUmba, por exemplo) - e também de outras zonas do globo como a Irlanda ou os Estados Unidos; sem esquecer inúmeras compilações de sucesso.

11 abril, 2007

(Steel) Drumming Interpreta José Afonso



É um projecto originalíssimo: o colectivo de música erudita Drumming vai fazer uma extensa digressão com o espectáculo «Steel Drumming Toca Zeca Afonso», em que o grupo - rebaptizado Steel Drumming porque vai apenas usar as steel drums tradicionais de Trinidad e Tobago - interpreta temas de José Afonso, acompanhado pelos cantores JP Simões, Miguel Guedes (dos Blind Zero, aqui a cantar, claro, em português) e a cantora de jazz Sofia Ribeiro - sempre só um deles em cada espectáculo. Os temas têm arranjos de Mário Laginha, António Augusto Aguiar, Pedro Moreira, Bernardo Sassetti, Vasco Mendonça e Telmo Marques e, para além das versões de temas de José Afonso, o espectáculo incluirá ainda peças originais inspiradas na obra do autor de «Cantigas do Maio» compostos por Nuno Côrte-Real, Carlos Guedes e Jeffery Davis. O Steel Drumming - formação composta pelos percussionistas Rui Rodrigues, Paulo Costa, João Tiago, Juca Monteiro e António Sérgio - e os cantores convidados estreiam o espectáculo no Porto (Casa da Música, 25 de Abril) e apresentam-no depois em Faro (Teatro Municipal, 27 de Abril), Sines (Centro de Artes, 28 de Abril), Lisboa (Centro Cultural de Belém, 30 de Abril), Alcobaça (Cine-Teatro, 1 de Maio), Entroncamento (Cine-Teatro S. João, 5 de Maio), Palmela (Cine-Teatro, 12 de Maio), Seixal (Fábrica Mundet, integrado no Festival Portugal a Rufar, 2 de Junho) e Estarreja (Cine-Teatro, 17 de Junho). Mais informações aqui.