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02 maio, 2011

Mayra Andrade no Coliseu dos Recreios (e Com Convidados Muito Especiais!)


A bela da notícia, em bruto mas com tudo o que há para saber:

"Para o concerto que a vai levar uma vez mais até à sala de todas as consagrações, o Coliseu dos Recreios, onde se apresenta a 3 de Junho, Mayra Andrade convidou uma verdadeira constelação de estrelas nacionais: Bernardo Sassetti, Carlos do Carmo, Carlos Martins, Tereza Salgueiro e Tito Paris irão subir ao palco para partilharem com a maior estrela de Cabo Verde da actualidade um momento de profunda intimidade, reforçando os laços que esta cantora sempre afirmou ter com o nosso país.
Neste novo espectáculo, Mayra aproxima-se mais do seu último disco, 'Studio 105', e com uma formação mais acústica que lhe permite mergulhar nas suas raízes culturais de Cabo Verde promete viajar pelos momentos mais altos da sua carreira e ainda apresentar algumas surpresas que certamente obrigarão esta noite a ficar na memória de todos os que a ela tiverem o privilégio de assistir.
Mayra apresentar-se-á ainda no Encontro de Culturas em Serpa, a 8 Junho, no Casino da Figueira a 9 Junho e no Centro de Espectáculos de Tróia a 10 de Junho"

28 março, 2011

Kretcheu - Agora com Casa Própria


Uma bela notícia: depois de várias festas e concertos em diferentes locais de Lisboa, a Kretcheu -- agora Associação Cultural Kretcheu --encontrou finalmente um poiso certo. E ainda por cima na Bica, ondde ali perto se pode beber o melhor grogue de Lisboa! Há festa. claro. Aqui seguem o excelente cartaz e o comunicado:

"E porque já andávamos à procura de um espaço só nosso, finalmente encontrámos a nossa "casa" perfeita! Dia 31, Quinta-Feira, contamos com a presença dos nossos amigos para a inauguração e festejarmos juntos já sermos uma Associação Cultural - A ACK. A partir das 22h00, uma grande noite com grandes convidados e a nossa banda residente, Calú Moreira, Nandocas, Vaiss, Toy Vieira e Kau Paris e os convidados Aires Silva, Ana Firmino, Dany Silva, Mário Rui e Sandra Horta, num noite muito especial. A Guest List abriu, agora é só enviar mail com os vossos nomes!
ENTRADA LIVRE
ACK- Rua das Chagas, 33 (Perto do Largo Camões)"

30 novembro, 2010

Mais Cinco Mergulhos na Música Cabo-Verdiana


Novamente recuperados do "acervo" de textos escritos há vários meses para a Time Out, aqui deixo críticas a discos de Cesária Évora, Bau, Vasco Martins, Mário Lúcio e Carmen Souza (na foto, de Patrícia Pascal), e ainda uma entrevista com esta magnífica cantora radicada em Londres. Com todos eles a provar, se tal fosse preciso, como são diversos os caminhos da música de Cabo Verde.



Cesária Évora
"Nha Sentimento"
Lusáfrica/Tumbao

No limiar dos 70 anos de idade, Cesária Évora aparece neste "Nha Sentimento" renascida – e, se calhar, “renascer” é a palavra correcta se pensarmos que sofreu um AVC antes de iniciar as gravações do álbum - e com o grão da sua voz num pico elevadíssimo! Com canções escritas, quase todas, por Manuel de Novas (recentemente falecido) e Teófilo Chantre, "Nha Sentimento" mostra a voz de Cesária a voar livremente sobre dançantes coladeiras - que estão aqui em maioria - infectadas pelo samba e por ritmos cubanos, para além de algumas belíssimas mornas que contam com um ás de trunfo: uma orquestra de cordas egípcia, fazendo a ponte entre a música cabo-verdiana e a música árabe. E curiosamente (ou talvez não), uma delas, “Vento de Sueste” chega, via instrumentos árabes, ao... fado. *****



Bau
"Café Musique"
Lusáfrica/Tumbao


Bau (pseudónimo de Rufino Almeida) é um dos mais importantes, versáteis e talentosos músicos cabo-verdianos. Multi-instrumentista, brilhante no violino, na guitarra e no cavaquinho, Bau já foi o director musical de Cesária Évora durante alguns anos e a sua música foi usada em coreografias de Pina Bausch e filmes de Pedro Almodovar. E, agora, edita esta colectânea que é bem o espelho de uma carreira coerentíssima em que a sua música, sempre instrumental, faz a ponte entre a música cabo-verdiana e outras músicas – a mazurka do norte da Europa (“Mazurka”), os Andes (“Blimundo”), o flamenco (“Ilha Azul”) ou, muitas vezes, os fados que se escondem nas mornas e vice- versa (p. ex., “Som di Nha Esperança” e “Pescador”). Para provar que não há só boas vozes em Cabo Verde. ****



Vasco Martins
"Li Sin"
Lusáfrica/Tumbao

Começa a ouvir-se o novo álbum do músico e compositor Vasco Martins e quase que duvidamos que este disco saia de uma editora de world music, mesmo que essa editora seja a prestigiadíssima Lusáfrica (Cesária Évora and so on, passe o anglicismo). Preconceito? É, pois! É que "Li Sin" bem poderia sair de uma Deutsche Grammophon (clássica, pois) ou de uma ENJA (jazz sofisticado, pois)... Mas, avança-se na audição do disco e percebe-se mais uma vez que a música de Vasco Martins (ele que tem sangue misto, luso e cabo-verdiano) quebra todos os preconceitos e avança, firme, na criação de um corpus sinfónico – digamos assim, por facilidade – que deve tudo ao sal, ao fogo e a todos os santos que fazem de Cabo Verde uma paisagem (musical, cultural e humana) única. Belíssimo! ****

Mário Lúcio
"Kreol"
Lusáfrica/Tumbao

Fundador dos Simentera, poeta e político – e por isso mesmo – com uma voz activa na realidade cabo-verdiana, o cantor e compositor Mário Lúcio foi também deputado, membro do governo (na área da cultura) e embaixador do governo de Cabo Verde. Mas a música, no que tem de (en)canto e paixão, sempre foi o seu natural amor primeiro. Já foi assim em "Mar e Luz" (trocadilho fonético com o seu nome), em "Badyo" e, ainda mais, neste "Kreol", onde Mário Lúcio reinventa o perdido conceito de balada (em quase todo o mundo a balada é uma lamechice pegada, nele é todo um novo género musical a descobrir!) e assina duetos memoráveis e históricos com o maliano Toumani Diabaté, os portugueses Pedro Jóia e Teresa Salgueiro, o brasileiro Milton Nascimento ou o norte-americano Harry Belafonte. Maravilha! *****



Carmen Souza
"Protegid"
Galileo

É um prazer enorme verificar como a nova geração de cantoras cabo-verdianas – e refiro-me aqui às mais conhecidas, Sara Tavares, Lura, Mayra Andrade e Carmen Souza – está, cada vez mais, a abrir caminhos novos e muito diferentes para a música das ilhas. No caso de Carmen, a opção –- coerente e absolutamente consistente -– é, na maior parte das vezes, levar as mornas, as coladeiras, os funanás ou as mazurkas para o jazz (norte ou latino-americano – não por acaso, Omar Sosa é um dos convidados de honra), através da sua voz originalíssima e da instrumentação – vf., por exemplo, na surpreendente versão de “Sodade”. Mas também há experiências ainda mais radicais como o arrepiante “Mara Marga”, com uma dupla palestiniana presente neste tema: Adel Salameh (oud) e a cantora Naziha Azzouz. ****


Sob o Foco
Carmen Souza

Com canções que viajam livremente entre Cabo Verde, o jazz e outros mundos, Carmen Souza é uma das vozes mais originais da nova música cabo-verdiana. Em conversa com António Pires, ela fala do novo álbum e dos concertos que aí vêm.

Como é que te situas, musicalmente, entre a tradição cabo-verdiana e as outras músicas que fazem a tua música?

Há géneros que são absolutamente tradicionais, como a morna – ou o fado -, mas há sempre uma vontade de evoluir. No meu caso, nesse evoluir não se altera nada da estrutura, da essência, mas evolui-se para algo de diferente. Neste disco, "Protegid", transformei uma morna num jazz-swing e, para quem esteja a ouvir de forma desatenta, até é capaz de pensar “isto é um standard de jazz”...

Estás a falar da tua versão do “Sodade”.

Sim, mas quem ouvir detalhadamente, aquilo que está por trás é uma morna. Tento sempre dar o meu cunho pessoal àquilo que eu faço e aí o jazz é uma presença real. No caso do “Sodade”, estava com o pianista Victor Zamora e quisemos dar a esta morna algo de Brad Mehldau ou de Bill Evans...

Tu escreves as letras, és cantora, tocas guitarra e órgão. É importante juntares isso tudo?

Eu quero ser sempre muito verdadeira, muito fiel àquilo que eu sou. E as minhas letras reflectem sempre o que se passa comigo e à minha volta. O título do álbum tem a ver com isso: eu sinto-me protegida e sinto o dever de proteger, alertando as pessoas e levando-lhes uma mensagem de paz. E não me vejo como cantora, mas como músico, porque a minha voz é muito mais instrumental do que cantada. Na minha voz sou muito mais influenciada por solos de piano ou de trompete do que por formas de cantar.

A quase totalidade da música, por sua vez, é composta pelo Theo Pas'cal...

Sim, estamos os dois em Londres há dez anos a desenvolver este projecto, ele é fundamental para isto tudo e já não conseguimos deixar de estar nos projectos um do outro. Ele é do Algarve e, para o futuro próximo, estamos a pensar num trabalho em que juntamos o sul de Portugal, o norte de África e Cabo Verde.

Neste disco já tens, pelo menos, um oud (alaúde árabe)...

Sim, tocado pelo Adel Salameh, que é palestiniano. Acredito que há ligações entre a música cabo-verdiana e a música árabe, assim como já me disseram que os primeiros escravos que chegaram a Cuba eram cabo-verdianos e daí haver semelhanças entre a música cubana e a música cabo-verdiana.

Aliás, para além do Victor Zamora, que é cubano, no disco também tens a presença do grande pianista Omar Sosa...

Sim, e de muitos outros músicos, como o acordeonista francês Marc Berthoumieux, os Tora Tora Big Band e tantos outros que fomos encontrando pelo caminho.

04 agosto, 2009

Lura, Mayra Andrade e Sara Tavares - Cabo Verde É Mais Feminino!


Há alguns meses, na «Time Out Lisboa», publiquei as minhas impressões sobre os novos álbuns de três cantoras da nova geração cabo-verdiana: Lura (na foto, de Ernest Collins), Mayra Andrade - sobre a qual faço aqui um pastiche de dois textos sobre o disco - e Sara Tavares. Uma geração d'ouro!

Quando a Morabeza Rima Mais Com Beleza

De uma vez só, são editados quase ao mesmo tempo os novos álbuns das três mais importantes novas cantoras cabo-verdianas: Lura, Sara Tavares e Mayra Andrade. António Pires ouviu-os.

Durante muitos anos - a bem dizer, cerca de três décadas (as de 70, 80 e 90 do Séc. XX) - as maiores embaixadoras da música cabo-verdiana foram Cesária Évora, Titina, Celina Pereira, Ana Firmino, Herminia e Teté Alhinho (nos Simentera ou a solo), sem desprimor para as que não cito aqui. Todas elas com uma obra discográfica extraordinária, principalmente se pensarmos que todas elas são de um país pobre, africano, periférico e insular. E se pensarmos, igualmente, que o fenómeno e o alargamento do circuito da chamada world music só aconteceu dez ou vinte anos depois de terem começado a sua carreira. Talvez por isso, só Cesária Évora apanhou esse apetecido comboio da world music e tornou-se, por direito e talento próprios, uma das grandes divas desse circuito, alargando o caminho para quem veio a seguir.

Agora, abertas que estão desde há muito as portas do mundo à música cabo-verdiana, três novas cantoras têm emergido - e também com inteira justiça - nesse mundo imenso das "músicas do mundo": Lura, Sara Tavares e Mayra Andrade, que têm em comum com as da geração anterior o mesmo amor pela música de raiz cabo-verdiana mas, em todas elas, outros amores com vista para outras músicas.

Comecemos por Lura: iniciando a sua carreira com uma ligação óbvia a Cabo Verde mas também fortemente seduzida por géneros norte-americanos, Lura acertou em cheio com o caminho a seguir nos álbuns "Di Korpu Ku Alma" e "M'bem di Fora", onde pegou em géneros tradicionais cabo-verdianos para os unir com consistência a géneros exteriores. No novo disco, "Eclipse" (Lusáfrica/Tumbao; *****), Lura continua a mesma via mas com uma consistência e coerência ainda maiores. Interpretando temas de compositores como Mário Lúcio, Toy Vieira, Orlando Pantera, B.Leza ou Valdemiro Ferreira, a cantora tem neste álbum momentos absolutamente fabulosos como o festivo batuque de "Tabanka", a morna (enfeitada, e tão bem!, com guitarra portuguesa) "Eclipse", "Maria" (com uma guitarra eléctrica deliciosa que vai ao zouk, ao highlife e à marrabenta) ou o surpreendente electro-tango de "Canta Um Tango". É o melhor disco deste lote.

A seguir, Sara Tavares: outro exemplo de uma cantora, e neste caso compositora, que se aproximou gradualmente da música das suas raízes, Sara Tavares chega a "Xinti" (World Connection/Megamúsica, ****) com um léxico musical e lírico perfeitamente apurado e em que a sua paixão pelo gospel, soul, funk ou reggae - e a sua aproximação aos géneros cabo-verdianos - está agora tão personalizada que já não se reconhece facilmente o que está na base de cada uma das suas canções. São canções dela, só dela; e isso é bom. Acompanhada por uma equipa de luxo (no disco estão João Paulo Esteves da Silva, Boy Gê Mendes, Rão Kyao, Jon Luz, N'du, Ciro Bertini, José Salgueiro...), Sara Tavares não tem em "Xinti" momentos pontualmente tão brilhantes quanto em "Balancê" mas tem aqui o seu pico de coerência artística e autoral.

Finalmente, refira-se que Mayra Andrade conseguiu, em "Stória, Stória" (Sony Music; ****), superar a difícil etapa do segundo álbum - e mais difícil ainda para quem tem um primeiro álbum absolutamente brilhante! - e voltar a surpreender. Há alguns álbuns de estreia que valem por uma carreira inteira. "Navega", o primeiro álbum da cantora (e compositora) cabo-verdiana Mayra Andrade, é um desses raros exemplos. E, de tão perfeito que é, quase que se desejaria que ela nunca gravasse mais nada e ficasse para sempre agarrada a essas canções, as maravilhosas canções de "Navega". Mas não; depois do merecido sucesso do primeiro álbum, a jovem Mayra lançou-se ao mundo e deu concertos em todo o lado, ganhou prémios e galardões, foi aplaudida pela melhor crítica de world music. E, agora, edita o seu segundo álbum, "Stória, Stória", prova de fogo em que passa mais uma vez com distinção: faltam lá canções de Orlando Pantera - que deram a "Navega" uma outra dimensão - mas estão lá várias canções compostas por Mayra, a revelação na escrita de canções que é Celina da Piedade (ex-Uxu Kalhus, Cinema Ensemble...), Mário Lúcio, Djoy Amado, o israelita Idan Raichel... e a produção de Alê Siqueira, arranjos de Jaques Morelenbaum, canções que remetem para valsas parisienses e o son cubano, mornas e bossinhas-novinhas, jazz e coladeiras, sambas e batuques, festa única e exemplar de muitas músicas que, se calhar, foram criadas para serem assim, um dia, misturadas. Com a voz de Mayra, uma voz rara e preciosa, a coroar todas as canções.

25 março, 2009

Ferro Gaita - O Melhor Funaná no Armazém F


O mais importante grupo de rejuvenescimento do funaná, os Ferro Gaita, é o convidado especial de mais uma Gala Kretcheu, a decorrer depois de amanhã, dia 27, no Armazém F, em Lisboa. E também se pode jantar cachupa (nham!!!) e ouvir batuque... O comunicado:

«GALA KRETCHEU
NOITE MEMORÁVEL COM OS FERRO GAITA

Cabo Verde em destaque!

O Grupo Ferro Gaita, as Batucadeiras, e um jantar típico preparado com toda a sabedoria por um cozinheiro Cabo-verdiano, em mais uma festa Kretcheu no dia 27 de Março no Armazém F.

Porque é um concerto único, que não vai deixar de querer assistir, faça já a sua reserva!

O número de jantares é limitado.

Formados em 1996, o grupo Ferro Gaita , descobriram na gaita, no ferro e na viola baixo, novos caminhos para a música tradicional de Cabo Verde. Estarão em Lisboa a apresentar o quarto álbum do Grupo que comemora, este ano, 12 anos de existência. Trazem sonoridades já características como o Funana Rápido, o lento e o Sambado, Tabanka e Batuque e uma das novidades é a gravação de um “Talaia Baxu” estilo tradicional da ilha do Fogo.

Programa:

Das 20:00hrs até às 23:00hrs é servido o jantar tradicional:

- Entrada+catchupa+1bebida+sobremesa+café

Segue-se a animação das Batucadeiras
À meia-noite e meia início do concerto dos Ferro Gaita.

Preços:

Jantar+concerto= 25€
Concerto= 10€

Inf e reservas: 963660756 ou gala.kretcheu@gmail.com

Armazém F (r cintura porto de lx, 65, santos)

Uma Noite com o sabor, os ritmos e as cores de África!».

25 novembro, 2008

Cesária Évora Celebra as Origens (em Disco e em Concerto)


É uma grande notícia! Gravações inéditas de Cesária Évora efectuadas durante os anos 60 em Cabo Verde - tinha a cantora cerca de vinte anos de idade - estão agora, e pela primeira vez, reunidas em CD. Algumas destas canções apareceram em singles e EPs editados na altura, algumas reinterpretações de alguns destes temas apareceram em álbuns de Cesária nas décadas seguintes, mas nunca a voz da «diva dos pés descalços» soou tão fresca e feliz como nestas gravações contidas em «Rádio Mindelo». Com mornas e coladeiras clássicas (muitas delas do patrono de Cesária, o lendário Ti Goy, mas também de B.Leza, Morgadinho, Mendes Carvalho, Amândio Duarte ou Abílio Cabral), o alinhamento do disco - que vai ser apresentado em Lisboa, amanhã, quarta-feira, no Cinema S.Jorge - inclui os temas «Cize» (em três versões diferentes), «Oriundina», «Pé di Boi», «Nutridinha», «Vaquinha Mansa», «Belga», «Mar Azul», «Terezinha», «Fruto Proibido», «Falta di Força», «Sayko Dayo», «Sangue de Beirona», «Nho Antone Escaderode», «Mata morte», «Rabolice na Ilha d'Madeira», «Nova Sintra», «Menina d'Fonte Felipe», «Cinturão tem mele», «Dor di Sodade» e «Caminho de São Tomé».

20 outubro, 2008

Dany Silva - Quarenta Anos Entre Cabo Verde e... O Mundo


A comemorar - sem oficialmente o comemorar - quarenta anos de carreira profissional no mundo da música, Dany Silva lançou recentemente o álbum «Caminho Longi», um excelente regresso para este cantor e compositor que foi pioneiro na mostra da música cabo-verdiana aos portugueses. Aqui em baixo seguem uma entrevista a Dany Silva e uma crítica ao disco «Caminho Longi» originalmente publicadas na «Time Out Lisboa» há algumas semanas.


SOB O FOCO
DANY SILVA

«Caminho Longi» é o novo álbum de originais de Dany Silva, oito longos anos passados sobre «Tradiçon». Gravado em Portugal e nos Estados Unidos, com Cabo Verde no horizonte, e sempre a meio caminho. Dany Silva conversa com António Pires.

Pelas minhas contas, se calhar mal feitas, o Dany tem cerca de quarenta anos de carreira feita em Portugal...

Comecei a ser músico profissional em 1968. Por isso estou mesmo a fazer quarenta anos de carreira!

E começou pelo rock...

Sim, com Os Charruas, Quinteto Académico+2, em grupos de casino... N'Os Charruas tocávamos versões dos Beatles, dos Bee Gees, etc... E no Quinteto Académico íamos mais à música negra norte-americana, ao rhythm'n'blues, à soul, ao funk, Otis Redding, James Brown...

E essas influências ficaram-lhe, não ficaram? Porque a sua música, apesar das raízes cabo-verdianas, não é somente cabo-verdiana...

É verdade. Não sou aquele músico típico cabo-verdiano, tradicional. Quando comecei a gravar música cabo-verdiana, utilizei sempre as influências que eu tive de outras músicas, não só a música norte-americana mas também a música popular portuguesa, a música brasileira, a música angolana... Quando comecei a gravar a solo, no fim da década de 70, para a Valentim de Carvalho, não podia cantar em crioulo, tinha que ser em português. Mas quando editei o meu primeiro álbum, «Lua Vagabunda», já tinha muitas canções em crioulo, com algumas em português. Aliás, em todos os meus discos tenho canções em português, que é uma língua fabulosa.

O Dany não tem a sensação de que passou ao lado de uma grande carreira internacional? E a razão para isso não será o facto de sempre ter vivido em Portugal?

Há músicos cabo-verdianos que chegaram à música muito depois de mim e que andam por todo o mundo... E ainda bem! Mas eles tiveram a sorte - e eu tive também a minha sorte - ou a oportunidade que eu não tive, que foi a de cair em mãos com indivíduos que trabalham lá fora, empresários, agentes, editores, que distribuem as coisas de outra maneira. Nunca fui aventureiro, no sentido de pegar nas minhas coisas e ir lá para fora.

Excepto agora, em que gravou boa parte do seu novo álbum, «Caminho Longi», nos Estados Unidos...

Sim, mas lá está! Vieram buscar-me. Não fui eu que procurei isto... Foi um acaso. O Barry Marshall (produtor do álbum) esteve em Portugal, em 2005, a acompanhar um cantor que ele produziu , o Philip Hamilton - que trabalhou com o Pat Metheny, a LaVern Baker... -, e conhecemo-nos na Casa da Morna, onde eu estava a tocar. E ele convidou-me a gravar um álbum com ele. Parte do álbum foi gravado nos estúdios de uma escola em que ele dá aulas, The New England Institute of Art, em Brookline (na zona de Boston). E o álbum foi gravado como um projecto de interesse para a escola. Gravei com músicos cabo-verdianos residentes lá e com músicos americanos. E o resto foi gravado cá, no estúdio do Rui Veloso... Com muito boa vontade de toda a gente! E, para além deste disco de originais, também aproveitámos para gravar um outro, com temas de toda a minha carreira - em duetos com Rui Veloso, Jorge Palma, Tito Paris, Nancy Vieira... -, que vai ser editado no próximo ano.

Para terminar: o tema «Caminho Longi» tem depois um parêntesis, «(In Memoriam)»... Pode explicar?

Esse tema é dedicado ao meu irmão, que morreu em 2001. O «caminho longi» é a eternidade...



DANY SILVA
«CAMINHO LONGI»
SaturdayNight/Fantasy Day

Um «longo caminho» foi percorrido por Dany Silva entre «Tradiçon», o seu álbum anterior, editado em 2000, e este novo «Caminho Longi», gravado entre Boston e Vale de Lobos, com a ajuda do produtor Barry Marshall - líder da banda The Marshalls e produtor de discos de LaVern Baker, Peter Wolf, Aimee Mann, Rev. Lee Mitchell, Patricia Vlieg, etc. Mas a espera valeu a pena! Não sendo um álbum absolutamente genial, «Caminho Longi» é, sem dúvida, o melhor álbum de sempre de Dany Silva, mostrando este cantor, músico e compositor cabo-verdiano radicado há muito em Portugal - e um verdadeiro cidadão do mundo que integra na sua música muitíssimas músicas - a cruzar sabiamente mornas, coladeiras e funanás com funk, latin-jazz, cheirinhos de salsa, blues, ritmos angolanos... O primeiro tema do álbum, «Farra na Sanzala» é um passaporte directo para a festa. O segundo, «Festa di Nôs Santos», é uma explosão de estilos diferentes (contem-nos!). O terceiro, «Nunca N'ca Odjal Só Tisna» (composto por Zézé di Nha Reinalda) mergulha de cabeça na tradição cabo-verdiana. E ao longo do álbum há algumas outras belas surpresas como o fabuloso «Nha Cretcheu Nha Perdiçon» (que parece uma balada dos Beatles transmutada em morna), o pungente «Caminho Longi», a coladeira apontada a sul de «Na Quês Temp», a versão de «Foi Por Ela» (de Fausto), em ritmo mais lento e dolente, morna absoluta!, ou a regravação de «Mamã África» (em dueto com o cantor norte-americano Philip Hamilton). Com vários temas de Dany Silva (alguns em parceria com o letrista angolano Cuca) e outros de autores como o já referido Zézé di Nha Reinalda e Fausto, mas também Toy Vieira ou Baptista Dias, «Caminho Longi» pode bem não ser o fim do "caminho", mas um bom re-início para Dany Silva. (*****)

11 julho, 2008

Festival Al'Buhera - Outras Músicas em Albufeira


E mais um festival: o Festival Al'Buhera - Encontro de Culturas, que decorre em Albufeira de 23 a 27 de Julho, com um cartaz bastante diversificado: Xaile, Lura, Marenostrum, A Banda Alhada, Oojami (na foto) e Lila Downs. Toda a informação, já a seguir:


«Festival Al'Buhera
Encontro de Culturas

Entre 23 e 27 de Julho, impõe-se uma visita ao centro de Albufeira. O Festival Al'Buhera está diferente e vai proporcionar 5 noites de grande riqueza cultural.

Uma Feira de Artesanato, Mostras Gastronómicas e variadíssimos espectáculos a decorrer na Praça dos Pescadores, Avenida 25 de Abril e Largo Eng.º Duarte Pacheco, compõem este Festival que irá, certamente, ocupar um espaço próprio no futuro da animação de época balnear, em Albufeira.

Mostra de Artesanato
Todos os dias das 20h00 às 24h00

23 de Julho - Quarta - 22h30
Xaile (Portugal)

Eis uma das maiores revelações da música nacional dos últimos anos. Lília, Marie e Bia são instrumentistas e donas de pessoalíssimas vozes e personalidades.
O trio faz-se acompanhar por um grupo de músicos que contribui para um espectáculo cheio de festa e de mistério, de força e de sentimento, com uma linguagem poética e musical, totalmente portuguesa porém universal, que ao mesmo tempo que nos enche os olhos e os ouvidos, também nos anima a alma.

24 de Julho - Quinta - 22h30
Lura (Cabo Verde)

Dona de uma voz e talento repletos de elementos poderosos e estimulantes, Lura é actualmente uma das principais embaixadoras da cultura de Cabo Verde. A sua voz mistura-se nas gentes e na música daquele povo. Uma oportunidade para contactar de perto com uma cultura à qual estamos ligados pela nossa História.


25 de Julho - Sexta - 22h00
Marenostrum (Portugal)

Band'Alhada (Portugal)

Os Marenostrum são uma banda fundada em 1994, oriunda do sotavento algarvio. Os seus instrumentistas apostam numa sonoridade que funde algumas características da música popular portuguesa e em particular do Algarve (corridinho e baile mandado), com influências bem diversas, que vão desde a música árabe do Magreb até às tradições celtas, Klezmer e de Cabo Verde.

O Grupo Band'Alhada surgiu, em Albufeira, em meados dos anos 90, em torno de Zé Maria, antigo elemento da Brigada Victor Jara. Juntaram-se ao som dos adufes, sarronca, ferrinhos, pandeireta e bombos, as harmonias da viola clássica, da braguesa, do cavaquinho, dos acordeões, do baixo e do bandolim, para transmitir uma dinâmica diferente aos cantares tradicionais.

26 de Julho - Sábado - 22h30
Oojami (Inglaterra / Turquia)

Oojami, é um projecto original de Necmi Cavli, natural de Bodrum – um popular resort turco, situado no Mar Egeu. Nos anos noventa, Necmi emigrou para Londres. Nos últimos 6 anos, os Oojami produziram 3 álbuns e tocaram centenas de vezes um pouco por todo o mundo. Recentemente, Necmi começou a escrever bandas-sonoras para grandes filmes de Hollywood e a sua música foi licenciada pela EMI Arabia – a maior editora do Médio Oriente.

27 de Julho - Domingo - 22h30
Lila Downs (México)

De volta a Albufeira está aquela que é certamente uma das maiores artistas latino-americanas: Lila Downs. Nascida no México, a cantora não renega as suas raízes “rancheras”. Em palco, Lila encarna os personagens que habitam as suas canções de uma forma muito cénica, não apenas através da sua poderosa linguagem corporal mas também através da sua extraordinária habilidade como mímica aliada à sua fabulosa capacidade vocal».

30 abril, 2008

Maria de Barros - Concerto Único na Casa do Artista


A cantora cabo-verdiana Maria de Barros dá um concerto único em Portugal, dia 17 De Maio, na Casa do Artista/Teatro Armando Cortez, em Lisboa. Apesar de ter nascido em Dakar, no Senegal - e de também já ter vivido na Mauritânia e, agora, nos Estados Unidos, Maria de Barros é filha de pais cabo-verdianos e sempre se assumiu como cabo-verdiana, tanto na vida como na música que interpreta, feita de mornas, coladeiras e funanás. Afilhada da diva Cesária Évora, Maria de Barros editou até agora os álbuns «Nha Mundo» e «Dança Ma Mi», estando agora a preparar a edição do novo «Morabeza». Mais informações sobre Maria de Barros, aqui.

11 fevereiro, 2008

La MC Malcriado e Izé - Entre Cabo Verde e... O Mundo


A diáspora cabo-verdiana é, desde há décadas, um alfobre de excelente música (feita por grupos e artistas de Cabo Verde em França, Holanda, Portugal, Estados Unidos...) e muitas vezes mantendo a pureza das suas raízes. Mas, de outras vezes, fundindo-a com outras músicas, como é o caso desta crew de rappers cabo-verdianos sediados em França, os La MC Malcriado (na foto), colectivo que mistura muitas músicas tradicionais com músicas exteriores e ao qual também pertence Izé, cujo novo álbum a solo apresenta uma fórmula nova e mágica: a mistura de funaná com... kuduro.


LA MC MALCRIADO
«NOS POBREZA KÉ NOS RIKÉZA»
Lusafrica

Cabo-verdianos - ou filhos de cabo-verdianos - baseados em Paris, os La MC Malcriado (noutras grafias: LA MC Malcriado, LA-MC Malcriado ou, simplesmente, MC Malcriado) são um quarteto que mistura, com saber e um imenso amor pelas suas origens, géneros musicais habitualmente associados a Cabo Verde (coladeiras, batuques, funanás, kizombas, etc, etc) com beats de hip-hop, electrónicas, ragga, funk e tudo o mais que lhes venha à mão e que faça sentido nesta música. Nascido em 1998, o colectivo é agora formado por Stomy Bugsy, Jacky Brown (também dos Neg'Marrons), Izé e JP (este também dos 2 Doigts). E no seu álbum «Nos Pobreza Ké Nos Rikéza», a mistura de referências atinge um ponto de perfeição difícil de igualar. Com a participação, entre outros, de nomes grandes da kizomba (como Philippe Monteiro), do funaná (o mítico Zéca di Nha Reinalda) e das divas Cesária Évora e Mayra Andrade, os La MC Malcriado assinam um álbum variadíssimo, quase sempre absolutamente dançável e com uma universalidade - pela mistura perfeita de elementos sonoros tradicionais com elementos «universais» - rara. Muitas vezes politizado (oiça-se a fabulosa homenagem a Amílcar Cabral, último tema do álbum) e cantado em crioulo e francês, «Nos Pobreza Ké Nos Rikéza» é um grandíssimo álbum. (8/10)


IZÉ
«KUNANA SPIRIT»
Lusafrica/Tumbao

Já com dois álbuns a solo em nome próprio anteriores a este «Kunana Spirit» («Double Nationalité» e «Mobilizé»), Izé - um dos quatro La MC Malcriado - chega aqui a uma fórmula sonora novíssima e explosiva: a mistura de funaná com... kuduro!!! E o resultado é um álbum todo ele virado para as pistas de dança, não querendo isto dizer que não possa ser ouvido - e com prazer! - no sofá aqui de casa. E, se bem que andem por lá outras referências musicais (o batuque e a morna de um lado, o hip-hop do outro...), são mesmo os temas em que o acordeão e o «ferro» do funaná se juntam à batida irresistível do kuduro que Izé cumpre a sua missão: a criação de uma nitroglicerina musical em que a tradição cabo-verdiana se mistura com elementos exteriores (o kuduro angolano, que por sua vez já é uma mistura de kizomba, zouk, ragga, hip-hop, kwaito...). Com samples bem metidos (a voz de Lura em «Oh Narina», do falecido Orlando Pantera...) e vários convidados (como JP, seu companheiro nos La MC Malcriado, entre outros), «Kunana Spirit» é um fabuloso exemplo de como se podem fundir, e tão bem!, músicas aparentemente tão distantes entre si. (9/10)

08 janeiro, 2008

Mayra Andrade - Em Digressão Por Portugal

A cantora cabo-verdiana Mayra Andrade - que se deu a conhecer ao mundo com o seu álbum de estreia «Navega», editado em 2006 - é uma das grandes revelações do circuito da world music dos últimos anos. E com toda a justiça. Concertos esgotados um pouco por toda a parte, um espectáculo triunfal na WOMEX de Sevilha do ano passado, nomeações para vários prémios... No seu regresso aos palcos portugueses, Mayra prepara-se para uma digressão de seis datas que a vai levar a Sintra (22 de Fevereiro; Centro Cultural Olga Cadaval), Setúbal (23 de Fevereiro; Fórum Municipal Luísa Todi), Lisboa (24 de Fevereiro; Teatro Municipal de São Luiz), Coimbra (29 de Fevereiro; Convento de São Francisco), Braga (1 de Março; Theatro-Circo) e Porto (2 de Março; Casa da Música). Os bilhetes encontram-se à venda nos locais dos concertos, Ticketline, lojas FNAC e WORTEN. Para saber mais sobre Mayra Andrade, aqui.

31 outubro, 2007

«Fados» de Carlos Saura - Da Tela Para o Palco



Para além de uma digressão em Espanha, com alguns dos nomes mais sonantes do fado - Mariza e Camané, entre outros -, como contraponto «ao vivo» do filme «Fados», de Carlos Saura, outro espectáculo prepara-se para subir ao palco à boleia do filme do realizador espanhol, segundo informa a agência Lusa: o espectáculo «Casa de Fados», inspirado na cena que encerra o filme e que reúne os fadistas Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela (na foto), Pedro Moutinho e Carminho, sendo esta - que se encontra agora fora de Portugal - substituída ao vivo por Tânia Oleiro e contando ainda com a participação especial de Margarida Bessa. «Casa de Fados» - produzido pela Uguru e pela El Caiman - tem estreia em Portugal marcada para dia 29 de Novembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com uma cenografia que incluirá a projecção de imagens do filme de Saura. A direcção musical é do guitarrista Pedro Castro, acompanhado por José Luís Nobre Costa (guitarra portuguesa), Jaime Santos (viola) e Joel Pina (viola-baixo). O mesmo espectáculo foi anteriormente apresentado em Espanha, em Julho, no Festival de Músicas de La Mar, em Cartagena, e a 19 e 21 de Outubro, em Las Palmas da Grande Canária. Antes disso, «Fados» terá uma projecção muito especial, com entrada gratuita, amanhã, quinta-feira, às 19h00, na Associação Cultural Moinho da Juventude, no Bairro da Cova da Moura, na Amadora, inserido nas comemorações dos vinte anos desta Associação, da qual faz parte o colectivo cabo-verdiano Kola San Jon, igualmente presente no filme.

03 outubro, 2007

Cesária Évora, Lura e Bau - O Triunfo da Lusáfrica


Vinte anos depois da sua fundação, a Lusáfrica e o seu criador, José da Silva, estão mais do que de parabéns! Assim como de parabéns estão todos os artistas que têm gravado para esta editora, que começou por lançar apenas música cabo-verdiana mas alargou o seu catálogo a inúmeros artistas de outras latitudes (cubanos, da África continental, etc.). Mas aqui, a comemoração - mesmo que atrasada - faz-se com três discos de cabo-verdianos, razão primeira da existência da etiqueta e, pela qualidade que os três têm, prova maior de que as editoras independentes, quando nelas há amor, podem fazer muito - tudo! - pela música. Com Bau, a diva Cesária Évora (na foto) e a jovem Lura.


LURA
«M'BEM DI FORA»
Lusáfrica/Tumbao

Depois de um início de carreira ainda a apalpar terreno sobre quais os melhores caminhos para a sua música, a cantora Lura acertou em cheio com o álbum «Di Korpu Ku Alma», onde pegou em géneros tradicionais cabo-verdianos e os recriou à luz da música mais actual. Em «M'bem di Fora», os caminhos percorridos são semelhantes - nele se encontram batuques e funanás e mornas e a celebração do Kola San Jon... - mas com um grau de sofisticação ainda superior ao que já apresentava no álbum anterior. Ouvir «M'bem di Fora» do princípio ao fim é um encantamento constante, em que antigas e novas composições se entrelaçam com coerência e em permanente diálogo: um diálogo que é conduzido pela voz quente, sedutora, sempre a cantar em crioulo, de Lura, e por fabulosos músicos - num grupo em que pontificam João Pina Alves (guitarra), Toy Vieira (piano) ou Paulino Vieira (cavaquinho). E, como convidados muito especiais, o grande acordeonista Régis Gizavo (expoente máximo da música de Madagáscar), o guitarrista Pedro Jóia (com o seu toque de flamenco) e o cantor Zéca di Nha Reinalda (que foi dos míticos grupos de funaná Bulimundo e Finaçon), este no irresistível tema-título do álbum. Com uma música fortemente enraizada na tradição, mas com os braços estendidos também para outras músicas, Lura tem neste álbum o trampolim perfeito para uma frutuosa carreira internacional, que, felizmente, já está a acontecer. (8/10)


BAU
«ILHA AZUL»
Harmonia/Lusáfrica/Tumbao

Menos imediato que o álbum de Lura, essencialmente porque é um álbum instrumental e não há uma voz a prender imediatamente o ouvinte, «Ilha Azul», de Bau, não deixa por isso de ser um álbum belíssimo e, mais importante ainda, um fiel representante do que de mais profundo tem a música cabo-verdiana: uma música que viaja entre o continente ali ao lado e Portugal, o Brasil, Cuba ou Estados Unidos, sempre com paragem obrigatória em Cabo Verde. Ouvir o primeiro tema deste álbum, «Ponta do Sol», é, logo, perceber que esat música é feita de muitas músicas, embora sempre unidas entre si: em «Ponta do Sol» há fado, há chorinho, há morna, há son cubano, como ao longo do resto do álbum há sugestões de semba, bossa-nova, jazz, música ranchera mexicana, flamenco e muitas outras músicas exteriores que, na guitarra e no cavaquinho de Bau (aka Rufino Almeida), fazem todo o sentido misturadas com a música tradicional de Cabo Verde (exemplo óbvio é o tema brasileiro «Na Baixa do Sapateiro», de Ary Barroso, aqui recriado com uma alegria e uma inventividade espantosas). Guitarrista virtuoso (no bom sentido da palavra e não no sentido de «conseguir tocar mil notas num minuto»), Bau mostra neste álbum, o sexto da sua carreira, como a música pode ser única e universal, mesmo quando fortemente ancorada numa música «local». (9/10)


CESÁRIA ÉVORA
«ROGAMAR»
Lusáfrica/SonyBMG

Embaixatriz da música cabo-verdiana e «porta-bandeira» (se assim se pode dizer) da Lusáfrica, Cesária Évora assina em «Rogamar» mais um passo seguríssimo da sua já longa - e bastante frutuosa - carreira. Dona de uma voz única, marcante, luminosa, Dona Cesária continua a gravar com a urgência de quem chegou aos grandes palcos já quase na terceira idade, mas isso é bom, porque mostra que a necessidade da música e da sua expressão não tem nada a ver com a idade ou o local de nascimento. E, se em relação a Lura se fala de sofisticação, oiça-se este «Rogamar» e tente-se perceber como uma música na sua essência simples e feita com poucos instrumentos se pode transformar - via orquestrações elaboradas, mas nem por isso barrocas ou castradoras da verdade e da essência - numa música riquíssima em nuances e sugestões. E os arranjos, de Fernando Andrade, ainda têm lugar para algumas colaborações de peso: o já referido (a propósito de Lura) Régis Gizavo no acordeão e o cantor senegalês Ismael Lô, numa celebração de africanidade que não se confina aos limites das ilhas de Cabo Verde. Uma africanidade que está também bem explícita em «São Tomé na Equador», um tema de Ray Lema e Teófilo Chantre, aqui reunidos para bem da música, ou no afro-brasileiro «Mas Um Sonho», festa que une naturalmente os dois lados do Atlântico. (8/10)

15 agosto, 2007

Sons do Atlântico - A Rainha, os Plebeus e os Infantes



O Sons do Atlântico, no lindíssimo promontório de N.Sra. da Rocha, em Lagoa, é ainda um festival pequeno - em número de assistentes - mas já bastante consistente em termos artísticos e com argumentos suficientes para se impor como mais uma etapa incontornável no roteiro de festivais de Verão da chamada world music. E se, o ano passado, o alinhamento do festival foi mais arriscado e aventuroso - apostando em nomes como Mercan Dede e Mercedes Péon, ambos a assinar concertos de nível altíssimo -, o elenco deste ano, embora alinhando nomes mais consensuais, foi também de altíssima qualidade. A começar logo no primeiro dia, com uma Lura deslumbrante, «animal de palco», a arrancar coros e aplausos de uma plateia cheia, cativando muitos cabo-verdianos e toda a gente das outras nacionalidades. Uma Lura segura, dona de uma voz maravilhosa, boa dançarina, a distribuir bem pelo espectáculo coladeiras, mornas, batuques e funanás, apelando a canções do novo álbum (como o tema-título «M'Bem Di Fora», «Ponciana» ou o lindíssimo «Bida Mariadu») mas também a sucessos mais antigos, como a inevitável «canção de embalar» «Na Ri Na» ou «Vazulina». Foi Lura, sem dúvida, a rainha absoluta do festival. Na noite seguinte, os Macaco, plebeus da Catalunha e de outros lugares, deram outro concerto fabuloso, conquistando toda a gente com a sua garra, alegria, inventividade - uma inventividade imensa que lhes permite misturar como ninguém inúmeros géneros musicais, e de uma maneira que soa sempre consistente, madura, original... Pontos altos do concerto - no meio de muitos mais, entre os quais os coros e coreografias que arrancaram do público em muitos momentos do espectáculo - foram os diálogos do guitarrista, nessa altura no oud árabe, consigo próprio em ecrã, do percussionista, bis (consigo próprio em ecrã), e a banda toda unida numa batucada quando alguém desligou o gerador a meio de uma canção e deixou de haver electricidade no recinto. Outros plebeus em alta, estes irlandeses, os Kíla encerraram o festival com mais uma demonstração de profissionalismo enorme e assinando momentos de altíssima música, quando o bodhran dialogava em alta velocidade com o violino ou as uilleann pipes num molho de folk progressiva - e aqui, a palavra «progressiva» é mais que um elogio! - ou quando aos jigs e reels se juntavam, aqui e ali, alusões à música árabe, à música latino-americana ou quando, como no final, protagonizam uma espantosa aproximação aos espirituais zulus da África do Sul. E, se os concertos dos três cabeças-de-cartaz foram muito, muito bons, os músicos e cantores das «primeiras partes» cumpriram bem o papel de infantes, mais do que de pagens ou acólitos: a cantora guineense Eneida Marta (com um super-grupo pan-africano onde pontifica Ibrahima Galissá na kora) e os seus n'gumbés e tinas; o jovem grupo andaluz Cadencia - ao qual se augura um futuro brilhante! - e o seu flamenco enfeitado de muitas músicas; e os cada vez mais consistentes algarvios Marenostrum, ali reforçados por um quarteto de saxofones que levou a música do grupo para caminhos originais e inesperados. Haja festival!

08 agosto, 2007

Festival Sons do Atlântico - É Já Este Fim-de-Semana!



A edição deste ano do Festival Sons do Atlântico, que decorre em Porches, Lagoa, começa já na sexta-feira. E, para refrescar a memória, aqui fica novamente o programa do festival: dia 10 de Agosto há concertos da luso-cabo-verdiana Lura e da guineense Eneida Marta, dia 11 podemos assistir ao flamenco (e muito mais à volta) dos andaluzes Cadencia e ao concerto do grupo catalão, padrinho da designação deste blog, Macaco, e dia 12 aos espectáculos dos algarvios Marenostrum e dos irlandeses de música «celta» nada ortodoxa Kíla (na foto). O Raízes e Antenas vai lá estar e fica desde já prometida a respectiva reportagem para o início da próxima semana.

16 junho, 2007

Festival Sons do Atlântico - Com Lura, Macaco e Kíla



O Crónicas da Terra, do camarada Luís Rei, está cheio de novidades (passem por lá!). Uma das mais sumarentas é a que se relaciona com a edição deste ano do Festival Sons do Atlântico, em Porches, Lagoa, de 10 a 12 de Agosto. Segundo avança o CdT, a edição deste ano do festival conta com concertos da luso-cabo-verdiana Lura e da guineense Eneida Marta na primeira noite, o flamenco (e muito mais à volta) dos andaluzes Cadencia e do grupo catalão, padrinho da designação deste blog, Macaco (na foto; liderado pelo cantor homónimo) na segunda, e dos algarvios Marenostrum e dos irlandeses de música «celta» nada ortodoxa Kíla, na última noite. A exemplo do ano passado, deve poder contar-se com outros concertos, durante o dia, no recinto do festival - o promontório da capela de Nossa Senhora da Rocha - com bandas portuguesas, exposições, artesanato e muito boa gastronomia.

13 junho, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXII.1 - Os Tubarões



Grupo seminal da música cabo-verdiana, Os Tubarões nasceram em 1973 e revelaram-se ao mundo depois da independência de Cabo Verde, em 1975, trazendo consigo coladeiras, mornas e funanás envoltas em guitarras bailantes, um saxofone em voo livre e percussões arrebatadoras. Os Tubarões transportavam, bem fundo, a alma da música cabo-verdiana mas nunca se esquecendo de fazer pontes subtis com músicas anglo-saxónicas como a soul ou o jazz, e sempre com uma mensagem política subjacente nas suas letras cantadas em crioulo. Com uma voz magnífica a coroar a sua música, a do saudoso Ildo Lobo, Os Tubarões deixaram-nos os fabulosos álbuns «Djonsinho Cabral», «Tchon Di Morgado», «Pépé Lopi», «Tabanca», «Tema Para Dois», «Os Tubarões ao Vivo», «Terra Bô Sabé» e «Porton D'Nós Ilha». Depois do fim d'Os Tubarões, Ildo Lobo gravou três álbuns a solo: «Nôs Morna», «Intelectual» e «Incondicional».


Cromo XXII.2 - Jah Wobble



Baixista genial (com escola feita junto do mestre do dub jamaicano Robbie Shakespeare), compositor imaginativo, congregador de muitos músicos e cantores à volta dos seus projectos, Jah Wobble (de seu verdadeiro nome John Wardle, nascido em Stepney, Inglaterra, em 1958) é uma personagem que, muitas vezes, se deixou contaminar pelos apelos exóticos da «world music» e assinando, por isso, álbuns em que a música latino-americana, indiana ou do norte de África têm uma presença fundamental, como nos importantíssimos «Rising Above Bedlam» (1991) e «Take Me to God» (1993). Chegado à fama como baixista dos PiL (liderados por John Lydon, ex-Sex Pistols), Wobble enceta depois - e ao longo dos últimos 25 anos - parcerias com gente tão diversa quanto The Edge (dos U2), Holger Czukay e Jaki Liebezeit (ambos dos Can), Brian Eno, Sinéad O'Connor, Natacha Atlas, Baaba Maal ou Bill Laswell.


Cromo XXII.3 - Alan Stivell



O músico bretão Alan Stivell (Alan Cochevelou, nascido a 6 de Janeiro de 1944) foi o grande responsável pela introdução da harpa na música dita «celta», principalmente nos seus álbuns de início dos anos 70, «Reflets» (1970) e «Renaissance de la Harpe Celtique» (1972). Mas a sua carreira tinha começado muito antes quando, ainda adolescente, o pai dele fabricou uma harpa ao velho estilo bretão e o jovem Alan começou a tocar nela, tendo gravado um single logo em 1959 e um LP, «Telenn Geltiek», em 1960. A sua fama, principalmente junto da comunidade «celta» das ilhas britânicas, da Bretanha e Galiza é crescente durante os anos 70, mas as últimas décadas têm assistido a um esmorecer da sua estrela criativa. Isso não o impediu, no entanto, de colaborar activamente com Kate Bush, Shane MacGowan (Pogues), Doudou N'Diaye Rose, Paddy Moloney (Chieftains), Jim Kerr (Simple Minds), Khaled, John Cale ou Youssou N'Dour.


Cromo XXII.4 - Bhangra



Apesar de mais facilmente conectado com um estilo musical nascido nas comunidades indo-paquistanesas de Inglaterra nos anos 70, a verdade é que o bhangra começou por ser uma dança nascida no Punjab (região fronteiriça comum à Índia e ao Paquistão), essencialmente praticada por homens e associada às Vaisakhi (as ancestrais festas das colheitas). Transformado em espectáculo de palco depois da divisão do Punjab pelos dois países, em 1947, a música tradicional que acompanha o bhangra teve a sua grande evolução, nos últimos trinta anos, nas comunidades imigrantes no Reino Unido, com a sua fusão de bhangra com rock, reggae, hip-hop, tecno, etc. Pioneiros dessa fusão foram os Alaap (nascidos em 1977) e nesse «movimento» podem agora incluir-se nomes como os de Punjabi MC, Bally Sagoo, Apache Indian, Nitin Sawhney, Safri Boyz ou Dippa.

15 março, 2007

Tito Paris - Álbum Acústico a Caminho



O cantor, compositor e guitarrista cabo-verdiano Tito Paris edita o seu novo álbum, «Acústico», dia 26 deste mês, através da World Connection, com distribuição da EMI Music Portugal. O álbum, gravado ao vivo na Aula Magna da Universidade de Lisboa, conta com arranjos de Tomás Pimentel e inclui os temas «Sôdade», «Morna PPV», «Estrela Linda», «Febre di Funáná», «Nha Sina», «Ondas Di Bô Corpo», «Que Vida», «Victor», «Otília/Otilio» e «Poema Tropical» e ainda três bónus gravados em estúdio: «Tcapêau di Pdia», «Xandinha» e «Galo Bedjo». Tito Paris nasceu em Mindelo, Cabo Verde, antes de se radicar em Portugal, e participou - como instrumentista e/ou produtor - em álbuns de Bana, Cesária Évora ou Maria de Barros. Com sete álbuns em nome próprio, centenas de concertos em todo o mundo, Tito Paris está agora ligado à editora holandesa World Connection, cada vez mais a casa de acolhimento de vários cantores e músicos portugueses ou de expressão portuguesa como Mariza, Sara Tavares, Tété Alhinho, Waldemar Bastos, Mário Pacheco e Jorge Fernando.

06 março, 2007

Sara Tavares - Bons Feelings de Norte a Sul



A cantora Sara Tavares efectua durante este mês de Março a sua primeira digressão nacional de apresentação do excelente álbum «Balancê», com concertos dia 9 no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, dia 10 no Centro Artes de Portalegre, dia 17 no Cine Teatro de S. João, do Entroncamento, dia 24 no Cine Teatro de Estarreja, e dia 27 no Cinema S. Jorge, em Lisboa. Depois, durante a Primavera e Verão, Sara Tavares actuará em concertos e festivais em Itália, Suécia, Noruega, Holanda, Alemanha, Polónia e Itália. Há alguns meses, no Festival Sons em Trânsito de Aveiro, a cantora mostrou já este espectáculo, do qual ficou aqui escrito neste blog: «Sara Tavares mostrou ao vivo aquilo que já tinha mostrado em disco: que já está muito, muito, longe dos concursos televisivos e de um início de carreira oscilante entre géneros mais mainstream e algumas paixões pessoais, como o gospel. Agora, Sara está o que sempre foi e que pareceu estar esquecido durante alguns anos: que é uma cantora luso-cabo-verdiana, ainda por cima uma belíssima cantora (e, acrescente-se, compositora). Nela ainda habitam ecos de soul, funk, pop, r'n'b, reggae, mas isso é bom, muito bom, quando assim integrado em música que vai a Cabo Verde (e a outros lugares de África) buscar a sua inspiração. Mais a mais, quando Sara Tavares é acompanhada por uma banda que inclui o guitarrista e cantor com frutuosa carreira em nome próprio Boy Gê Mendes (e que com ela fez um dueto durante o concerto) e para o discreto mas seguríssimo baterista N'dú».

10 janeiro, 2007

Cromos Raízes e Antenas IX



Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo IX.1 - Ravi Shankar


Há-de ficar para a história da música - da «world music», sim, mas também de todas as músicas - o momento, gravado no álbum «Concert for Bangladesh» (concerto de solidariedade organizado por George Harrison em 1971), em que o público aplaude Ravi Shankar antes deste dizer: «Muito obrigado, estava só a afinar o instrumento...». Shankar (nascido a 7 de Abril de 1920, em Varanasi, Índia) é o mais respeitado mestre da sitar, principalmente no Ocidente, onde granjeou o respeito e a estima de artistas tão diferentes quanto os Beatles ou Philip Glass. Nascido numa família brâmane, Ravindra (Ravi) Shankar foi director musical da Rádio indiana nos anos 50 e a sua fama chegou ao Ocidente nos anos 60, tendo actuado nos lendários festivais de Monterey e Woodstock. Dono de uma impressionante carreira a solo, Shankar gravou também em duo com compositores renomados como Philip Glass («Passages»).


Cromo IX.2 - Luaka Bop



Fundada em 1988 por David Byrne (a cabeça por trás dos Talking Heads e parceiro de Brian Eno no seminal «My Life In The Bush of Ghosts»), a norte-americana Luaka Bop assumiu-se ao longo dos últimos vinte anos como uma das mais importantes editoras da chamada world music - apesar de este «selo» ser bastante redutor em relação à alargada e abrangente política de contratações desta editora -, lançando álbuns de artistas como as Zap Mama, Tom Zé (que através dela conseguiu uma segunda e riquíssima fase da sua carreira, depois de muitos anos de apagamento), Susana Baca, Silvio Rodriguez, Geggy Tah, Los Amigos Invisibles, Nouvelle Vague, Jim White, Paulo Bragança, A.R. Kane, Djur Djura, Cornershop, Waldemar Bastos, Mimi Soak (ex-Hugo Largo), Los de Abajo, Bloque, King Changô, Os Mutantes, do próprio David Byrne a solo e colectâneas de música brasileira, cubana, peruana, africana, asiática e francesa, entre outros.


Cromo IX.3 - Cesária Évora


A Diva dos Pés Descalços, Cesária Évora (nascida a 27 de Agosto de 1941, no Mindelo, Cabo Verde) é a maior embaixadora da música cabo-verdiana da actualidade. Com um gosto especial pelas mornas, a cantora não deixa por isso de experimentar outros géneros cabo-verdianos como a coladeira ou o funaná e de se atirar a versões pessoalíssimas de outros géneros, como a música cubana. Apesar de ter cantado regularmente nos anos 60 e 70 - tendo chegado a gravar um single com o grupo Conjunto -, Cesária passa depois dez anos sem cantar e só grava o seu primeiro álbum a sério, «Cesária Évora», em 1987. Seguem-se o famoso «La Diva aux Pieds Nus» (1988), «Destino di Belita» (1990), «Mar Azul» (1991) e «Miss Perfumado» (1992), que a instalam definitivamente nas rotas dos festivais da world music. O seu último álbum de originais, «Rogamar», foi editado em 2006 e, em 2008, saiu «Radio Mindelo» (querecuperou gravações suas dos anos 60).

Cromo IX.4 - The Nightlosers


Liderados por um realizador de cinema, Hano Hoffer, os Nightlosers são uma banda romena que se dedica à fusão dos blues eléctricos de Chicago com a música tradicional da Transilvânia. Um excelente exemplo - entre milhares de outros - de uma miscigenação cada vez mais efectiva de músicas locais com sonoridades anglo-saxónicas, os Nightlosers são também os protagonistas do filme ««Euroamerican Nightlosers/The Human Hambone», realizado por Sorin Iliesiu e Mark Morgan, que conta a história dos blues desde África aos Estados Unidos e à... Roménia. O seu álbum de 2000, «Plum Brandy Blues», mostra clássicos como «Hoochie Coochie Man», «Stormy Monday Blues», «Everyday I Have the Blues», «Pretty Thing» ou até «Blue Suede Shoes» (de Elvis Presley) infectados por um violino cigano e um cimbalom.