O recuperado Cinema Batalha (vénia aos empregados, desde os do restaurante às do bar e aos porteiros da cave-discoteca, inexcedíveis em simpatia e profissionalismo) foi um excelente cenário para o Intercéltico do Porto, desta vez com a vantagem - sempre reclamada e só agora, felizmente, satisfeita - de ter uma plateia de pé onde se podia dançar e, diga-se, onde a dança nunca faltou. E, refira-se, um Batalha cheio no primeiro dia e quase cheio (havia Boavista-FC Porto nessa noite) no segundo. Nem tudo foi perfeito - Quico, atrás dos botões da mesa de som, queixava-se da reverberação da sala, com paredes ecoantes vivas e muito altas - mas o balanço foi mais que positivo. Na primeira noite actuaram os Lúmen (agora com Cristina Castro a ocupar, e muito bem, o lugar de vocalista), que puseram logo dezenas de pessoas a dançar ao som da sua música híbrida que tanto pode fazer uma abordagem punk da «Saia da Carolina» como pode mergulhar no flamenco ou cruzar o ska com a música «celta». Depois, os irlandeses Téada (diz-se «Têida», o que provocou algumas piadas óbvias entre o círculo de amigos que por lá se formou) mostraram como a maestria no domínio dos instrumentos (com destaque para o violonista Oisín Mac Diarmada) e o apego às raízes, neste caso à música maioritariamente originária de Sligo e também do cancioneiro dos emigrantes irlandeses nos Estados Unidos, pode também ser sinónimo de renovação e emoção e evolução. Depois, num espaço paralelo, os Bailebúrdia (e outros músicos que se quiseram a eles juntar) recuperaram muito bem o velho espírito do Intercéltico, com danças e despiques (chegou a haver cinco gaiteiros, ou mais?, a meter o «Smoke On The Water», dos Deep Purple, pelo meio de temas tradicionais). A noite, já longa, ainda teve uma extensão, como não podia deixar de ser, no Contagiarte. Na segunda noite, a surpresa foi os... Mu (na foto; de Nelson Silva). E surpresa porque, em poucos meses, o grupo cresceu imenso em maturidade, criatividade, coesão, alegria. Os Mu - que já antes faziam uma festa pegada ancorada nas danças tradicionais europeias - continuam nessa linha mas agora, agora que estão prestes a editar o seu segundo álbum e foi neste novo reportório que o concerto se baseou, com alguns acrescentos importantes em termos de formação: do grupo faz agora também parte Sérgio Calisto (violoncelo, moraharpa, bouzouki), que veio dar uma maior consistência ao grupo, e neste concerto tiveram como convidada em três temas a cantora Helena Madeira (ex-Dazkarieh, agora no Projecto Iara), cuja voz entrou que nem uma luva na música dos Mu. Semi-desilusão foram os galegos Pepe Vaamonde Grupo. Tal como os Téada, todos os músicos do PVG - liderados pelo gaiteiro... Pepe Vaamonde - são um portento de técnica, de precisão e da arte de bem recuperar a, neste caso, tradição musical galega. Mas, sabe-se lá porquê, no concerto do Intercéltico o grupo teve um défice de emoção que empobreceu a comunicação com o público e a beleza do espectáculo. Nada de grave, principalmente porque a seguir houve outra dose de Bailebúrdia, desta vez no hall do Batalha e com ainda mais gente a participar nas danças. O fim de noite, esse, ficou reservado para a surrealista incursão na delegação do Sporting no Porto feita por três benfiquistas (eu, o Luís Rei e o Pedro), onde encontrámos música feita por clones bastante credíveis dos Ramones e de Jimi Hendrix enquanto bebíamos as últimas cervejas e picávamos petiscos inesperados como fígado de cebolada e febras com morcela (tudo bastante picante!) preparados por uma senhora cabo-verdiana e... benfiquista. Só faltou a cachupa. Nota final 1: foi bom rever o Avelino Tavares, o mesmo anfitrião de sempre, de excelente saúde e com vontade de mais Intercélticos do Porto (venham eles!). Nota 2: está agora a sair um álbum, editado pela Som Livre, comemorativo dos vinte anos do festival em que estão canções de alguns dos artistas e grupos emblemáticos que já passaram por lá: Fairport Convention, Luar na Lubre, Júlio Pereira, Maddy Prior, Sétima Legião, Tri Yann, Kepa Junkera, Vai de Roda, Gaiteiros de Lisboa, Uxia, Kila, Brigada Victor Jara, Ghalia Benali & Timnaa, Carlos Nuñez, Galandum Galundaina, entre outros. Faltam muitos (mais de 80 projectos já estiveram no Festival), mas a amostra presente no disco é suficiente para se perceber o que o Intercéltico do Porto já fez pela divulgação de muitas, muitas músicas - e não só a, novamente entre aspas, «celta».
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30 abril, 2007
O Intercéltico do Porto Está Vivinho da Costa!
O recuperado Cinema Batalha (vénia aos empregados, desde os do restaurante às do bar e aos porteiros da cave-discoteca, inexcedíveis em simpatia e profissionalismo) foi um excelente cenário para o Intercéltico do Porto, desta vez com a vantagem - sempre reclamada e só agora, felizmente, satisfeita - de ter uma plateia de pé onde se podia dançar e, diga-se, onde a dança nunca faltou. E, refira-se, um Batalha cheio no primeiro dia e quase cheio (havia Boavista-FC Porto nessa noite) no segundo. Nem tudo foi perfeito - Quico, atrás dos botões da mesa de som, queixava-se da reverberação da sala, com paredes ecoantes vivas e muito altas - mas o balanço foi mais que positivo. Na primeira noite actuaram os Lúmen (agora com Cristina Castro a ocupar, e muito bem, o lugar de vocalista), que puseram logo dezenas de pessoas a dançar ao som da sua música híbrida que tanto pode fazer uma abordagem punk da «Saia da Carolina» como pode mergulhar no flamenco ou cruzar o ska com a música «celta». Depois, os irlandeses Téada (diz-se «Têida», o que provocou algumas piadas óbvias entre o círculo de amigos que por lá se formou) mostraram como a maestria no domínio dos instrumentos (com destaque para o violonista Oisín Mac Diarmada) e o apego às raízes, neste caso à música maioritariamente originária de Sligo e também do cancioneiro dos emigrantes irlandeses nos Estados Unidos, pode também ser sinónimo de renovação e emoção e evolução. Depois, num espaço paralelo, os Bailebúrdia (e outros músicos que se quiseram a eles juntar) recuperaram muito bem o velho espírito do Intercéltico, com danças e despiques (chegou a haver cinco gaiteiros, ou mais?, a meter o «Smoke On The Water», dos Deep Purple, pelo meio de temas tradicionais). A noite, já longa, ainda teve uma extensão, como não podia deixar de ser, no Contagiarte. Na segunda noite, a surpresa foi os... Mu (na foto; de Nelson Silva). E surpresa porque, em poucos meses, o grupo cresceu imenso em maturidade, criatividade, coesão, alegria. Os Mu - que já antes faziam uma festa pegada ancorada nas danças tradicionais europeias - continuam nessa linha mas agora, agora que estão prestes a editar o seu segundo álbum e foi neste novo reportório que o concerto se baseou, com alguns acrescentos importantes em termos de formação: do grupo faz agora também parte Sérgio Calisto (violoncelo, moraharpa, bouzouki), que veio dar uma maior consistência ao grupo, e neste concerto tiveram como convidada em três temas a cantora Helena Madeira (ex-Dazkarieh, agora no Projecto Iara), cuja voz entrou que nem uma luva na música dos Mu. Semi-desilusão foram os galegos Pepe Vaamonde Grupo. Tal como os Téada, todos os músicos do PVG - liderados pelo gaiteiro... Pepe Vaamonde - são um portento de técnica, de precisão e da arte de bem recuperar a, neste caso, tradição musical galega. Mas, sabe-se lá porquê, no concerto do Intercéltico o grupo teve um défice de emoção que empobreceu a comunicação com o público e a beleza do espectáculo. Nada de grave, principalmente porque a seguir houve outra dose de Bailebúrdia, desta vez no hall do Batalha e com ainda mais gente a participar nas danças. O fim de noite, esse, ficou reservado para a surrealista incursão na delegação do Sporting no Porto feita por três benfiquistas (eu, o Luís Rei e o Pedro), onde encontrámos música feita por clones bastante credíveis dos Ramones e de Jimi Hendrix enquanto bebíamos as últimas cervejas e picávamos petiscos inesperados como fígado de cebolada e febras com morcela (tudo bastante picante!) preparados por uma senhora cabo-verdiana e... benfiquista. Só faltou a cachupa. Nota final 1: foi bom rever o Avelino Tavares, o mesmo anfitrião de sempre, de excelente saúde e com vontade de mais Intercélticos do Porto (venham eles!). Nota 2: está agora a sair um álbum, editado pela Som Livre, comemorativo dos vinte anos do festival em que estão canções de alguns dos artistas e grupos emblemáticos que já passaram por lá: Fairport Convention, Luar na Lubre, Júlio Pereira, Maddy Prior, Sétima Legião, Tri Yann, Kepa Junkera, Vai de Roda, Gaiteiros de Lisboa, Uxia, Kila, Brigada Victor Jara, Ghalia Benali & Timnaa, Carlos Nuñez, Galandum Galundaina, entre outros. Faltam muitos (mais de 80 projectos já estiveram no Festival), mas a amostra presente no disco é suficiente para se perceber o que o Intercéltico do Porto já fez pela divulgação de muitas, muitas músicas - e não só a, novamente entre aspas, «celta».
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27 abril, 2007
Intercéltico do Porto - Começa Já Hoje!
Já tinha muitas saudades do Intercéltico do Porto. E não há melhor maneira de as matar, às saudades, que ir até lá e mergulhar de cabeça no calor e amizade que aquele Festival sempre nos dá. Vou com amigos, à espera de reencontrar amigos. E isso é bom... O programa do Festival - que decorre no Cinema Batalha - é, como já foi referido neste blog há dois meses, constituído por concertos dos Lúmen (Portugal) e Téada (Irlanda), hoje, dia 27; e dos Mu (Portugal) e Pepe Vaamonde Grupo (Galiza; na foto), amanhã, dia 28. Mas há uma novidade: depois dos concertos há bailes com música tradicional europeia pelos Bailebúrdia (grupo que integra alguns elementos dos Mu), no denominado Folk Club (café-concerto) do Cinema Batalha. Como extensão do Festival Intercéltico, a cidade minhota de Arcos de Valdevez acolhe hoje um concerto da Brigada Victor Jara e, amanhã, dos Téada, na Casa das Artes. E, para acompanhar o Festival, foi criado um blog que se pode encontrar aqui. Até domingo...
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24 fevereiro, 2007
Intercéltico do Porto - O Regresso em Abril
É uma das melhores notícias do ano: o histórico Festival Intercéltico do Porto regressa em Abril à Invicta, com grupos de Portugal, da Irlanda e da Galiza a fazerem a festa. O Festival - em 16ª edição e voltando ao Porto depois de um ano de ausência desta cidade - decorre nos dias 27 e 28 de Abril, no Cinema Batalha, com o primeiro dia a ser preenchido com concertos dos Lúmen (jovem banda folk portuense que, o ano pasado, editou um magnífico álbum de estreia, «Fogo Dançante») e dos Téada (na foto), um dos mais originais, ousados e inventivos grupos irlandeses da actualidade. Na segunda noite, a festa abre com os Mú, outro grupo da Invicta e a garantia de muitas danças tradicionais europeias a saltarem do palco para a plateia. E, na Invicta, o festival termina com o recente e excitante projecto Pepe Vaamonde Grupo, liderado por este gaiteiro das nossas terras-irmãs da Galiza. E, tal como tem acontecido nos últimos anos, o Intercéltico do Porto tem uma extensão em Arcos de Valdevez (o ano passado, aliás, o Festival - sob a designação Noites Folk - teve nesta localidade minhota o seu único «porto» de abrigo), com concertos da Brigada Victor Jara, dia 27, e dos Téada no dia 28. A organização é, como sempre, do Mundo da Canção.
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13 outubro, 2006
Festivais - O Gesto Orelhudo, Entrelaços e Fest-i-Ball
São raros os festivais world/trad/folk/etc,etc fora da época alta, mas ainda acontecem por aí alguns, e bastante interessantes. Como o O Gesto Orelhudo em Águeda, o Entrelaços em Castelo Branco e o Fest-i-Ball em Lisboa.
O festival de música, teatro e bailado O Gesto Orelhudo, organizado pela d'Orfeu, começa hoje em Águeda e decorre até dia 21 deste mês. Esta quinta edição inicia-se hoje à noite com um espectáculo de música e teatro, «Charanga», pela Companhia Circolando e continua com concerto dos sintrenses Kumpa'nia Al-gazarra. E o festival segue com um concerto do açoriano José Medeiros e a «extravagância» dos holandeses «musicómicos» Slampampers, dia 14; teatro pelo suiço Oskar, dia 15; teatro pelo duo Descalças e concerto dos almadenses multinacionais O'QueStrada, dia 16; outra sessão das Descalças e teatro por um trio de actores do Chapitô, dia 17; Descalças (em dose dupla, teatral e musical) e mímica pelo trio ESTE - Estação Teatral, dia 18; bailado pela Companhia Paulo Ribeiro e canções pelo Trigo Limpo, dia 19; música e humor pelo belga Bernard Massuir e concerto dos galegos Marful, dia 20; e, a encerrar, um concerto cómico pelos italianos e outro pelos Toques do Caramulo, dia 21. Mais informações aqui.
Por sua vez, o Entrelaços 2006 - VII Festival Internacional de Música Tradicional de Castelo Branco começa amanhã e ocupará três fins-de-semana consecutivos. O festival, que decorre no Cine-Teatro Avenida, inclui concertos da Orquestra de Harmónicas de Ponte-de-Sôr e dos portuenses Lumen, amanhã, dia 14; do grupo de jazz Comcordas e dos festivos portuenses Mu (na foto), dia 21; e da Orquestra Típica Albicastrense - Musicalbi, no dia 28. Mais informações aqui.
E no Teatro Ibérico, em Lisboa, decorre de 27 a 29 deste mês o Fest-i-Ball, ponto de encontro dos cultores das danças tradicionais de todo o mundo. E, para além dos workshops de danças (valsas, mazurkas, polskas, tradicionais portuguesas...) durante a tarde também haverá concertos à noite. Com os Discantus, Fol&ar e Stéphane Delicq (dia 27); Pascal Seixas, Roncos do Diabo e Stéphane Delicq (dia 28); e Alfa Arroba (este ao fim da tarde, dia 29). Mais informações aqui.
17 agosto, 2006
Folk em Portugal - Fornada Primavera/Verão
Três álbuns de grupos portugueses - Lúmen (na foto), Arrefole e Ginga - com várias coisas a uni-los: a busca activa das raízes da música tradicional portuguesa e algumas pontes lançadas à folk dita «céltica»; a coincidência de dois deles serem editados pela Açor - a activa editora de Emiliano Toste que tantos álbuns desta área tem lançado - e de todos serem distribuídos pela Megamúsica, distribuidora que representa algumas das maiores editoras estrangeiras de world e de folk em Portugal. E algumas a separá-los: o gosto, o tipo de abordagem e a qualidade final dos resultados. Mas, independentemente das diferenças, uma coisa é certa: ainda bem que estes discos existem.
LÚMEN
«FOGO DANÇANTE»
Ed. de Autor/Megamúsica
ARREFOLE
«VEÍCULO CLIMATIZADO»
Açor/Megamúsica
GINGA
«CELEBRATIO»
Açor/Megamúsica
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