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30 março, 2011

Fanfare Ciocarlia vs Boban & Marko Markovic Orchestra - É Para o Chavascal!


Os metaleiros Manowar arriscam-se a perder o Record do Mundo do Guinness pelo seu duvidoso prémio de grupo musical com maior nível decibélico para... a Balkan Brass Battle que vai arrasar Portugal com o seu chavascal (uma bela rima!). Veja-se só o que diz o Crónicas da Terra, para se perceber:

"Balkan Brass Battle no Porto, em Lisboa e no Med de Loulé


A orquestra romena e cigana de metais Fanfare Ciocarlia regressa ao nosso país, nos próximos meses de Maio e Junho. A acompanhá-la estará a também orquestra de metais dos sérvios Boban & Marko Markovic.

Durante duas horas em palco, tanto a Fanfare Ciocarlia como a orquestra sérvia de pai e filho – Boban e Marko Markovic - competem entre si para que o público determine quem é o vencedor da categoria de pesos-pesados de metais balcânicos.

Esta Balkan Brass Battle terá lugar no Porto (Casa da Música, 17 de Maio), em Lisboa (24 de Junho, local a confirmar) e no Festival Med de Loulé (25 de Junho).

A 20 de Maio, a editora alemã especialista em música cigana dos balcãs – Asphalt Tango – edita o primeiro disco desta saudável batalha 'Balkan Brass Battle – Fanfare Ciocarlia vs Boban & Marko Markovic Orchestra'."

04 março, 2009

Auto-Promoção - Música Balcânica no Regueirão dos Anjos


Em parceria com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), este escriba regressa às lides de DJ, dia 20 de Março, no Regueirão dos Anjos, em Lisboa... e ambos com muita música balcânica - e de territórios estilísticos e geográficos adjacentes - para mostrar. E, também com Toni Polo, estarei no magnífico espaço da Fábrica do Braço de Prata, dias 5, 12, 19 e 26 de Setembro e dia 3 de Outubro. Mais novidades, um dia destes...

15 agosto, 2008

Gogol Bordello - O Regresso em Dezembro


Um post rápido, antes da viagem para o festival Eco Fest, em Odeceixe (ver notícia mais em baixo): o grupo punk-balcânico-taranteleiro-ska-louco-e-explosivo-e-'bora-lá-para-o-mosh-ouvir-melhor-o-raio-do-violino Gogol Bordello tem um concerto em nome próprio, dia 10 de Dezembro, no Campo Pequeno, em Lisboa.

23 junho, 2008

Festival Musa com Taraf de Haidouks, Babylon Circus e Lyricson


Dias 4 e 5 de Julho, a zona da Praia de Carcavelos vai receber mais uma edição do Festival Musa - agora a festejar dez anos de existência -, evento essencialmente dedicado ao reggae, ao ska e a outras sonoridades que têm na Jamaica o seu local de nascimento, mas com abertura para outras músicas e latitudes. Por exemplo, este ano passa por lá a histórica trupe de ciganos romenos Taraf de Haidouks, ao mesmo tempo que, como vedetas incontestáveis do festival vão lá estar também os franceses Babylon Circus (na foto) - eles que ao reggae e ao ska e ao rock juntam música cigana dos Balcãs, cabaret, valsinhas parisienses, etc, etc... - e o igualmente francês Lyricson, companheiro de Manu Chao e uma das maiores promessas do novo reggae europeu. Isto, ao lado de uma boa selecção de grupos portugueses vindos do reggae... mas não só. E aqui, na íntegra, segue a nota de imprensa com o programa completo do festival:

«MUSA#10 – Dias 4 e 5 de Julho de 2008

Local: Junto à Praia de Carcavelos, Carcavelos
Horário: Abertura de Portas: 18h | Início do espectáculo: 19h
Bilheteira: 1 dia: € 10 | 2 dias: € 12
Bilhetes à venda: Worten, Fnac, Bliss, Lojas Viagens Abreu, Liv. Bulhosa (Oeiras Parque e C.C.Cidade do Porto), Pontos MegaRede, www.ticketline.sapo.pt e no próprio dia no local do evento.
RESERVAS: 707 234 234



Dia 4 de Julho
BABYLON CIRCUS
(SKA REGGAE ROCK - FRANÇA)
INNASTEREO
KATHARSIS
THE RISING SUN EXPERIENCE
SAUMIK


Dia 5 de Julho
TARAF DE HAÏDOUKS
(WORLD MUSIC - ROMÉNIA)
LYRICSON
(REGGAE - FRANÇA)
QUAISS KITIR
TSUNAMIZ
SUPREME SOUL
A.M.O.R.

MUSA 10 ANOS – uma inspiração para um lifestyle sustentável
MUSA um festival inspirador…

A Criativa procura que MUSA seja uma inspiração para causas nobres como o combate à pobreza mundial ou as alterações climáticas, ao mesmo tempo que proporciona uma experiência única de criatividade e entretenimento a todos os participantes.

Este ano, a Experiência MUSA surge com uma nova imagem e uma nova missão. Foi mais além e associando-se à causa dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) através do Objectivo 2015 – Campanha do Milénio das Nações Unidas (CMNU) criou-se um conceito inovador que reúne muita cultura e música numa experiência de cidadania global que apelará à participação da sociedade civil.

Na sua 10ª edição, o MUSA, além de contar com 8 bandas promissoras portuguesas, irá ter no seu palco, no 1º dia, uma das melhores bandas ao vivo do mundo - Babylon Circus. Para fechar o 2º dia e o Festival, o MUSA irá contar com uma das mais aclamadas bandas de world music em todo o mundo - Taraf de Haïdouks. Nessa noite também iremos ter em estreia absoluta, a solo, no nosso país - Lyricson uma das novas sensações do reggae europeu, a voz inesquecível que acompanhou Manu Chao nas suas digressões de êxito.


AS BANDAS:

» BABYLON CIRCUS
(Ska Reggae Rock – França)
Uma das melhores bandas ao vivo do MUNDO está a caminho do MUSA. Preparados para saltar?

Este ano o MUSA tem o prazer de apresentar no seu cartaz, no dia 04 de Julho, uma das melhores bandas ao vivo do mundo - BABYLON CIRCUS. Esta banda francesa é uma das principais bandas de ska da actualidade e a sua música está fortemente marcada aos elementos punk, rock e aos ritmos da Europa de Leste, onde a componente teatral e circense não é esquecida.
Esta banda abraça a busca de realidades alternativas e de justiça social.
www.myspace.com/babyloncircus


TARAF DE HAIDOUKS
(World Music – Roménia)
Uma missão musical que se manifesta através da qualidade dos seus concertos electrizantes e energia positiva são alguns dos factores que caracterizam esta banda mundialmente conceituada que irá fechar a 10ª edição do MUSA.

As ancestrais tradições musicais dos ciganos «lautari» da Roménia são levadas através das performances espectaculares dos TARAF DE HAÏDOUKS, uma banda composta por onze instrumentistas e cantores entre vinte e setenta anos de idade fazendo bom uso das palavras mobilidade, espontaneidade, diversidade, cumplicidade e despique que caracterizam cada concerto.
O confronto entre gerações provoca a dualidade entre a balada cantada e sentida com a mesma mágoa do blues e as composições instrumentais tocadas a todo o gás, e por tudo isto, esta banda aclamada por todo o mundo, tornou-se na principal embaixatriz da cultura musical da Roménia.
Todo o seu tecnicismo e improviso põem à prova a capacidade de criar empatia em qualquer palco do mundo. Sente-se que a Taraf de Haïdouks precisa do calor do público, como uma acendalha numa fogueira, para entrar em combustão e dar toda a energia e virtuosismo selvagem que têm e não têm.
Receberam um prémio de «Best world music álbum» pela Associação de críticos Alemã e ainda foi feito um documentário sobre a banda, filmado em 1998 pelo realizador francês Guy Demoy.
www.myspace.com/tarafdehaidouksbandofgypsies 


» LYRICSON
(Reggae – França)
Pela 1ª vez em Portugal a solo, o MUSA apresenta a nova sensação do reggae europeu através de Lyricson, convidado da mítica banda ASSASSIN e durante muitos anos a segunda voz de MANU CHAO.

Lyricson é uma das novas vozes a surgir no panorama do reggae europeu. Com uma forte influência de Capleton é dono de um vocal poderoso, o que o torna num talento especial como vocalista de Dancehall.
A sua participação nas tourneés com o mítico grupo francês Assassin e depois como segunda voz de Manu Chao, despoletou em 2004 a sua carreira a solo já esperada à bastante tempo com o álbum ‘Born to Go High’.
Dia 05 de Julho, Lyricson irá fazer jus à sua reputação e iremos assistir a um concerto com um ritmo alucinante.
www.myspace.com/lyricson


» A.M.O.R.
As A.M.O.R. surgiram a 5 de Outubro de 2006, fruto de uma tarde de feriado entediante. Depressa se entusiasmaram com o resultado dos esforços sónicos e com o número de amigos e elogios que agora apareciam todos os dias, via myspace. Foi então que começaram a ter a honra de ouvir a sua música em rádios como a Antena 3 ou a Oxigénio.
Entre concertos, compilações, mixtapes e participações, esticaram o tempo para preparar novas canções, tudo a pensar na realização do sonho de um álbum, que se avista para 2009.
www.myspace.com/amorloveyou


» InnaStereo
Banda formada em Setembro de 2005, por um grupo de amigos com gosto em comum por reggae, dub, rap, ska, estilos estes que influênciam a sua música. Desde muito cedo, começaram a dar concertos onde obtiveram uma boa crítica por parte do público/media. Durante o ano de 2006 tocaram em bastantes locais, na zona de Lisboa, onde tiveram a honra de partilhar os palcos com grandes nomes do Reggae Internacional como Alpha Blondy e David Rodigan. No final do ano de 2006/inicio de 2007, gravaram o primeiro trabalho, intitulado “Radio InnaStereo” que não chegou a sair para a rua. No princípio de 2007 foram forçados a parar, devido à saída de alguns membros. Durante algum tempo procurou-se incessantemente os membros para ocupar esses lugares. Entretanto, a banda continuou a produzir, abdicando de actuações ao vivo, durante esse período. Em Outubro de 2007, com todas as posições repostas, iniciou-se a pré-produção das músicas para o novo EP. O concerto de regresso de Innastereo aos palcos, deu-se em Março de 2008. Brevemente, sairá o segundo EP, neste momento em fase de masterização.
www.myspace.com/innastereo


» Katharsis
Mas o que mais marca nos katharsis é serem voluntariamente inacabados, assumidamente impolidos e perfeitos na sua imperfeição. Estão numa busca incansável pelo que há de mais além, e apesar de terem partido de uma sonoridade reggae, revelaram-se desde logo despretensiosos, descomprometidos e experimentadores. Isto permitiu-lhes viajar musicalmente aos mais refundidos cantos da terra, e às vezes ainda mais além! Com um sentido de humor único passam de uma tenda de circo, para as areias da arábia, cavalgam no faroeste, para se perderem num acampamento cigano… É por isto que a música que ouvimos soa tão singular e genuína como familiar e ancestral – é a música do mundo. O ritmo é frenético, provocador e indignado. É uma revolta contra o compasso vulgar, comodista e inconsequente. É esta revolta que despoleta a transformação do Ser.
www.myspace.com/skatharsis


» Quaiss kitir
Depois de cerca de cinquenta concertos por todo o país, de Porto a Lagos, incluindo presenças em dois dos maiores festivais de música de Portugal, o Festival Sudoeste e o Surf Fest de Sagres, e partilhando o palco com artistas mundialmente conhecidos como Matisyahu, Jimmy Cliff, Alpha Blondie, Xavier Rudd e David Rodigan, os Quaiss Kitir são vistos como uma grande promessa no cenário musical português. Com os seus concertos loucos, frenéticos e suados, conseguiram ganhar um bom nome e imagem junto do público jovem.
Em 2007 lançaram o seu álbum de estreia, ‘Ape Rising’, produzido por Cesco e esperam ansiosamente por todas as oportunidades de levar a sua música ao seu público, e sobretudo, por se divertirem.
www.myspace.com/quaisskitir


» Saumik
A música dos Saumik pode ser caracterizada como uma sonoridade híbrida composta por um lado pela linguagem do rock tradicional - guitarras e baixos com distorção complementadas com ritmos e vozes fortes e alternados -  e por uma parte electrónica e psicadélica fruto da presença dos sintetizadores conjugados com frases de guitarra hipnóticas.
www.myspace.com/saumikband


» Supreme Soul
Com os Supreme Soul, o grupo de Tiago Nobre Dias, João Melo, Susana Nogueira e Pedro Valério, a cena electrónica-pop portuguesa ganha novo fôlego com um toque de nostalgia pelos bons anos 80 vividos em clubes underground e com o ritmo e melodia merecidas que o pop lhe pode reservar.
Pintado com batidas graves e por vezes um tanto ou quanto sombrias os Supreme Soul remetem-nos para um universo de metamorfoses constantes que nos fazem divagar da melancolia à euforia. Com músicas fortes a nível sensorial esta banda deixa-nos com o sabor de veludo na boca e com vontade de nos enrolarmos a ele. Este é o som ideal para quem viveu à séria toda a cena dos clubes dos anos 80 londrinos e que quer recordar ou então perfeito para ser remisturado sem lhe tirar qualquer ponta de essência.
Faz jus às suas raízes...perfeito para levar uma plateia a saltar durante muito tempo!
www.myspace.com/supremesoulmusic


» The Rising Sun Experience
O nome The Rising Sun Experience foi escolhido em homenagem ao guitarrista Jimi Hendrix, pela sua importante influência musical em inúmeras bandas funk e rock.
Esta banda regressa às raízes do rock dos anos 70 e mistura o funk, o grunge, o blues, a electrónica, o estilo progressivo entre outros géneros musicais encontrados também em bandas que sempre os influenciaram, tais como: Led Zeppelin, Black Sabbath, King Crimson, Deep Purple, The Doors, Santana na sua primeira formação, Soundgarden, Miles Davis na sua fase eléctrica, Karlheinz Stockhausen, Simon and Garfunkel.
www.myspace.com/therisingsunexperience


» Tsunamiz
Não há motivos para os Tsunamiz: São um reflexo natural do actual estado de sítio adormecido. Dada a escolha, não hesitariam, também eles, em baixar armas perante a vida fácil, beber a ambrósia do capitalismo e aprender a manobrar o chicote da auto-flagelação popular – Para apressar a descida aos infernos do ser, derradeiro propósito do Homem do sec. XXI. Como um todo, porém, existem como reacção ao culto do dogmático e da superstição, um anticorpo contra a celebração da ignorância, rumo à sua mútua destruição. Não é sequer o asco que os move, é a ininteligível química de se ser quem se é.
Os Tsunamiz são a língua de fogo que há-de lavrar os campos, soterrar de vez os túmulos dos velhos profetas e pôr fim às suas póstumas incursões nocturnas pelas mentes incautas, a devastação que deve preceder um Novo Nascimento. Assim o exige a inocente, risonha sinceridade da lei natural das coisas.
www.myspace.com/tsunamiz».

Ainda mais informações, aqui.

13 maio, 2008

Festival Med de Loulé - Amadou & Mariam, Deolinda e Solomon Burke juntam-se a Balkan Beat Box


Dos Balkan Beat Box já se sabia, mas sabem-se agora mais três nomes que fazem parte do Festival Med de Loulé, que decorre de 25 a 29 de Junho: o do grande mestre da soul music Solomon Burke (na foto) e o do fabuloso casal de malianos Amadou & Mariam, para além dos nossos Deolinda (ver calendário no post que lhes é dedicado, algumas páginas abaixo, neste blog). Segundo um comunicado da Pure.Ativism, «esta iniciativa, promovida e organizada pela Câmara Municipal de Loulé, já na 5ª edição, visa divulgar a cultura dos países mediterrânicos e do mundo, proporcionando o contacto com as várias manifestações culturais, com especial relevo para a música... Em termos musicais, este festival aposta claramente na divulgação de artistas e conceito “world music”, tendo como critério base a excelência dos projectos musicais e a manifestação das suas origens. Durante cinco dias, o Med apresenta mais de 40 nomes, entre bandas e DJs, num cartaz que integra ritmos de Espanha, Itália, Marrocos, Portugal, Jamaica, Mali, entre muitos outros países... Mais do que uma mostra musical, este festival pretende ser um palco para outras manifestações culturais, afirmando-se como uma janela para o mundo, um local onde se podem conviver de perto com outras culturas, experienciar hábitos diferentes e provar os “sabores mediterrânicos”. De 25 a 29 de Junho, Loulé veste-se de cores quentes e, pelas ruas, será possível assistir a teatro e animação de rua, demonstrações originais de artes plásticas, provar iguarias gastronómicas».

06 maio, 2008

Rotas e Rituais – O Povo das Estrelas: Um Festival de Cultura Cigana


Segundo mais uma notícia sumarenta avançada pelas Crónicas da Terra, as Festas da Cidade de Lisboa integram este ano o festival Rotas e Rituais – O Povo das Estrelas, dedicado à música e cultura cigana. O festival - que decorre no início de Julho e se reparte entre o Cinema S.Jorge e o Padrão dos Descobrimentos - inclui concertos dos romenos Fanfare Ciocarlia acompanhados por várias outras estrelas europeias da música cigana reunidas no disco/espectáculo «Queens and Kings», dia 1; dos sérvios Kal (na foto, de Mike Bowring) e dos franceses Bratsch, dia 2; e dos espanhóis Son De La Frontera, dia 3. O festival inclui ainda uma mostra de filmes de Tony Gatlif - «Les Princes», «Gadjo Dilo», «Transylvania», «Exils» e o seminal «Latcho Drom» -, exposições de pintura e fotografia, uma mostra de trajes femininos, conferências, ateliers para crianças e teatro infantil.

29 fevereiro, 2008

Última Hora: Gogol Bordello no Oeiras Alive!


É uma das melhores notícias dos últimos tempos: a trupe multinacional Gogol Bordello (na foto) vai regressar a Portugal - depois de um concerto avassalador no FMM de Sines, o ano passado (e um outro em Paredes de Coura) -, dia 10 de Julho, integrada na programação do Oeiras Alive, que decorre em Algés de 10 a 12 desse mês. Música balcânica, hinos punk, alegria delirante, mosh e pogo e stage-diving, tarantelas italianas transformadas em mísseis de longo alcance, duas japonesas gémeas em bombos de (verdadeira) festa e o carisma do ucraniano Eugene Hutz a incendiar o ambiente é o que se prevê, mais uma vez, para o seu concerto do Alive. No cartaz deste festival, para além dos Gogol Bordello, estão também já confirmados os nomes de Ben Harper & The Innocent Criminals, Rage Against The Machine e Within Temptation. Mais informações aqui.

21 fevereiro, 2008

Festival MED de Loulé Com Balkan Beat Box


A edição deste ano do Festival MED de Loulé - mais uma vez a decorrer na última semana de Junho - já tem um nome confirmado, o dos fabulosos Balkan Beat Box, segundo avança o blog Crónicas da Terra. Os Balkan Beat Box são um duo constituído por dois israelitas, Ori Kaplan e Tamir Muskat, radicados em Nova Iorque e apaixonados por variadíssimos géneros de música - a música balcânica, o klezmer, a música árabe, o flamenco, as polifonias búlgaras e... as electrónicas, o punk, o ragga, o trance, o funk, o ska, o hip-hop. Géneros que, na sua música em disco - e muito epecialmente ao vivo, onde são acompanhados pelo MC Tomer Yosef, uma banda completa e dançarinas da dança-do-ventre - tomam formas novas e inesperadas, aliados a mensagens de apelo à paz entre judeus e árabes no Médio Oriente. Os leitores deste blog podem ler (ou reler) críticas aos dois álbuns editados até agora pelos Balkan Beat Box, «Balkan Beat Box» e «Nu-Med», em posts do Raízes e Antenas de 12 de Outubro de 2006 e 19 de Outubro de 2007, respectivamente.

13 fevereiro, 2008

Intercéltico de Sendim - As Nações Unidas de Miranda


E mais uma grande notícia chegada via Crónicas da Terra: a oitava edição do Festival Intercéltico de Sendim - mais uma vez organizado por Mário Correia, do Sons da Terra - decorre de 1 a 3 de Agosto, com algumas escolhas dentro do espírito habitual do festival mas também com algumas novidades absolutas, como a abertura às sonoridades do Leste da Europa! Por Sendim, este ano, vão passar músicas e músicos da Escócia, Portugal, Galiza, Astúrias, Hungria e Ucrânia. Ora veja-se: na primeira noite, a de dia 1, actuam os conimbricenses Ginga, seguidos dos asturianos Skanda e dos respeitadíssimos galegos (com voz portuguesa, a da cantora Sara Vidal, nossa camarada blogosférica nos Sons Vadios) Luar na Lubre. Mas as verdadeiras surpresas ficam reservadas para a segunda noite, a de dia 2, com actuações dos húngaros Kerekes Band (ver crítica ao disco «Pimasz» neste blog) e dos ucranianos Voanerges (na foto), ficando o encerramento oficial por conta da folk-progressiva dos escoceses Shooglenifty. Um encerramento que, como sempre em Sendim, não é bem encerramento já que no dia seguinte, domingo, dia 3, ainda haverá lugar para a «missa céltica» e para mais um concerto, desta vez com o rock cantado em mirandês dos Pica Tumilho. A programação fica completa com jams na Taberna dos Celtas, animação de rua e concertos temáticos com os gaiteiros da família Fernandes e uma evocação do tamborileiro Virgílio Cristal. Mais informações aqui.

29 janeiro, 2008

DJ Click, [dunkelbunt] e Gaetano Fabri - Quando o Mundo É a Pista de Dança (e Vice-Versa)


No passado fim-de-semana, depois dos concertos de Emir Kusturica, houve sessões after-hours «balcânicas» em Lisboa, no Santiago Alquimista, e no Porto, no Contagiarte, com vários DJs a passar música cigana de Leste. E, um pouco por todo o lado, há cada vez mais gente a fazer remisturas ou a especializar-se como DJs de variadíssimos géneros «locais» e/ou «globais». Podem-se citar alguns nomes, entre uma miríade de outros: Shantel, DJ Dolores, Mercan Dede, o menos conhecido mas excelente Uptown Joji (Daladala Soundz), etc, etc... Desta vez fala-se aqui de três outros DJs há muito rendidos à world music: DJ Click (na foto com a violinista de klezmer Estelle Goldfarb), Gateano Fabri e [dunkelbunt].


DJ CLICK
«FLAVOUR»
No Fridge

Membro do colectivo electro-jazz-world UHT, director da editora No Fridge, DJ e remisturador apaixonado por inúmeras músicas do mundo - e como ele as conhece bem, raios o partam! -, o francês DJ Click é um dos melhores, talvez mesmo o melhor, exemplo de como se podem transportar muitas músicas tradicionais para um futuro em que a música de judeus e muçulmanos, de ciganos espanhóis e do leste da Europa, de negros, de brancos e de mestiços de várias origens conseguem todas conviver, cruzar-se e obrigar toda a gente a dançar numa nave espacial utópica e cheia de músicas novas. Músicas novas como o dub, o electro, o drum'n'bass. Neste álbum estão cá, em estado puro ou muitas vezes remisturados por DJ Click, temas do turco Burhan Öçal, da espantosa cantora húngara Mitsoura, do alemão [dunkelbunt] - de quem falaremos a seguir -, dos Transglobal Underground, dos espanhóis Laxula, do argelino Rachid Taha, do projecto balcânico (produzido por DJ Click) Tziganiada, entre muitos outros. Uma festa pegada, sempre futurista mas sem deixar de ter, lá bem funda, a tradição. (9/10)


[DUNKELBUNT]
«MORGENLANDFAHRT»
Chat Chapeau/Soulseduction

Outro excelente álbum!... «Morgenlandfahrt» é apresentado, conceptualmente, como uma viagem ao longo do dia por vários países (Hungria, Sérvia, Turquia, Bulgária...), com gravações feitas nos locais pelo próprio [dunkelbunt]. Conceito à parte, o álbum é um cocktail sempre impecavelmente misturado num «shaker» onde convivem imensos sabores, de muita música original do alemão sediado na Áustria [dunkelbunt] a música já conhecida - ou especialmente feita para este álbum - de gente como a Amsterdam Klezmer Band, a Fanfare Ciocarlia, Ostblocket, Orient Expressions ou os 17 Hippies. Com vários MCs a puxar, e bem, pelas vozes e a dar pujança ao conteúdo da música, a música dos Balcãs, o klezmer, a música turca surgem aqui mergulhados num caldo onde o dub, o reggae, o jazz ou o trip-hop alteram marcadamente as músicas de raiz, sempre com o fito de criar uma música nova e original. Um objectivo mais que conseguido por [dunkelbunt], nome artístico de Ulf Lindemann. (8/10)


GAETANO FABRI
«NUIT TSIGANE»
Le Divan du Monde/Crammed Discs/Megamúsica

Embora seja o álbum musicalmente menos interessante deste lote, «Nuit Tsigane - Gypsy Night at Le Divan du Monde» é aquele que é capaz de ter mais apelo comercial: nele, o DJ belga Gaetano Fabri faz uma selecção avassaladora dos nomes mais - e alguns, menos - conhecidos da música cigana dos Balcãs, reunindo-os num todo homogéneo e, sempre, dançável. Com subtis alterações de pitch, acelerações, algum uso e abuso do dub, um ou outro efeito electrónico, Gateano Fabri remistura temas dos KAL, da Koçani Orkestar, da Fanfare Ciocarlia, dos Balkan Beat Box e dos Taraf de Haidouks, juntando ainda ao lote temas assinados por DJ Eastender, Beltuner, Romashka ou... o já referido DJ Click, aqui em parceria com a cantora Rona Hartner. E este álbum é o resultado, passado ao suporte CD, de muitas sessões de DJing de Gaetano Fabri no mítico teatro Le Divan du Monde, em Paris, um resultado que pode não ser absolutamente brilhante mas é uma boa fonte de referências para os apaixonados da música balcânica e uma mina de «pilhagens» possíveis para sets de DJ dos outros DJs todos. (7/10)

14 janeiro, 2008

Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra em Dose Dupla


Ainda não se sabe se a super-produção teatral «Time of The Gypsies» - a ópera-rock (ou, se se preferir, «ópera-punk») adaptada do filme com o mesmo nome de Emir Kusturica - alguma vez chegará às salas portuguesas. Mas muitos temas da sua banda-sonora serão interpretados por Kusturica e os seus companheiros da No Smoking Orchestra nos concertos que o grupo tem marcados para 25 de Janeiro no Coliseu do Porto e um dia depois no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Temas como «Efta Purane Ikone», o emblemático «Hederlezi», «Cik Cik Pogodi» ou o popíssimo «Evropa», à mistura com outros temas sacados à tradição balcânica e outros compostos por Kusturica (e/ou pelos seus camaradas dr Nelle Karajlic e Dejan Sparavalo) como «Unza Unza Time» ou «Pitbull Terrier». E se Woody Allen pôde vir tocar clarinete com a sua banda de jazz na passagem-de-ano portuguesa, outro realizador de cinema, Kusturica, bem pode vir tocar guitarra eléctrica com a sua trupe de ciganos-fake armados em rockers e fazer uma festa... maior.

19 outubro, 2007

Taraf de Haidouks, Shantel e Balkan Beat Box - A Música Cigana Por Veredas e Auto-Estradas


A explosão de sucesso da música cigana dos Balcãs no circuito da world music está a criar a necessidade de «desvios» à fórmula original, riquíssima na sua base mas - nota-se, ao fim de alguns anos - limitada em termos de amplitude tímbrica e de soluções harmónicas e melódicas; o que, aliás, acontece também com inúmeras outras músicas «regionais». Não é, portanto, de estranhar que este filão esteja a ser sujeito a adaptações e cruzamentos com outras músicas, percorrendo novos caminhos - sejam as veredas enviesadas em que os Taraf de Haidouks levam a música cigana de regresso a casa, sejam as modernas auto-estradas trilhadas por Shantel (na foto) e os Balkan Beat Box.


TARAF DE HAIDOUKS
«MASKARADA»
Crammed Discs/Megamúsica

«Maskarada», o novo álbum dos seminais Taraf de Haidouks, parte de uma ideia óptima - fazer versões de peças clássicas do Séc. XX inspiradas pela música cigana, numa atitude de reapropriação de uma herança glosada por muita gente exterior ao universo da música tradicional balcânica (e não só). Nesse sentido, os Taraf atiram-se a peças de Béla Bártok (claro!, ele que foi um investigador incansável da música tradicional romena e húngara), Aram Kachaturian, Manuel de Falla (numa aproximação aos primos da Andaluzia), Albert Ketèlbey, Isaac Albéniz e Joseph Kosma, fazendo versões primorosas do ponto de vista técnico mas falhando, quase sempre, na ideia de reapropriação e retradicionalização dos temas: as peças estão quase sempre muito próximas dos originais e nem a presença recorrente do acordeão ou do cimbalom chegam para dar uma cor «aldeã» ao conjunto. E é pena, porque se há grupo que poderia virar esta música de cabeça para baixo e fazê-la beber do leite original seria exactamente este bando de aldeões de Clejani, na Roménia. E um bom exemplo do que poderia ter sido este álbum é o cruzamento livre de «In a Persian Market» de Ketèlbey com «Les Feuilles Mortes» de Joseph Kosma na faixa 5. Fica a intenção e, mais e melhor, os seis temas dos próprios Taraf de Haidouks que aqui aparecem, se calhar inconscientemente para mostrar como a sua música ainda continua viva e próxima das raízes apesar... dos desvios. (6/10)


SHANTEL
«DISKO PARTIZANI»
Essay Recordings/Crammed Discs/Megamúsica

Muitos desvios - e saudáveis! - é o que faz Shantel no seu novo álbum de originais, o primeiro em muitos anos e depois de muitas remisturas para variadíssimos grupos de música cigana (os aqui em cima referidos Taraf de Haidouks incluídos), várias compilações (em que ao lado dos seus temas e das suas remisturas deu a conhecer muitos artistas de Leste) e inúmeras actuações como DJ solitário ou com a sua trupe do Bucovina Club. «Disko Partizani» é uma viagem pela música cigana dos Balcãs mas também por músicas mais ou menos próximas da Grécia, Turquia, Israel, Albânia, Bulgária, Macedónia... e misturando tudo, de forma brilhante e com um sentido pop apuradíssimo, com rock, ska, disco-sound, electrónicas variadas e mais o que se possa imaginar, criando com isso uma música nova, excitante e sempre mais que dançável. Sem espinhas! Depois, neste álbum - em que Shantel também se revela como um mais que razoável vocalista - está um leque de convidados impressionante: da cantora sérvia Vesna Petkovic aos surf-klezmers israelitas Boom Pam, passando pelo trompetista sérvio Marko Markovic, pelo clarinetista Filip Simeonov (dos Taraf de Haidouks), o cantor grego Jannis Karis, o acordeonista francês François Castiell (dos Bratsh) ou a cantora canadiana Brenna MacCrimon, entre muitos outros, numa celebração contínua de música viva e capaz de derrubar todas as barreiras e preconceitos. Brilhante! (9/10)


BALKAN BEAT BOX
«NU-MED»
Crammed Discs/Megamúsica

Trilhando um caminho paralelo ao de Shantel, o novo álbum dos Balkan Beat Box, «Nu-Med», também cruza a música cigana dos Balcãs com inúmeras outras músicas (do hip-hop ao rock e à música jamaicana - dub, dancehall... -, passando pelo klezmer e a música árabe). E se é algo estranho assistir a uma música feita por um alemão (mas com ascendência na região de Bucovina) que vai aos Balcãs, como é Shantel, ainda mais estranho poderia parecer o que leva uma dupla de israelitas sediados em Nova Iorque (Tamir Muskat e Ori Kaplan), os Balkan Beat Box, a viajar pelos caminhos do Leste da Europa. Mas, como é sabido, a música é universal e, se o primeiro álbum dos BBB era já um bom exemplo de como as fanfarras ciganas podiam cruzar-se com liberdade e criatividade com muitas outras músicas, «Nu-Med» mostra o grupo a fazer uma música ainda mais verdadeira e orgânica, ao mesmo tempo que ainda mais aberta a outras sonoridades. Mais: os BBB costumam referir o passado comum de muitos judeus e de muitos ciganos do Leste Europeu - e não há dúvidas quanto às proximidades da música cigana e da música klezmer - antes do estabelecimento do estado de Israel. Mas nem este aval teórico/histórico seria necessário para se perceber que esta música contém suficientes elementos de verdade para que possa ser ouvida sem que soe a falso ou artificial. Sem fronteiras (a inclusão de colaboradores sírios no álbum é também um «statement» político e, não por acaso, «Nu-Med» é o desejo de um «novo Mediterrâneo», em paz) e sem barreiras. (8/10)

23 maio, 2007

Jacky Molard, Norkst e Erik Marchand - Novos Sons da Bretanha (e do Mundo)



A Bretanha, zona «celta» do hexágono francês, tem uma história musical riquíssima bem representada nas tradicionais Bagads (as fanfarras «armadas» de gaitas-de-foles, bombardas e tambores) ou em artistas e grupos que estiveram na vanguarda - umas vezes melhor, outras vezes pior - da reinvenção da folk bretã como Alan Stivell, Tri Yann, Dan Ar Braz, Gwendal, Kornog ou Strobinell. Uma recente fornada de discos vinda da editora Innacor - e com dois dos projectos presentes no FMM de Sines -, mostra como a música da Bretanha (e dos outros locais que estes músicos visitam) está viva e em permanente renovação: Norkst, Jacky Molard Acoustic Quartet (na foto) e Erik Marchand.


ERIK MARCHAND
«UNU DAOU TRI CHTAR»
Innacor Records

O cantor e clarinetista parisiense de ascendência bretã Erik Marchand tem uma longuíssima carreira na renovação da música feita na região onde estão as suas raízes mais profundas. Apaixonado desde muito novo pelas músicas das festoù-noz (os bailes populares da Bretanha), Marchand fez recolhas no terreno, aprendeu a tocar biniou (gaita-de-foles) e o canto tradicional bretão, estabeleceu-se na Bretanha e envolveu-se em inúmeros projectos musicais, nomeadamente o importante grupo Gwerz, várias parcerias com Thierry «Titi» Robin e colaborações com o projecto Celtic Procession de Jacques Pellen e grupos de Tarafs ciganos da Roménia. E todo este «background» de Marchand ajuda a compreender melhor a riqueza e diversidade da música contida no seu recente álbum «Unu Daou Tri Chtar», em que é acompanhado pelo violinista francês Jacky Molard (outro nome de proa da música bretã) e dois músicos ciganos: o saxofonista romeno Costica Olan (no sax tradicional taragot) e o acordeonista sérvio Viorel Tajkuna. E o resultado, irresistível e muitas vezes dançável, é uma mistura orgânica de música cigana do Leste europeu (Roménia, Sérvia, Moldávia), klezmer, música tradicional bretã e até uma homenagem a Jacques Brel (na versão de «Jaures»), tudo sempre muito bem cantado e tocado. (8/10)


JACKY MOLARD
«ACOUSTIC QUARTET»
Innacor Records

Também com uma carreira musical bastante longa (cerca de trinta anos), o violinsita Jacky Molard - que deixa a sua marca, forte, no referido álbum de Erik Marchand (e com quem também trabalhou durante muitos anos nos Gwerz) - tem neste disco em nome próprio, «Jacky Molard Acoustic Quartet», uma presença naturalmente mais efectiva, tanto como instrumentista quanto como compositor ou arranjador dos temas tradicionais que o quarteto interpreta. Com Molard (violino) estão neste álbum Yannick Jory (saxofones alto e soprano), Hélène Labarrière (contrabaixo) e Janick Martin (acordeão diatónico). Quarteto aberto a muitas músicas - das danças tradicionais bretãs (que comungam de muitos pontos comuns com as danças irlandesas e escocesas, numa irmandade «celta» que é conhecida), ao jazz de vanguarda (há alguns momentos noisy e bastante experimentais no álbum, a competir de igual para igual com outros extremamente líricos e «paisagísticos», com um swing imparável em «Just Around The Window» ou com um reel «celta» saído da Knitting Factory, «Aky's Reel»), à música erudita e a outros sons, com o klezmer e a música cigana de Leste (cf. em «Nishka Bania») em evidência. Molard é um violinista fabuloso (tanto quando se atira à tradição como quando vai à improvisação, em que se aproxima bastante do nosso Carlos Zíngaro) e o resto do grupo é também muitíssimo bom. (9/10)


NORKST
«KREIZ BREIZH AKADEMI»
Innacor Records

Uma espécie de «big band» nascida na Kreiz Breizh Akademi (academia de música tradicional da Bretanha) - e daí o título do álbum -, os Norkst (ou 'Norkst') agrupam uma infinidade de alunos e professores desta academia, sob a direcção de Erik Marchand, que também contou com a colaboração de Thierry «Titi» Robin, Ross Daly, Hasan Yarimdunia e alguns outros nas composições e arranjos e com Jacky Molard nas misturas do disco (isto está tudo ligado, como se pode ver). Com Simone Alves (portuguesa? brasileira?), Eric Menneteau e Christophe Le Menn como vocalistas, os Norkst têm a música e os cantos tradicionais (kan ha diskan, desgarrada, gwerzioù...) da Bretanha como ponto de partida para uma música aberta e livre em que se junta a improvisação e os solos do jazz às «taksimleri» da música oriental - há por aqui várias sugestões de música turca e paquistanesa, por exemplo -, a música medieval e renascentista (cf. em «Before Bac'h») e algumas vezes uma abordagem rock dos temas interpretados (cf. em «Ton Doubl»). Tudo feito com inúmeros instrumentos: harpa, biniou (gaita-de-foles), violinos, acordeão cromático e diatónico, clarinete, percussões, as estridentes bombardas tradicionais, contrabaixo, guitarras e flautas. E com uma alegria, uma fruição e uma liberdade extraordinárias. (9/10)

18 maio, 2007

A Hawk and A Hacksaw - Com os Amigos Húngaros em Braga


O duo norte-americano A Hawk and A Hacksaw (na foto) e o Hun Hangár Ensemble (que agrupa alguns músicos recrutados pelo duo na Hungria) apresentam-se, amanhã, dia 19 de Maio, no Theatro Circo de Braga. O princípio da história é bonito e os leitores mais atentos deste blog já o conhecem (ver crítica ao álbum «The Way The Wind Blows», dos A Hawk and A Hacksaw, um pouco mais abaixo, neste blog): o multi-instrumentista Jeremy Barnes (Neutral Milk Hotel) e a violinista Heather Trost, desde o início dos A Hawk and A Hacksaw que têm demonstrado o seu amor pela música balcânica, amor que teve a sua expressão maior exactamente em «The Way The Wind Blows», disco em que contaram com a colaboração de músicos da Fanfare Ciocarlia e de Zach Condon, do projecto Beirut. Mas a continuação ainda é mais bonita: no ano passado, Heather e Jeremy deslocaram-se a Budapeste, na Hungria, e lá fizeram amizade com músicos locais, ligados à música tradicional, ao jazz, ao minimalismo. Com eles - Bela Agoston (gaita-de-foles, clarinete e saxofone), Ferenc Kovacs (trompete e violino), Zsolt Kurtosi (contrabaixo) e Balázs Unger (cimbalom), que respondem agora pelo nome colectivo de Hun Hangár Ensemble -, o duo criou um projecto que tanto interpreta temas tradicionais da música balcânica (Hungria, Roménia e Sérvia) e da tradição klezmer como alguns originais de Jeremy. O resultado disto tudo é, para já, um disco (em que Zach Condon também participa), um DVD e uma digressão - a mesma que passa agora por Braga - em que o duo se faz acompanhar apenas pelos amigos húngaros e por um baterista escocês, Alex Nielson. Mais informações aqui.

11 maio, 2007

Fanfare Ciocarlia, Beirut e A Hawk and A Hacksaw - A Raiz... e as Antenas



Há muitos músicos que vão às raízes da música dos locais em que nasceram e, de antenas apontadas para o exterior, juntam-lhes influências de outros lugares, muitas vezes distantes. Esse movimento é feito geralmente das «periferias» para o «centro», com músicos asiáticos, africanos, sul-americanos ou do continente europeu a ir ao rock, ao hip-hop ou às electrónicas e a mesclá-los com as suas músicas tradicionais. Mas também há exemplos contrários, como no caso dos norte-americanos Beirut e A Hawk and A Hacksaw, que se apaixonaram pela música cigana dos Balcãs. E com a bênção directa, pelo menos num dos casos, da Fanfare Ciocarlia (na foto), cujo recentíssimo novo álbum é também aqui apresentado.



FANFARE CIOCARLIA
«QUEENS AND KINGS»
Asphalt Tango/Megamúsica

Uma das mais amadas e respeitadas bandas de metais da música cigana do leste europeu, a Fanfare Ciocarlia - que continua a ter como base de operações a aldeia de Zece Prajani, na Roménia - convidou para este novo álbum muitos outros cantores e músicos «romani» (ciganos) do resto da Europa. E o resultado é uma celebração festiva, explosiva muitas vezes, da cultura cigana, comum a romenos, franceses, búlgaros ou macedónios, mesmo que as suas formas musicais sejam aparentemente bastante diferentes - da folia rítmica das secções de metais balcânicas ao flamenco ou à tristeza funda e indisfarçável do canto da «rainha» Esma Redzepova (mesmo que numa canção aparentemente alegre como é «Ibrahim»). «Queens and Kings», o novo álbum da Fanfare Ciocarlia, é uma viagem, em caravana, por uma rota imaginária em que os ciganos, desde a Idade Média, foram absorvendo músicas que os rodeavam (por exemplo, o flamenco - tido como música cigana por excelência - foi uma criação conjunta de ciganos, sim, mas também de judeus e muçulmanos, todos irmanados na fuga à Inquisição espanhola), mas mantendo sempre, intactos, traços comuns e ancestrais. No álbum (dedicado a Ioan Ivancea, o clarinetista e patriarca da Fanfare, falecido o ano passado) colaboram Redzepova, Ljiljana Butler, Mitsou (ex-Ando Drom/Mitsoura), Florentina Sandu (neta do mítico Nicolae Neacsu, dos Taraf de Haidouks) - ambas num tema fabuloso, «Duj Duj» -, Saban Bajramovic, Jony Iliev, os Kaloome e os Kal, entre outros. E termina com uma versão divertidíssima do clássico rock «Born To Be Wild», dos Steppenwolf. (9/10)


A HAWK AND A HACKSAW
«THE WAY THE WIND BLOWS»
The Leaf Label


Traço de união perfeito entre estes três discos, «The Way The Wind Blows», dos A Hawk and A Hacksaw, começa com o som de guizos de cavalos que puxam uma carroça e os metais de alguns dos músicos da Fanfare Ciocarlia (e a trompete de Zach Condon, o menino-Beirut, a ajudar), dando o mote para um álbum lindíssimo, lírico, muitas vezes melancólico mas com uma luz interior fortíssima. Os A Hawk and A Hacksaw são um duo originário de Albuquerque, Novo México, Estados Unidos, formado por Jeremy Barnes (também dos Neutral Milk Hotel; no acordeão, piano, percussões e voz) e Heather Trost (violino e viola d'arco). E em «The Way The Wind Blows», terceiro álbum do duo, com a ajuda dos músicos já referidos e alguns outros, dão-nos uma música híbrida mas sempre consistente em que a inspiração da música cigana europeia (dada pela presença em vários temas dos músicos da Fanfare Ciocarlia mas também com ligações directas aos húngaros Muzsikás ou aos romenos Taraf de Haidouks, por via dos jogos de acordeão e violino feitos pelo duo) se cruza com a free-folk de Devendra Banhart, a folk «paisagística» dos Espers ou a folk psicadélica dos Vetiver. Ora mais festiva (quando a Fanfare está presente), ora mais intimista e nostálgica, a música que está em «The Way The Wind Blows» é sempre muitísimo boa. Como curiosidade, refira-se que há um tema chamado «Oporto»... com rãs a coaxar e charanga balcânica mas sem relação «audível» com a cidade portuguesa. (8/10)



BEIRUT
«GULAG ORKESTAR»
Ba Da Bing! Records

Igualmente originário do Novo México, mais propriamente de Santa Fe, o jovem músico e compositor Zach Condon é a força criativa por trás do projecto Beirut que, em «Gulag Orkestar», tem também a contribuição dos dois A Hawk and A Hacksaw (Jeremy Barnes e Heather Trost) e mais alguns músicos que ajudam à feitura de uma música-irmã da dos A Hawk and A Hacksaw. Mas com algumas, e fundamentais, diferenças: a música de Zach Condon é sempre mais aberta, positiva e «alegre» (mesmo que ele cante sobre as maiores tristezas da vida). E como ele canta! A voz de Zach (que, se não me engano, teria 19 anos quando gravou este álbum, em 2005) é um encanto absoluto - uma voz bem timbrada, pessoalíssima, que faz lembrar aqui e ali Chet Baker (na fase pré-heroína), Scott Walker (na fase pré-loucura) e Antony (sem o falsete). Condon é compositor, cantor, multi-instrumentista (ele toca trompete, cavaquinho, piano, órgão, bandolim, percussões e piano) e a música, embora fortemente influenciada pelas sonoridades balcânicas, passa também por muitas outras paisagens sonoras, dos mariachis mexicanos e de uma suave pop electrónica («Scenic World») a valsas parisienses (oiça-se a lindíssima «Mount Wroclai»), à música da Penguin Cafe Orchestra e a Michael Nyman (principalmente as bandas-sonoras feitas para os filmes de Peter Greenaway). Uma maravilha constante. (9/10)

09 fevereiro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XII.1 - Ástor Piazzolla


Símbolo maior do tango e da sua renovação - o «nuevo tango» -, o músico e compositor argentino Ástor (Pantaleón) Piazzolla (nascido a 11 de Março de 1921, em Mar del Plata, Argentina; falecido em 4 de Julho de 1992) foi também o intérprete maior de um instrumento, o bandoneón, que está agora indelevelmente ligado a esse género musical feito de paixão, sangue e alma. Incorporando no tango outros elementos musicais - o jazz e a música erudita (bem presentes em temas como inesquecível «Libertango») - Piazzolla transportou o género de casas de má-fama em Buenos Aires para os grandes palcos do mundo, sem nunca por isso esquecer as suas origens e a sua verdade. Piazzolla viveu durante alguns anos da sua infância e juventude em Nova Iorque, o que poderá explicar a sua abertura ao jazz e a outros géneros musicais. Mas isso não explica completamente o seu génio absoluto e tudo o que pelo tango - e pela música - fez em toda a sua obra. Enorme!


Cromo XII.2 - Concha Buika


O nome é lindíssimo e, passe a piada, enche a boca: Concha Buika. Cantora de origem africana (Guiné-Equatorial), Concha nasceu na cidade espanhola de Palma de Maiorca, em 1972, e passou os primeiros anos da sua vida no meio da comunidade cigana local. E o resultado desta estranha «mestiçagem» só podia dar nisto: uma cantora que, na sua música, mistura jazz, boleros, flamenco, funk, música africana. A pedra de toque para a sua original fusão musical dá-se em Londres, durante um concerto de Pat Metheny, que a leva a fazer música com instrumentistas americanos e marroquinos, ao teatro com La Fura dels Baus, ao cinema e à música... house. E, depois, à sua visão pessoal de uma música sem fronteiras em que o jazz, a tradição andaluza, África, o tango e mil outras músicas não conhecem fronteiras nem passaportes. Audição aconselhada: o álbum «Mi Niña Lola» e o mais recente «Niña de Fuego».


Cromo XII.3 - Márta Sebestyén & Muzsikás



A cantora húngara Márta Sebestyén - uma das melhores e mais respeitadas em todo o universo folk/world actual -, nascida a 19 de Agosto de 1957, tem uma distinta carreira feita em nome próprio e em colaborações com jovens grupos húngaros ou com grupos estrangeiros como os duvidosos Deep Forest ou os misteriosos e fantásticos Towering Inferno. Márta é também a voz inesquecível da banda-sonora de «O Paciente Inglês». Por sua vez, os Muzsikás são a maior instituição da música tradicional húngara, descobrindo as origens ciganas ou judaicas da sua música, visitando compositores como Zoltan Kodaly ou Béla Bartók, arrasando tudo à sua passagem com os seus violinos, contrabaixos, koboz, gardon e cimbalom. Mas, ao longo das suas carreiras, é mesmo quando a voz de Márta e os instrumentos dos Múzsikas se juntam - em álbuns e ao vivo - que a verdadeira, a grande magia acontece.


Cromo XII.4 - Farinha Master


Os seus concertos eram uma surpresa constante. Neles poder-se-ia ouvir fado mutante em electrónica lo-fi, poesia concreta transmutada em hard-rock manhoso, música minimal-repetitiva passada por uma peneira minhota. E relatos de futebol e transmissões do 13 de Maio e discursos políticos. O génio irrequieto, talvez doentio, «arrasa-paredes», de Farinha Master (de verdadeiro nome Carlos Cordeiro, nascido em 1957, falecido a 18 de Fevereiro de 2002), filtrado através do seu grupo mais lendário, os Ocaso Épico, só ficou registado em disco no álbum «Muito Obrigado» (1988) mas, principalmente, no tema «Intro» (com Anabela Duarte), da primeira colectânea da Dansa do Som, «Ao Vivo no Rock Rendez Vous». Farinha ainda passou pelos WC (antes dos Ocaso Épico) e pelos Zao Ten, K4 Quadrado Azul, The Pé e Angra do Budismo (depois). Uma figura ímpar.

02 fevereiro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XI


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XI.1 - Fanfare Ciocarlia


Quem já assistiu a um concerto (ou vários) da Fanfare Ciocarlia sabe ao que é que vai. A um concerto electrizante, sem dúvida, mas também ao que se vai passar a seguir ao concerto: encores longuíssimos em halls de teatros, na rua, no check-in de aeroportos. Originária da aldeia de Zece Prajini, na Roménia, a Fanfare Ciocarlia é possivelmente a mais bem conhecida banda de metais cigana da actualidade. Nascida em 1996, de uma ideia do produtor alemão Henry Ernst, que convenceu alguns dos músicos locais a formar um grupo para digressões internacionais, a Fanfare Ciocarlia nunca deixou, ao longo dos últimos dez anos, de desmentir este início, digamos, «artificial». Porque a sua música transporta sempre uma verdade e um espírito primordiais, mesmo quando fazem versões do tema do «007» ou do «Born To Be Wild». Álbuns aconselhados: «Radio Pascani», «Iag Bari» e o fabuloso «Queens and Kings», em que colaboram muitos outros músicos ciganos europeus: Esma Redzepova, Jony Iliev, Kaloome, Ljiljana Butler, KAL, Mitsou...


Cromo XI.2 - Actores Alidos


Quando se ouve falar de música vocal polifónica da ilha italiana da Sardenha, ouve-se geralmente falar de grupos masculinos - como os fabulosos Tenores di Bitti -, mas aqui fala-se de um extraordinário grupo formado por cinco cantoras e percussionistas - Valeria Pilia (a líder do grupo), Alessandra Leo, Manuela Sanna, Roberta Locci e Valeria Parisi - e um multi-instrumentista, Orlando Mascia, em instrumentos tradicionais como o launeddas (uma flauta-tripla), sulitu (flauta tradicional), trunfa (berimbau) e acordeão. Do seu reportório fazem parte cânticos sagrados, canções de embalar, serenatas, danças populares ou canções fúnebres ou de amor, usando quer temas tradicionais no seu estado puro quer adaptações da poesia sarda para composições originais. Audição aconselhada: o álbum «Canti delle Donne Sarde».


Cromo XI.3 - Griots


À semelhança dos bardos e dos trovadores europeus, os griots da zona mandinga de África (Mali, Senegal, Gâmbia, Costa do Marfim, Guinés...) são músicos e cantores que, desde há séculos, andam de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, transportando consigo - de uma forma poética, verbal, musical - as memórias das famílias, das tribos, dos reinos. Através da voz e de instrumentos de eleição como a kora (na foto) ou o balafon, os griots (ou jelis), cantores e músicos, são o receptáculo de uma memória que vai passando de geração em geração. Tal como, aliás, os griots eles mesmos, sempre oriundos de famílias que se especializaram nesta arte ao longo dos últimos séculos, transmitindo de pais para filhos ensinamentos ancestrais. Como curiosidade refira-se que a palavra «griot» deriva do francês «guiriot», adaptação da palavra portuguesa «criado».


Cromo XI.4 - Aronas


O excelentíssimo leitor está a ver o Mozart? Sim? Então agora imagine por favor um pianista de jazz que, na Nova Zelândia, começa aos onze anos a papar os mais prestigiosos prémios do seu país nesta área musical. O músico em questão, Aron Ottignon, mudou-se entretanto para a Austrália, tocou em festivais e salas americanas e inglesas (ok, também tocou no casamento do actor Russelll Crowe), sempre com críticas do género «o feiticeiro do piano» ou «uma pipa de testosterona, Rachmaninov - vai - ao - jazz...», e formou um grupo, os Aronas, em que é acompanhado por outras três luminárias do jazz dos antípodas - David Symes (baixo), Josh Green (percussões) e Evan Mannell (bateria) - ou, nas digressões europeias, por Nick Fyffe (baixo), Paul Derricott (bateria) e Sam Dubois (steelpan). Há quem chame aos Aronas jazz-punk, mas na sua música há jazz, soul, funk, punk, ritmos tradicionais do Pacífico Sul. Uma surpresa constante. Audição aconselhada: o álbum «Culture Tunnels».

10 janeiro, 2007

Cromos Raízes e Antenas IX



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Cromo IX.1 - Ravi Shankar


Há-de ficar para a história da música - da «world music», sim, mas também de todas as músicas - o momento, gravado no álbum «Concert for Bangladesh» (concerto de solidariedade organizado por George Harrison em 1971), em que o público aplaude Ravi Shankar antes deste dizer: «Muito obrigado, estava só a afinar o instrumento...». Shankar (nascido a 7 de Abril de 1920, em Varanasi, Índia) é o mais respeitado mestre da sitar, principalmente no Ocidente, onde granjeou o respeito e a estima de artistas tão diferentes quanto os Beatles ou Philip Glass. Nascido numa família brâmane, Ravindra (Ravi) Shankar foi director musical da Rádio indiana nos anos 50 e a sua fama chegou ao Ocidente nos anos 60, tendo actuado nos lendários festivais de Monterey e Woodstock. Dono de uma impressionante carreira a solo, Shankar gravou também em duo com compositores renomados como Philip Glass («Passages»).


Cromo IX.2 - Luaka Bop



Fundada em 1988 por David Byrne (a cabeça por trás dos Talking Heads e parceiro de Brian Eno no seminal «My Life In The Bush of Ghosts»), a norte-americana Luaka Bop assumiu-se ao longo dos últimos vinte anos como uma das mais importantes editoras da chamada world music - apesar de este «selo» ser bastante redutor em relação à alargada e abrangente política de contratações desta editora -, lançando álbuns de artistas como as Zap Mama, Tom Zé (que através dela conseguiu uma segunda e riquíssima fase da sua carreira, depois de muitos anos de apagamento), Susana Baca, Silvio Rodriguez, Geggy Tah, Los Amigos Invisibles, Nouvelle Vague, Jim White, Paulo Bragança, A.R. Kane, Djur Djura, Cornershop, Waldemar Bastos, Mimi Soak (ex-Hugo Largo), Los de Abajo, Bloque, King Changô, Os Mutantes, do próprio David Byrne a solo e colectâneas de música brasileira, cubana, peruana, africana, asiática e francesa, entre outros.


Cromo IX.3 - Cesária Évora


A Diva dos Pés Descalços, Cesária Évora (nascida a 27 de Agosto de 1941, no Mindelo, Cabo Verde) é a maior embaixadora da música cabo-verdiana da actualidade. Com um gosto especial pelas mornas, a cantora não deixa por isso de experimentar outros géneros cabo-verdianos como a coladeira ou o funaná e de se atirar a versões pessoalíssimas de outros géneros, como a música cubana. Apesar de ter cantado regularmente nos anos 60 e 70 - tendo chegado a gravar um single com o grupo Conjunto -, Cesária passa depois dez anos sem cantar e só grava o seu primeiro álbum a sério, «Cesária Évora», em 1987. Seguem-se o famoso «La Diva aux Pieds Nus» (1988), «Destino di Belita» (1990), «Mar Azul» (1991) e «Miss Perfumado» (1992), que a instalam definitivamente nas rotas dos festivais da world music. O seu último álbum de originais, «Rogamar», foi editado em 2006 e, em 2008, saiu «Radio Mindelo» (querecuperou gravações suas dos anos 60).

Cromo IX.4 - The Nightlosers


Liderados por um realizador de cinema, Hano Hoffer, os Nightlosers são uma banda romena que se dedica à fusão dos blues eléctricos de Chicago com a música tradicional da Transilvânia. Um excelente exemplo - entre milhares de outros - de uma miscigenação cada vez mais efectiva de músicas locais com sonoridades anglo-saxónicas, os Nightlosers são também os protagonistas do filme ««Euroamerican Nightlosers/The Human Hambone», realizado por Sorin Iliesiu e Mark Morgan, que conta a história dos blues desde África aos Estados Unidos e à... Roménia. O seu álbum de 2000, «Plum Brandy Blues», mostra clássicos como «Hoochie Coochie Man», «Stormy Monday Blues», «Everyday I Have the Blues», «Pretty Thing» ou até «Blue Suede Shoes» (de Elvis Presley) infectados por um violino cigano e um cimbalom.

20 novembro, 2006

Cromos Raízes e Antenas V



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Cromo V.1 - Violeta Parra



Violeta Parra (Violeta del Carmen Parra Sandoval; 14 de Outubro de 1917 – 5 de Fevereiro de 1967) foi uma das mais importantes cantoras e compositoras da «nueva canción» chilena, integrando elementos da música tradicional do seu país (chegou a gravar temas populares, em duo com a sua irmã Hilda, no início de carreira) em canções de forte carga política. Também uma reconhecida pintora (teve uma exposição no Louvre, aquando da sua longa estada em Paris), Violeta juntou à sua arte uma empenhada intervenção na «coisa pública» chilena, aderindo ao Partido Socialista e criando uma comuna artística. Apesar de ter composto a canção cheia de esperança - e um hino de variadíssimas causas um pouco por todo o mundo - «Gracias A La Vida», Violeta Parra suicidou-se em 1967. Discografia aconselhada: «Paroles et Musiques», «Las Ultimas Composiciones», «Cantos Campesinos» e «Decimas Y Centecimas».


Cromo V.2 - Dança Sufi



A dança dos dervixes sufi - uma dança sagrada, circular, que pretende levar ao êxtase - tem a sua origem na Turquia, na ordem sufi dos Mevlevi. Nesta dança, reservada aos homens (apesar de na actualidade haver algumas mulheres que se «atrevem» a praticá-la, nomeadamente as bailarinas que acompanham Mercan Dede), os dançarinos giram sobre si próprios como peões, muitas vezes durante horas, apoiados no pé esquerdo enquanto o pé direito fornece subtis rotações ao resto do corpo. Muitas vezes, o dançarino cai de exaustão (ou êxtase) e inicia um processo de meditação em contacto com o chão, a Terra. Recentemente, a dança sufi serviu de inspiração ao espectáculo (e DVD de sucesso) «Dances of Ecstasy», da coreógrafa Gabrielle Roth.


Cromo V.3 - Goran Bregovic



O compositor e guitarrista Goran Bregovic (nascido a 2 de Março de 1950) é um dos maiores responsáveis pelo conhecimento no exterior da música balcânica, nomeadamente através de bandas-sonoras que compôs («O Tempo dos Ciganos», «Arizona Dream, «Underground») para filmes de Emir Kusturica, com quem depois cortou relações devido à guerra na ex-Jugoslávia. Natural de Sarajevo, Bregovic começou a sua carreira em grupos rock como os Kodeksi e os Bijelo Dugme, antes de se tornar famoso mundialmente através da música que compôs para estes e outros filmes como «Kuduz», «The Serbian Girl», «A Rainha Margot», «Tuvalu», «Toxic Affair» ou o mais recente e polémico «Borat - Cultural Learnings of America...») e de parcerias com gente como Sezen Aksu, Iggy Pop, George Dalaras, Kayah ou Cesária Évora. Ao vivo, Goran Bregovic é acompanhado pela sua Wedding and Funeral Band.


Cromo V.4 - Ladysmith Black Mambazo



O grupo coral masculino sul-africano Ladysmith Black Mambazo teve uma primeira encarnação entre 1960 e 1964, de nome Ezimnyama Ngenkani, antes de se transformar gradualmente - sempre sob a direcção do seu líder Joseph Shabalala - no mais importante colectivo de canto a capella da música zulu. No entanto, numa África do Sul sujeita ao regime racista do «apartheid», só em 1973 o grupo grava o seu primeiro álbum, «Amabutho», que atinge a marca de disco de ouro, tendo sido os primeiros artistas negros a consegui-lo no seu país-natal. Nos anos 80 chegam à fama internacional quando colaboram no álbum «Graceland», de Paul Simon, que produz de seguida três dos mais conhecidos álbuns do grupo: «Shaka Zulu» (1987), «Journey of Dreams» (1988) e «Two Worlds, One Heart» (1990). O seu álbum de 2006, «Long Walk to Freedom», inclui colaborações das Zap Mama, Melissa Etheridge, Emmylou Harris, Lucky Dube e Taj Mahal, entre outros, e o mais recente «My Dream - African Sounds» (2008) é uma colaboração entre os LBM e o coro gospel sul-africano SABC Choir.

05 novembro, 2006

Cromos Raízes e Antenas III



Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo III.1 - Nicolae Neacsu




Violinista cigano da Roménia, contrabandista de cigarros, figura mítica dos Taraf de Haidouks, o violinista Nicolae Neacsu (1924-2002) costumava apresentar-se assim: «E agora, Nicolae Neacsu, de Clejani, o maior violinista do mundo, vai tocar para vocês». Formados em 1989, pouco antes da morte do ditador romeno Ceausescu, os Taraf de Haidouks (Taraful Haiducilor) espalharam pelo mundo a arte da música cigana dos Balcãs, editaram vários álbuns fundamentais - «Musiques de Tsiganes de Roumanie», «Honourable Brigands, Magic Horses And Evil Eye», «Dumbala Dumba», «Band of Gypsies», entre outros -, encontram-se entre os protagonistas do filme «Latcho Drom» e adquiriram fãs inesperados em todo o lado, do actor Johnny Depp ao Kronos Quartet. Continuam a ser muito bons, mesmo sem a presença tutelar de Nicolae Neacsu, e no seu último álbum, «Maskarada», levam de volta ao universo cigano peças de autores eruditos como Bártok, Khachaturian, iszt, de Falla e Albeniz, entre outros.


Cromo III.2 - Krishna


Talvez a primeira presença registada iconograficamente de uma entidade divina tocando um instrumento musical é a de Krishna, deus que representa o Amor e a Beleza (em sânscrito, respectivamente, «Prema» e «Rupa»). Muitas vezes, Krishna é representado como um jovem pastor que toca flauta para a sua manada de vacas (animais sagrados na religião hindu) ou para a sua esposa principal, Radha. Segundo muitas narrativas mitológicas do hinduísmo, Krishna é a oitava representação ou encarnação («avatar») de Vishnu, mas no «Bhagavad Gita» é visto como o deus maior da constelação de divindades hindus e a origem de todas as outras encarnações. Mas todas as correntes hindus convergem num ponto: Krishna tem origem divina, foi pastor quando criança e em adulto foi um notável guerreiro e professor. A devoção a Krishna não é exclusiva do hinduísmo, estando também presente noutras religiões como o jinismo, o budismo, a Fé Bahá'í e até algumas correntes do islamismo.


Cromo III.3 - Fela Kuti



Figura maior da música africana do séc. XX, o nigeriano Fela Anikulapo Kuti (Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kuti; nascido a 15 de Outubro de 1938, em Abeokuta; falecido a 2 de Agosto de 1997) foi a síntese mais-que-perfeita de uma música que fundiu sons de raiz africana com géneros negros norte-americanos como a soul, o jazz e o funk. Cantor, multi-instrumentista, compositor, Fela Kuti inventou o afrobeat e criou uma legião de seguidores em todo o mundo - dos seus filhos Seun e Femi Kuti aos Antibalas, passando por alguns dos seus antigos companheiros de aventuras agora bem firmados a solo como Tony Allen e Dele Sosimi. Personagem única também para além da música, Fela tinha no seu país natal uma voz activa politicamente (o que lhe valeu ser perseguido pela polícia nigeriana) e criou uma «república» - Kalakuta, que era ao mesmo tempo casa, estúdio e comuna - onde congregou à sua volta as suas mulheres e os seus músicos. Só para abrir o apetite para a arte maior de Fela Kuti: a caixa de três CDs «Fela - King of Afrobeat - The Anthology».

Cromo III.4 - Tango



Música que canta o amor e a morte, o azar e a sorte, a tragédia e a ainda-mais-tragédia (tanguédia), o tango - também uma dança erótica por excelência - é a expressão maior da música argentina, sim, mas também tem ramificações próximas no Uruguai e distantes em países como a Polónia. Com uma base instrumental que inclui voz (se bem que haja tango unicamente instrumental, como no caso do génio Astor Piazzolla), bandoneón, violino, contrabaixo e piano, o tango teve como intérpretes maiores o cantor Carlos Gardel e o já referido Astor Piazzolla (mestre do bandoneón, primo do acordeão), havendo ainda hoje uma nova geração de intérpretes do tango que vale a pena acompanhar: La Chicana, 34 Puñaladas, Cristobal Repetto, Adriana Varela ou o electro-tango dos Gotan Project, Tango Crash, Tanghetto ou Bajofondo Tango Club.